A Tribulação não ocorreu em 70 dC

De acordo com o preterismo, não haverá arrebatamento, não haverá tribulação, não haverá Anticristo ou uma marca da besta – eles garantem que tudo isso já aconteceu em 70 dC.

Os preteristas fazem pleno uso da ginástica hermenêutica com voltas duplas para evitar a realidade: “que Israel voltou para sua terra e, diante dos próprios inimigos da Bíblia, está pronto para cumprir as profecias que foram anunciadas pelos profetas, as quais se realizam nos últimos dias”. Com a negação obstinada e insistente destes fatos, o preterismo ainda continua a deter um modelo ultrapassado profético.

Mais de 300 profecias do Velho Testamento, Jesus cumpriu literalmente, 30 delas no dia em que morreu. Portanto, temos a interpretação na Bíblia como a profecia é cumprida. Mudar isso é ignorar a palavra do jeito que foi escrita.

Olhe agora para as profecias da tribulação, se elas foram cumpridas na forma como a Bíblia explica. Muitas vezes não é o peso das longas explicações que justificam a posição como válida. Devemos considerar o que está faltando de tão importante para a equação. A profecia bíblica é específica e só pode ser cumprida quando todos os elementos estão presentes dentro do contexto e tomaram lugar quase sempre do jeito que está escrito. Se não, então não podemos afirmar que tenha ocorrido.

Vamos começar com a base para este ponto de vista da profecia. Em Apocalipse 1:9 está escrito: “Eu, João, seu irmão e companheiro na tribulação…”.

Os preteristas assumem a posição de que João escreveu o Apocalipse antes de 70 dC, que alegam ser a tribulação. Se João menciona a tribulação, significa que a grande tribulação ocorreria imediatamente antes da destruição de Jerusalém. De acordo com o Preterismo João está dizendo que ele é seu companheiro [de Jerusalém] na grande tribulação que estava por vir sobre eles.

Jesus muitas vezes usou a palavra tribulação, e cada vez que Ele descreveu a Tribulação ela tinha uma qualificação. Jesus acrescenta à palavra tribulação uma outra palavra: grande (grego-megas), para significar superior ou grande, que intensifica o significado. Em seu contexto, toda a terra e seu ambiente serão atingidos e tornará uma panela de pressão. Será a última tribulação desse tipo, e irá terminar somente por Sua vinda a Terra.

Verso chave

Apo. 3:10 “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que virá sobre todo o mundo, para tentar os que habitam sobre a terra.”

Obviamente o mundo inteiro será envolvido neste julgamento, não é apenas isolado para Israel. Esta seria a Grande Tribulação mencionada por Jesus,

Matt 24:21: “Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até este momento, nem haverá jamais.”

Atente para o detalhe quando o verso afirma que igual a essa tribulação “não haverá jamais” outra. Segundo os preteristas, na “grande tribulação” que veio sobre Jerusalém em 70 dC, um milhão de judeus foram mortos e outras desgraças ocorreram. No entanto, em outra tribulação, envolvendo os mesmos israelitas – o Holocausto de Hitler – morreram, entre judeus e não judeus, aproximadamente 40 milhões de pessoas.

Alguns preteristas tentando dramatizar o sofrimento dos judeus em 70 dC, e querendo dar ênfase à tão terrível tribulação com a intenção de rotular como catástrofe exagerada para que se entenda que igual aquela jamais haverá outra, lembram que na fome que se alastrou dentro da cidade matavam-se os próprios familiares para servir de alimento. O problema é que na tribulação do holocausto, judeus foram transformados em carteiras – os alemães usavam pele humana (dos judeus) para várias outras utilidades. Por outro lado a segunda guerra mundial pode ser citada como a pior tribulação de todos os tempos até o presente momento. Logo, a tribulação a qual Jesus faz referência no verso acima, ainda não ocorreu.

Temos de olhar para a palavra e a DESCRIÇÃO Bíblica desta grande tribulação e entender a diferença entre tribulação, que vem a todos os santos, e a tribulação que será o julgamento da ira de Deus sobre TODO O MUNDO. É isso mesmo, Jesus fala que essa tribulação “virá sobre todo o mundo” (Apo. 3:10) e não apenas sobre Jerusalém.

Agora vamos ler novamente Apocalipse 1:9: “Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na tribulação, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.”

Tribulação – Grego – thlipsei: pressão (literal ou figurativamente):

Aflitos (- ção), angústia, sobrecarregados na perseguição.

João não fez referência ao que Jesus diz em Mat 24:21, 22: “… Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até este momento, nem haverá jamais. E se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria, mas por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados“.

Só o Senhor Jesus pode parar essa tribulação na ocasião do seu retorno, quando finalmente irá destruir os exércitos do mundo que se reunirão contra ele. Isso não aconteceu como previsto. O Senhor Jesus não voltou durante a batalha do Armagedom, porque essa batalha não ocorreu da forma como foi escrito.

Promessa de redenção para Israel na Tribulação

Jeremias 30:7-11

Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Porque será naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço, e quebrarei os teus grilhões; e nunca mais se servirão dele os estrangeiros. Mas servirão ao Senhor, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei. Não temas, pois, tu, ó meu servo Jacó, diz o Senhor, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei de terras de longe, e à tua descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize. Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te salvar; porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida, e de todo não te terei por inocente.”

A promessa para a Babilônia de Apocalipse é destruição sem chances de recuperação, o que não pode ser uma palavra para Jerusalém que no fim dos tempos descansará em paz…

Observem algumas frases: “nunca mais se servirão dele os estrangeiros”, “te livrarei de terras de longe”, “e Jacó voltará, e descansará”, “darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei e ficará em sossego”.

As nações serão punidas, o que ainda não ocorreu,

Zacarias 14:2 “… eu ajuntarei todas as nações para a batalha contra Jerusalém“. Esse encontro de “todas as nações da terra” (Zacarias 12:3) contra Jerusalém nunca ocorreu.

O que não aconteceu em 70 dC prova que o Preterismo é falso!

A Grande Apostasia aconteceu em 70 dC!

De acordo com Preterismo não há apostasia aumentando à medida que avança a história, em vez disso, devemos aguardar a cristianização do mundo. A Grande Apostasia teria acontecido no primeiro século, enquanto os apóstolos ainda estavam vivos construindo a igreja, e terminou completamente em 70 AD, enquanto João continuou a viver.

1 Tm. 4:1: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé.” Estes são os últimos dias mencionados em Miquéias 4:1 “MAS nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e a ele afluirão os povos“. A diferença é que 1 Timóteo 4 precede Miquéias 4.

Os preteristas logo que veem a palavra últimos dias e últimos tempos afirmam ser os últimos dias de Jerusalém – ainda mais quando estas palavras aparecem seguidas de outras, como: destruição, cólera, ira, julgamento, apostasia e semelhantes. Porém, o problema é que quanto mais tentam argumentar, mais se atrapalham. Por que? Porque é inaceitável manter a tese de que uma apostasia foi concluída antes de 70 dC, quando a igreja tinha apenas começado a aumentar e se espalhar para outras regiões, além de Israel. Também não vemos a casa do Senhor estabelecida no Israel de 70 dC, para onde “afluirão todos os povos” como diz a passagem paralela de Miquéias.

