Por que o Tempo está Próximo

REVELAÇÃO de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo, Apoc 1:1

O Preterismo coletou aquilo que eles chamam de Textos do Tempo em Apocalipse, que levam a acreditar que o cumprimento do próprio Livro profético tinha que ocorrer durante o primeiro século. Estes são os textos:

1) “coisas que brevemente devem acontecer” (1:1).

2) “Porque o tempo está próximo” (1:3).

3) “em breve virei a ti (tachús)” (2:16).

4) “Eis que venho sem demora (tachús)” (3:11).

5) “É passado o segundo ai; eis que o terceiro ai cedo virá (tachús)” (11:14)

6) “As coisas que brevemente devem (tachos) ter lugar” (22:6).

7) “Eis que venho sem demora (tachús)” (22:7).

8) “Porque o tempo está próximo (Eggús)” (22:10).

9) “Eis que venho sem demora (tachús)” (22:12).

10) “Sim, eu venho (tachús)” (22:20).

Outras passagens citadas fora do Livro de Apocalipse

o dia está próximo” (Rm 13:12),”O fim de todas as coisas está próximo” (I Pedro 4:7), “a vinda do Senhor está próxima“(Tiago 5:8) e “o juiz está às portas” (Tiago 5:9).

Sabemos com certeza que as frases que falam da “proximidade” do Dia do Senhor não são declarações que Jesus retornaria em questão de meses ou anos.

Observem a similaridade com essas passagens:

Clamai, pois, o dia do Senhor está perto; vem do Todo-Poderoso como assolação”, Isaías 13:6.

Porque está perto o dia, sim, está perto o dia do Senhor; dia nublado; será o tempo dos gentios”, Ez 30:3.

“… o dia do Senhor está perto; porque o Senhor preparou o sacrifício, e santificou os seus convidados… esquadrinharei a Jerusalém com lanternas, e castigarei os homens que se espessam como a borra do vinho, que dizem no seu coração: O Senhor não faz o bem nem faz o mal… O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto…”, Sofonias 1:7-14.

A afirmação de que “o dia do Senhor está próximo” poderia não significar o próximo em meses ou anos porque eles foram feitos centenas de anos antes de 70 dC, a suposta época da sua realização!

A frase “as coisas que brevemente devem acontecer” (Ap 1:1) deveria ter sido traduzida como “as coisas que devem acontecer em um curto período de tempo.” Jesus disse simplesmente que os acontecimentos descritos na revelação teria lugar em um curto período de tempo ao invés de se arrastar por décadas.

A frase “venho sem demora” (Ap 3:11; 22:7,12,20) é outro erro de tradução horrível. A palavra “tachu” que é traduzida como “rapidamente”, significa “em breve”, ou seja, sem atraso, em breve, ou (de surpresa), de repente, ou prontamente: Levemente, de forma rápida.

Jesus diz a todos que Ele vai voltar de forma extremamente rápida. Ele vai aparecer do nada. Vai ser uma surpresa para aqueles que não estão prestando atenção ao Seu retorno (I Ts 5:2-4; Apoc 3:3; 15:15) O contexto exige que a tradução seja “de repente”. Sabemos que este é o entendimento correto, porque o Senhor disse que voltaria como um ladrão na noite (I Tess 5:2; II Pedro 3:10; Apoc 16:15), e como uma armadilha (Lc 21:34).

As frases “o dia está próximo” (Rm 13:12), “O fim de todas as coisas está próximo” (I Pedro 4:7) e “a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 5:8) são declarações de edificação. É uma maneira de o Senhor encorajar todos os crentes para mantê-los espiritualmente alertas. Crentes que estão espiritualmente alertas (sóbrios, acordados) não serão pegos de surpresa. Eles vão vê-lo chegando, porque há vários sinais claros que devem ter lugar antes da Tribulação começar (I Tess 5:1-6; II Tess 2:3).

Também sabemos com certeza que essas frases não têm muito efeito quando aplicadas aos textos do tempo da ala preterista, pois, por exemplo, Tiago escreveu que Jesus estava as portas na década de quarenta, quase trinta anos antes do seu alegado retorno em 70 AD. Não há nenhuma maneira de 25 a 30 anos serem considerados “à mão”. Eu poderia acreditar que dois anos é “na mão”, mas não 25 anos. Essa é a exigência na interpretação preterista, pois alegam que João escreveu Apocalipse menos de cinco anos antes da destruição de Jerusalém!

A frase “porque o tempo está próximo” (Ap 1:3) deve ser tomada no contexto. Jesus diz que aqueles que lerem a profecia e mantê-la são abençoados. A revelação também foi dada para os crentes que seriam perseguidos e para àqueles que veriam sua volta. Para serem capazes de aprender antes dEle retornar, e estudar cuidadosamente as profecias, prestando atenção para os acontecimentos descritos e quando teriam lugar.

O tempo de uma passagem é determinado tendo em conta todos os fatores da mesma passagem. Espero mostrar que esses termos são mais propriamente interpretados como indicadores qualitativos (indicadores não cronológicos) descrevendo como Cristo voltará. Como é que ele volta? Será “rapidamente” ou “de repente”.

Sem dúvida, a sobrevivência exegética da posição preterista gira em torno do significado dessas passagens. Quando eles chegam a textos que não parecem harmonizar com sua opinião, se tomado claramente, eles geralmente revertem a seu “tempo” com relação as passagens, e dizem: “Seja qual for o significado dessa passagem, já estabelecemos que ela cumpriu-se no primeiro século”. De acordo com essa crença, eles procuram no primeiro século informações para os eventos que compreendem o significado mais próximo apto para a passagem e, geralmente, encaixam o texto bíblico em discussão.

“Rapidamente”: como e quando?

Mateus 24:34, na frase, “esta geração” é a passagem central usada pelo Preterismo. Sua sobrevivência depende deste detalhe. Apocalipse se torna importante em suas tentativas de “preterizar” a maior parte da profecia bíblica contida no Livro. Assim, os termos “rapidamente” e “próximo” se tornaram a base para a sua insistência de que o livro do Apocalipse se cumpriu na destruição de 70 dC em Jerusalém.

Vamos prolongar a refutação pesquisando o termo “rapidamente”.

“Uma das pistas mais úteis interpretativa no Apocalipse, dizem os Preteristas, é a expectativa contemporânea do autor sobre o cumprimento da palavra profética”. Afirmam que João claramente esperava para breve o cumprimento de sua profecia.

A forma da palavra grega para “rapidamente” (tachos) é usado oito vezes no Apocalipse (1:1, 2:16, 3:11; 11:14; 22:6; 22:7; 22:12, 22: 20). Tachos faz parte de uma família de palavras relacionadas que podem ser usadas para significar “em breve”, como acreditam os preteristas, ou pode ser usada para significar “rapidamente” ou “de repente”, como afirmam muitos futuristas (maneira pela qual a ação ocorre).

Tachos é atestada na Bíblia como se referindo a ambas as possibilidades. 1 Timóteo 3:14 nos deixa a primeira pista quando diz: “Escrevo-te estas coisas, esperando ir ver-te bem depressa;” Por outro lado, Atos 22:18 é descritivo da maneira pela qual o ação acontece”, E vi aquele que me dizia: Dá-te pressa e sai apressadamente de Jerusalém; porque não receberão o teu testemunho acerca de mim.”

A “interpretação tempo” dos preteristas ensina que a palavra tachos usados no Apocalipse (1:1, 2:16, 3:11; 11:14; 22:06, 7, 12, 20) significa que Cristo veio em julgamento sobre Israel através do exército romano nos eventos em torno do ano 70 dC, a destruição de Jerusalém. Mas como é que a “interpretação” a maneira dos futuristas compreende o uso da família Tachos em Apocalipse? O futurista, John Walvoord explica:

Daniel declarou que aquilo que iria ocorrer “nos últimos dias” é aqui descrito como “em breve” (Gr., en tachei), isto é, “rapidamente, ou de repente“, indicando rapidez de execução após o início do que ocorre. A idéia não é que o evento pode ocorrer em breve, mas que quando isso acontecer, ele será repentino (cf. Lucas 18:08, Atos 12:7; 22:18; 25:4, Rm 16:20). Uma palavra similar, tachys, é traduzida como “rapidamente” sete vezes no Apocalipse (2:5, 16; 3:11; 11:14; 22:07, 12, 20).

Passamos agora a uma análise de como a palavra da família Tachos é usado no Apocalipse.

Suporte para a interpretação futurista

1. 1. O uso lexical. O léxico grego, líder em nossos dias, é Bauer, Arndt e Gingrich (BAG), que lista as seguintes definições para tachos: “velocidade, rapidez e pressa” (p. 814). As duas vezes que este substantivo aparece no Apocalipse (1:1; 22:6), é juntamente com a preposição en, fazendo com que esta frase gramaticalmente passe a funcionar como um advérbio revelando-nos da forma “repentina” em que esses eventos terão lugar. Eles vão ocorrer “rapidamente“.

A outra palavra na família tachos usados no Apocalipse como um advérbio é tachús, que em todas as seis vezes ocorre com o verbo érchomai, “vir” (2:16, 3:11; 11:14; 22:07, 12, 20). BAG dá como seu significado “rápido, rápido, rápido” (p. 814) e, especificamente, classifica os seis usos no Apocalipse como significando “sem demora, rapidamente, ao mesmo tempo” (p. 815). Assim, ao contrário do pressuposto de tempo do preterismo, que tomam todas as ocorrências como uma referência ao tempo, BAG (outros léxicos também concordam) recomenda uma tradução descritiva da maneira em que as coisas vão acontecer (Apoc 2: 16, 3:11; 11:14; 22:07, 12, 20).

Evidente que uma ação rápida pode ocorrer no momento mesmo, como em Mt 28:7-8: “Ide depressa e dizei aos seus discípulos e eles partiram rapidamente do sepulcro…”, mas o pensamento não é que eles demoraram, ou esperaram algo para ir, mas que seu movimento foi rápido. Se o Senhor fala sobre este contexto de Apocalipse nos dias em que João viveu então Ele não quis dizer que Ele estava voltando em breve, mas rapidamente e de repente sempre que o tempo, o fim dos tempos, exige sua chegada; é a rapidez do seu movimento que enfatiza a palavra.

Estes termos não são descritivos de quando os eventos ocorrem e nosso Senhor virá, mas sim, descritivo da forma em que terá lugar quando eles ocorrem. Este tipo de frase adverbial em Apocalipse pode de forma mais precisa ser traduzida como “com rapidez, de forma rápida, de uma só vez, em um ritmo rápido [quando ocorre].”

Detalhe esquecido pelo Preterismo

Se João começou a escrever Apocalipse na década de 60, pós 62 até 66, como afirmam os preteristas, os crentes tinham menos de quatro anos para estudar todo o livro. Levou tempo para que o manuscrito ficasse pronto, e mais tempo ainda levaram as cópias que foram enviadas as sete Igrejas, que deveriam ser distribuídas por todo o Império Romano. Concluímos então que a maioria dos cristãos da época nem chegaram a ler o Apocalipse. Os que tiveram a sorte de ler e estudar o fizeram em pouquíssimo tempo. Portanto, menos de quatro anos não é tempo suficiente para alguém, ou uma congregação inteira, ser capaz de compreender as profecias contidas no Livro, a menos que estudassem oito horas por dia. Outro detalhe que destrói totalmente a alegação preterista, é que o Apóstolo João escreveu a sete Igrejas na Ásia, mas nunca enviou sequer uma carta a congregação em Jerusalém. Esse é o maior furo preterista: Segundo eles João escrevia sobre a destruição de Jerusalém, alertando sobre o que ocorreria, mas não enviou sequer uma carta à Igreja da cidade santa.

É ilógico que se pense que Jesus deu esta revelação de vital importância menos de quatro anos antes de seu retorno. Não é tempo suficiente para os crentes estudá-la e ter uma compreensão significativa do mesmo, especialmente porque a grande maioria dos crentes nunca o leu. Os escritos do Novo Testamento levaram vários anos para serem distribuídos por todo o Império Romano. O Senhor Jesus não iria esperar até poucos anos antes de seu retorno para dar esta revelação.

O Preterismo não serve a nenhum propósito útil para os preteristas hoje, exceto para refutar os futuristas. Isso é um desperdício colossal de tempo. Os preteristas deveriam dedicar todo seu tempo para compartilhar o Evangelho com os perdidos, não tentando converter futuristas, historicistas e outros à sua doutrina. A sua falsa doutrina não pode edificar ninguém. Ela só pode confundir e dificultar a propagação do Evangelho e causar dissensão dentro do corpo de Cristo (Gl 5:20).

O Senhor Deus de Israel ditou profecias através de Seus profetas que não foram cumpridas por várias centenas de anos. Por que ele iria mudar esse padrão na dispensação do Novo Testamento e lançar profecias que foram cumpridas em questão de algumas décadas e, no caso do livro de Apocalipse, em menos de quatro anos? Não faz sentido e é contrário à sua natureza padrão, e não está de acordo com a declaração de que ele nunca muda (Heb 13:8).

Os discípulos de Jesus não viram seu retorno

Outra prova irrefutável de que a doutrina preterista está errada é a afirmação clara de Jesus aos discípulos de que eles não iriam ver seu retorno físico,

E disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias do Filho do homem, e não o vereis.” (Lc 17:22). É por isso que Ele lhes disse para não se preocupar com seu retorno, quando pediu-lhe para dizer-lhes quando Ele voltaria (Atos 1:6,7).

Outra declaração em Atos 1 que deixa subentendido que sua aparição novamente a eles ocorreria apenas no fim dos tempos.

9 “… [ Jesus ]… foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.

10 E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que junto deles se puseram dois homens vestidos de branco.

11 Os quais lhes disseram: Homens galileus, por que estais olhando para o céu? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu o vistes ir”.

E por fim, a clássica declaração em Lucas.

