O Anticristo em 70 DC

Segundo a doutrina preterista, o Anticristo, que é a besta, e o falso profeta, já foram lançados vivos no lago de fogo.  Apocalipse 19 afirma que esses homens foram finalmente destruídos depois que o Senhor Jesus julgou Jerusalém em 70 dC: “Caiu, caiu, a Grande Babilônia” (Ap 18:2).

Para os preteristas, essa passagem descreve a queda de Jerusalém em 70 dC, a qual eles chamam de Babilônia. Essa deve ser a teoria aceita se seguirmos a cronologia dessa confusa doutrina. Leiam o que aconteceu logo depois da suposta destruição de Jerusalém: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (Apo 19:20). O destino deles está no capítulo seguinte, o 19, que começa dizendo: “… E, DEPOIS destas coisas …” (Ap 19:1).

O preterista é obrigado a admitir que isso aconteceu imediatamente após a derrocada da Cidade Santa. Precisamos apenas unir as passagens dessa forma: “… E, DEPOIS destas coisasa besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre

Para a maioria dentro do Preterismo a besta era o imperador romano Nero ou mesmo seu sucessor. Mas Nero suicidou-se dois anos antes de Jerusalém ser destruída. Na verdade, Jerusalém foi destruída sob o imperador romano Vespasiano, não Nero. Além disso, nem Vespasiano e nem o seu general, Tito, foram mortos em Jerusalém com seus corpos “lançados vivos no lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 19: 20).

Deixe-me explicar melhor para que você tenha uma visão mais precisa. Se o capítulo 18 trata da destruição final de Jerusalém, a Grande Cidade, a Grande Babilônia, como ensina a escola preterista, obviamente devem eles concordar que a besta e o falso profeta, que aparecem finalmente destruídos em Apocalipse 19, são os mesmos mencionados em todo o Livro profético. Além disso, eles são forçados a identificar estes indivíduos como sendo ditadores romanos. Assim, se seguimos esta tese devemos concluir que estes personagens reais foram “lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (19:20) imediatamente após a derrubada de Jerusalém em 18:2.

Se observarmos no capítulo 19 descobrimos que a besta e o falso profeta foram instrumentos do julgamento de Cristo que havia supostamente voltado.  Quem os julga e os lança no lago de fogo é o próprio Jesus na manifestação da sua Segunda Vinda, a qual os preteristas vergonhosamente alegam já ter ocorrido. Portanto, deve-se perguntar: Quem era o falso profeta e o anticristo nessa ocasião? Uma vertente dessa doutrina já declarou que ele foi o imperador romano, Nero.

Essa loucura preterista não termina aqui; muitos chegaram ao absurdo de interpretar que a besta e seus exércitos avançam vindo de Roma contra Jerusalém, mas isto dificilmente pode ser verdade, pois Tito ( onde estava Nero? ) e seu exército foram os vencedores em 70 dC, enquanto Apocalipse diz que “a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e contra os seus exércitos” (Apocalipse 19:19), foram os perdedores.

Perguntas que precisam ser respondidas pelos Preteristas

A teoria preterista passada não corresponde aos fatos, pois a queda de Jerusalém em 70 dC não extinguiu o anticristo. Nem a morte da “besta” (que segundo a interpretação destes tem que ser Nero), e nem os milhares de judeus mortos no cerco de Jerusalém, pôs fim ao anticristo.

E tenha em mente: O falso profeta e o anticristo, que aparecem nos capítulos anteriores de Apocalipse 18, capítulo que trataria da queda de Jerusalém, são vistos no capítulo 19 sendo lançados no lago de fogo.Se Apocalipse 18 já teve cumprimento, mas Apocalipse 19 não, então essa aberrante doutrina está com um enorme problema para resolver. E pior, se garantem que Apocalipse 19 já teve cumprimento eles precisam provar que Jesus já retornou, pois esse capítulo, entre outras coisas, trata da sua Segunda Vinda do Senhor.

Segue abaixo alguns questionamentos para o Preterismo

1. Será que os que habitavam na terra antes da destruição de Jerusalém se maravilharam com Nero se recuperando de uma ferida mortal (Apocalipse 13:3)?

2. Será que Nero, ou qualquer anticristo romano, teve um falso profeta com dois chifres como um cordeiro (Ap 13:11, 12), fazendo com que todo o mundo o adorasse?

3. Será que Nero teve um falso profeta, que produziu um espetáculo cósmico fazendo fogo cair “do céu à terra, à vista dos homens” (Apocalipse 13:13)?

4. Será que Nero teve um falso profeta, que fez uma estátua do próprio Nero para todo o mundo adorar, fazendo-a falar, a fim de enganar o mundo inteiro a adorar o imperador (Apocalipse 13:15)?

5. Será que Nero teve um falso profeta que impôs uma marca na testa ou na mão de todo o mundo habitado da época ao ponto de ninguém poder comprar ou vender (Apocalipse 13:16)?

6. Será que as duas testemunhas, que transformaram água em sangue, atingiram toda a terra com a seca durante os 3 anos e meio da tribulação que precede o ano 70 dC? Será que Nero matou-os? Será que eles estavam mortos nas ruas de Jerusalém com todo o mundo presenciando a cena? Quando, imediatamente antes da queda de Jerusalém, pessoas de todo o mundo enviaram presentes uns aos outros por tão grande triunfo sobre as duas testemunhas? (Ap 11,3-10)

7. Será que um grande número de todas as tribos, e povos, e línguas, que ninguém podia contar, saíram da tribulação (Ap 7:9-17) que precedeu a destruição de Jerusalém em 70 dC?

8. Foi o anticristo,”que se opõe e se exalta acima de tudo que se chama Deus ou é objeto de adoração, de modo que se assentará como Deus no templo de Deus mostrando-se que ele é Deus”, destruído “pelo esplendor da vinda de Cristo” (2 Ts, 2:4) em 70 dC?

Um grande número de mártires, que são de todas as tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar, segundo a interpretação preterista, vieram da tribulação que houve antes da queda de Jerusalém. Devo mencionar aqui que por esse motivo eles não crêem numa Grande Tribulação futura, pois afirmam com veemência que esse evento narrado nas Escrituras já ocorreu com os judeus antes das destruição da cidade.

No entanto, o preterismo precisa explicar o que um número incontável de pessoas de todas as tribos, povos e línguas estavam fazendo apertadas na cidade de Jerusalém, e porque foram ali martirizadas juntamente com os judeus em 70 dC.  Um certo preterista, tentando escapar da verdade óbvia, argumentou  que Jerusalém teria recebido milhares de pessoas oriundas de várias partes do mundo nas suas festas anuais, o que, consequentemente, causou um fluxo enorme de povos amontoados entre os habitantes da cidades, e que teriam ficado retidas alí por causa do cerco romano. Como referência ele usou Atos 2;5-11.

É bastante improvável que os forasteiros tivessem permanecido/entrado na cidade por causa do cerco romano. As manobras do exército inimigo durou seis meses, tendo início em 66 dC; e como, muitíssimo provavelmente, já era notícia entre outros povos, isso certamente impediu qualquer judeu de outras partes do mundo de viajar para celebrar suas festas anuais. Além disso, se considerarmos que os rumores sobre o avanço das tropas do general Tito para a cidade de Jerusalém já haviam chegado em várias partes do mundo, podemos concluir que não havia mais forasteiros em Jerusalém nem mesmo antes da época ao cerco iniciado em 66 dC. Basta lembrar da Igreja que não estava mais na Cidade Santa na ocasião da invasão – os cristãos já haviam escapado para a região de Pela.

Nero não foi o Anticristo

Os preteristas acreditam que o Livro do Apocalipse é um relato profético sobre as coisas que já foram cumpridos, e buscam por toda parte, em registros históricos do primeiro século [principalmente em Josefo], e em tudo que podem na tentativa de encontrar  detalhes que evidenciam o cumprimento das profecias contidas neste Livro.

