O Destino de duas Cidades

Na visão profética de João, “Babilônia” é  destruída por um incêndio. Apocalipse 18:8,17,18, diz, “Portanto, num dia virão as suas pragas, a morte, e o pranto, e a fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga”E todo o piloto, e todo o que navega em naus, e todo o marinheiro, e todos os que negociam no mar se puseram de longeE, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade é semelhante a esta grande cidade?…”

Os preteristas alegam que Jerusalém foi um centro de intercâmbio comercial, e que a profecia revela como ela foi completamente destruída por um incêndio em 70 dC. Acrescentam também que a queima de Jerusalém pelo fogo tinha significado teológico.

Acreditam eles que Jerusalém é a Grande Babilônia de Apocalipse 18, tendo sua queda descrita neste capítulo. Entendem que aqui está o registro do  julgamento de Deus advindo através do exercito romano em 70 dC:

Apoc 18:1,21 Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e odiável… E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.

Se a hipótese de Babilônia­/Jerusalém estivesse correta, então Jerusalém nunca seria reconstruída novamente, como afirma o final do verso 21. Portanto, essa não pode ser uma descrição de Jerusalém, pois a Escritura fala repetidamente do retorno desta cidade à proeminência durante o reino milenar (Isaías 2:3; Zc 14:16; Apoc 20:9).

Além disso, segundo eles, a  cidade de Jerusalém é muitas vezes referida como uma filha, e se apoiam em referencias no Velho Testamento para encaixar Jerusalém nesta profecia de Apocalipse.

Lamentações 2:15           Todos os que passam pelo caminho batem palmas, assobiam e meneiam as suas cabeças sobre a filha de Jerusalém, dizendo: É esta a cidade que denominavam: perfeita em formosura, gozo de toda a terra?

16           Todos os teus inimigos abrem as suas bocas contra ti, assobiam, e rangem os dentes; dizem: Devoramo-la; certamente este é o dia que esperávamos; achamo-lo, vimo-lo.

17           Fez o Senhor o que intentou; cumpriu a sua palavra, que ordenou desde os dias da antiguidade; derrubou, e não se apiedou; fez que o inimigo se alegrasse por tua causa, exaltou o poder dos teus adversários.

18           O coração deles clamou ao Senhor: Ó muralha da filha de Sião, corram as tuas lágrimas como um ribeiro, de dia e de noite; não te dês descanso, nem parem as meninas de teus olhos.

A infidelidade a Deus é frequentemente comparada à imoralidade sexual. A pena para a prostituição pela filha do sumo sacerdote apelou para uma punição especial, era para ser queimada até a morte.

Levítico 21:9       E quando a filha de um sacerdote começar a prostituir-se, profana a seu pai; com fogo será queimada

O preteristas chegaram a conclusão que  quando foi oferecida a Jerusalém a graça de receber o Messias, tendo ele sido rejeitado,  ela inevitavelmente entrou na profecia como  “a prostituta  Babilônia”, que é posteriormente queimada até a morte. Entretando, há um problema com essa comparação absurda; Jerusalém  realmente é identificada como a prostituta de Ezequiel 16, mas neste caso, Jerusalém é perdoada e restaurada no final do capítulo (versículos 60-62). Isto entra em contradição com a Grande Meretriz de Apocalipse 17-18, da qual se diz: “E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.” (Apocalipse 18:21).

Observem o seguinte: Em Isaías 1:21-26 diz que Jerusalém era fiel no começo (1:21), então se tornou uma prostituta (mesmo verso) e, em seguida, no final está curada, perdoada e restaurada (1:26).

Em Jeremias 2:13 – 3:25, Israel já foi fiel (2:17), em seguida, virou-se para prostituição (2:20) como uma esposa que parte de seu marido (3:20), mas está prometida a recuperação no final, se ela se arrepender (3:14-18).

