Carta à Igreja de Filadelfia

João escreveu o Apocalipse para um grupo específico de igrejas na Ásia. O apóstolo Paulo estabeleceu nove igrejas na área, mas apenas sete foram abordados no Apocalipse.

As mais claras evidências a favor dos que defendem a escrita do Livro de Apocalipse para depois de 70 dC podem ser encontradas em cinco  cartas dirigidas a cinco Igrejas listadas entre as sete. Vamos  examinar aqui detalhes na carta à Igreja de Filadélfia.

Para a Igreja de Filadélfia, no verso de 10 e 11 do capítulo três, Cristo disse a João para informá-los de que a “hora da tentação” era “para vir sobre todo o mundo”.

Os preteristas acreditam piamente que essa “hora da provação” descreve exatamente o que os judeus passaram nas mãos do exército romano em 70 dC. Porém, isso gera um problema enorme, pois se João escreveu aqui antes da destruição de Jerusalém, e que a escrita tranqüilizava a Igreja garantindo que ela seria poupada dos infortúnios que viriam sobre a mesma Jerusalém, por que o Apóstolo  informa também  que a provação  atingiria todo o mundo, uma expressão que tem muito a ver com fatos que  descrevem o fim dos tempos?

Não faz sentido encorajar a Igreja de Filadélfia, que ficava centenas de quilômetros distante da Judéia, que ela seria guardada de qual tribulação, aquela que se abateria sobre Jerusalém.

Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”. Apocalipse 3:10,11

“… te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”

A hora da tentação  é sobre TODO O MUNDO!

A promessa de blindar a igreja de Filadélfia do julgamento não tem sentido se o julgamento ocorre muito além das fronteiras da cidade, em Jerusalém. Portanto, a verdade é outra, pois a profecia trata de eventos que ainda ocorrerão. A destruição de Jerusalém ocorreu em 70 dC, mas as calamidades  que provariam a Igreja existente imediatamente após a época da escrita de João, também é um aviso profético à  Igreja que existira na tribulação vindoura.

Por que Jesus prometeu a uma Igreja na Ásia guardá-la da guerra na Palestina? Ora, se localizamos o perigo para essa Igreja pouco antes de 70 dC, logo, temos que concluir que a promessa de guardá-la faz referência a protegê-la das iminentes catástrofes que viriam sobre Jerusalém (?). Não faz sentido nenhum, pois a Igreja de Filadélfia estava localizada a centenas  de kilometros distantes da Judéia.

O insistente detalhe no texto deixa a teologia católica em maus lençóis quando  ele faz referência a calamidades que atingiriam o mundo todo.

Apoc 3:10 Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra.

O texto diz que guardaria a Igreja da tribulação que vem sobre todo o mundo, sobre toda a terra, e isso não tem nada a ver como uma guerra localizada entre Jerusalém e Roma.

A referência aponta para uma época distinta dos acontecimentos em 70 dC, confirmando que Apocalipse foi redigido, em sua totalidade, quase 30 anos após os eventos que assolaram a cidade de Jerusalém.

O Contexto histórico de Laodicéia

O Preterismo argumenta que a apostasia descrita em Apocalipse para a maioria das Igrejas ali apresentadas ocorreu antes da destruição de Jerusalém. Eles ensinam que o exílio de João em Patmos aconteceu antes de 70 dC, no governo de Nero. Portanto, o que se deve concluir, se calculamos a data do Apocalipse pela cronologia preterista, é que as cartas endereçadas para as sete Igrejas foram escritas antes de, no máximo 65 dC, pois a invasão de Jerusalém pelas tropas do general Tito teve início em 66 dC. Isso não pode estar de acordo com algumas evidências apresentadas dentro e fora das Escrituras do Novo Testamento.