Como dito anteriormente, eles ensinam que o Anticristo, também conhecido como “a besta”, era o imperador romano Nero. Isso não é verdade, o imperador romano Nero não foi o Anticristo como muitos preteristas alegam.

Poderia esta passagem sobre o Anticristo (2 Tess. 2:8,9) ser uma referência para o imperador romano Nero?

E então o iníquo [que é um dos títulos atribuídos ao Anticristo] será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda.

Como a Bíblia diz – o iníquo, o anticristo – será destruído por Cristo. Quando isso vai acontecer? Observe o versículo novamente: “E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda”.

A Bíblia ensina que esse iníquo será levado a termo pelo próprio Senhor em sua “vinda”. Bem, este versículo apresenta alguns problemas sérios para os preteristas.

Isso não ocorreu com Nero!

Para quem está familiarizado com a história do primeiro século sabe que Nero se suicidou aos 31 anos de idade, cortando sua própria garganta. [Fonte: “uma adaga em sua garganta“, Suetônio – c.69 – c.140, A Vida dos Doze Césares]. Longe de ser consumido pelo sopro de Cristo na sua vinda, Nero tirou a própria vida.

Isso não é tudo…

Nero cometeu suicídio dois anos antes da destruição de Jerusalém!

Os preteristas (os parciais incluídos) acreditam que a profecia de Jesus sobre sua vinda em Mateus 24, foi cumprida em 70 dC, espiritualmente. Mas Nero comete suicídio em junho de 68 dC, dois anos antes do ano 70 dC, ano em que Jesus veio !!!A verdade é que o suicídio de Nero, dois anos antes da destruição de Jerusalém, está longe de ser um cumprimento do que 2 Tessalonicenses 2:8 diz que vai acontecer com o Anticristo.

Observe 2 Tessalonicenses 2:3-4: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a Vinda de Jesus] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”.

Por pior que fosse, Nero não era um enganador parecido com um cordeiro que enganava os cristãos, apesar de ter usado força bruta. Nero não era um traidor da fé cristã como Judas Iscariotes (isto é, ‘filho da perdição’). Pelo que sabemos, ele nunca professou ser cristão, e ninguém o confundiu com um cristão. Alem disso, Nero nunca fez nenhum ‘sinal e maravilha’ que enganasse as pessoas.  

Impossível concluir que o Anticristo tenha sido um personagem que viveu vinte séculos atrás e que foi destruído pelo próprio Cristo; a  profecia diz que esse indivíduo será “destruído com o resplendor da Sua vinda” (2 Tess 2:8). Isso não ocorreu – Jesus ainda não veio!

Existem outros problemas insuperáveis quando se trata do ensino aberrante de que Nero era o anticristo. Daniel 9:27 diz que o príncipe que há de vir, que muitos entendem ser uma referência do Antigo Testamento para o futuro líder mundial, faria um pacto de sete anos relativos a Israel. Nero nunca fez nenhuma aliança desse tipo; segundo muitos interpretes das Escrituras, II Tessalonicenses 2:4 diz que esse futuro líder mundial vai ter seu assento no templo de Deus, apresentando-se como sendo Deus. Isso nunca aconteceu. Nero jamais esteve em Jerusalém.

O sinal na mão ou na testa

Segundo o preterismo a grande tribulação ocorreu antes de 70 d.C, aos dias que antecederam a destruição de Jerusalém. Nessa tribulação o anticristo pôs um sinal na testa ou na mão de pessoas do MUNDO TODO!

Apoc 13:14-17, diz: “E engana os que habitam na terra… E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”.

Se a grande tribulação descrita em Apocalipse e em Mateus 24 são as mesmas, então o Anticristo – que para os preteristas foi Nero, obrigou o MUNDO INTEIRO a ter um sinal na mão direita ou na testa antes de 70 d.C – nada disso jamais ocorreu sob o governo de nenhum líder mundial, nem mesmo Nero, nem até a presente data.

A guerra era apenas entre Jerusalém e Roma; a “tribulação” ocorria numa pequena região da Judéia, mas não se sabe por que aparece uma figura sinistra, no caso o Anticristo, e resolve colocar um sinal na testa ou na mão de povos distantes da batalha entre as duas nações: “… E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas”, 14,17.

Quem recebesse o numero participaria da economia global (13:16-18). O mundo inteiro foi coagido a adorar uma imagem de Nero, pois ele ressuscitou (13:14, 15). Ele recebeu veneração de todo o planeta (13:8).

 

Onde estão as evidências  que comprovam que isso tenha ocorrido em todo o mundo habitado antes da destruição de Jerusalém?

Vamos aguardar a resposta preterista…

 

 

 

Babilônia e o Sangue dos Apóstolos

Lucas 11:49-51 “… Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros; Para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado; Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração…”.

Aqui o Senhor Jesus sentencia “Jerusalém” a uma pena terrível quando joga sobre seus ombros toda a responsabilidade pelas mortes dos profetas do Antigo Testamento.

No entanto, fica uma lacuna, pois se comparamos esta palavra com outra sentença em Apocalipse que descreve a queda de Babilônia descobrimos algo curioso. Observamos que Deus exige de Babilônia o sangue dos profetas, o sangue das testemunhas de Jesus e o sangue DOS APÓSTOLOS. Podemos inferir pelo contexto de Lucas que os Apóstolos foram perseguidos por Jerusalém, mas não mortos por ela. Note abaixo que a profecia em Apocalipse incluiu Apóstolos e testemunhas de Jesus.

Apocalipse 18

20 Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela.

24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos [Apóstolos], e de todos os que foram mortos na terra.

Apocalipse 17

6 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos [Apóstolos], e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

Além disso, Jerusalém jamais poderia ser responsável pelos milhões de cristãos que foram martirizados depois de sua destruição. E aqui entra mais uma questão crucial que precisa ser respondida pelo preterismo: Por que a sentença muda em Apocalipse quando responsabiliza Babilônia pelo sangue de todos que foram mortos sobre a terra, omitindo a expressão “desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias”, se o julgamento é mesmo sobre a Jerusalém de 70 dC?

Lucas escreveu seu Evangelho por volta de 60; uma vez que a conclusão de Atos mostra Paulo em Roma, sabemos que o Evangelho de Lucas foi escrito antes disso (Atos 1:1). Por outro lado, se Lucas tivesse escrito seu Evangelho depois de 70 dC, certamente falaria sobre a destruição de Jerusalém. Portanto, se seguimos a cronologia preterista, João já estava em Patmos se preparando para escrever sobre as visões do Apocalipse ao mesmo tempo em que Lucas escrevia o Evangelho. Se fosse mesmo verdade que os dois escritores estavam tão perto um do outro na escrita, por que em Apocalipse João não repete a sentença, “a vingança pelo sangue de Abel até Zacarias“, mas ali fala de Apóstolos e testemunhas de Jesus? Testemunhas de Jesus e apóstolos só poderiam ter sido martirizados depois da morte do Senhor. O que temos aqui é muito sério, e nos estimula à uma pergunta importante: Quantas testemunhas do Senhor Jesus e Apóstolos morreram antes de 70 dC ao ponto de Apocalipse conclamar que se alegrem pela vingança de seu sangue? Por que este movimento todo para vingar uma dúzia de testemunhas do Senhor e menos de três Apóstolos?

O que o preterismo propõe é contraditório, pois eles colocam João em Patmos escrevendo Apocalipse 18 antes da destruição de Jerusalém, época em que pouquíssimas testemunhas de Jesus haviam sido martirizadas. E como sabemos, a maioria dos Apóstolos do Senhor só vieram a morrer muitos anos depois da queda da Cidade Santa.

