O Anticristo em 70 DC

Segundo a doutrina preterista, o Anticristo, que é a besta, e o falso profeta, já foram lançados vivos no lago de fogo.  Apocalipse 19 afirma que esses homens foram finalmente destruídos depois que o Senhor Jesus julgou Jerusalém em 70 dC: “Caiu, caiu, a Grande Babilônia” (Ap 18:2).

Para os preteristas, essa passagem descreve a queda de Jerusalém em 70 dC, a qual eles chamam de Babilônia. Essa deve ser a teoria aceita se seguirmos a cronologia dessa confusa doutrina. Leiam o que aconteceu logo depois da suposta destruição de Jerusalém: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (Apo 19:20). O destino deles está no capítulo seguinte, o 19, que começa dizendo: “… E, DEPOIS destas coisas …” (Ap 19:1).

O preterista é obrigado a admitir que isso aconteceu imediatamente após a derrocada da Cidade Santa. Precisamos apenas unir as passagens dessa forma: “… E, DEPOIS destas coisasa besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre

Para a maioria dentro do Preterismo a besta era o imperador romano Nero ou mesmo seu sucessor. Mas Nero suicidou-se dois anos antes de Jerusalém ser destruída. Na verdade, Jerusalém foi destruída sob o imperador romano Vespasiano, não Nero. Além disso, nem Vespasiano e nem o seu general, Tito, foram mortos em Jerusalém com seus corpos “lançados vivos no lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 19: 20).

Deixe-me explicar melhor para que você tenha uma visão mais precisa. Se o capítulo 18 trata da destruição final de Jerusalém, a Grande Cidade, a Grande Babilônia, como ensina a escola preterista, obviamente devem eles concordar que a besta e o falso profeta, que aparecem finalmente destruídos em Apocalipse 19, são os mesmos mencionados em todo o Livro profético. Além disso, eles são forçados a identificar estes indivíduos como sendo ditadores romanos. Assim, se seguimos esta tese devemos concluir que estes personagens reais foram “lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (19:20) imediatamente após a derrubada de Jerusalém em 18:2.

Se observarmos no capítulo 19 descobrimos que a besta e o falso profeta foram instrumentos do julgamento de Cristo que havia supostamente voltado.  Quem os julga e os lança no lago de fogo é o próprio Jesus na manifestação da sua Segunda Vinda, a qual os preteristas vergonhosamente alegam já ter ocorrido. Portanto, deve-se perguntar: Quem era o falso profeta e o anticristo nessa ocasião? Uma vertente dessa doutrina já declarou que ele foi o imperador romano, Nero.

Essa loucura preterista não termina aqui; muitos chegaram ao absurdo de interpretar que a besta e seus exércitos avançam vindo de Roma contra Jerusalém, mas isto dificilmente pode ser verdade, pois Tito ( onde estava Nero? ) e seu exército foram os vencedores em 70 dC, enquanto Apocalipse diz que “a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e contra os seus exércitos” (Apocalipse 19:19), foram os perdedores.

Perguntas que precisam ser respondidas pelos Preteristas

A teoria preterista passada não corresponde aos fatos, pois a queda de Jerusalém em 70 dC não extinguiu o anticristo. Nem a morte da “besta” (que segundo a interpretação destes tem que ser Nero), e nem os milhares de judeus mortos no cerco de Jerusalém, pôs fim ao anticristo.

E tenha em mente: O falso profeta e o anticristo, que aparecem nos capítulos anteriores de Apocalipse 18, capítulo que trataria da queda de Jerusalém, são vistos no capítulo 19 sendo lançados no lago de fogo.Se Apocalipse 18 já teve cumprimento, mas Apocalipse 19 não, então essa aberrante doutrina está com um enorme problema para resolver. E pior, se garantem que Apocalipse 19 já teve cumprimento eles precisam provar que Jesus já retornou, pois esse capítulo, entre outras coisas, trata da sua Segunda Vinda do Senhor.

Segue abaixo alguns questionamentos para o Preterismo

1. Será que os que habitavam na terra antes da destruição de Jerusalém se maravilharam com Nero se recuperando de uma ferida mortal (Apocalipse 13:3)?

2. Será que Nero, ou qualquer anticristo romano, teve um falso profeta com dois chifres como um cordeiro (Ap 13:11, 12), fazendo com que todo o mundo o adorasse?

3. Será que Nero teve um falso profeta, que produziu um espetáculo cósmico fazendo fogo cair “do céu à terra, à vista dos homens” (Apocalipse 13:13)?

4. Será que Nero teve um falso profeta, que fez uma estátua do próprio Nero para todo o mundo adorar, fazendo-a falar, a fim de enganar o mundo inteiro a adorar o imperador (Apocalipse 13:15)?

5. Será que Nero teve um falso profeta que impôs uma marca na testa ou na mão de todo o mundo habitado da época ao ponto de ninguém poder comprar ou vender (Apocalipse 13:16)?

6. Será que as duas testemunhas, que transformaram água em sangue, atingiram toda a terra com a seca durante os 3 anos e meio da tribulação que precede o ano 70 dC? Será que Nero matou-os? Será que eles estavam mortos nas ruas de Jerusalém com todo o mundo presenciando a cena? Quando, imediatamente antes da queda de Jerusalém, pessoas de todo o mundo enviaram presentes uns aos outros por tão grande triunfo sobre as duas testemunhas? (Ap 11,3-10)

7. Será que um grande número de todas as tribos, e povos, e línguas, que ninguém podia contar, saíram da tribulação (Ap 7:9-17) que precedeu a destruição de Jerusalém em 70 dC?

8. Foi o anticristo,”que se opõe e se exalta acima de tudo que se chama Deus ou é objeto de adoração, de modo que se assentará como Deus no templo de Deus mostrando-se que ele é Deus”, destruído “pelo esplendor da vinda de Cristo” (2 Ts, 2:4) em 70 dC?

Um grande número de mártires, que são de todas as tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar, segundo a interpretação preterista, vieram da tribulação que houve antes da queda de Jerusalém. Devo mencionar aqui que por esse motivo eles não crêem numa Grande Tribulação futura, pois afirmam com veemência que esse evento narrado nas Escrituras já ocorreu com os judeus antes das destruição da cidade.

No entanto, o preterismo precisa explicar o que um número incontável de pessoas de todas as tribos, povos e línguas estavam fazendo apertadas na cidade de Jerusalém, e porque foram ali martirizadas juntamente com os judeus em 70 dC.  Um certo preterista, tentando escapar da verdade óbvia, argumentou  que Jerusalém teria recebido milhares de pessoas oriundas de várias partes do mundo nas suas festas anuais, o que, consequentemente, causou um fluxo enorme de povos amontoados entre os habitantes da cidades, e que teriam ficado retidas alí por causa do cerco romano. Como referência ele usou Atos 2;5-11.

É bastante improvável que os forasteiros tivessem permanecido/entrado na cidade por causa do cerco romano. As manobras do exército inimigo durou seis meses, tendo início em 66 dC; e como, muitíssimo provavelmente, já era notícia entre outros povos, isso certamente impediu qualquer judeu de outras partes do mundo de viajar para celebrar suas festas anuais. Além disso, se considerarmos que os rumores sobre o avanço das tropas do general Tito para a cidade de Jerusalém já haviam chegado em várias partes do mundo, podemos concluir que não havia mais forasteiros em Jerusalém nem mesmo antes da época ao cerco iniciado em 66 dC. Basta lembrar da Igreja que não estava mais na Cidade Santa na ocasião da invasão – os cristãos já haviam escapado para a região de Pela.

Nero não foi o Anticristo

Os preteristas acreditam que o Livro do Apocalipse é um relato profético sobre as coisas que já foram cumpridos, e buscam por toda parte, em registros históricos do primeiro século [principalmente em Josefo], e em tudo que podem na tentativa de encontrar  detalhes que evidenciam o cumprimento das profecias contidas neste Livro.

Como dito anteriormente, eles ensinam que o Anticristo, também conhecido como “a besta”, era o imperador romano Nero. Isso não é verdade, o imperador romano Nero não foi o Anticristo como muitos preteristas alegam.

Poderia esta passagem sobre o Anticristo (2 Tess. 2:8,9) ser uma referência para o imperador romano Nero?

E então o iníquo [que é um dos títulos atribuídos ao Anticristo] será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda.

Como a Bíblia diz – o iníquo, o anticristo – será destruído por Cristo. Quando isso vai acontecer? Observe o versículo novamente: “E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda”.

A Bíblia ensina que esse iníquo será levado a termo pelo próprio Senhor em sua “vinda”. Bem, este versículo apresenta alguns problemas sérios para os preteristas.

Isso não ocorreu com Nero!

Para quem está familiarizado com a história do primeiro século sabe que Nero se suicidou aos 31 anos de idade, cortando sua própria garganta. [Fonte: “uma adaga em sua garganta“, Suetônio – c.69 – c.140, A Vida dos Doze Césares]. Longe de ser consumido pelo sopro de Cristo na sua vinda, Nero tirou a própria vida.

Isso não é tudo…

Nero cometeu suicídio dois anos antes da destruição de Jerusalém!

Os preteristas (os parciais incluídos) acreditam que a profecia de Jesus sobre sua vinda em Mateus 24, foi cumprida em 70 dC, espiritualmente. Mas Nero comete suicídio em junho de 68 dC, dois anos antes do ano 70 dC, ano em que Jesus veio !!!A verdade é que o suicídio de Nero, dois anos antes da destruição de Jerusalém, está longe de ser um cumprimento do que 2 Tessalonicenses 2:8 diz que vai acontecer com o Anticristo.

Observe 2 Tessalonicenses 2:3-4: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a Vinda de Jesus] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”.

Por pior que fosse, Nero não era um enganador parecido com um cordeiro que enganava os cristãos, apesar de ter usado força bruta. Nero não era um traidor da fé cristã como Judas Iscariotes (isto é, ‘filho da perdição’). Pelo que sabemos, ele nunca professou ser cristão, e ninguém o confundiu com um cristão. Alem disso, Nero nunca fez nenhum ‘sinal e maravilha’ que enganasse as pessoas.  

Impossível concluir que o Anticristo tenha sido um personagem que viveu vinte séculos atrás e que foi destruído pelo próprio Cristo; a  profecia diz que esse indivíduo será “destruído com o resplendor da Sua vinda” (2 Tess 2:8). Isso não ocorreu – Jesus ainda não veio!

