O Anticristo em 70 DC

Segundo a doutrina preterista, o Anticristo, que é a besta, e o falso profeta, já foram lançados vivos no lago de fogo.  Apocalipse 19 afirma que esses homens foram finalmente destruídos depois que o Senhor Jesus julgou Jerusalém em 70 dC: “Caiu, caiu, a Grande Babilônia” (Ap 18:2).

Para os preteristas, essa passagem descreve a queda de Jerusalém em 70 dC, a qual eles chamam de Babilônia. Essa deve ser a teoria aceita se seguirmos a cronologia dessa confusa doutrina. Leiam o que aconteceu logo depois da suposta destruição de Jerusalém: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (Apo 19:20). O destino deles está no capítulo seguinte, o 19, que começa dizendo: “… E, DEPOIS destas coisas …” (Ap 19:1).

O preterista é obrigado a admitir que isso aconteceu imediatamente após a derrocada da Cidade Santa. Precisamos apenas unir as passagens dessa forma: “… E, DEPOIS destas coisasa besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre

Para a maioria dentro do Preterismo a besta era o imperador romano Nero ou mesmo seu sucessor. Mas Nero suicidou-se dois anos antes de Jerusalém ser destruída. Na verdade, Jerusalém foi destruída sob o imperador romano Vespasiano, não Nero. Além disso, nem Vespasiano e nem o seu general, Tito, foram mortos em Jerusalém com seus corpos “lançados vivos no lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 19: 20).

Deixe-me explicar melhor para que você tenha uma visão mais precisa. Se o capítulo 18 trata da destruição final de Jerusalém, a Grande Cidade, a Grande Babilônia, como ensina a escola preterista, obviamente devem eles concordar que a besta e o falso profeta, que aparecem finalmente destruídos em Apocalipse 19, são os mesmos mencionados em todo o Livro profético. Além disso, eles são forçados a identificar estes indivíduos como sendo ditadores romanos. Assim, se seguimos esta tese devemos concluir que estes personagens reais foram “lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (19:20) imediatamente após a derrubada de Jerusalém em 18:2.

Se observarmos no capítulo 19 descobrimos que a besta e o falso profeta foram instrumentos do julgamento de Cristo que havia supostamente voltado.  Quem os julga e os lança no lago de fogo é o próprio Jesus na manifestação da sua Segunda Vinda, a qual os preteristas vergonhosamente alegam já ter ocorrido. Portanto, deve-se perguntar: Quem era o falso profeta e o anticristo nessa ocasião? Uma vertente dessa doutrina já declarou que ele foi o imperador romano, Nero.

Essa loucura preterista não termina aqui; muitos chegaram ao absurdo de interpretar que a besta e seus exércitos avançam vindo de Roma contra Jerusalém, mas isto dificilmente pode ser verdade, pois Tito ( onde estava Nero? ) e seu exército foram os vencedores em 70 dC, enquanto Apocalipse diz que “a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e contra os seus exércitos” (Apocalipse 19:19), foram os perdedores.

Perguntas que precisam ser respondidas pelos Preteristas

A teoria preterista passada não corresponde aos fatos, pois a queda de Jerusalém em 70 dC não extinguiu o anticristo. Nem a morte da “besta” (que segundo a interpretação destes tem que ser Nero), e nem os milhares de judeus mortos no cerco de Jerusalém, pôs fim ao anticristo.

E tenha em mente: O falso profeta e o anticristo, que aparecem nos capítulos anteriores de Apocalipse 18, capítulo que trataria da queda de Jerusalém, são vistos no capítulo 19 sendo lançados no lago de fogo.Se Apocalipse 18 já teve cumprimento, mas Apocalipse 19 não, então essa aberrante doutrina está com um enorme problema para resolver. E pior, se garantem que Apocalipse 19 já teve cumprimento eles precisam provar que Jesus já retornou, pois esse capítulo, entre outras coisas, trata da sua Segunda Vinda do Senhor.

Segue abaixo alguns questionamentos para o Preterismo

1. Será que os que habitavam na terra antes da destruição de Jerusalém se maravilharam com Nero se recuperando de uma ferida mortal (Apocalipse 13:3)?

2. Será que Nero, ou qualquer anticristo romano, teve um falso profeta com dois chifres como um cordeiro (Ap 13:11, 12), fazendo com que todo o mundo o adorasse?

3. Será que Nero teve um falso profeta, que produziu um espetáculo cósmico fazendo fogo cair “do céu à terra, à vista dos homens” (Apocalipse 13:13)?

4. Será que Nero teve um falso profeta, que fez uma estátua do próprio Nero para todo o mundo adorar, fazendo-a falar, a fim de enganar o mundo inteiro a adorar o imperador (Apocalipse 13:15)?

5. Será que Nero teve um falso profeta que impôs uma marca na testa ou na mão de todo o mundo habitado da época ao ponto de ninguém poder comprar ou vender (Apocalipse 13:16)?

6. Será que as duas testemunhas, que transformaram água em sangue, atingiram toda a terra com a seca durante os 3 anos e meio da tribulação que precede o ano 70 dC? Será que Nero matou-os? Será que eles estavam mortos nas ruas de Jerusalém com todo o mundo presenciando a cena? Quando, imediatamente antes da queda de Jerusalém, pessoas de todo o mundo enviaram presentes uns aos outros por tão grande triunfo sobre as duas testemunhas? (Ap 11,3-10)

7. Será que um grande número de todas as tribos, e povos, e línguas, que ninguém podia contar, saíram da tribulação (Ap 7:9-17) que precedeu a destruição de Jerusalém em 70 dC?

8. Foi o anticristo,”que se opõe e se exalta acima de tudo que se chama Deus ou é objeto de adoração, de modo que se assentará como Deus no templo de Deus mostrando-se que ele é Deus”, destruído “pelo esplendor da vinda de Cristo” (2 Ts, 2:4) em 70 dC?

Um grande número de mártires, que são de todas as tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar, segundo a interpretação preterista, vieram da tribulação que houve antes da queda de Jerusalém. Devo mencionar aqui que por esse motivo eles não crêem numa Grande Tribulação futura, pois afirmam com veemência que esse evento narrado nas Escrituras já ocorreu com os judeus antes das destruição da cidade.

No entanto, o preterismo precisa explicar o que um número incontável de pessoas de todas as tribos, povos e línguas estavam fazendo apertadas na cidade de Jerusalém, e porque foram ali martirizadas juntamente com os judeus em 70 dC.  Um certo preterista, tentando escapar da verdade óbvia, argumentou  que Jerusalém teria recebido milhares de pessoas oriundas de várias partes do mundo nas suas festas anuais, o que, consequentemente, causou um fluxo enorme de povos amontoados entre os habitantes da cidades, e que teriam ficado retidas alí por causa do cerco romano. Como referência ele usou Atos 2;5-11.

É bastante improvável que os forasteiros tivessem permanecido/entrado na cidade por causa do cerco romano. As manobras do exército inimigo durou seis meses, tendo início em 66 dC; e como, muitíssimo provavelmente, já era notícia entre outros povos, isso certamente impediu qualquer judeu de outras partes do mundo de viajar para celebrar suas festas anuais. Além disso, se considerarmos que os rumores sobre o avanço das tropas do general Tito para a cidade de Jerusalém já haviam chegado em várias partes do mundo, podemos concluir que não havia mais forasteiros em Jerusalém nem mesmo antes da época ao cerco iniciado em 66 dC. Basta lembrar da Igreja que não estava mais na Cidade Santa na ocasião da invasão – os cristãos já haviam escapado para a região de Pela.

Nero não foi o Anticristo

Os preteristas acreditam que o Livro do Apocalipse é um relato profético sobre as coisas que já foram cumpridos, e buscam por toda parte, em registros históricos do primeiro século [principalmente em Josefo], e em tudo que podem na tentativa de encontrar  detalhes que evidenciam o cumprimento das profecias contidas neste Livro.

Como dito anteriormente, eles ensinam que o Anticristo, também conhecido como “a besta”, era o imperador romano Nero. Isso não é verdade, o imperador romano Nero não foi o Anticristo como muitos preteristas alegam.

Poderia esta passagem sobre o Anticristo (2 Tess. 2:8,9) ser uma referência para o imperador romano Nero?

E então o iníquo [que é um dos títulos atribuídos ao Anticristo] será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda.

Como a Bíblia diz – o iníquo, o anticristo – será destruído por Cristo. Quando isso vai acontecer? Observe o versículo novamente: “E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda”.

A Bíblia ensina que esse iníquo será levado a termo pelo próprio Senhor em sua “vinda”. Bem, este versículo apresenta alguns problemas sérios para os preteristas.

Isso não ocorreu com Nero!

Para quem está familiarizado com a história do primeiro século sabe que Nero se suicidou aos 31 anos de idade, cortando sua própria garganta. [Fonte: “uma adaga em sua garganta“, Suetônio – c.69 – c.140, A Vida dos Doze Césares]. Longe de ser consumido pelo sopro de Cristo na sua vinda, Nero tirou a própria vida.

Isso não é tudo…

Nero cometeu suicídio dois anos antes da destruição de Jerusalém!

Os preteristas (os parciais incluídos) acreditam que a profecia de Jesus sobre sua vinda em Mateus 24, foi cumprida em 70 dC, espiritualmente. Mas Nero comete suicídio em junho de 68 dC, dois anos antes do ano 70 dC, ano em que Jesus veio !!!A verdade é que o suicídio de Nero, dois anos antes da destruição de Jerusalém, está longe de ser um cumprimento do que 2 Tessalonicenses 2:8 diz que vai acontecer com o Anticristo.

Observe 2 Tessalonicenses 2:3-4: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a Vinda de Jesus] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”.

Por pior que fosse, Nero não era um enganador parecido com um cordeiro que enganava os cristãos, apesar de ter usado força bruta. Nero não era um traidor da fé cristã como Judas Iscariotes (isto é, ‘filho da perdição’). Pelo que sabemos, ele nunca professou ser cristão, e ninguém o confundiu com um cristão. Alem disso, Nero nunca fez nenhum ‘sinal e maravilha’ que enganasse as pessoas.  

Impossível concluir que o Anticristo tenha sido um personagem que viveu vinte séculos atrás e que foi destruído pelo próprio Cristo; a  profecia diz que esse indivíduo será “destruído com o resplendor da Sua vinda” (2 Tess 2:8). Isso não ocorreu – Jesus ainda não veio!

Existem outros problemas insuperáveis quando se trata do ensino aberrante de que Nero era o anticristo. Daniel 9:27 diz que o príncipe que há de vir, que muitos entendem ser uma referência do Antigo Testamento para o futuro líder mundial, faria um pacto de sete anos relativos a Israel. Nero nunca fez nenhuma aliança desse tipo; segundo muitos interpretes das Escrituras, II Tessalonicenses 2:4 diz que esse futuro líder mundial vai ter seu assento no templo de Deus, apresentando-se como sendo Deus. Isso nunca aconteceu. Nero jamais esteve em Jerusalém.

O sinal na mão ou na testa

Segundo o preterismo a grande tribulação ocorreu antes de 70 d.C, aos dias que antecederam a destruição de Jerusalém. Nessa tribulação o anticristo pôs um sinal na testa ou na mão de pessoas do MUNDO TODO!

Apoc 13:14-17, diz: “E engana os que habitam na terra… E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”.

Se a grande tribulação descrita em Apocalipse e em Mateus 24 são as mesmas, então o Anticristo – que para os preteristas foi Nero, obrigou o MUNDO INTEIRO a ter um sinal na mão direita ou na testa antes de 70 d.C – nada disso jamais ocorreu sob o governo de nenhum líder mundial, nem mesmo Nero, nem até a presente data.

A guerra era apenas entre Jerusalém e Roma; a “tribulação” ocorria numa pequena região da Judéia, mas não se sabe por que aparece uma figura sinistra, no caso o Anticristo, e resolve colocar um sinal na testa ou na mão de povos distantes da batalha entre as duas nações: “… E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas”, 14,17.

Quem recebesse o numero participaria da economia global (13:16-18). O mundo inteiro foi coagido a adorar uma imagem de Nero, pois ele ressuscitou (13:14, 15). Ele recebeu veneração de todo o planeta (13:8).

 

Onde estão as evidências  que comprovam que isso tenha ocorrido em todo o mundo habitado antes da destruição de Jerusalém?

Vamos aguardar a resposta preterista…

 

 

 

A Cidade das Sete Colinas

O que voce tem aqui caro leitor,  é o capítulo 6 do livro “A Woman Rides the Beast” (A Mulher Montada na Besta) de Dave Hunt. A leitura é interessante e esclarecedora. Não se assuste com o que vais ler. Não é ficção, é a pura verdade. Respire fundo…

                                  Uma Cidade Com Sete Colinas 

A Mulher montada na besta é uma mulher numa cidade construída sobre sete colinas, que reina sobre os reis da terra. Será que uma declaração igual já foi feita em toda a história?  João imediatamente aconselha a aceitação pelo leitor desta revelação,  com “sabedoria”. Não nos atrevemos a negligenciar um esclarecimento. Ela merece nossa atenção cuidadosa e em oração.

Aqui não temos uma linguagem mística nem alegórica, mas uma  nada ambígua declaração em palavras claras: “A mulher… é a grande cidade”. Não se justifica procurar uma  outra significação oculta. Mesmo que se tenham escrito livros e pregado sermões insistindo em que  “Mistério, Babilônia” se refere aos Estados Unidos. Claramente não é este o caso, pois os Estados Unidos são um país e não uma cidade. Poder-se-ia justificar referindo-se aos Estados Unidos como a Sodoma, considerando-se a honra agora dada aos homossexuais, mas não é definitivamente a Babilônia que João vê em sua visão. A mulher é uma cidade.

Além do mais, ela é uma cidade construída sobre sete colinas. Isso elimina especificamente a antiga Babilônia. Só uma cidade com mais de 2.000 anos tem sido conhecida como a cidade das sete colinas. Essa cidade é Roma. A Enciclopédia Católica declara: “É dentro da cidade de Roma, chamada a cidade das sete colinas,  que a área completa do Vaticano está agora confinada”.

Há certamente, outras cidades, tais como o Rio de Janeiro, que também foram construídas sobre sete colinas. Por conseguinte, João fornece pelo menos mais sete características para limitar a identificação de Roma somente. Examinaremos cada uma em detalhes, nos capítulos seguintes. Entretanto, como uma previsão do lugar para onde estamos indo,  vamos listá-los agora e os discutiremos resumidamente. Como veremos, existe apenas uma cidade na terra, a qual, tanto na perspectiva histórica como na contemporânea, passa em todos os testes dados por João, inclusive  em sua identificação como a “Babilônia, Mistério”. Essa cidade é Roma, e mais especificamente  a Cidade do Vaticano.

Mesmo o apologista católico Karl Keating admite que Roma tem sido reconhecida há muito como a Babilônia. Keating afirma que a declaração de Pedro “Aquela que se encontra em Babilônia… vos saúda”. (1 Pedro 5:13) prova que Pedro estava escrevendo de Roma. Ele ainda explica:  “Babilônia é uma palavra em código para Roma. Ela é usada dessa maneira seis vezes no último livro da Bíblia (quatro das quais, nos capítulos 17 e 18) e obras extrabíblicas como “Os Oráculos de Sibélio” (5, 159F) , o Apocalipse de Baruque ( ii, 1) e 4 Esdras (3:1) .

Euzébio Panfílio, escrevendo em cerca de 303, afirma que “é dito que a Primeira Epístola de Pedro … Foi composta em Roma, e que isso indica que ele está se referindo à cidade em sentido figurado como Babilônia”.

