A Tribulação não ocorreu em 70 dC

De acordo com o preterismo, não haverá arrebatamento, não haverá tribulação, não haverá Anticristo ou uma marca da besta – eles garantem que tudo isso já aconteceu em 70 dC.

Os preteristas fazem pleno uso da ginástica hermenêutica com voltas duplas para evitar a realidade: “que Israel voltou para sua terra e, diante dos próprios inimigos da Bíblia, está pronto para cumprir as profecias que foram anunciadas pelos profetas, as quais se realizam nos últimos dias”. Com a negação obstinada e insistente destes fatos, o preterismo ainda continua a deter um modelo ultrapassado profético.

Mais de 300 profecias do Velho Testamento, Jesus cumpriu literalmente, 30 delas no dia em que morreu. Portanto, temos a interpretação na Bíblia como a profecia é cumprida. Mudar isso é ignorar a palavra do jeito que foi escrita.

Olhe agora para as profecias da tribulação, se elas foram cumpridas na forma como a Bíblia explica. Muitas vezes não é o peso das longas explicações que justificam a posição como válida. Devemos considerar o que está faltando de tão importante para a equação. A profecia bíblica é específica e só pode ser cumprida quando todos os elementos estão presentes dentro do contexto e tomaram lugar quase sempre do jeito que está escrito. Se não, então não podemos afirmar que tenha ocorrido.

Vamos começar com a base para este ponto de vista da profecia. Em Apocalipse 1:9 está escrito: “Eu, João, seu irmão e companheiro na tribulação…”.

Os preteristas assumem a posição de que João escreveu o Apocalipse antes de 70 dC, que alegam ser a tribulação. Se João menciona a tribulação, significa que a grande tribulação ocorreria imediatamente antes da destruição de Jerusalém. De acordo com o Preterismo João está dizendo que ele é seu companheiro [de Jerusalém] na grande tribulação que estava por vir sobre eles.

Jesus muitas vezes usou a palavra tribulação, e cada vez que Ele descreveu a Tribulação ela tinha uma qualificação. Jesus acrescenta à palavra tribulação uma outra palavra: grande (grego-megas), para significar superior ou grande, que intensifica o significado. Em seu contexto, toda a terra e seu ambiente serão atingidos e tornará uma panela de pressão. Será a última tribulação desse tipo, e irá terminar somente por Sua vinda a Terra.

Verso chave

Apo. 3:10 “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que virá sobre todo o mundo, para tentar os que habitam sobre a terra.”

Obviamente o mundo inteiro será envolvido neste julgamento, não é apenas isolado para Israel. Esta seria a Grande Tribulação mencionada por Jesus,

Matt 24:21: “Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até este momento, nem haverá jamais.”

Atente para o detalhe quando o verso afirma que igual a essa tribulação “não haverá jamais” outra. Segundo os preteristas, na “grande tribulação” que veio sobre Jerusalém em 70 dC, um milhão de judeus foram mortos e outras desgraças ocorreram. No entanto, em outra tribulação, envolvendo os mesmos israelitas – o Holocausto de Hitler – morreram, entre judeus e não judeus, aproximadamente 40 milhões de pessoas.

Alguns preteristas tentando dramatizar o sofrimento dos judeus em 70 dC, e querendo dar ênfase à tão terrível tribulação com a intenção de rotular como catástrofe exagerada para que se entenda que igual aquela jamais haverá outra, lembram que na fome que se alastrou dentro da cidade matavam-se os próprios familiares para servir de alimento. O problema é que na tribulação do holocausto, judeus foram transformados em carteiras – os alemães usavam pele humana (dos judeus) para várias outras utilidades. Por outro lado a segunda guerra mundial pode ser citada como a pior tribulação de todos os tempos até o presente momento. Logo, a tribulação a qual Jesus faz referência no verso acima, ainda não ocorreu.

Temos de olhar para a palavra e a DESCRIÇÃO Bíblica desta grande tribulação e entender a diferença entre tribulação, que vem a todos os santos, e a tribulação que será o julgamento da ira de Deus sobre TODO O MUNDO. É isso mesmo, Jesus fala que essa tribulação “virá sobre todo o mundo” (Apo. 3:10) e não apenas sobre Jerusalém.

Agora vamos ler novamente Apocalipse 1:9: “Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na tribulação, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.”

Tribulação – Grego – thlipsei: pressão (literal ou figurativamente):

Aflitos (- ção), angústia, sobrecarregados na perseguição.