Em Ezequiel 16, Deus entrou em pacto com Jerusalém (16:8), mas Jerusalém se prostituiu (16:15), mas  é finalmente restaurada por causa da Aliança (16:60-62).

Em Oséias 2, falando da casa de Israel,  que era uma vez fiel (2:14-15),  então se prostituiu (2:5), mas que será restaurada no final (2: 19-23).

Este são contextos que falam da Cidade Santa,  contrário do que encontramos quando a referência é aplicada a outras cidades. Tiro, por exemplo,  é retratada como prostituta em  Isaías 23; nada é dito sobre Tiro  ter sido uma esposa fiel. Para começar, e podemos aprender com Ezequiel 26:21, quando Tiro é destruída, não existirá jamais: “Farei de ti um grande espanto, e não mais existirás; e quando te buscarem então nunca mais serás achada para sempre, diz o Senhor Deus.“. Naum não disse  que a prostituta Nínive havia sido fiel a Deus, e Naum 2:13 diz que se ela for  destruída, Nínive não será jamais restaurada.

Embora em Jeremias 50-51 Babilônia não é explicitamente chamada de prostituta, esta é a passagem do Velho Testamento que tem mais em comum com o Apocalipse 17-18. A Babilônia de Jeremias 50-51, Tiro de Isaías 23 e Ezequiel 27, Nínive de Naum, e Babilônia de Apocalipse 17-18,  têm uma coisa em comum: todos eles vão ser destruídos e não restauradas jamais (Jeremias 51:64).

Não existe salvação ou resgate para a prostituta, ela será destruída juntamente com a besta e o falso profeta. Observem a união em detalhes de quatro versículos em Apocalipse 18:16,21-23 “…  Ai! ai daquela grande babilônia, aquela forte cidade! pois numa hora veio o seu juízo…  Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada… porque todas as nações foram enganadas pelas tuas feitiçarias

Jerusalém não pode entrar nesse texto como  uma FORTE cidade pelo fato de sempre ter sido invadida por outros povos em toda sua História. Jerusalém jamais esteve montada na besta do poder romano (17:3; cf. 13:1-8): Jerusalém foi dominada pelos romanos no tempo dessa profecia. No entanto, com relação a prostituta, a Bíblia diz que ela estava assentada sobre muitas águas (17:1): Seu poder vinha dos povos dominados. Com ela se prostituíram os reis da terra (17:2): Roma dominava os reis de muitos países na época da escrita do Apocalipse; uma descrição da Babilônia antiga (Jeremias 51:7);

Apocalipse fala sobre o vinho (doutrina) de sua devassidão (17:2). Ao mesmo tempo Roma foi  conhecida por sua imoralidade e excessos;

Vestida de púrpura, escarlate, ouro, pedras preciosas, etc. (17:4; 18:16): Luxo, nobreza, sedução; os soldados da Babilônia antiga também se vestiam de escarlata (Naum 2:3);

Cálice de abominações e imundícias (17:5): Babilônia foi o cálice que fez as nações enlouquecerem (Jeremias 51:7);

Embriagada com o sangue dos santos e das testemunhas de Jesus (17:6; 18:20, 24): Roma (Império Romano, a possível besta) perseguia os cristãos, especialmente nos reinados de Nero e Domiciano.

A mulher é a grande cidade que domina sobre os reis da terra (17:18): Roma no ano 100 (O ano em que o Apocalipse foi escrito) era a Capital do Mundo. Roma dominava os reis da terra na época de João.

Destruição interna (17:16-17): História do declínio de Roma (cf. Daniel 2:42-43).

A sentença para a Babilônia de Apocalipse é destruição sem restauração, como vimos nos versículos acima. Porém, o mais importante é atentar para a leitura de alguns textos da carta de Paulo aos romanos com relação ao povo incrédulo de Israel.

Observem a promessa em Romanos capítulo 11:

23 E também eles (Israel), se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados; porque poderoso é Deus para os tornar a enxertar. 