Apocalipse 3:14-22 descreve a igreja de Laodicéia como rica, de nada tendo falta (v. 17). No entanto, essa não pode ser a visão de uma Igreja que existia antes de 70 dC. Em 61  um terremoto visitou a cidade de Laodicéia que levou quase duas décadas para ser reconstruída. Tácito escreveu, “No mesmo ano, Laodicéia, uma das famosas cidades asiáticas, foi colocada em ruínas por um terremoto, mas se recuperou com recursos próprios, sem a ajuda de nós mesmos”, Tácito, Annales 14:27.  Esse terremoto foi em toda a cidade, e não se limita apenas a uma parte dela como supõem alguns preteristas, que atrapalhados em seus argumentos precisaram limitar o terremoto tentando salvar quase toda a região de Laodicéia apenas para dar significado a Igreja “existente”, a qual eles dizem que era rica e abastada antes de 70 dC. Ora, se o terremoto aconteceu apenas numa pequena parte da cidade,  afirmam, obviamente daria tempo de ela ser reconstruída antes da queda de Jerusalém e ainda alcançar o status de rica e abastada. No entanto, a destruição foi muita extensa.  A reconstrução da cidade de Laodicéia após o terremoto levou muito tempo – os materiais de trabalho e de reconstrução não corriam na rapidez que correm hoje, fazendo com que a recuperação levasse um tempo consideravelmente longo. Seria verdadeiramente notável se Laodicéia, independentemente, fosse reconstruída em apenas alguns poucos anos, de 61, quando ocorreu o terremoto, até o início da escrita do Livro de Apocalipse por João, que segundo alguns preteristas se deu a partir de 62/63 dC, apenas um ou dois anos depois de a cidade ser devastada.

Quando João começou a receber as revelações na Ilha de Patmos os esforços de reconstrução em Laodicéia estavam completos, pois a  igreja é descrita como rica e abastada, de nada tendo falta. Essa não pode ser a descrição de uma Igreja que vivia entre ruínas. Isso nos fornece uma informação segura, que nos permite estabelecer uma data posterior a 70 dC para a redação do Livro de Apocalipse.

O preterismo alega que as riquezas  mencionadas em Apocalipse 3:17 são espirituais, não riquezas materiais. Porém, no seguinte contexto em 3:18, Jesus faz alusão a indústria de Laodicéia que contribuiu para a sua riqueza material: ouro (Laodicéia era um centro bancário), colírio (Laodicéia comercializou e lucrou muito por fabricar uma pomada usada para tratar doenças oftálmicas) e roupa branca (Laodicéia era um centro de produção de vestuário). Essas alusões locais às fontes de riqueza material em Laodicéia indicam que a referência a riqueza da igreja era principalmente por sua riqueza  material, que por sua vez criou um senso de autossuficiência e complacência espiritual. A afluência material e a atitude autossuficiente correspondente da cultura tinham se infiltrado na igreja.

A evidência arqueológica em Laodicéia aponta para uma reconstrução em quase vinte e cinco anos. A extensão dos danos causados em Laodicéia com o terremoto de AD 61, e o período de tempo que levou para reconstruir a cidade, são provas convincentes de que a datação da escrita do Livro de Apocalipse só pode ser estabelecida para depois da destruição de Jerusalém.

A maioria das principais ruínas que sobrevivem hoje em Laodicéia são dos edifícios construídos durante o tempo do terremoto. O grande edifício público destruído no terremoto foi reconstruído em detrimento dos cidadãos e não foi terminado até cerca de 90 AD. A data de conclusão do estádio pode ser precisamente localizada em fins de 79 dC, e a inscrição em vários outros edifícios são datados do mesmo período.  A grande porta tripla (Syrian Gate) e as torres não foram concluídas até 88-90 AD.

Desde que a reconstrução de Laodicéia após o terremoto ocupou  pouco mais de duas  décadas, é altamente problemático  reclamar para Igreja o status de rica, de nada tendo falta  dois anos (?) após o terremoto (62-63), como quer o preterismo. Durante esses anos, a cidade estava nas fases iniciais de um programa de reconstrução que iria durar entre 15-25 anos. Se o Apocalipse foi escrito em AD 95 a descrição de Laodicéia em 3: 14-22 caberia  muito bem. Por este tempo a cidade foi totalmente reconstruída com recursos próprios, aproveitando a prosperidade e prestígio e aquecendo-se no orgulho das suas grandes realizações.