Existem outros problemas insuperáveis quando se trata do ensino aberrante de que Nero era o anticristo. Daniel 9:27 diz que o príncipe que há de vir, que muitos entendem ser uma referência do Antigo Testamento para o futuro líder mundial, faria um pacto de sete anos relativos a Israel. Nero nunca fez nenhuma aliança desse tipo; segundo muitos interpretes das Escrituras, II Tessalonicenses 2:4 diz que esse futuro líder mundial vai ter seu assento no templo de Deus, apresentando-se como sendo Deus. Isso nunca aconteceu. Nero jamais esteve em Jerusalém.

O sinal na mão ou na testa

Segundo o preterismo a grande tribulação ocorreu antes de 70 d.C, aos dias que antecederam a destruição de Jerusalém. Nessa tribulação o anticristo pôs um sinal na testa ou na mão de pessoas do MUNDO TODO!

Apoc 13:14-17, diz: “E engana os que habitam na terra… E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”.

Se a grande tribulação descrita em Apocalipse e em Mateus 24 são as mesmas, então o Anticristo – que para os preteristas foi Nero, obrigou o MUNDO INTEIRO a ter um sinal na mão direita ou na testa antes de 70 d.C – nada disso jamais ocorreu sob o governo de nenhum líder mundial, nem mesmo Nero, nem até a presente data.

A guerra era apenas entre Jerusalém e Roma; a “tribulação” ocorria numa pequena região da Judéia, mas não se sabe por que aparece uma figura sinistra, no caso o Anticristo, e resolve colocar um sinal na testa ou na mão de povos distantes da batalha entre as duas nações: “… E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas”, 14,17.

Quem recebesse o numero participaria da economia global (13:16-18). O mundo inteiro foi coagido a adorar uma imagem de Nero, pois ele ressuscitou (13:14, 15). Ele recebeu veneração de todo o planeta (13:8).

 

Onde estão as evidências  que comprovam que isso tenha ocorrido em todo o mundo habitado antes da destruição de Jerusalém?

Vamos aguardar a resposta preterista…

 

 

 

O Preterismo e Zacarias 12-14

Autor: Thomas Ice

Há algum tempo ministrei um curso sobre Escatologia (profecia bíblica) no Chafer Theological Seminary (Seminário Teológico Chafer, na cidade de Orange, California/EUA). Como o preterista* Ken Gentry mora perto do Seminário Chafer, eu o convidei a vir para falar à classe. Apesar do Seminário Chafer ser uma escola dispensacionalista, achei que seria saudável expor os alunos a uma posição oposta aos nossos pontos de vista, através da visita do Dr. Gentry. O Dr. Gentry foi bastante cortês em vir e nos dar uma apresentação de sua visão preterista do livro de Apocalipse.

Levantando a questão

Durante um tempo de perguntas, indaguei-lhe sobre a relação entre Zacarias 12-14 e o preterismo. Primeiro lhe perguntei se, como preterista, ele acreditava que Zacarias 12-14 era uma passagem paralela ao “Sermão Profético” de Jesus (Mt 24-25; Mc 13; Lc 21.5-36). Ele disse que concordava. Observei, então,  que Zacarias fala de “todos os povos” (Zc 12.2), “contra ela, (Jerusalém) se ajuntarão todas as nações da terra” (Zc 12.3), e “eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém” (Zc 14.2). Argumentei que esses versículos não pareciam estar falando dos romanos em 70 d.C. Mais adiante, Zacarias continua dizendo: “Naquele dia o Senhor protegerá os habitantes de Jerusalém” (Zc 12.8) e: “Então sairá o Senhor e pelejará contra as nações, como pelejou no dia da batalha” (Zc 14.3). Concluí que tudo isso não se encaixa com o que aconteceu a Jerusalém em 70 d.C., quando os romanos conquistaram Israel. Finalmente, a passagem diz que o Senhor salvará Israel naquele dia (Zc 14.3), ao passo que, em 70 d.C., o Senhor julgou Israel como está escrito em Lucas 21.20-24. Perguntei ao Dr. Gentry: “Como os preteristas podem dizer que Zacarias fala de 70 d.C. se, nessa passagem, o Senhor está salvando o Seu povo?”

Posição preterista

É importante lembrar que o Dr. Gentry é um dos mais importantes preteristas do planeta. Sua resposta, em resumo, foi dizer que a Igreja havia substituído Israel. Isso é parecido com o que o falecido David Chilton disse em seu comentário preterista sobre o Apocalipse:

Outra passagem paralela a essa é Zacarias 12, que retrata Jerusalém como um cálice de tontear para todos os povos (Zc 12.2; cf. Ap 14.8-9), um braseiro ardente que consumirá os pagãos (Zc 12.6; Ap 15.2). A ironia é que no Apocalipse, como temos visto repetidamente, o próprio Israel do primeiro século tomou o lugar das nações pagãs nas profecias, sendo consumido no braseiro ardente – o Lago de Fogo – enquanto a Igreja, tendo passado pelo holocausto, herda a salvação. [1]

Interpretando o texto

Falei ao Dr. Gentry que sua resposta não passava de “divagação teológica”. Ele havia chegado a uma mera conclusão teológica sobre o assunto, mas tinha falhado em dar uma interpretação textual. Perguntei-lhe objetivamente: “O senhor pode dar uma interpretação textual dessa passagem em Zacarias?” Ele respondeu: “Não”.

Os preteristas não conseguem dar uma interpretação textual de Zacarias 12-14 porque acreditam que a passagem se refere ao julgamento de Deus sobre Israel através dos romanos em 70 d.C. – o que é seu primeiro erro. Greg Beale diz: “Zacarias 12 não profetiza o julgamento de Israel e, sim, a sua redenção”. [2] Zacarias 12-14 fala claramente de um tempo quando Israel será salvo pelo Senhor de um ataque de “todas as nações da terra”, não somente dos romanos – e esse é o segundo erro. Nesse contexto, evidentemente, “Israel” tem de ser uma referência a Israel (e não à Igreja). Como essa é a verdade, o evento de Zacarias 12-14 ainda não aconteceu na História. Isso significa que se trata de um evento futuro. O Dr. Beale faz um comentário sobre Daniel que se aplica também a Zacarias:

“O ônus da prova recai sobre os preteristas, para que forneçam um raciocínio exegético, tanto no que diz respeito a trocarem uma nação pagã por Israel como objeto principal do julgamento final de Daniel, como por limitarem o julgamento final principalmente a Israel e não o aplicarem universalmente”. [3]

A posição textual (futurista, bíblica)

Tanto os preteristas quanto os futuristas (como eu) acreditam que em Lucas 21.20-24 Jesus profetizou a destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d.C. Usando Lucas 21.20-24 como base, observe os contrastes entre essa passagem e Zacarias 12-14, conforme observado por Randall Price:

Contrastes entre Lucas 21.20-24 e Zacarias 12-14:

Lucas 21.20-24:

  • Cumprimento passado: “levados cativos para todas as nações” (Lc 21.24).
  • Dia da devastação de Jerusalém (Lc 21.20).
  • Dia de vingança contra Jerusalém (Lc 21.22).
  • Dia de ira contra o povo judeu (Lc 21.23).
  • Jerusalém pisada por gentios (Lc 21.24).
  • Tempo de domínio dos gentios sobre Jerusalém (Lc 21.24).
  • Grande aflição na terra (Lc 21.23).
  • Israel cairá a fio da espada (Lc 21.24).
  • Jerusalém destruída (70 d.C.) “para se cumprir [no futuro]tudo o que está escrito” [em relação ao povo judeu] (Lc 21.22).
  • A desolação de Jerusalém tem um limite de tempo: “até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21.24).Isso significa que haverá um tempo de restauração para Jerusalém.
  • O Messias virá com poder e grande glória para ser visto pelo povo judeu somente depois “destas coisas”– os eventos de Lucas 21.25-28 – que são posteriores [futuros] aos acontecimentos de Lucas 21.20-24.

Zacarias 12-14:

  • Cumprimento escatológico – “naquele dia” (Zc 12.3,4,6,8,11; 13.1-12; 14.1,4,6-9).
  • Dia de livramento para Jerusalém (Zc 12.7-8).
  • Dia de vitória para Jerusalém (Zc 12.4-6).
  • Dia de ira contra as nações gentias (Zc 12.9; 14.3,12).
  • Jerusalém transformada por Deus (Zc 14.4-10).
  • Tempo de submissão dos gentios em Jerusalém (Zc 14.16-19).
  • Grande libertação para a terra (Zc 13.2).
  • As nações trarão suas riquezas para Jerusalém (Zc 14.14).
  • Jerusalém salva e redimida, para que tudo que está escrito [em relação ao povo judeu] possa se cumprir (Zc 13.1-9; Rm 11.25-27).
  • O ataque a Jerusalém é a ocasião para a destruição final dos inimigos de Israel, encerrando, assim, “o tempo dos gentios” (Zc 14.2-3,11).
  • O Messias virá em grande poder e glória durante os eventos da batalha (Zc 14.4-5).[4]

Em razão das diferenças apontadas entre as passagens, é impossível harmonizar Zacarias 12-14 com eventos que já aconteceram. Trata-se de uma tentativa que agride a lógica. Mas algumas das maiores sumidades do preterismo continuam insistindo nesse absurdo.

O preterista Gary DeMar recentemente tentou uma interpretação de Zacarias 14 [5]. Como era de se esperar, ele disse que Zacarias 14 “descreve eventos que antecedem a devastação e, inclusive, a própria destruição de Jerusalém em 70 d.C.”[6] DeMar não consegue mostrar a destruição de Jerusalém no texto de Zacarias. Ele interpretou a passagem de uma forma que eu chamaria de abordagem temática. Ele “pulou” e “dançou” em torno da passagem, desnudando-a do seu contexto. Pior ainda, ele a reembalou num falso contexto. Analisando apenas Zacarias 14, DeMar falha em oferecer qualquer evidência de que Deus está submetendo Israel ao juízo, como é claramente perceptível em Lucas 21.20-24. Na verdade, Deus está julgando as nações, pois o texto diz: “Procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém” (Zc 12.9), e: “Eu ajuntarei todas as nações para a peleja contra Jerusalém… sairá o Senhor e pelejará contra essas nações” (Zc 14.2-3). Ao contrário do que diz DeMar, Deus está defendendo (Zc 12.8) e salvando (Zc 14.3) Israel dessas nações. Exatamente como em Mateus 24, em nenhum lugar o texto fala do Senhor vindo em julgamento contra o Seu povo. Tanto Zacarias quanto Mateus estão falando da salvação de Israel (Mt 24.31), e é por isso que o cumprimento das profecias de ambas as passagens será no futuro.