E mesmo que fique provado que o Apóstolo Paulo foi executado em 67, e que Pedro morreu no mesmo ano, não poderíamos de forma alguma responsabilizar Jerusalém por suas mortes. De fato, só temos “dois Apóstolos” martirizados dentro de Jerusalém até 70 dC e apenas um registro bíblico (Atos 12:1, 2): Tiago, irmão de João, que foi assassinado por ordem de Herodes, um rei nomeado por Roma, também criado e educado em Roma – Marcus Julius Agripa, assim chamado em homenagem ao estadista romano Marcus Vipsanius Agripa, e Tiago, irmão de Jesus, que não fazia parte dos doze. Os registros sobre a morte de Tiago podem ser encontrados fora das Escrituras.

Jerusalém e o sangue dos Apóstolos

Observem que no contexto de Apocalipse 18, Deus conclama muitos a se alegrarem com a derrocada dessa babel, e entre eles achamos dois tipos de mártires; isso nos traz uma revelação surpreendente, pois dentre os que devem se alegrar com a queda de Babilônia estão: “As testemunhas de Jesus e os Apóstolos”. Aqui e dito que eles se alegrem por terem seu sangue vingado. O que nos chama a atenção é: Podemos responsabilizar mesmo Jerusalém pelo martírio dos Apóstolos e das testemunhas de Jesus?

Leia novamente os textos

Apocalipse 18

20 Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela.

24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

Apocalipse 16

6 Visto como derramaram o sangue dos santos [Apóstolos] e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores.

Apocalipse 17

7 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos [Apóstolos], e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

O contexto mostra também profetas – por mais esse motivo o preterismo afirma que Babilônia deve se referir a Jerusalém, porque só Jerusalém matou profetas do Antigo Testamento, e “profetas do Apocalipse deve referir-se profetas do Antigo Testamento”.

Os textos citados acima nos dizem que Babilônia estava embriagada com o sangue dos profetas. Este é um ponto crítico! O termo, “os profetas”, aparece 88 vezes no Novo Testamento. Para muitos, o uso predominantemente normal do termo refere-se a profetas do Antigo Testamento apenas, o que não é verdade.

Apocalipse 18:20, evidentemente, refere-se a apóstolos do Novo Testamento. E os profetas? Podemos ler: “Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela“. O outro texto fala das testemunhas de Jesus, o que só pode ser aplicado para testemunhas da era do Novo Concerto. Então, para discutir se estes são apenas os profetas do Antigo Pacto é bastante duvidoso.

A palavra Apóstolo aqui é comumente limitada aos 12. Não há impropriedade, no entanto, em supor que os apóstolos são referidos aqui, uma vez que eles teriam a oportunidade de se alegrar que o grande obstáculo para o reino do Redentor foi agora retirado, e que quem causou suas mortes e sofrimento estava agora sendo julgada.

Testemunhas de Jesus, santos apóstolos e profetas”, fazem três tipos distintos de pessoas, que consiste a Igreja, sendo que a expressão santos pode também ser aplicada aos membros privados das igrejas. Babilônia aqui persegue a Igreja do Senhor e por essa perseguição ela será cobrada.

Difícil identificar a Babilônia de Apocalipse com Jerusalém. Primeiro, Jerusalém não se encaixa com a descrição em Apocalipse capítulo 17, como a cidade sobre sete colinas. Além disso, Jerusalém não saiu do Império Romano, mas o chifre pequeno de Daniel (que deve ser identificado com a Babilônia do Apocalipse) saiu do Império Romano. Mas esse é assunto para outro tópico…

Depois da Destruição de Jerusalém

Milhões de cristãos foram mortos durante séculos após a destruição de Jerusalém – até um ateu, criança ou mobralista sabe desse fato. Portanto, Jerusalém não pode ser responsável por estes mártires – o sangue destes só pode ser requerido de outro. Por isso existe uma diferença no julgamento da grande Babilônia de Apocalipse 18: Ela passa a ser responsável por todas as mortes que ocorreram na terra. Por esse motivo, Jerusalém/Israel não pode ser responsabilizado pelos mártires exterminados após sua queda em 70 dC, pois a nação estava destruída, e em breve seria espalhada por sobre a terra, sem poder militar, eclesiástico e politico. É desta, que tomou o lugar de Jerusalém e da Babilônia antiga, que Deus cobra pelo sangue de “… todos os que foram mortos na terra” (Apo 18:24).

A responsabilidade sobre “todos que foram mortos sobre a terra”, refere-se a seus conselhos e influência, quando envolve outras nações e povos para perseguir e destruir os verdadeiros seguidores de Deus. Todos que foram mortos sobre a terra – não só daqueles que foram mortos na cidade de Roma, mas todos aqueles que foram mortos por todo o império, sendo mortos por sua ordem, ou com seu consentimento.

Não há uma cidade atualmente que possamos aplicar este título a não ser a Roma Católica. A culpa do sangue derramado sob os imperadores pagãos não foi removido sob os Papas, mas extremamente multiplicado. Nem é Roma apenas responsável por aquilo que tem sido derramado na cidade, mas pelo que derramou em toda a terra. Em Roma sob o papa, bem como antes, sob os imperadores pagãos, ordens foram dadas, sangrentas e editais, para que o sangue de homens santos seja derramado, enquanto havia grande alegria para ela. E que quantidade imensa de sangue foi derramado por seus agentes!

Charles IX, da França, em sua carta a Gregório XIII., Orgulha-se, que em pouco tempo e após o massacre de Paris, ele tinha destruído setenta mil Huguenotes. Alguns têm calculado que, a partir do ano 1518 até 1548, quinze milhões de protestantes morreram pela Inquisição. A estes podemos acrescentar inúmeros mártires, em tempos antigos, meio e fim, na Boêmia, Alemanha, Holanda, França, Inglaterra, Irlanda, e muitas outras partes da Europa, África e Ásia. E o massacre de santos continuou com a Roma pagã e não cessou depois que ela ruiu – a Roma Católica tomou seu lugar.

O que Deus faz, na verdade, é lançar a culpa sobre essa Babel pelo sangue de TODOS que foram mortos por sua fé, o que deve significar que sobre ela recai o sangue de todos os mártires em todos os tempos – ela pode ser una extensão da Babel original. Assim, Deus faz cair sobre ela a responsabilidade por todos os martírios ocorridos desde os tempos passados até o dia de seu julgamento. Se a sentença é dada para o tempo do fim, então ela tem mesmo que ser responsável por todos os cristãos que foram eliminados em todos os tempos.

Sabemos que Apocalipse superlota os tempos de profecias sobre as tribulações que viveu o povo de Deus nas mãos do império Romano, e que podem ser extraídas para cumprimento real, mesmo se o preterismo católico romano declare a aberrante heresia de que os capítulos de 1 a 19 de Apocalipse tiveram cumprimento em 70 dC.

Ela, a Babilônia, é vista embriagada com o sangue dos mártires.

E eu vi a mulher embriagada com o sangue dos santos, e com o sangue dos mártires de Jesus: e quando eu a vi admirei-me com grande admiração.” (17 v6)

Isto é uma profecia, e Jerusalém já estava destruída nessa época. Por isso Deus não pode requerer o sangue dos milhões que foram mortos após a destruição de Jerusalém da própria Jerusalém!

Os que sofreram o martírio do mundo todo depois da queda da Cidade Santa foram em números elevadíssimos comparados aos santos de Abel até Zacarias. O massacre de cristãos foi tão vasto após a destruição de Jerusalém que os cálculos se perdem em milhões de pessoas. E dessa Babel que João fala, e ela não pode ser Jerusalém. Por isso em Apocalipse 18 ela é sentenciada por muitas coisas, sendo que uma delas é sangue, sangue humano,

Apocalipse 18: 24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

Tudo nos leva a crer que essa foi uma palavra que será cumprida num tempo de julgamento final: O ACERTO DE CONTAS. Se o texto inclui todos os que foram mortos sobre a terra, entre eles Apóstolos e testemunhas de Jesus, então fica implícito que chega ao fim a era dos mártires e a hora de cobrar o sangue destes. Fica evidente o dia do acerto de contas, feito um capítulo antes da vinda de Jesus registrada em Apocalipse 19. Esse é o momento do julgamento dessa Babilônia.