Luc 13:35 – Eis que a vossa casa se vos deixará deserta. E em verdade vos digo que não me vereis até que venha o tempo em que digais: Bendito aquele que vem em nome do Senhor.

Nada disso ocorreu em 70 dC!

Exemplos no Antigo Testamento

É importante notar as passagens que até mesmo por estimativas mais conservadoras, não poderiam ter ocorrido durante centenas, até milhares de anos depois de previstas. Por exemplo, Isaías 13:22 diz: “… pois bem perto já vem chegando o seu tempo, e os seus dias não se prolongarão…”. Isto foi escrito por volta de 700 aC, predizendo a destruição de Babilônia, que ocorreu em 539 aC. Da mesma forma, Isaías 5:26 fala da forma, e não o período de tempo, pelo qual a invasão assíria de Israel “virá com velocidade rápida.” Isaías 51:5 diz: “Perto está a minha justiça, vem saindo a minha salvação, e os meus braços julgarão os povos; as ilhas me aguardarão, e no meu braço esperarão.” Esta passagem, provavelmente, será cumprida no milênio, mas nenhum intérprete ousaria colocá-la mais cedo do que primeira vinda de Cristo, pelo menos, 700 anos depois de ter sido dada. Isaías 58:8 fala da recuperação de Israel como acontecendo “rapidamente”, Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Se for uma “passagem de tempo”, então o mais antigo que poderia ter acontecido é 700 anos mais tarde, mas a bem da verdade, é que a previsão ainda ocorrerá. Muitas outras citações no Velho Testamento podem ser reunidas para dar apoio a interpretação futurista em Apocalipse.

Detalhes que atrapalham o Preterismo

Temos varios textos em Apocalipse sugerindo que Jesus voltaria breve

Eis que venho sem demora” (3:11).

Eis que venho sem demora” (22:7).

Eis que venho sem demora” (22:12).

Jesus disse: “Eu estou voltando brevemente

Sim ou não?

Jesus voltando breve, como foi dito por João, significa que tomaria um tempo de mais de dois milênios, pois ele ainda não voltou. Muitos preteristas concordam que Jesus ainda não voltou. Por que então as coisas que em BREVE devem acontecer significar que João escrevia sobre a destruição de Jerusalém que estava as portas?

REVELAÇÃO de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo, Apoc 1:1

Mas o preterista continua:.” Os eventos registrados aqui no Livro do Apocalipse tinham que ter sido cumpridos brevemente, dentro de uma geração da morte de Cristo.

Estava Jesus dizendo que Ele voltaria rapidamente, como em breve, alguns poucos anos depois que João escreveu essas palavras? A maioria preterista vai alegar que nao, mas continuarao alardeando que o breve do verso 1, capitulo 1 de Apocalipse, deve signiicar que a destruicao de Jerusalem era para breve, pois assim Joao resgistrou.

Portanto, estabelecer a data anterior a 70 dC para a escrita e cumprimento de quase vinte capítulos do livro de Apocalipse, firmando-se em Apocalipse 1:1, concluindo que João registrou os acontecimentos que em breve viriam sobre Jerusalém, colocam problemas consideráveis grandes no caminho do intérprete preterista.

E mais ainda, o pior nisso tudo é que o preterista parcial ainda quer manter no futuro os contextos de Apocalipse capítulos 19,20 e 21, os quais, para sua interpretação confusa ter êxito, não deveriam estar localizados antes do capítulo 22:6, 7, 10, 12, 20). Quando o preterista é confrontado com tais versículos eles começam a suar frio, mas mesmo assim fazem vista grossa diante de uma passagem extremamente prejudicial ao seu sistema herético. Provavelmente ainda não perceberam que são obrigados a reconhecer que o Segundo Advento de Cristo e o julgamento final já ocorreram, o que estaria em total desacordo com tudo que o cristianismo ensinou ate a presente data.

Veja o leitor que o texto temporal, o qual exige o breve para logo, é também encontrado no final do Livro de Apocalipse (Ap 22:6, 7, 10, 12, 20), o que logicamente conduz à conclusão de que todo o Livro foi cumprido em 70 dC.

“E ele me disse:” Estas palavras são fiéis e verdadeiras”, e do Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer.”

Esta passagem está localizada no fim do Livro, exatamente após a destruição da Jerusalém Babilônia (Ap 18), e ainda se diz sobre coisas que em breve devem ocorrer. No entanto, o jeitinho preterista, da linha menos radical, usa Apocalipse 20:7-9 como referência para a segunda vinda de Jesus, que ainda ocorrerá no futuro. Como entender agora quando exigem que o “em breve” no inicio do Livro venha tratar da destruição de Jerusalém que seria breve, mas quando esbarram no breve aqui eles estendem o cumprimento para milênios a frente?

Isso cria uma contradição tão medonha dentro da marca preterista que seria bem melhor se nem tivessem tocado em Apocalipse 1.1. Uma vez que 22:6 é uma afirmação referindo-se a todo o livro de Apocalipse, seria impossível tomar breve como uma referência para o ano 70 dC e ao mesmo tempo sustentar que o breve de Apocalipse 1:1 ensina que a queda de Jerusalém estava para acontecer em breve. O preterismo precisa aqui, urgente, adotar uma visão semelhante ao futurismo ou mudar totalmente para a visão preterista extrema, que compreende todo o livro de Apocalipse como a história do passado eliminando assim qualquer interpretação para uma segunda vinda futura, a ressurreição, julgamento do grande trono branco e punição de Satanás, como também do milênio…

Preteristas, até breve…

O Destino de duas Cidades

Na visão profética de João, “Babilônia” é  destruída por um incêndio. Apocalipse 18:8,17,18, diz, “Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga”E todo o piloto, e todo o que navega em naus, e todo o marinheiro, e todos os que negociam no mar se puseram de longeE, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade?…”

Os preteristas alegam que Jerusalém foi um centro de intercâmbio comercial, e que a profecia revela como ela foi completamente destruída por um incêndio em 70 dC. Acrescentam também que a queima de Jerusalém pelo fogo tinha significado teológico.

Acreditam eles que Jerusalém é a Grande Babilônia de Apocalipse 18, tendo sua queda descrita neste capítulo. Entendem que aqui está o registro do  julgamento de Deus advindo através do exercito romano em 70 dC:

Apoc 18:1,21 Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e odiável… E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.

Se a hipótese de Babilônia­/Jerusalém estivesse correta, então Jerusalém nunca seria reconstruída novamente, como afirma o final do verso 21. Portanto, essa não pode ser uma descrição de Jerusalém, pois a Escritura fala repetidamente do retorno desta cidade à proeminência durante o reino milenar (Isaías 2:3; Zc 14:16; Apoc 20:9).

Além disso, segundo eles, a  cidade de Jerusalém é muitas vezes referida como uma filha, e se apoiam em referencias no Velho Testamento para encaixar Jerusalém nesta profecia de Apocalipse.

Lamentações 2:15           Todos os que passam pelo caminho batem palmas, assobiam e meneiam as suas cabeças sobre a filha de Jerusalém, dizendo: É esta a cidade que denominavam: perfeita em formosura, gozo de toda a terra?

16           Todos os teus inimigos abrem as suas bocas contra ti, assobiam, e rangem os dentes; dizem: Devoramo-la; certamente este é o dia que esperávamos; achamo-lo, vimo-lo.

17           Fez o Senhor o que intentou; cumpriu a sua palavra, que ordenou desde os dias da antiguidade; derrubou, e não se apiedou; fez que o inimigo se alegrasse por tua causa, exaltou o poder dos teus adversários.

18           O coração deles clamou ao Senhor: Ó muralha da filha de Sião, corram as tuas lágrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês descanso, nem parem as meninas de teus olhos.

A infidelidade a Deus é frequentemente comparada à imoralidade sexual. A pena para a prostituição pela filha do sumo sacerdote apelou para uma punição especial, era para ser queimada até a morte.

Levítico 21:9       E quando a filha de um sacerdote começar a prostituir-se, profana a seu pai; com fogo será queimada

O preteristas chegaram a conclusão que  quando foi oferecida a Jerusalém a graça de receber o Messias, tendo ele sido rejeitado,  ela inevitavelmente entrou na profecia como  “a prostituta  Babilônia”, que é posteriormente queimada até a morte. Entretando, há um problema com essa comparação absurda; Jerusalém  realmente é identificada como a prostituta de Ezequiel 16, mas neste caso, Jerusalém é perdoada e restaurada no final do capítulo (versículos 60-62). Isto entra em contradição com a Grande Meretriz de Apocalipse 17-18, da qual se diz: “E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.” (Apocalipse 18:21).

Observem o seguinte: Em Isaías 1:21-26 diz que Jerusalém era fiel no começo (1:21), então se tornou uma prostituta (mesmo verso) e, em seguida, no final está curada, perdoada e restaurada (1:26).

Em Jeremias 2:13 – 3:25, Israel já foi fiel (2:17), em seguida, virou-se para prostituição (2:20) como uma esposa que parte de seu marido (3:20), mas está prometida a recuperação no final, se ela se arrepender (3:14-18).

Em Ezequiel 16, Deus entrou em pacto com Jerusalém (16:8), mas Jerusalém se prostituiu (16:15), mas  é finalmente restaurada por causa da Aliança (16:60-62).

Em Oséias 2, falando da casa de Israel,  que era uma vez fiel (2:14-15),  então se prostituiu (2:5), mas que será restaurada no final (2: 19-23).

Este são contextos que falam da Cidade Santa,  contrário do que encontramos quando a referência é aplicada a outras cidades. Tiro, por exemplo,  é retratada como prostituta em  Isaías 23; nada é dito sobre Tiro  ter sido uma esposa fiel. Para começar, e podemos aprender com Ezequiel 26:21, quando Tiro é destruída, não existirá jamais: “Farei de ti um grande espanto, e não mais existirás; e quando te buscarem então nunca mais serás achada para sempre, diz o Senhor Deus.“. Naum não disse  que a prostituta Nínive havia sido fiel a Deus, e Naum 2:13 diz que se ela for  destruída, Nínive não será jamais restaurada.

Embora em Jeremias 50-51 Babilônia não é explicitamente chamada de prostituta, esta é a passagem do Velho Testamento que tem mais em comum com o Apocalipse 17-18. A Babilônia de Jeremias 50-51, Tiro de Isaías 23 e Ezequiel 27, Nínive de Naum, e Babilônia de Apocalipse 17-18,  têm uma coisa em comum: todos eles vão ser destruídos e não restauradas jamais (Jeremias 51:64).

Não existe salvação ou resgate para a prostituta, ela será destruída juntamente com a besta e o falso profeta. Observem a união em detalhes de quatro versículos em Apocalipse 18:16,21-23 “…  Ai! ai daquela grande babilônia, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo…  Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada… porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias

Jerusalém não pode entrar nesse texto como  uma FORTE cidade pelo fato de sempre ter sido invadida por outros povos em toda sua História. Jerusalém jamais esteve montada na besta do poder romano (17:3; cf. 13:1-8): Jerusalém foi dominada pelos romanos no tempo dessa profecia. No entanto, com relação a prostituta, a Bíblia diz que ela estava assentada sobre muitas águas (17:1): Seu poder vinha dos povos dominados. Com ela se prostituíram os reis da terra (17:2): Roma dominava os reis de muitos países na época da escrita do Apocalipse; uma descrição da Babilônia antiga (Jeremias 51:7);

Apocalipse fala sobre o vinho (doutrina) de sua devassidão (17:2). Ao mesmo tempo Roma foi  conhecida por sua imoralidade e excessos;

Vestida de púrpura, escarlate, ouro, pedras preciosas, etc. (17:4; 18:16): Luxo, nobreza, sedução; os soldados da Babilônia antiga também se vestiam de escarlata (Naum 2:3);

Cálice de abominações e imundícias (17:5): Babilônia foi o cálice que fez as nações enlouquecerem (Jeremias 51:7);

Embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus (17:6; 18:20, 24): Roma (Império Romano, a possível besta) perseguia os cristãos, especialmente nos reinados de Nero e Domiciano.

A mulher é a grande cidade que domina sobre os reis da terra (17:18): Roma no ano 100 (O ano em que o Apocalipse foi escrito) era a Capital do Mundo. Roma dominava os reis da terra na época de João.

Destruição interna (17:16-17): História do declínio de Roma (cf. Daniel 2:42-43).

A sentença para a Babilônia de Apocalipse é destruição sem restauração, como vimos nos versículos acima. Porém, o mais importante é atentar para a leitura de alguns textos da carta de Paulo aos romanos com relação ao povo incrédulo de Israel.

Observem a promessa em Romanos capítulo 11:

23 E também eles (Israel), se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar. 

24 Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!

25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.

26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. Romanos 11

Uma vez que Jerusalém será restaurada após um período de rebelião, mas Mistério Babilônia não será restaurada jamais, conclui-se que a Babilônia de Apocalipse 18 não pode ser Jerusalém.

Disciplina nacional ao invés de separação é também o tema do livro do Apocalipse, que conclui com um retrato do estado restaurado de Israel (Ap 20:9).  Há pouca dúvida de que esta “Cidade amada”, que será destaque no milênio é Jerusalém. O Antigo Testamento muitas vezes descreve Jerusalém da mesma maneira (Sl 78:68; 87:2; Jer 12:7) e também prevê seu futuro retorno para a glória (Isa 2:2-4; Zac 14:17).

Israel será novamente líder entre as nações. Assim, longe de ser um livro sobre a separação de Israel, o Apocalipse é realmente sobre a eventual restauração de Israel. Portanto, Apocalipse 18 jamais poderia fazer referência a queda de Jerusalém, pois ali é dito que a Grande Cidade, Babilônia, cai, para nunca mais ser reerguida. Por outro lado a profecia de Apocalipse 18 ainda não recebeu cumprimento.