Quanto ao “Mistério”, o nome impresso na fronte da mulher, é uma perfeita designação da Cidade do Vaticano. O mistério é todo o coração do Catolicismo Romano, das palavras “Mysterium Fidei” pronunciadas na suposta transformação do pão e do vinho em literais corpo e sangue de Cristo às enigmáticas aparições de Maria ao redor do mundo. Cada sacramento, do Batismo até a Extrema Unção, manifesta o poder que o fiel deve acreditar ser exercido pelo padre, mas para o qual não há evidência alguma. O novo Catecismo de Roma explica que a liturgia “objetiva iniciar a alma no mistério de Cristo (isso é mitologia) e que toda a liturgia da Igreja é um mistério

Quem é a Meretriz? 

A primeira coisa que nos contam sobre a mulher é que ela é uma “meretriz” (Apocalipse 17:1), “com quem se prostituíram os reis da terra”  (verso 2)  “e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra” (verso 3). Porque seria uma cidade chamada de prostituta e praticaria fornicação com reis? Tal acusação jamais poderia ser dirigida a Londres ou Moscou ou Paris – ou qualquer outra cidade comum. Não faria sentido.

Fornicação e adultério são usados na Bíblia tanto em sentido físico como espiritual. Sobre Jerusalém, Deus diz: “Como se fez prostituta a cidade fiel” (Isaías 1:21).  Israel, que Deus havia separado dos outros povos, para ser santo para os Seus propósitos, havia entrado na profanidade, alianças adúlteras com nações que adoravam deuses ao seu redor.   “… Porque adulterou, adorando pedras e árvores (ídolos) (Jeremias 3:9) .  “E com seus ídolos adulteraram” (Ezequiel 23:37) Todo o capítulo de Ezequiel 16 explica  em detalhes o adultério espiritual de Israel, tanto com as nações pagãs, como seus falsos deuses,  como é feito em muitas passagens.

Não há como uma cidade possa se engajar literalmente com a fornicação carnal. Então só podemos concluir que João, como os profetas do Velho Testamento, está  usando o termo no sentido espiritual. Portanto, a cidade deve afirmar uma relação espiritual com Deus. De outro modo, tal alegação não teria significado.

Embora construída sobre sete colinas, não haveria razão para se acusar o Rio de janeiro de fornicação espiritual. Ela não faz afirmação alguma de ter uma relação espiritual com Deus. E embora Jerusalém tenha essa relação espiritual, ela não  pode ser a mulher montada na besta, pois não é construída sobre sete colinas. Nem vai preencher outros critérios pelos quais essa mulher será identificada.

Contra uma única cidade na história poderia a acusação de adultério ser feita. Essa cidade é Roma, e mais especificamente a Cidade do Vaticano.  Ela afirma ter sido o quartel general do Cristianismo, desde o início, e mantém essa afirmação até hoje. Seu papa entronizado em Roma afirma ser o único representante de Deus, o vigário de Cristo. Roma é o quartel general da Igreja Católica Romana, que afirma ser a única.

Numerosas igrejas, é claro, têm seus quartéis generais em cidades, mas apenas uma cidade tem seu quartel general como igreja. A Igreja Mormon, por exemplo, tem o seu quartel general em Salt Lake City, mas existem muitas outras igrejas em Salt Lake City,  além da Igreja Mormon. Tal não acontece com a Cidade do Vaticano. Ela é o coração da Igreja Católica Romana e nada mais. Ela é uma entidade espiritual que poderia muito bem ser acusada de fornicação espiritual, se não permanecesse fiel a Cristo. 

Na Cama com os Governantes

Não somente o papa de Roma afirma ser o vigário de Cristo, mas a Igreja que ele encabeça afirma ser a única verdadeira e a noiva de Cristo. A noiva de Cristo, cuja esperança é  se reunir ao noivo no céu, não pode ter nenhuma ambição terrestre. Contudo, o Vaticano tem obsessão  por empresas terrestres, como prova a história, e em adição a esses objetivos que ela, exatamente como João  previu em sua visão, tem se engajado em relações adúlteras com os reis da terra. Esse fato é reconhecido até mesmo pelos historiadores católicos.

Cristo disse aos seus discípulos: “Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (João 1519). A Igreja Católica, contudo, é muitíssimo deste mundo. Seus papas têm construído um império mundial  inigualável de propriedades, riqueza e influência. Nem é a construção desse império uma característica abandonada no passado. Já vimos que o Vaticano II estabelece claramente que a Igreja Católica Romana hoje ainda continua a tentar colocar sob o seu controle toda a humanidade e toda a sua riqueza.

O papa tem há muito exigido o domínio sobre o mundo e seus povos. A bula do papa Gregório XI, de 1372, (In Coena Domini) exige o domínio total sobre o mundo cristão,  secular e religioso,  e excomungou todos os que falharam em obedecer os papas e pagar-lhes seus impostos.  In Coena foi depois confirmada  pelos papas subseqüentes  e em 1568 o papa Pio V afirmou que essa permaneceria como lei eterna.

O papa Alexandre VI (1492-1503) afirmava que toda terra ainda não descoberta pertencia ao Pontífice Romano, para dela dispor como bem entendesse em o nome de Cristo, como seu vigário. João II de Portugal foi convencido de que em sua Bula Pontifícia Romana o papa havia concedido tudo que Colombo descobrira exclusivamente a ele e seu país. Fernando e Isabel da Espanha, entretanto, pensava que o papa havia dado as mesmas terras  a eles. Em maio de 1493 Alexandre VI, nascido espanhol, emitiu três bulas para resolver a disputa.

Em o nome de Cristo, que não tinha onde reclinar a cabeça, este incrível papa Bórgia, afirmando ser o dono do mundo, desenhou uma linha de norte a sul no mapa mundial daquela época, dando tudo que havia no Oriente a Portugal e no Ocidente à Espanha.  Desse modo, por concessão papal, “saindo da plenitude do poder apostólico”, a África foi para Portugal e as Américas para a Espanha. Quando Portugal “conseguiu chegar à Índia e Malásia, eles asseguraram a confirmação de tais descobertas  por parte do papado…”. Havia, contudo, uma condição: “Com a intenção de trazer os habitantes … a professar a fé Católica”. Foi exatamente por isso que a América Central e do Sul, as quais, em conseqüência dessa aliança profana entre a igreja e o estado, foram forçadas pelo Catolicismo, através da espada, a permanecerem católicas até os dias de hoje. A América do Norte (com exceção de Quebec e Louisiania) foi poupada do domínio do Catolicismo Romano porque foi amplamente colonizada pelos protestantes.

Nem podem os descendentes dos Astecas, Incas e Mayas ter esquecido que os padres católicos romanos, auxiliados  pela espada secular,  deram aos seus ancestrais a escolha da conversão (que sempre significa escravidão) ou a morte. Eles fizeram tal protesto, quando João Paulo II,  em recente visita à América Latina, propôs elevar Junípero  Serra (o principal do século 18 que mais forçou o Catolicismo entre os índios) à santificação, que o papa teve de fazer a cerimônia em segredo.

Cristo disse: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim…”. Os papas, entretanto, têm lutado com exércitos  e armadas em nome de Cristo para construir um vasto império, que é muitíssimo deste mundo. E para aumentar o seu império terrestre, eles têm repetidamente se comprometido em fornicação espiritual com  imperadores, reis e príncipes. Afirmando ser a noiva de Cristo, a Igreja Católica Romana tem se refestelado na cama  com governantes ímpios através de toda a história, e essa relação adúltera continua até hoje. A fornicação espiritual será comentada com detalhes mais tarde.

Roma Igual ao Vaticano

Alguns podem objetar que é Roma e não a pequena parte conhecida como Cidade do  Vaticano, que está edificada sobre sete colinas e que o Vaticano dificilmente  pode ser chamado uma “grande cidade”. Embora ambas as objeções sejam verdadeiras, as palavras “Vaticano” e “Roma” são universalmente usadas sem distinção. Exatamente como se alguém se referisse a Washington referindo-se ao  governo que dirige os Estados Unidos, assim refere-se a Roma, designando a hierarquia  que governa a Igreja Católica.

Tome-se por exemplo um cartaz feito para  a divulgação de um encontro realizado em Novembro 15-18, 1993, em Washington D.C., da Conferência Nacional dos Bispos Católicos. Protestando contra qualquer desvio dos desejos do papa, ele dizia: “ROMA É O CAMINHO OU A ESTRADA”. Obviamente por “Roma” entende-se o Vaticano. Esse é o uso comum. Roma e o Catolicismo estão tão interligados, que a Igreja Católica é conhecida como Igreja Católica Romana ou simplesmente Igreja Romana. Além disso, por mais de mil anos a Igreja Católica Romana exerceu tanto o controle  religioso como o civil sobre toda a cidade de Roma e seus arredores. O Papa Inocêncio III (1198-1216) aboliu o Senado Romano secular e colocou a administração de Roma diretamente sob o seu comando. O Senado de Roma, que havia governado a cidade sob os Césares, havia sido chamado a Cúria Romana. Esse nome, conforme o Dicionário Católico de Bolso, é agora a designação  de “de todo o conjunto de escritórios administrativos e judiciais, através dos quais o papa dirige as operações da Igreja Católica” .

A autoridade do papa se estende até mesmo aos grandes territórios fora de Roma, adquiridos no século 18. Naquele tempo, com a ajuda de um documento deliberadamente fraudado, fabricado pelos papas, conhecido como A Doação de Constantino, o Papa Estêvão III convenceu Pepino, rei dos francos e pai de Carlos Magno, de que os territórios recentemente tomados pelos Lombardos dos Bizantinos realmente haviam sido doados ao papado pelo Imperador Constantino. Pepino venceu os Lombardos e entregou  ao papa as chaves de umas 20 cidades (Ravena, Ancona, Bolonha, Ferrara, Iesi, Gubbio, etc.), e a imensa nesga de terra a ele se juntou, ao longo da costa Adriática.

Datado de 30 de março de 315, a Doação declarava que Constantino havia doado essas terras, junto com Roma e o Palácio Laterano, perpetuamente,  aos papas. Em 1454 este documento foi comprovado como sendo uma fraude, por Lorenzo Valla, um adido papal, e é assim considerado pelos historiadores até hoje. Ainda assim os supostos papas infalíveis continuaram durante séculos a asseverar que A Doação era genuína e sobre essa base justificam sua pompa, poder, e possessões. Essa fraude ainda é perpetuada por uma inscrição no batistério da Igreja de São João Laterano em Roma, jamais tendo sido corrigida.

Desse modo, o Estado Papal foi literalmente roubado pelos papas dos seus legítimos proprietários. O papado controlava e taxava esses territórios e extraía grande riqueza deles, até 1848. Nesse tempo o papa, junto com os governantes da maior parte dos outros territórios  divididos da Itália, foi obrigado a conceder aos seus súditos rebelados uma constituição. Em setembro de 1860, com protestos furiosos, Pio IX perdeu  todos os estados papais para o novo, finalmente unido Reino da Itália, que ainda  o deixou, no tempo do Concílio Vaticano I, em 1870, no controle de Roma e seus arredores.

O caso é que, exatamente como João previu em sua visão, uma entidade espiritual que afirmava ter uma relação especial com Cristo e com Deus tornou-se identificada com uma cidade que fora construída sobre sete colinas. Essa “mulher” praticou fornicação espiritual com os governantes da terra e eventualmente reinou sobre eles. A Igreja Católica Romana tem sido continuamente identificada como sendo essa cidade. Como “a mais definida Enciclopédia Católica, desde o Concílio Vaticano II”, declara: “… Daí por que o lugar central de Roma  na vida da Igreja hoje e a significação do título Igreja Católica Romana, a igreja que é universal, ainda era o ponto de concentração do ministério do Bispo de Roma. Desde a fundação da Igreja aí por S. Pedro, Roma tem sido o centro de toda a Cristandade

Riqueza de ganhos Mal Adquiridos

A incrível riqueza desta mulher atraiu logo a atenção de João. Ela se vestia de “púrpura e escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição” Apocalipse 17:4. As cores púrpura e escarlate uma vez mais identificam a mulher tanto com a Roma pagã  como com a cristã. Eram essas as cores dos Césares romanos, com as quais os soldados zombaram de Cristo como Rei (Mateus 27:28 e João 19:2-3), e que o Vaticano tomou para si mesmo.  As cores da mulher são ainda literalmente as cores do clero romano. A mesma Enciclopédia Católica acima mencionada declara:

Cappa Magna. Uma capa com uma longa cauda  e uma capa para cobrir os ombros… (ela) era de lã púrpura para os bispos; para os cardeais era de seda tingida de escarlate  (para o Advento, Quaresma e Sexta  Feira Santa e o conclave, lã púrpura); e lã tingida de rosa para Gaudete e Domingos Laetare; e para o papa, era de veludo vermelho, para as Matinas de natal, sarja de seda  vermelha em outras ocasiões. Batina  (Também Sotaina)  Roupa até o calcanhar  usada pelo clero católico como sua vestimenta oficial… A cor para os bispos e outros prelados é púrpura, para os cardeais é escarlate…”

O “cálice de ouro em sua mão” novamente identifica a mulher com a Igreja Católica Romana. A Edição Broderick da Enciclopédia Católica declara sobre o cálice: “(é) o mais importante dos vasos sagrados…  (ele) pode ser de ouro ou de prata, e se desta, a parte interna deve ser folhada com ouro” A Igreja Católica Romana possui muitos milhares de cálices de ouro maciço guardados em suas igrejas ao redor do mundo. Até mesmo a cruz  sangrenta de Cristo foi transformada em ouro e cravejada de pedras preciosas, como reflexo da grande riqueza de Roma. A Enciclopédia Católica diz: “A cruz peitoral (pendurada numa corrente  ao redor do pescoço e usada ao peito por abades, bispos, arcebispos, cardeais e o papa) deveria ser feita de ouro e… decorada com pedras preciosas…”

Roma tem praticado o mal a fim de acumular sua riqueza, pois a “taça de ouro” está cheia de “abominações”. Muita da riqueza da Igreja Católica Romana foi adquirida através do confisco das propriedades das pobres vítimas da Inquisição. Até mesmo os mortos eram exumados para sofrer julgamento  e suas propriedades eram confiscadas dos seus herdeiros pela Igreja. Um historiador escreve:  “As punições da Inquisição não acabavam quando as vítimas eram reduzidas a cinzas ou fechadas nas masmorras da Inquisição. Seus parentes eram reduzidos à miséria pela lei de que todas as suas possessões eram confiscadas. O sistema oferecia oportunidades ilimitadas para saques… Esta fonte de ganho largamente demonstra a revoltante prática  do que tem sido chamado de “julgamento de cadáveres”…Que a prática de confiscar propriedades dos hereges condenados era o produto de muitos atos de extorsão, rapinagem e corrupção não pode ser contestada por pessoa alguma que tenha qualquer conhecimento quer da natureza humana ou de documentos históricos… homem nenhum estava a salvo se a sua riqueza pudesse inflamar a cupidez, ou cuja independência pudesse provocar vingança”.