24 Porque, se tu foste cortado do natural zambujeiro e, contra a natureza, enxertado na boa oliveira, quanto mais esses, que são naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!

25 Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado.

26 E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. Romanos 11

Uma vez que Jerusalém será restaurada após um período de rebelião, mas Mistério Babilônia não será restaurada jamais, conclui-se que a Babilônia de Apocalipse 18 não pode ser Jerusalém.

Disciplina nacional ao invés de separação é também o tema do livro do Apocalipse, que conclui com um retrato do estado restaurado de Israel (Ap 20:9).  Há pouca dúvida de que esta “Cidade amada”, que será destaque no milênio é Jerusalém. O Antigo Testamento muitas vezes descreve Jerusalém da mesma maneira (Sl 78:68; 87:2; Jer 12:7) e também prevê seu futuro retorno para a glória (Isa 2:2-4; Zac 14:17).

Israel será novamente líder entre as nações. Assim, longe de ser um livro sobre a separação de Israel, o Apocalipse é realmente sobre a eventual restauração de Israel. Portanto, Apocalipse 18 jamais poderia fazer referência a queda de Jerusalém, pois ali é dito que a Grande Cidade, Babilônia, cai, para nunca mais ser reerguida. Por outro lado a profecia de Apocalipse 18 ainda não recebeu cumprimento.

DETALHES BOMBÁSTICOS contra a tese preterista

Em sua queda definitiva, Babilônia/Jerusalém – como desejam os preteristas -, no capítulo 18 de Apocalipse, se “tornou morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e odiável”, mas dois capítulos depois de ser totalmente devastada, aparece protegida por Deus e sendo amada por Ele.

Apoc 20:9 E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo do céu, e os devorou.

Os preteristas garantem que o Apóstolo João registra suas visões testificando sobre os infortúnios que viriam sobre a Babilônia/Jerusalém, denominando-a de mãe das prostituições e abominações da terra,  de prostituta, de iníqua, de que irá beber do cálice da ira do Deus vivo, de morada de demônios, de covil de todos os espíritos imundos, de esconderijo de toda ave imunda e ODIÁVEL, mas não conseguem explicar porque ela em seguida, mesmo depois de devastada totalmente, ainda é chamada de “… a cidade amada…”, Apoc 20:9.

Essa escola doutrinária absurda afirma que Deus julgou Jerusalém no capítulo 18 de Apocalipse, e que,  através da escrita de João, Deus passa os primeiros 18 capítulos de seu livro detonando com a Babilônia (“Jerusalém”) destruindo-a para que ela nunca mais se levante novamente, mas logo depois do capítulo 19, lá está outra vez Jerusalém sendo acolhida e protegida por Deus como cidade AMADA. Alguém poderia encontrar contradição mais medonha do que esta?

Mas não é só isso; Deus ainda escolhe esta mesma “Babilônia – Jerusalém” como o nome da cidade que iria descer dos céus:

“… E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” – Ap.21,2.

O MAPA DE DEUS NA ESTRADA PROFÉTICA

Deuteronômio fornece um mapa profético que cobre toda a história, desde quando Israel começou a caminhar pela estrada, cerca de 3400 anos atrás; O Senhor deu um esboço da sua história inteira através de seu porta-voz, Moisés. Deuteronômio é esta revelação, e é como um roteiro para onde a história é dirigida antes da viagem entrar em curso; e deve-se acrescentar que os diferentes segmentos da viagem histórica foram atualizados com mais detalhes a serem adicionados ao longo do caminho.

No processo de exortação de Moisés para a nação de Israel, ele dá em Deuteronômio 4:25-31, um esboço do que vai acontecer com essa nação eleita, depois de cruzar o rio Jordão e se estabelecer na terra prometida.

Um resumo destes eventos:

1) Israel e seus descendentes permaneceriam muito tempo na terra.

2) Israel agiria de forma corrupta e escorregaria em idolatria.