João não fez referência ao que Jesus diz em Mat 24:21, 22: “… Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até este momento, nem haverá jamais. E se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria, mas por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados“.

Só o Senhor Jesus pode parar essa tribulação na ocasião do seu retorno, quando finalmente irá destruir os exércitos do mundo que se reunirão contra ele. Isso não aconteceu como previsto. O Senhor Jesus não voltou durante a batalha do Armagedom, porque essa batalha não ocorreu da forma como foi escrito.

Promessa de redenção para Israel na Tribulação

Jeremias 30:7-11

Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Porque será naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço, e quebrarei os teus grilhões; e nunca mais se servirão dele os estrangeiros. Mas servirão ao Senhor, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei. Não temas, pois, tu, ó meu servo Jacó, diz o Senhor, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei de terras de longe, e à tua descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize. Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te salvar; porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida, e de todo não te terei por inocente.”

A promessa para a Babilônia de Apocalipse é destruição sem chances de recuperação, o que não pode ser uma palavra para Jerusalém que no fim dos tempos descansará em paz…

Observem algumas frases: “nunca mais se servirão dele os estrangeiros”, “te livrarei de terras de longe”, “e Jacó voltará, e descansará”, “darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei e ficará em sossego”.

As nações serão punidas, o que ainda não ocorreu,

Zacarias 14:2 “… eu ajuntarei todas as nações para a batalha contra Jerusalém“. Esse encontro de “todas as nações da terra” (Zacarias 12:3) contra Jerusalém nunca ocorreu.

O que não aconteceu em 70 dC prova que o Preterismo é falso!

A Grande Apostasia aconteceu em 70 dC!

De acordo com Preterismo não há apostasia aumentando à medida que avança a história, em vez disso, devemos aguardar a cristianização do mundo. A Grande Apostasia teria acontecido no primeiro século, enquanto os apóstolos ainda estavam vivos construindo a igreja, e terminou completamente em 70 AD, enquanto João continuou a viver.

1 Tm. 4:1: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé.” Estes são os últimos dias mencionados em Miquéias 4:1 “MAS nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e a ele afluirão os povos“. A diferença é que 1 Timóteo 4 precede Miquéias 4.

Os preteristas logo que veem a palavra últimos dias e últimos tempos afirmam ser os últimos dias de Jerusalém – ainda mais quando estas palavras aparecem seguidas de outras, como: destruição, cólera, ira, julgamento, apostasia e semelhantes. Porém, o problema é que quanto mais tentam argumentar, mais se atrapalham. Por que? Porque é inaceitável manter a tese de que uma apostasia foi concluída antes de 70 dC, quando a igreja tinha apenas começado a aumentar e se espalhar para outras regiões, além de Israel. Também não vemos a casa do Senhor estabelecida no Israel de 70 dC, para onde “afluirão todos os povos” como diz a passagem paralela de Miquéias.

Na Tribulação há 144.000 Judeus ungidos para o Ministério.

Os 144.000 evangelistas judeus vêm de todas as tribos, o que nunca aconteceu da forma como é descrito antes de 70 dC, nem o resultado de sua pregação: Apoc 7:9 “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.”

E os versos 13 e 14 concluem: “E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”

Repare que eles são salvos de todas as nações, (não apenas da província romana), era “uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas.

Tratado de paz

Um acordo é feito com Israel, um tratado de paz que começa antes da tribulação. Claro que os preteristas têm que mudar esta escritura óbvia e achar um significado alternativo para adicionar outro tijolo no muro e construir seu argumento. Alguns dizem que Daniel 9 refere-se a aliança de Jesus, que é uma interpretação terrível.

Dan. 9:27 “Então, ele deve confirmar uma aliança com muitos por uma semana, mas no meio da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta.” A palavra para aliança é beriyth, que é a mesma palavra hebraica para aliança em outros lugares. A palavra ‘fim’, ou desistir é shabat, que todos nós podemos reconhecer como a palavra para repouso ou desistir, parar de trabalhar.

Por que todas as nações parceiras querem levar Israel a assinar um tratado de paz hoje? Rumores de paz estão constantemente ocorrendo, mas isso tudo não significa nada para um preterista…

O mundo inteiro está querendo ver esse tratado de paz feito que a Bíblia menciona em 1 Tess. 5:2-3 “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.”