Conclusão

A única maneira que os preteristas encontram para lidar com Zacarias 12-14 é não considerar as palavras e frases no seu contexto literário, mas simplesmente declarar – como fizeram Chilton e Gentry – que a Igreja substituiu Israel. O texto das Escrituras deve ser a base sobre a qual desenvolvemos a sã teologia. Ao invés disso, os preteristas impõem suas crenças teológicas falsas sobre a Palavra infalível de Deus. Walt Kaiser é muito feliz ao fazer o seguinte comentário sobre o texto de Zacarias:

Em nenhum outro capítulo da Bíblia a interpretação de “Israel” é mais importante do que em Zacarias 14. Dizer que “Israel” significa a “Igreja”, como muitos têm feito, levaria a uma grande confusão nesse capítulo e no final do capítulo 13. Por exemplo, Zacarias 13.8-9 afirma que dois terços de toda a terra (Israel) morrerão, mas poucos se arriscam a dizer que dois terços da Igreja sofrerão um massacre no dia final. É muito claro que “Israel” se refere à unidade geopolítica atualmente conhecida como o Estado de Israel.[7]

A Palavra de Deus exorta Sua Igreja a viver na expectativa de um futuro seguro e na certeza da vitória. Mantendo essa perspectiva, os crentes podem viver confiantes no presente por causa do futuro. O passado é igualmente importante. No entanto, uma falsa visão do passado roubará do crente, no presente, a esperança de que precisamos para viver corajosamente para o nosso Senhor. Maranata!

Notas:

  1. David Chilton, The Days of Vengeance: An Exposition of the Book of Revelation (Fort Worth: Dominion Press, 1987), pp. 385-86.
  2. G.K. Beale, The Book of Revelation: A Commentary on the Greek Text (Grand Rapids: Eerdmans, 1999), p. 26.
  3. Beale, Revelation, p. 45.
  4. Randall Price, Charting the Future (San Marcos, Tex.: gráficos com publicação privada), n.p.
  5. Gary DeMar, Last Days Madness: Obsession of the Modern Church (Atlanta, American Vision: 4th edition, 1999), pp. 437-43.
  6. DeMar, Madness, p. 437
  7. Walter C. Kaiser, The Communicator’s Commentary: Micah-Malachi (Dallas: Word, 1992), p. 417.

* Os preteristas ensinam que a maior parte, ou até mesmo todas as profecias já se cumpriram. Eles dizem que as principais porções proféticas das Escrituras (como o Sermão Profético e o livro de Apocalipse) se cumpriram nos eventos relacionados à destruição de Jerusalém pelos romanos em 70 d. C.)

Não passará esta Geração

Em verdade, eu vos digo, esta geração não passará até que todas estas coisas aconteçam, Mat 24:34.

Esta geraçãoe seu uso indevido exegético preterista.

Por Bob DeWaay. Originalmente postado em Critical Issues Comentary

Traduzido por AL Franco

“Vários anos atrás, publiquei um artigo sobre Mateus 24:34, onde afirmei que “esta geração” era um termo pejorativo sobre a liderança judaica rebelde (1).

No artigo de hoje, apoiarei essa afirmação, fornecendo uma gama de estudos de significado do termo “geração” (grego genea) conforme usado no Novo Testamento. Mostrarei que o termo “geração” é mais freqüentemente usado no Novo Testamento em um sentido qualitativo (pessoas do mesmo tipo) e não quantitativo (pessoas do mesmo tempo).

A palavra grega para geração é encontrada 37 vezes no Novo Testamento. Apenas cinco deles estão fora dos evangelhos e Atos. Tal como acontece com a maioria das palavras, tem uma gama de significados dependendo do seu contexto. Quando usado no plural, denota “gerações sucessivas de pessoas”, seja no passado ou no futuro, e é usado dessa forma 8 vezes no NT (2).

Dos 29 outros exemplos de seu uso, o termo claramente significa o tempo durante a vida ou era de alguém – duas vezes (Atos 8:33 sobre o Messias e Atos 13:36 sobre a geração de Davi). São os outros 27 casos que serão importantes para nos ajudar a entender como Mateus usou o termo em Mateus 24:34.

Esta passagem é idêntica nos sinópticos: “Em verdade vos digo que esta geração não passará até que todas estas coisas aconteçam ” (Mateus 24:34 ; Lucas 21:32 ; Marcos 13:30), tudo a partir do discurso das Oliveiras. A passagem em Mateus é mais comumente citada pelos preteristas como prova de que as profecias que Jesus deu deveriam ter sido cumpridas dentro de quarenta anos ou uma geração de pessoas então vivas (70 DC eles dizem). Considerado dessa forma, o termo “geração” é apenas um modificador quantitativo de tempo.

Vou fornecer evidências de que essa interpretação está errada. Além desses três casos em disputa, restam 24 outras ocasiões em que genea é usada no Novo Testamento. Estas serão a chave para a compreensão de Mateus 24:34 e os paralelos sinópticos.

O termo genea é usado com mais frequência no Novo Testamento em sentido pejorativo. Nesses casos, quando “geração” é usada pejorativamente (freqüentemente com modificadores como “mal, incrédulo, perverso,” etc.), funciona como uma declaração qualitativa sobre um grupo de pessoas. Embora muitas vezes, mas nem sempre, seja dirigido às pessoas que viviam, a ideia principal é a condição espiritual das pessoas, não o número de anos ou o tempo de vida. O significado nesses casos é “um grupo étnico exibindo semelhanças culturais – ‘pessoas do mesmo tipo” (3).

Quando usado dessa forma no Novo Testamento, as semelhanças são sempre características ruins. Existem alguns casos em que as ideias de “pessoas da mesma época” e “pessoas do mesmo tipo” são combinadas. Por exemplo, em Lucas 11: 29-32 vemos uma caracterização negativa daqueles que exigiram um sinal: “E a medida que as multidões aumentavam, Ele começou a dizer: Esta geração é uma geração iníqua; ela busca um sinal, mas nenhum sinal será dado a ela, exceto o sinal de Jonas. Pois assim como Jonas se tornou um sinal para os ninivitas, o Filho do Homem o será para esta geração. A Rainha do Sul se levantará com os homens desta geração no julgamento e os condenará, porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis quem é maior do que Salomão. Os homens de Nínive se levantarão com esta geração no julgamento e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas; e eis aqui quem é maior do que Jonas”.

Embora se refira claramente àqueles que testemunharam Jesus, mas não creram Nele, a ideia principal é sua maldade – não apenas quando estavam vivos. Digo isso porque “esta geração” não se aplica a todos os judeus ou a todas as pessoas que então viviam. Alguns acreditaram; aqueles não serão condenados no julgamento final.

Surpreendentemente, todos os 24 casos de uso de “geração” no Novo Testamento que não se referem a gerações sucessivas ou obviamente à vida de alguém são qualitativos ou têm um forte componente qualitativo (4). Em nenhum desses usos “geração” significa “todas as pessoas, sem exceção, vivas ao mesmo tempo”, nem significa “todos os judeus, sem exceção”. A ideia qualitativa é vista, por exemplo, nesta passagem: “E seu amo elogiou o mordomo injusto, porque ele agiu astutamente; pois os filhos deste mundo são mais astutos em relação à sua própria espécie do que os filhos da luz” (Lucas 16: 8). A NASB traduziu “ genea – geração” como “espécie”. Paulo usou o termo da mesma forma aqui: “para que sejais irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus irrepreensíveis, no meio de uma geração desonesta e perversa, entre a qual resplandeceis como luzes no mundo”(Filipenses 2:15). Ele está discutindo um tipo de pessoa, não um período da história. Esta passagem se aplica a todos os cristãos ao longo da história da igreja.

Ao realizar uma série de estudos de significado, como estamos fazendo aqui, é de extrema importância saber como o mesmo autor usou um termo, particularmente no mesmo texto e em contextos semelhantes. Portanto, como Mateus usou genea em passagens anteriores a Mateus 24:34, a evidência mais forte de seu significado estão ali. Os primeiros quatro usos (excluindo 1:17 onde o plural é usado referindo-se a uma genética) estão em Mateus 12: 39-45:

Mas Ele respondeu e disse-lhes: Uma geração má e adúltera anseia por um sinal; e nenhum sinal lhes será dado, exceto o sinal do profeta Jonas; pois assim como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no seio da terra. Os homens de Nínive se levantarão com esta geração no julgamento e a condenarão porque se arrependeram com a pregação de Jonas; e eis que algo maior do que Jonas está aqui. A Rainha do Sul se levantará com esta geração no julgamento e a condenará, porque ela veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão; e eis que algo maior do que Salomão está aqui. Agora, quando o espírito imundo sai de um homem, ele passa por lugares áridos, buscando descanso, e não o encontra. Então diz: ‘Voltarei para minha casa de onde vim’; e quando chega, encontra-a desocupada, varrida e em ordem. Então ele vai, e leva consigo sete outros espíritos mais perversos do que ele, e eles entram ali; e o último estado desse homem se torna pior do que o primeiro. Assim será também com esta geração má”.

A dimensão qualitativa desses usos é inegável. Foi falado em resposta aos fariseus exigindo um sinal. Sua aplicação não limita a “geração” às pessoas vivas, sejam elas quem forem ou por quanto tempo possam viver, mas se aplica àquelas (como a passagem paralela em Lucas discutida anteriormente) que se recusaram a crer em Cristo e permaneceram sob o julgamento de Deus.

O próximo uso em Mateus está em 16: 4: “Uma geração má e adúltera busca um sinal; e nenhum sinal será dado, exceto o sinal de Jonas. E Ele os deixou e foi embora”. Esta é uma repetição da condenação anterior no capítulo 12 e também caracteriza as pessoas por suas qualidades espirituais não apenas quando viveram na história (pessoas do mesmo tipo é a ideia mais proeminente, não pessoas da mesma época). O sinal de Jonas é uma referência à morte, sepultamento e ressurreição de Cristo. Esse evento é o sinal de que Ele é o Messias. Este sinal se aplica a todas as gerações, não apenas às do primeiro século. Paulo disse: “Os judeus procuram sinais”, mas nós pregamos a Cristo crucificado” (1 Coríntios 1:22, 23) O Calvário se tornou o sinal definitivo e aqueles que rejeitam esse sinal (em qualquer momento da história da igreja) estão sob condenação.