3) Israel seria expulso da terra.

4) O Senhor os espalharia entre as nações.

5) Israel seria entregue à idolatria durante suas andanças.

6) Embora dispersos entre as nações, Israel  há de   procurar e encontrar o Senhor quando Ele  procurar de todo o seu coração.

7) Viria um tempo de tribulação  a ocorrer nos últimos dias, período em que eles iriam voltar para o Senhor

8) “Porque o Senhor vosso Deus é um Deus compassivo, Ele não te deixará nem te destruirá, nem se esquecerá da aliança com vossos pais, que jurou a eles” (Deuteronômio 4:31).

Se os cinco primeiros eventos têm acontecido com Israel e nenhum intérprete evangélico poderia negar tais fatos, então fica claro no texto que os eventos finais ocorrerão também para a mesma nação da mesma forma como os eventos anteriores. Isto é mais claro no contexto, pois a Bíblia não “muda de cavalo no meio do caminho”, para que de repente, Israel, que recebeu as maldições, caia fora da imagem e a Igreja assume e recebe as bênçãos. A Bíblia nada ensina que Deus abandonou Israel (cf. Rom. 11:1).

Qualquer leitor do texto terá que admitir que a mesma identidade é conhecida em todo o conjunto do texto em análise. Se for verdade que o mesmo se destina Israel ao longo do texto, então os três últimos eventos ainda têm de ser cumpridos por Israel da mesma forma histórica em que os cinco primeiros eventos são reconhecidos por todos como tendo ocorrido. Assim, uma realização dos três eventos finais na vida de Israel terá de acontecer no futuro.

Esta passagem em Deuteronômio conclama um retorno do Senhor depois da Tribulação dos tempos finais, e não um julgamento em 70 dC. Isto significa que uma visão futurista da profecia é suportada a partir desta passagem no início e durante todo o resto das Escrituras.

Tão significativo como Deuteronômio quatro está em estabelecer a história profética do povo eleito de Deus, uma narrativa expandida da história futura de Israel é fornecido também em Deuteronômio capítulos 28-32 e partes do 26. Aqui é onde vemos realmente surgir o matrix das grandes profecias do Antigo Testamento sobre Israel.

26:3-13; 28:1-14 As condições de bênção para seguir a obediência

31:16-21 A apostasia chegando

28:15-60 A aflição que Deus iria trazer sobre Israel, enquanto ainda na terra, por causa de sua apostasia

28:32-39, 48-57 Israel será levado cativo

27, 32 Os inimigos de Israel  possuirão sua terra por um tempo

28:38-42; 29:23 A terra em si permanecerá desolada

28:63-67; 32:26 Israel será espalhado entre as nações

28:62 O tempo virá em que Israel será em pequeno número

28:44-45 Apesar de punido Israel não será destruído

28:40-41; 30:1-2 Israel vai se arrepender de sua tribulação

30:3-10 Israel será recolhido junto das nações e trazido de volta à sua terra dada por Deus

Nem todos os eventos  acima resumidos  certamente tiveram lugar durante, ou antes, da destruição de Jerusalém em 70 dC. Parece estar se moldando que, enquanto o incidente do ano 70 dC  foi de fato um evento profetizado, os itens remanescentes no roteiro profético de Israel ainda não foram cumpridos.

O que é triste com a interpretação preterista é que ele reconhece as maldições sobre Israel, mas não as bênçãos futuras que Deus também prometeu. O Preterismo diz que Israel recebe as maldições, mas a igreja recebe bênçãos de Israel. Não é isso que diz a Bíblia; para que as bênçãos sobre Israel literalmente ocorram, assim como as maldições do passado, só faz sentido se as localizamos num tempo futuro.

Dentre todas as profecias anunciadas, ainda temos as que afirmam que o estado de Israel/ Jerusalém será reerguido reinando entre as nações,

Isaías 2

E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.