DETALHES BOMBÁSTICOS contra a tese preterista

Em sua queda definitiva, Babilônia/Jerusalém – como desejam os preteristas -, no capítulo 18 de Apocalipse, se “tornou morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e odiável”, mas dois capítulos depois de ser totalmente devastada, aparece protegida por Deus e sendo amada por Ele.

Apoc 20:9 E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo do céu, e os devorou.

Os preteristas garantem que o Apóstolo João registra suas visões testificando sobre os infortúnios que viriam sobre a Babilônia/Jerusalém, denominando-a de mãe das prostituições e abominações da terra,  de prostituta, de iníqua, de que irá beber do cálice da ira do Deus vivo, de morada de demônios, de covil de todos os espíritos imundos, de esconderijo de toda ave imunda e ODIÁVEL, mas não conseguem explicar porque ela em seguida, mesmo depois de devastada totalmente, ainda é chamada de “… a cidade amada…”, Apoc 20:9.

Essa escola doutrinária absurda afirma que Deus julgou Jerusalém no capítulo 18 de Apocalipse, e que,  através da escrita de João, Deus passa os primeiros 18 capítulos de seu livro detonando com a Babilônia (“Jerusalém”) destruindo-a para que ela nunca mais se levante novamente, mas logo depois do capítulo 19, lá está outra vez Jerusalém sendo acolhida e protegida por Deus como cidade AMADA. Alguém poderia encontrar contradição mais medonha do que esta?

Mas não é só isso; Deus ainda escolhe esta mesma “Babilônia – Jerusalém” como o nome da cidade que iria descer dos céus:

“… E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” – Ap.21,2.

O MAPA DE DEUS NA ESTRADA PROFÉTICA

Deuteronômio fornece um mapa profético que cobre toda a história, desde quando Israel começou a caminhar pela estrada, cerca de 3400 anos atrás; O Senhor deu um esboço da sua história inteira através de seu porta-voz, Moisés. Deuteronômio é esta revelação, e é como um roteiro para onde a história é dirigida antes da viagem entrar em curso; e deve-se acrescentar que os diferentes segmentos da viagem histórica foram atualizados com mais detalhes a serem adicionados ao longo do caminho.

No processo de exortação de Moisés para a nação de Israel, ele dá em Deuteronômio 4:25-31, um esboço do que vai acontecer com essa nação eleita, depois de cruzar o rio Jordão e se estabelecer na terra prometida.

Um resumo destes eventos:

1) Israel e seus descendentes permaneceriam muito tempo na terra.

2) Israel agiria de forma corrupta e escorregaria em idolatria.

3) Israel seria expulso da terra.

4) O Senhor os espalharia entre as nações.

5) Israel seria entregue à idolatria durante suas andanças.

6) Embora dispersos entre as nações, Israel  há de   procurar e encontrar o Senhor quando Ele  procurar de todo o seu coração.

7) Viria um tempo de tribulação  a ocorrer nos últimos dias, período em que eles iriam voltar para o Senhor

8) “Porque o Senhor vosso Deus é um Deus compassivo, Ele não te deixará nem te destruirá, nem se esquecerá da aliança com vossos pais, que jurou a eles” (Deuteronômio 4:31).

Se os cinco primeiros eventos têm acontecido com Israel e nenhum intérprete evangélico poderia negar tais fatos, então fica claro no texto que os eventos finais ocorrerão também para a mesma nação da mesma forma como os eventos anteriores. Isto é mais claro no contexto, pois a Bíblia não “muda de cavalo no meio do caminho”, para que de repente, Israel, que recebeu as maldições, caia fora da imagem e a Igreja assume e recebe as bênçãos. A Bíblia nada ensina que Deus abandonou Israel (cf. Rom. 11:1).

Qualquer leitor do texto terá que admitir que a mesma identidade é conhecida em todo o conjunto do texto em análise. Se for verdade que o mesmo se destina Israel ao longo do texto, então os três últimos eventos ainda têm de ser cumpridos por Israel da mesma forma histórica em que os cinco primeiros eventos são reconhecidos por todos como tendo ocorrido. Assim, uma realização dos três eventos finais na vida de Israel terá de acontecer no futuro.

Esta passagem em Deuteronômio conclama um retorno do Senhor depois da Tribulação dos tempos finais, e não um julgamento em 70 dC. Isto significa que uma visão futurista da profecia é suportada a partir desta passagem no início e durante todo o resto das Escrituras.

Tão significativo como Deuteronômio quatro está em estabelecer a história profética do povo eleito de Deus, uma narrativa expandida da história futura de Israel é fornecido também em Deuteronômio capítulos 28-32 e partes do 26. Aqui é onde vemos realmente surgir o matrix das grandes profecias do Antigo Testamento sobre Israel.

26:3-13; 28:1-14 As condições de bênção para seguir a obediência

31:16-21 A apostasia chegando

28:15-60 A aflição que Deus iria trazer sobre Israel, enquanto ainda na terra, por causa de sua apostasia

28:32-39, 48-57 Israel será levado cativo

27, 32 Os inimigos de Israel  possuirão sua terra por um tempo

28:38-42; 29:23 A terra em si permanecerá desolada

28:63-67; 32:26 Israel será espalhado entre as nações

28:62 O tempo virá em que Israel será em pequeno número

28:44-45 Apesar de punido Israel não será destruído

28:40-41; 30:1-2 Israel vai se arrepender de sua tribulação

30:3-10 Israel será recolhido junto das nações e trazido de volta à sua terra dada por Deus

Nem todos os eventos  acima resumidos  certamente tiveram lugar durante, ou antes, da destruição de Jerusalém em 70 dC. Parece estar se moldando que, enquanto o incidente do ano 70 dC  foi de fato um evento profetizado, os itens remanescentes no roteiro profético de Israel ainda não foram cumpridos.

O que é triste com a interpretação preterista é que ele reconhece as maldições sobre Israel, mas não as bênçãos futuras que Deus também prometeu. O Preterismo diz que Israel recebe as maldições, mas a igreja recebe bênçãos de Israel. Não é isso que diz a Bíblia; para que as bênçãos sobre Israel literalmente ocorram, assim como as maldições do passado, só faz sentido se as localizamos num tempo futuro.

Dentre todas as profecias anunciadas, ainda temos as que afirmam que o estado de Israel/ Jerusalém será reerguido reinando entre as nações,

Isaías 2

E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.

E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.

E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear.

Zacarias 14:17    E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva.

Apoc 20:9 E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou.

Os textos citados acima fazem referencia a Jerusalém, o que não está de acordo com a visão preterista que afirma ter sido a cidade santa, a qual denomina de a grande Babilônia, destruída para sempre em Apocalipse 18,

21 E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.

22 E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flautistas, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti não se ouvirá mais;

23 E luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá

Apoc 18:14 E o fruto do desejo da tua alma foi-se de ti; e todas as coisas gostosas e excelentes se foram de ti, e não mais as acharás.

O fim vem… Quem viver verá!

A Tribulação não ocorreu em 70 dC

De acordo com o preterismo, não haverá arrebatamento, não haverá tribulação, não haverá Anticristo ou uma marca da besta – eles garantem que tudo isso já aconteceu em 70 dC.

Os preteristas fazem pleno uso da ginástica hermenêutica com voltas duplas para evitar a realidade: “que Israel voltou para sua terra e, diante dos próprios inimigos da Bíblia, está pronto para cumprir as profecias que foram anunciadas pelos profetas, as quais se realizam nos últimos dias”. Com a negação obstinada e insistente destes fatos, o preterismo ainda continua a deter um modelo ultrapassado profético.

Mais de 300 profecias do Velho Testamento, Jesus cumpriu literalmente, 30 delas no dia em que morreu. Portanto, temos a interpretação na Bíblia como a profecia é cumprida. Mudar isso é ignorar a palavra do jeito que foi escrita.

Olhe agora para as profecias da tribulação, se elas foram cumpridas na forma como a Bíblia explica. Muitas vezes não é o peso das longas explicações que justificam a posição como válida. Devemos considerar o que está faltando de tão importante para a equação. A profecia bíblica é específica e só pode ser cumprida quando todos os elementos estão presentes dentro do contexto e tomaram lugar quase sempre do jeito que está escrito. Se não, então não podemos afirmar que tenha ocorrido.

Vamos começar com a base para este ponto de vista da profecia. Em Apocalipse 1:9 está escrito: “Eu, João, seu irmão e companheiro na tribulação…”.

Os preteristas assumem a posição de que João escreveu o Apocalipse antes de 70 dC, que alegam ser a tribulação. Se João menciona a tribulação, significa que a grande tribulação ocorreria imediatamente antes da destruição de Jerusalém. De acordo com o Preterismo João está dizendo que ele é seu companheiro [de Jerusalém] na grande tribulação que estava por vir sobre eles.

Jesus muitas vezes usou a palavra tribulação, e cada vez que Ele descreveu a Tribulação ela tinha uma qualificação. Jesus acrescenta à palavra tribulação uma outra palavra: grande (grego-megas), para significar superior ou grande, que intensifica o significado. Em seu contexto, toda a terra e seu ambiente serão atingidos e tornará uma panela de pressão. Será a última tribulação desse tipo, e irá terminar somente por Sua vinda a Terra.

Verso chave

Apo. 3:10 “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que virá sobre todo o mundo, para tentar os que habitam sobre a terra.”

Obviamente o mundo inteiro será envolvido neste julgamento, não é apenas isolado para Israel. Esta seria a Grande Tribulação mencionada por Jesus,

Matt 24:21: “Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até este momento, nem haverá jamais.”

Atente para o detalhe quando o verso afirma que igual a essa tribulação “não haverá jamais” outra. Segundo os preteristas, na “grande tribulação” que veio sobre Jerusalém em 70 dC, um milhão de judeus foram mortos e outras desgraças ocorreram. No entanto, em outra tribulação, envolvendo os mesmos israelitas – o Holocausto de Hitler – morreram, entre judeus e não judeus, aproximadamente 40 milhões de pessoas.

Alguns preteristas tentando dramatizar o sofrimento dos judeus em 70 dC, e querendo dar ênfase à tão terrível tribulação com a intenção de rotular como catástrofe exagerada para que se entenda que igual aquela jamais haverá outra, lembram que na fome que se alastrou dentro da cidade matavam-se os próprios familiares para servir de alimento. O problema é que na tribulação do holocausto, judeus foram transformados em carteiras – os alemães usavam pele humana (dos judeus) para várias outras utilidades. Por outro lado a segunda guerra mundial pode ser citada como a pior tribulação de todos os tempos até o presente momento. Logo, a tribulação a qual Jesus faz referência no verso acima, ainda não ocorreu.

Temos de olhar para a palavra e a DESCRIÇÃO Bíblica desta grande tribulação e entender a diferença entre tribulação, que vem a todos os santos, e a tribulação que será o julgamento da ira de Deus sobre TODO O MUNDO. É isso mesmo, Jesus fala que essa tribulação “virá sobre todo o mundo” (Apo. 3:10) e não apenas sobre Jerusalém.

Agora vamos ler novamente Apocalipse 1:9: “Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na tribulação, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.”

Tribulação – Grego – thlipsei: pressão (literal ou figurativamente):

Aflitos (- ção), angústia, sobrecarregados na perseguição.

João não fez referência ao que Jesus diz em Mat 24:21, 22: “… Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até este momento, nem haverá jamais. E se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria, mas por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados“.

Só o Senhor Jesus pode parar essa tribulação na ocasião do seu retorno, quando finalmente irá destruir os exércitos do mundo que se reunirão contra ele. Isso não aconteceu como previsto. O Senhor Jesus não voltou durante a batalha do Armagedom, porque essa batalha não ocorreu da forma como foi escrito.

Promessa de redenção para Israel na Tribulação

Jeremias 30:7-11

Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Porque será naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço, e quebrarei os teus grilhões; e nunca mais se servirão dele os estrangeiros. Mas servirão ao Senhor, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei. Não temas, pois, tu, ó meu servo Jacó, diz o Senhor, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei de terras de longe, e à tua descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize. Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te salvar; porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida, e de todo não te terei por inocente.”

A promessa para a Babilônia de Apocalipse é destruição sem chances de recuperação, o que não pode ser uma palavra para Jerusalém que no fim dos tempos descansará em paz…

Observem algumas frases: “nunca mais se servirão dele os estrangeiros”, “te livrarei de terras de longe”, “e Jacó voltará, e descansará”, “darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei e ficará em sossego”.

As nações serão punidas, o que ainda não ocorreu,

Zacarias 14:2 “… eu ajuntarei todas as nações para a batalha contra Jerusalém“. Esse encontro de “todas as nações da terra” (Zacarias 12:3) contra Jerusalém nunca ocorreu.

O que não aconteceu em 70 dC prova que o Preterismo é falso!

A Grande Apostasia aconteceu em 70 dC!

De acordo com Preterismo não há apostasia aumentando à medida que avança a história, em vez disso, devemos aguardar a cristianização do mundo. A Grande Apostasia teria acontecido no primeiro século, enquanto os apóstolos ainda estavam vivos construindo a igreja, e terminou completamente em 70 AD, enquanto João continuou a viver.

1 Tm. 4:1: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé.” Estes são os últimos dias mencionados em Miquéias 4:1 “MAS nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e a ele afluirão os povos“. A diferença é que 1 Timóteo 4 precede Miquéias 4.

Os preteristas logo que veem a palavra últimos dias e últimos tempos afirmam ser os últimos dias de Jerusalém – ainda mais quando estas palavras aparecem seguidas de outras, como: destruição, cólera, ira, julgamento, apostasia e semelhantes. Porém, o problema é que quanto mais tentam argumentar, mais se atrapalham. Por que? Porque é inaceitável manter a tese de que uma apostasia foi concluída antes de 70 dC, quando a igreja tinha apenas começado a aumentar e se espalhar para outras regiões, além de Israel. Também não vemos a casa do Senhor estabelecida no Israel de 70 dC, para onde “afluirão todos os povos” como diz a passagem paralela de Miquéias.