Em Mateus 17:17 lemos: “E Jesus respondeu, e disse: ‘Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei convosco? Quanto tempo lhe devo aturar? Traga-o aqui para mim”. Isso não foi falado diretamente aos discípulos, mas à descrença geral que Ele encontrou em Israel. Alguns estudiosos pensam que “incrédulos e pervertidos” são alusões a Deuteronômio 32: 5, 20 (5). A mesma palavra grega para “perversa” é encontrada tanto em Mateus quanto na LXX de Deuteronômio. A alusão ao Deuteronômio mostra a ideia de solidariedade corporativa. A incredulidade deles quando Jesus estava presente realizando atos poderosos ecoa a descrença daqueles que foram libertos do Egito pelos feitos poderosos de Deus e então resmungaram no deserto. Moisés escreveu: “Eles agiram corruptamente para com Ele. Não são Seus filhos, por causa de seus defeitos; Mas são uma geração perversa e tortuosa” (Deuteronômio 32: 5 -“geração” é genea na LXX). Visto que isso fazia parte do cântico de Moisés, não era apenas para as pessoas então vivas, mas também para as gerações futuras: “Pois eu sei que depois da minha morte agireis perversamente e se desviarão do caminho que eu vos ordenei; e o mal cairá sobre ti nos últimos dias, porque farás o que é mau aos olhos do Senhor, provocando-O à ira com a obra das tuas mãos” (Deuteronômio 31: 9). As pessoas nos dias de Jesus tinham as mesmas características das dos dias de Moisés e continuaram depois da ascensão de Jesus, assim como depois da morte de Moisés.

O próximo uso de genea em Mateus também está em uma passagem que liga as qualidades negativas atuais a pessoas com qualidades semelhantes de outras épocas da história de Israel: “Portanto, eis que vos envio profetas, sábios e escribas; Alguns deles vós matareis e crucificareis, e a outros perseguireis de cidade em cidade, para que caia sobre vós a culpa de todo o sangue justo derramado na terra, do sangue do justo Abel até o sangue de Zacarias, filho de Berequias, a quem mataste entre o templo e o altar. Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração” (Mateus 23: 34-36).

Esta passagem é claramente uma cruzada de gerações. Vai do passado distante (o tratamento de Abel por Caim) para o futuro (eis que envio … vós matareis). O que caracteriza “esta geração” em Mateus 23:36 (o uso paralelo mais próximo de genea àquele em Mateus 24:34 ) não é quantos anos certas pessoas viveram, mas suas qualidades espirituais. Aqueles que rejeitaram Jesus e O mataram são da mesma espécie daqueles que mataram os justos ao longo da história do Antigo Testamento e aqueles que matariam os representantes de Jesus no futuro. O que todas essas pessoas têm em comum não é a era da história em que vivem, mas suas características espirituais negativas. Este é um exemplo vívido do uso qualitativo de “geração” em Mateus e em outras partes do Novo Testamento e também no Antigo.

Tendo visto que em Mateus genea é usada qualitativamente, freqüentemente em conexão com adjetivos pejorativos, estabelecemos como Mateus usou o termo dentro de sua gama de significados.

Vamos, portanto, examinar Mateus 24:34 e ver se há razão para acreditar que Mateus mudou repentinamente seu uso. A passagem diz: “Em verdade vos digo que esta geração não passará até que todas essas coisas aconteçam”. Qual geração? Aqueles que por acaso estão vivos, sejam quem forem? A única outra vez que descobrimos que o uso de genea no Novo Testamento é em Atos 8:33 e 13:36, quando está ligado à vida de pessoas especificamente mencionadas (O Messias e Davi). Em todos os outros lugares, o termo “geração”, usado no singular, tem conotações qualitativas. Os preteristas que consideram este incidente em Mateus 24:34 como APENAS quantitativo o fazem contra a evidência contextual em Mateus. Quando Jesus quis fazer uma restrição de tempo, Ele disse “alguns de vocês aqui não provarão a morte até …” (Mateus 16:28) referindo-se provavelmente ao Monte da Transfiguração. Oito usos anteriores em Mateus tinham conotações qualitativas, como mostramos. Por que isso mudaria repentinamente sem aviso prévio? A resposta? Não foi mudado!

Se tomarmos “esta geração” em Mateus 24:34 como significando a mesma coisa que significa em Mateus 23:36 e em outros lugares – judeus rebeldes e incrédulos como sintetizado por sua liderança, então podemos entender isso no contexto da profecia bíblica. Jesus está predizendo que a liderança judaica e a maioria de seus seguidores permaneceriam no cenário da história e permaneceriam em sua condição de descrentes até que as profecias em Mateus 24: 1-33 se cumprissem. Eles então morrerão. Como e por quê? Porque o Messias retornará e trará julgamento sobre os incrédulos, banindo-os do Seu Reino e reunirá o remanescente crente e “todo o Israel será salvo”.

Paulo fez esta declaração importante: “Pois não quero, irmãos, que estejam desinformados deste mistério, para que não sejais sábios em sua própria consciência, que um endurecimento parcial veio a Israel até que a plenitude dos gentios chegasse; e assim todo o Israel será salvo, como está escrito: ‘O Libertador virá de Sião, removerá de Jacó toda a impiedade”( Romanos 11: 25-26). O endurecimento do Israel nacional, que é o que os torna uma geração desonesta e incrédula, é parcial e temporário.

Sempre houve um remanescente crente. Esses não estão incluídos na “geração da sua ira” (Jeremias 7:29). Aqui está o que Jesus prediz: “O Filho do Homem enviará Seus anjos, e eles recolherão de Seu reino todas as pedras de tropeço e todos os que cometem o mal, e os lançarão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no reino de seu pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mateus 13: 41-43).

O mesmo “Israel” que está parcialmente endurecido agora será “salvo” – o Israel nacional, étnico. Quando o Messias reinar fisicamente na terra, será sobre um Israel justo, não sobre uma geração perversa e má.

Nosso estudo de extensão de significado concluiu que genea é usado com mais frequência no Novo Testamento como um termo qualitativo do que cronologicamente quantitativo. Nosso estudo em particular do Evangelho de Mateus mostra que Mateus o usa dessa maneira. Também mostramos que considerar o uso em Mateus 24:34 dentro da mesma faixa de significado faz sentido naquele contexto e se ajusta ao que sabemos sobre a profecia bíblica de outras passagens. Portanto, a interpretação preterista típica é inventada e falha em considerar a preponderância de evidências no Novo Testamento para o significado de genea em tais contextos”.

Edição 100 – maio / junho de 2007
Notas finais

1 – Número 77 do CIC; Julho / agosto de 2003HTTP://CICMINISTRY.ORG/COMMENTARY/ISSUE77.HTM

2 – Matt. 1:17; Lucas 1:48, 50; Atos 14:16; 15:21; Eph. 3: 5, 21; Col. 1:26.

3 – Louw, JP e Nida, EA (1996, c1989). Léxico Grego-Inglês do Novo Testamento: Baseado em domínios semânticos (ed. Eletrônica da 2ª edição.) (1: 111). Nova York: sociedades bíblicas unidas.

4 – Mat 11:16; 12:39, 41, 42, 45; 16: 4; 17:17; 23:36; Marcos 8:12, 38; 9:19; Lucas 7:31; 9:41; 11,29,30,31,32,50,51; 16: 8; 17:25; Atos 2:40; Filipenses 2:15; Heb. 3:10.

5 – “Os adjetivos“ incrédulo ”e“ perverso ”ecoam Dt 32: 5, 20 e sugerem tanto falta de fé quanto imoralidade”. Blomberg, C. (2001, c1992). Vol. 22: Mateus (ed. Eletrônica). Logos Library System; The New American Commentary (267). Nashville: Broadman & Holman Publishers.

Estamos no Milênio?

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“A esmagadora maioria dos eventos escatológicos profetizados no livro do Apocalipse já se cumpriram”, declarou um famoso preterista. Um outro preterista, David Chilton, também declara: “A prisão de Satanás teve lugar no primeiro advento de Cristo”. E ainda: “O Milênio é o período durante o qual Cristo reina, começando na sua ressurreição e continuando até o final da presente época”. (David Chilton. Dias de Vingança . Fort Worth: Dominion, de 1985, pp 580-582).

Desde assuntos relacionados com a profecia que dominam praticamente todas as páginas neotestamentárias, significa, para o preterista, que a maioria dos escritos do NT não se refere diretamente à Igreja de hoje. Em outras palavras, Apocalipse representa uma profecia do tumulto que estava prestes a cair sobre o mundo civilizado no primeiro século de nossa era e era essencialmente um aviso para os primeiros cristãos a agarrar-se à profissão de sua fé durante os tempos de luta e perseguição prestes a cair sobre eles.

Como grande parte do NT foi escrito para contar aos crentes como viver entre as duas vindas de Cristo, faz uma diferença enorme quando se interpreta esta vinda como um evento passado ou futuro. Se o Preterismo é verdade, então o NT refere-se aos crentes que viveram durante o período de quarenta anos entre a morte de Cristo e da destruição de Jerusalém em 70 dC. Portanto, praticamente nenhuma parte do NT se aplica a crentes de hoje segundo a lógica preterista. Não há nenhum Canon que se aplica diretamente aos crentes durante a era da igreja.

Não acreditam no que afirmo aqui? Então preste atenção nas palavras de um famoso advogado do preterismo, o Dr. Kenneth Gentry: “… a história atual é identificada como os novos céus e a nova terra de Apocalipse 21-22 e 2 Pedro 3:10-13”. Este é um ponto de vista preterista comum, onde eles fornecem razões pelas quais “a nova criação começou no primeiro século.”

Eles parecem nem se importar se provocam uma incredulidade geral, quando pensam nas implicações absurdas que tais detalhes afirmam. Observem abaixo como eles se expõem ao ridículo:

Se estamos vivendo atualmente em qualquer forma de Novos Céus e Nova Terra, então isso significa que não existe Satanás (Apocalipse 20:10), nenhuma morte, choro ou dor (Ap 21:4), já não existe impuros, nem aqueles que praticam abominação e mentira (Ap 21:27), nenhuma maldição (Apocalipse 22:3), a presença de Deus, o Pai, é reinante em nosso meio (Ap 22:4), só para citar alguns. Porém, para o preterista, não importa que a terra esteja sofrendo com a dor, tristeza, desastres, e os governos ímpios sob o comunismo e o islamismo radical. Mais de 50 milhões de crentes morreram desde 70 AD e houve 15.000 guerras – como pode isto ser “o Reino de Cristo”, o reino de paz, estabelecido pelo milênio? Além do mais, quando foi que o leão e o cordeiro pastaram juntos?