E irão muitos povos, e dirão: Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.

E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear.

Zacarias 14:17    E acontecerá que, se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém, para adorar o Rei, o Senhor dos Exércitos, não virá sobre ela a chuva.

Apoc 20:9 E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo, do céu, e os devorou.

Os textos citados acima fazem referencia a Jerusalém, o que não está de acordo com a visão preterista que afirma ter sido a cidade santa, a qual denomina de a grande Babilônia, destruída para sempre em Apocalipse 18,

21 E um forte anjo levantou uma pedra como uma grande mó, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, aquela grande cidade, e não será jamais achada.

22 E em ti não se ouvirá mais a voz de harpistas, e de músicos, e de flautistas, e de trombeteiros, e nenhum artífice de arte alguma se achará mais em ti; e ruído de mó em ti não se ouvirá mais;

23 E luz de candeia não mais luzirá em ti, e voz de esposo e de esposa não mais em ti se ouvirá

Apoc 18:14 E o fruto do desejo da tua alma foi-se de ti; e todas as coisas gostosas e excelentes se foram de ti, e não mais as acharás.

O fim vem… Quem viver verá!

Carta à Igreja em Tiatíra

TiatiraChegamos à Igreja de Tiatíra. É importante lembrar do contato de Paulo com pessoas dessa cidade anunciando-lhes o evangelho e batizando toda família, como vemos em Atos 16:14, 15. Isso ocorreu perto do ano 58. Portanto, se atentamos para a cronologia preterista, devemos acreditar que  alguns poucos anos  depois João escreve uma carta para essa Igreja que, inexplicavelmente, já mostrava sinais de corrupção,

“… tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria. E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição; e não se arrependeu. Eis que a porei numa cama, e sobre os que adulteram com ela virá grande tribulação, se não se arrependerem das suas obras. E ferirei de morte a seus filhos, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda os rins e os corações. E darei a cada um de vós segundo as vossas obras”, Apo 2:20-23.

Jezabel não havia apenas subido a um lugar de influência em Tiatira, mas também já havia sido dado a ela tempo de se arrepender. Ou seja, Jezabel entrou na Igreja, foi aceita, enganou muitos, foi descoberta, lhe deram tempo para que se arrependesse, mas ela não se arrependeu. Temos que pegar tudo isso e encolher colocando dentro de, no máximo, quatro anos. Não seria possível  um desvio dessa magnitude numa   Igreja recém fundada.

Como foi visto em outro tópico, entendemos que, se seguimos a datação preterista para o aprisionamento do Apóstolo João, devemos concluir que as cartas redigidas por ele às sete Igrejas foram escritas entre 62 e 64, o que deixa um espaço curtíssimo demais para a sequência negativa que encaixa a condição de uma Igreja que foi fundada quase no ano 60 de nossa era. Em outras palavras, temos apenas pouquíssimos anos de vida da Igreja  para que nela se manifestassem pontos negativos pervertidos ao extremo.

A profetiza falsa Jezabel conseguiu infiltrar-se na congregação, ser aceita, tolerada e levar todos ao engano,

“… tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria…”

Obviamente  isso não aconteceu da noite para o dia. Se a Igreja foi fundada perto  de 60 dC, e João escreveu-lhes e enviou  esta pequena carta até 63 dC, devemos concluir que Jezabel trabalhou rapidíssimo. Mas isso não é tudo, pois dentro desse tempo estreito ao extremo, devemos também encaixar o tempo que foi dado a ela para que se arrependesse,

“… E dei-lhe tempo para que se arrependesse da sua prostituição…”

Mais impossível  seria explicar que dentro desse curto espaço ainda ocorreu o tempo de espera para que ela respondesse a advertência, o que fez de forma negativa, não se arrependendo,

“… e não se arrependeu…”

Isso nos leva a concluir que toda essa ação maléfica dentro da Igreja levou um tempo consideravelmente longo para ocorrer, do seu início até o alerta que o Senhor Jesus envia através da carta de João. Portanto, temos aqui mais uma referência nas cartas as sete Igrejas como prova contra a tese de que Apocalipse tenha sido escrito antes de 70 dC. Se Apocalipse não foi escrito antes da destruição de Jerusalém todo o argumento católico preterista vira farelo.