É mais razoável concluir que muito mais tempo foi gasto na sua recuperação, como testifica Tácito. A verdade é que demorou décadas para que a cidade chegasse a um estado próspero, em primeiro lugar, ao ponto da Igreja ali considerar-se abastada, o que caracteriza um sentimento de superioridade por estar localizada numa megametrópole recuperada totalmente, que avança a passos largos para o desenvolvimento. A Igreja estava encravada dentro de uma cidade que era próspera na década de 90 dC, com uma grande produção de vestuário, serviços médicos e centro financeiro. E, como vamos ver, foi nessa época que João escreveu a carta para Igreja de Laodicéia.

Colossenses e Apocalipse

Segundo os preteristas a Igreja de Laodicéia recebeu duas cartas na mesma ocasião, uma de Paulo através de Colossenses e outra de João que é apresentada no Livro de Apocalipse.

Paulo escreve uma carta para a Igreja de Colossos – que foi também de grande utilidade para a Igreja de Laodiceia. Col 4:16: “E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também”.

Ou seja, a condição das duas Igrejas era a mesma: elas andavam em comunhão com o Senhor. Vejam o que Paulo escreve a Igreja de Colossos/Laodicéia em 62/63 dC, de sua prisão em Roma:

Colossenses 2

1  PORQUE quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia  e por quantos não viram o meu rosto em carne;

2 Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.

Observem  como são impressionantes as palavras  dirigidas a Laodicéia:

“… em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo”.

Parecem eles miseráveis, pobres e cegos?

Como poderia uma Igreja,  elogiada por Paulo na carta aos Colossenses em 62 dC, que a descreve como um grupo ativo, não ser nem cumprimentada pelo Senhor em Apocalipse (3:14-22), que a chamou de “… miserável, e pobre, e cego, e nu…?”, v: 17. Se Paulo e João escreviam em 62 dC – Colossenses e Apocalipse – como poderiam os preteristas explicar que um deles, em Colossenses, elogia a Igreja de Laodicéia como um grupo de cristãos em comunhão com o Senhor, mas o próprio Jesus através de João diz a mesma Igreja:  “… vomitar-te-ei da minha boca?”, Apo 3:16.

Se a carta escrita à mesma Igreja por João em Apocalipse pode ser localizada na mesma época da carta de Paulo (os preteristas afirmam que sim), então fica impossível  conciliar a apostasia descrita  ali  com a ordem  e comunhão registradas por Paulo.

Laodicéia é repreendida pelo Senhor Jesus por ser morna, provocando-lhe náuseas, ao ponto de o Mestre dizer que a vomitaria de sua boca. Certamente essa apostasia descrita em Apocalipse ocorreu décadas depois do elogio de Paulo. Seria necessário um longo período de tempo para que esta condição repugnante pudesse se desenvolver. A forte repulsa do Senhor, no estado da igreja de Laodicéia, certamente torna-se mais inteligível após um intervalo considerável de tempo para a apostasia. Parece evidente que as duas cartas não poderiam jamais ter sido enviadas para a Igreja de Laodicéia na mesma época, pois uma epístola a louva enquanto a outra diz que nela não há nada louvável.

Percebam que o problema não é nada pequeno; a escola preterista, munida de todos os recursos tentando negar a redação do Livro de Apocalipse para depois de 70 dC, foi obrigada a estabelecer a escrita antes dessa data, precisando também recuar até o inicio da década de 60 com o exílio de João em Patmos. A situação é extremamente embaraçosa, pois é necessário datar a redação das epístolas às sete Igrejas não mais tarde que 64 dC. As coisas se embolam de uma forma tão inexplicável, se seguirmos a cronologia preterista, que fica praticamente impossível acumular todo esse trabalho em torno de João – receber as revelações, o preparo na escrita e, o mais difícil, o envio das cartas para fora da ilha – tudo isso antes de iniciar o cerco sobre Jerusalém.

No fim das contas as cartas de João se sobrepõem as de Paulo!

A realidade pode ser outra: Paulo escrevia a Laodicéia da prisão em Roma na década de 60, mas João escrevia quase uma geração mais tarde. Portanto, somente um intervalo de tempo muito mais longo é que pode explicar a apostasia da Igreja em Laodicéia.