Implicações do intervalo de 40 anos

Observem como a posição preterista seria praticamente um impacto nos crentes de hoje. Muitos preteristas acreditam que passagens como Tito 2:13 referem-se à vinda de Cristo em 70 dC. Isto significaria que foi uma única esperança para os cristãos que vivem entre o tempo em que a Epístola foi escrita AD 65-66, e da destruição de Jerusalém. Paulo diz que a aparência de Cristo pela primeira vez, impacta a vida dos crentes na “idade atual.” Tito 2:12 diz, “instruindo-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos e a viver de forma sensata, justa e piedosa nesta era presente.” A gramática do versículo seguinte (2:13) relaciona as atividades de 2:12 para a atividade de “olhar para a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus.”

Se 2:13 é uma referência ao ano 70 dC, como o preterista geralmente acredita, então o “tempo presente” em 2:12 teria terminado quando 2:13 foi cumprido. Portanto, a admoestação total de 2:12 foi temporária e aplicável somente aos cristãos, até o ano 70 dC. Isto significaria que a instrução “para negar a impiedade e as paixões mundanas e a viver de forma sensata, justa e piedosa nesta era presente” não se aplica diretamente à idade atual, mas à época passada, que terminou em 70 dC, quando “o aparecimento e a glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” ocorreu na destruição de Jerusalém. Infelizmente, essa lógica teria que ser a implicação prática da visão preterista aplicada a esta passagem e para a maioria do NT.

A implicação clara para os preteristas seria que Tito não tem relação alguma com a idade atual em que vivemos. Em vez disso, o texto foi aplicado por três ou quatro anos apenas se ele foi dirigido para os crentes até 70 dC, pois Paulo escreveu a Tito por volta do ano 65. Não há nenhuma maneira para um preterista usar esta passagem ou outras semelhantes como doutrina, repreensão, correção e educação na justiça para os crentes, se eles vivem agora os Novos Céus e a Nova Terra. No entanto, hipocritamente, muitos preteristas regularmente usam e aplicam estes textos de uma forma que praticamente nega a sua crença teórica de que Jesus voltou em 70 dC e agora estamos em alguma forma de Novos Céus e Nova Terra.

Esse erro preterista provoca a crença de que não há grandes continuidades escatológicas à frente de nós, exceto a conversão dos judeus (Rm 11) e o julgamento final (Ap 20). Isso tem um impacto grande em cima da profecia Neo Testamentário, especialmente as Epístolas. É claro que a aplicação da interpretação preterista praticamente anula a aplicação direta do ensino das epístolas de nossa época atual. Assim como a Lei de Moisés foi dada por Deus a Israel para ser o foco de sua dispensação, as epístolas do NT são o foco aqui, dando a visão e direção à igreja durante o “presente século”.

“Se o Preterismo é verdade”, então a maioria das sanções negativas profetizadas na história só ficam nulas para nossa época. Porém, se o futurismo é verdade, então a grande apostasia ainda está por vir. E aqui entra uma questão importantíssima: a atual igreja, apóstata e morna, encaixa-se nas profecias negativas que se referem a uma grande apostasia no fim dos tempos, ou devemos concluir que as dezenas de passagens falam sobre a apostasia cumprida em 70 dC, como exige o Preterismo?

Apostasia Presente e Futura

A teoria preterista de que estamos no Novo Céu e na Nova terra, também elimina a crença na Grande Apostasia. Se a Grande Apostasia aconteceu no primeiro século, não temos garantia bíblica em esperar a apostasia aumentando à medida que progride a história; ao invés disso, devemos esperar a cristianização crescente do mundo, o que não deixa de ser um absurdo diante do quadro apóstata da Igreja de nosso tempo.

Esta é outra área onde uma grande parte da NT, especialmente as Epístolas e Apocalipse, teria de ser ajustado longe do significado cristão que tem sido observado historicamente nessas passagens. Um exemplo disto é visto na forma como as diferentes abordagens iria lidar com a advertência de Paulo em 2 Timóteo 3. Paulo começa dizendo que “nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis” (3:1). Os “últimos dias” provavelmente se referem a toda a Igreja atual, ou talvez seja uma referência geral à parte final da era da Igreja atual. De qualquer maneira, é uma referência ao período de tempo antes da fase final da história que os preteristas insistem dizer que se cumpriram em 70 dC. Na verdade, Paulo passa a descrever como esses tempos serão caracterizados por homens que “serão amantes de si mesmo,” (3:2) “em vez de amigos de Deus” (3:4). O curso geral dos “últimos dias” é descrito como uma época em que “todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens maus e impostores irão continuar de mal a pior, enganando e sendo enganados” (3:12 -13). Portanto, se os “últimos dias” já vieram e se foram, devemos esperar que a perseguição aos piedosos estivesse ausente de nossa época. De acordo com o preterismo, isso se aplica diretamente aos eventos antes de 70 dC, mas não após esse período.

A verdade é que a apostasia aumenta, não diminui, durante a era da igreja atual. Portanto, o Preterismo é errante, e esse erro faz com que eles apresentem uma interpretação teórica sobre esta e mais outras doutrinas do NT que dizem ter ficado longe no tempo, garantindo a Igreja de nossos dias que o cumprimento de tais doutrinas se encaixou nos anos 60 e 70 dC. Isso causou um bloqueio nas mentes confusas preteristas, impedindo-os de libertar muitos textos que foram dirigidos à nossa época atual. A interpretação preterista da profecia do NT está tão longe do que a Bíblia ensina que se tornou impossível a aplicação prática de seus ensinamentos para a presente era.

Satanás está amarrado ou solto?

A visão preterista relacionada com o trabalho atual de Satanás e os demônios devem refletir a sua teologia sobre o assunto. De acordo com esta visão, Satanás está atualmente aprisionado (Ap 20:2-3), pisado e moído (Rom. 16:20). O inimigo não foi apenas derrotado (legalmente) na cruz, mas tem sido esmagado de fato. Portanto, os bloqueios da estrada espiritual do mundo e do diabo foram removidos e só inimigos da carne é que agora podem dificultar os crentes de reinar e governar no Novo Céu e Nova Terra. Por outro lado, se o aprisionamento e derrota final de Satanás ainda estão no futuro, então as exortações nas Epístolas fazem sentido na presente época. Exortações de como “resistir ao diabo e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7 b), “Sede sóbrios… vosso adversário, o diabo, anda em volta como leão que ruge, procurando alguém para devorar, “deis lugar a ira, mas não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira, não dêem ao diabo…” (Efésios 4:26-27) e, “Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Efésios 6:12), não seriam necessárias se satanás estivesse aprisionado. Estas são as instruções e táticas a serem aplicadas pelo crente na presente época, porque ainda não estamos nos Novos Céus e Nova Terra.

Pensamento semelhante poderia ser aplicado a partir das implicações do preterismo em muitas passagens e temas da vida cristã. Basta Pensar: Não há mais sofrimento. Se nenhum sofrimento há, então não há necessidade de resistência. Não há necessidade de o processo de santificação que envolve sofrimento, fé, perseverança e esperança. Sem esperança, porque Cristo voltou em 70 dC e inaugurou um novo dia. Não há nenhuma apostasia da igreja, não há dor, sofrimento ou morte. Portanto, uma vez que estamos, obviamente, não vivendo sob tais condições, significa que o Preterismo também é uma grande farsa!

Os sofrimentos do tempo presente

Os Novos Céus e Nova Terra são para ser um momento de paz e descanso para o povo de Deus. A era anterior a este tempo será de sofrimento e luta. Novamente, se a interpretação preterista está correta, então a instrução das Epístolas NT sobre a questão do sofrimento só foram diretamente aplicados aos crentes até o ano 70 dC, porque nós agora vivemos no tempo de paz, e não “os sofrimentos do tempo presente” de que fala Paulo (Rm 8:18).

Apocalipse promete uma recompensa futura de co-regência com Cristo para os crentes que permaneceram fiéis e leais a Ele durante a presente época de humilhação (Ap 3:21, ver também 2:25-28). Apocalipse 3:21 não só promete reger o futuro com Cristo após essa idade atual de humilhação, mas observe também que faz uma distinção entre o futuro reino de Cristo e a promessa atual de Deus. “Ao que vencer, eu vou conceder a ele a sentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.” Estas passagens não fazem sentido e certamente não se aplicam aos dias de hoje, se estamos no Novo Céu e na Nova Terra dos preteristas.

ONDE estava o Apóstolo João?

Quando e onde foi escrito o Apocalipse? Certamente uma quantidade incontável de leigos e professores de escola bíblica, incluindo teólogos da melhor qualidade, respondam a uma só voz: “Evidente que foi em Patmos!”

A nossa teologia escatológica deixou-nos um legado irreversível e padronizado sobre João em Patmos através de mensagens limitadas a uma visão tradicional imutável. Provavelmente muitos entre os cristãos do nosso tempo, sejam eles leigos ou não, dificilmente tentariam dar uma olhadela ao redor para descobrir se tudo ocorreu mesmo da maneira como aprenderam.

O quadro apocalipse exílio, pintado pelo ensino tradicional e entregue a cristandade, foi de um João totalmente sozinho e a vontade numa Ilha deserta do Mar Egeu, bem tranquilo e com total liberdade para escrever, editar, melhorar e enviar para as Igrejas localizadas nas regiões da Ásia Menor, o seu mais assombroso e espetacular Livro jamais escrito, o Apocalipse.

Porém, como estamos aqui refutando as peripécias do Preterismo, é necessário dizer que todo o artigo é um confronto comandado pelo testemunho da história e das Escrituras contra as afirmações feitas por esta facção com relação à datação do Livro.

A doutrina preterista ensina que João foi enviado para a ilha de Patmos na década de 60 dC, onde recebeu e fez um registro de todas as visões do Apocalipse, que dizem ser um tratado profético concernente a invasão romana sobre Jerusalém/Israel em 70 dC.

João não estava mais em Patmos

De todos os testemunhos Patrísticos sobre o exílio de João em Patmos, o mais interessante e intrigante, é o de Vitorino,  “um escritor eclesiástico primitivo muito famoso por volta do ano de 270 e que foi martirizado durante as perseguições do imperador Diocleciano” (Wikipedia – Vitorino de Patau).