Na Tribulação há 144.000 Judeus ungidos para o Ministério.

Os 144.000 evangelistas judeus vêm de todas as tribos, o que nunca aconteceu da forma como é descrito antes de 70 dC, nem o resultado de sua pregação: Apoc 7:9 “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.”

E os versos 13 e 14 concluem: “E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”

Repare que eles são salvos de todas as nações, (não apenas da província romana), era “uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas.

Tratado de paz

Um acordo é feito com Israel, um tratado de paz que começa antes da tribulação. Claro que os preteristas têm que mudar esta escritura óbvia e achar um significado alternativo para adicionar outro tijolo no muro e construir seu argumento. Alguns dizem que Daniel 9 refere-se a aliança de Jesus, que é uma interpretação terrível.

Dan. 9:27 “Então, ele deve confirmar uma aliança com muitos por uma semana, mas no meio da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta.” A palavra para aliança é beriyth, que é a mesma palavra hebraica para aliança em outros lugares. A palavra ‘fim’, ou desistir é shabat, que todos nós podemos reconhecer como a palavra para repouso ou desistir, parar de trabalhar.

Por que todas as nações parceiras querem levar Israel a assinar um tratado de paz hoje? Rumores de paz estão constantemente ocorrendo, mas isso tudo não significa nada para um preterista…

O mundo inteiro está querendo ver esse tratado de paz feito que a Bíblia menciona em 1 Tess. 5:2-3 “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.”

Há um problema seríssimo com a interpretação preterista desta passagem, a qual, segundo eles, deve ser entendida dessa forma,

“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando [os habitantes de Jerusalém] disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.

O exército romano veio como um ladrão na noite? Houve paz e segurança nos anos que antecederam a destruição de Jerusalém? Óbvio que não, pois Jerusalém estava debaixo do domínio opressor romano desde antes do nascimento do Senhor. Por outro lado jamais foi feito algum acordo de paz entre Israel ou quem quer que seja.

O mundo verá esta aliança como os meios para pôr fim à guerra e ter segurança no Oriente Médio, mas em vez disso, essa aliança vai trazer o pior pesadelo para o mundo.

O Homem do Pecado

2 Tessalonicenses 2:3-4, diz: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a grande tribulação e o dia do Senhor] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.

Os preteristas reivindicam que Nero foi o anticristo, mas dificilmente ele seria o homem adequado que a Bíblia descreve. Nero jamais esteve em Jerusalém, e mesmo que possa ser um tipo daquele que “vem”, ele não cumpriu os detalhes da profecia bíblica. E além disso tudo, ele não assinou nenhum pacto com Israel imediatamente antes da Tribulação. As pessoas não fugiram de Jerusalém por causa de Nero indo para o templo declarando-se Deus – ele não entrou no templo depois de três anos e meio do acordo ter sido assinado (Dan. 9: 27). Novamente, se a profecia não está concluída da forma como foi escrito, então não foi cumprida, ainda não ocorreu!

Para um preterista, qualquer professor apóstata ou o seu sistema religioso pode ser chamado de “anticristo”; eles afirmam que o termo não descreve nenhum ditador individual. Como não?

João diz que o espírito do anticristo já estava em ação (1 João. 2: 21; 4:1-4) e havia muitos anticristos que vieram (1 João 2:15-18), mesmo em seu dia. Porém, há um (singular), o homem do pecado. O Anticristo é um homem que vai estar em um templo literal – essa é a conclusão de muitos estudiosos – reconstruído em Israel, declarando-se Deus, e vai causar uma abominação desoladora. Ninguém em 70 dC, no Templo de Herodes, exigiu algo semelhante ou se exaltou como sendo Deus.

A Teologia Escatológica Convencional ensina que a abominação da desolação é o anticristo assumir o culto do templo judeu por se sentar no lugar Santo, declarando-se Deus – concordo em parte com essa interpretação, mas mesmo assim estou usando a tese convencional como base para este artigo. A Bíblia também diz que o Anticristo vem acompanhado por sinais, prodígios e milagres,

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira“, 2 Tess. 2: 9

E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra [de Jerusalém] que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia“, Apoc. 13: 14

Onde estão os registros desses fatos antes de 70 dC? Quando foi que Jerusalém fez uma imagem de alguém que foi mortalmente ferido a espada? Quando foi que Nero, ou quem quer que tenha sido o anticristo dos preteristas, fez sinais e prodígios para enganar, para convencer as pessoas a segui-lo, mesmo os eleitos?

Por um lado para reivindicar que Nero foi o homem do pecado, os preteristas são obrigados a confessar que Jesus já voltou, pois é o Senhor que destrói o homem do pecado pelo esplendor da sua vinda. O problema é que Nero cometeu suicídio dois anos antes de Jerusalém ser destruída…

Se seguirmos a interpretação preterista, devemos concluir que o Anticristo Nero foi destruído pelo Senhor em sua Vinda, e ao mesmo tempo em que Jesus o destrói, Ele destrói também seu exército juntamente com ele. Essa é a descrição bíblica da destruição do Anticristo, basta ler Apocalipse 19, um capítulo após a destruição de Babilônia. É isso mesmo, Jesus destrói “Nero e seu exército” depois da queda de Jerusalém ( Apoc 19:1, atente para as palavras “Depois destas coisas…”). Ops! Qual preterista esperava por essa? A coisa ficou feia agora, pois Nero já estava morto antes de Jerusalém ser atacada!

Mas, o que estou lendo aqui? Apocalipse 19 afirma que Jesus destrói o Anticristo e todo o seu exército, um banho de sangue diferente de qualquer outro:

E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…””. Apoc 19:19,20,21

Isso vai ocorrer imediatamente após a Segunda Vinda de Jesus, o que não pode ser um cumprimento da Escritura em 70 dC, pois Jesus não voltou naquela ocasião, e muito menos acabou com o Anticristo e seu exército: “E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da Sua vinda… “, 2 Tessalonicenses 2:8-9.

Quando Jesus vier, ele destrói os exércitos do mundo e o homem de Satanás é a primeira vítima. Quando isso aconteceu em 70 dC? Em 70 dC Tito e seu exército foram os vitoriosos.

Queria muito saber onde os preteristas podem encaixar em 70 dC os acontecimentos de Apocalipse descritos acima, se o exército romano e seu suposto Anticristo foram os vencedores. Atentem para os detalhes,

“… E a besta foi presa, e com ela o falso profeta… Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…”.

É isso que chamo de contradição das contradições!

Babilônia e o Sangue dos Apóstolos

Lucas 11:49-51 “… Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros; Para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado; Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração…”.

Aqui o Senhor Jesus sentencia “Jerusalém” a uma pena terrível quando joga sobre seus ombros toda a responsabilidade pelas mortes dos profetas do Antigo Testamento.

No entanto, fica uma lacuna, pois se comparamos esta palavra com outra sentença em Apocalipse que descreve a queda de Babilônia descobrimos algo curioso. Observamos que Deus exige de Babilônia o sangue dos profetas, o sangue das testemunhas de Jesus e o sangue DOS APÓSTOLOS. Podemos inferir pelo contexto de Lucas que os Apóstolos foram perseguidos por Jerusalém, mas não mortos por ela. Note abaixo que a profecia em Apocalipse incluiu Apóstolos e testemunhas de Jesus.

Apocalipse 18

20 Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela.

24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos [Apóstolos], e de todos os que foram mortos na terra.

Apocalipse 17

6 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos [Apóstolos], e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

Além disso, Jerusalém jamais poderia ser responsável pelos milhões de cristãos que foram martirizados depois de sua destruição. E aqui entra mais uma questão crucial que precisa ser respondida pelo preterismo: Por que a sentença muda em Apocalipse quando responsabiliza Babilônia pelo sangue de todos que foram mortos sobre a terra, omitindo a expressão “desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias”, se o julgamento é mesmo sobre a Jerusalém de 70 dC?

Lucas escreveu seu Evangelho por volta de 60; uma vez que a conclusão de Atos mostra Paulo em Roma, sabemos que o Evangelho de Lucas foi escrito antes disso (Atos 1:1). Por outro lado, se Lucas tivesse escrito seu Evangelho depois de 70 dC, certamente falaria sobre a destruição de Jerusalém. Portanto, se seguimos a cronologia preterista, João já estava em Patmos se preparando para escrever sobre as visões do Apocalipse ao mesmo tempo em que Lucas escrevia o Evangelho. Se fosse mesmo verdade que os dois escritores estavam tão perto um do outro na escrita, por que em Apocalipse João não repete a sentença, “a vingança pelo sangue de Abel até Zacarias“, mas ali fala de Apóstolos e testemunhas de Jesus? Testemunhas de Jesus e apóstolos só poderiam ter sido martirizados depois da morte do Senhor. O que temos aqui é muito sério, e nos estimula à uma pergunta importante: Quantas testemunhas do Senhor Jesus e Apóstolos morreram antes de 70 dC ao ponto de Apocalipse conclamar que se alegrem pela vingança de seu sangue? Por que este movimento todo para vingar uma dúzia de testemunhas do Senhor e menos de três Apóstolos?

O que o preterismo propõe é contraditório, pois eles colocam João em Patmos escrevendo Apocalipse 18 antes da destruição de Jerusalém, época em que pouquíssimas testemunhas de Jesus haviam sido martirizadas. E como sabemos, a maioria dos Apóstolos do Senhor só vieram a morrer muitos anos depois da queda da Cidade Santa.

E mesmo que fique provado que o Apóstolo Paulo foi executado em 67, e que Pedro morreu no mesmo ano, não poderíamos de forma alguma responsabilizar Jerusalém por suas mortes. De fato, só temos “dois Apóstolos” martirizados dentro de Jerusalém até 70 dC e apenas um registro bíblico (Atos 12:1, 2): Tiago, irmão de João, que foi assassinado por ordem de Herodes, um rei nomeado por Roma, também criado e educado em Roma – Marcus Julius Agripa, assim chamado em homenagem ao estadista romano Marcus Vipsanius Agripa, e Tiago, irmão de Jesus, que não fazia parte dos doze. Os registros sobre a morte de Tiago podem ser encontrados fora das Escrituras.

Jerusalém e o sangue dos Apóstolos

Observem que no contexto de Apocalipse 18, Deus conclama muitos a se alegrarem com a derrocada dessa babel, e entre eles achamos dois tipos de mártires; isso nos traz uma revelação surpreendente, pois dentre os que devem se alegrar com a queda de Babilônia estão: “As testemunhas de Jesus e os Apóstolos”. Aqui e dito que eles se alegrem por terem seu sangue vingado. O que nos chama a atenção é: Podemos responsabilizar mesmo Jerusalém pelo martírio dos Apóstolos e das testemunhas de Jesus?

Leia novamente os textos

Apocalipse 18

20 Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela.

24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

Apocalipse 16

6 Visto como derramaram o sangue dos santos [Apóstolos] e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores.

Apocalipse 17

7 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos [Apóstolos], e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

O contexto mostra também profetas – por mais esse motivo o preterismo afirma que Babilônia deve se referir a Jerusalém, porque só Jerusalém matou profetas do Antigo Testamento, e “profetas do Apocalipse deve referir-se profetas do Antigo Testamento”.

Os textos citados acima nos dizem que Babilônia estava embriagada com o sangue dos profetas. Este é um ponto crítico! O termo, “os profetas”, aparece 88 vezes no Novo Testamento. Para muitos, o uso predominantemente normal do termo refere-se a profetas do Antigo Testamento apenas, o que não é verdade.

Apocalipse 18:20, evidentemente, refere-se a apóstolos do Novo Testamento. E os profetas? Podemos ler: “Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela“. O outro texto fala das testemunhas de Jesus, o que só pode ser aplicado para testemunhas da era do Novo Concerto. Então, para discutir se estes são apenas os profetas do Antigo Pacto é bastante duvidoso.

A palavra Apóstolo aqui é comumente limitada aos 12. Não há impropriedade, no entanto, em supor que os apóstolos são referidos aqui, uma vez que eles teriam a oportunidade de se alegrar que o grande obstáculo para o reino do Redentor foi agora retirado, e que quem causou suas mortes e sofrimento estava agora sendo julgada.

Testemunhas de Jesus, santos apóstolos e profetas”, fazem três tipos distintos de pessoas, que consiste a Igreja, sendo que a expressão santos pode também ser aplicada aos membros privados das igrejas. Babilônia aqui persegue a Igreja do Senhor e por essa perseguição ela será cobrada.

Difícil identificar a Babilônia de Apocalipse com Jerusalém. Primeiro, Jerusalém não se encaixa com a descrição em Apocalipse capítulo 17, como a cidade sobre sete colinas. Além disso, Jerusalém não saiu do Império Romano, mas o chifre pequeno de Daniel (que deve ser identificado com a Babilônia do Apocalipse) saiu do Império Romano. Mas esse é assunto para outro tópico…

Depois da Destruição de Jerusalém

Milhões de cristãos foram mortos durante séculos após a destruição de Jerusalém – até um ateu, criança ou mobralista sabe desse fato. Portanto, Jerusalém não pode ser responsável por estes mártires – o sangue destes só pode ser requerido de outro. Por isso existe uma diferença no julgamento da grande Babilônia de Apocalipse 18: Ela passa a ser responsável por todas as mortes que ocorreram na terra. Por esse motivo, Jerusalém/Israel não pode ser responsabilizado pelos mártires exterminados após sua queda em 70 dC, pois a nação estava destruída, e em breve seria espalhada por sobre a terra, sem poder militar, eclesiástico e politico. É desta, que tomou o lugar de Jerusalém e da Babilônia antiga, que Deus cobra pelo sangue de “… todos os que foram mortos na terra” (Apo 18:24).