Na Tribulação há 144.000 Judeus ungidos para o Ministério.

Os 144.000 evangelistas judeus vêm de todas as tribos, o que nunca aconteceu da forma como é descrito antes de 70 dC, nem o resultado de sua pregação: Apoc 7:9 “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.”

E os versos 13 e 14 concluem: “E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”

Repare que eles são salvos de todas as nações, (não apenas da província romana), era “uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas.

Tratado de paz

Um acordo é feito com Israel, um tratado de paz que começa antes da tribulação. Claro que os preteristas têm que mudar esta escritura óbvia e achar um significado alternativo para adicionar outro tijolo no muro e construir seu argumento. Alguns dizem que Daniel 9 refere-se a aliança de Jesus, que é uma interpretação terrível.

Dan. 9:27 “Então, ele deve confirmar uma aliança com muitos por uma semana, mas no meio da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta.” A palavra para aliança é beriyth, que é a mesma palavra hebraica para aliança em outros lugares. A palavra ‘fim’, ou desistir é shabat, que todos nós podemos reconhecer como a palavra para repouso ou desistir, parar de trabalhar.

Por que todas as nações parceiras querem levar Israel a assinar um tratado de paz hoje? Rumores de paz estão constantemente ocorrendo, mas isso tudo não significa nada para um preterista…

O mundo inteiro está querendo ver esse tratado de paz feito que a Bíblia menciona em 1 Tess. 5:2-3 “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.”

Há um problema seríssimo com a interpretação preterista desta passagem, a qual, segundo eles, deve ser entendida dessa forma,

“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando [os habitantes de Jerusalém] disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.

O exército romano veio como um ladrão na noite? Houve paz e segurança nos anos que antecederam a destruição de Jerusalém? Óbvio que não, pois Jerusalém estava debaixo do domínio opressor romano desde antes do nascimento do Senhor. Por outro lado jamais foi feito algum acordo de paz entre Israel ou quem quer que seja.

O mundo verá esta aliança como os meios para pôr fim à guerra e ter segurança no Oriente Médio, mas em vez disso, essa aliança vai trazer o pior pesadelo para o mundo.

O Homem do Pecado

2 Tessalonicenses 2:3-4, diz: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a grande tribulação e o dia do Senhor] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.

Os preteristas reivindicam que Nero foi o anticristo, mas dificilmente ele seria o homem adequado que a Bíblia descreve. Nero jamais esteve em Jerusalém, e mesmo que possa ser um tipo daquele que “vem”, ele não cumpriu os detalhes da profecia bíblica. E além disso tudo, ele não assinou nenhum pacto com Israel imediatamente antes da Tribulação. As pessoas não fugiram de Jerusalém por causa de Nero indo para o templo declarando-se Deus – ele não entrou no templo depois de três anos e meio do acordo ter sido assinado (Dan. 9: 27). Novamente, se a profecia não está concluída da forma como foi escrito, então não foi cumprida, ainda não ocorreu!

Para um preterista, qualquer professor apóstata ou o seu sistema religioso pode ser chamado de “anticristo”; eles afirmam que o termo não descreve nenhum ditador individual. Como não?

João diz que o espírito do anticristo já estava em ação (1 João. 2: 21; 4:1-4) e havia muitos anticristos que vieram (1 João 2:15-18), mesmo em seu dia. Porém, há um (singular), o homem do pecado. O Anticristo é um homem que vai estar em um templo literal – essa é a conclusão de muitos estudiosos – reconstruído em Israel, declarando-se Deus, e vai causar uma abominação desoladora. Ninguém em 70 dC, no Templo de Herodes, exigiu algo semelhante ou se exaltou como sendo Deus.

A Teologia Escatológica Convencional ensina que a abominação da desolação é o anticristo assumir o culto do templo judeu por se sentar no lugar Santo, declarando-se Deus – concordo em parte com essa interpretação, mas mesmo assim estou usando a tese convencional como base para este artigo. A Bíblia também diz que o Anticristo vem acompanhado por sinais, prodígios e milagres,

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira“, 2 Tess. 2: 9

E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra [de Jerusalém] que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia“, Apoc. 13: 14

Onde estão os registros desses fatos antes de 70 dC? Quando foi que Jerusalém fez uma imagem de alguém que foi mortalmente ferido a espada? Quando foi que Nero, ou quem quer que tenha sido o anticristo dos preteristas, fez sinais e prodígios para enganar, para convencer as pessoas a segui-lo, mesmo os eleitos?

Por um lado para reivindicar que Nero foi o homem do pecado, os preteristas são obrigados a confessar que Jesus já voltou, pois é o Senhor que destrói o homem do pecado pelo esplendor da sua vinda. O problema é que Nero cometeu suicídio dois anos antes de Jerusalém ser destruída…

Se seguirmos a interpretação preterista, devemos concluir que o Anticristo Nero foi destruído pelo Senhor em sua Vinda, e ao mesmo tempo em que Jesus o destrói, Ele destrói também seu exército juntamente com ele. Essa é a descrição bíblica da destruição do Anticristo, basta ler Apocalipse 19, um capítulo após a destruição de Babilônia. É isso mesmo, Jesus destrói “Nero e seu exército” depois da queda de Jerusalém ( Apoc 19:1, atente para as palavras “Depois destas coisas…”). Ops! Qual preterista esperava por essa? A coisa ficou feia agora, pois Nero já estava morto antes de Jerusalém ser atacada!

Mas, o que estou lendo aqui? Apocalipse 19 afirma que Jesus destrói o Anticristo e todo o seu exército, um banho de sangue diferente de qualquer outro:

E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…””. Apoc 19:19,20,21

Isso vai ocorrer imediatamente após a Segunda Vinda de Jesus, o que não pode ser um cumprimento da Escritura em 70 dC, pois Jesus não voltou naquela ocasião, e muito menos acabou com o Anticristo e seu exército: “E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da Sua vinda… “, 2 Tessalonicenses 2:8-9.

Quando Jesus vier, ele destrói os exércitos do mundo e o homem de Satanás é a primeira vítima. Quando isso aconteceu em 70 dC? Em 70 dC Tito e seu exército foram os vitoriosos.

Queria muito saber onde os preteristas podem encaixar em 70 dC os acontecimentos de Apocalipse descritos acima, se o exército romano e seu suposto Anticristo foram os vencedores. Atentem para os detalhes,

“… E a besta foi presa, e com ela o falso profeta… Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…”.

É isso que chamo de contradição das contradições!

O Evangelho foi pregado a TODOS antes de 70 dC?

Colossenses 1:23 diz: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro”.

Conclusão preterista: Paulo confirma as palavras de Jesus, quando o Senhor garante que o Evangelho seria anunciado a todo o mundo antes da destruição de Jerusalém: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”, Mat 24:14.