A maior parte da riqueza de Roma tem sido adquirida através da venda de salvação. Incontáveis bilhões de dólares lhe têm sido pagos  pelos que julgam estar comprando o céu, no plano de salvação deles e de seus  entes amados. A prática continua hoje em dia  – mormente quando o catolicismo está no controle, obviamente menos aqui nos Estados Unidos. Nenhum engano ou  abominação maior poderia ser perpetrada. Quando o Cardeal Cajetan, estudioso dominicano do século 16, se queixou da venda de perdões e  indulgências, a hierarquia da Igreja ficou indignada e o acusou de querer “tornar Roma um deserto inabitado, reduzir o papado à impotência, privar o papa…de fontes pecuniárias indispensáveis ao desempenho do seu ofício

A Igreja Católica Romana é de longe a instituição mais rica da terra. Sim, ouvem-se os pedidos periódicos de Roma exigindo dinheiro – apelos afirmando que o Vaticano não pode manter-se com suas limitadas reservas e necessita de assistência monetária.  Tais pedidos não passam de conspirações absurdas. O valor de inumeráveis esculturas de mestres tais como Miguel Ângelo, pinturas dos maiores artistas do mundo, e incontáveis outros tesouros e documentos antigos que Roma possui  (não apenas no Vaticano, mas nas catedrais  ao redor do mundo) está além de qualquer avaliação. No Sínodo Mundial dos Bispos em Roma, o Cardeal Heenan da Inglaterra propôs que a Igreja vendesse alguns desses tesouros supérfluos  e desse o resultado aos pobres.  Sua sugestão não foi bem recebida.

Cristo e seus discípulos viveram em pobreza. Ele disse aos seus discípulos para não acumular tesouros sobre a terra, mas no céu. A Igreja Católica Romana tem desobedecido este mandamento e acumulado uma pletora de riquezas sem igual, das quais “o Pontífice Romano é o supremo administrador e mordomo…”. Não existe igreja nem cidade alguma que seja uma entidade, uma instituição religiosa passada ou presente  que já tenha pelo menos se aproximado da riqueza da Igreja Católica Romana. Um recente artigo de jornal descreveu apenas uma fração desse tesouro numa localidade:  “O fabuloso tesouro de Lourdes  (França), cuja existência foi mantida em segredo pela Igreja Católica, por 120 anos, foi desvendado … Rumores têm circulado durante décadas sobre uma coleção de cálices de ouro sem preço, crucifixos cravejados de diamantes (uma pálida amostra da cruz sangrenta na qual Cristo morreu), prata e pedras preciosas doados por peregrinos agradecidos.

Após uma observação indiscreta por seus homens de imprensa esta semana, as autoridades da Igreja concordam  em revelar parte da coleção … (algumas) caixas abarrotadas foram abertas e revelaram 59 cálices de ouro, além de anéis, crucifixos, estatuas e broches de ouro maciço, muitos deles incrustados de pedras preciosas. Quase escondida no meio de outros tesouros,  está a Coroa de Nossa Senhora de Lourdes, feita por um joalheiro francês em 1876 e cravejada de diamantes.

As autoridades da Igreja dizem que é impossível avaliar a coleção. “Não tenho idéia alguma”, diz o Padre Pierre-Marie Charriez, diretor de Patrimônio e Santuário . “É de valor inestimável”. …

Através da estrada há uma construção guardando centenas de (antigos) ornamentos eclesiásticos, roupas, mitras, e paramentos – muitos  em ouro maciço…

“A Igreja ela mesma é pobre”, insiste o Padre Charriez. O “Vaticano ele mesmo é pobre”.  O tesouro aqui descrito é apenas parte do que se encontra guardado na localidade, na pequena cidade de Lourdes, na França!

 A Mãe das Meretrizes e das Abominações

Quanto mais profundamente entramos na história da Igreja Católica Romana e suas práticas correntes, mais impressionados ficamos com a interessante exatidão da visão recebida por João,  séculos antes que ela se tornasse uma lamentável realidade. A atenção de João é despertada para o título ousadamente colocado sobre a fronte da mulher: “Mistério, Babilônia a Grande, a Mãe das Meretrizes e Abominações sobre a Terra” (Apocalipse 17:5). Infelizmente, porém,  a Igreja Católica Romana se adapta  à descrição “mãe das meretrizes e abominações” exatamente como também se adapta a outras. Isto se deve em grande parte à exigência  anti-bíblica de que seus sacerdotes sejam celibatários.

O grande apóstolo Paulo era um celibatário e recomendou essa vida a outros que desejassem se devotar inteiramente ao serviço de Cristo. Ele, porém, não fez disso uma condição   para a liderança  como a Igreja  Católica tem feito, impondo, assim, um fardo desnaturado  sobre todo o clero, o qual muito poucos conseguem suportar. Pelo contrário, ele escreveu que o bispo deveria ser “marido de uma só mulher” (1Timóteo 3:2), fazendo as mesmas exigências para os oficiais.  (Tito 1:5-6).

Pedro, que os Católicos erroneamente afirmam ter sido o primeiro papa, era casado. Assim eram pelo menos alguns dos outros apóstolos. O fato não era o de terem eles se casado antes de Cristo os chamar, mas isso era aceito como uma norma corrente. O próprio Paulo dizia que ele tinha o direito de se casar como os outros: “E também o de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas (Pedro)?”  (1 Coríntios 9:5).

A Igreja Católica Romana, entretanto, tem insistido sobre o celibato, embora muitos papas, como Sérgio III (904-911), João X (914-928), João XII (955-963), Benedito V (964), Inocêncio VIII (1484-1492), Urbano VIII  (1623-1644),  e Inocêncio X (1644-1655), bem como milhões de cardeais, bispos, arcebispos, monges e padres através da história tenham violado estes votos. E como  tornam em prostitutas aquelas com quem coabitam secretamente.

Roma é em verdade “a mãe das meretrizes”.  Sua identificação como tal é inconfundível. Nenhuma outra cidade, igreja ou instituição na história do mundo  com ela se rivaliza em praticar particularmente este mal.

A história está repleta de dizeres que zombam do falso clamor da Igreja sobre o celibato e revelou sua verdade: “o eremita mais santo tem sua prostituta” e “Roma tem mais prostitutas do que qualquer outra cidade porque tem a maioria dos celibatários”, são exemplos. Pio II declarou que Roma era “a única cidade cheia de bastardos” (filhos de papas e cardeais). O historiador católico e ex-jesuíta Peter da  Rosa escreve:  “Os papas tinham garotas com 15 anos de idade, eram culpados de incesto e perversões sexuais de toda sorte, tinham inumeráveis filhos, eram assassinados em atos de adultério (por maridos ciumentos que os encontravam na cama com suas esposas) … Daí a velha frase católica, por que ser mais santo do que o papa?”

Em matéria de abominação, mesmo os historiadores católicos admitem que entre os papas estavam alguns dos mais degenerados monstros sem consciência da história. Seus inumeráveis crimes de violência, muitos dos quais estão além de qualquer crença, têm sido citados por muitos historiadores a partir de documentos reservados que revelam a profundidade da depravação papal, alguns dos quais a serem apresentados em capítulos futuros. Chamar qualquer desses homens de “Sua Santidade, Vigário de Cristo”, é zombar da santidade de Cristo. Ainda assim o nome de cada um desses incríveis papas perversos – assassinos de massas, fornicadores, ladrões, warmongers, alguns culpados do massacre de milhares – é decantado com louvores na lista oficial de papas da Igreja. Essas abominações que João previu não apenas ocorreram no passado, mas até em nossos dias, como veremos.

Embriagada com o Sangue dos Mártires

Em seguida João nota que a mulher está embriagada – e não com bebida alcoólica. Ela está embriagada com “o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus…” (apocalipse 17:6). O quadro é horrível. Não são apenas suas mãos  que estão tintas de sangue, mas está embriagada com ele. O assassinato de inocentes que por amor à consciência não concordariam com suas exigências totalitárias tanto a refrescaram e excitaram, que ela está em êxtase.

Logo pensamos nas Inquisições (Romana, Medieval e Espanhola) que durante séculos prenderam a Europa em suas garras terríveis. Em sua História da Inquisição, Canon Llorente, que foi o secretário da Inquisição em Madri de 1790 a 1792, e tinha acesso aos arquivos de todos os tribunais, calculou que somente na Espanha o número de condenados excedeu a 3 milhões, com cerca de 300.000 queimados na estaca. Um historiador católico comenta sobre os acontecimentos que conduziram à supressão da Inquisição Espanhola em 1809:  “Quando Napoleão conquistou a Espanha em 1808, um oficial polonês do seu exército, Coronel Lemanouski, registrou que os Dominicanos (a cargo da Inquisição)  se trancaram em seu mosteiro em Madri. Quando as tropas de  Lemanouski forçaram a entrada, os inquisidores negaram a existência de quaisquer câmaras de tortura. Os soldados   revistaram o mosteiro e as descobriram sob os pisos. As câmaras estavam cheias de prisioneiros, todos nus, muitos loucos. As tropas francesas, acostumadas à crueldade e sangue, não conseguiram segurar seus estômagos diante da visão. Esvaziaram as câmaras de tortura, jogaram pólvora sobre o mosteiro e o explodiram”.

Para conseguir as confissões dessas pobres criaturas, a Igreja Católica Romana usava torturas engenhosas, tão cruciantes e bárbaras, que ficaríamos doentes com a sua descrição. O historiador da Igreja, Bispo William Shaw Kerr, escreve:  “A abominação mais hedionda de todas era o sistema de tortura. A narração de suas operações a sangue frio faz-nos estremecer  diante da capacidade de seres humanos em matéria de crueldade. E eram decretadas e reguladas pelos papas que afirmavam representar Cristo na terra. Cuidadosas anotações foram feitas não apenas de tudo que era confessado pelas vítimas, mas de seus protestos, gritos, lamentações, interjeições quebradas e apelos por misericórdia. A coisa mais comovente na literatura da Inquisição não é a narração de seus sofrimentos, deixada pelas vítimas, mas os frios memoranda guardados pelos oficiais dos tribunais. Ficamos chocados e estarrecidos, exatamente porque não havia a mínima intenção de chocar-nos”.

Os remanescentes de algumas das câmaras de horror permanecem na Europa e podem ser visitados hoje. Elas permanecem como memorial  para os zelosos seguidores dos dogmas católicos romanos, os quais permanecem com força total ainda hoje e para uma Igreja que afirma ser infalível e até os dias atuais justifica tais barbaridades. São também memoriais da espantosa exatidão da visão de João em Apocalipse 17. Em um livro publicado na Espanha em 1909, Emelio Martinez escreve:

A esses 3 milhões de vítimas (documentados por Llorente), deveriam ser acrescentados milhares e milhares de Judeus e Mouros deportados de suas terras natais… Em apenas um ano, 1481,  e apenas em Sevilha, o Santo ofício (da Inquisição) queimou 2.000 pessoas . Os ossos e retratos  de outros 2.000 … E outros 16.000 foram condenados a variadas sentenças”.

Peter de Rosa reconhece que sua própria Igreja Católica “foi responsável por perseguir judeus, pela Inquisição, pelos extermínio dos hereges aos milhares, pela reintrodução da tortura na Europa como parte do processo judicial”. Mesmo assim a Igreja Católica Romana jamais admitiu oficialmente que tais práticas fossem más, nem se desculpou com o mundo nem com qualquer das vítimas ou seus descendentes. Nem podia o Papa João Paulo II se desculpar hoje, porque “as doutrinas responsáveis por essas coisas terríveis ainda estão em vigor”. Roma não mudou interiormente em nada, sejam quais forem as palavras melífluas que ela diga, quando servem aos seus propósitos.

Mais Sangue do que os Pagãos

A Roma pagã praticava os esportes de atirar aos leões, queimar ou de outra maneira matar milhares de cristãos e não poucos judeus.  Ainda assim a Roma “cristã” exterminou muitas vezes esse número, tanto de cristãos como de judeus. Além das vítimas da Inquisição, houve os Huguenotes, Albigenses, Valdenses e outros cristãos que foram massacrados, torturados e queimados na estaca às centenas de  milhares, simplesmente porque se recusaram a se alinhar com a Igreja Católica Romana  e sua corrupção e aos  seus dogmas e práticas heréticos. Por questão de consciência eles tentaram seguir os ensinamentos de Cristo independentes de Roma e por esse crime foram amaldiçoados, caçados, aprisionados, torturados e assassinados.

Por que iria Roma se desculpar ou mesmo admitir esse holocausto? Ninguém exige que ela preste contas hoje. Os Protestantes já esqueceram as centenas de milhares de pessoas queimadas na estaca por abraçar o simples evangelho de Cristo e recusarem se dobrar diante da autoridade papal. Incrivelmente, os Protestantes agora estão abraçando Roma como cristã, enquanto ela insiste em que os “irmãos separados” se reconciliem com ela aceitando os seus termos imutáveis.

Muitos líderes evangélicos pretendem trabalhar com os Católicos Romanos para evangelizar o mundo até o Ano 2.000. Eles não querem saber de nenhuma recordação “negativa”  dos milhões de pessoas torturadas e assassinadas pela Igreja à qual eles agora prestam honra, ou ao fato de que Roma prega um falso evangelho de sacramentos e obras.

A Roma “cristã” exterminou judeus aos milhares  – muito mais do que a Roma pagã jamais o fez. A Terra de Israel foi considerada  como propriedade da  Igreja Católica Romana, não dos judeus. Em 1096, o Papa Urbano II promoveu a primeira cruzada  para retomar Jerusalém dos Muçulmanos. Com a cruz em seus escudos e armas defensivas, os cruzados massacraram os judeus por toda a Europa em seu caminho até a Terra Santa. Praticamente,  o seu primeiro ato ao retomar Jerusalém  “para a Santa Madre” foi apinhar todos os judeus numa sinagoga e os incendiar. Esses fatos históricos não podem ser varridos para debaixo do tapete do ajuntamento ecumênico, como se jamais tivessem acontecido.

Nem pode o Vaticano fugir da grande responsabilidade pelo Holocausto Nazista, o qual era inteiramente conhecido por Pio XII, apesar do seu silêncio completo durante toda a guerra sobre um dos assuntos mais importantes.  O envolvimento do Catolicismo no Holocausto  será examinado mais tarde. Se o papa tivesse protestado, como os representantes das organizações judaicas  e as Forças Aliadas lhe pediram que o fizesse, ele teria condenado sua própria Igreja. Os fatos são inescapáveis:  Em 1936 o Bispo Berning havia falado com o Fuehrer por quase uma hora. Hitler assegurou ao seu senhorio que não havia diferença fundamental entre o Nacional Socialismo e  a Igreja Católica. Não tinha a Igreja que o interrogava considerado os judeus como parasitas e os trancado em guetos?

Estou apenas fazendo”, ele se gabou, “o que a Igreja tem feito por quinze séculos, somente com mais eficiência”. Sendo ele próprio católico , disse a Berning que “admirava e pretendia promover o Cristianismo”.

Existe, certamente, outra razão pela qual a Igreja Católica Romana não tem se desculpado nem se arrependido  destes crimes. Como poderia? A execução dos hereges (inclusive dos judeus) foi decretada pelos papas “infalíveis”. A própria Igreja Católica afirma ser infalível, portanto suas doutrinas não poderiam estar erradas.

Reinando sobre os Reis da Terra

Finalmente, o anjo revela a João que a mulher “é a grande cidade que domina sobre os reis da terra” Apocalipse 17:18. Sim, e novamente apenas uma: a Cidade do Vaticano. Os papas coroaram e depuseram reis e imperadores, exigindo obediência, amedrontando-os com excomunhão. No tempo do Primeiro Concílio Vaticano,  em 1869, J. H. Ignaz von Dollinger, professor de História da Igreja em Munique preveniu que o Papa Pio IX forçaria o Concílio a fazer um dogma infalível fora  “daquela teoria favorita dos papas – que eles podiam forçar reis e magistrados  com excomunhão e suas conseqüências, para prosseguir com suas sentenças de confisco, prisão e morte…”. Ele relembrou seus companheiros católicos romanos de algumas das más conseqüências da autoridade política papal:  “Quando, por exemplo, (o Papa) Martinho IV colocou o Rei Pedro de Aragão sob excomunhão e interdição… Prometendo em seguida indulgências de todos os pecados  àqueles que o guerreassem e o (tirano) Carlos (I de Nápoles) foi  contra Pedro, e finalmente declarou seu reinado falso… o que custou aos dois reis da França e Aragão suas vidas e ao francês a perda de seu exército…”.