O Contexto histórico de Laodicéia e o Preterismo

O Preterismo argumenta que a apostasia descrita em Apocalipse para a maioria das Igrejas ali apresentadas ocorreu antes da destruição de Jerusalém. Eles ensinam que o exílio de João em Patmos aconteceu antes de 70 dC, no governo de Nero. Portanto, o que se deve concluir, se calculamos a data do Apocalipse pela cronologia preterista, é que as cartas endereçadas para as sete Igrejas foram escritas antes de, no máximo 65 dC, pois a invasão de Jerusalém pelas tropas do general Tito teve início em 66 dC. Isso não pode estar de acordo com algumas evidências apresentadas dentro e fora das Escrituras do Novo Testamento.

Apocalipse 3:14-22 descreve a igreja de Laodicéia como rica, de nada tendo falta (v. 17). No entanto, essa não pode ser a visão de uma Igreja que existia antes de 70 dC. Em 61  um terremoto visitou a cidade de Laodicéia que levou quase duas décadas para ser reconstruída. Tácito escreveu, “No mesmo ano, Laodicéia, uma das famosas cidades asiáticas, foi colocada em ruínas por um terremoto, mas se recuperou com recursos próprios, sem a ajuda de nós mesmos”, Tácito, Annales 14:27.  Esse terremoto foi em toda a cidade, e não se limita apenas a uma parte dela como supõem alguns preteristas, que atrapalhados em seus argumentos precisaram limitar o terremoto tentando salvar quase toda a região de Laodicéia apenas para dar significado a Igreja “existente”, a qual eles dizem que era rica e abastada antes de 70 dC. Ora, se o terremoto aconteceu apenas numa pequena parte da cidade,  afirmam, obviamente daria tempo de ela ser reconstruída antes da queda de Jerusalém e ainda alcançar o status de rica e abastada. No entanto, a destruição foi muita extensa.  A reconstrução da cidade de Laodicéia após o terremoto levou muito tempo – os materiais de trabalho e de reconstrução não corriam na rapidez que correm hoje, fazendo com que a recuperação levasse um tempo consideravelmente longo. Seria verdadeiramente notável se Laodicéia, independentemente, fosse reconstruída em apenas alguns poucos anos, de 61, quando ocorreu o terremoto, até o início da escrita do Livro de Apocalipse por João, que segundo alguns preteristas se deu a partir de 62/63 dC, apenas um ou dois anos depois de a cidade ser devastada.

Quando João começou a receber as revelações na Ilha de Patmos os esforços de reconstrução em Laodicéia estavam completos, pois a  igreja é descrita como rica e abastada, de nada tendo falta. Essa não pode ser a descrição de uma Igreja que vivia entre ruínas. Isso nos fornece uma informação segura, que nos permite estabelecer uma data posterior a 70 dC para a redação do Livro de Apocalipse.

O preterismo alega que as riquezas  mencionadas em Apocalipse 3:17 são espirituais, não riquezas materiais. Porém, no seguinte contexto em 3:18, Jesus faz alusão a indústria de Laodicéia que contribuiu para a sua riqueza material: ouro (Laodicéia era um centro bancário), colírio (Laodicéia comercializou e lucrou muito por fabricar uma pomada usada para tratar doenças oftálmicas) e roupa branca (Laodicéia era um centro de produção de vestuário). Essas alusões locais às fontes de riqueza material em Laodicéia indicam que a referência a riqueza da igreja era principalmente por sua riqueza  material, que por sua vez criou um senso de autossuficiência e complacência espiritual. A afluência material e a atitude autossuficiente correspondente da cultura tinham se infiltrado na igreja.