Fica extremamente fora de contexto afirmar que em 70 dC houve vingança pelo sangue dos Apóstolos e pelo sangue das testemunhas de Jesus, o que supostamente teria ocorrido trinta e cinco anos apenas após a morte do Senhor, quando não havia tantos registros de mártires do Novo Testamento – devemos nos lembrar que muitos Apóstolos atravessaram a década de 70 com vida.

O contexto aqui revela um julgamento final de Babilônia, o que não pode ter ocorrido em 70 dC. Sabemos com certeza que a maior parte dos Apóstolos (e aqui provavelmente fala do grupo que Jesus escolheu, pois eles são especialmente citados separados das testemunhas de Jesus e dos profetas) morreu depois da destruição de Jerusalém. Portanto, não há como ela ser responsável por ter eliminado Apóstolos e testemunhas do Senhor.

Jerusalém não pode ser responsabilizada pelos milhares de cristãos jogados para as feras nas arenas romanas. Não se pode responsabilizar Jerusalém pelas tochas humanas que iluminavam as ruas nas adjacências de Roma. E por fim, não podemos responsabilizar Jerusalém pela INQUISIÇÃO!

O contexto de Apocalipse 18 revela como Deus toma vingança contra aqueles que mataram seus profetas e apóstolos e até mesmo o seu bendito Filho. Finalmente, todos aqueles martirizados por estes devem ser vingados. O momento tão esperado de retribuição e vingança pelo qual todos os redimidos esperavam, chegou…

Estas fotografias nos últimos versos do capítulo 18 de Apocalipse mostram, a partir de dentro, o resultado do colapso no sistema babilônico. A sua total destruição é mostrada pela repetição de várias frases como, “não será jamais achada”, “não se ouvirá mais” e “não se achará mais”. A pedra lançada ao mar retrata a violência e a permanência da destruição. O sistema babilônico começou em Gênesis 10, e continuou sem interrupção, de uma forma ou de outra, até os dias de hoje. Mas um dia ele vai de repente “afundar”, para nunca mais voltar.

Fontes

Estimates of the Number Killed by the Papacy – David A. Plaisted

The history of Henry IV, (surnamed the Great), king of France (1896)

Revelation, Chapter 18, em http://www.discoverrevelation.com

Daquele dia e hora ninguém Sabe

Se Mateus 24 pode ser mostrado para conter referências a dois acontecimentos históricos – o cerco de Jerusalém em 70 dC e a consumação da história em um tempo futuro, então aqueles que começaram a sua viagem pela estrada para o preterismo com base nesse texto devem sentir-se compelidos a reexaminar o seu destino.

A partir da história, sabemos que a predição de Jesus em 24:1-2 foi cumprida no ano 70 dC quando os romanos cercaram Jerusalém e destruíram o templo. O versículo 34 afirma especificamente que os eventos descritos ocorrerão em “esta geração”. Em contraste com esses pontos, especificamente Jesus diz que ninguém sabe quando isso irá ocorrer nos versículos 36 e 42. Conclui-se então que Jesus fala de dois diferentes eventos.

36  Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

42  Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

Observem se não seria trivial demais afirmar que, por um lado vários sinais devem levar a ação (16), que vários sinais devem indicar que o tempo está muito próximo (14, 33) e, simultaneamente, que o “dia e a hora” ninguém sabe, nem mesmo o Filho de Deus ou os anjos. Por que, se o capítulo trata da destruição de Jerusalém que ocorreria dentro daquela geração? Ora, se as palavras de Jesus deveriam ser cumpridas naquela geração, então tudo ocorreria dentro de , no máximo, 40 anos, o que significa que todos os ouvintes saberiam com precisão o tempo do cumprimento de cada sentença dita pelo Senhor.

Esse é o ponto de  todo o contraste: é a mesma coisa que dizer que os discípulos certamente sabiam a semana ou o mês do evento, mas não o dia específico da semana. Isto parece ser o resultado de uma leitura não natural do texto. O que suaviza as  diferenças no relato é a interpretação real de duas ocorrências, a previsão de  dois eventos. Se esta visão futurista para a maior parte de Mateus 24 está correta, então o preterismo está incorreto. Por que? Por causa de um ponto importantíssimo, que coloca o preterismo em evidente contradição: logo depois das previsões catastróficas, que segundos eles, todas, ocorreram antes de 70 dC, Jesus separou  ovelhas e  bodes, e os enviou  cada um ao seu destino eterno respectivo (25:31-32); isso ainda não aconteceu!

Tribulação iminente

Uma vez que os preteristas ensinam que todos os termos similares a tribulação, como: grande tribulação, angustia das nações, julgamento sobre os moradores da terra, guerras e rumores de guerras, fome, peste e terremotos, devem ser aplicados à destruição de Jerusalém, que tudo ocorreu antes do ano 70 dC, conclui-se que Mateus 24 e todo o Livro de Apocalipse já foram cumpridos. No entanto, a referência a Noé em Mateus 24:37-38 parece indicar que a vinda do Filho do Homem será como nos dias de Noé: Noé entra na arca e em seguida vem a destruição sobre os moradores de toda a terra. E mais um detalhe: Há aqui à impossibilidade de conhecer o calendário do evento  e a conduta da vida como direito comum até o evento.

Deve-se observar que  há um paralelo entre Noé entrar na arca (Lc 17:27) Ló deixando Sodoma (17:29) e a revelação de Jesus como o Filho do Homem (17:30). Portanto, quase todo o capítulo de Mateus 24 trata de sinas anteriores à Segunda Vinda de Cristo.

Por que João, e não Paulo?

Os preteristas afirmam  que João foi exilado  na ilha de Patmos na década de 60, e ali recebeu as revelações do Apocalipse, redigindo cartas para as sete Igrejas da Ásia não mais tarde do que 63 dC. Seguindo essa cronologia preterista, deve-se concluir que  João redigiu estas pequenas epístolas enquanto o Apóstolo Paulo ainda estava vivo, o qual também escreveu para duas Igrejas, à Igreja de Éfeso e Laodicéia (Col 4:16).

Paulo era prisioneiro do império Romano em 60 dC, mesma área onde se encontravam as sete Igrejas  descritas em Apocalipse. Se ele escrevia para algumas dessas  Igrejas, por que Deus levantaria João para fazer o mesmo, escrever e enviar cartas  para congregações que estavam sob inspeção de Paulo?

A verdade pode ser outra; João não pôde ter tomado a responsabilidade sobre as Igrejas da Ásia Menor perto do fim da perseguição de Nero. Algumas delas foram plantadas principalmente por Paulo e estavam sob seu cuidado especial e inspeção pouquíssimos anos antes da destruição de Jerusalém. Ele costumava visitá-las, e depois de sua prisão ele escreveu cartas para algumas dessas igrejas com freqüência. Paulo mantinha uma comunicação constante com elas ainda, e em nenhuma de suas cartas, até o passado, nós encontramos qualquer menção de João ou qualquer referência a ele como residente nessas imediações, ou envolvido no ministério dessas congregações.

Foi provavelmente o martírio do apóstolo dos gentios,  e os perigos e distrações, que levou João a dar este passo importante e construir sua estrutura sobre as bases estabelecidas por Paulo. Após o martírio de Paulo, é provável que João foi chamado por boa parte das Igrejas para dar continuidade à sua obra. E devemos considerar também, que apesar dos erros gnósticos terem começado a mostrar-se no tempo de Paulo, eles só haviam sido organizados sob heresiarcas antes do fim do primeiro século. Por isso ouvimos dos nicolaítas, uma facção de gnósticos em duas das mensagens as Igrejas da Ásia (Ap 2:6,15). Perto do final do primeiro século, e não antes, os líderes gnósticos começaram o trabalho de mutilar os livros sagrados dos cristãos.