O Papa Clemente IV, em 1265, depois de vender milhões de italianos do Sul a Carlos de Anjou, em troca de um tributo anual de oitocentas onças de ouro, declarou que “ele seria excomungado se o primeiro pagamento  fosse efetuado além do termo declarado e que na segunda negligência a nação inteira incorreria em interdição…”.

Embora João Paulo II  não tenha mais o poder de fazer tais exigências brutais atualmente, sua Igreja ainda retém os dogmas que o autorizam a fazer isso. E os efeitos práticos de seu poder não são menores do que os dos seus predecessores, embora exercitados bem por  trás da cena. O Vaticano é a única cidade que troca embaixadores com as nações e ele o faz com os países mais importantes da terra. Os embaixadores vêm ao Vaticano de todos os países importantes, inclusive dos Estados Unidos,  não por mera cortesia, mas porque o papa é hoje o governante mais importante da terra. Até mesmo o Presidente Clinton viajou até Denver em Agosto de 1993 para saudar o papa. Ele se dirigiu a ele como o “Santo Padre” e “Sua  Santidade”.

Sim, embaixadores de nações vieram a Washington  D.C., a Paris ou a Londres, mas só porque o governo nacional tem sua capital lá. Nem Washington, Paris, Londres ou qualquer outra cidade enviaram embaixadores a outros países. Só a Cidade do Vaticano  faz isso.  Ao contrário de qualquer outra cidade na terra o Vaticano é reconhecido como estado soberano com seus próprios direitos, separado e distinto da nação da Itália que o rodeia. Não existe outra cidade na história em que isso tenha acontecido e esse ainda é o caso hoje.

Só do Vaticano se  poderia dizer que é a cidade que reina sobre os reis da terra. A frase “a influência mundial de Washington” não significa a influência de uma cidade, mas dos Estados Unidos, cuja capital lá se encontra. Quando, porém, se fala da influência do Vaticano ao redor do mundo, é exatamente o que isso significa – a cidade e o poder mundial do Catolicismo Romano e do seu líder, o papa. O Vaticano é absolutamente único.

Alguns sugerem que o Vaticano se mudará para a Babilônia, no Iraque, quando ela for reconstruída. Mas por que o faria? O Vaticano tem preenchido a visão de João de sua localização em Roma durante os últimos quinze séculos.  Além do mais, já mostramos a conexão com  a antiga Babilônia, a qual o Vaticano tem mantido através de toda a história no Cristianismo paganizado que ela tem promulgado. Quanto à antiga Babilônia, ela nem existia durante os últimos 2.300 anos  “para reinar sobre os reis da terra’. A Babilônia estava em ruínas, enquanto a Roma pagã e depois a Roma católica, a nova Babilônia, estava realmente reinando sobre os reis da terra.

Um historiador do século dezoito contou 95 papas que afirmavam ter o poder divino para depor reis e imperadores. O historiador Walter James escreveu que o Papa Inocêncio III (1185-1216)  “tinha toda a Europa em sua rede” . Gregório IX (1227-1241) trovejava que o papa era o senhor e mestre de todos e de tudo.  O historiador R. W. Southern declarou: “Durante todo o período medieval havia em Roma uma única autoridade temporal e espiritual (o papado), exercitando poderes que no fim excederam os que jamais haviam existido sob as garras do imperador romano”.

Que os papas reinaram sobre os reis é um incontestável fato histórico, o qual  documentaremos inteiramente, mais tarde. Por causa disso, tão horríveis abominações foram cometidas, conforme João previu, é indiscutível. O Papa Nicolau I (858-867) declarou: “Só nós (os papas) temos o poder de prender e soltar, de absolver Nero e condená-lo, e os Cristãos não podem, sob  pena de excomunhão, executar outro julgamento senão o nosso, o qual é infalível”. Ao mandar que um rei destrua um  outro, Nicolau escreveu:  Nós o ordenamos, em nome da religião, a invadir seus estados, queimar suas cidades, e massacrar seu povo… “

A informação qualificativa que João nos dá sob inspiração do Espírito Santo, para identificar a mulher, que é uma cidade,  é específica, conclusiva e irrefutável. Não existe cidade sobre a terra, no passado ou no presente, que preencha todos esses critérios, exceto a Roma católica e agora a Cidade do Vaticano. Esta inescapável conclusão se tornará cada vez mais clara  à medida  em que procedermos à revelação dos fatos.

Não passará esta Geração

Em verdade, eu vos digo, esta geração não passará até que todas estas coisas aconteçam, Mat 24:34.

Esta geraçãoe seu uso indevido exegético preterista.

Por Bob DeWaay. Originalmente postado em Critical Issues Comentary

Traduzido por AL Franco

“Vários anos atrás, publiquei um artigo sobre Mateus 24:34, onde afirmei que “esta geração” era um termo pejorativo sobre a liderança judaica rebelde (1).

No artigo de hoje, apoiarei essa afirmação, fornecendo uma gama de estudos de significado do termo “geração” (grego genea) conforme usado no Novo Testamento. Mostrarei que o termo “geração” é mais freqüentemente usado no Novo Testamento em um sentido qualitativo (pessoas do mesmo tipo) e não quantitativo (pessoas do mesmo tempo).

A palavra grega para geração é encontrada 37 vezes no Novo Testamento. Apenas cinco deles estão fora dos evangelhos e Atos. Tal como acontece com a maioria das palavras, tem uma gama de significados dependendo do seu contexto. Quando usado no plural, denota “gerações sucessivas de pessoas”, seja no passado ou no futuro, e é usado dessa forma 8 vezes no NT (2).

Dos 29 outros exemplos de seu uso, o termo claramente significa o tempo durante a vida ou era de alguém – duas vezes (Atos 8:33 sobre o Messias e Atos 13:36 sobre a geração de Davi). São os outros 27 casos que serão importantes para nos ajudar a entender como Mateus usou o termo em Mateus 24:34.

Esta passagem é idêntica nos sinópticos: “Em verdade vos digo que esta geração não passará até que todas estas coisas aconteçam ” (Mateus 24:34 ; Lucas 21:32 ; Marcos 13:30), tudo a partir do discurso das Oliveiras. A passagem em Mateus é mais comumente citada pelos preteristas como prova de que as profecias que Jesus deu deveriam ter sido cumpridas dentro de quarenta anos ou uma geração de pessoas então vivas (70 DC eles dizem). Considerado dessa forma, o termo “geração” é apenas um modificador quantitativo de tempo.

Vou fornecer evidências de que essa interpretação está errada. Além desses três casos em disputa, restam 24 outras ocasiões em que genea é usada no Novo Testamento. Estas serão a chave para a compreensão de Mateus 24:34 e os paralelos sinópticos.

O termo genea é usado com mais frequência no Novo Testamento em sentido pejorativo. Nesses casos, quando “geração” é usada pejorativamente (freqüentemente com modificadores como “mal, incrédulo, perverso,” etc.), funciona como uma declaração qualitativa sobre um grupo de pessoas. Embora muitas vezes, mas nem sempre, seja dirigido às pessoas que viviam, a ideia principal é a condição espiritual das pessoas, não o número de anos ou o tempo de vida. O significado nesses casos é “um grupo étnico exibindo semelhanças culturais – ‘pessoas do mesmo tipo” (3).

Quando usado dessa forma no Novo Testamento, as semelhanças são sempre características ruins. Existem alguns casos em que as ideias de “pessoas da mesma época” e “pessoas do mesmo tipo” são combinadas. Por exemplo, em Lucas 11: 29-32 vemos uma caracterização negativa daqueles que exigiram um sinal: “E a medida que as multidões aumentavam, Ele começou a dizer: Esta geração é uma geração iníqua; ela busca um sinal, mas nenhum sinal será dado a ela, exceto o sinal de Jonas. Pois assim como Jonas se tornou um sinal para os ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração. A Rainha do Sul se levantará com os homens desta geração no julgamento e os condenará, porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis quem é maior do que Salomão. Os homens de Nínive se levantarão com esta geração no julgamento e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas; e eis aqui quem é maior do que Jonas”.

Embora se refira claramente àqueles que testemunharam Jesus, mas não creram Nele, a ideia principal é sua maldade – não apenas quando estavam vivos. Digo isso porque “esta geração” não se aplica a todos os judeus ou a todas as pessoas que então viviam. Alguns acreditaram; aqueles não serão condenados no julgamento final.

Surpreendentemente, todos os 24 casos de uso de “geração” no Novo Testamento que não se referem a gerações sucessivas ou obviamente à vida de alguém são qualitativos ou têm um forte componente qualitativo (4). Em nenhum desses usos “geração” significa “todas as pessoas, sem exceção, vivas ao mesmo tempo”, nem significa “todos os judeus, sem exceção”. A ideia qualitativa é vista, por exemplo, nesta passagem: “E seu amo elogiou o mordomo injusto, porque ele agiu astutamente; pois os filhos deste mundo são mais astutos em relação à sua própria espécie do que os filhos da luz” (Lucas 16: 8). A NASB traduziu “ genea – geração” como “espécie”. Paulo usou o termo da mesma forma aqui: “para que sejais irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus irrepreensíveis, no meio de uma geração desonesta e perversa, entre a qual resplandeceis como luzes no mundo”(Filipenses 2:15). Ele está discutindo um tipo de pessoa, não um período da história. Esta passagem se aplica a todos os cristãos ao longo da história da igreja.

Ao realizar uma série de estudos de significado, como estamos fazendo aqui, é de extrema importância saber como o mesmo autor usou um termo, particularmente no mesmo texto e em contextos semelhantes. Portanto, como Mateus usou genea em passagens anteriores a Mateus 24:34, a evidência mais forte de seu significado estão ali. Os primeiros quatro usos (excluindo 1:17 onde o plural é usado referindo-se a uma genética) estão em Mateus 12: 39-45:

Mas Ele respondeu e disse-lhes: Uma geração má e adúltera anseia por um sinal; e nenhum sinal lhes será dado, exceto o sinal do profeta Jonas; pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra. Os homens de Nínive se levantarão com esta geração no julgamento e a condenarão porque se arrependeram com a pregação de Jonas; e eis que algo maior do que Jonas está aqui. A Rainha do Sul se levantará com esta geração no julgamento e a condenará, porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis que algo maior do que Salomão está aqui. Agora, quando o espírito imundo sai de um homem, ele passa por lugares áridos, buscando descanso, e não o encontra. Então diz: ‘Voltarei para minha casa de onde vim’; e quando chega, encontra-a desocupada, varrida e em ordem. Então ele vai, e leva consigo sete outros espíritos mais perversos do que ele, e eles entram ali; e o último estado desse homem se torna pior do que o primeiro. Assim será também com esta geração má”.

A dimensão qualitativa desses usos é inegável. Foi falado em resposta aos fariseus exigindo um sinal. Sua aplicação não limita a “geração” às pessoas vivas, sejam elas quem forem ou por quanto tempo possam viver, mas se aplica àquelas (como a passagem paralela em Lucas discutida anteriormente) que se recusaram a crer em Cristo e permaneceram sob o julgamento de Deus.

O próximo uso em Mateus está em 16: 4: “Uma geração má e adúltera busca um sinal; e nenhum sinal será dado, exceto o sinal de Jonas. E Ele os deixou e foi embora”. Esta é uma repetição da condenação anterior no capítulo 12 e também caracteriza as pessoas por suas qualidades espirituais não apenas quando viveram na história (pessoas do mesmo tipo é a ideia mais proeminente, não pessoas da mesma época). O sinal de Jonas é uma referência à morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Esse evento é o sinal de que Ele é o Messias. Este sinal se aplica a todas as gerações, não apenas às do primeiro século. Paulo disse: “Os judeus procuram sinais”, mas nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Coríntios 1:22, 23) O Calvário se tornou o sinal definitivo e aqueles que rejeitam esse sinal (em qualquer momento da história da igreja) estão sob condenação.

Em Mateus 17:17 lemos: “E Jesus respondeu, e disse: ‘Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco? Quanto tempo lhe devo aturar? Traga-o aqui para mim”. Isso não foi falado diretamente aos discípulos, mas à descrença geral que Ele encontrou em Israel. Alguns estudiosos pensam que “incrédulos e pervertidos” são alusões a Deuteronômio 32: 5, 20 (5). A mesma palavra grega para “perversa” é encontrada tanto em Mateus quanto na LXX de Deuteronômio. A alusão ao Deuteronômio mostra a ideia de solidariedade corporativa. A incredulidade deles quando Jesus estava presente realizando atos poderosos ecoa a descrença daqueles que foram libertos do Egito pelos feitos poderosos de Deus e então resmungaram no deserto. Moisés escreveu: “Eles agiram corruptamente para com Ele. Não são Seus filhos, por causa de seus defeitos; Mas são uma geração perversa e tortuosa” (Deuteronômio 32: 5 -“geração” é genea na LXX). Visto que isso fazia parte do cântico de Moisés, não era apenas para as pessoas então vivas, mas também para as gerações futuras: “Pois eu sei que depois da minha morte agireis perversamente e se desviarão do caminho que eu vos ordenei; e o mal cairá sobre ti nos últimos dias, porque farás o que é mau aos olhos do Senhor, provocando-O à ira com a obra das tuas mãos” (Deuteronômio 31: 9). As pessoas nos dias de Jesus tinham as mesmas características das dos dias de Moisés e continuaram depois da ascensão de Jesus, assim como depois da morte de Moisés.

O próximo uso de genea em Mateus também está em uma passagem que liga as qualidades negativas atuais a pessoas com qualidades semelhantes de outras épocas da história de Israel: “Portanto, eis que vos envio profetas, sábios e escribas; Alguns deles vós matareis e crucificareis, e a outros perseguireis de cidade em cidade, para que caia sobre vós a culpa de todo o sangue justo derramado na terra, do sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias, filho de Berequias, a quem mataste entre o templo e o altar. Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração” (Mateus 23: 34-36).

Esta passagem é claramente uma cruzada de gerações. Vai do passado distante (o tratamento de Abel por Caim) para o futuro (eis que envio … vós matareis). O que caracteriza “esta geração” em Mateus 23:36 (o uso paralelo mais próximo de genea àquele em Mateus 24:34 ) não é quantos anos certas pessoas viveram, mas suas qualidades espirituais. Aqueles que rejeitaram Jesus e O mataram são da mesma espécie daqueles que mataram os justos ao longo da história do Antigo Testamento e aqueles que matariam os representantes de Jesus no futuro. O que todas essas pessoas têm em comum não é a era da história em que vivem, mas suas características espirituais negativas. Este é um exemplo vívido do uso qualitativo de “geração” em Mateus e em outras partes do Novo Testamento e também no Antigo.

Tendo visto que em Mateus genea é usada qualitativamente, freqüentemente em conexão com adjetivos pejorativos, estabelecemos como Mateus usou o termo dentro de sua gama de significados.