Os preteristas argumentam que a palavra aqui, quase sempre traduzida como “mundo” (οἰκουμένη), é um termo técnico que se refere ao mundo civilizado, uma menção ao Império Romano durante o primeiro século. Eles afirmam que o Evangelho já havia sido proclamado em “Todas as nações” pertencentes ao império durante a era apostólica, e que o fim mencionado por Jesus deve significar o fim de Jerusalém e da era judaica em 70 dC quando os romanos invadiram Jerusalém e destruíram o Templo. Eles acreditam também que a vinda de Jesus proclamada em todas as Escrituras ocorreu em 70 dC.

Vamos atentar para todo o contexto de Paulo aos Colossenses capítulo 1:23-27: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro.

Regozijo-me agora no que padeço por vós, e na minha carne cumpro o resto das aflições de Cristo, pelo seu corpo, que é a igreja;

Da qual eu estou feito ministro segundo a dispensação de Deus, que me foi concedida para convosco, para cumprir a palavra de Deus;

O mistério que esteve oculto desde todos os séculos, e em todas as gerações, e que agora foi manifesto aos seus santos;

Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória”.

Agora observem o verso cinco e seis do mesmo capítulo: “Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade”.

Quando Paulo confirma acima sobre o Evangelho, “… o qual é chegado a vós” e que “está em todo o mundo“, ele simplesmente quer ratificar que o Evangelho é universal. Ele não se limita a nenhum lugar ou pessoas, mas é projetado para ser uma religião universal. Ele oferece a bem-aventurança para todos. Não foi confinado aos judeus, ou limitado ao país estreito onde foi pregado pela primeira vez, mas foi enviado ao exterior, para o mundo gentio.

O Evangelho não havia sido pregado a toda criatura, mas estava sendo providenciado para ser anunciado por todo o mundo, diz Paulo aos Colossenses: “… como também está em todo o mundo [o Evangelho]; e já vai frutificando…”, v 5.

Vamos voltar agora ao verso 23: “Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé, e não vos moverdes da esperança do evangelho que tendes ouvido, o qual foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, estou feito ministro”.

O versículo foi muito mal traduzido, pois não está de acordo com a declaração anterior de Paulo, de que o Evangelho “está frutificando e crescendo em todo mundo“. Se o Evangelho está frutificando e crescendo, deve significar que “está sendo pregado a toda criatura” e não que “já foi pregado a toda criatura“. A frase geralmente traduzida como, “que foi proclamado”, em Colossenses 1:23, está no tempo aoristo (1), que frequentemente carrega um aspecto contínuo – fala do Evangelho “que é proclamado“.

Veja como a New English Bible traduziu corretamente o texto: ” … continuem firmes na fé, e não se distanciem da esperança da Boa Nova que ouvistes e que se proclama em toda a criação debaixo do céu; do qual eu, Paulo, me tornei um servo“.

A Bíblia Douay-Rheims traduziu de forma semelhante: “continuais na fé, alicerçados e firmes, e imóveis na esperança do evangelho que ouvistes, que é pregado a toda a criação que está debaixo do céu, da qual eu, Paulo, fui feito ministro“.

A World English Bible seguiu o mesmo padrão: “… continuais na fé, alicerçada e firme, não se afastando da esperança da Boa Nova que ouvistes e que se proclama em toda a criação debaixo do céu; do qual eu, Paulo, fui feito servo“.

O apóstolo mostra nesse texto que o Evangelho estava se espalhando amplamente e com sucesso onde quer que fosse proclamado. A ideia é que o Evangelho não se limita “à” nação de Israel ou a um determinado grupo de nações. Isso sugere que o escopo pretendido do Evangelho é “todas as nações”, o que pode ser entendido pelas palavras do próprio Paulo na carta aos romanos: “mas agora manifesto e, por meio das Escrituras Proféticas, segundo o mandamento do Deus, eterno, dado a conhecer a todas as nações para obediência da fé” (Romanos 16:26).

Provavelmente foi por este motivo que a tradução da NVT trouxe o versículo da seguinte forma: “mas que agora, como os escritos dos profetas predisseram e o Deus eterno ordenou, é anunciada aos gentios de toda parte, a fim de que eles também possam crer nele e lhe obedecer“.

Este versículo é uma alusão ao Salmo 19:4, que foi escrito durante o reinado do Rei Davi. Este salmo fala dos “céus” e seus corpos celestes declarando a glória de Deus a “toda a terra” e “ao fim do mundo”. Isso sugere fortemente que Paulo tomou emprestada a linguagem deste Salmo para expressar a ideia de que a mensagem celestial – o Evangelho – se destina a judeus e gentios sem distinção (Rom 10:18; cf. 10:12).

John Piper explica o significado do versículo em Colossenses 1:23: “Aqui está minha solução simples, embora você precise saber grego para vê-la. O grego para a frase “que foi proclamado” é tou kēruchthentos. Este é um particípio substantivo que poderíamos traduzir “que é proclamado” … O fato de o particípio “proclamado” ser aoristo não significa que a proclamação já aconteceu no passado… O tempo aoristo em tais usos não denota um tempo específico.

Portanto, a leitura mais simples de Colossenses 1:23 é que Paulo está definindo o Evangelho como o tipo de Evangelho ilimitado e global em escopo e, portanto, é pregado, por definição, em toda a criação. Não há nenhuma declaração aqui de que já aconteceu. Então, eu iria traduzir: “… se é que permaneceis na fé, fundados e firmes, não vos deixando apartar da esperança do Evangelho que ouvistes – o Evangelho que é proclamado em toda a criação debaixo do céu.” (O Evangelho Já Foi Pregado a Toda a Criação?).

A linguagem figurativa empregada por Paulo e seu companheiro de viagem, Lucas, para descrever a intenção não discriminante e a vitória do Evangelho contrasta com o significado literal das palavras de Jesus em Mateus 24:14. Não há razão convincente para interpretar as palavras do Mestre em Mateus 24:14 de forma figurada. Em vez disso, o Evangelho será proclamado “a todas as nações” (“a todos os grupos étnicos”) em todo o mundo para fornecer-lhes um testemunho (Mateus 24:14) antes do julgamento no final da era, um julgamento que incluirá “todas as nações”, conforme Mateus 25:32, o que não ocorreu em 70 dC.

Deve ser notado que Paulo não acreditava que o trabalho de pregar o Evangelho tinha sido concluído; ele também escreveu (na mesma carta, três capítulos depois) aos cristãos de Colossos, que estes orassem para que uma porta se abrisse para a pregação do Evangelho: “Ao mesmo tempo, orem também por nós, para que Deus nos abra uma porta à palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou algemado” (Colossenses 4: 3).

Observe a seguir como o argumento a favor da verdade prevalece diante da heresia preterista; Paulo escreveu aos Efésios enquanto estava preso em Roma. Preso por amor a Cristo (Ef 3: 1; 4: 1; 6: 20).

A Epístola aos Efésios tem muita afinidade com a Epístola aos Colossenses, e foi escrita logo após esta. Se Paulo disse que o Evangelho já havia sido pregado no mundo todo, na carta aos Colossenses, então os preteristas deveriam explicar do porque ele ainda falava em anunciar o Evangelho numa carta posterior: “com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos, e (orem) por mim, para que me seja dada a palavra, no abrir da minha boca, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho” (Efésios 6:18,19). E o problema preterista aumenta quando vemos que Paulo, durante sua segunda prisão em Roma – depois de escrever aos Colossenses e aos Efésios – exorta Timóteo a pregar o Evangelho: “prega a palavra, insta a tempo e fora de tempo, admoesta, repreende, exorta, com toda longanimidade e ensino” (2 Timóteo 4:2).