A Igreja elogiada por Paulo em 62, simples e pequena, não pode ser a mesma Igreja rica e abastada descrita em Apocalipse 3:17. Note que o Apóstolo Paulo fala de uma congregação em Laodicéia que se reunia numa casa: “Saudai os irmãos de Laodicéia e Ninfas, bem como a Igreja que se reúne em sua casa”, Col 4:15. O significado de “Ninfa” é simplesmente um nome de pessoa – do sexo feminino. Na casa dessa mulher existia uma comunidade, uma “igreja doméstica” que ali se reunia. Não temos outras informações sobre ela. Quanto ao vocábulo ‘ninfa’, a sua origem é o grego antigo e significa “moça”. Não foi para essa pequena congregação que João escreveu sua carta de advertência – de forma alguma podemos conciliar as palavras “… és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu…” e “… vomitar-te-ei da minha boca” como tendo sido dirigidas a essa mulher chamada Ninfa e a Igreja que se reunia na casa dela, muito provavelmente a única congregação em Laodicéia quando Paulo lhes escreveu em 62 dC.

A Igreja repreendida por João era outra, a de quase três décadas depois, que se declarava como quem não tem falta de nada pelo simples fato de se ver envolta ao luxo e desenvolvimento material, refletidos pela cidade reconstruída, que resgata seu status de cidade rica. Laodicéia estava reivindicando uma riqueza espiritual igual a sua riqueza material, o que para o Senhor não servia. Ele é enfático:

Apo 3:17 – Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.

Essa não pode ser de forma alguma a mesma Igreja que Paulo elogiou na carta aos colossenses quando lhes escrevia de Roma por volta do ano 62. Essa igreja é uma igreja que apostatou da fé, a qual foi alertada por João – quase uma geração depois – que o Senhor Jesus estava prestes a vomitá-la da sua boca.

Fonte consultada: Tim Lahaye and Thomas Ice. The End Times Controversy, Harvest House Publishers, 2003.

 


Jerusalém e Babilônia

Jerusalem

Todo o caminho através das Escrituras Babilônia sempre significa Babilônia e Jerusalém sempre significa Jerusalém. Enquanto as Escrituras normalmente relaciona Jerusalém com o povo de Deus, relaciona Babilônia com o mundo. Os detalhes de Apocalipse 17-18 assemelha-se pouco com a Jerusalém do primeiro século. Por exemplo, Jerusalém não se sentava sobre muitas águas (17:15), ou mesmo reinava sobre os reis da terra, e nem ainda assemelhava-se a uma potência econômica (18).

Além disso, embora a descrição da prostituta parece comunicar o seu grande envolvimento com a idolatria (adultério espiritual, coisas impuras e abominações), esta não é uma descrição da Jerusalém do primeiro século, à luz do fato de que a cidade daquela época era estritamente monoteísta. A condição dos judeus em 70 dC, não pode ser a que foi descrita em Apocalipse 9:20, onde fala daqueles que foram feridos pela explosão da sexta trombeta; alguns dos quais foram mortos, e alguns poupados, não poderiam ter sido judeus, pois o texto diz que estes estavam envolvidos com idolatria,

E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar”.

Não seria possível aplicar essa passagem aos judeus, pois eles não eram idólatras. Não podemos acusar a Jerusalém de 70 dC de fabricar ídolos de outro, de prata e de bronze.

É extremamente importante para o correto entendimento de quem é essa prostituta e considerar todos os elementos que a caracterizam. Esta “Babilônia, a mãe das meretrizes”, é descrita em Apocalipse 18:17 como uma cidade marítima envolvida no comércio com navios. Apocalipse 17:1 anteriormente descreveu-a como estando assentada sobre muitas águas. Não há nenhuma maneira de ser uma descrição de Jerusalém se juntamos o que é apenas símbolos. Jerusalém se localizava no deserto, a quarenta milhas do porto de Jope. Os símbolos em Apocalipse insistem em identificar essa metrópole até quando menciona o rio Eufrates, que é ligado a Babilônia original, mas não a Jerusalém.