A evidência arqueológica em Laodicéia aponta para uma reconstrução em quase vinte e cinco anos. A extensão dos danos causados em Laodicéia com o terremoto de AD 61, e o período de tempo que levou para reconstruir a cidade, são provas convincentes de que a datação da escrita do Livro de Apocalipse só pode ser estabelecida para depois da destruição de Jerusalém.

A maioria das principais ruínas que sobrevivem hoje em Laodicéia são dos edifícios construídos durante o tempo do terremoto. O grande edifício público destruído no terremoto foi reconstruído em detrimento dos cidadãos e não foi terminado até cerca de 90 AD. A data de conclusão do estádio pode ser precisamente localizada em fins de 79 dC, e a inscrição em vários outros edifícios são datados do mesmo período.  A grande porta tripla (Syrian Gate) e as torres não foram concluídas até 88-90 AD.

Desde que a reconstrução de Laodicéia após o terremoto ocupou  pouco mais de duas  décadas, é altamente problemático  reclamar para Igreja o status de rica, de nada tendo falta  dois anos (?) após o terremoto (62-63), como quer o preterismo. Durante esses anos, a cidade estava nas fases iniciais de um programa de reconstrução que iria durar entre 15-25 anos. Se o Apocalipse foi escrito em AD 95 a descrição de Laodicéia em 3: 14-22 caberia  muito bem. Por este tempo a cidade foi totalmente reconstruída com recursos próprios, aproveitando a prosperidade e prestígio e aquecendo-se no orgulho das suas grandes realizações.

É mais razoável concluir que muito mais tempo foi gasto na sua recuperação, como testifica Tácito. A verdade é que demorou décadas para que a cidade chegasse a um estado próspero, em primeiro lugar, ao ponto da Igreja ali considerar-se abastada, o que caracteriza um sentimento de superioridade por estar localizada numa megametrópole recuperada totalmente, que avança a passos largos para o desenvolvimento. A Igreja estava encravada dentro de uma cidade que era próspera na década de 90 dC, com uma grande produção de vestuário, serviços médicos e centro financeiro. E, como vamos ver, foi nessa época que João escreveu a carta para Igreja de Laodicéia.

Colossenses e Apocalipse

Segundo os preteristas a Igreja de Laodicéia recebeu duas cartas na mesma ocasião, uma de Paulo através de Colossenses e outra de João que é apresentada no Livro de Apocalipse.

Paulo escreve uma carta para a Igreja de Colossos – que foi também de grande utilidade para a Igreja de Laodiceia. Col 4:16: “E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também”.

Ou seja, a condição das duas Igrejas era a mesma: elas andavam em comunhão com o Senhor. Vejam o que Paulo escreve a Igreja de Colossos/Laodicéia em 62/63 dC, de sua prisão em Roma:

Colossenses 2

1  PORQUE quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia  e por quantos não viram o meu rosto em carne;

2 Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.

Observem  como são impressionantes as palavras  dirigidas a Laodicéia:

“… em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo”.

Parecem eles miseráveis, pobres e cegos?

Como poderia uma Igreja,  elogiada por Paulo na carta aos Colossenses em 62 dC, que a descreve como um grupo ativo, não ser nem cumprimentada pelo Senhor em Apocalipse (3:14-22), que a chamou de “… miserável, e pobre, e cego, e nu…?”, v: 17. Se Paulo e João escreviam em 62 dC – Colossenses e Apocalipse – como poderiam os preteristas explicar que um deles, em Colossenses, elogia a Igreja de Laodicéia como um grupo de cristãos em comunhão com o Senhor, mas o próprio Jesus através de João diz a mesma Igreja:  “… vomitar-te-ei da minha boca?”, Apo 3:16.