O livro do Apocalipse também transmite o conceito de que o Evangelho eterno deve ser proclamado a “toda nação, tribo e língua e povos” (Ap 14: 6) antes da gloriosa revelação de Jesus. Por outro lado, a abordagem preterista de Mateus 24:14 (“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim“) importa um significado limitado para as palavras de Jesus e, portanto, distorce a própria base para o evangelismo mundial.

A interpretação preterista de Mateus 24:14 involuntariamente mina a Grande Comissão (Mateus 28: 18-20; cf. Marcos 16: 15-18). A razão para isso é dupla: Primeiro, Jesus prometeu estar com seus discípulos em seus esforços evangelísticos até “o fim dos tempos” (Mt 28:20), uma era que muitos preteristas acreditam que terminou com a destruição de Jerusalém em 70 dC. Em segundo lugar, Jesus ordenou a seus discípulos que fizessem discípulos de “todas as nações“. Com base em sua interpretação de “todas as nações” em Mateus 24:14, a consistência hermenêutica exige que os preteristas entendam esse mandamento como tendo sido cumprido o mais tardar em 70 dC.

Há uma diferença entre uma profecia específica de Cristo e Paulo falando sobre o que ocorria em todo o mundo com relação ao Evangelho. Na verdade, levaria séculos para chegar a vários outros grupos de pessoas. O Evangelho alcançando cada pessoa é uma das ocorrências que vai inaugurar a segunda vinda do Senhor, o que ainda não ocorreu. O próprio Paulo disse sobre o Evangelho não proclamado ainda para todos, quando afirma que havia lugares em que Cristo não tinha sido anunciado (Rom 15:20, 21). Isso significa que nem todas as pessoas haviam ainda sido alcançadas até 58 dC, ocasião em que escreveu estas palavras, o que, obviamente, também não ocorreria até 70 dC.

Outra passagem usada pelos preteristas

Romanos 16:25-26, “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu Evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações [etnia] para obediência da fé”.

Os preteristas alegam que essa palavra de Paulo teve cumprimento até 70 dC – que o Evangelho foi dado a conhecer a todas as nações antes da volta de Jesus na destruição de Jerusalém.

Óbvio que isto não foi feito quando Paulo escreveu Romanos. Se fosse assim, então toda a atividade missionária teria cessado. Ele apenas dizia que o Evangelho era universal, oferecido a todas as nações. “Em todo o mundo”, ou “Todas as nações”, que aqui deve ser entendido que o Evangelho é uma mensagem universal, concebido para todos os homens e adequado para ser pregado entre todas as nações, não apenas aos judeus, o que pode ser melhor compreendido pela tradução da NVT: “mas que agora, como os escritos dos profetas predisseram e o Deus eterno ordenou, é anunciada aos gentios de toda parte, a fim de que eles também possam crer nele e lhe obedecer“.

Agora, se os preteristas querem continuar insistindo na tese de que o Evangelho foi pregado a todo mundo antes de 70 dC, devem explicar – citando apenas dois exemplos – porque Tomé foi martirizado anunciando o Evangelho na Índia depois de 70 dC. Por que Felipe foi para o leste da Turquia pregar o Evangelho depois de 70 dC, e ali foi executado, se o Evangelho havia já alcançado aquele povo? Provavelmente o preterismo não poderá responder satisfatoriamente.

Como vimos, a proposta preterista é confusa e ingênua, sendo fácil de refutar. A alegação de que o Evangelho foi pregado em todo o mundo antes da destruição de Jerusalém é por demais imprecisa e infantil.

A Deus toda Glória

1) Forma verbal do grego antigo, caracterizada por expressar a ação sem limitação de tempo (sem limite ou especificações de tempo). O aspecto verbal que não denota a duração de tempo (em quaisquer idiomas/línguas).

A Geração que vê todas estas Coisas

Mat 24:34, “Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam”.

Jesus abrange sua palavra para que ela alcançe mais de um nível de interpretação. O momento de “Esta Geração” em Mateus 24:34 e regido pela frase relacionada, “TODAS ESTAS coisas”. Em outras palavras, Cristo está dizendo que a geração que vê “TODAS ESTAS coisas” ocorrerem nao deixará de existir ATÉ que todos os eventos da tribulação futura sejam literalmente cumpridos. Sem dúvida, aqui se trata de uma interpretação literal que não foi cumprida no século primeiro. Mas Cristo também avança para outro significado, ele não está fazendo ali uma última análise sobre uma palavra que se perderia num cumprimento definitivo dentro de 40 anos. Ele não fala apenas aos seus contemporâneos, mas a uma geração a quem os sinais de Mateus 24 se tornarão evidente.

O que Jesus está dizendo é que uma geração que tem uma antevisão do começo do FIM vê também o seu próprio fim. Quando os sinais sobre a iminente destrição de Jerusalém vierem, vão avançar rapidamente, e não se arrastarão por muitas outras gerações.

Esse também é um aviso para quem vive a nossa geração, pois os sinais previstos em Mateus 24 são visiveis hoje.

JESUS está voltando!

Apesar do coro preterista que “esta geração” se refere a geração do primeiro século, uma interpretação literal relaciona o momento da realização de outros eventos no contexto. Embora seja verdade que há outras utilizações de “esta geração”, que também faz referência aos contemporâneos de Cristo, não deixa de significar que a profecia aponta principalmente para eventos que ocorrerão antes da Segunda Volta de Jesus.

O uso de “esta geração” no Sermão do Monte e nas passagens da figueira são textos proféticos. Na verdade, quando se compara o uso de “esta geração” no início do Sermão do Monte, em Mateus 23:36 (que é uma referência indiscutível para AD 70) com o uso profético em Mateus 24:34, um contraste parece óbvio. Jesus está contrastando uma libertação de Israel em Mateus 24:34 com o Julgamento previsto de Mateus 23:36. Isso não ocorreu, muito pelo contrário, Jerusalém foi arrasada e os judeus dispersos.

TODAS ESTAS Coisas

Quando desafiados ou ameaçados sobre a veracidade de outros detalhes interpretativos, os preteristas quase sempre caem de volta naquilo que chamamos de “textos do tempo”. Sua compreensão de “esta geração” (Mateus 24:34) no Sermão do Monte se torna o texto prova que resolve todos os argumentos e justifica a sua interpretação fantasiosa de muitos outros detalhes referidos por Cristo como “todas estas coisas” no verso 34.

A intepretação dos Preteristas sobre “todas estas coisas” de Mateus 24:3-31 são alegóricas apenas para caber em seu esquema do primeiro século. Uma vez que “esta geração” é controlada pelo significado de “todas estas coisas,” é óbvio que essas coisas todas não ocorreram dentro, e em torno, dos eventos da destruição romana em Jerusalém no ano de 70 dC.