Não se espera que Jerusalém, que foi destruída pelos romanos em 70 dC, poderia ser a mesma metrópole vista em Apocalipse, pois o texto diz que a mulher, a grande cidade, reina (está reinando) sobre os reis da terra. Os judeus e Israel certamente não reinavam sobre os reis da terra nesse tempo. Roma e os reis da terra não estavam sujeitos aos judeus e a cidade santa. Muito pelo contrário, os judeus e sua cidade foram alvos de Roma e seu Imperador, o rei da terra habitada.

Além disso tudo, como poderia ser Jerusalém considerada a “mãe das meretrizes” ou a fonte de toda prostituição quando a prostituição existiu (Gen 11:1-9) muito antes de a cidade de Jerusalém ter existido?

Há uma série de motivos que não fazem de Jerusalém a prostituta de Apocalipse 17.

a) A prostituta também é chamada Babilônia. Apocalipse 17 e 18 é sobre a destruição da Babilônia. Este é o cumprimento final das previsões feitas em Isaías 13 e 14 e Jeremias 50 e 51. Nesses capítulos Israel e Jerusalém são contrastadas com a Babilônia e os caldeus. Observem que Jerusalém é citada separada de Babilônia. Essas passagens apresentam profecias sobre a derrota de Babilônia e a vindicação de Israel e Jerusalém.

Aqueles que ensinam que a prostituta em Apocalipse 17, que é identificada com Babilônia (Apocalipse 17:5), deve ser entendida como sendo Jerusalém, devem explicar como é que a Palavra Sagrada de Deus, a qual Jesus disse que não pode ser quebrada (João 10:35) passa a ter seu significado inicial totalmente revertido em cumprimento [futuro] e ainda qualificar-se como verdade!

Como poderíamos aceitar a profecia de Deus como verdadeira quando percebemos uma certa discrepância – ler o profeta falar da destruição de uma cidade, mas, em seguida ver o “cumprimento” da profecia milhares de anos mais tarde, destruindo uma cidade completamente diferente?

b) Outra figura importante, que prova não ser Jerusalém a Grande Meretriz, é que o rio Eufrates está associado com os eventos que ocorrem no Livro do Apocalipse (Ap 9:14; 16:12). O Eufrates é associado com a Babilônia literal, não com Jerusalém. Lembre-se que isso são figuras que ajudam na identificação da cidade que reina sobre os reis da terra.

c) A prostituta de Apocalipse 17 “se assenta sobre muitas águas”, que representam “povos, multidões, nações e línguas”. Isso aponta para a sua influência global, que muito mais naturalmente implica Babilônia, exemplificada originalmente em Babel, o primeiro reino do homem e do lugar onde a rebelião e as heresias foram espalhadas pela terra através da confusão das línguas.

Dela é dito ser a “Mãe das prostituições e das abominações da Terra”. Isto fala de seu papel como a criadora da prostituição e das abominações da terra. Isto, muito mais naturalmente, se aplica a Babilônia (na forma de Babel, do reino de Ninrod, Gen. 10, 11) do que o infiel Israel/Jerusalém, que gerou suas prostituições de outro lugar. Ezequiel constata que ela se originou no Egito (Ez 23:8, 27).

Ali está escrito:

“E as suas prostituições, que trouxe do Egito, não as deixou; porque com ela se deitaram na sua mocidade, e eles apalparam os seios da sua virgindade, e derramaram sobre ela a sua impudicícia”.

Ezequiel também aponta para os heteus, amorreus, como tendo sido uma fonte de prostituição de Israel; Ez 16:3, 44-45

Em outra parte, Ezequiel identifica aqueles que cometem prostituição com o Israel infiel como tendo tido seu nascimento na Babilônia:

“E aumentou as suas impudicícias, porque viu homens pintados na parede, imagens dos caldeus, pintadas de vermelho; Cingidos de cinto nos seus lombos, e tiaras largas e tingidas nas suas cabeças, todos com parecer de príncipes, semelhantes aos filhos de Babilônia em Caldéia, terra do seu nascimento”. Ez 23:14-15

Os textos mostram claramente que Babilônia e não Jerusalém foi a fonte da infecção que prostituiu os povos. A prostituição partiu de uma influência anterior – a mãe – Babilônia!