Vitorino, além de registrar o local e a época em que João esteve exilado, diz algo curioso e espantoso, que nenhum dos outros pais Patrísticos registrou: ele deixa evidente que João não estava mais em Patmos quando entregou o Livro de Apocalipse.

Leia suas palavras, escritas no décimo capítulo de seu comentário sobre o “Apocalipse do bem-aventurado João” por volta de 270 AD: “… Quando João recebeu essas coisas ele estava na ilha de Patmos, condenado ao trabalho nas minas por César Domiciano. Lá, portanto, ele viu o Apocalipse, e quando envelheceu ele pensou que deveria finalmente receber sua quitação pelo sofrimento. Domiciano foi morto e todos os seus juízos estavam descarregados. João foi demitido das minas, assim, posteriormente, entregou o mesmo Apocalipse que ele havia recebido de Deus”.

Você também pode encontrar o texto de Vitorino no Comentário sobre o Apocalipse (Victorinus) – New Advent, Fathers

Brilhante o texto de Vitorino, pois além de confirmar que João foi exilado no governo de Domiciano ele também testifica que João entregou o Apocalipse após ser liberto do cativeiro.

Veja o detalhe no fim do seu comentário,

“… João foi demitido das minas, assim, posteriormente, entregou o mesmo Apocalipse que ele havia recebido de Deus”.

As declarações de Vitorino podem ser comprovadas? Sim! E pelo próprio João!

Atente para a redação deste versículo, o qual nos deixa forte indício de que João, enquanto escrevia estas palavras, não se encontrava  mais no cativeiro: “Eu, João, irmão e companheiro de vocês no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus” (Apocalipse 1:9).

A ênfase sobre algo que acontece no passado fica em evidência pela tradução da NTLH:

Eu sou João, irmão de vocês; e, unido com Jesus, tomo parte com vocês no Reino e também em aguentar o sofrimento com paciência. Eu estava na ilha de Patmos, para onde havia sido levado por ter anunciado a mensagem de Deus e a verdade que Jesus revelou”.

É necessário observar um detalhe no texto, aquilo que parece ser a típica introdução de um prisioneiro que se prepara para escrever suas memórias após ter sido liberto do seu cativeiro: “… Eu estava na ilha de Patmos, para onde havia sido levado”.

A palavra, estava, foi traduzida do verbo grego ἐγενόμην – egenomēn. O verbo indica uma ação concluída no passado

Veja os versículos que usam a mesma palavra grega de Apocalipse 1:9.

Pelo que, ó rei Agripa, não fui (ἐγενόμην – egenomēn) desobediente à visão celestial” (Atos 26:19).

Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado. E eu estive (ἐγενόμην – egenomēn)  convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor” (1 Coríntios 2:2-3).

“… não vos deixando apartar da esperança do evangelho que ouvistes, e que foi pregado a toda criatura que há debaixo do céu, e do qual eu, Paulo, fui (ἐγενόμην – egenomēn) constituído ministro” (Colossenses 1:23).

Encontramos nas palavras de Jesus, também em Apocalipse, o mesmo verbo apontando para uma ação que aconteceu no passado:

Eu sou o que vivo; estava (ἐγενόμην – egenomēn)  morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre! e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:18).

Portanto, quando João escreve que “estava” (ἐγενόμην – egenomēn) na ilha de Patmos deve significar que ele escrevia o Livro de Apocalipse depois do exílio.

O prólogo de um Livro

Devemos dar atenção a introdução do Livro de Apocalipse; atente o leitor para aquilo que começa a tomar o formato de um tratado profético quando observamos os detalhes no contexto que vem a seguir.

A passagem nos deixa pistas de que João já havia recebido as revelações nesse momento e, ao que tudo indica, não estava escrevendo do cativeiro em Patmos. Veja o que ele diz em Apocalipse 1:1, 2, que mais parece uma introdução de um livro que começa a tomar forma: “REVELAÇÃO de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo. O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto”.

Veja como o versículo apresenta os verbos, o que deixa subentendido que as visões já haviam sido transmitidas. Atente para a frase, “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu”, e que ele enviou a João. Ou seja, nesse instante, que sem dúvida é o momento da preparação do Livro, João já havia recebido as visões, pois o verso acrescenta que Jesus notificou a João e que João testificou acrescentando que ele também viu, o que podemos concluir como “já visto” quando atentamos para o detalhe em “tudo o que tens visto”, sugerindo que as revelações já haviam sido dadas. Como sabemos disso? Precisamos apenas encurtar o versículo deixando-o assim,

“… Jesus… as enviou e notificou a João, o qual testificou de tudo que tens visto”. Estamos no verso um e dois, mas João já diz sobre coisas que viu. Observe o tempo dos verbos mais uma vez: Jesus enviou, Jesus notificou, João testificou, ou seja: confirmou. Isso parece um registro feito para ser inserido no fim do Livro, mas não foi. Por que João escreveu dessa forma já no capítulo um? O que parece é que ele já havia recebido as visões e revelações do Senhor nesse momento. Observe o leitor que mesmo estando no início dos registros já podemos ler a sentença: “testificou de tudo que viu”.

O quadro parece de um João pós-exílio, em algum outro lugar pronto para organizar a escrita de todas as coisas que recebeu. No verso três ele chama de bem aventurados os que leem e guardam as palavras desta profecia; o problema é que estamos no capítulo um onde ele nem mesmo começou a registrar as profecias, além de insinuar um livro sem ao menos ele ainda ter tomado forma: “Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo”.

O que observamos em Apocalipse 1:1-3 é o típico modelo de um prólogo, ou seja, a introdução de uma obra literária. No caso aqui, é como se João tivesse anotações diversas, mas estava colocando-as em ordem.

Concluímos que, das duas uma: ou João se preparava para organizar as revelações que recebeu em Patmos transferindo para um livro o que teria ali no exílio anotado em pergaminhos diversos, ou ele escreveu tudo fora da Ilha sem nenhum registro prévio dependendo apenas da memória e do Senhor Jesus (João 14:26).

O escritor deve profetizar para povos, nações, línguas e reis”

E para provarmos de uma vez por todas que o Livro não trata de profecias sobre a guerra entre judeus e romanos em 70 dC, como atesta o Preterismo, e nem mesmo foi escrito apenas para os cristãos que viviam na Ásia menor, basta olharmos para Apocalipse 10:11, momento em que o Anjo diz a João: “Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis“.

De que maneira João, quase no fim do primeiro século, faria isso? Acredito que não seria viajando pelo mundo todo. E seja qual for esse João, ele estava em idade bem avançada para viajar de nação a nação  (a palavra “nações” aqui denota pessoas consideradas separadas por fronteiras nacionais, constituições, leis e costumes).

Certamente ele profetizou para” muitos povos, e nações, e línguas, e reis” através do Livro de Apocalipse, que é um livro de profecias: “Eis que cedo venho! Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. Disse-me ainda:

Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo.

Eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro: Se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro;

e se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro desta profecia, Deus lhe tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão descritas neste livro”  (Apocalipse 22:7,10,18-19).

A profecia é o testemunho de Jesus: “Então me lancei a seus pés para adorá-lo, mas ele me disse: Olha, não faças tal: sou conservo teu e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus; adora a Deus; pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia“E (Apocalipse 19:10; compare com Apocalipse 1:1,2).

Apocalipse 1:3 conclui: “Bem-aventurado aquele que lê e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo” (Apocalipse 1:3).

Fica evidente que “profetizar outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis” só poderia ser possível através de um livro escrito que, sem dúvida, é o Livro de Apocalipse.

E isto corresponde com o padrão revelado pelo Senhor: a palavra profética que muitos homens de Deus receberam foram passadas para a forma escrita, como atesta Pedro, “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo“  (2 Pe 1:21), o que João confirma mais uma vez em Apocalipse 22:18 quando fala sobre “… as Palavras da profecia deste Livro…”.

Portanto, o que se cumpre – com ênfase no contexto principal que é a importância extrema no envio da mensagem do Apocalipse – é exatamente o que foi dito no capítulo 10:11 do Livro, de que o Apóstolo profetizaria “… OUTRA VEZ para muitos povos, e nações, e línguas e reis”. Assim, as visões que foram mostradas a João no exílio no final do reinado de Domiciano e perto da sua libertação tomaram o formato de Livro Profético (o qual foi entregue às Igrejas da Ásia Menor, como também aos cristãos de todos os tempos) somente depois que ele foi liberto do seu cativeiro.

João não escreveu sobre a destruição de Jerusalém, nem mesmo somente às sete igrejas, mas para cristãos, reis e reinos do mundo inteiro. E quando o livro abre dizendo das coisas que em breve devem acontecer, está apenas confirmando que “as profecias começam a se desenrolar”, não que tudo seria cumprido em pouco tempo. Por Isso que é dito a João que não sele as palavras do Livro (22:10), mas que as divulgue para que todos tenham conhecimento dos fatos. A mensagem foi enviada “para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer”
(Apocalipse 1:1).

Portanto, quando o Anjo diz a João “Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas, e reis“, obviamente está fazendo referência às  profecias contidas no Livro de Apocalipse – João não está profetizando sobre os judeus e romanos de 70 dC, mas para “muitos povos, e nações, e línguas, e reis” (Apocalipse 10:11)

As evidências que favorecem uma data tardia para a redação do Livro de Apocalipse ainda prevalecem, pois, como vimos, a alegação preterista de que João foi exilado na década de 60 dC inevitavelmente desmorona, não tendo nenhum fundamento bíblico e muito menos histórico.

A Deus toda glória

A Tribulação não ocorreu em 70 dC

De acordo com o preterismo, não haverá arrebatamento, não haverá tribulação, não haverá Anticristo ou uma marca da besta – eles garantem que tudo isso já aconteceu em 70 dC.

Os preteristas fazem pleno uso da ginástica hermenêutica com voltas duplas para evitar a realidade: “que Israel voltou para sua terra e, diante dos próprios inimigos da Bíblia, está pronto para cumprir as profecias que foram anunciadas pelos profetas, as quais se realizam nos últimos dias”. Com a negação obstinada e insistente destes fatos, o preterismo ainda continua a deter um modelo ultrapassado profético.

Mais de 300 profecias do Velho Testamento, Jesus cumpriu literalmente, 30 delas no dia em que morreu. Portanto, temos a interpretação na Bíblia como a profecia é cumprida. Mudar isso é ignorar a palavra do jeito que foi escrita.