Estas  Igrejas estavam em uma condição muito diferente quando o Apocalipse foi escrito do que eram na época de Nero e de Paulo. A Igreja de Éfeso tinha “perdido o seu primeiro amor.” A Igreja de Esmirna tinha na sua comunhão aqueles que pertenciam à “sinagoga de Satanás”. A Igreja de Pérgamo abrigava não só os nicolaítas, mas aqueles que realizavam “a doutrina de Balaão, que ensinou Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel.” A Igreja de Tiatira tinha “a mulher Jezabel” que ensinava e seduzia seus membros a se prostituírem e a comerem das coisas sacrificadas aos ídolos. A Igreja de Sardes apenas deixou “alguns nomes” que não contaminaram as suas vestes, enquanto os membros da Igreja de Laodicéia tornaram-se tão mornos e ofensivos para Cristo, que Ele “estava a ponto de vomitá-los”.

Em suma, todas estas Igrejas caíram do estado que estavam quando Paulo escreveu suas epístolas para algumas delas. Isso exige um tempo consideravelmente longo para sua deserção. Se supomos que o Apocalipse foi escrito sob a perseguição de Nero, apenas alguns anos após a escrita das epístolas de Paulo, devemos considerar que algumas Igrejas nem ao menos sobreviveram em pé por três anos. Mas se o livro foi escrito 30 anos depois, na perseguição de Domiciano, o declínio pode ser explicado.

Por que não Paulo, mas sim João?

Se admitirmos que Apocalipse foi redigido antes da queda de Jerusalém, então, obviamente, as cartas endereçadas para as congregações da Ásia foram escritas na  época em que o Apóstolo Paulo ainda era vivo. Ou melhor: se Jerusalém foi destruída entre 68 e 70 dC, e, em sendo Apocalipse – segundo os preteristas – um Livro que trata da queda de Jerusalém, conclui-se  que João o fechou antes de 70 dC, o que nos permite estabelecer uma data   retroativa para a redação das sete cartas, algo entre 62 e 64, época em que Paulo ainda estava ativo no ministério da pregação e redação da Palavra, o que significa dizer que Paulo escrevia partes do Novo Testamento nessa ocasião.

Isso faz nascer a pergunta: Por que Jesus não elegeu Paulo para escrever as sete Igrejas, já que da prisão em Roma ele  teve toda liberdade possível na preparação e envio de algumas epístolas endereçadas a cristãos nominais e algumas congregações,  mas sim elegeu  João, com toda a dificuldade possível ao seu redor, exilado numa Ilha do mediterrâneo?

Insisto: Por que Deus não usou  Paulo para escrever as sete cartas, já que ele encontrava-se preso na região do império romano onde se localizavam as sete Igrejas?

A contradição é grave. Paulo não teve dificuldade alguma para redigir e enviar algumas cartas do seu cativeiro em Roma: Filêmon, Filipenses, Colossenses, Efésios, 1 e 2 Timóteo e Hebreus. Curiosamente ele encoraja os de Laodicéia a ler a carta enviada aos Colosensses (Col 4:16). Portanto, vemos duas cartas de Paulo para duas Igrejas que aparecem em Apocalipse, a de Éfeso e a de Laodicéia. Porque teriamos dois Apóstolos escrevendo as mesmas Igrejas na mesma época? O silêncio com relação a João  escrevendo cartas para as Igrejas da Ásia no início de 60 dC é enorme. Não há necessidade de palavras, ele pode ser sentido.

Seria mais simples desfazer todo esse engano preterista se aceitassem a verdade óbvia:  que na ocasião da redação das sete cartas, dos Apóstolos originais, apenas João permanecia com vida. Ele  foi levantado para despertar as Igrejas inauguradas por Paulo.

Uma Mina de trabalhos forçados

Patmos era uma mina de pedreiras pertencente ao Império Romano, e foi o lar de muitos presos políticos e religiosos ou escravos. João, o apóstolo amado, estava sendo mantido como prisioneiro de Roma nesta ilha por causa da sua pregação incessante sobre Jesus. Roma acreditava que banir o velho João para a ilha remota e abandonada silenciaria a sua voz. Ele foi ali exilado por que o imperador Domiciano ficou irritado com o fato de João não ter sido morto quando foi mergulhado em óleo fervente.

Aprendemos que nesta ilha João escreveu o Livro de Apocalipse registrando tudo que viu. Concernente às cartas redigidas para as Igrejas da Ásia, a situação fica mais delicada; considerando que estas epístolas deveriam chegar para todas as sete congregações antes da queda de Jerusalém precisamos visualizar João apressando-se no preparo da escrita. Podemos visualizar o Apóstolo acompanhado as revelações e visões que recebia seguindo dos registros em papiro –  ele deveria correr com estes  registros e correr mais ainda para tirar estas cartas da ilha fazendo-as chegar ao seu destino. Acredita o leitor que foi desta maneira? Leia meu artigo Onde João Estava?

O seguinte foi dito ao Apóstolo João: “o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia” (Ap. 1:11). Esse versículo indica que o texto original escrito de Apocalipse foi enviado a cada uma das sete igrejas onde ele poderia ter sido copiado por um escriba. Quando a cópia era finalizada numa igreja, o original era enviado para a próxima igreja, até que todas as sete tivessem recebido e copiado o livro revelado. Quanto tempo levou isso tudo? Para os preteristas ocorreu em  tempo recorde; já que  João ficou na prisão – segundo eles – na década de 60, com Jerusalém  prevista para ser destruída dentro de poucos anos, devemos considerar que ele correu com os registros das suas visões depois de receber do Senhor o recado que deveria passar para as comunidades cristãs na Ásia menor.

O leitor consegue imaginar como alguém que foi preso nesta mina de pedras por causa do seu testemunho por Cristo, que foi enviado para aquela região justamente para ficar longe do público ouvinte do Evangelho, teve plena liberdade de redigir sete epístolas às Igrejas e ainda por cima ter alguém para tirá-las da ilha enviando-as para  comunidades cristãs distantes,  diretamente para as regiões onde se encontrava preso o Apostolo Paulo?

Interessante que se seguimos a cronologia preterista devemos admitir que os Efésios receberam duas cartas praticamente ao mesmo tempo, uma de Paulo onde ele os elogiava, dizendo: “… noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” (Ef 5:8), e outra de João, lhes alertando para que voltassem ao primeiro amor, porque o Senhor estava prestes a remover brevemente o seu candeeiro (Apoc 2:1-5).

Temos aqui mais uma flagrante contradição. Um diz que a Igreja – agora, tempo presente da escrita – é Luz no Senhor, mas o outro alega que a luz vai ser removida. Observe que Paulo os elogia enquanto João os adverte sobre a  falta de amor. Ou seja: “ereis trevas, mas agora sois luz no Senhor”, não tem porque  receber de repente uma ameaça de apagão. Ninguém que é louvado por ser luz poderia ao mesmo tempo ser  ameaçado de ter seu candeeiro removido. Evidente que um escrevia para Éfeso na década de 60, mas o outro, João, lhes escrevia quase quatro décadas depois. Fica evidente que os dois Apóstolos redigiam seus registros em épocas distantes uma da outra, e que João foi brindado com as revelações por que era o último dos discípulos vivos.

João não estava em Patmos na década de 60 dC

O Apóstolo Paulo em várias ocasiões menciona suas cadeias, mas em nenhum momento lembra-se do discípulo amado   exilado numa ilha na mesma época que esteve preso em Roma.

Efe 3:1 –  POR esta causa eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios.

2 Ti 1:8 –  Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus.

Flm 1 –  PAULO, prisioneiro de Jesus Cristo, e o irmão Timóteo, ao amado Filemom, nosso cooperador.

Flm 9 –  Todavia peço-te antes por amor, sendo eu tal como sou, Paulo o velho, e também agora prisioneiro de Jesus Cristo.

Paulo  fala dos cristãos encarcerados, e isso já em 62 dC, oito anos apenas antes da destruição de Jerusalém.  Escrevendo aos hebreus, Paulo  os alerta para que se lembrem dos prisioneiros em Cristo, e nem mesmo menciona João, o encarcerado…

Heb 13:3 –  Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo.