Há um problema seríssimo com a interpretação preterista desta passagem, a qual, segundo eles, deve ser entendida dessa forma,

“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando [os habitantes de Jerusalém] disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.

O exército romano veio como um ladrão na noite? Houve paz e segurança nos anos que antecederam a destruição de Jerusalém? Óbvio que não, pois Jerusalém estava debaixo do domínio opressor romano desde antes do nascimento do Senhor. Por outro lado jamais foi feito algum acordo de paz entre Israel ou quem quer que seja.

O mundo verá esta aliança como os meios para pôr fim à guerra e ter segurança no Oriente Médio, mas em vez disso, essa aliança vai trazer o pior pesadelo para o mundo.

O Homem do Pecado

2 Tessalonicenses 2:3-4, diz: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a grande tribulação e o dia do Senhor] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.

Os preteristas reivindicam que Nero foi o anticristo, mas dificilmente ele seria o homem adequado que a Bíblia descreve. Nero jamais esteve em Jerusalém, e mesmo que possa ser um tipo daquele que “vem”, ele não cumpriu os detalhes da profecia bíblica. E além disso tudo, ele não assinou nenhum pacto com Israel imediatamente antes da Tribulação. As pessoas não fugiram de Jerusalém por causa de Nero indo para o templo declarando-se Deus – ele não entrou no templo depois de três anos e meio do acordo ter sido assinado (Dan. 9: 27). Novamente, se a profecia não está concluída da forma como foi escrito, então não foi cumprida, ainda não ocorreu!

Para um preterista, qualquer professor apóstata ou o seu sistema religioso pode ser chamado de “anticristo”; eles afirmam que o termo não descreve nenhum ditador individual. Como não?

João diz que o espírito do anticristo já estava em ação (1 João. 2: 21; 4:1-4) e havia muitos anticristos que vieram (1 João 2:15-18), mesmo em seu dia. Porém, há um (singular), o homem do pecado. O Anticristo é um homem que vai estar em um templo literal – essa é a conclusão de muitos estudiosos – reconstruído em Israel, declarando-se Deus, e vai causar uma abominação desoladora. Ninguém em 70 dC, no Templo de Herodes, exigiu algo semelhante ou se exaltou como sendo Deus.

A Teologia Escatológica Convencional ensina que a abominação da desolação é o anticristo assumir o culto do templo judeu por se sentar no lugar Santo, declarando-se Deus – concordo em parte com essa interpretação, mas mesmo assim estou usando a tese convencional como base para este artigo. A Bíblia também diz que o Anticristo vem acompanhado por sinais, prodígios e milagres,

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira“, 2 Tess. 2: 9

E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra [de Jerusalém] que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia“, Apoc. 13: 14

Onde estão os registros desses fatos antes de 70 dC? Quando foi que Jerusalém fez uma imagem de alguém que foi mortalmente ferido a espada? Quando foi que Nero, ou quem quer que tenha sido o anticristo dos preteristas, fez sinais e prodígios para enganar, para convencer as pessoas a segui-lo, mesmo os eleitos?

Por um lado para reivindicar que Nero foi o homem do pecado, os preteristas são obrigados a confessar que Jesus já voltou, pois é o Senhor que destrói o homem do pecado pelo esplendor da sua vinda. O problema é que Nero cometeu suicídio dois anos antes de Jerusalém ser destruída…

Se seguirmos a interpretação preterista, devemos concluir que o Anticristo Nero foi destruído pelo Senhor em sua Vinda, e ao mesmo tempo em que Jesus o destrói, Ele destrói também seu exército juntamente com ele. Essa é a descrição bíblica da destruição do Anticristo, basta ler Apocalipse 19, um capítulo após a destruição de Babilônia. É isso mesmo, Jesus destrói “Nero e seu exército” depois da queda de Jerusalém ( Apoc 19:1, atente para as palavras “Depois destas coisas…”). Ops! Qual preterista esperava por essa? A coisa ficou feia agora, pois Nero já estava morto antes de Jerusalém ser atacada!

Mas, o que estou lendo aqui? Apocalipse 19 afirma que Jesus destrói o Anticristo e todo o seu exército, um banho de sangue diferente de qualquer outro:

E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…””. Apoc 19:19,20,21

Isso vai ocorrer imediatamente após a Segunda Vinda de Jesus, o que não pode ser um cumprimento da Escritura em 70 dC, pois Jesus não voltou naquela ocasião, e muito menos acabou com o Anticristo e seu exército: “E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da Sua vinda… “, 2 Tessalonicenses 2:8-9.