Vamos, portanto, examinar Mateus 24:34 e ver se há razão para acreditar que Mateus mudou repentinamente seu uso. A passagem diz: “Em verdade vos digo que esta geração não passará até que todas essas coisas aconteçam”. Qual geração? Aqueles que por acaso estão vivos, sejam quem forem? A única outra vez que descobrimos que o uso de genea no Novo Testamento é em Atos 8:33 e 13:36, quando está ligado à vida de pessoas especificamente mencionadas (O Messias e Davi). Em todos os outros lugares, o termo “geração”, usado no singular, tem conotações qualitativas. Os preteristas que consideram este incidente em Mateus 24:34 como APENAS quantitativo o fazem contra a evidência contextual em Mateus. Quando Jesus quis fazer uma restrição de tempo, Ele disse “alguns de vocês aqui não provarão a morte até …” (Mateus 16:28) referindo-se provavelmente ao Monte da Transfiguração. Oito usos anteriores em Mateus tinham conotações qualitativas, como mostramos. Por que isso mudaria repentinamente sem aviso prévio? A resposta? Não foi mudado!

Se tomarmos “esta geração” em Mateus 24:34 como significando a mesma coisa que significa em Mateus 23:36 e em outros lugares – judeus rebeldes e incrédulos como sintetizado por sua liderança, então podemos entender isso no contexto da profecia bíblica. Jesus está predizendo que a liderança judaica e a maioria de seus seguidores permaneceriam no cenário da história e permaneceriam em sua condição de descrentes até que as profecias em Mateus 24: 1-33 se cumprissem. Eles então morrerão. Como e por quê? Porque o Messias retornará e trará julgamento sobre os incrédulos, banindo-os do Seu Reino e reunirá o remanescente crente e “todo o Israel será salvo”.

Paulo fez esta declaração importante: “Pois não quero, irmãos, que estejam desinformados deste mistério, para que não sejais sábios em sua própria consciência, que um endurecimento parcial veio a Israel até que a plenitude dos gentios chegasse; e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: ‘O Libertador virá de Sião, removerá de Jacó toda a impiedade”( Romanos 11: 25-26). O endurecimento do Israel nacional, que é o que os torna uma geração desonesta e incrédula, é parcial e temporário.

Sempre houve um remanescente crente. Esses não estão incluídos na “geração da sua ira” (Jeremias 7:29). Aqui está o que Jesus prediz: “O Filho do Homem enviará Seus anjos, e eles recolherão de Seu reino todas as pedras de tropeço e todos os que cometem o mal, e os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mateus 13: 41-43).

O mesmo “Israel” que está parcialmente endurecido agora será “salvo” – o Israel nacional, étnico. Quando o Messias reinar fisicamente na terra, será sobre um Israel justo, não sobre uma geração perversa e má.

Nosso estudo de extensão de significado concluiu que genea é usado com mais frequência no Novo Testamento como um termo qualitativo do que cronologicamente quantitativo. Nosso estudo em particular do Evangelho de Mateus mostra que Mateus o usa dessa maneira. Também mostramos que considerar o uso em Mateus 24:34 dentro da mesma faixa de significado faz sentido naquele contexto e se ajusta ao que sabemos sobre a profecia bíblica de outras passagens. Portanto, a interpretação preterista típica é inventada e falha em considerar a preponderância de evidências no Novo Testamento para o significado de genea em tais contextos”.

Edição 100 – maio / junho de 2007
Notas finais

1 – Número 77 do CIC; Julho / agosto de 2003HTTP://CICMINISTRY.ORG/COMMENTARY/ISSUE77.HTM

2 – Matt. 1:17; Lucas 1:48, 50; Atos 14:16; 15:21; Eph. 3: 5, 21; Col. 1:26.

3 – Louw, JP e Nida, EA (1996, c1989). Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento: Baseado em domínios semânticos (ed. Eletrônica da 2ª edição.) (1: 111). Nova York: sociedades bíblicas unidas.

4 – Mat 11:16; 12:39, 41, 42, 45; 16: 4; 17:17; 23:36; Marcos 8:12, 38; 9:19; Lucas 7:31; 9:41; 11,29,30,31,32,50,51; 16: 8; 17:25; Atos 2:40; Filipenses 2:15; Heb. 3:10.

5 – “Os adjetivos“ incrédulo ”e“ perverso ”ecoam Dt 32: 5, 20 e sugerem tanto falta de fé quanto imoralidade”. Blomberg, C. (2001, c1992). Vol. 22: Mateus (ed. Eletrônica). Logos Library System; The New American Commentary (267). Nashville: Broadman & Holman Publishers.

Estamos no Milênio?

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“A esmagadora maioria dos eventos escatológicos profetizados no livro do Apocalipse já se cumpriram”, declarou um famoso preterista. Um outro preterista, David Chilton, também declara: “A prisão de Satanás teve lugar no primeiro advento de Cristo”. E ainda: “O Milênio é o período durante o qual Cristo reina, começando na sua ressurreição e continuando até o final da presente época”. (David Chilton. Dias de Vingança . Fort Worth: Dominion, de 1985, pp 580-582).

Desde assuntos relacionados com a profecia que dominam praticamente todas as páginas neotestamentárias, significa, para o preterista, que a maioria dos escritos do NT não se refere diretamente à Igreja de hoje. Em outras palavras, Apocalipse representa uma profecia do tumulto que estava prestes a cair sobre o mundo civilizado no primeiro século de nossa era e era essencialmente um aviso para os primeiros cristãos a agarrar-se à profissão de sua fé durante os tempos de luta e perseguição prestes a cair sobre eles.

Como grande parte do NT foi escrito para contar aos crentes como viver entre as duas vindas de Cristo, faz uma diferença enorme quando se interpreta esta vinda como um evento passado ou futuro. Se o Preterismo é verdade, então o NT refere-se aos crentes que viveram durante o período de quarenta anos entre a morte de Cristo e da destruição de Jerusalém em 70 dC. Portanto, praticamente nenhuma parte do NT se aplica a crentes de hoje segundo a lógica preterista. Não há nenhum Canon que se aplica diretamente aos crentes durante a era da igreja.

Não acreditam no que afirmo aqui? Então preste atenção nas palavras de um famoso advogado do preterismo, o Dr. Kenneth Gentry: “… a história atual é identificada como os novos céus e a nova terra de Apocalipse 21-22 e 2 Pedro 3:10-13”. Este é um ponto de vista preterista comum, onde eles fornecem razões pelas quais “a nova criação começou no primeiro século.”

Eles parecem nem se importar se provocam uma incredulidade geral, quando pensam nas implicações absurdas que tais detalhes afirmam. Observem abaixo como eles se expõem ao ridículo:

Se estamos vivendo atualmente em qualquer forma de Novos Céus e Nova Terra, então isso significa que não existe Satanás (Apocalipse 20:10), nenhuma morte, choro ou dor (Ap 21:4), já não existe impuros, nem aqueles que praticam abominação e mentira (Ap 21:27), nenhuma maldição (Apocalipse 22:3), a presença de Deus, o Pai, é reinante em nosso meio (Ap 22:4), só para citar alguns. Porém, para o preterista, não importa que a terra esteja sofrendo com a dor, tristeza, desastres, e os governos ímpios sob o comunismo e o islamismo radical. Mais de 50 milhões de crentes morreram desde 70 AD e houve 15.000 guerras – como pode isto ser “o Reino de Cristo”, o reino de paz, estabelecido pelo milênio? Além do mais, quando foi que o leão e o cordeiro pastaram juntos?

Implicações do intervalo de 40 anos

Observem como a posição preterista seria praticamente um impacto nos crentes de hoje. Muitos preteristas acreditam que passagens como Tito 2:13 referem-se à vinda de Cristo em 70 dC. Isto significaria que foi uma única esperança para os cristãos que vivem entre o tempo em que a Epístola foi escrita AD 65-66, e da destruição de Jerusalém. Paulo diz que a aparência de Cristo pela primeira vez, impacta a vida dos crentes na “idade atual.” Tito 2:12 diz, “instruindo-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos e a viver de forma sensata, justa e piedosa nesta era presente.” A gramática do versículo seguinte (2:13) relaciona as atividades de 2:12 para a atividade de “olhar para a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus.”

Se 2:13 é uma referência ao ano 70 dC, como o preterista geralmente acredita, então o “tempo presente” em 2:12 teria terminado quando 2:13 foi cumprido. Portanto, a admoestação total de 2:12 foi temporária e aplicável somente aos cristãos, até o ano 70 dC. Isto significaria que a instrução “para negar a impiedade e as paixões mundanas e a viver de forma sensata, justa e piedosa nesta era presente” não se aplica diretamente à idade atual, mas à época passada, que terminou em 70 dC, quando “o aparecimento e a glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” ocorreu na destruição de Jerusalém. Infelizmente, essa lógica teria que ser a implicação prática da visão preterista aplicada a esta passagem e para a maioria do NT.

A implicação clara para os preteristas seria que Tito não tem relação alguma com a idade atual em que vivemos. Em vez disso, o texto foi aplicado por três ou quatro anos apenas se ele foi dirigido para os crentes até 70 dC, pois Paulo escreveu a Tito por volta do ano 65. Não há nenhuma maneira para um preterista usar esta passagem ou outras semelhantes como doutrina, repreensão, correção e educação na justiça para os crentes, se eles vivem agora os Novos Céus e a Nova Terra. No entanto, hipocritamente, muitos preteristas regularmente usam e aplicam estes textos de uma forma que praticamente nega a sua crença teórica de que Jesus voltou em 70 dC e agora estamos em alguma forma de Novos Céus e Nova Terra.

Esse erro preterista provoca a crença de que não há grandes continuidades escatológicas à frente de nós, exceto a conversão dos judeus (Rm 11) e o julgamento final (Ap 20). Isso tem um impacto grande em cima da profecia Neo Testamentário, especialmente as Epístolas. É claro que a aplicação da interpretação preterista praticamente anula a aplicação direta do ensino das epístolas de nossa época atual. Assim como a Lei de Moisés foi dada por Deus a Israel para ser o foco de sua dispensação, as epístolas do NT são o foco aqui, dando a visão e direção à igreja durante o “presente século”.

“Se o Preterismo é verdade”, então a maioria das sanções negativas profetizadas na história só ficam nulas para nossa época. Porém, se o futurismo é verdade, então a grande apostasia ainda está por vir. E aqui entra uma questão importantíssima: a atual igreja, apóstata e morna, encaixa-se nas profecias negativas que se referem a uma grande apostasia no fim dos tempos, ou devemos concluir que as dezenas de passagens falam sobre a apostasia cumprida em 70 dC, como exige o Preterismo?

Apostasia Presente e Futura

A teoria preterista de que estamos no Novo Céu e na Nova terra, também elimina a crença na Grande Apostasia. Se a Grande Apostasia aconteceu no primeiro século, não temos garantia bíblica em esperar a apostasia aumentando à medida que progride a história; ao invés disso, devemos esperar a cristianização crescente do mundo, o que não deixa de ser um absurdo diante do quadro apóstata da Igreja de nosso tempo.

Esta é outra área onde uma grande parte da NT, especialmente as Epístolas e Apocalipse, teria de ser ajustado longe do significado cristão que tem sido observado historicamente nessas passagens. Um exemplo disto é visto na forma como as diferentes abordagens iria lidar com a advertência de Paulo em 2 Timóteo 3. Paulo começa dizendo que “nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis” (3:1). Os “últimos dias” provavelmente se referem a toda a Igreja atual, ou talvez seja uma referência geral à parte final da era da Igreja atual. De qualquer maneira, é uma referência ao período de tempo antes da fase final da história que os preteristas insistem dizer que se cumpriram em 70 dC. Na verdade, Paulo passa a descrever como esses tempos serão caracterizados por homens que “serão amantes de si mesmo,” (3:2) “em vez de amigos de Deus” (3:4). O curso geral dos “últimos dias” é descrito como uma época em que “todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens maus e impostores irão continuar de mal a pior, enganando e sendo enganados” (3:12 -13). Portanto, se os “últimos dias” já vieram e se foram, devemos esperar que a perseguição aos piedosos estivesse ausente de nossa época. De acordo com o preterismo, isso se aplica diretamente aos eventos antes de 70 dC, mas não após esse período.

A verdade é que a apostasia aumenta, não diminui, durante a era da igreja atual. Portanto, o Preterismo é errante, e esse erro faz com que eles apresentem uma interpretação teórica sobre esta e mais outras doutrinas do NT que dizem ter ficado longe no tempo, garantindo a Igreja de nossos dias que o cumprimento de tais doutrinas se encaixou nos anos 60 e 70 dC. Isso causou um bloqueio nas mentes confusas preteristas, impedindo-os de libertar muitos textos que foram dirigidos à nossa época atual. A interpretação preterista da profecia do NT está tão longe do que a Bíblia ensina que se tornou impossível a aplicação prática de seus ensinamentos para a presente era.

Satanás está amarrado ou solto?

A visão preterista relacionada com o trabalho atual de Satanás e os demônios devem refletir a sua teologia sobre o assunto. De acordo com esta visão, Satanás está atualmente aprisionado (Ap 20:2-3), pisado e moído (Rom. 16:20). O inimigo não foi apenas derrotado (legalmente) na cruz, mas tem sido esmagado de fato. Portanto, os bloqueios da estrada espiritual do mundo e do diabo foram removidos e só inimigos da carne é que agora podem dificultar os crentes de reinar e governar no Novo Céu e Nova Terra. Por outro lado, se o aprisionamento e derrota final de Satanás ainda estão no futuro, então as exortações nas Epístolas fazem sentido na presente época. Exortações de como “resistir ao diabo e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7 b), “Sede sóbrios… vosso adversário, o diabo, anda em volta como leão que ruge, procurando alguém para devorar, “deis lugar a ira, mas não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira, não dêem ao diabo…” (Efésios 4:26-27) e, “Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Efésios 6:12), não seriam necessárias se satanás estivesse aprisionado. Estas são as instruções e táticas a serem aplicadas pelo crente na presente época, porque ainda não estamos nos Novos Céus e Nova Terra.

Pensamento semelhante poderia ser aplicado a partir das implicações do preterismo em muitas passagens e temas da vida cristã. Basta Pensar: Não há mais sofrimento. Se nenhum sofrimento há, então não há necessidade de resistência. Não há necessidade de o processo de santificação que envolve sofrimento, fé, perseverança e esperança. Sem esperança, porque Cristo voltou em 70 dC e inaugurou um novo dia. Não há nenhuma apostasia da igreja, não há dor, sofrimento ou morte. Portanto, uma vez que estamos, obviamente, não vivendo sob tais condições, significa que o Preterismo também é uma grande farsa!

Os sofrimentos do tempo presente

Os Novos Céus e Nova Terra são para ser um momento de paz e descanso para o povo de Deus. A era anterior a este tempo será de sofrimento e luta. Novamente, se a interpretação preterista está correta, então a instrução das Epístolas NT sobre a questão do sofrimento só foram diretamente aplicados aos crentes até o ano 70 dC, porque nós agora vivemos no tempo de paz, e não “os sofrimentos do tempo presente” de que fala Paulo (Rm 8:18).

Apocalipse promete uma recompensa futura de co-regência com Cristo para os crentes que permaneceram fiéis e leais a Ele durante a presente época de humilhação (Ap 3:21, ver também 2:25-28). Apocalipse 3:21 não só promete reger o futuro com Cristo após essa idade atual de humilhação, mas observe também que faz uma distinção entre o futuro reino de Cristo e a promessa atual de Deus. “Ao que vencer, eu vou conceder a ele a sentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.” Estas passagens não fazem sentido e certamente não se aplicam aos dias de hoje, se estamos no Novo Céu e na Nova Terra dos preteristas.