Lucas nos brinda com detalhes importantíssimos sobre a prisão de Paulo, onde, quando e por que aconteceu. No entanto, nada foi dito sobre a prisão de João nesta época, que como coluna da Igreja em Jerusalém, se realmente estava em Patmos lá pelos idos de 60 e 70 dC, certamente teria sua situação anunciada por alguma testemunha ocular que viveu junto dos Apóstolos. Por exemplo, a prisão de João Batista foi conhecida de, praticamente, toda a Judeia. A prisão de Paulo ficou conhecida até dos que não faziam parte da Igreja, como também chegou ao conhecimento de muitos outros,

Fl 1:13 – De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana, e por todos os demais lugares.

Se é a prisão de Pedro, outra coluna da Igreja em Jerusalém, mobilizou cristãos a tal ponto deles se reunirem em oração pelo livramento do Apostolo (Atos 12:10-15).

E a Prisão de João, também coluna  da Igreja em Jerusalém?  Se João ficou mesmo recluso em Patmos nessa ocasião, certamente teriamos algum registro feito pelos escritores autorizados – eles eram muitos. Por exemplo, Paulo mesmo lembra aos leitores Colossenses até daqueles que estavam presos com ele.

Col 4:10 –  Aristarco, que está preso comigo, vos saúda, e Marcos, o sobrinho de Barnabé, acerca do qual já recebestes mandamentos; se ele for ter convosco, recebei-o.

Aliás, para desespero do catolicismo, Paulo nem mesmo menciona Pedro, o qual a tradição alega que esteve preso com ele em Roma, mas de um desconhecido chamado Aristarco ele não esqueceu…

Qual escritor neo testamentário deixaria de registrar o tão estupendo milagre de João sair ileso do óleo fervente e ser por isso exilado numa ilha deserta se tal  aconteceu antes da destruição de Jerusalém? Considerando que dez dos Apóstolos originais ainda viviam nessa ocasião, além dos escritores Paulo, Marcos e Lucas, também estarem vivos, fica simplesmente inexplicável  a falta de registros sobre o  exílio  de João, o discípulo amado de Jesus e uma das colunas da Igreja em Jerusalém.

A Deus toda glória

 

Jerusalém e Babilônia

Jerusalem

Todo o caminho através das Escrituras Babilônia sempre significa Babilônia e Jerusalém sempre significa Jerusalém. Enquanto as Escrituras normalmente relacionam Jerusalém com o povo de Deus, relaciona Babilônia com o mundo. Os detalhes de Apocalipse 17-18 assemelha-se pouco com a Jerusalém do primeiro século. Por exemplo, Jerusalém não se sentava sobre muitas águas (17:15), ou mesmo reinava sobre os reis da terra, e nem ainda se assemelhava a uma potência econômica (18).

Além disso, embora a descrição da prostituta parece comunicar o seu grande envolvimento com a idolatria (adultério espiritual, coisas impuras e abominações), esta não é uma descrição da Jerusalém do primeiro século, à luz do fato de que a cidade daquela época era estritamente monoteísta. A condição dos judeus em 70 dC, não pode ser a que foi descrita em Apocalipse 9:20, onde fala daqueles que foram feridos pela explosão da sexta trombeta; alguns dos quais foram mortos, e alguns poupados, não poderiam ter sido judeus, pois o texto diz que estes estavam envolvidos com idolatria,

E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar”.

Não seria possível aplicar essa passagem aos judeus, pois eles não eram idólatras. Não podemos acusar a Jerusalém de 70 dC de fabricar ídolos de outro, de prata e de bronze (Rom 2:22).

É extremamente importante para o correto entendimento de quem é essa prostituta e considerar todos os elementos que a caracterizam. Esta “Babilônia, a mãe das meretrizes”, é descrita em Apocalipse 18:17 como uma cidade marítima envolvida no comércio com navios. Apocalipse 17:1 anteriormente descreveu-a como estando assentada sobre muitas águas. Não há nenhuma maneira de ser uma descrição de Jerusalém se juntamos o que é apenas símbolos. Jerusalém se localizava no deserto, a quarenta milhas do porto de Jope. Os símbolos em Apocalipse insistem em identificar essa metrópole até quando menciona o rio Eufrates, que é ligado a Babilônia original, mas não a Jerusalém.

Não se espera que Jerusalém, que foi destruída pelos romanos em 70 dC, poderia ser a mesma metrópole vista em Apocalipse, pois o texto diz que a mulher, a grande cidade, reina (está reinando) sobre os reis da terra. Os judeus e Israel certamente não reinavam sobre os reis da terra nesse tempo. Roma e os reis da terra não estavam sujeitos aos judeus e a cidade santa. Muito pelo contrário, os judeus e sua cidade foram alvos de Roma e seu Imperador, o rei da terra habitada.

Além disso, tudo, como poderia ser Jerusalém considerada a “mãe das meretrizes” ou a fonte de toda prostituição quando a prostituição existiu (Gen 11:1-9) muito antes de a cidade de Jerusalém ter existido?

Há uma série de motivos que não fazem de Jerusalém a prostituta de Apocalipse 17.

a) A prostituta também é chamada Babilônia. Apocalipse 17 e 18 é sobre a destruição da Babilônia. Este é o cumprimento final das previsões feitas em Isaías 13 e 14 e Jeremias 50 e 51. Nesses capítulos Israel e Jerusalém são contrastadas com a Babilônia e os caldeus. Observem que Jerusalém é citada separada de Babilônia. Essas passagens apresentam profecias sobre a derrota de Babilônia e a vindicação de Israel e Jerusalém.

Aqueles que ensinam que a prostituta em Apocalipse 17, que é identificada com Babilônia (Apocalipse 17:5), deve ser entendida como sendo Jerusalém, devem explicar como a Palavra Sagrada de Deus, a qual Jesus disse que não pode ser quebrada (João 10:35) passa a ter seu significado inicial totalmente revertido em cumprimento [futuro] e ainda qualificar-se como verdade!

Como poderíamos aceitar a profecia de Deus como verdadeira quando percebemos uma certa discrepância – ler o profeta falar da destruição de uma cidade, mas, em seguida ver o “cumprimento” da profecia milhares de anos mais tarde, destruindo uma cidade completamente diferente?

b) Outra figura importante, que prova não ser Jerusalém a Grande Meretriz, é que o rio Eufrates está associado com os eventos que ocorrem no Livro do Apocalipse (Ap 9:14; 16:12). O Eufrates é associado com a Babilônia literal, não com Jerusalém. Lembre-se que isso são figuras que ajudam na identificação da cidade que reina sobre os reis da terra.

c) A prostituta de Apocalipse 17 “se assenta sobre muitas águas”, que representam “povos, multidões, nações e línguas”. Isso aponta para a sua influência global, que muito mais naturalmente implica Babilônia, exemplificada originalmente em Babel, o primeiro reino do homem e do lugar onde a rebelião e as heresias foram espalhadas pela terra através da confusão das línguas.

Dela é dito ser a “Mãe das prostituições e das abominações da Terra”. Isto fala de seu papel como a criadora da prostituição e das abominações da terra. Isto, muito mais naturalmente, se aplica a Babilônia (na forma de Babel, do reino de Ninrod, Gen. 10, 11) do que o infiel Israel/Jerusalém, que gerou suas prostituições de outro lugar. Ezequiel constata que ela se originou no Egito (Ez 23:8, 27).

Ali está escrito:

“E as suas prostituições, que trouxe do Egito, não as deixou; porque com ela se deitaram na sua mocidade, e eles apalparam os seios da sua virgindade, e derramaram sobre ela a sua impudicícia”.