Quando Jesus vier, ele destrói os exércitos do mundo e o homem de Satanás é a primeira vítima. Quando isso aconteceu em 70 dC? Em 70 dC Tito e seu exército foram os vitoriosos.

Queria muito saber onde os preteristas podem encaixar em 70 dC os acontecimentos de Apocalipse descritos acima, se o exército romano e seu suposto Anticristo foram os vencedores. Atentem para os detalhes,

“… E a besta foi presa, e com ela o falso profeta… Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…”.

É isso que chamo de contradição das contradições!

Os Habitantes da Terra de Canaã

Apocalipse 3

10 “Porque guardaste a palavra de minha paciência, também eu te guardarei da hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro, para provar os habitantes da terra”.

Acreditem ou não, mas um preterista afirmou com toda convicção:

“Sobre a tentação que vira sobre o mundo, seria apenas para provar os habitantes da terra; habitantes da terra era a forma teológica que os profetas designavam para os habitantes de Jerusalém”.

… Continua o preterista: “…  podemos ler que as tribulações viriam sobre os Habitantes da Terra, logo  (os protestantes)  ligam essa frase (Habitantes da Terra) como se fosse ligado aos Habitantes de todo o nosso planeta. Em algumas traduções da Bíblia protestante, “traduções malignamente adulteradas”, está escrito (os que Habitam sobre a terra), isso é só mais uma de suas adulterações, pois a frase correta é esta: (HABITANTES DA TERRA).” 

E acrescenta, 

“… essa frase tem um sentido simbólico, também foi usado pelos Profetas do (AT) para identificar os Judeus que viviam em Jerusalém; esse termo “Habitante da Terra” provém de Habitantes da terra prometida, ou seja, Habitantes de Canaã”. 

Como a visão dele é preterista, e ele acredita que o Livro de Apocalipse fala da destruição de Jerusalém, e que todo o Livro profético já teve cumprimento, então concluiu – na marra – que habitantes da terra é uma referência aos moradores de Jerusalém vítimas da invasão romana em 70 dC.

Aqui vai uma pergunta  bem oportuna: por que Deus avisaria a uma Igreja que ficava a uma distância enorme da Judéia que ela seria guardada da hora da provação que viria sobre Jerusalém? A Igreja de Filadélfia  ficava a centenas de quilômetros de Jerusalém e certamente jamais seria atingida por Roma.

Mas tem um detalhe curioso no texto quando diz sobre a “provação que está para sobrevir ao mundo inteiro”, e em seguida diz que essa provação é “para provar os habitantes da terra”.

A provação está para vir sobre todo  o planeta, mas garante o preterista que ela já veio sobre os  habitantes de Jerusalém em 70  dC. Parece que ele nem percebeu a expressão “mundo inteiro”, descrevendo que a provação seria de âmbito global. Ele simplesmente interpreta habitantes da terra como sendo os habitantes da terra de Jerusalém. E mundo inteiro é o que?

“… hora da provação, que está para sobrevir ao mundo inteiro…”

Significado de Mundo Todo

Apocalipse 3:10  “… Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que virá sobre todo o mundo [oikoumenes], para tentar os que habitam sobre a terra [ges].

A utilização do escritor tanto de oikoumenes e ges [Terra] neste versículo, comunica muito claramente o que ele pretendia transmitir através da palavra oikoumene: O mundo todo, no sentido de toda a terra.

Aqui estão mais algumas passagens que usaram oikoumene com a óbvia intenção de transmitir o seu significado primário, ou seja, o mundo todo.

Lucas 4:5 Então o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe todos os reinos do mundo [oikoumenes] em um momento de tempo.

Este é um versículo da tentação de Jesus no deserto, que ocorreu após o seu batismo no rio Jordão. Aqui temos a mesma expressão usada em Apocalipse 3:10 na referência sobre “mundo”, que antecede a palavra habitante da terra. O significado é “terra habitada” e “o mundo habitável”, respectivamente.

O preterismo insiste, argumentando o contrário, que ge [terra] não significa terra, mas apenas o sentido de “terra” dentro de uma determinada região, por isso eles concluem que a hora do julgamento estava chegando através do Império Romano para testar os habitantes da “terra” de Jerusalém.