Na meretriz de Apocalipse é encontrado “o sangue dos profetas e santos, e de todos os que foram mortos na terra”. Embora os judeus apóstatas contribuíssem para esse derramamento de sangue (Mat 23:34-39), essa fala de incrédulos fariseus em Jerusalém nos dias de Jesus, como agentes que participam na influência histórica da prostituta. Por outro lado, o abate dos santos pós século um já ultrapassou em muito os do tempo até Jesus, tanto em número como em alcance global.

Isto pode ser visto na multidão de mártires cristãos que pereceram desde então em países e sob regimes completamente desconectado de Israel e Jerusalém, incluindo movimentos islâmicos e as nações da Ásia e da África, que são responsáveis por muitos mártires cristãos em nossos dias, sem mencionar a Roma do passado.

Se a destruição final da Babilônia, a meretriz, é o futuro – e há muitas razões que indicam isso -, então ela também deve dar conta do sangue de todos os justos, derramado desde a época de Jesus, e de todo o mundo.

Babilônia conseguiu camuflar-se entre as nações, usando delas com sua fúria, poder herético e assassino, tão somente para perpetuar seu domínio. Um tiro que saiu pela culatra, pois fez com que a profecia contra ela mesma se cumpra: Ela vai ser capturada!

Simplesmente não é possível colocar isso em pé de igualdade com Jerusalém. A responsabilidade é global, tendo em conta que está completamente de acordo com a ideia de que a prostituta é a Babilônia, o ponto culminante da rebelião, que começou inicialmente na antiga Babel. Restringindo a prostituta a Jerusalém ou ao judaísmo, fica simplesmente demasiado estreito, pequeno, dado ao escopo global do livro do Apocalipse.

Cortando Caminho pelo Eufrates

Há deficiências graves no ensinamento preterista e as questões sem resposta já ultrapassaram os limites da sabedoria e bom senso. Apocalipse 16:12-16 descreve como a Batalha do Armagedom começara (ou como ela supostamente teve início).

“E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente. E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso… E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom”.

Aqui está mais uma pergunta: Quem conquistou Jerusalém em cumprimento desta profecia e de onde eles vieram? A posição preterista ensina que esta profecia se cumpriu no ano 70 quando o general romano Tito e seu exército conquistaram Jerusalém.

Mas Roma fica praticamente a Leste de Jerusalém, e na profecia (Ap 16:12) diz que o Eufrates secou-se de modo que os reis do Oriente tivessem acesso para fazer guerra contra Jerusalém no Armagedom. Ora, o Eufrates é citado para apontar diretamente na cabeça de Babilônia e não de Jerusalém, pois o Rio está ligado a Babilônia original. A simbologia que usa o Eufrates como figura quer esclarecer exatamente de quem se trata: Jerusalém não representa Babilônia.

Comparar com o comentário de Thomas Ice em O Preterismo e Zacarias 12-14

Roma ou Jerusalém?

images“E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra”. Apo 17:18

O testemunho da história aponta diretamente para Roma como aquela que dominou nações durante séculos, e principalmente na época que o Apóstolo João esteve preso em Patmos. Esta cidade citada acima é a mesma cidade em que nosso Senhor foi crucificado – Em Apocalipse 11:8 ela também é chamada de Grande Cidade,

“E os seus corpos mortos serão expostos na praça da grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde nosso Senhor foi crucificado”.

Esta cidade não pode ser Jerusalém, que estava destruída quando João teve esta visão. Jerusalém jamais foi chamada de Grande Cidade nesse contexto, embora a cidade do grande Rei, no entanto, não neste livro, que faz referência a cidade de Roma, ou a jurisdição romana. Por outro lado, ser chamada de cidade do grande rei, não faz dela a cidade que reinou sobre os reis da terra nos tempos de Jesus e da Igreja Primitiva – Jerusalém era província romana, cidade  pertencente ao Império Romano, Império que  reinava sobre os reis da terra, tendo Roma como seu quartel general. Veja meu artigo Onde nosso Senhor foi Crucificado

Jesus veio como o rei de Jerusalém em Mateus 21, mas Jerusalém o rejeitou. Quando Ele estava em pé diante deles sob custódia de Pilatos, Jerusalém gritou “Não temos outro rei senão César!”; eles rejeitaram o governo de Deus e apelaram para César como seu rei. Apesar de sua “repulsa” por Roma, Jerusalém afirmou César sobre Jesus.