Ezequiel também aponta para os heteus, amorreus, como tendo sido uma fonte de prostituição de Israel; Ez 16:3, 44-45

Em outra parte, Ezequiel identifica aqueles que cometem prostituição com o Israel infiel como tendo tido seu nascimento na Babilônia:

“E aumentou as suas impudicícias, porque viu homens pintados na parede, imagens dos caldeus, pintadas de vermelho; cingidos de cinto nos seus lombos, e tiaras largas e tingidas nas suas cabeças, todos com parecer de príncipes, semelhantes aos filhos de Babilônia em Caldéia, terra do seu nascimento”. Ez 23:14-15

Os textos mostram claramente que Babilônia e não Jerusalém foi a fonte da infecção que prostituiu os povos. A prostituição partiu de uma influência anterior – a mãe – Babilônia!

Na meretriz de Apocalipse é encontrado “o sangue dos profetas e santos, e de todos os que foram mortos na terra”. Embora os judeus apóstatas contribuíssem para esse derramamento de sangue (Mat 23:34-39), essa fala de incrédulos fariseus em Jerusalém nos dias de Jesus, como agentes que participam na influência histórica da prostituta. Por outro lado, o abate dos santos pós século um já ultrapassou em muito os do tempo até Jesus, tanto em número como em alcance global.

Isto pode ser visto na multidão de mártires cristãos que pereceram desde então em países e sob regimes completamente desconectados de Israel e Jerusalém, incluindo movimentos islâmicos e as nações da Ásia e da África, que são responsáveis por muitos mártires cristãos em nossos dias, sem mencionar a Roma do passado.

Se a destruição final da Babilônia, a meretriz, é o futuro (e há muitas razões que indicam isso), então ela também deve dar conta do sangue de todos os justos, derramado desde a época de Jesus – e de todo o mundo.

Babilônia conseguiu camuflar-se entre as nações, usando delas com sua fúria, poder herético e assassino, tão somente para perpetuar seu domínio. Um tiro que saiu pela culatra, pois fez com que a profecia contra ela mesma se cumpra: ela vai ser capturada!

Simplesmente não é possível colocar isso em pé de igualdade com Jerusalém. A responsabilidade é global, tendo em conta que está completamente de acordo com a ideia de que a prostituta é a Babilônia, o ponto culminante da rebelião, que começou inicialmente na antiga Babel. Restringindo a prostituta a Jerusalém ou ao judaísmo, fica simplesmente demasiado estreito, pequeno, dado ao escopo global do livro do Apocalipse.

Cortando Caminho pelo Eufrates

Há deficiências graves no ensinamento preterista e as questões sem resposta já ultrapassaram os limites da sabedoria e bom senso. Apocalipse 16:12-16 descreve como a Batalha do Armagedom começara (ou como ela supostamente teve início).

“E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente. E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso… E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom”.

Aqui está mais uma pergunta: Quem conquistou Jerusalém em cumprimento desta profecia e de onde eles vieram? A posição preterista ensina que esta profecia se cumpriu no ano 70 quando o general romano Tito e seu exército conquistaram Jerusalém.

Mas Roma fica praticamente a Leste de Jerusalém, e na profecia (Ap 16:12) diz que o Eufrates secou-se de modo que os reis do Oriente tivessem acesso para fazer guerra contra Jerusalém no Armagedom. Ora, o Eufrates é citado para apontar diretamente na cabeça de Babilônia e não de Jerusalém, pois o Rio está ligado a Babilônia original. A simbologia que usa o Eufrates como figura quer esclarecer exatamente de quem se trata: Jerusalém não representa Babilônia.

Jerusalém e Babilônia

Identificar Babilônia como Jerusalém contradiz completamente o fundamento do VT sobre o qual a destruição da Babilônia apresentada no livro de Apocalipse se sustenta (Isaías 14: 1-4; 47: 1; Jeremias 50: 17-20; 51: 1-6). Quando examinamos essas passagens do AT, encontramos uma distinção consistente entre a Babilônia, o sujeito da ira de Deus, e Jerusalém/Israel, a quem Deus vai vingar:

Porque o Senhor se compadecerá de Jacó, e ainda elegerá a Israel, e os porá na sua própria terra; e unir-se-ão a eles os estrangeiros, e estes se achegarão à casa de Jacó. Os povos os tomarão e os levarão aos lugares deles, e a casa de Israel possuirá esses povos por servos e servas, na terra do Senhor; cativarão aqueles que os cativaram e dominarão os seus opressores.

No dia em que Deus vier a dar-te descanso do teu trabalho, das tuas angústias e da dura servidão com que te fizeram servir, então, proferirás este motejo contra o rei da Babilônia e dirás: Como cessou o opressor! Como acabou a tirania!” (Isa 14: 1-4)

Desce e assenta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão, pois já não há trono, ó filha dos caldeus, porque nunca mais te chamarás a mimosa e delicada” (Isaías 47:1).

Cordeiro desgarrado é Israel; os leões o afugentaram; primeiro, devorou-o o rei da Assíria, e, por fim, Nabucodonosor o desossou.

Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que castigarei o rei da Babilônia e a sua terra, como castiguei o rei da Assíria. Farei tornar Israel para a sua morada, e pastará no Carmelo e em Basã; fartar-se-á na região montanhosa de Efraim e em Gileade.

Naqueles dias e naquele tempo, diz o Senhor, buscar-se-á a iniquidade de Israel, e já não haverá; os pecados de Judá, mas não se acharão; porque perdoarei aos remanescentes que eu deixar” (Jer 50: 17-20).

Assim diz o Senhor: Eis que levantarei um vento destruidor contra a Babilônia e contra os que habitam em Lebe-Camai.

Enviarei padejadores contra a Babilônia, que a padejarão e despojarão a sua terra; porque virão contra ela em redor no dia da calamidade. O flecheiro arme o seu arco contra o que o faz com o seu e contra o que presume da sua couraça; não poupeis os seus jovens, destruí de todo o seu exército.

Caiam mortos na terra dos caldeus e atravessados pelas ruas! Porque Israel e Judá não enviuvaram do seu Deus, do Senhor dos Exércitos; mas a terra dos caldeus está cheia de culpas perante o Santo de Israel.

Fugi do meio da Babilônia, e cada um salve a sua vida; não pereçais na sua maldade; porque é tempo da vingança do Senhor: ele lhe dará a sua paga” (Jer 51: 1-6).

E eu retribuirei a Babilônia e a todos os habitantes da Caldéia, por todo o mal que fizeram em Sião aos vossos olhos”, diz o Senhor (Jer 51:24).

 “Seja a violência feita a mim e à minha carne sobre Babilônia”, dirá o habitante de Sião; “E o meu sangue caia sobre os habitantes da Caldéia!” Jerusalém dirá (Jer 51:35).

 Assim como a Babilônia fez com que os mortos de Israel caíssem, da mesma forma na Babilônia cairão os mortos de toda a terra” (Jer 51:49).

Se a linguagem significa alguma coisa, o intérprete não pode simplesmente inverter o significado de numerosas passagens das Escrituras para se adequar à sua própria predileção. Porém, é exatamente isso que o preterista faz. Entre o AT e o NT, ele inverte completamente o significado das palavras. Israel não significa mais a nação de Israel, mas agora deve ser lida como Igreja. Babilônia não significa mais “a cidade às margens do rio Eufrates, na terra de Sinar”, mas agora deve ser lida como Jerusalém! Isso ilustra alguns dos muitos perigos da Teologia da Substituição, alimentada pela interpretação preterista, que causa:

Confusão Escritural – As palavras são elásticas e seus significados podem ser alterados após o fato e até mesmo ser completamente invertidos. As numerosas profecias e promessas do AT de Deus a respeito de Jerusalém e Israel são agora reinterpretadas para significar algo totalmente diferente. Se adotássemos a interpretação preterista, só poderíamos concluir que, em seu contexto original, tais profecias eram enganosas e até mesmo deturpadas, pois a maneira como eram compreendidas na linguagem comum do profeta e seus ouvintes não estavam em seu verdadeiro significado.