A responsabilidade sobre “todos que foram mortos sobre a terra”, refere-se a seus conselhos e influência, quando envolve outras nações e povos para perseguir e destruir os verdadeiros seguidores de Deus. Todos que foram mortos sobre a terra – não só daqueles que foram mortos na cidade de Roma, mas todos aqueles que foram mortos por todo o império, sendo mortos por sua ordem, ou com seu consentimento.

Não há uma cidade atualmente que possamos aplicar este título a não ser a Roma Católica. A culpa do sangue derramado sob os imperadores pagãos não foi removido sob os Papas, mas extremamente multiplicado. Nem é Roma apenas responsável por aquilo que tem sido derramado na cidade, mas pelo que derramou em toda a terra. Em Roma sob o papa, bem como antes, sob os imperadores pagãos, ordens foram dadas, sangrentas e editais, para que o sangue de homens santos seja derramado, enquanto havia grande alegria para ela. E que quantidade imensa de sangue foi derramado por seus agentes!

Charles IX, da França, em sua carta a Gregório XIII., Orgulha-se, que em pouco tempo e após o massacre de Paris, ele tinha destruído setenta mil Huguenotes. Alguns têm calculado que, a partir do ano 1518 até 1548, quinze milhões de protestantes morreram pela Inquisição. A estes podemos acrescentar inúmeros mártires, em tempos antigos, meio e fim, na Boêmia, Alemanha, Holanda, França, Inglaterra, Irlanda, e muitas outras partes da Europa, África e Ásia. E o massacre de santos continuou com a Roma pagã e não cessou depois que ela ruiu – a Roma Católica tomou seu lugar.

O que Deus faz, na verdade, é lançar a culpa sobre essa Babel pelo sangue de TODOS que foram mortos por sua fé, o que deve significar que sobre ela recai o sangue de todos os mártires em todos os tempos – ela pode ser una extensão da Babel original. Assim, Deus faz cair sobre ela a responsabilidade por todos os martírios ocorridos desde os tempos passados até o dia de seu julgamento. Se a sentença é dada para o tempo do fim, então ela tem mesmo que ser responsável por todos os cristãos que foram eliminados em todos os tempos.

Sabemos que Apocalipse superlota os tempos de profecias sobre as tribulações que viveu o povo de Deus nas mãos do império Romano, e que podem ser extraídas para cumprimento real, mesmo se o preterismo católico romano declare a aberrante heresia de que os capítulos de 1 a 19 de Apocalipse tiveram cumprimento em 70 dC.

Ela, a Babilônia, é vista embriagada com o sangue dos mártires.

E eu vi a mulher embriagada com o sangue dos santos, e com o sangue dos mártires de Jesus: e quando eu a vi admirei-me com grande admiração.” (17 v6)

Isto é uma profecia, e Jerusalém já estava destruída nessa época. Por isso Deus não pode requerer o sangue dos milhões que foram mortos após a destruição de Jerusalém da própria Jerusalém!

Os que sofreram o martírio do mundo todo depois da queda da Cidade Santa foram em números elevadíssimos comparados aos santos de Abel até Zacarias. O massacre de cristãos foi tão vasto após a destruição de Jerusalém que os cálculos se perdem em milhões de pessoas. E dessa Babel que João fala, e ela não pode ser Jerusalém. Por isso em Apocalipse 18 ela é sentenciada por muitas coisas, sendo que uma delas é sangue, sangue humano,

Apocalipse 18: 24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

Tudo nos leva a crer que essa foi uma palavra que será cumprida num tempo de julgamento final: O ACERTO DE CONTAS. Se o texto inclui todos os que foram mortos sobre a terra, entre eles Apóstolos e testemunhas de Jesus, então fica implícito que chega ao fim a era dos mártires e a hora de cobrar o sangue destes. Fica evidente o dia do acerto de contas, feito um capítulo antes da vinda de Jesus registrada em Apocalipse 19. Esse é o momento do julgamento dessa Babilônia.

Fica extremamente fora de contexto afirmar que em 70 dC houve vingança pelo sangue dos Apóstolos e pelo sangue das testemunhas de Jesus, o que supostamente teria ocorrido trinta e cinco anos apenas após a morte do Senhor, quando não havia tantos registros de mártires do Novo Testamento – devemos nos lembrar que muitos Apóstolos atravessaram a década de 70 com vida.

O contexto aqui revela um julgamento final de Babilônia, o que não pode ter ocorrido em 70 dC. Sabemos com certeza que a maior parte dos Apóstolos (e aqui provavelmente fala do grupo que Jesus escolheu, pois eles são especialmente citados separados das testemunhas de Jesus e dos profetas) morreu depois da destruição de Jerusalém. Portanto, não há como ela ser responsável por ter eliminado Apóstolos e testemunhas do Senhor.

Jerusalém não pode ser responsabilizada pelos milhares de cristãos jogados para as feras nas arenas romanas. Não se pode responsabilizar Jerusalém pelas tochas humanas que iluminavam as ruas nas adjacências de Roma. E por fim, não podemos responsabilizar Jerusalém pela INQUISIÇÃO!

O contexto de Apocalipse 18 revela como Deus toma vingança contra aqueles que mataram seus profetas e apóstolos e até mesmo o seu bendito Filho. Finalmente, todos aqueles martirizados por estes devem ser vingados. O momento tão esperado de retribuição e vingança pelo qual todos os redimidos esperavam, chegou…

Estas fotografias nos últimos versos do capítulo 18 de Apocalipse mostram, a partir de dentro, o resultado do colapso no sistema babilônico. A sua total destruição é mostrada pela repetição de várias frases como, “não será jamais achada”, “não se ouvirá mais” e “não se achará mais”. A pedra lançada ao mar retrata a violência e a permanência da destruição. O sistema babilônico começou em Gênesis 10, e continuou sem interrupção, de uma forma ou de outra, até os dias de hoje. Mas um dia ele vai de repente “afundar”, para nunca mais voltar.

Fontes

Estimates of the Number Killed by the Papacy – David A. Plaisted

The history of Henry IV, (surnamed the Great), king of France (1896)

Revelation, Chapter 18, em http://www.discoverrevelation.com

Daquele dia e hora ninguém Sabe

Se Mateus 24 pode ser mostrado para conter referências a dois acontecimentos históricos – o cerco de Jerusalém em 70 dC e a consumação da história em um tempo futuro, então aqueles que começaram a sua viagem pela estrada para o preterismo com base nesse texto devem sentir-se compelidos a reexaminar o seu destino.

A partir da história, sabemos que a predição de Jesus em 24:1-2 foi cumprida no ano 70 dC quando os romanos cercaram Jerusalém e destruíram o templo. O versículo 34 afirma especificamente que os eventos descritos ocorrerão em “esta geração”. Em contraste com esses pontos, especificamente Jesus diz que ninguém sabe quando isso irá ocorrer nos versículos 36 e 42. Conclui-se então que Jesus fala de dois diferentes eventos.

36  Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

42  Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

Observem se não seria trivial demais afirmar que, por um lado vários sinais devem levar a ação (16), que vários sinais devem indicar que o tempo está muito próximo (14, 33) e, simultaneamente, que o “dia e a hora” ninguém sabe, nem mesmo o Filho de Deus ou os anjos. Por que, se o capítulo trata da destruição de Jerusalém que ocorreria dentro daquela geração? Ora, se as palavras de Jesus deveriam ser cumpridas naquela geração, então tudo ocorreria dentro de , no máximo, 40 anos, o que significa que todos os ouvintes saberiam com precisão o tempo do cumprimento de cada sentença dita pelo Senhor.

Esse é o ponto de  todo o contraste: é a mesma coisa que dizer que os discípulos certamente sabiam a semana ou o mês do evento, mas não o dia específico da semana. Isto parece ser o resultado de uma leitura não natural do texto. O que suaviza as  diferenças no relato é a interpretação real de duas ocorrências, a previsão de  dois eventos. Se esta visão futurista para a maior parte de Mateus 24 está correta, então o preterismo está incorreto. Por que? Por causa de um ponto importantíssimo, que coloca o preterismo em evidente contradição: logo depois das previsões catastróficas, que segundos eles, todas, ocorreram antes de 70 dC, Jesus separou  ovelhas e  bodes, e os enviou  cada um ao seu destino eterno respectivo (25:31-32); isso ainda não aconteceu!

Tribulação iminente

Uma vez que os preteristas ensinam que todos os termos similares a tribulação, como: grande tribulação, angustia das nações, julgamento sobre os moradores da terra, guerras e rumores de guerras, fome, peste e terremotos, devem ser aplicados à destruição de Jerusalém, que tudo ocorreu antes do ano 70 dC, conclui-se que Mateus 24 e todo o Livro de Apocalipse já foram cumpridos. No entanto, a referência a Noé em Mateus 24:37-38 parece indicar que a vinda do Filho do Homem será como nos dias de Noé: Noé entra na arca e em seguida vem a destruição sobre os moradores de toda a terra. E mais um detalhe: Há aqui à impossibilidade de conhecer o calendário do evento  e a conduta da vida como direito comum até o evento.

Deve-se observar que  há um paralelo entre Noé entrar na arca (Lc 17:27) Ló deixando Sodoma (17:29) e a revelação de Jesus como o Filho do Homem (17:30). Portanto, quase todo o capítulo de Mateus 24 trata de sinas anteriores à Segunda Vinda de Cristo.

Sinais anteriores à VINDA de Jesus

Lembre o leitor que os discípulos fizeram a Jesus, não uma, mas três perguntas.

E estando ele sentado no monte das Oliveiras, os discípulos vieram a ele em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas? E qual será o sinal da tua vinda e do fim do mundo? Mat 24:3

1 quando serão essas coisas (Pergunta feita em cima de uma palavra de Jesus com relação templo, do qual ele disse que não ficaria pedra sobre pedra).

2 qual será o sinal da tua vinda?

3 qual será o sinal do fim do mundo?

A questão dos discípulos estava relacionada com a destruição de Jerusalém, a vinda de Jesus e o fim do mundo.

Jesus respondeu de uma maneira indicando que a destruição de Jerusalém seria uma coisa e sua vinda e o fim do mundo seriam outras. Está claro em todo o capítulo que Jesus mistura elementos envolvendo os três eventos em sua resposta. Desde os primeiros versículos de Mateus 24 para 25:46, a ênfase maior foi na sua segunda vinda.

Será que os preteristas poderiam responder onde estão as respostas de Jesus em Mateus 24 para essa indagação dos discípulos,

“… que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?”

Se 90 % de Mateus 24 cumpriu-se na destruição de Jerusalém, então devemos apenas esperar sua segunda vinda, sem que antes aconteçam tribulações, angústias das nações, sinais nos céus e na terra, terremotos e guerras e etc…

Seria possível admitirmos que Jesus, aqui nessa sequência,  responde aos discípulos sobre acontecimentos que precederiam a queda de Jerusalém em 70 dC?

“… Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos”, v 5 do capitulo 24 de Mateus.

“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim”, v. 6

“… se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares”, v.7.

“Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão”, v 10.

“… surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos”, v 11.

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”, v.12.

“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”, v.13.

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”, v 14.

“Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda”, v. 15.

“Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver”, v.21.

“E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias”, v.22.

“Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito”, v.23.

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”, v 24.

“E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas”, v.29.

O  preterista em sua desesperada defesa cita uma passagem paralela em Lucas que trata explicitamente do cerco de Jerusalém,

Lucas 19

20 Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.

21 Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela.

22 Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.

23 Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo.

24 E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos…”.

Evidente que Jesus responde nesta específica passagem  a primeira pergunta dos discípulos. No entanto, o preterista não quer considerar que Jesus também responde, tanto em Lucas, Mateus ou Marcos, fatos que acontecerão antes da sua vinda e do fim do mundo.

Vou aqui usar elementos da mesma passagem de Lucas, e tentar localizar os acontecimentos ali descritos para antes da queda de Jerusalém. Observem como eles ficarão fora de tempo e lugar.

25 E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.

Jerusalém fica a mais de 50 milhas do porto de Jope, mas não sei por que a Bíblia diz sobre espanto dos moradores de Jerusalém pelo bramido do mar e das ondas. Quem sabe dizer por as nações ficaram angustiadas pelo bramido do mar e das ondas antes de 70 dC se a batalha era travada apenas entre Jerusalém em Roma na região da Judéia, e em terreno seco?

Segue

26 Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas.

Essa aqui é simplesmente impressionante: os homens de Jerusalém desmaiaram de terror pelas coisas que sobrevieram AO MUNDO todo!

Que coisas ocorreram no MUNDO TODO em 70 dC que fez com que os moradores de Jerusalém desmaiassem de terror? Por que o Senhor Jesus fala sobre a “… expectação das coisas que sobrevirão ao mundo” se a guerra era localizada em Jerusalém apenas?

27 E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória.

O então faz a coesão de todos os elementos acontecendo dentro da mesma profecia. Em outras palavras, Jesus dizia que estas coisas ocorreriam imediatamente antes da  sua vinda. Jesus não falava aqui para a geração sobrevivente dos seus dias, pois a esta geração citada aqui é prometida redenção, e não destruição como ocorreu com a geração de 70 dC. Observe o texto abaixo,

28 Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima.

Que coisas? As calamidades descritas aqui em Lucas, Mateus e Marcos.

Queria saber onde neste vasto planeta está o preterista que responderá este questionamento:

Jerusalém estava para ser destruída totalmente. Quase um milhão de judeus foram dizimados, sem contar os que tiveram que fugir doentes e outros padecendo de fome. Uma multidão morreu de inanição no caminho, e muitos  morreram depois de doenças, e Jesus ainda diz que a redenção deles estava próxima?

Evidente que Jesus responde aos discípulos exatamente as três perguntas que lhe foram dirigidas. A tese preterista de que Jesus não responde sobre sua vinda e sobre o fim do mundo, não procede. Jesus mistura elementos da destruição de Jerusalém em Lucas e Mateus, mas fala muito mais sobre os sinais que precedem sua vinda e o fim do mundo.