Se a carta escrita à mesma Igreja por João em Apocalipse pode ser localizada na mesma época da carta de Paulo (os preteristas afirmam que sim), então fica impossível  conciliar a apostasia descrita  ali  com a ordem  e comunhão registradas por Paulo.

Laodicéia é repreendida pelo Senhor Jesus por ser morna, provocando-lhe náuseas, ao ponto de o Mestre dizer que a vomitaria de sua boca. Certamente essa apostasia descrita em Apocalipse ocorreu décadas depois do elogio de Paulo. Seria necessário um longo período de tempo para que esta condição repugnante pudesse se desenvolver. A forte repulsa do Senhor, no estado da igreja de Laodicéia, certamente torna-se mais inteligível após um intervalo considerável de tempo para a apostasia. Parece evidente que as duas cartas não poderiam jamais ter sido enviadas para a Igreja de Laodicéia na mesma época, pois uma epístola a louva enquanto a outra diz que nela não há nada louvável.

Percebam que o problema não é nada pequeno; a escola preterista, munida de todos os recursos tentando negar a redação do Livro de Apocalipse para depois de 70 dC, foi obrigada a estabelecer a escrita antes dessa data, precisando também recuar até o inicio da década de 60 com o exílio de João em Patmos. A situação é extremamente embaraçosa, pois é necessário datar a redação das epístolas às sete Igrejas não mais tarde que 64 dC. As coisas se embolam de uma forma tão inexplicável, se seguirmos a cronologia preterista, que fica praticamente impossível acumular todo esse trabalho em torno de João – receber as revelações, o preparo na escrita e, o mais difícil, o envio das cartas para fora da ilha – tudo isso antes de iniciar o cerco sobre Jerusalém.

No fim das contas as cartas de João se sobrepõem as de Paulo!

A realidade pode ser outra: Paulo escrevia a Laodicéia da prisão em Roma na década de 60, mas João escrevia quase uma geração mais tarde. Portanto, somente um intervalo de tempo muito mais longo é que pode explicar a apostasia da Igreja em Laodicéia.

A Igreja elogiada por Paulo em 62, simples e pequena, não pode ser a mesma Igreja rica e abastada descrita em Apocalipse 3:17. Note que o Apóstolo Paulo fala de uma congregação em Laodicéia que se reunia numa casa: “Saudai os irmãos de Laodicéia e Ninfas, bem como a Igreja que se reúne em sua casa”, Col 4:15. O significado de “Ninfa” é simplesmente um nome de pessoa – do sexo feminino. Na casa dessa mulher existia uma comunidade, uma “igreja doméstica” que ali se reunia. Não temos outras informações sobre ela. Quanto ao vocábulo ‘ninfa’, a sua origem é o grego antigo e significa “moça”. Não foi para essa pequena congregação que João escreveu sua carta de advertência – de forma alguma podemos conciliar as palavras “… és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu…” e “… vomitar-te-ei da minha boca” como tendo sido dirigidas a essa mulher chamada Ninfa e a Igreja que se reunia na casa dela, muito provavelmente a única congregação em Laodicéia quando Paulo lhes escreveu em 62 dC.

A Igreja repreendida por João era outra, a de quase três décadas depois, que se declarava como quem não tem falta de nada pelo simples fato de se ver envolta ao luxo e desenvolvimento material, refletidos pela cidade reconstruída, que resgata seu status de cidade rica. Laodicéia estava reivindicando uma riqueza espiritual igual a sua riqueza material, o que para o Senhor não servia. Ele é enfático:

Apo 3:17 – Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu.

Essa não pode ser de forma alguma a mesma Igreja que Paulo elogiou na carta aos colossenses quando lhes escrevia de Roma por volta do ano 62. Essa igreja é uma igreja que apostatou da fé, a qual foi alertada por João – quase uma geração depois – que o Senhor Jesus estava prestes a vomitá-la da sua boca.

Fonte consultada: Tim Lahaye and Thomas Ice. The End Times Controversy, Harvest House Publishers, 2003.