Quando foram os judeus, que estavam sob cerco romano, resgatados pelo Senhor no ano 70 dC? Eles não foram resgatados, eles foram julgados, como observado em Lucas 21:20-24. Mas Mateus 24 fala de um resgate Divino daqueles que estão sob cerco (?):

29 E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.

30 Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

31 E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.

A aflição daqueles dias, segundo os preteristas, faz referência a Grande Tribulação que veio sobre Jerusalém em 70 dC. Isso não poderia ter-se cumprido no primeiro século!

A declaração imediatamente anterior de Cristo a “esta geração”, diz: “mesmo assim, vocês também, quando virdes todas estas coisas, reconheceis que Ele está próximo, às portas” (Mateus 24:33).

Os preteristas são forçados a afirmar que o ponto da parábola de Cristo sobre a figueira (Mateus 24:32-35), torna os eventos observados anteriormente em Mateus 24:4-31, como sinais anunciando a ajuda que estava chegando na Pessoa de Cristo – Sua volta para resgatar seu povo cê cado pelos romanos. Isso não faz sentido algum.

Vejam como a situacão do preterismo piora consideravelmente. Se Jerusalém estava prestes a ser destruída, seu povo disperso, como pode Lucas dizer que a redenção de Israel estava próxima?

Em Lucas 21:28 Jesus é enfático quando afirma que a redenção de Israel estava próxima,

“Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima”.

Certamente essa seção citada por Jesus não fazia referência aos sinais sobre a iminente destruição que viria sobre Jerusalem, mas sim que serão sinais proféticos assistidos pela geração que estiver vivendo na ocasião da sua Segunda Vinda.

Em contradição com isso, outros preteristas ensinam que “todas estas coisas” referem-se a vinda não corporal de Cristo através do exército romano no primeiro século. Eles são forçados a dizer que toda a passagem fala de uma vinda de Cristo através dos acontecimentos que antecederam o que Cristo realmente diz sobre como será o seu retorno. Não entanto, contra essa bagunça preterista, Cristo diz na parábola da figueira que os eventos anteriores, os sinais, ou todas estas coisas, deveriam ser um reconhecimento de que ele está próximo, às portas. Porém, Jesus ainda não veio!

Daquele dia e hora ninguém Sabe

Se Mateus 24 pode ser mostrado para conter referências a dois acontecimentos históricos – o cerco de Jerusalém em 70 dC e a consumação da história em um tempo futuro, então aqueles que começaram a sua viagem pela estrada para o preterismo com base nesse texto devem sentir-se compelidos a reexaminar o seu destino.

A partir da história, sabemos que a predição de Jesus em 24:1-2 foi cumprida no ano 70 dC quando os romanos cercaram Jerusalém e destruíram o templo. O versículo 34 afirma especificamente que os eventos descritos ocorrerão em “esta geração”. Em contraste com esses pontos, especificamente Jesus diz que ninguém sabe quando isso irá ocorrer nos versículos 36 e 42. Conclui-se então que Jesus fala de dois diferentes eventos.

36  Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

42  Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

Observem se não seria trivial demais afirmar que, por um lado vários sinais devem levar a ação (16), que vários sinais devem indicar que o tempo está muito próximo (14, 33) e, simultaneamente, que o “dia e a hora” ninguém sabe, nem mesmo o Filho de Deus ou os anjos. Por que, se o capítulo trata da destruição de Jerusalém que ocorreria dentro daquela geração? Ora, se as palavras de Jesus deveriam ser cumpridas naquela geração, então tudo ocorreria dentro de , no máximo, 40 anos, o que significa que todos os ouvintes saberiam com precisão o tempo do cumprimento de cada sentença dita pelo Senhor.

Esse é o ponto de  todo o contraste: é a mesma coisa que dizer que os discípulos certamente sabiam a semana ou o mês do evento, mas não o dia específico da semana. Isto parece ser o resultado de uma leitura não natural do texto. O que suaviza as  diferenças no relato é a interpretação real de duas ocorrências, a previsão de  dois eventos. Se esta visão futurista para a maior parte de Mateus 24 está correta, então o preterismo está incorreto. Por que? Por causa de um ponto importantíssimo, que coloca o preterismo em evidente contradição: logo depois das previsões catastróficas, que segundos eles, todas, ocorreram antes de 70 dC, Jesus separou  ovelhas e  bodes, e os enviou  cada um ao seu destino eterno respectivo (25:31-32); isso ainda não aconteceu!

Tribulação iminente

Uma vez que os preteristas ensinam que todos os termos similares a tribulação, como: grande tribulação, angustia das nações, julgamento sobre os moradores da terra, guerras e rumores de guerras, fome, peste e terremotos, devem ser aplicados à destruição de Jerusalém, que tudo ocorreu antes do ano 70 dC, conclui-se que Mateus 24 e todo o Livro de Apocalipse já foram cumpridos. No entanto, a referência a Noé em Mateus 24:37-38 parece indicar que a vinda do Filho do Homem será como nos dias de Noé: Noé entra na arca e em seguida vem a destruição sobre os moradores de toda a terra. E mais um detalhe: Há aqui à impossibilidade de conhecer o calendário do evento  e a conduta da vida como direito comum até o evento.

Deve-se observar que  há um paralelo entre Noé entrar na arca (Lc 17:27) Ló deixando Sodoma (17:29) e a revelação de Jesus como o Filho do Homem (17:30). Portanto, quase todo o capítulo de Mateus 24 trata de sinas anteriores à Segunda Vinda de Cristo.

Profetizando para duas Gerações

Os discípulos mostraram a Jesus a beleza do Templo e sua estrutura (Mat 24:1); Jesus explica-lhes que daquela casa não ficaria pedra sobre pedra. Eles questionam o Senhor da seguinte forma:

“… Dize-nos, quando serão essas coisas, e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (v 3b).

Foram três perguntas: a primeira está embutida em “quando serão essas coisas”, pois questionavam diante da indagação do mestre sobre o tempo em que ocorreria a destruição do Templo. Em seguida eles fazem a segunda e terceira perguntas,

“… e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?”

Porém, segundo o preterismo, Jesus não respondeu as duas últimas, que parece determinar justamente o que pretendem: “O Capítulo 24 do Livro de Mateus faz apenas referência as calamidades que vieram sobre Jerusalém em 70 dC”. A frase tornou-se uma constituição para o preterismo.

Portanto, pestes em vários lugares, terremotos em vários lugares, fome em vários lugares, nação se levantando contra nação, reino contra reino, frieza do amor a Deus e etc., são previsões que foram feitas para antes da destruição de Jerusalém, bradam vitoriosamente.

Vou apresentar aqui o que um preterista afirmou no seu desesperado esforço para tentar justificar o suposto silencio de Jesus para a segunda e terceira perguntas,

“… Quanto àquele dia e àquela hora não há sinal, pois só o PAI saberá o momento. Em Marcos 13 ele diz que nem o Filho sabia”.

O discurso dele é uma réplica exata de Mateus 24:36, que afirma: “Quanto àquele dia e àquela hora (VOLTA DO SENHOR), ninguém o sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o Pai”.