Profetizando para duas Gerações

Os discípulos mostraram a Jesus a beleza do Templo e sua estrutura (Mat 24:1); Jesus explica-lhes que daquela casa não ficaria pedra sobre pedra. Eles questionam o Senhor da seguinte forma:

“… Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?”

Foram três perguntas:

A primeira está embutida  em “quando serão essas coisas”, pois questionavam diante da indagação do mestre sobre o tempo em que ocorreria a destruição do Templo. Em seguida eles fazem a segunda e terceira perguntas,

“…  e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?”

Porém, segundo o preterismo, Jesus não respondeu as duas últimas, que parece determinar justamente o que pretendem:  “O Capítulo 24 do Livro de Mateus faz apenas referência  as calamidades que vieram sobre Jerusalém em 70 dC”. A frase tornou-se uma constituição para o preterismo.

Portanto, pestes em vários lugares, terremotos em vários lugares, fome em vários lugares, nação se levantando contra nação, reino contra reino, frieza do amor a Deus e etc., são previsões que foram feitas para antes da destruição de Jerusalém, bradam vitoriosamente.

Vou apresentar aqui o que um preterista afirmou no seu desesperado esforço ao tentar justificar o suposto silencio de Jesus para a segunda e terceira perguntas,

“… Quanto àquele dia e àquela hora não há sinal, pois só o PAI saberá o momento. Em Marcos 13 ele diz que nem o Filho sabia”.

O discurso dele é uma réplica exata de Mateus 24:36, que afirma: “Quanto àquele dia e àquela hora (VOLTA DO SENHOR), ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai”.

Tmabém em Marcos 13:32: “A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora (VOLTA DO SENHOR), ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai”.

A doutrina preterista acredita que os apóstolos pediram um sinal do fim do mundo e da volta do Senhor e a resposta foi que não haveria sinal, pois a volta do senhor é como um ladrão. O único sinal que existiu é que após as tribulações que ocorreram naquela geração ele estaria à porta para voltar a qualquer momento.

“Esse momento só o PAI saberá”.

O que o preterista pretende afirmar é que, Jesus nada respondeu sobre os sinais que antecederiam sua vinda, ou que não haveria sinais, resumindo as palavras do Senhor como se ele mesmo tivesse feito um silêncio proposital sobre estes sinais quando disse, “daquele dia e hora ninguém sabe“. Ora, Jesus não quis dizer que não haverá sinais antes da sua vinda, mas apenas diz que o dia exato dela só o pai sabe. Jesus não deixou os discípulos presentes sem resposta, e muito menos aqueles que seriam discípulos nos tempos futuros.

Reuni aqui algumas passagens de Mateus, que segundo os preteritas, cumpriram-se antes da destruição de Jerusalém

6,7 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai… Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

O preterismo não consegue explicar por qual motivo, Jesus, ao alertar os discípulos sobre a destruição de Jerusalém, lhes falou sobre guerras e rumores de guerras, como também se levantaria nação contra nação e reino contra reino, aflições e angustias das nações, se a guerra estava restrita apenas na região Israelita, mais exatamente na cidade de Jerusalém.

Como o preterismo poderia explicar as tantas evidencias em nossos dias que só podem ser desvendadas por contextos como o de Mateus capítulo 24 se eles anulam as profecias, alegando que seu cumprimento total já se realizou em 70 dC? Onde buscaremos vestígios proféticos que nos expliquem o porquê de tantas calamidades acontecendo na presente era? Se as predições de Jesus em Mateus 24 se perdem na destruição de Jerusalém, deveríamos esperar uma cristianização da humanidade e um tempo de preservação e recuperação. Portanto, se aceitamos a teoria preterista, não podemos ter ideia dos motivos de tanta fome, peste, guerras e rumores de guerras, terremotos e destruição em várias partes do planeta, em nosso tempo!

Jesus alguma vez fez algum tipo de previsão parecida para nossa época? Segundo eles não!

Tudo se cumpriu antes da destruição de Jerusalém!

11 E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.

São tantos!

Provavelmente, para os preteristas, os MUITOS falsos Cristos e falsos profetas que enganariam multidões, situação prevista aqui por Jesus, devem ser a meia dúzia que apareceu antes da destruição de Jerusalém. Não houve previsões e alertas sobre os falsos cristos e falsos profetas que vimos aparecer nos últimos dois séculos. Estes falsos profetas de hoje devem ser uns intrometidos escatológicos…

Será possível que Jesus nada disse sobre o engano dos últimos dias? E Pedro, profetizou algo para nossos dias dentro desse contexto? Jesus, o mestre por excelência, teve sua palavra sugada e cumprida nos falsos profetas que apareceram antes da destruição de Jerusalém! Que disparate!

E aqueles preditos por Pedro, apareceram antes de 70 dC ou a profecia alcança os últimos tempos?

2 Pd 2:1 E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.

2 E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.

3 E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.

Aqui vai a palavra do mestre sobre o assunto,

Mat 24:11  E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.

O preterismo conclui que Pedro faz referência aos falsos profetas dos últimos tempos, mas Jesus falava dos que apareceriam antes da destruição de Jerusalém. Uma salva de palmas para o preterismo!

Vamos seguir com as coisas que se cumpriram antes da destruição de Jerusalém, segundo o preterismo,

12, E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará de quase todos. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.

Para os preteristas o amor entre os moradores da Jerusalém de 70 dC, esfriava, enquanto a iniquidade aumentava. A doutrina preterista é uma tremenda anedota!

Mais de um milhão de Judeus foram mortos. Posteriormente milhares morreram de fome e outros de doenças, e Jesus ainda disse que aquele que perseverar até o fim [da destruição da cidade] seria salvo. Leia o versículo outra vez.

Algum preterista poderia explicar como os judeus massacrados e sem pátria foram salvos?

Agora veja essa sequência e observe como Jesus inclui elementos da destruição de Jerusalém e da sua Vinda

16 Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes;
17 E quem estiver sobre o telhado não desça a tirar alguma coisa de sua casa;
18 E quem estiver no campo não volte atrás a buscar as suas vestes.
19 Mas ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
20 E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado;
21 Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver.
22 E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.
23 Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito;
24 Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.
25 Eis que eu vo-lo tenho predito.
26 Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.
27 Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.
28 Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão as águias.

Aqui é dito sobre as aflições “daqueles dias”. Que dias?

29 E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.

30 Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

Que dias são esses de aflições tão grandes que vem imediatamente antes da sua segunda vinda?

“… E, logo depois da aflição daqueles dias… aparecerá no céu o sinal do Filho do homem…”.

Jesus não dizia que logo depois das aflições que sobrevieram a Jerusalém apareceria no céu o sinal do Filho do Homem. Se fosse assim, então o Senhor já retornou. Pior que para alguns preteristas, que advogam a favor de uma vinda futura de Jesus, esse LOGO DEPOIS já demora mais de dois mil anos. Óbvio que Jesus aqui fala sobre eventos que antecedem sua vinda, e não sobre coisas que vieram sobre a Jerusalém de 70 dC.

Em seguida vai acontecer o arrebatamento

31 E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.

32 Aprendei, pois, esta parábola da figueira: Quando já os seus ramos se tornam tenros e brotam folhas, sabeis que está próximo o verão.

Muitas das calamidades descritas nos versos anteriores são para o fim dos tempos, pois estão interligadas com a segunda vinda de Jesus. Não é possível de forma alguma separar “todas essas coisas” da vinda do Senhor, pois é dito que essas coisas aconteceriam bem próximas à sua vinda. Jesus não veio em 70 d.C. Portanto, essas palavras abaixo só fazem sentido para a geração que vai presenciar a sua segunda vinda,

33 Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas.

34 Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam.

Possivelmente Jesus fala de duas gerações – duas épocas – para seus ouvintes. Tanto pode ser para a geração que presenciaria a destruição de Jerusalém, como também para a geração dos tempos do fim.

O discurso do mestre em Mateus 24 fala mais sobre os tempo finais do que da destruição da cidade de Jerusalém em 70 dC pelo exercito romano. É isso que Ele deixa entendido no versículo seguinte, que o tempo vai passar, mas as palavras proféticas avançariam até o fim do mundo!

35 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.

Por que João, e não Paulo?

Os preteristas afirmam  que João foi exilado  na ilha de Patmos na década de 60, e ali recebeu as revelações do Apocalipse, redigindo cartas para as sete Igrejas da Ásia não mais tarde do que 63 dC. Seguindo essa cronologia preterista, deve-se concluir que  João redigiu estas pequenas epístolas enquanto o Apóstolo Paulo ainda estava vivo, o qual também escreveu para duas Igrejas, à Igreja de Éfeso e Laodicéia (Col 4:16).

Paulo era prisioneiro do império Romano em 60 dC, mesma área onde se encontravam as sete Igrejas  descritas em Apocalipse. Se ele escrevia para algumas dessas  Igrejas, por que Deus levantaria João para fazer o mesmo, escrever e enviar cartas  para congregações que estavam sob inspeção de Paulo?

A verdade pode ser outra; João não pôde ter tomado a responsabilidade sobre as Igrejas da Ásia Menor perto do fim da perseguição de Nero. Algumas delas foram plantadas principalmente por Paulo e estavam sob seu cuidado especial e inspeção pouquíssimos anos antes da destruição de Jerusalém. Ele costumava visitá-las, e depois de sua prisão ele escreveu cartas para algumas dessas igrejas com freqüência. Paulo mantinha uma comunicação constante com elas ainda, e em nenhuma de suas cartas, até o passado, nós encontramos qualquer menção de João ou qualquer referência a ele como residente nessas imediações, ou envolvido no ministério dessas congregações.

Foi provavelmente o martírio do apóstolo dos gentios,  e os perigos e distrações, que levou João a dar este passo importante e construir sua estrutura sobre as bases estabelecidas por Paulo. Após o martírio de Paulo, é provável que João foi chamado por boa parte das Igrejas para dar continuidade à sua obra. E devemos considerar também, que apesar dos erros gnósticos terem começado a mostrar-se no tempo de Paulo, eles só haviam sido organizados sob heresiarcas antes do fim do primeiro século. Por isso ouvimos dos nicolaítas, uma facção de gnósticos em duas das mensagens as Igrejas da Ásia (Ap 2:6,15). Perto do final do primeiro século, e não antes, os líderes gnósticos começaram o trabalho de mutilar os livros sagrados dos cristãos.

Estas  Igrejas estavam em uma condição muito diferente quando o Apocalipse foi escrito do que eram na época de Nero e de Paulo. A Igreja de Éfeso tinha “perdido o seu primeiro amor.” A Igreja de Esmirna tinha na sua comunhão aqueles que pertenciam à “sinagoga de Satanás”. A Igreja de Pérgamo abrigava não só os nicolaítas, mas aqueles que realizavam “a doutrina de Balaão, que ensinou Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel.” A Igreja de Tiatira tinha “a mulher Jezabel” que ensinava e seduzia seus membros a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos. A Igreja de Sardes apenas deixou “alguns nomes” que não contaminaram as suas vestes, enquanto os membros da Igreja de Laodicéia tornaram-se tão mornos e ofensivos para Cristo, que Ele “estava a ponto de vomitá-los”.

Em suma, todas estas Igrejas caíram do estado que estavam quando Paulo escreveu suas epístolas para algumas delas. Isso exige um tempo consideravelmente longo para sua deserção. Se supomos que o Apocalipse foi escrito sob a perseguição de Nero, apenas alguns anos após a escrita das epístolas de Paulo, devemos considerar que algumas Igrejas nem ao menos sobreviveram em pé por três anos. Mas se o livro foi escrito 30 anos depois, na perseguição de Domiciano, o declínio pode ser explicado.

Por que não Paulo, mas sim João?

Se admitirmos que Apocalipse foi redigido antes da queda de Jerusalém, então, obviamente, as cartas endereçadas para as congregações da Ásia foram escritas na  época em que o Apóstolo Paulo ainda era vivo. Ou melhor: se Jerusalém foi destruída entre 68 e 70 dC, e, em sendo Apocalipse – segundo os preteristas – um Livro que trata da queda de Jerusalém, conclui-se  que João o fechou antes de 70 dC, o que nos permite estabelecer uma data   retroativa para a redação das sete cartas, algo entre 62 e 64, época em que Paulo ainda estava ativo no ministério da pregação e redação da Palavra, o que significa dizer que Paulo escrevia partes do Novo Testamento nessa ocasião.

Isso faz nascer a pergunta: Por que Jesus não elegeu Paulo para escrever as sete Igrejas, já que da prisão em Roma ele  teve toda liberdade possível na preparação e envio de algumas epístolas endereçadas a cristãos nominais e algumas congregações,  mas sim elegeu  João, com toda a dificuldade possível ao seu redor, exilado numa Ilha do mediterrâneo?

Insisto: Por que Deus não usou  Paulo para escrever as sete cartas, já que ele encontrava-se preso na região do império romano onde se localizavam as sete Igrejas?

A contradição é grave. Paulo não teve dificuldade alguma para redigir e enviar algumas cartas do seu cativeiro em Roma: Filêmon, Filipenses, Colossenses, Efésios, 1 e 2 Timóteo e Hebreus. Curiosamente ele encoraja os de Laodicéia a ler a carta enviada aos Colosensses (Col 4:16). Portanto, vemos duas cartas de Paulo para duas Igrejas que aparecem em Apocalipse, a de Éfeso e a de Laodicéia. Porque teriamos dois Apóstolos escrevendo as mesmas Igrejas na mesma época? O silêncio com relação a João  escrevendo cartas para as Igrejas da Ásia no início de 60 dC é enorme. Não há necessidade de palavras, ele pode ser sentido.

Seria mais simples desfazer todo esse engano preterista se aceitassem a verdade óbvia:  que na ocasião da redação das sete cartas, dos Apóstolos originais, apenas João permanecia com vida. Ele  foi levantado para despertar as Igrejas inauguradas por Paulo.