Olhe agora para as profecias da tribulação, se elas foram cumpridas na forma como a Bíblia explica. Muitas vezes não é o peso das longas explicações que justificam a posição como válida. Devemos considerar o que está faltando de tão importante para a equação. A profecia bíblica é específica e só pode ser cumprida quando todos os elementos estão presentes dentro do contexto e tomaram lugar quase sempre do jeito que está escrito. Se não, então não podemos afirmar que tenha ocorrido.

Vamos começar com a base para este ponto de vista da profecia. Em Apocalipse 1:9 está escrito: “Eu, João, seu irmão e companheiro na tribulação…”.

Os preteristas assumem a posição de que João escreveu o Apocalipse antes de 70 dC, que alegam ser a tribulação. Se João menciona a tribulação, significa que a grande tribulação ocorreria imediatamente antes da destruição de Jerusalém. De acordo com o Preterismo João está dizendo que ele é seu companheiro [de Jerusalém] na grande tribulação que estava por vir sobre eles.

Jesus muitas vezes usou a palavra tribulação, e cada vez que Ele descreveu a Tribulação ela tinha uma qualificação. Jesus acrescenta à palavra tribulação uma outra palavra: grande (grego-megas), para significar superior ou grande, que intensifica o significado. Em seu contexto, toda a terra e seu ambiente serão atingidos e tornará uma panela de pressão. Será a última tribulação desse tipo, e irá terminar somente por Sua vinda a Terra.

Verso chave

Apo. 3:10 “Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que virá sobre todo o mundo, para tentar os que habitam sobre a terra.”

Obviamente o mundo inteiro será envolvido neste julgamento, não é apenas isolado para Israel. Esta seria a Grande Tribulação mencionada por Jesus,

Matt 24:21: “Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até este momento, nem haverá jamais.”

Atente para o detalhe quando o verso afirma que igual a essa tribulação “não haverá jamais” outra. Segundo os preteristas, na “grande tribulação” que veio sobre Jerusalém em 70 dC, um milhão de judeus foram mortos e outras desgraças ocorreram. No entanto, em outra tribulação, envolvendo os mesmos israelitas – o Holocausto de Hitler – morreram, entre judeus e não judeus, aproximadamente 40 milhões de pessoas.

Alguns preteristas tentando dramatizar o sofrimento dos judeus em 70 dC, e querendo dar ênfase à tão terrível tribulação com a intenção de rotular como catástrofe exagerada para que se entenda que igual aquela jamais haverá outra, lembram que na fome que se alastrou dentro da cidade matavam-se os próprios familiares para servir de alimento. O problema é que na tribulação do holocausto, judeus foram transformados em carteiras – os alemães usavam pele humana (dos judeus) para várias outras utilidades. Por outro lado a segunda guerra mundial pode ser citada como a pior tribulação de todos os tempos até o presente momento. Logo, a tribulação a qual Jesus faz referência no verso acima, ainda não ocorreu.

Temos de olhar para a palavra e a DESCRIÇÃO Bíblica desta grande tribulação e entender a diferença entre tribulação, que vem a todos os santos, e a tribulação que será o julgamento da ira de Deus sobre TODO O MUNDO. É isso mesmo, Jesus fala que essa tribulação “virá sobre todo o mundo” (Apo. 3:10) e não apenas sobre Jerusalém.

Agora vamos ler novamente Apocalipse 1:9: “Eu, João, que também sou vosso irmão, e companheiro na tribulação, e no reino, e paciência de Jesus Cristo, estava na ilha chamada Patmos, por causa da palavra de Deus, e pelo testemunho de Jesus Cristo.”

Tribulação – Grego – thlipsei: pressão (literal ou figurativamente):

Aflitos (- ção), angústia, sobrecarregados na perseguição.

João não fez referência ao que Jesus diz em Mat 24:21, 22: “… Porque então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até este momento, nem haverá jamais. E se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria, mas por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados“.

Só o Senhor Jesus pode parar essa tribulação na ocasião do seu retorno, quando finalmente irá destruir os exércitos do mundo que se reunirão contra ele. Isso não aconteceu como previsto. O Senhor Jesus não voltou durante a batalha do Armagedom, porque essa batalha não ocorreu da forma como foi escrito.

Promessa de redenção para Israel na Tribulação

Jeremias 30:7-11

Ah! porque aquele dia é tão grande, que não houve outro semelhante; e é tempo de angústia para Jacó; ele, porém, será salvo dela. Porque será naquele dia, diz o Senhor dos Exércitos, que eu quebrarei o seu jugo de sobre o teu pescoço, e quebrarei os teus grilhões; e nunca mais se servirão dele os estrangeiros. Mas servirão ao Senhor, seu Deus, como também a Davi, seu rei, que lhes levantarei. Não temas, pois, tu, ó meu servo Jacó, diz o Senhor, nem te espantes, ó Israel; porque eis que te livrarei de terras de longe, e à tua descendência da terra do seu cativeiro; e Jacó voltará, e descansará, e ficará em sossego, e não haverá quem o atemorize. Porque eu sou contigo, diz o Senhor, para te salvar; porquanto darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei; a ti, porém, não darei fim, mas castigar-te-ei com medida, e de todo não te terei por inocente.”

A promessa para a Babilônia de Apocalipse é destruição sem chances de recuperação, o que não pode ser uma palavra para Jerusalém que no fim dos tempos descansará em paz…

Observem algumas frases: “nunca mais se servirão dele os estrangeiros”, “te livrarei de terras de longe”, “e Jacó voltará, e descansará”, “darei fim a todas as nações entre as quais te espalhei e ficará em sossego”.

As nações serão punidas, o que ainda não ocorreu,

Zacarias 14:2 “… eu ajuntarei todas as nações para a batalha contra Jerusalém“. Esse encontro de “todas as nações da terra” (Zacarias 12:3) contra Jerusalém nunca ocorreu.

O que não aconteceu em 70 dC prova que o Preterismo é falso!

A Grande Apostasia aconteceu em 70 dC!

De acordo com Preterismo não há apostasia aumentando à medida que avança a história, em vez disso, devemos aguardar a cristianização do mundo. A Grande Apostasia teria acontecido no primeiro século, enquanto os apóstolos ainda estavam vivos construindo a igreja, e terminou completamente em 70 AD, enquanto João continuou a viver.

1 Tm. 4:1: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé.” Estes são os últimos dias mencionados em Miquéias 4:1 “MAS nos últimos dias acontecerá que o monte da casa do Senhor será estabelecido no cume dos montes, e se elevará sobre os outeiros, e a ele afluirão os povos“. A diferença é que 1 Timóteo 4 precede Miquéias 4.

Os preteristas logo que veem a palavra últimos dias e últimos tempos afirmam ser os últimos dias de Jerusalém – ainda mais quando estas palavras aparecem seguidas de outras, como: destruição, cólera, ira, julgamento, apostasia e semelhantes. Porém, o problema é que quanto mais tentam argumentar, mais se atrapalham. Por que? Porque é inaceitável manter a tese de que uma apostasia foi concluída antes de 70 dC, quando a igreja tinha apenas começado a aumentar e se espalhar para outras regiões, além de Israel. Também não vemos a casa do Senhor estabelecida no Israel de 70 dC, para onde “afluirão todos os povos” como diz a passagem paralela de Miquéias.

Na Tribulação há 144.000 Judeus ungidos para o Ministério.

Os 144.000 evangelistas judeus vêm de todas as tribos, o que nunca aconteceu da forma como é descrito antes de 70 dC, nem o resultado de sua pregação: Apoc 7:9 “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos; E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro.”

E os versos 13 e 14 concluem: “E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro.”

Repare que eles são salvos de todas as nações, (não apenas da província romana), era “uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas.

Tratado de paz

Um acordo é feito com Israel, um tratado de paz que começa antes da tribulação. Claro que os preteristas têm que mudar esta escritura óbvia e achar um significado alternativo para adicionar outro tijolo no muro e construir seu argumento. Alguns dizem que Daniel 9 refere-se a aliança de Jesus, que é uma interpretação terrível.

Dan. 9:27 “Então, ele deve confirmar uma aliança com muitos por uma semana, mas no meio da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta.” A palavra para aliança é beriyth, que é a mesma palavra hebraica para aliança em outros lugares. A palavra ‘fim’, ou desistir é shabat, que todos nós podemos reconhecer como a palavra para repouso ou desistir, parar de trabalhar.

Por que todas as nações parceiras querem levar Israel a assinar um tratado de paz hoje? Rumores de paz estão constantemente ocorrendo, mas isso tudo não significa nada para um preterista…

O mundo inteiro está querendo ver esse tratado de paz feito que a Bíblia menciona em 1 Tess. 5:2-3 “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.”

Há um problema seríssimo com a interpretação preterista desta passagem, a qual, segundo eles, deve ser entendida dessa forma,

“Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando [os habitantes de Jerusalém] disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.

O exército romano veio como um ladrão na noite? Houve paz e segurança nos anos que antecederam a destruição de Jerusalém? Óbvio que não, pois Jerusalém estava debaixo do domínio opressor romano desde antes do nascimento do Senhor. Por outro lado jamais foi feito algum acordo de paz entre Israel ou quem quer que seja.

O mundo verá esta aliança como os meios para pôr fim à guerra e ter segurança no Oriente Médio, mas em vez disso, essa aliança vai trazer o pior pesadelo para o mundo.

O Homem do Pecado

2 Tessalonicenses 2:3-4, diz: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a grande tribulação e o dia do Senhor] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.

Os preteristas reivindicam que Nero foi o anticristo, mas dificilmente ele seria o homem adequado que a Bíblia descreve. Nero jamais esteve em Jerusalém, e mesmo que possa ser um tipo daquele que “vem”, ele não cumpriu os detalhes da profecia bíblica. E além disso tudo, ele não assinou nenhum pacto com Israel imediatamente antes da Tribulação. As pessoas não fugiram de Jerusalém por causa de Nero indo para o templo declarando-se Deus – ele não entrou no templo depois de três anos e meio do acordo ter sido assinado (Dan. 9: 27). Novamente, se a profecia não está concluída da forma como foi escrito, então não foi cumprida, ainda não ocorreu!

Para um preterista, qualquer professor apóstata ou o seu sistema religioso pode ser chamado de “anticristo”; eles afirmam que o termo não descreve nenhum ditador individual. Como não?