Toda  Terra

E sobre a palavra grega ge? Em Mateus 24:30, quando Jesus disse que “todas as tribos da terra” se lamentariam, será que ele quis dizer apenas as “tribos” na “área limitada” da terra ao redor de Jerusalém?

“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória”.

E em Lucas 23:44, na ocasião da crucificação de Jesus, quando afirma que uma escuridão caiu sobre a “terra inteira [gen]”, foi apenas sobre a terra ao redor de Jerusalém?

“E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol”.

E aqui entra outra questão: Por que Apocalipse, Mateus e referências, quando mencionam habitantes da terra ou similares, não fez como em muitas outras passagens como estas abaixo que revelam o sentido limitado de terra dentro de uma região? Observem que aqui lemos sobre “a terra do Egito “ou” a terra de Israel“,

Mateus 11:24  Mas eu vos digo que haverá menos rigor para a terra [ge] de Sodoma, no dia do juízo, do que para você.

João 3:22  Depois disto foi Jesus e seus discípulos entraram na terra [gen] da Judéia, e ali permaneceu com eles e batizava.

Hebreus 8:8-9  Porque repreendendo-os, Ele diz: “Eis que vêm dias, diz o Senhor, quando farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá – não de acordo com a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para levá-los para fora da terra [ges] do Egito, porque não permanecerdes na minha aliança, e eu desconsiderada, diz o SENHOR”

Mateus 14:34  Quando eles tinham atravessado, chegaram a terra [gen] de Genesaré.

Atos 13:17-19  “O Deus deste povo de Israel escolheu a nossos pais, e exaltou o povo, sendo eles estrangeiros na terra [ge] do Egito; e com braço poderoso os tirou dela; E suportou os seus costumes no deserto por espaço de quase quarenta anos. E, destruindo a sete nações terra [ge] de Canaã, deu-lhes por sorte a terra [ge] deles”.

Estes são apenas alguns dos muitos exemplos do Novo Testamento que mostram como a palavra grega ge foi usada quando o significado era apenas aplicado a uma região em vez de toda a terra. Por isso, se os escritores sinópticos queriam deixar entendido que a escuridão que caiu ao meio-dia – na ocasião da crucificação – em apenas uma região, eles certamente teriam escrito que houve trevas na terra [gen] da Judéia ou Jerusalém. Em vez disso, eles disseram que havia trevas sobre “toda a gen”, ou seja, “toda a terra habitada”.

Não seria difícil para João acrescentar os detalhes desejados pelos preteristas se ele pretendia passar o mesmo entendimento aos seus leitores em Apocalipse. Bastaria ao Apóstolo apenas adicionar uma palavra no texto em estudo, se ele realmente fazia referência à terra de Israel. Por exemplo, acrescentar a palavra Jerusalém em Apocalipse 3:10,  “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que virá sobre todo o mundo, para tentar os que habitam sobre a terra [de Jerusalém]”. O que não faz nenhum sentido, pois se é para o mundo todo não poder ser restrito ao território judeu.

Atente para mais esse  trocadilho abaixo, em Lucas 21:25, 26,

“Haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas”.

Apenas observem o tremendo estrago na doutrina preterista se acrescentamos a palavra Jerusalém depois da palavra terra,

Haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra [de Jerusalém] angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas”.

Aqui acaba o preterismo!

“… na terra de Jerusalém angústias das nações…”.

A expressão que indica uma reviravolta em todo o planeta acerta em cheio a heresia preterista, quando o texto acima acrescenta sobre as “coisas que sobrevirão ao mundo“.

E a sentença final da passagem registra que as calamidades descritas em boa parte do contexto alcançarão toda a terra,

“E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia.     Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra”, vv 34,35

Durante todo o Novo Testamento, os contextos determinam quando  ge estava sendo usado no sentido de toda a terra. Porém, desde que o significado de ge como o usado por Mateus está em disputa, vou apenas citar aqui exemplos de seu evangelho.

Mateus 5:18  Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra [ge]  passem nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.

Mateus 5:34-35  Mas eu vos digo, não jureis: nem pelo céu, porque é o trono de Deus, nem pela terra [ge], pois é escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.

Mateus 6:9-10  Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra [ges como no céu;

Mateus 6:19-20  Não ajunteis para vós tesouros na terra [ges], onde a traça e a ferrugem corroem e onde os ladrões minam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem destroem, e onde os ladrões não arrombam e furtam.