Uma Mina de trabalhos forçados

Patmos era uma mina de pedreiras pertencente ao Império Romano, e foi o lar de muitos presos políticos e religiosos ou escravos. João, o apóstolo amado, estava sendo mantido como prisioneiro de Roma nesta ilha por causa da sua pregação incessante sobre Jesus. Roma acreditava que banir o velho João para a ilha remota e abandonada silenciaria a sua voz. Ele foi ali exilado por que o imperador Domiciano ficou irritado com o fato de João não ter sido morto quando foi mergulhado em óleo fervente.

Aprendemos que nesta ilha João escreveu o Livro de Apocalipse registrando tudo que viu. Concernente às cartas redigidas para as Igrejas da Ásia, a situação fica mais delicada; considerando que estas epístolas deveriam chegar para todas as sete congregações antes da queda de Jerusalém precisamos visualizar João apressando-se no preparo da escrita. Podemos visualizar o Apóstolo acompanhado as revelações e visões que recebia seguindo dos registros em papiro –  ele deveria correr com estes  registros e correr mais ainda para tirar estas cartas da ilha fazendo-as chegar ao seu destino. Acredita o leitor que foi desta maneira? Leia meu artigo Onde João Estava?

O seguinte foi dito ao Apóstolo João: “o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia” (Ap. 1:11). Esse versículo indica que o texto original escrito de Apocalipse foi enviado a cada uma das sete igrejas onde ele poderia ter sido copiado por um escriba. Quando a cópia era finalizada numa igreja, o original era enviado para a próxima igreja, até que todas as sete tivessem recebido e copiado o livro revelado. Quanto tempo levou isso tudo? Para os preteristas ocorreu em  tempo recorde; já que  João ficou na prisão – segundo eles – na década de 60, com Jerusalém  prevista para ser destruída dentro de poucos anos, devemos considerar que ele correu com os registros das suas visões depois de receber do Senhor o recado que deveria passar para as comunidades cristãs na Ásia menor.

O leitor consegue imaginar como alguém que foi preso nesta mina de pedras por causa do seu testemunho por Cristo, que foi enviado para aquela região justamente para ficar longe do público ouvinte do Evangelho, teve plena liberdade de redigir sete epístolas às Igrejas e ainda por cima ter alguém para tirá-las da ilha enviando-as para  comunidades cristãs distantes,  diretamente para as regiões onde se encontrava preso o Apostolo Paulo?

Interessante que se seguimos a cronologia preterista devemos admitir que os Efésios receberam duas cartas praticamente ao mesmo tempo, uma de Paulo onde ele os elogiava, dizendo: “… noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5:8), e outra de João, lhes alertando para que voltassem ao primeiro amor, porque o Senhor estava prestes a remover brevemente o seu candeeiro (Apoc 2:1-5).

Temos aqui mais uma flagrante contradição. Um diz que a Igreja – agora, tempo presente da escrita – é Luz no Senhor, mas o outro alega que a luz vai ser removida. Observe que Paulo os elogia enquanto João os adverte sobre a  falta de amor. Ou seja: “ereis trevas, mas agora sois luz no Senhor”, não tem porque  receber de repente uma ameaça de apagão. Ninguém que é louvado por ser luz poderia ao mesmo tempo ser  ameaçado de ter seu candeeiro removido. Evidente que um escrevia para Éfeso na década de 60, mas o outro, João, lhes escrevia quase quatro décadas depois. Fica evidente que os dois Apóstolos redigiam seus registros em épocas distantes uma da outra, e que João foi brindado com as revelações por que era o último dos discípulos vivos.

João não estava em Patmos na década de 60 dC

O Apóstolo Paulo em várias ocasiões menciona suas cadeias, mas em nenhum momento lembra-se do discípulo amado   exilado numa ilha na mesma época que esteve preso em Roma.

Efe 3:1 –  POR esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios.

2 Ti 1:8 –  Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus.

Flm 1 –  PAULO, prisioneiro de Jesus Cristo, e o irmão Timóteo, ao amado Filemom, nosso cooperador.

Flm 9 –  Todavia peço-te antes por amor, sendo eu tal como sou, Paulo o velho, e também agora prisioneiro de Jesus Cristo.

Paulo  fala dos cristãos encarcerados, e isso já em 62 dC, oito anos apenas antes da destruição de Jerusalém.  Escrevendo aos hebreus, Paulo  os alerta para que se lembrem dos prisioneiros em Cristo, e nem mesmo menciona João, o encarcerado…

Heb 13:3 –  Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.

Lucas nos brinda com detalhes importantíssimos sobre a prisão de Paulo, onde, quando e por que aconteceu. No entanto, nada foi dito sobre a prisão de João nesta época, que como coluna da Igreja em Jerusalém, se realmente estava em Patmos lá pelos idos de 60 e 70 dC, certamente teria sua situação anunciada por alguma testemunha ocular que viveu junto dos Apóstolos. Por exemplo, a prisão de João Batista foi conhecida de, praticamente, toda a Judeia. A prisão de Paulo ficou conhecida até dos que não faziam parte da Igreja, como também chegou ao conhecimento de muitos outros,

Fl 1:13 – De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares.

Se é a prisão de Pedro, outra coluna da Igreja em Jerusalém, mobilizou cristãos a tal ponto deles se reunirem em oração pelo livramento do Apostolo (Atos 12:10-15).

E a Prisão de João, também coluna  da Igreja em Jerusalém?  Se João ficou mesmo recluso em Patmos nessa ocasião, certamente teriamos algum registro feito pelos escritores autorizados – eles eram muitos. Por exemplo, Paulo mesmo lembra aos leitores Colossenses até daqueles que estavam presos com ele.

Col 4:10 –  Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o.

Aliás, para desespero do catolicismo, Paulo nem mesmo menciona Pedro, o qual a tradição alega que esteve preso com ele em Roma, mas de um desconhecido chamado Aristarco ele não esqueceu…

Qual escritor neo testamentário deixaria de registrar o tão estupendo milagre de João sair ileso do óleo fervente e ser por isso exilado numa ilha deserta se tal  aconteceu antes da destruição de Jerusalém? Considerando que dez dos Apóstolos originais ainda viviam nessa ocasião, além dos escritores Paulo, Marcos e Lucas, também estarem vivos, fica simplesmente inexplicável  a falta de registros sobre o  exílio  de João, o discípulo amado de Jesus e uma das colunas da Igreja em Jerusalém.

A Deus toda glória

 

Jerusalém e Babilônia

Jerusalem

Todo o caminho através das Escrituras Babilônia sempre significa Babilônia e Jerusalém sempre significa Jerusalém. Enquanto as Escrituras normalmente relacionam Jerusalém com o povo de Deus, relaciona Babilônia com o mundo. Os detalhes de Apocalipse 17-18 assemelha-se pouco com a Jerusalém do primeiro século. Por exemplo, Jerusalém não se sentava sobre muitas águas (17:15), ou mesmo reinava sobre os reis da terra, e nem ainda se assemelhava a uma potência econômica (18).

Além disso, embora a descrição da prostituta parece comunicar o seu grande envolvimento com a idolatria (adultério espiritual, coisas impuras e abominações), esta não é uma descrição da Jerusalém do primeiro século, à luz do fato de que a cidade daquela época era estritamente monoteísta. A condição dos judeus em 70 dC, não pode ser a que foi descrita em Apocalipse 9:20, onde fala daqueles que foram feridos pela explosão da sexta trombeta; alguns dos quais foram mortos, e alguns poupados, não poderiam ter sido judeus, pois o texto diz que estes estavam envolvidos com idolatria,

E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar”.

Não seria possível aplicar essa passagem aos judeus, pois eles não eram idólatras. Não podemos acusar a Jerusalém de 70 dC de fabricar ídolos de outro, de prata e de bronze (Rom 2:22).

É extremamente importante para o correto entendimento de quem é essa prostituta e considerar todos os elementos que a caracterizam. Esta “Babilônia, a mãe das meretrizes”, é descrita em Apocalipse 18:17 como uma cidade marítima envolvida no comércio com navios. Apocalipse 17:1 anteriormente descreveu-a como estando assentada sobre muitas águas. Não há nenhuma maneira de ser uma descrição de Jerusalém se juntamos o que é apenas símbolos. Jerusalém se localizava no deserto, a quarenta milhas do porto de Jope. Os símbolos em Apocalipse insistem em identificar essa metrópole até quando menciona o rio Eufrates, que é ligado a Babilônia original, mas não a Jerusalém.

Não se espera que Jerusalém, que foi destruída pelos romanos em 70 dC, poderia ser a mesma metrópole vista em Apocalipse, pois o texto diz que a mulher, a grande cidade, reina (está reinando) sobre os reis da terra. Os judeus e Israel certamente não reinavam sobre os reis da terra nesse tempo. Roma e os reis da terra não estavam sujeitos aos judeus e a cidade santa. Muito pelo contrário, os judeus e sua cidade foram alvos de Roma e seu Imperador, o rei da terra habitada.

Além disso, tudo, como poderia ser Jerusalém considerada a “mãe das meretrizes” ou a fonte de toda prostituição quando a prostituição existiu (Gen 11:1-9) muito antes de a cidade de Jerusalém ter existido?

Há uma série de motivos que não fazem de Jerusalém a prostituta de Apocalipse 17.

a) A prostituta também é chamada Babilônia. Apocalipse 17 e 18 é sobre a destruição da Babilônia. Este é o cumprimento final das previsões feitas em Isaías 13 e 14 e Jeremias 50 e 51. Nesses capítulos Israel e Jerusalém são contrastadas com a Babilônia e os caldeus. Observem que Jerusalém é citada separada de Babilônia. Essas passagens apresentam profecias sobre a derrota de Babilônia e a vindicação de Israel e Jerusalém.

Aqueles que ensinam que a prostituta em Apocalipse 17, que é identificada com Babilônia (Apocalipse 17:5), deve ser entendida como sendo Jerusalém, devem explicar como a Palavra Sagrada de Deus, a qual Jesus disse que não pode ser quebrada (João 10:35) passa a ter seu significado inicial totalmente revertido em cumprimento [futuro] e ainda qualificar-se como verdade!

Como poderíamos aceitar a profecia de Deus como verdadeira quando percebemos uma certa discrepância – ler o profeta falar da destruição de uma cidade, mas, em seguida ver o “cumprimento” da profecia milhares de anos mais tarde, destruindo uma cidade completamente diferente?

b) Outra figura importante, que prova não ser Jerusalém a Grande Meretriz, é que o rio Eufrates está associado com os eventos que ocorrem no Livro do Apocalipse (Ap 9:14; 16:12). O Eufrates é associado com a Babilônia literal, não com Jerusalém. Lembre-se que isso são figuras que ajudam na identificação da cidade que reina sobre os reis da terra.

c) A prostituta de Apocalipse 17 “se assenta sobre muitas águas”, que representam “povos, multidões, nações e línguas”. Isso aponta para a sua influência global, que muito mais naturalmente implica Babilônia, exemplificada originalmente em Babel, o primeiro reino do homem e do lugar onde a rebelião e as heresias foram espalhadas pela terra através da confusão das línguas.

Dela é dito ser a “Mãe das prostituições e das abominações da Terra”. Isto fala de seu papel como a criadora da prostituição e das abominações da terra. Isto, muito mais naturalmente, se aplica a Babilônia (na forma de Babel, do reino de Ninrod, Gen. 10, 11) do que o infiel Israel/Jerusalém, que gerou suas prostituições de outro lugar. Ezequiel constata que ela se originou no Egito (Ez 23:8, 27).

Ali está escrito:

“E as suas prostituições, que trouxe do Egito, não as deixou; porque com ela se deitaram na sua mocidade, e eles apalparam os seios da sua virgindade, e derramaram sobre ela a sua impudicícia”.

Ezequiel também aponta para os heteus, amorreus, como tendo sido uma fonte de prostituição de Israel; Ez 16:3, 44-45

Em outra parte, Ezequiel identifica aqueles que cometem prostituição com o Israel infiel como tendo tido seu nascimento na Babilônia:

“E aumentou as suas impudicícias, porque viu homens pintados na parede, imagens dos caldeus, pintadas de vermelho; cingidos de cinto nos seus lombos, e tiaras largas e tingidas nas suas cabeças, todos com parecer de príncipes, semelhantes aos filhos de Babilônia em Caldéia, terra do seu nascimento”. Ez 23:14-15

Os textos mostram claramente que Babilônia e não Jerusalém foi a fonte da infecção que prostituiu os povos. A prostituição partiu de uma influência anterior – a mãe – Babilônia!

Na meretriz de Apocalipse é encontrado “o sangue dos profetas e santos, e de todos os que foram mortos na terra”. Embora os judeus apóstatas contribuíssem para esse derramamento de sangue (Mat 23:34-39), essa fala de incrédulos fariseus em Jerusalém nos dias de Jesus, como agentes que participam na influência histórica da prostituta. Por outro lado, o abate dos santos pós século um já ultrapassou em muito os do tempo até Jesus, tanto em número como em alcance global.

Isto pode ser visto na multidão de mártires cristãos que pereceram desde então em países e sob regimes completamente desconectados de Israel e Jerusalém, incluindo movimentos islâmicos e as nações da Ásia e da África, que são responsáveis por muitos mártires cristãos em nossos dias, sem mencionar a Roma do passado.

Se a destruição final da Babilônia, a meretriz, é o futuro (e há muitas razões que indicam isso), então ela também deve dar conta do sangue de todos os justos, derramado desde a época de Jesus – e de todo o mundo.

Babilônia conseguiu camuflar-se entre as nações, usando delas com sua fúria, poder herético e assassino, tão somente para perpetuar seu domínio. Um tiro que saiu pela culatra, pois fez com que a profecia contra ela mesma se cumpra: ela vai ser capturada!