Mistério, a Grande Babilônia

Apocalipse 17 é para muitos um enigma; mas deixa de sê-lo, feitas as combinações indicadas. Com dramática intuição o profeta pinta com palavras o seu quadro. Uma mulher está sentada sobre uma besta escarlate. “Em sua cabeça  estava um nome  com significado  secreto”. Ela estava vestida de púrpura real e de um escandaloso escarlate; seu título: “Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da Terra”.

Esta linguagem é impressiva; contudo podemos formular a pergunta: Quem é esta mulher chamada “Mistério, a grande Babilônia?” Não pode haver dúvida quanto a sua identidade. Mulher em profecia representa Igreja. A mulher do capítulo 12 é um belo símbolo da Igreja verdadeira de Jesus, mas esta mulher do capítulo 17, de caráter corrupto e natureza enganadora, contrasta em todo sentido com aquela. Deus compara o Seu povo a uma mulher “formosa e delicada”, ou “uma mulher dedicada ao lar”,Jer. 6:2. Mas esta não é uma mulher caseira. Ao contrário, ela corteja reis em vive em relação ilícita com o mundo. Não está vestida de “linho fino” que é a “justiça dos santos” (Apoc. 19: 8), mas está prodigamente ataviada em púrpura e escarlate, e adornada com ouro e joias de alto preço. João viu que ela estava também embriagada com o sangue dos mártires de Jesus.

Ele contemplava esta igreja apóstata subsequente aos séculos de perseguição. Ela sustentava em sua mão um cálice de ouro cheio de “abominações”. Na Escritura as palavras “abominação”, “mentira”, “imagem de escultura” e “falsos deuses” são usados como sinônimo. Veja I Reis 11:7, 2, 3; Isa. 44:15, 19, 20. Este não é o cálice da salvação pelo qual Davi no passado orava (Sal. 116:13), mas está cheio de falsos deuses e abominações mentirosas, como a contrafação doutrinária do sacerdócio – um falso sacerdócio que se arroga o poder de perdoar pecados…

A besta que a mulher  cavalgava, como as outras bestas da profecia, representa o poder político ou civil. Sustentada pelo poder do Estado, esta mulher, símbolo da igreja apóstata, é vista conduzindo e controlando as nações. Ela o faz para os seus próprios fins.

Ela tem escrito o nome “Mistério, a grande Babilônia”. Quando os cultos misteriosos da antiga Babilônia entraram na igreja, foram postos os fundamentos para o mistério da iniquidade. Os mistérios tomaram a forma de religião apenas pouco tempo depois do dilúvio, tendo sido uma definida tentativa de destruir o conhecimento do verdadeiro Deus na mente dos homens. Ninrode, “poderoso caçador diante da face do Senhor” (Gên. 10:9), fundou o reino de Babilônia, e a lenda diz que depois de sua morte, a rainha, depravada e licenciosa, ávida por manter sua influência sobre o povo, instituiu certos ritos em que era adorada com Rhea, a grande “mãe” dos deuses. Esta rainha Caldéia é um apropriado protótipo desta mulher do Apocalipse, em cuja testa está escrito o nome “Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da Terra”. Quando João a viu, ela estava embriagada. Mas sua devassidão estava no fim; ela estava aguardando julgamento. João se admirou do que via, e não era sem motivo. O anjo, desdobrando ante ele o mistério de tudo, disse: “A mulher que viste é a grande cidade, que reina sobre os reis da Terra”. Apoc. 17:18.

Nove vezes no Apocalipse encontramos a expressão “grande cidade”, como aplicada a este sistema apóstata. A mulher representa o poder eclesiástico; a besta o poder político. Neste símbolo encontramos completa união da igreja e do Estado, e todos cujos nomes “não estão escritos no livro da vida” ficam admirados ao testemunhar o surgimento e influência deste tremendo poder político-religioso descrito com “a besta que era, e que já não é, e há de vir”. Verso 8.

A fim de que o Seu povo esteja preparado para esta tremenda crise, Deus está enviando Sua última mensagem de misericórdia. Todo o mundo será iluminado com a glória desta mensagem (verso 1) que declara Babilônia, ou a igreja caída, como havendo-se tornado “morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e aborrecível” (verso 2). A pomba é o emblema do Espírito Santo, mas os emblemas de Babilônia são aves imundas e aborrecíveis, abutres que se alimentam no monturo. Por suas feitiçarias ela enganou as nações (verso 23), e agora estas, embriagada com o seu vinho, estão vivendo em aliança espúria com ela, enquanto os mercadores estão enriquecendo com o seu comércio. Babilônia não é uma igreja. Em Apoc. 17:5 ela é chamada “mãe das meretrizes”; tem filhas – as outras igrejas – e estas participam da mesma natureza não santificada e são achadas bebendo o vinho de Babilônia e ensinando suas doutrinas que não estão em harmonia com a Bíblia.

“Sai dela, povo meu”. Apoc. 18:4. Este é o chamado de Deus hoje. Apesar das trevas espirituais e afastamento de Deus prevalecentes nas igrejas que constituem Babilônia, a grande massa dos verdadeiros seguidores de Jesus, encontra-se ainda em sua comunhão. Muitos deles há que nunca souberam das verdades especiais para este tempo. Não poucos se acham descontentes com sua atual condição e anelam mais clara luz, em vão olham para a imagem de Jesus nas igrejas a que estão ligados. Afastando-se estas corporações mais e mais da verdade, e aliando-se mais intimamente com o mundo, a diferença entre as duas classes aumentará, resultando, por fim, em separação. Tempo virá em que os que amam a Deus acima de tudo, não mais poderão permanecer unidos aos que são „mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela’.

O capítulo 18 de Apocalipse indica o tempo em que, como resultado da rejeição da tríplice mensagem do capítulo 14, versos 6-12, a igreja terá atingido completamente a condição predita pelo segundo anjo, e o povo de Deus [das denominações apóstatas], ainda em Babilônia, será chamado a separar-se de sua comunhão. Esta mensagem é a última que será dada ao mundo, e cumprirá a sua obra. Quando os que „não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade’, forem abandonados para que recebam a operação do erro e creiam a mentira, a luz da verdade brilhará então sobre todos os corações que se acham abertos para recebê-la, e os filhos do Senhor que permanecem em Babilônia atenderão ao chamado: „Sai dela, povo Meu’. Apoc. 18:4.

Os juízos de Deus estão prestes a cair na forma das 7 últimas pragas, e todos os que se recusarem a separar-se de Babilônia e de seus pecados serão destruídos com ela. “Fugi do meio de Babilônia”, foi a mensagem de Deus a Israel quando a antiga Babilônia estava para cair, Jer. 51:6. Essas pragas vem “num dia”, Apoc. 18:8. Pode trata-se aqui de um dia profético, ou um ano literal, ou mesmo porque a destruição vem rápido.

Quando os que puseram sua confiança neste grande poder mundial  testemunharem o completo colapso de toda esta confederação política, econômica, financeira e educacional, exclamarão perplexos: “Ai! ai daquela grande Babilônia, aquela forte cidade! Pois numa hora veio o seu juízo”! – verso 10. Quatro vezes encontramos a expressão “uma hora”. É somente por “uma hora” que as potências do mundo reinarão com ela (Apoc. 17:12) em “uma hora” vem os seus juízos (Apoc. 18:10); suas riquezas se tornam em nada em “uma hora” (verso 17); e em “uma hora” é posta em desolação (verso 19). Isso significa que sua destruição vem repentinamente!

Como os edificadores da antiga Babel, cujos esforços para construir uma torre cujo topo alcançaria os céus foram frustrados, sendo eles espalhados pela mão divina, assim esta moderna estrutura babilônica, cujos pecados “se acumularam até os céus” (veso5), também entrará em colapso. Os mercadores que enriqueceram com a abundância nela existente acabarão por voltar-se contra ela e destruí-la. Apoc. 17:6. Mercadores do mar e negociantes de preciosidades, “agricultores e industriais”, “escultores e artesãos”, todos lamentarão a sua ruína, Apocalipse  18: 9-17. Havendo posto nela sua confiança, veem suas esperanças dissipar-se ao testemunharem sua destruição.

Seis vezes lemos que ela não será mais – versos 21-23. Sua música, sua indústria, suas finanças, seu comércio, não serão mais. Sua destruição será completa, e Deus a responsabiliza pelo sangue “de todos os que foram mortos sobre a Terra” (verso 24) – um tremendo quadro das cenas finais que se verão quando da vinda do reino de glória! No momento em que toda a confederação do mal declara guerra a Deus e Seu povo, a promessa é que “o Cordeiro os vencerá… e os que com Ele estão, chamados por Sua graça. Ele nos elegeu para sermos povo santo; compete-nos a nós sermos fiéis. “Bem está, servo bom e fiel”, Mat. 25:21.

O grande sistema do mal e do engano está vencido. A grande e orgulhosa Babilônia está agora em desolação, e os santos estão prestes a receber sua final recompensa. Do trono ali presente ecoa uma ordem festiva, convocando os servos de Deus e a todos os que O temem, tanto grandes como pequenos, fazerem ouvir suas vozes em louvor. Esse coro é como o som “de muitas águas” e como “a voz de grandes trovões”. Eles clamam, em triunfo: “Aleluia, pois já o Senhor Deus Todo-poderoso reina. Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-Lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a Sua esposa se aprontou.” Apoc. 19:6, 7.

A Deus toda Glória

O Império Romano Redivivo (A Mulher montada na Besta)

A MulherDave Hunt faz uma revelação  surpreendente  afirmando que o Império Romano continua vivo através da Igreja Católica Romana. As referências e minuciais são tão impressionantes que inevitavelmente podem assustar a muitos.

É apenas um vídeo, um legendado e o outro dublado.

O Destino de duas Cidades

Na visão profética de João, “Babilônia” é  destruída por um incêndio. Apocalipse 18:8,17,18, diz, “Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga”E todo o piloto, e todo o que navega em naus, e todo o marinheiro, e todos os que negociam no mar se puseram de longeE, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade?…”

Os preteristas alegam que Jerusalém foi um centro de intercâmbio comercial, e que a profecia revela como ela foi completamente destruída por um incêndio em 70 dC. Acrescentam também que a queima de Jerusalém pelo fogo tinha significado teológico.

Acreditam eles que Jerusalém é a Grande Babilônia de Apocalipse 18, tendo sua queda descrita neste capítulo. Entendem que aqui está o registro do  julgamento de Deus advindo através do exercito romano em 70 dC:

Apoc 18:1,21 Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e odiável… E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.

Se a hipótese de Babilônia­/Jerusalém estivesse correta, então Jerusalém nunca seria reconstruída novamente, como afirma o final do verso 21. Portanto, essa não pode ser uma descrição de Jerusalém, pois a Escritura fala repetidamente do retorno desta cidade à proeminência durante o reino milenar (Isaías 2:3; Zc 14:16; Apoc 20:9).

Além disso, segundo eles, a  cidade de Jerusalém é muitas vezes referida como uma filha, e se apoiam em referencias no Velho Testamento para encaixar Jerusalém nesta profecia de Apocalipse.

Lamentações 2:15           Todos os que passam pelo caminho batem palmas, assobiam e meneiam as suas cabeças sobre a filha de Jerusalém, dizendo: É esta a cidade que denominavam: perfeita em formosura, gozo de toda a terra?

16           Todos os teus inimigos abrem as suas bocas contra ti, assobiam, e rangem os dentes; dizem: Devoramo-la; certamente este é o dia que esperávamos; achamo-lo, vimo-lo.

17           Fez o Senhor o que intentou; cumpriu a sua palavra, que ordenou desde os dias da antiguidade; derrubou, e não se apiedou; fez que o inimigo se alegrasse por tua causa, exaltou o poder dos teus adversários.

18           O coração deles clamou ao Senhor: Ó muralha da filha de Sião, corram as tuas lágrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês descanso, nem parem as meninas de teus olhos.

A infidelidade a Deus é frequentemente comparada à imoralidade sexual. A pena para a prostituição pela filha do sumo sacerdote apelou para uma punição especial, era para ser queimada até a morte.

Levítico 21:9       E quando a filha de um sacerdote começar a prostituir-se, profana a seu pai; com fogo será queimada

O preteristas chegaram a conclusão que  quando foi oferecida a Jerusalém a graça de receber o Messias, tendo ele sido rejeitado,  ela inevitavelmente entrou na profecia como  “a prostituta  Babilônia”, que é posteriormente queimada até a morte. Entretando, há um problema com essa comparação absurda; Jerusalém  realmente é identificada como a prostituta de Ezequiel 16, mas neste caso, Jerusalém é perdoada e restaurada no final do capítulo (versículos 60-62). Isto entra em contradição com a Grande Meretriz de Apocalipse 17-18, da qual se diz: “E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.” (Apocalipse 18:21).

Observem o seguinte: Em Isaías 1:21-26 diz que Jerusalém era fiel no começo (1:21), então se tornou uma prostituta (mesmo verso) e, em seguida, no final está curada, perdoada e restaurada (1:26).

Em Jeremias 2:13 – 3:25, Israel já foi fiel (2:17), em seguida, virou-se para prostituição (2:20) como uma esposa que parte de seu marido (3:20), mas está prometida a recuperação no final, se ela se arrepender (3:14-18).

Em Ezequiel 16, Deus entrou em pacto com Jerusalém (16:8), mas Jerusalém se prostituiu (16:15), mas  é finalmente restaurada por causa da Aliança (16:60-62).

Em Oséias 2, falando da casa de Israel,  que era uma vez fiel (2:14-15),  então se prostituiu (2:5), mas que será restaurada no final (2: 19-23).

Este são contextos que falam da Cidade Santa,  contrário do que encontramos quando a referência é aplicada a outras cidades. Tiro, por exemplo,  é retratada como prostituta em  Isaías 23; nada é dito sobre Tiro  ter sido uma esposa fiel. Para começar, e podemos aprender com Ezequiel 26:21, quando Tiro é destruída, não existirá jamais: “Farei de ti um grande espanto, e não mais existirás; e quando te buscarem então nunca mais serás achada para sempre, diz o Senhor Deus.“. Naum não disse  que a prostituta Nínive havia sido fiel a Deus, e Naum 2:13 diz que se ela for  destruída, Nínive não será jamais restaurada.

Embora em Jeremias 50-51 Babilônia não é explicitamente chamada de prostituta, esta é a passagem do Velho Testamento que tem mais em comum com o Apocalipse 17-18. A Babilônia de Jeremias 50-51, Tiro de Isaías 23 e Ezequiel 27, Nínive de Naum, e Babilônia de Apocalipse 17-18,  têm uma coisa em comum: todos eles vão ser destruídos e não restauradas jamais (Jeremias 51:64).

Não existe salvação ou resgate para a prostituta, ela será destruída juntamente com a besta e o falso profeta. Observem a união em detalhes de quatro versículos em Apocalipse 18:16,21-23 “…  Ai! ai daquela grande babilônia, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo…  Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada… porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias

Jerusalém não pode entrar nesse texto como  uma FORTE cidade pelo fato de sempre ter sido invadida por outros povos em toda sua História. Jerusalém jamais esteve montada na besta do poder romano (17:3; cf. 13:1-8): Jerusalém foi dominada pelos romanos no tempo dessa profecia. No entanto, com relação a prostituta, a Bíblia diz que ela estava assentada sobre muitas águas (17:1): Seu poder vinha dos povos dominados. Com ela se prostituíram os reis da terra (17:2): Roma dominava os reis de muitos países na época da escrita do Apocalipse; uma descrição da Babilônia antiga (Jeremias 51:7);

Apocalipse fala sobre o vinho (doutrina) de sua devassidão (17:2). Ao mesmo tempo Roma foi  conhecida por sua imoralidade e excessos;

Vestida de púrpura, escarlate, ouro, pedras preciosas, etc. (17:4; 18:16): Luxo, nobreza, sedução; os soldados da Babilônia antiga também se vestiam de escarlata (Naum 2:3);

Cálice de abominações e imundícias (17:5): Babilônia foi o cálice que fez as nações enlouquecerem (Jeremias 51:7);

Embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus (17:6; 18:20, 24): Roma (Império Romano, a possível besta) perseguia os cristãos, especialmente nos reinados de Nero e Domiciano.