Jerusalém voltou as costas para Deus, o que exigiu um julgamento justo por sua rejeição ao seu marido diante de seu adultério com Roma. Jerusalém andava as voltas de braços dados com a Grande Cidade, alegre por ter crucificando seu noivo. Jerusalém e Roma continuaram o seu “affair” depois de terem crucificado o Senhor em sua união, perseguindo a igreja em Atos quatro. Roma era a potência mundial que liderava muitos reis. João escrevia numa época em que Roma era a cidade que reinava sobre os reis da terra, e quando a Igreja sofreu as perseguições impetradas por Domiciano.

O Apocalipse foi escrito principalmente para sete congregações na Ásia Menor, portanto, na área central do Império Romano. E aqui entra uma questão crucial, jamais respondida pelo preterismo: Por que sete Igrejas que estavam nesta área geográfica romana deveriam receber advertências, se o livro trata de profecias sobre a iminente destruição de Jerusalém? Nenhuma carta foi escrita para a Igreja de Jerusalém, por quê? Ora, é óbvio que quando João escreveu às sete Igrejas DA ÁSIA, Jerusalém já havia sido destruída há quase três décadas. Parece lógico, então, que o oráculo contra “a grande Babilônia” seria entendido como referência ao Império Romano e sua capital, Roma.

A fim de procurar a verdadeira identidade da grande Babilônia, devemos olhar para o passado.  Obviamente, “a grande Babilônia” era uma realidade quando João concebeu o Apocalipse e essa não era Jerusalém!

De acordo com Apocalipse 17, a grande Babilônia é vista reinado sobre reis e assentada sobre muitas águas, que significa povos, línguas e nações, deixando explícito que seu governo era sobre o mundo quase todo. Todos estes argumentos representam boas razões para concluir que João fez referência a Roma, pois não sabemos de nenhuma outra cidade que exerceu tanto poder sobre os povos antes de Cristo, na época de Cristo, e por volta do primeiro século até sua queda séculos depois. Na cidade de Roma, João viu a manifestação terrena, histórica e maléfica da cidade de Satanás (situada sobre sete montanhas) do seu próprio tempo – Roma.

Sendo assim, o que é fato, podemos concluir sem sombra de dúvidas que a grande cidade mencionada em Apocalipse 11:8 é a cidade de Roma, a qual reinava sobre os reis da terra no momento que João registrava suas visões; o testemunho da história aponta diretamente para Roma, a metrópole do império romano, a qual o mundo quase todo estava sujeito, Lucas 2:1.

Além disso, ela é uma cidade construída sobre sete colinas. Essa especificação elimina a antiga Babilônia. Apenas uma cidade tem mais de 2.000 anos e foi conhecida como a cidade das sete colinas. Essa cidade é Roma. A Enciclopédia Católica afirma: “É dentro da cidade de Roma, chamada cidade das sete colinas, que toda a área do próprio Estado do Vaticano está agora confinado.” The Catholic Encyclopedia (Thomas Nelson, 1976), sv “Rome”.

O Senado romano que governou a cidade sob os Césares era conhecido como a Cúria Romana. Esse nome, segundo o Dicionário católico, é agora a designação de “todo o conjunto de serviços administrativos e judiciais por meio do qual o Papa dirige as operações da Igreja Católica”. John A. Hardon, SJ, Pocket Catholic Dictionary (Image Books [Doubleday], 1985), p. 99. 99.

Na cidade de Roma, o Senhor faz uma substituição quando o símbolo na interpretação transforma numa igreja essa Babilônia chamada de Mulher.  Mulher no contexto bíblico, principalmente em Apocalipse, significa Igreja. Ela é uma enorme metrópole religiosa que tomou o lugar da Roma dos césares.

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