Simplesmente não é possível colocar isso em pé de igualdade com Jerusalém. A responsabilidade é global, tendo em conta que está completamente de acordo com a ideia de que a prostituta é a Babilônia, o ponto culminante da rebelião, que começou inicialmente na antiga Babel. Restringindo a prostituta a Jerusalém ou ao judaísmo, fica simplesmente demasiado estreito, pequeno, dado ao escopo global do livro do Apocalipse.

Cortando Caminho pelo Eufrates

Há deficiências graves no ensinamento preterista e as questões sem resposta já ultrapassaram os limites da sabedoria e bom senso. Apocalipse 16:12-16 descreve como a Batalha do Armagedom começara (ou como ela supostamente teve início).

“E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente. E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso… E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom”.

Aqui está mais uma pergunta: Quem conquistou Jerusalém em cumprimento desta profecia e de onde eles vieram? A posição preterista ensina que esta profecia se cumpriu no ano 70 quando o general romano Tito e seu exército conquistaram Jerusalém.

Mas Roma fica praticamente a Leste de Jerusalém, e na profecia (Ap 16:12) diz que o Eufrates secou-se de modo que os reis do Oriente tivessem acesso para fazer guerra contra Jerusalém no Armagedom. Ora, o Eufrates é citado para apontar diretamente na cabeça de Babilônia e não de Jerusalém, pois o Rio está ligado a Babilônia original. A simbologia que usa o Eufrates como figura quer esclarecer exatamente de quem se trata: Jerusalém não representa Babilônia.

Jerusalém e Babilônia

Identificar Babilônia como Jerusalém contradiz completamente o fundamento do VT sobre o qual a destruição da Babilônia apresentada no livro de Apocalipse se sustenta (Isaías 14: 1-4; 47: 1; Jeremias 50: 17-20; 51: 1-6). Quando examinamos essas passagens do AT, encontramos uma distinção consistente entre a Babilônia, o sujeito da ira de Deus, e Jerusalém/Israel, a quem Deus vai vingar:

Porque o Senhor se compadecerá de Jacó, e ainda elegerá a Israel, e os porá na sua própria terra; e unir-se-ão a eles os estrangeiros, e estes se achegarão à casa de Jacó. Os povos os tomarão e os levarão aos lugares deles, e a casa de Israel possuirá esses povos por servos e servas, na terra do Senhor; cativarão aqueles que os cativaram e dominarão os seus opressores.

No dia em que Deus vier a dar-te descanso do teu trabalho, das tuas angústias e da dura servidão com que te fizeram servir, então, proferirás este motejo contra o rei da Babilônia e dirás: Como cessou o opressor! Como acabou a tirania!” (Isa 14: 1-4)

Desce e assenta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão, pois já não há trono, ó filha dos caldeus, porque nunca mais te chamarás a mimosa e delicada” (Isaías 47:1).

Cordeiro desgarrado é Israel; os leões o afugentaram; primeiro, devorou-o o rei da Assíria, e, por fim, Nabucodonosor o desossou.

Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que castigarei o rei da Babilônia e a sua terra, como castiguei o rei da Assíria. Farei tornar Israel para a sua morada, e pastará no Carmelo e em Basã; fartar-se-á na região montanhosa de Efraim e em Gileade.

Naqueles dias e naquele tempo, diz o Senhor, buscar-se-á a iniquidade de Israel, e já não haverá; os pecados de Judá, mas não se acharão; porque perdoarei aos remanescentes que eu deixar” (Jer 50: 17-20).

Assim diz o Senhor: Eis que levantarei um vento destruidor contra a Babilônia e contra os que habitam em Lebe-Camai.

Enviarei padejadores contra a Babilônia, que a padejarão e despojarão a sua terra; porque virão contra ela em redor no dia da calamidade. O flecheiro arme o seu arco contra o que o faz com o seu e contra o que presume da sua couraça; não poupeis os seus jovens, destruí de todo o seu exército.

Caiam mortos na terra dos caldeus e atravessados pelas ruas! Porque Israel e Judá não enviuvaram do seu Deus, do Senhor dos Exércitos; mas a terra dos caldeus está cheia de culpas perante o Santo de Israel.

Fugi do meio da Babilônia, e cada um salve a sua vida; não pereçais na sua maldade; porque é tempo da vingança do Senhor: ele lhe dará a sua paga” (Jer 51: 1-6).

E eu retribuirei a Babilônia e a todos os habitantes da Caldéia, por todo o mal que fizeram em Sião aos vossos olhos”, diz o Senhor (Jer 51:24).

 “Seja a violência feita a mim e à minha carne sobre Babilônia”, dirá o habitante de Sião; “E o meu sangue caia sobre os habitantes da Caldéia!” Jerusalém dirá (Jer 51:35).

 Assim como a Babilônia fez com que os mortos de Israel caíssem, da mesma forma na Babilônia cairão os mortos de toda a terra” (Jer 51:49).

Se a linguagem significa alguma coisa, o intérprete não pode simplesmente inverter o significado de numerosas passagens das Escrituras para se adequar à sua própria predileção. Porém, é exatamente isso que o preterista faz. Entre o AT e o NT, ele inverte completamente o significado das palavras. Israel não significa mais a nação de Israel, mas agora deve ser lida como Igreja. Babilônia não significa mais “a cidade às margens do rio Eufrates, na terra de Sinar”, mas agora deve ser lida como Jerusalém! Isso ilustra alguns dos muitos perigos da Teologia da Substituição, alimentada pela interpretação preterista, que causa:

Confusão Escritural – As palavras são elásticas e seus significados podem ser alterados após o fato e até mesmo ser completamente invertidos. As numerosas profecias e promessas do AT de Deus a respeito de Jerusalém e Israel são agora reinterpretadas para significar algo totalmente diferente. Se adotássemos a interpretação preterista, só poderíamos concluir que, em seu contexto original, tais profecias eram enganosas e até mesmo deturpadas, pois a maneira como eram compreendidas na linguagem comum do profeta e seus ouvintes não estavam em seu verdadeiro significado.

Ensinamentos perigosos – A inversão de significado associada a várias passagens resulta em todos os tipos de crenças antibíblicas que podem levar o crente, mesmo sem estar ciente disso, a uma posição em oposição à vontade de Deus. Por exemplo, aqueles que acreditam que a Igreja é o novo Israel provavelmente se opõem ao verdadeiro Israel em suas reivindicações baseadas nas promessas de Deus no AT. Esses crentes se opõem à herança de Deus (Jer 50:11; Joel 3: 2).

Negação da Palavra de Deus – as promessas de Deus não são mais confiáveis. Se as promessas a respeito da cidade literal de Babilônia e da nação literal de Israel no AT não se aplicam mais a essas mesmas entidades, mas agora devem ser entendidas de uma maneira inteiramente nova – não apenas mais ampla, mas de uma forma que nega o significado do contexto original, então que confiança podemos ter nas promessas de Deus para nós? Como sabemos que a vida eterna é realmente eterna? Como sabemos que a Nova Jerusalém é de fato uma cidade real e tão gloriosa quanto o NT descreve? Se usarmos técnicas interpretativas semelhantes às do preterista, podemos descobrir quando chegarmos ao céu que o que Deus disse no NT – baseado nas regras comuns de linguagem e no contexto dos destinatários – não é de forma alguma o que Ele quis dizer. Atribuir tal significado maleável às palavras das Escrituras mina as promessas das Escrituras e difama a natureza de Deus.

A confusão dos preteristas resulta em sua negação de outras coisas que são reveladas a respeito de Babilônia, como a permanência de sua destruição. Se a hipótese Babilônia = Jerusalém estiver correta, Jerusalém nunca seria reconstruída novamente. Apocalipse 18: 21-23 descreve a destruição permanente da Babilônia. De acordo com a visão Babilônia = Jerusalém, Jerusalém foi destruída em 70 DC e nunca mais seria reconstruída. No entanto, como pode esta ser uma descrição de Jerusalém quando as Escrituras falam repetidamente de seu retorno à proeminência durante o reinado milenar (Isa 2: 3; Zc 14:16; Ap 20: 9)? As Escrituras deixam bem claro que Deus ainda tem um plano para o Israel étnico, mas a visão preterista de Jerusalém parece ensinar o oposto.

Também vimos que em sua destruição, Babilônia nunca mais será habitada. Claramente, Babilônia não pode ser Jerusalém, pois Jerusalém é habitada atualmente e nunca foi – nem será – destruída da maneira que as Escrituras descrevem sobre a Babilônia. Também há um problema [título de propriedade] quando se tenta identificar Jerusalém como Babilônia. Babilônia é considerada, “a mãe das meretrizes e das abominações da terra” (Ap. 17: 5). A Escritura indica que Jerusalém, em seus piores momentos, é apenas uma filha prostituta. Veja Ezequiel 16: 3,4 – 44,45 e 23: 2-4:

Assim diz o Senhor Deus a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus; teu pai era amorreu, e tua mãe, heteia. Quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste, não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta em faixas” (Ez 16:3,4).

Eis que todo o que usa de provérbios usará contra ti este, dizendo: Tal mãe, tal filha. Tu és filha de tua mãe, que teve nojo de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que tiveram nojo de seus maridos e de seus filhos; vossa mãe foi heteia, e vosso pai, amorreu” (Ez 16:44,45).

Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma só mãe. Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus peitos e apalpados os seios da sua virgindade. Os seus nomes eram: Oolá, a mais velha, e Oolibá, sua irmã; e foram minhas e tiveram filhos e filhas; e, quanto ao seu nome, Samaria é Oolá, e Jerusalém é Oolibá” (Eze 23: 2-4).

Nesta passagem significativa de Ezequiel, diz-se repetidamente que a prostituição de Israel deriva do Egito (Eze 23: 8, 19, 27). Portanto, ela é uma filha prostituta. Nesta mesma passagem que descreve a prostituição de Jerusalém, Ezequiel liga o nascimento de seus parceiros à Babilônia. Portanto, Jerusalém carece da antiguidade necessária para levar o rótulo duvidoso de mãe das prostitutas. Além disso, faltam evidências de que “Babilônia” sempre foi um nome simbólico para Israel. Não há um exemplo de ‘Babilônia’ sendo um nome simbólico para Israel, antes ou depois de 70 d.C. O ônus da prova recai sobre aqueles que mantêm a identificação Babilônia = Jerusalém. E outra grande fraqueza da visão de que Babilônia é Jerusalém é encontrada na datação do livro de Apocalipse. A menos que João tenha escrito o livro antes da queda de Jerusalém em 70 dC, torna-se impossível atribuir a destruição da Babilônia no livro do Apocalipse a esse evento. Ou seja, se ele escreveu depois de 70 dC, como é fato comprovado, então, a argumentação preterista cai por terra. Na verdade, a visão de que Babilônia significa Jerusalém representa uma distorção muito séria da palavra de Deus.

Profecias não cumpridas

Um ponto de desacordo a respeito da interpretação das Escrituras envolve como lidar com passagens que predizem eventos e circunstâncias que evidentemente não aconteceram. Para aqueles que defendem a inerrância e inspiração das Escrituras, existem apenas duas alternativas:

Hipérbole dramática – As passagens proféticas devem ser entendidas como o uso extensivo de figuras de linguagem, como a hipérbole para um efeito dramático. Elas não devem ser entendidas de maneira literal, mas devem ser vistos como uma forma de exagero dramático enfatizando a dureza com que Deus encara o pecado e seu julgamento relacionado. Elas foram cumpridas de forma aproximada por eventos do passado ou são declarações de princípios espirituais.

Predição literal – passagens proféticas não cumpridas fazem uso limitado da hipérbole, mas de forma que seja óbvio onde ela ocorre (por exemplo, 1 Sm 5:12). Em geral, as passagens proféticas são previsões precisas de julgamentos catastróficos que ainda não ocorreram.

Dependendo de qual dessas duas visões alguém sustenta ao ler o AT, as passagens não cumpridas serão aplicadas livremente às circunstâncias imediatas ou serão vistas como se estendendo além das circunstâncias imediatas e falando para um cumprimento final em um futuro distante. Os intérpretes futuristas entendem que a profecia previamente cumprida indica um padrão de cumprimento literal. Isso é de grande importância quando chegamos ao assunto da Babilônia nas Escrituras, porque todos os intérpretes estão cientes de que profecias extensas a respeito da Babilônia, e especialmente a maneira de sua destruição, nunca foram cumpridas como foram declaradas. Aqueles que defendem a hipérbole dramática como explicação tendem a acreditar que as passagens foram cumpridas de maneira aproximada, mas adequada. Aqueles que defendem a previsão literal acreditam que essas passagens nunca foram cumpridas, mesmo aproximadamente, e continuam a falar da futura destruição da Babilônia no tempo do fim. Estamos neste último grupo. E os preteristas precisam sobreviver com esse dilema, que ainda não teve cumprimento:

A Caldeia servirá de presa; todos os que a saquearem se fartarão, diz o Senhor; ainda que vos alegrais e exultais, ó saqueadores da minha herança, saltais como bezerros na relva e rinchais como cavalos fogosos, será mui envergonhada vossa mãe, será confundida a que vos deu à luz; eis que ela será a última das nações, um deserto, uma terra seca e uma solidão.

Por causa da indignação do Senhor, não será habitada; antes, se tornará de todo deserta; qualquer que passar por Babilônia se espantará e assobiará por causa de todas as suas pragas. Ponde-vos em ordem de batalha em redor contra Babilônia, todos vós que manejais o arco; atirai-lhe, não poupeis as flechas; porque ela pecou contra o Senhor.

Gritai contra ela, rodeando-a; ela já se rendeu; caíram-lhe os baluartes, estão em terra os seus muros; pois esta é a vingança do Senhor; vingai-vos dela; fazei-lhe a ela o que ela fez. Eliminai da Babilônia o que semeia e o que maneja a foice no tempo da sega; por causa da espada do opressor, virar-se-á cada um para o seu povo e cada um fugirá para a sua terra” (Jeremias 50:10-16).