Mateus 9:4-6 Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, disse: Por que pensais mal em vossos corações? Pois, qual é mais fácil? dizer: Perdoados te são os teus pecados; ou dizer: Levanta-te e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem na terra [ges]  autoridade para perdoar pecados (disse então ao paralítico): Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa.

Mateus 11:25  Naquele tempo, Jesus respondeu, e disse, “Eu Te agradeço, ó Pai, Senhor do céu e da terra [ges], que ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos”

Existem vários outros exemplos em Mateus, mas estes são suficientes para chegarmos ao ponto preterista. Quando ge foi usado, o contexto indica se ele estava sendo usado para significar a terra inteira ou apenas uma área regional de terra ou simplesmente terra ou sujeira. Um exemplo deste último é Mateus 13:5, onde numa das parábolas, Jesus se referiu a semente que caiu em pedregais, onde não tinha “boa terra [gen]”, e assim as plantas secaram e morreram por não ter “profundidade na terra [ges]”. Aqui a palavra ge, usada duas vezes, obviamente não significa nem o planeta e nem toda uma área regional de terra, mas terra ou sujeira.

Este ponto foi desenvolvido longamente, porque o significado de Mateus 24:29-30 é crucial para a posição preterista. Outro detalhe que o texto apresenta, é o que acontecerá imediatamente após a tribulação descrita no contexto: A Volta do Senhor.  Atentem para as expressões “logo depois” e “em seguida”.

Logo depois da tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, as estrelas cairão do céu, e os poderes dos céus serão abalados. Em seguida, o sinal do Filho do Homem aparecerá. no céu, e então todas as tribos da terra [gesse lamentarão e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.”

Obviamente a palavra não foi usada para apontar apenas os habitantes “de Jerusalém” ou “da Judéia” contemplando o “filho do homem na sua vinda.” Mateus sabia o que estava fazendo quando usou ge no sentido restrito (2:6; 2:20-21, 4:15; 10:15, 11:24; 14:34). O Espírito Santo não seria tão descuidado ao “inspirar” tal ambigüidade em uma passagem tão importante para uma doutrina central bíblica. Tudo o que o Espírito Santo tinha a fazer era dirigir Mateus para escrever “ges de Jerusalém “ou” ges de Judéia”, e os preteristas não estariam tendo essa discussão.

Existe uma ligação estreita entre todo este contexto e Zacarias 12. Os Preteristas cometem o mesmo erro em ambas as passagens ao  tentar limitar o âmbito de Israel e Jerusalém. Mas a passagem de Zacarias claramente descreve um tempo “quando todas as nações da terra se reuniram contra [Jerusalém]“ (Zc. 12:3). E o resultado da batalha é completamente diferente do que a destruição de Jerusalém em 70 dC: “Naquele dia o Senhor defenderá os habitantes de Jerusalém… Eu tratarei de destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém” (Zc. 12:8-9). Mas nada do tipo aconteceu em 70 dC.

O contexto mundial, portanto, é evidente em cada passagem do último Livro das Escrituras nas expressões “O mundo todo e habitantes da terra”. Assim, quando Apocalipse diz que “aqueles que habitam sobre a terra” (Ap  3:10; 6:10; 8:13; 11:10 [duas vezes]; 13:08, 12,14 [duas vezes]; 17:2, 8) são os objetos da ira que está retratado em suas páginas, as evidências apontam para a natureza multi-étnica deste grupo, o que indica uma área mais ampla do que apenas a terra de Israel como argumentam os  preteristas.

Outra evidência contra a tentativa preterista para interpretar o Apocalipse como um Livro que trata do julgamento de Israel em 70 dC, se encontra em uma comparação de Ezequiel 3 com Apocalipse 10. Aos dois profetas,  Ezequiel e João, são dados livros para comer. Ambos os livros são doce ao paladar, mas amargo, uma vez digerida. Ambos os livros contêm profecias. No entanto, há uma diferença significativa entre o que Ezequiel e João ingeriram: Ezequiel come uma mensagem destinada a Israel, mas João come uma mensagem para todas as nações. A Ezequiel é ordenado  profetizar a “casa de Israel, não a muitos povos de fala estranha” (Ez 3:1- 6), enquanto a  João é dito: “que profetizes outra vez a  muitos povos, nações, línguas e reis” (Ap 10:11). A mensagem de João é sobre muitos povos, nações, línguas e reis. Que mais poderia Deus dizer para fazer com que a mensagem de Apocalipse é claramente de extensão global?