Também em Marcos 13:32: “A respeito, porém, daquele dia ou daquela hora (VOLTA DO SENHOR), ninguém o sabe, nem os anjos do céu nem mesmo o Filho, mas somente o Pai”.

A doutrina preterista acredita que os apóstolos pediram um sinal do fim do mundo e da volta do Senhor e a resposta foi que não haveria sinal, pois a volta do senhor é como um ladrão. O único sinal que existiu é que após as tribulações que ocorreram naquela geração ele estaria à porta para voltar a qualquer momento.

“Esse momento só o PAI saberá”.

O que o preterista pretende afirmar é que Jesus nada respondeu sobre os sinais que antecederam sua vinda, ou que não haveria sinais, resumindo as palavras do Senhor como se ele mesmo tivesse feito um silêncio proposital sobre estes sinais quando disse, “daquele dia e hora ninguém sabe“. Ora, Jesus não quis dizer que não haverá sinais antes da sua vinda, mas apenas diz que o dia exato dela só o pai sabe. Jesus não deixou os discípulos presentes sem resposta, e muito menos aqueles que seriam discípulos nos tempos futuros.

Reuni aqui algumas passagens de Mateus 24, passagens estas que, segundo os preteristas, cumpriram-se antes da destruição de Jerusalém

6,7: “E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim. Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares“.

O preterismo não consegue explicar por qual motivo, Jesus, ao alertar os discípulos sobre a destruição de Jerusalém, lhes falou sobre guerras e rumores de guerras, como também se levantaria nação contra nação e reino contra reino, aflições e angustias das nações, se uma batalha estava prestes a ocorrer apenas na região da Judéia, mais precisamente na cidade de Jerusalém. Como as supostas guerras entre outras nações poderiam desencadear um conflito entre Jerusalém e Roma?

Porém, mesmo diante de questionamentos tão intrigantes, preteristas como Gary DeMar, por exemplo, acreditam que Mateus 24:6,7 foi cumprido no primeiro século. Ele diz o seguinte: “Os Anais de Tácito, cobrindo o período de 14 dC até a morte de Nero em 68 dC, descrevem o tumulto do período com frases como “distúrbios na Alemanha”, “comoções na África”, “comoções na Trácia”, “insurreições na Gália”, “intrigas entre os partos”, “a guerra na Grã-Bretanha ” e “a guerra na Armênia ”. As guerras foram travadas de um extremo ao outro do império. Com esta descrição, podemos ver o cumprimento: “Porque se levantará nação contra nação, e reino contra reino”.
Evidente que há uma anomalia aqui, pois o império romano era mundial, tendo essas nações e reinos sob seu comando. Ou seja, era apenas um império. O alcance profético de Jesus envolve nações e reinos independentes. Nação e reino aqui são sinônimos de entidades nacionais desligadas do comando de um império apenas.

Como de costume, quando alguém examina a visão preterista sobre um assunto específico de perto, ela não corresponde ao que a passagem está realmente dizendo. Tácito está descrevendo conflitos internos dentro do Império Romano, não “nação contra nação e reino contra reino”. Esta passagem fala da expectativa de guerra global e caos no mundo inteiro. No entanto, não houve grandes guerras antes da revolta judaica. Quanto às guerras e os motins que ocorreram, eles não tinham qualquer ligação com Jerusalém ou Judéia.

Estes versículos dificilmente podem se referir ao tempo antes da destruição de Jerusalém, pois o poder romano cuidava em manter a paz no mundo a qualquer custo (Dn 7:7,19,23).

Muitos comentaristas preteristas, em desespero coletivo, também entendem que a passagem foi cumprida em vários tumultos locais entre os judeus que estavam espalhados por toda parte, nas várias nações gentias entre as quais eles habitavam. Mas isso de forma alguma responde a expressões como “nação contra nação” e “reino contra reino”. Parecem antes referir-se a um tempo como o presente, quando o mundo civilizado está dividido em muitas nacionalidades distintas, não subjulgadas a um império apenas.

Devemos notar que esses conflitos internacionais parecem olhar mais para estes últimos tempos, quando a Europa e a parte adjacente da Ásia e da África estão divididas em tantas soberanias independentes, do que para uma época em que havia apenas um grande império, que, mantinha paz entre as nacionalidades menores.

Esta passagem está descrevendo eventos futuros. Mateus 24: 6-7 faz paralelo ao julgamento do segundo selo em Apocalipse 6: 3,4, posteriormente fixado nas Escrituras como parte do tempo futuro de turbulência. Ali está escrito: “Quando ele abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizer: Vem! E saiu outro cavalo, um cavalo vermelho; e ao que estava montado nele foi dado que tirasse a paz da terra, de modo que os homens se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada“.

Podemos ver a partir de uma interpretação adequada das passagens bíblicas que a profecia do Senhor Jesus clama por um tempo futuro, conforme descrito em Mateus 24: 6-7. Não devemos nos surpreender que o mesmo Deus que escreveu aquela Escritura está se movendo para trazer seu cumprimento, provavelmente em um futuro próximo.

Eu acredito que o preterismo não será capaz de localizar fontes escrituristicas para as tantas evidências em nossos dias se eles anulam as profecias, alegando que seu cumprimento total já se realizou em 70 dC.

Onde buscaremos vestígios proféticos que nos expliquem o porquê de tantas calamidades acontecendo na presente era? Se as predições de Jesus em Mateus 24 se perdem na destruição de Jerusalém, deveríamos esperar uma cristianização da humanidade e um tempo de preservação e recuperação. Se aceitamos a teoria preterista, não podemos ter ideia dos motivos de tanta fome, peste, guerras e rumores de guerras, terremotos e destruição em várias partes do planeta, em nosso tempo!

Jesus alguma vez fez algum tipo de previsão parecida para nossa época? Segundo eles não!

Tudo se cumpriu antes da destruição de Jerusalém!

Falsos profetas

Mateus 24:11 diz: E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos.

São tantos!

Provavelmente, para os preteristas, os MUITOS falsos Cristos e falsos profetas que enganariam multidões, situação prevista aqui por Jesus, devem ser a meia dúzia que apareceu antes da destruição de Jerusalém. Não houve previsões e alertas sobre os falsos cristos e falsos profetas que vimos aparecer nos últimos dois séculos. Estes falsos profetas de hoje devem ser uns intrometidos escatológicos que apareceram para atrapalhar a argumentação preterista.

Será possível que Jesus nada disse sobre o engano dos últimos dias? E Pedro, profetizou algo para nossos dias dentro desse contexto? Jesus, o mestre por excelência, teve sua palavra sugada e cumprida nos falsos profetas que apareceram antes da destruição de Jerusalém! Que disparate!

E aqueles preditos por Pedro, apareceram antes de 70 dC ou a profecia alcança os últimos tempos?

2 Pedro 2:1-3 diz: “E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.

E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.

E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.

Ouça as palavras de Jesus em Mateus 24:11 novamente: “E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos“.

O preterismo conclui que Pedro e Cristo fazem referência aos falsos profetas que apareceram antes da destruição de Jerusalém. Isso é trágico!