A mulher é a grande cidade que domina sobre os reis da terra (17:18): Roma no ano 100 (O ano em que o Apocalipse foi escrito) era a Capital do Mundo. Roma dominava os reis da terra na época de João.

Destruição interna (17:16-17): História do declínio de Roma (cf. Daniel 2:42-43).

A sentença para a Babilônia de Apocalipse é destruição sem restauração, como vimos nos versículos acima. Porém, o mais importante é atentar para a leitura de alguns textos da carta de Paulo aos romanos com relação ao povo incrédulo de Israel.

Observem a promessa em Romanos capítulo 11:

23 E também eles (Israel), se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar. 

24 Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!

25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.

26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. Romanos 11

Uma vez que Jerusalém será restaurada após um período de rebelião, mas Mistério Babilônia não será restaurada jamais, conclui-se que a Babilônia de Apocalipse 18 não pode ser Jerusalém.

Disciplina nacional ao invés de separação é também o tema do livro do Apocalipse, que conclui com um retrato do estado restaurado de Israel (Ap 20:9).  Há pouca dúvida de que esta “Cidade amada”, que será destaque no milênio é Jerusalém. O Antigo Testamento muitas vezes descreve Jerusalém da mesma maneira (Sl 78:68; 87:2; Jer 12:7) e também prevê seu futuro retorno para a glória (Isa 2:2-4; Zac 14:17).

Israel será novamente líder entre as nações. Assim, longe de ser um livro sobre a separação de Israel, o Apocalipse é realmente sobre a eventual restauração de Israel. Portanto, Apocalipse 18 jamais poderia fazer referência a queda de Jerusalém, pois ali é dito que a Grande Cidade, Babilônia, cai, para nunca mais ser reerguida. Por outro lado a profecia de Apocalipse 18 ainda não recebeu cumprimento.

DETALHES BOMBÁSTICOS contra a tese preterista

Em sua queda definitiva, Babilônia/Jerusalém – como desejam os preteristas -, no capítulo 18 de Apocalipse, se “tornou morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e odiável”, mas dois capítulos depois de ser totalmente devastada, aparece protegida por Deus e sendo amada por Ele.

Apoc 20:9 E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo do céu, e os devorou.

Os preteristas garantem que o Apóstolo João registra suas visões testificando sobre os infortúnios que viriam sobre a Babilônia/Jerusalém, denominando-a de mãe das prostituições e abominações da terra,  de prostituta, de iníqua, de que irá beber do cálice da ira do Deus vivo, de morada de demônios, de covil de todos os espíritos imundos, de esconderijo de toda ave imunda e ODIÁVEL, mas não conseguem explicar porque ela em seguida, mesmo depois de devastada totalmente, ainda é chamada de “… a cidade amada…”, Apoc 20:9.

Essa escola doutrinária absurda afirma que Deus julgou Jerusalém no capítulo 18 de Apocalipse, e que,  através da escrita de João, Deus passa os primeiros 18 capítulos de seu livro detonando com a Babilônia (“Jerusalém”) destruindo-a para que ela nunca mais se levante novamente, mas logo depois do capítulo 19, lá está outra vez Jerusalém sendo acolhida e protegida por Deus como cidade AMADA. Alguém poderia encontrar contradição mais medonha do que esta?

Mas não é só isso; Deus ainda escolhe esta mesma “Babilônia – Jerusalém” como o nome da cidade que iria descer dos céus:

“… E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” – Ap.21,2.

O MAPA DE DEUS NA ESTRADA PROFÉTICA

Deuteronômio fornece um mapa profético que cobre toda a história, desde quando Israel começou a caminhar pela estrada, cerca de 3400 anos atrás; O Senhor deu um esboço da sua história inteira através de seu porta-voz, Moisés. Deuteronômio é esta revelação, e é como um roteiro para onde a história é dirigida antes da viagem entrar em curso; e deve-se acrescentar que os diferentes segmentos da viagem histórica foram atualizados com mais detalhes a serem adicionados ao longo do caminho.

No processo de exortação de Moisés para a nação de Israel, ele dá em Deuteronômio 4:25-31, um esboço do que vai acontecer com essa nação eleita, depois de cruzar o rio Jordão e se estabelecer na terra prometida.

Um resumo destes eventos:

1) Israel e seus descendentes permaneceriam muito tempo na terra.

2) Israel agiria de forma corrupta e escorregaria em idolatria.

3) Israel seria expulso da terra.

4) O Senhor os espalharia entre as nações.

5) Israel seria entregue à idolatria durante suas andanças.

6) Embora dispersos entre as nações, Israel  há de   procurar e encontrar o Senhor quando Ele  procurar de todo o seu coração.

7) Viria um tempo de tribulação  a ocorrer nos últimos dias, período em que eles iriam voltar para o Senhor

8) “Porque o Senhor vosso Deus é um Deus compassivo, Ele não te deixará nem te destruirá, nem se esquecerá da aliança com vossos pais, que jurou a eles” (Deuteronômio 4:31).

Se os cinco primeiros eventos têm acontecido com Israel e nenhum intérprete evangélico poderia negar tais fatos, então fica claro no texto que os eventos finais ocorrerão também para a mesma nação da mesma forma como os eventos anteriores. Isto é mais claro no contexto, pois a Bíblia não “muda de cavalo no meio do caminho”, para que de repente, Israel, que recebeu as maldições, caia fora da imagem e a Igreja assume e recebe as bênçãos. A Bíblia nada ensina que Deus abandonou Israel (cf. Rom. 11:1).

Qualquer leitor do texto terá que admitir que a mesma identidade é conhecida em todo o conjunto do texto em análise. Se for verdade que o mesmo se destina Israel ao longo do texto, então os três últimos eventos ainda têm de ser cumpridos por Israel da mesma forma histórica em que os cinco primeiros eventos são reconhecidos por todos como tendo ocorrido. Assim, uma realização dos três eventos finais na vida de Israel terá de acontecer no futuro.

Esta passagem em Deuteronômio conclama um retorno do Senhor depois da Tribulação dos tempos finais, e não um julgamento em 70 dC. Isto significa que uma visão futurista da profecia é suportada a partir desta passagem no início e durante todo o resto das Escrituras.

Tão significativo como Deuteronômio quatro está em estabelecer a história profética do povo eleito de Deus, uma narrativa expandida da história futura de Israel é fornecido também em Deuteronômio capítulos 28-32 e partes do 26. Aqui é onde vemos realmente surgir o matrix das grandes profecias do Antigo Testamento sobre Israel.

26:3-13; 28:1-14 As condições de bênção para seguir a obediência

31:16-21 A apostasia chegando

28:15-60 A aflição que Deus iria trazer sobre Israel, enquanto ainda na terra, por causa de sua apostasia

28:32-39, 48-57 Israel será levado cativo

27, 32 Os inimigos de Israel  possuirão sua terra por um tempo

28:38-42; 29:23 A terra em si permanecerá desolada

28:63-67; 32:26 Israel será espalhado entre as nações

28:62 O tempo virá em que Israel será em pequeno número

28:44-45 Apesar de punido Israel não será destruído

28:40-41; 30:1-2 Israel vai se arrepender de sua tribulação

30:3-10 Israel será recolhido junto das nações e trazido de volta à sua terra dada por Deus

Nem todos os eventos  acima resumidos  certamente tiveram lugar durante, ou antes, da destruição de Jerusalém em 70 dC. Parece estar se moldando que, enquanto o incidente do ano 70 dC  foi de fato um evento profetizado, os itens remanescentes no roteiro profético de Israel ainda não foram cumpridos.

O que é triste com a interpretação preterista é que ele reconhece as maldições sobre Israel, mas não as bênçãos futuras que Deus também prometeu. O Preterismo diz que Israel recebe as maldições, mas a igreja recebe bênçãos de Israel. Não é isso que diz a Bíblia; para que as bênçãos sobre Israel literalmente ocorram, assim como as maldições do passado, só faz sentido se as localizamos num tempo futuro.

Dentre todas as profecias anunciadas, ainda temos as que afirmam que o estado de Israel/ Jerusalém será reerguido reinando entre as nações,

Isaías 2

E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.

E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.

E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear.

Zacarias 14:17    E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva.

Apoc 20:9 E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou.

Os textos citados acima fazem referencia a Jerusalém, o que não está de acordo com a visão preterista que afirma ter sido a cidade santa, a qual denomina de a grande Babilônia, destruída para sempre em Apocalipse 18,

21 E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.

22 E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flautistas, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti não se ouvirá mais;

23 E luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá

Apoc 18:14 E o fruto do desejo da tua alma foi-se de ti; e todas as coisas gostosas e excelentes se foram de ti, e não mais as acharás.

O fim vem… Quem viver verá!

ONDE estava o Apóstolo João?

Quando e onde foi escrito o Apocalipse? Certamente uma quantidade incontável de leigos e professores de escola bíblica, incluindo teólogos da melhor qualidade, respondam a uma só voz: “Evidente que foi em Patmos!”

A nossa teologia escatológica deixou-nos um legado irreversível e padronizado sobre João em Patmos através de mensagens limitadas a uma visão tradicional imutável. Provavelmente muitos entre os cristãos do nosso tempo, sejam eles leigos ou não, dificilmente tentariam dar uma olhadela ao redor para descobrir se tudo ocorreu mesmo da maneira como aprenderam.

O quadro apocalipse exílio, pintado pelo ensino tradicional e entregue a cristandade, foi de um João totalmente sozinho e a vontade numa Ilha deserta do Mar Egeu, bem tranquilo e com total liberdade para escrever, editar, melhorar e enviar para as Igrejas localizadas nas regiões da Ásia Menor, o seu mais assombroso e espetacular Livro jamais escrito, o Apocalipse.

Porém, como estamos aqui refutando as peripécias do Preterismo, é necessário dizer que todo o artigo é um confronto comandado pelo testemunho da história e das Escrituras contra as afirmações feitas por esta facção com relação à datação do Livro.

A doutrina preterista ensina que João foi enviado para a ilha de Patmos na década de 60 dC, onde recebeu e fez um registro de todas as visões do Apocalipse, que dizem ser um tratado profético concernente a invasão romana sobre Jerusalém/Israel em 70 dC.

João não estava mais em Patmos

De todos os testemunhos Patrísticos sobre o exílio de João em Patmos, o mais interessante e intrigante é o de Vitorino, “um escritor eclesiástico primitivo muito famoso por volta do ano de 270 e que foi martirizado durante as perseguições do imperador Diocleciano” (Wikipedia – Vitorino de Patau).

Vitorino, além de registrar o local e a época em que João esteve exilado, diz algo curioso e espantoso, que nenhum dos outros pais Patrísticos registrou: ele deixa evidente que João não estava mais em Patmos quando entregou o Livro de Apocalipse.

Leia suas palavras, escritas no décimo capítulo de seu comentário sobre o “Apocalipse do bem-aventurado João” por volta de 270 AD: “… Quando João recebeu essas coisas ele estava na ilha de Patmos, condenado ao trabalho nas minas por César Domiciano. Lá, portanto, ele viu o Apocalipse, e quando envelheceu ele pensou que deveria finalmente receber sua quitação pelo sofrimento. Domiciano foi morto e todos os seus juízos estavam descarregados. João foi demitido das minas, assim, posteriormente, entregou o mesmo Apocalipse que ele havia recebido de Deus”.

Você também pode encontrar o texto de Vitorino no Comentário sobre o Apocalipse (Victorinus) – New Advent, Fathers

Brilhante o texto de Vitorino, pois além de confirmar que João foi exilado no governo de Domiciano ele também testifica que João entregou o Apocalipse após ser liberto do cativeiro.

Veja o detalhe no fim do seu comentário,

“… João foi demitido das minas, assim, posteriormente, entregou o mesmo Apocalipse que ele havia recebido de Deus”.

As declarações de Vitorino podem ser comprovadas? Sim! E pelo próprio João!

Atente para a redação deste versículo, o qual nos deixa forte indício de que João, enquanto escrevia estas palavras, não se encontrava mais no cativeiro: “Eu, João, irmão e companheiro de vocês no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (Apocalipse 1:9).

A ênfase sobre algo que acontece no passado fica em evidência pela tradução da NTLH:

Eu sou João, irmão de vocês; e, unido com Jesus, tomo parte com vocês no Reino e também em aguentar o sofrimento com paciência. Eu estava na ilha de Patmos, para onde havia sido levado por ter anunciado a mensagem de Deus e a verdade que Jesus revelou”.

É necessário observar um detalhe no texto, aquilo que parece ser a típica introdução de um prisioneiro que se prepara para escrever suas memórias após ter sido liberto do seu cativeiro: “… Eu estava na ilha de Patmos, para onde havia sido levado”.

A palavra, estava, foi traduzida do verbo grego ἐγενόμην – egenomēn. O verbo indica uma ação concluída no passado

Veja os versículos que usam a mesma palavra grega de Apocalipse 1:9.

Pelo que, ó rei Agripa, não fui (ἐγενόμην – egenomēn) desobediente à visão celestial” (Atos 26:19).

Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive (ἐγενόμην – egenomēn) convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor” (1 Coríntios 2:2-3).

“… não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui (ἐγενόμην – egenomēn) constituído ministro” (Colossenses 1:23).

Encontramos nas palavras de Jesus, também em Apocalipse, o mesmo verbo apontando para uma ação que aconteceu no passado:

Eu sou o que vivo; estava (ἐγενόμην – egenomēn) morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre! e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:18).

Portanto, quando João escreve que “estava” (ἐγενόμην – egenomēn) na ilha de Patmos deve significar que ele escrevia o Livro de Apocalipse depois do exílio.

O prólogo de um Livro

Devemos dar atenção a introdução do Livro de Apocalipse; atente o leitor para aquilo que começa a tomar o formato de um tratado profético quando observamos os detalhes no contexto que vem a seguir.

A passagem nos deixa pistas de que João já havia recebido as revelações nesse momento e, ao que tudo indica, não estava escrevendo do cativeiro em Patmos. Veja o que ele diz em Apocalipse 1:1, 2, que mais parece uma introdução de um livro que começa a tomar forma: “REVELAÇÃO de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo. O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto”.

Veja como o versículo apresenta os verbos, o que deixa subentendido que as visões já haviam sido transmitidas. Atente para a frase, “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu”, e que ele enviou a João. Ou seja, nesse instante, que sem dúvida é o momento da preparação do Livro, João já havia recebido as visões, pois o verso acrescenta que Jesus notificou a João e que João testificou acrescentando que ele também viu, o que podemos concluir como “já visto” quando atentamos para o detalhe em “tudo o que tens visto”, sugerindo que as revelações já haviam sido dadas. Como sabemos disso? Precisamos apenas encurtar o versículo deixando-o assim,

“… Jesus… as enviou e notificou a João, o qual testificou de tudo que tens visto”. Estamos no verso um e dois, mas João já diz sobre coisas que viu. Observe o tempo dos verbos mais uma vez: Jesus enviou, Jesus notificou, João testificou, ou seja: confirmou. Isso parece um registro feito para ser inserido no fim do Livro, mas não foi. Por que João escreveu dessa forma já no capítulo um? O que parece é que ele já havia recebido as visões e revelações do Senhor nesse momento. Observe o leitor que mesmo estando no início dos registros já podemos ler a sentença: “testificou de tudo que viu”.