Ensinamentos perigosos – A inversão de significado associada a várias passagens resulta em todos os tipos de crenças antibíblicas que podem levar o crente, mesmo sem estar ciente disso, a uma posição em oposição à vontade de Deus. Por exemplo, aqueles que acreditam que a Igreja é o novo Israel provavelmente se opõem ao verdadeiro Israel em suas reivindicações baseadas nas promessas de Deus no AT. Esses crentes se opõem à herança de Deus (Jer 50:11; Joel 3: 2).

Negação da Palavra de Deus – as promessas de Deus não são mais confiáveis. Se as promessas a respeito da cidade literal de Babilônia e da nação literal de Israel no AT não se aplicam mais a essas mesmas entidades, mas agora devem ser entendidas de uma maneira inteiramente nova – não apenas mais ampla, mas de uma forma que nega o significado do contexto original, então que confiança podemos ter nas promessas de Deus para nós? Como sabemos que a vida eterna é realmente eterna? Como sabemos que a Nova Jerusalém é de fato uma cidade real e tão gloriosa quanto o NT descreve? Se usarmos técnicas interpretativas semelhantes às do preterista, podemos descobrir quando chegarmos ao céu que o que Deus disse no NT – baseado nas regras comuns de linguagem e no contexto dos destinatários – não é de forma alguma o que Ele quis dizer. Atribuir tal significado maleável às palavras das Escrituras mina as promessas das Escrituras e difama a natureza de Deus.

A confusão dos preteristas resulta em sua negação de outras coisas que são reveladas a respeito de Babilônia, como a permanência de sua destruição. Se a hipótese Babilônia = Jerusalém estiver correta, Jerusalém nunca seria reconstruída novamente. Apocalipse 18: 21-23 descreve a destruição permanente da Babilônia. De acordo com a visão Babilônia = Jerusalém, Jerusalém foi destruída em 70 DC e nunca mais seria reconstruída. No entanto, como pode esta ser uma descrição de Jerusalém quando as Escrituras falam repetidamente de seu retorno à proeminência durante o reinado milenar (Isa 2: 3; Zc 14:16; Ap 20: 9)? As Escrituras deixam bem claro que Deus ainda tem um plano para o Israel étnico, mas a visão preterista de Jerusalém parece ensinar o oposto.

Também vimos que em sua destruição, Babilônia nunca mais será habitada. Claramente, Babilônia não pode ser Jerusalém, pois Jerusalém é habitada atualmente e nunca foi – nem será – destruída da maneira que as Escrituras descrevem sobre a Babilônia. Também há um problema [título de propriedade] quando se tenta identificar Jerusalém como Babilônia. Babilônia é considerada, “a mãe das meretrizes e das abominações da terra” (Ap. 17: 5). A Escritura indica que Jerusalém, em seus piores momentos, é apenas uma filha prostituta. Veja Ezequiel 16: 3,4 – 44,45 e 23: 2-4:

Assim diz o Senhor Deus a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus; teu pai era amorreu, e tua mãe, heteia. Quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste, não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta em faixas” (Ez 16:3,4).

Eis que todo o que usa de provérbios usará contra ti este, dizendo: Tal mãe, tal filha. Tu és filha de tua mãe, que teve nojo de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que tiveram nojo de seus maridos e de seus filhos; vossa mãe foi heteia, e vosso pai, amorreu” (Ez 16:44,45).

Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma só mãe. Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus peitos e apalpados os seios da sua virgindade. Os seus nomes eram: Oolá, a mais velha, e Oolibá, sua irmã; e foram minhas e tiveram filhos e filhas; e, quanto ao seu nome, Samaria é Oolá, e Jerusalém é Oolibá” (Eze 23: 2-4).

Nesta passagem significativa de Ezequiel, diz-se repetidamente que a prostituição de Israel deriva do Egito (Eze 23: 8, 19, 27). Portanto, ela é uma filha prostituta. Nesta mesma passagem que descreve a prostituição de Jerusalém, Ezequiel liga o nascimento de seus parceiros à Babilônia. Portanto, Jerusalém carece da antiguidade necessária para levar o rótulo duvidoso de mãe das prostitutas. Além disso, faltam evidências de que “Babilônia” sempre foi um nome simbólico para Israel. Não há um exemplo de ‘Babilônia’ sendo um nome simbólico para Israel, antes ou depois de 70 d.C. O ônus da prova recai sobre aqueles que mantêm a identificação Babilônia = Jerusalém. E outra grande fraqueza da visão de que Babilônia é Jerusalém é encontrada na datação do livro de Apocalipse. A menos que João tenha escrito o livro antes da queda de Jerusalém em 70 dC, torna-se impossível atribuir a destruição da Babilônia no livro do Apocalipse a esse evento. Ou seja, se ele escreveu depois de 70 dC, como é fato comprovado, então, a argumentação preterista cai por terra. Na verdade, a visão de que Babilônia significa Jerusalém representa uma distorção muito séria da palavra de Deus.

Profecias não cumpridas

Um ponto de desacordo a respeito da interpretação das Escrituras envolve como lidar com passagens que predizem eventos e circunstâncias que evidentemente não aconteceram. Para aqueles que defendem a inerrância e inspiração das Escrituras, existem apenas duas alternativas:

Hipérbole dramática – As passagens proféticas devem ser entendidas como o uso extensivo de figuras de linguagem, como a hipérbole para um efeito dramático. Elas não devem ser entendidas de maneira literal, mas devem ser vistos como uma forma de exagero dramático enfatizando a dureza com que Deus encara o pecado e seu julgamento relacionado. Elas foram cumpridas de forma aproximada por eventos do passado ou são declarações de princípios espirituais.

Predição literal – passagens proféticas não cumpridas fazem uso limitado da hipérbole, mas de forma que seja óbvio onde ela ocorre (por exemplo, 1 Sm 5:12). Em geral, as passagens proféticas são previsões precisas de julgamentos catastróficos que ainda não ocorreram.

Dependendo de qual dessas duas visões alguém sustenta ao ler o AT, as passagens não cumpridas serão aplicadas livremente às circunstâncias imediatas ou serão vistas como se estendendo além das circunstâncias imediatas e falando para um cumprimento final em um futuro distante. Os intérpretes futuristas entendem que a profecia previamente cumprida indica um padrão de cumprimento literal. Isso é de grande importância quando chegamos ao assunto da Babilônia nas Escrituras, porque todos os intérpretes estão cientes de que profecias extensas a respeito da Babilônia, e especialmente a maneira de sua destruição, nunca foram cumpridas como foram declaradas. Aqueles que defendem a hipérbole dramática como explicação tendem a acreditar que as passagens foram cumpridas de maneira aproximada, mas adequada. Aqueles que defendem a previsão literal acreditam que essas passagens nunca foram cumpridas, mesmo aproximadamente, e continuam a falar da futura destruição da Babilônia no tempo do fim. Estamos neste último grupo. E os preteristas precisam sobreviver com esse dilema, que ainda não teve cumprimento:

A Caldeia servirá de presa; todos os que a saquearem se fartarão, diz o Senhor; ainda que vos alegrais e exultais, ó saqueadores da minha herança, saltais como bezerros na relva e rinchais como cavalos fogosos, será mui envergonhada vossa mãe, será confundida a que vos deu à luz; eis que ela será a última das nações, um deserto, uma terra seca e uma solidão.

Por causa da indignação do Senhor, não será habitada; antes, se tornará de todo deserta; qualquer que passar por Babilônia se espantará e assobiará por causa de todas as suas pragas. Ponde-vos em ordem de batalha em redor contra Babilônia, todos vós que manejais o arco; atirai-lhe, não poupeis as flechas; porque ela pecou contra o Senhor.

Gritai contra ela, rodeando-a; ela já se rendeu; caíram-lhe os baluartes, estão em terra os seus muros; pois esta é a vingança do Senhor; vingai-vos dela; fazei-lhe a ela o que ela fez. Eliminai da Babilônia o que semeia e o que maneja a foice no tempo da sega; por causa da espada do opressor, virar-se-á cada um para o seu povo e cada um fugirá para a sua terra” (Jeremias 50:10-16).