João diz que o espírito do anticristo já estava em ação (1 João. 2: 21; 4:1-4) e havia muitos anticristos que vieram (1 João 2:15-18), mesmo em seu dia. Porém, há um (singular), o homem do pecado. O Anticristo é um homem que vai estar em um templo literal – essa é a conclusão de muitos estudiosos – reconstruído em Israel, declarando-se Deus, e vai causar uma abominação desoladora. Ninguém em 70 dC, no Templo de Herodes, exigiu algo semelhante ou se exaltou como sendo Deus.

A Teologia Escatológica Convencional ensina que a abominação da desolação é o anticristo assumir o culto do templo judeu por se sentar no lugar Santo, declarando-se Deus – concordo em parte com essa interpretação, mas mesmo assim estou usando a tese convencional como base para este artigo. A Bíblia também diz que o Anticristo vem acompanhado por sinais, prodígios e milagres,

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira“, 2 Tess. 2: 9

E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra [de Jerusalém] que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia“, Apoc. 13: 14

Onde estão os registros desses fatos antes de 70 dC? Quando foi que Jerusalém fez uma imagem de alguém que foi mortalmente ferido a espada? Quando foi que Nero, ou quem quer que tenha sido o anticristo dos preteristas, fez sinais e prodígios para enganar, para convencer as pessoas a segui-lo, mesmo os eleitos?

Por um lado para reivindicar que Nero foi o homem do pecado, os preteristas são obrigados a confessar que Jesus já voltou, pois é o Senhor que destrói o homem do pecado pelo esplendor da sua vinda. O problema é que Nero cometeu suicídio dois anos antes de Jerusalém ser destruída…

Se seguirmos a interpretação preterista, devemos concluir que o Anticristo Nero foi destruído pelo Senhor em sua Vinda, e ao mesmo tempo em que Jesus o destrói, Ele destrói também seu exército juntamente com ele. Essa é a descrição bíblica da destruição do Anticristo, basta ler Apocalipse 19, um capítulo após a destruição de Babilônia. É isso mesmo, Jesus destrói “Nero e seu exército” depois da queda de Jerusalém ( Apoc 19:1, atente para as palavras “Depois destas coisas…”). Ops! Qual preterista esperava por essa? A coisa ficou feia agora, pois Nero já estava morto antes de Jerusalém ser atacada!

Mas, o que estou lendo aqui? Apocalipse 19 afirma que Jesus destrói o Anticristo e todo o seu exército, um banho de sangue diferente de qualquer outro:

E vi a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos, para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e ao seu exército. E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…””. Apoc 19:19,20,21

Isso vai ocorrer imediatamente após a Segunda Vinda de Jesus, o que não pode ser um cumprimento da Escritura em 70 dC, pois Jesus não voltou naquela ocasião, e muito menos acabou com o Anticristo e seu exército: “E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da Sua vinda… “, 2 Tessalonicenses 2:8-9.

Quando Jesus vier, ele destrói os exércitos do mundo e o homem de Satanás é a primeira vítima. Quando isso aconteceu em 70 dC? Em 70 dC Tito e seu exército foram os vitoriosos.

Queria muito saber onde os preteristas podem encaixar em 70 dC os acontecimentos de Apocalipse descritos acima, se o exército romano e seu suposto Anticristo foram os vencedores. Atentem para os detalhes,

“… E a besta foi presa, e com ela o falso profeta… Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre. E os demais [os reis da terra e seus exércitos] foram mortos…”.

É isso que chamo de contradição das contradições!

O engano Preterista de Mateus 24

POR QUE o período da Tribulação não ocorreu em 70 AD?

Muitos eventos profetizados por Jesus para acontecer quando ele voltar nunca tiveram lugar em 70 DC.  Aqui estão alguns que nunca poderiam ter acontecido até os tempos modernos. A maioria dos listados abaixo foram preditos por Jesus como eventos que acontecem no momento certo do Seu retorno.

Dentro de Mateus 24

14 E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

Só desde o advento da comunicação de satélites isto está sendo possível. O “Sputnik”, o primeiro satélite, foi lançado em tempos recentes,  4 de  outubro de 1957.

21 Porque haverá então grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora – e nunca a ser igualado novamente.

A angústia mais terrível que o mundo tem visto até agora vieram mais de 1.830 anos depois de 70 AD – no tempo que o mundo presencia nestes nossos dias a realização dos eventos que Jesus profetizou: O Holocausto, o programa russo, e os milhões que morreram sob o regime de Mao Tse-tung, as Cruzadas e a Inquisição Espanhola. A Peste Negra foi terrível, e muitos mais morreram na Segunda Guerra Mundial, sem contar outras catástrofes do nosso século.

Por que o preterista insiste que os eventos mais terríveis da história estão no passado? E Jesus disse que a Tribulação que Ele estava profetizando seria inigualável; isto certamente não fazia referência as tribulações que sobrevieram a Jerusalém em 70 dC…  Não aconteceu ainda na década de 1930 e 40. Mas isso vai acontecer durante o período de tempo da geração que começou em 1948, quando Israel se tornou uma nação. Jesus vai voltar nessa geração agora viva. Provavelmente logo após o único sinal  pré-requisito restante venha a acontecer.

Outros sinais que nunca ocorreram

Mateus 24

Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino. Haverá fomes e terremotos em vários lugares.

Todas essas coisas são o princípio das dores.

22 Se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria, mas por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados.

27 Pois assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até o ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem.

29 Logo depois da tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, as estrelas cairão do céu, e os corpos celestes serão abaladas.

30 Naquela ocasião, o sinal do Filho do Homem aparecerá no céu, e todos os povos da terra se lamentarão. Eles verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.

31 E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma extremidade do céu para o outro.

Nações (ou grupos étnicos) levantam-se uns contra os outros rotineiramente nestes dias, e há uma fome única acontecendo em Darfur. E geralmente  terremotos de magnitude seis na escala Richter são frequentes. Isso aponta para um retorno iminente de Cristo.

A declaração-chave que Jesus fez, “dores de parto”, não foi por acaso. Dores de parto são caracterizadas por dor crescente, frequentes à medida que progridem. Torna-se consciente, dentro deste contexto de Mateus 24, a progressão, seguida de intensidade frequente das catástrofes naturais quando eles começam, provavelmente pode ser um último aviso para aqueles que estão conscientes do significado dessa frase.

O problema maior nisso tudo é que neste cenário explícito de desgraças parece que nada foi notado por quase ninguém da ala preterista. Eles se conformaram tão bem a esse padrão que tudo que acontece ao seu redor é classificado de normal.  E parece não haver nenhuma razão para fazer os preteristas acreditarem se catástrofes podem acontecer de novo. Talvez não estejam cientes do que Jesus profetizou.

Mateus 24:37-44

“E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra. Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”.  

Por que semelhanças aos dias anteriores ao dilúvio estão reservadas para os últimos dias se não mais haverá tribulação nenhuma neste tempo segundo os preteristas? Ora, os dias de Noé se encerraram com uma grande catástrofe.

Muitas pessoas cometem o erro de pensar que a referência de Jesus à situação que está sendo descrita nos dias de Noé foi uma condenação do Senhor pelos pecados que prevaleceu naquela época. Ao fazer isso, eles perdem o ponto real do que Jesus estava falando.

Jesus estava descrevendo a normalidade que prevaleceu antes do dilúvio. As pessoas que viviam naquela época, simplesmente estavam fazendo as coisas normais que as pessoas sempre fazem, tais como comer, beber e se casar, até o dia em que Noé embarcou na arca, ao invés de prestar atenção no aviso de Noé, e se preparar para o desastre iminente.  Como resultado, o dilúvio veio sobre eles na forma de um ladrão na noite e pegou todos de surpresa. Assim  vai acontecer com as pessoas na ocasião da volta do Senhor. Apenas um pequeno número perceberá os sinais que Jesus predisse, tomando nota da sua progressão e significado.  Afinal, ao contrário do que o preterismo anuncia, que as catástrofes e tribulações já ocorreram na Jerusalém de 70 dC, coisas realmente importantes estão acontecendo, e são dignas de atenção.    Não há razão para pensar que o Arrebatamento e a Tribulação não sejam coisas reais!

Olhe para trás na parte superior deste artigo, em Mateus 24:33-34, e lembre-se que a geração vivendo em nossos dias é a única que ainda vai  ver na terra os sinais do fim dos tempos. A geração específica pode estar enquadrada pelo nascimento de Israel em 1948  como uma nação (ou, possivelmente, a unificação em 1967 de Jerusalém como uma cidade totalmente israelense).

Mas esse não é o único indicador. Há ainda mais um problema enorme para ser lançado no caminho do preterismo, ele está em Lucas 21:28,

“E quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima”.

Os preterismo alardeia aos quatro cantos do planeta que o discurso de Jesus em Mateus 24, associado a esta passagem, fazem alusão ao que precederia a destruição de Jerusalém até a invasão romana que devastaria a cidade santa.

Não vou muito longe não, mas vou fazer o que o preterismo odeia, perguntar novamente insistindo no mesmo detalhe:

Se a iminente destruição estava a caminho, por que Jesus  lhes falava em redenção? Por que nosso Senhor falava em  preservar a vida dos crentes judeus se estava para vir sobre eles uma imensa catástrofe?

Afinal de contas, o que aconteceu com Jerusalém, ela foi protegida da destruição predita em Mateus 24 ou foi entregue as forças romanas?

Na verdade, em 70 dC, o Império Romano destruiu o templo de Israel, matando mais de um milhão de judeus no processo, e espalhamento aqueles que permaneceram. Este foi o cumprimento de Lucas 21:24, quando Jesus profetizou a destruição do templo, bem como a dispersão de Israel quando disse: “E cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações : e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem”.

Jesus mentiu para os judeus quando citou essas palavras em Mateus 24?

“E ele enviará os seus anjos com uma grande trombeta e eles reunirão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma extremidade do céu para o outro”.

“E quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção se aproxima”.

Quem neste vasto planeta poderia acreditar que Mateus 24, todo o capítulo, é um cumprimento da destruição de Jerusalém? O Preterismo acredita, e pior, ainda insistem diante desses registros citados acima, mesmo que esses registros prometam livramento aos judeus. Os preteristas   não se importam de cair no ridículo, o que importa é a preservação de suas heresias.

Jesus jamais poderia estar fazendo previsões sobre a destruição do povo judeu e da cidade santa quando dizia que a “redenção deste povo estava próxima, que reuniria seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma extremidade do céu para a outra”.

Logicamente ele falava de algo que ainda não ocorreu, que não cumpriu-se no tempo da destruição total de Jerusalém.