O quadro parece de um João pós-exílio, em algum outro lugar pronto para organizar a escrita de todas as coisas que recebeu. No verso três ele chama de bem aventurados os que leem e guardam as palavras desta profecia; o problema é que estamos no capítulo um onde ele nem mesmo começou a registrar as profecias, além de insinuar um livro sem ao menos ele ainda ter tomado forma: “Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo”.

O que observamos em Apocalipse 1:1-3 é o típico modelo de um prólogo, ou seja, a introdução de uma obra literária. No caso aqui, é como se João tivesse anotações diversas, mas estava colocando-as em ordem.

Concluímos que, das duas uma: ou João se preparava para organizar as revelações que recebeu em Patmos transferindo para um livro o que teria ali no exílio anotado em pergaminhos diversos, ou ele escreveu tudo fora da Ilha sem nenhum registro prévio dependendo apenas da memória e do Senhor Jesus (João 14:26).

O escritor deve profetizar para povos, nações, línguas e reis”

E para provarmos de uma vez por todas que o Livro não trata de profecias sobre a guerra entre judeus e romanos em 70 dC, como atesta o Preterismo, e nem mesmo foi escrito apenas para os cristãos que viviam na Ásia menor, basta olharmos para Apocalipse 10:11, momento em que o Anjo diz a João: “Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis“.

De que maneira João, quase no fim do primeiro século, faria isso? Acredito que não seria viajando pelo mundo todo. E seja qual for esse João, ele estava em idade bem avançada para viajar de nação a nação (a palavra “nações” aqui denota pessoas consideradas separadas por fronteiras nacionais, constituições, leis e costumes).

Certamente ele profetizou para” muitos povos, e nações, e línguas, e reis” através do Livro de Apocalipse, que é um livro de profecias: “Eis que cedo venho! Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. Disse-me ainda:

Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo.

Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro;

e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro” (Apocalipse 22:7,10,18-19).

A profecia é o testemunho de Jesus: “Então me lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha, não faças tal: sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia“E (Apocalipse 19:10; compare com Apocalipse 1:1,2).

Apocalipse 1:3 conclui: “Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” (Apocalipse 1:3).

Fica evidente que “profetizar outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis” só poderia ser possível através de um livro escrito que, sem dúvida, é o Livro de Apocalipse.

E isto corresponde com o padrão revelado pelo Senhor: a palavra profética que muitos homens de Deus receberam foram passadas para a forma escrita, como atesta Pedro, “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo“ (2 Pe 1:21), o que João confirma mais uma vez em Apocalipse 22:18 quando fala sobre “… as Palavras da profecia deste Livro…”.

Portanto, o que se cumpre – com ênfase no contexto principal que é a importância extrema no envio da mensagem do Apocalipse – é exatamente o que foi dito no capítulo 10:11 do Livro, de que o Apóstolo profetizaria “… OUTRA VEZ para muitos povos, e nações, e línguas e reis”. Assim, as visões que foram mostradas a João no exílio no final do reinado de Domiciano e perto da sua libertação tomaram o formato de Livro Profético (o qual foi entregue às Igrejas da Ásia Menor, como também aos cristãos de todos os tempos) somente depois que ele foi liberto do seu cativeiro.

João não escreveu sobre a destruição de Jerusalém, nem mesmo somente às sete igrejas, mas para cristãos, reis e reinos do mundo inteiro. E quando o livro abre dizendo das coisas que em breve devem acontecer, está apenas confirmando que “as profecias começam a se desenrolar”, não que tudo seria cumprido em pouco tempo. Por Isso que é dito a João que não sele as palavras do Livro (22:10), mas que as divulgue para que todos tenham conhecimento dos fatos. A mensagem foi enviada “para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer”
(Apocalipse 1:1).

Portanto, quando o Anjo diz a João “Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis“, obviamente está fazendo referência às profecias contidas no Livro de Apocalipse – João não está profetizando sobre os judeus e romanos de 70 dC, mas para “muitos povos, e nações, e línguas, e reis” (Apocalipse 10:11)

As evidências que favorecem uma data tardia para a redação do Livro de Apocalipse ainda prevalecem, pois, como vimos, a alegação preterista de que João foi exilado na década de 60 dC inevitavelmente desmorona, não tendo nenhum fundamento bíblico e muito menos histórico.

A Deus toda glória

O Evangelho foi pregado a TODOS antes de 70 dC?

Colossenses 1:23 diz: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro”.

Conclusão preterista: Paulo confirma as palavras de Jesus, quando o Senhor garante que o Evangelho seria anunciado a todo o mundo antes da destruição de Jerusalém: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”, Mat 24:14.

Os preteristas argumentam que a palavra aqui, quase sempre traduzida como “mundo” (οἰκουμένη), é um termo técnico que se refere ao mundo civilizado, uma menção ao Império Romano durante o primeiro século. Eles afirmam que o Evangelho já havia sido proclamado em “Todas as nações” pertencentes ao império durante a era apostólica, e que o fim mencionado por Jesus deve significar o fim de Jerusalém e da era judaica em 70 dC quando os romanos invadiram Jerusalém e destruíram o Templo. Eles acreditam também que a vinda de Jesus proclamada em todas as Escrituras ocorreu em 70 dC.

Vamos atentar para todo o contexto de Paulo aos Colossenses capítulo 1:23-27: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.

Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja;

Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus;

O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos;

Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória”.

Agora observem o verso cinco e seis do mesmo capítulo: “Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade”.

Quando Paulo confirma acima sobre o Evangelho, “… o qual é chegado a vós” e que “está em todo o mundo“, ele simplesmente quer ratificar que o Evangelho é universal. Ele não se limita a nenhum lugar ou pessoas, mas é projetado para ser uma religião universal. Ele oferece a bem-aventurança para todos. Não foi confinado aos judeus, ou limitado ao país estreito onde foi pregado pela primeira vez, mas foi enviado ao exterior, para o mundo gentio.

O Evangelho não havia sido pregado a toda criatura, mas estava sendo providenciado para ser anunciado por todo o mundo, diz Paulo aos Colossenses: “… como também está em todo o mundo [o Evangelho]; e já vai frutificando…”, v 5.

Vamos voltar agora ao verso 23: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro”.

O versículo foi muito mal traduzido, pois não está de acordo com a declaração anterior de Paulo, de que o Evangelho “está frutificando e crescendo em todo mundo“. Se o Evangelho está frutificando e crescendo, deve significar que “está sendo pregado a toda criatura” e não que “já foi pregado a toda criatura“. A frase geralmente traduzida como, “que foi proclamado”, em Colossenses 1:23, está no tempo aoristo (1), que frequentemente carrega um aspecto contínuo – fala do Evangelho “que é proclamado“.

Veja como a New English Bible traduziu corretamente o texto: ” … continuem firmes na fé, e não se distanciem da esperança da Boa Nova que ouvistes e que se proclama em toda a criação debaixo do céu; do qual eu, Paulo, me tornei um servo“.

A Bíblia Douay-Rheims traduziu de forma semelhante: “continuais na fé, alicerçados e firmes, e imóveis na esperança do evangelho que ouvistes, que é pregado a toda a criação que está debaixo do céu, da qual eu, Paulo, fui feito ministro“.

A World English Bible seguiu o mesmo padrão: “… continuais na fé, alicerçada e firme, não se afastando da esperança da Boa Nova que ouvistes e que se proclama em toda a criação debaixo do céu; do qual eu, Paulo, fui feito servo“.

O apóstolo mostra nesse texto que o Evangelho estava se espalhando amplamente e com sucesso onde quer que fosse proclamado. A ideia é que o Evangelho não se limita “à” nação de Israel ou a um determinado grupo de nações. Isso sugere que o escopo pretendido do Evangelho é “todas as nações”, o que pode ser entendido pelas palavras do próprio Paulo na carta aos romanos: “mas agora manifesto e, por meio das Escrituras Proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé” (Romanos 16:26).

Provavelmente foi por este motivo que a tradução da NVT trouxe o versículo da seguinte forma: “mas que agora, como os escritos dos profetas predisseram e o Deus eterno ordenou, é anunciada aos gentios de toda parte, a fim de que eles também possam crer nele e lhe obedecer“.

Este versículo é uma alusão ao Salmo 19:4, que foi escrito durante o reinado do Rei Davi. Este salmo fala dos “céus” e seus corpos celestes declarando a glória de Deus a “toda a terra” e “ao fim do mundo”. Isso sugere fortemente que Paulo tomou emprestada a linguagem deste Salmo para expressar a ideia de que a mensagem celestial – o Evangelho – se destina a judeus e gentios sem distinção (Rom 10:18; cf. 10:12).

John Piper explica o significado do versículo em Colossenses 1:23: “Aqui está minha solução simples, embora você precise saber grego para vê-la. O grego para a frase “que foi proclamado” é tou kēruchthentos. Este é um particípio substantivo que poderíamos traduzir “que é proclamado” … O fato de o particípio “proclamado” ser aoristo não significa que a proclamação já aconteceu no passado… O tempo aoristo em tais usos não denota um tempo específico.

Portanto, a leitura mais simples de Colossenses 1:23 é que Paulo está definindo o Evangelho como o tipo de Evangelho ilimitado e global em escopo e, portanto, é pregado, por definição, em toda a criação. Não há nenhuma declaração aqui de que já aconteceu. Então, eu iria traduzir: “… se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do Evangelho que ouvistes – o Evangelho que é proclamado em toda a criação debaixo do céu.” (O Evangelho Já Foi Pregado a Toda a Criação?).

A linguagem figurativa empregada por Paulo e seu companheiro de viagem, Lucas, para descrever a intenção não discriminante e a vitória do Evangelho contrasta com o significado literal das palavras de Jesus em Mateus 24:14. Não há razão convincente para interpretar as palavras do Mestre em Mateus 24:14 de forma figurada. Em vez disso, o Evangelho será proclamado “a todas as nações” (“a todos os grupos étnicos”) em todo o mundo para fornecer-lhes um testemunho (Mateus 24:14) antes do julgamento no final da era, um julgamento que incluirá “todas as nações”, conforme Mateus 25:32, o que não ocorreu em 70 dC.

Deve ser notado que Paulo não acreditava que o trabalho de pregar o Evangelho tinha sido concluído; ele também escreveu (na mesma carta, três capítulos depois) aos cristãos de Colossos, que estes orassem para que uma porta se abrisse para a pregação do Evangelho: “Ao mesmo tempo, orem também por nós, para que Deus nos abra uma porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado” (Colossenses 4: 3).

Observe a seguir como o argumento a favor da verdade prevalece diante da heresia preterista; Paulo escreveu aos Efésios enquanto estava preso em Roma. Preso por amor a Cristo (Ef 3: 1; 4: 1; 6: 20).

A Epístola aos Efésios tem muita afinidade com a Epístola aos Colossenses, e foi escrita logo após esta. Se Paulo disse que o Evangelho já havia sido pregado no mundo todo, na carta aos Colossenses, então os preteristas deveriam explicar do porque ele ainda falava em anunciar o Evangelho numa carta posterior: “com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos, e (orem) por mim, para que me seja dada a palavra, no abrir da minha boca, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho” (Efésios 6:18,19). E o problema preterista aumenta quando vemos que Paulo, durante sua segunda prisão em Roma – depois de escrever aos Colossenses e aos Efésios – exorta Timóteo a pregar o Evangelho: “prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino” (2 Timóteo 4:2).

O livro do Apocalipse também transmite o conceito de que o Evangelho eterno deve ser proclamado a “toda nação, tribo e língua e povos” (Ap 14: 6) antes da gloriosa revelação de Jesus. Por outro lado, a abordagem preterista de Mateus 24:14 (“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim“) importa um significado limitado para as palavras de Jesus e, portanto, distorce a própria base para o evangelismo mundial.

A interpretação preterista de Mateus 24:14 involuntariamente mina a Grande Comissão (Mateus 28: 18-20; cf. Marcos 16: 15-18). A razão para isso é dupla: Primeiro, Jesus prometeu estar com seus discípulos em seus esforços evangelísticos até “o fim dos tempos” (Mt 28:20), uma era que muitos preteristas acreditam que terminou com a destruição de Jerusalém em 70 dC. Em segundo lugar, Jesus ordenou a seus discípulos que fizessem discípulos de “todas as nações“. Com base em sua interpretação de “todas as nações” em Mateus 24:14, a consistência hermenêutica exige que os preteristas entendam esse mandamento como tendo sido cumprido o mais tardar em 70 dC.

Há uma diferença entre uma profecia específica de Cristo e Paulo falando sobre o que ocorria em todo o mundo com relação ao Evangelho. Na verdade, levaria séculos para chegar a vários outros grupos de pessoas. O Evangelho alcançando cada pessoa é uma das ocorrências que vai inaugurar a segunda vinda do Senhor, o que ainda não ocorreu. O próprio Paulo disse sobre o Evangelho não proclamado ainda para todos, quando afirma que havia lugares em que Cristo não tinha sido anunciado (Rom 15:20, 21). Isso significa que nem todas as pessoas haviam ainda sido alcançadas até 58 dC, ocasião em que escreveu estas palavras, o que, obviamente, também não ocorreria até 70 dC.

Outra passagem usada pelos preteristas

Romanos 16:25-26, “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações [etnia] para obediência da fé”.

Os preteristas alegam que essa palavra de Paulo teve cumprimento até 70 dC – que o Evangelho foi dado a conhecer a todas as nações antes da volta de Jesus na destruição de Jerusalém.

Óbvio que isto não foi feito quando Paulo escreveu Romanos. Se fosse assim, então toda a atividade missionária teria cessado. Ele apenas dizia que o Evangelho era universal, oferecido a todas as nações. “Em todo o mundo”, ou “Todas as nações”, que aqui deve ser entendido que o Evangelho é uma mensagem universal, concebido para todos os homens e adequado para ser pregado entre todas as nações, não apenas aos judeus, o que pode ser melhor compreendido pela tradução da NVT: “mas que agora, como os escritos dos profetas predisseram e o Deus eterno ordenou, é anunciada aos gentios de toda parte, a fim de que eles também possam crer nele e lhe obedecer“.

Agora, se os preteristas querem continuar insistindo na tese de que o Evangelho foi pregado a todo mundo antes de 70 dC, devem explicar – citando apenas dois exemplos – porque Tomé foi martirizado anunciando o Evangelho na Índia depois de 70 dC. Por que Felipe foi para o leste da Turquia pregar o Evangelho depois de 70 dC, e ali foi executado, se o Evangelho havia já alcançado aquele povo? Provavelmente o preterismo não poderá responder satisfatoriamente.

Como vimos, a proposta preterista é confusa e ingênua, sendo fácil de refutar. A alegação de que o Evangelho foi pregado em todo o mundo antes da destruição de Jerusalém é por demais imprecisa e infantil.

A Deus toda Glória

1) Forma verbal do grego antigo, caracterizada por expressar a ação sem limitação de tempo (sem limite ou especificações de tempo). O aspecto verbal que não denota a duração de tempo (em quaisquer idiomas/línguas).