Vamos seguir com as coisas que se cumpriram antes da destruição de Jerusalém, segundo o preterismo. Ainda em Mateus capítulo 24: “E por se multiplicar a iniquidade, o amor se esfriará de quase todos. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo” (v 12).

Para os preteristas o amor entre os moradores da Jerusalém de 70 dC, esfriava, enquanto a iniquidade aumentava. A doutrina preterista é um fiasco!

Mais de um milhão de Judeus foram mortos. Posteriormente milhares morreram de fome e outros de doenças, e Jesus ainda disse que aquele que perseverasse até o fim [da destruição da cidade] seria salvo. Essa é a visão míope do Preterismo quando olha para este texto. Certamente não podem explicar como os judeus massacrados e sem pátria foram salvos.

Agora veja essa sequência e observe como Jesus inclui elementos sobre sua Segunda Vinda:

Respondeu-lhes Jesus: Acautelai-vos, que ninguém vos engane.

Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; a muitos enganarão.

E ouvireis falar de guerras e rumores de guerras; olhai não vos perturbeis; porque forçoso é que assim aconteça; mas ainda não é o fim.

Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino; e haverá fomes e terremotos em vários lugares.

Mas todas essas coisas são o princípio das dores.

Igualmente hão de surgir muitos falsos profetas, e enganarão a muitos; e, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará.

Mas quem perseverar até o fim, esse será salvo. E este evangelho do reino será pregado no mundo inteiro, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

Porque haverá então uma tribulação tão grande, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.

E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.

Se, pois, alguém vos disser: Eis aqui o Cristo! ou: Ei-lo aí! não acrediteis; porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos.

Eis que de antemão vo-lo tenho dito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.

Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do filho do homem. Pois onde estiver o cadáver, aí se ajuntarão os abutres” (Mateus 24:4-8,11-14,21,22-28).

Há um detalhe interessante no significado das palavras de Jesus em, “… se vos disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis“.

Aqui é revelada a trama preterista, quando alegam que Jesus já veio. E acreditem: Jesus fala exatamente sobre sua vinda, pois o verso imediato diz: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do filho do homem…”.

Leia agora os dois versículos juntos: “Eis que de antemão vo-lo tenho dito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto; não saiais; ou: Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do filho do homem“.

Atentem para estes dois versos a seguir (ainda em Mateus 24) e observem como eles enfatizam sobre a volta do Senhor Jesus no fim dos dias:

“E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas.

Então aparecerá no céu o sinal do Filho do homem; e todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem, vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt 24:29,30).

Que dias são esses de aflições tão grandes que vem imediatamente antes da sua segunda vinda? Veja duas partes dos versículos unidas uma na outra:

“… E, logo depois da aflição daqueles dias… aparecerá no céu o sinal do Filho do homem…”.

Jesus não dizia que logo depois das aflições que se abateriam sobre Jerusalém em 70 dC apareceria no céu o sinal do Filho do Homem. Obviamente Jesus falou aqui de eventos que antecedem sua volta, a qual ainda está para se cumprir. E em seguida vai ocorrer o arrebatamento:

“E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus” (v 31).

Muitas das calamidades descritas nos versos anteriores são para o fim dos tempos, pois estão interligadas com a segunda vinda de Jesus. Não é possível de forma alguma separar “todas essas coisas” da vinda do Senhor, pois é dito que essas coisas aconteceriam bem próximas à sua vinda.

A Segunda Vinda de Jesus não ocorreu em 70 dC!

O discurso do mestre em Mateus 24 fala mais sobre os tempos finais do que da destruição da cidade de Jerusalém em 70 dC pelo exercito romano. É isso que Ele deixa entendido no versículo seguinte, que o tempo vai passar, mas as palavras proféticas avançariam até o fim do mundo: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (v 35).

De fato, suas palavras não ficaram confinadas em 70 dC!

Carta à Igreja de Éfeso

Segundo o relato de Lucas em Atos 20, quando Paulo visitou a Ásia Menor, “… de Mileto mandou a Éfeso, chamar os anciãos da igreja. E, logo que chegaram juntos dele, disse-lhes… Olhai pois por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (At 20:17, 18, 28). Quando Paulo falou essas palavras, Timóteo era o pastor da igreja de Éfeso (1 Tm 1:3) e provavelmente Tíquico tenha sido seu substituto (At 20:4; Ef 6:21; 2 Tm 4:12).

Essa Igreja recebeu duas cartas: uma de Paulo (epístola aos efésios), e outra de Cristo (à que está em foco). A primeira em 62 dC, a segunda depois de 96 d. C, que aparece em Apocalipse 2:2: “Eu sei as tuas obras e o teu trabalho, e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e o não são, e tu os achaste mentirosos”.

“… os que dizem ser apóstolos”. Está em foco neste versículo os chefes gnósticos, que tinham arrogado para si o título de apóstolos de Cristo. Paulo diz que tais “… falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2 Co 11.13b). Diante dos “anciãos de Éfeso”, Paulo chamou estes de “… lobos cruéis, que não perdoarão ao rebanho” (At 20:29a), o que curiosamente é dito pelo Apóstolo que ocorreria após sua partida deste mundo. Veja o verso completo: “Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho“.

Podemos inferir que a invasão dos falsos cristãos na liderança da Igreja ocorreu após a morte de Paulo. Isto significa que não ocorreu imediatamente antes de 70 dC.

A igreja de Éfeso, talvez tenha sido a de maior cuidado do ministério de Paulo; O Novo Testamento diz que Paulo esteve em Éfeso levando consigo Priscila e Áquila; e deixou-os ali (At 18.19); retornou mais tarde (19.1) e desta vez permaneceu dois anos, dedicado à pregação do Evangelho. Dessa maneira, todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra sobre o Senhor Jesus, assim judeus como gregos (At 19.10). Éfeso chegou mesmo a tornar-se o centro do mundo cristão.

Para esta Igreja João escreve, “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres” (Apoc 2:4,5).

A situação da congregação em Éfeso ficou tão séria que o Senhor lhes pede arrependimento ou removeria deles o candeeiro – infelizmente essa ameaça de Jesus logo se tornou realidade. A igreja de Éfeso, que se encontrava onde hoje é a Turquia, desapareceu e não há praticamente mais nada que a lembre.

Quando o Apóstolo João escreveu aos Efésios?

Permita-me o leitor fazer aqui alguns cálculos para que se tenha idéia do absurdo proposto pela teologia preterista: Segundo eles, o capítulo 18 de Apocalipse descreve a destruição final da cidade de Jerusalém, que eles chamam de Babilônia. Isso nos levaria a concluir que, pelo menos, os capítulos de 1 a 18 foram redigidos por um João apressado e desesperado, antes de 70 dC, lhe dando uma margem de tempo curtíssimo para entregar o aviso a todas estas congregações, bem longe da ilha de Patmos, lá em território romano, na Ásia Menor.

O que quero esclarecer, considerando todos estes detalhes, é que devemos trazer a escrita e termino do Livro de Apocalipse até 68 dC. Se for este o caso, temos que procurar uma data anterior para encaixar os registros às sete Igrejas da Ásia, o que seria justo localizar o tempo da redação dessas cartas em pelo menos seis anos antes da destruição de Jerusalém, o que significa algo, no máximo, em torno de 63 dC – Os cálculos estão sendo feitos usando a cronologia dos preteristas. E mais, João não pode ter sido exilado em Patmos antes de 60 dC, pois se algumas dessas Igrejas nem existiam nessa ocasião ele não tinha que escrever-lhes cartas de advertência nenhuma. Assim, e tendo por base as datas do preterismo, João escreve sua carta aos Efésios não mais tarde que 63 dC.

Paulo viveu em Éfeso durante dois anos (Atos 19:10). Nesse tempo a igreja recebeu orientação pessoal direta das mãos do apóstolo. Éfeso era o lugar onde esta registrado que Paulo fazia milagres extraordinários, alguns tão importante que até a roupa que ele usava, quando foi posta em contato com os enfermos, os curaram.

A melhor evidência que temos sobre a execução de Paulo é em cerca de 67 dC, sob o reinado de Nero. A cidade de Roma teria sido queimada, e Nero, ansioso para culpar os cristãos, e assim diminuir a culpa de si mesmo, decapitou Paulo.

O ardor e diligência do Apóstolo pela Igreja de Éfeso é bem documentada na Escritura. Para que o livro de Apocalipse tenha sido escrito antes de 70 dC, a igreja de Éfeso teria de ter perdido seu primeiro amor enquanto Paulo estava vivo, ou pouco depois de sua morte. Mas o pior nisso tudo é tentar localizar João escrevendo a Éfeso antes da morte de Paulo.

Paulo escreve a Igreja em Éfeso lá pelos idos de 62, época que estava preso em Roma. Assim, somos obrigados a localizar a advertência de João aos efésios acusando-os de ter abandonado o primeiro amor, praticamente na mesma ocasião do elogio de Paulo.

Paulo testemunha aos efésios o seguinte:

“… noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor…”, cap 5:8

Não faz sentido a mesma Igreja ter recebido ao mesmo tempo uma palavra tão negativa do Apóstolo João:

Ap 2:4 Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.

Uma Igreja que havia abandonado seu primeiro amor não poderia jamais ter sido elogiada por Paulo sobre o amor que ela nutria por todos os santos, como também por sua fé, motivos estes que fazem com que o Apóstolo dê graças incessantes a Deus pelo exemplo desses cristãos.

Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações“. Efésios 1:15,6

Os absurdos propostos pelo preterismo são gritantes quando examinamos a condição da Igreja de Éfeso descrita pelo Apóstolo dos gentios, que insiste em demonstrar nas suas linhas que Deus “… VOS vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência”, Efe 2:1,2

Paulo declara que a igreja de Éfeso tinha ardente caridade para com “todos os santos” (cf. Ef 3.18). Paulo chegou até a convidá-los a participarem da “… largura, e a altura e a profundidade” do amor de Deus, … que excede todo o entendimento” (Ef 3.18-19). Portanto, João jamais poderia ter escrito, na mesma ocasião da escrita de Paulo, que a luz que havia ali estava para ser apagada

O contraste é tão grande que até os mais desavisados e ignorantes percebem. Uma congregação que no tempo presente da escrita do apóstolo Paulo foi reconhecida como luz no Senhor, transbordante de amor para com os santos, sendo firme na fé e vivificada, não pode ser acusada de ter abandonado seu primeiro amor por outro Apóstolo, praticamente na mesma época. Como poderiam ter abandonado este amor em tão pouco tempo, se houve mesmo algum tempo? Ora, a verdade é que esse afastamento do primeiro amor se deu num tempo anterior tão distante que Jesus pede a Igreja que se lembre de onde havia caído.

“Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras, quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres.”, Apocalipse 2:5

“… pratica as primeiras obras…”.

Essa advertência associada ao inicio do versículo, de que deveriam lembrar-se de onde caíram, como e quando caíram, deixa explícito que essa queda ocorreu num passado bem distante. Esse tempo distante se calculamos tendo por base as datas do preterismo, que coloca João em Patmos por volta de 62 dC, obriga-nos a voltar, pelo menos, em 40 dC para localizar a queda da Igreja. Isso é impossível, pois nessa época não havia Igreja em Éfeso.

Assim, surge o questionamento: o que seria mais coerente concluir se tentarmos cobrir esse espaço de tempo enorme exigido pelo contexto explicito, revelado na exortação de Jesus que a queda da Igreja se deu num tempo anterior muito distante? A advertência só faz sentido se localizamos a escrita para anos depois de 70 dC. Em outras palavras, se os registros foram feitos quase no final do primeiro século, e se voltamos no tempo para acompanhar a Igreja no rastro de sua queda, podemos achar uma congregação que perdeu seu primeiro amor no inicio da década de 80 dC, pelo menos.

Quando Paulo escreveu para essa Igreja não encontrou nada a criticar. Entretanto, se João escreveu a Éfeso na mesma época, então dentro de um curto espaço de tempo a igreja tinha deixado seu primeiro amor e estava em perigo de ter sua luz apagada. Isso é uma tremenda contradição; não é possível admitir que uma Igreja elogiada por ser “… Luz no Senhor…“, pode, ao mesmo tempo, ser ameaçada de ter seu candeeiro removido.

A verdade é que a carta de Paulo aos Efésios não foi redigida na mesma época da escrita de João dirigida a mesma Igreja (Apocalipse 2:1 -7). Basta observar que os erros apontados por Cristo aos Efésios em Apocalipse não vieram a tona na epístola de Paulo. Se João tivesse escrito a Igreja na mesma ocasião, teria se sobreposto a carta de Paulo. No entanto, Paulo não faz menção à perda do primeiro amor ou a ameaça dos Nicolaítas e nem os alerta de que teriam o candeeiro removido, pelo contrário. Portanto, diante dos fatos, é muito mais provável que a moleza espiritual de que João acusa Éfeso, tenha vindo quase 20 anos depois da igreja ter recebido elogios do Apóstolo dos gentios.

Conclusão

Paulo escreve aos Efesios depois dos anos 60 d.C, pois a prisão mencionada em 3:1 e 6:20 é a mesma referida em Cl 4:3,10,18. Paulo elogia a Igreja de Éfeso em 62 pelo amor e dedicação. Portanto, João não poderia de forma alguma ter escrito a essa Igreja na mesma ocasião dizendo que ela perdeu seu primeiro amor. Para que acontecesse um esfriamento nessas proporções haveria necessidade de uns vinte anos de afastamento da fé.

O estado em que se encontravam as igrejas da Ásia, como descrito nas sete cartas de Apocalipse capítulos 2 e 3, nos leva a quase trinta anos além da condição que estavam nos tempos de Paulo, e não dos meros 2 ou 3 anos exigidos pelas datas apresentadas pelo preterismo católico.

João não escreveu Apocalipse antes da destruição de Jerusalém!

A conclusão que salta diante dos olhos até dos mais ignorantes é patente: O Livro de Apocalipse, além de não tratar, em nenhuma de suas páginas, da queda de Jerusalém, foi escrito após 70 dC.