Contradições do Preterismo I

A doutrina preterista declara que grande parte do Livro de Apocalipse, Mateus capítulo 24, Lucas 21:5-36 e referências, já se cumpriram. Alegam que as profecias citadas nestes contextos apontavam para conflitos da igreja primitiva, e que, portanto, já tiveram cumprimento em 70 dC quando os romanos atacaram e destruíram Jerusalém. Em níveis diferentes de interpretação, esta visão combina o simbolismo com alegoria ensinando que o vasto contexto profético de Apocalipse não lida com eventos futuros específicos.

Na verdade, o preterismo apresenta uma doutrina confusa, recheada de mudanças feitas ao longo dos anos. Estas mudanças foram inseridas por que apareceram muitas refutações contra a escola preterista obrigando-os a fazer ajustes urgentes para que a proposta pudesse ficar de acordo com as Escrituras. Entretanto, o tiro saiu pela culatra, pois aconteceu exatamente o contrário: nos últimos tempos inúmeras contradições surgiram, tornando impossível conciliar a visão preterista com a Bíblia.

A maioria dos preteristas acredita no seguinte:

1. Nero era o Anticristo. Não haverá futuro Anticristo individual.

2. O período da Tribulação já terminou. Aconteceu quando o exército romano sitiou Jerusalém em 66-70 DC.

3. Cristo “voltou” nas nuvens em 70 DC para testemunhar a destruição de Jerusalém pelo exército romano.

4. Deus substituiu o Israel do Antigo Testamento pela Igreja. Portanto, todas as promessas bíblicas a Israel pertencem à Igreja.

5. O Armagedom já aconteceu em 70 DC. A queda de “Babilônia” se refere à destruição de Jerusalém pelos romanos.

6. Satanás já está preso no abismo e não pode impedir a propagação do Evangelho. Apocalipse 20 já foi cumprido.

7. Já estamos no Milênio, mas não é literal. Alguns preteristas consideram toda a Era da Igreja como o Milênio. Os 1.000 anos não são literais, mas figurativos, embora seja mencionado várias vezes em Apocalipse 19-20.

Entenda as contradições do Preterismo…

1) Espanto entre os reis de toda a terra

Está escrito em Apocalipse 6:15, 16, “E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro. E o verso 17, diz: “Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?”

Segundo os preteristas, este grande dia da ira aconteceu quando Jesus veio sobre Jerusalém em 70 dC através das tropas romanas. Há, no entanto, vários problemas para essa interpretação, pois esta passagem estabelece uma visão profética para o fim dos dias. E nem que tentem os preteristas, eles jamais poderiam dar explicações satisfatórias do porque os reis de toda a terra estavam se escondendo nas cavernas e nas rochas em 70 dC, correndo da ira de Deus que se abateria sobre Jerusalém.

Não há maneira de aplicar a passagem em qualquer evento que tenha ocorrido antes da destruição de Jerusalém. O contexto necessita ter uma interpretação literal.

Onde, no primeiro século, durante o cerco de Jerusalém, se vê “reis da terra”, “grandes homens, homens ricos, chefes militares e todo escravo e todo livre”, se escondendo nas cavernas e nas rochas das montanhas, gritando: “esconde-nos da ira do Cordeiro” (Ap 6,16)?

A ira do exército romano não é a ira do Cordeiro, nem foi visto em uma escala descrita nas profecias do tempo do fim. O “dia do Senhor” é inaugurado com sinais catastróficos em todo o mundo. Isso não aconteceu no primeiro século.

Em Apocalipse 17:2 vemos os “reis da terra” cometerem fornicação, e seus habitantes se embriagaram com o vinho da sua prostituição. Esta Babilônia é o centro comercial da terra, isto certamente não se encaixa na Jerusalém de 70 dc. Apocalipse 18-9-10,11, diz que os comerciantes e os reis chorarão, sobre ela prantearão, quando vê-la queimando.

Não houve reis, principalmente do Império Romano a lamentar sobre Jerusalém em 70 dC – isso é contrário ao crédito preterista da Babilônia ser Jerusalém. Muito provavelmente o Império Romano “comemorou, e não lamentou” sobre sua destruição.

Em continuidade, surge uma questão para determinar quem é o grande mistério do momento. Nas visões de João o anjo lhe mostra um grande império que dominava nações.

Não se espera que Jerusalém, que foi destruída pelos romanos em 70 dc, poderia ser a mesma metrópole vista no capítulo 17, pois o texto diz que a mulher, a grande cidade, reina (está reinando) sobre os reis da terra. Os judeus e Israel certamente não reinavam sobre os reis da terra nesse tempo. Roma e os reis da terra não estavam sujeitos aos judeus e a cidade santa. Muito pelo contrário, os judeus e sua cidade foram alvos de Roma e seu Imperador, o rei da terra habitada.

2) Mortos por causa do testemunho

Em Apocalipse 12-17 e 13-7, o dragão e a besta fazem guerra aos santos, (12-17), aqueles que guardam os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo. No entanto, na guerra judaica de 66-70 dC a batalha era contra os judeus rebeldes, e não contra os crentes em Cristo. Estas passagens mostram uma contradição clara do preterismo, que considera que esses registros sustentam a prova da guerra em Jerusalém pelos exércitos romanos. A história diz-nos que aqueles em Cristo, a maioria se não todos, saíram de Jerusalém antes dos romanos completamente cercar e destruir os “judeus incrédulos.” Os seguidores de Cristo escaparam para uma cidade chamada Pella, na Palestina.

3) Todo o sangue derramado sobre a terra

Em Apocalipse capítulo 18, capitulo que descreve a queda de Babilônia – que os preteristas dizem ser Jerusalém, no último versículo, nos lemos o seguinte:

E nela (em Babilônia) se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de TODOS os que foram mortos sobre a terra” (v 24).

Mesmo se Jesus tivesse aludido que Jerusalém seria a cidade sobre a qual recairia a vingança pelo sangue dos profetas, desde Abel até Zacarias (Lc 11:50,51), ainda assim ela não poderia ser identificada como sendo, Mistério, Babilônia. Em Babilônia é encontrado o sangue de todos os que foram mortos na terra. Essa é uma culpa ainda mais abrangente do que aquela que recaiu sobre os escribas e fariseus.

4) Judeus Idólatras

A descrição da prostituta de Apocalipse parece comunicar o seu grande envolvimento com a idolatria (adultério espiritual, coisas impuras e abominações); esta não é uma descrição da Jerusalém do primeiro século, à luz do fato de que a cidade daquela época era estritamente monoteísta. A condição dos judeus em 70 dC não pode ser a que foi descrita em Apocalipse 9:20, onde fala daqueles que foram feridos pela explosão de sexta trombeta; alguns dos quais foram mortos, e alguns poupados, não poderiam ter sido judeus, pois o texto diz que estes estavam envolvidos com idolatria: “E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar”.

Não seria possível aplicar essa passagem aos judeus, pois eles não eram idólatras. Não podemos envolver a Jerusalém de 70 dC em um contexto que a acusa de fabricar ídolos de ouro, de prata e de bronze.

5) Caifás viu a Vinda de Jesus?

Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote [Caifás], disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu.”, Mateus 26:63, 64.

Aqui temos O “Filho do homem vindo”; outra passagem que é frequentemente citada pelos preteristas como um texto cumprimento apontando para dC 70.

O argumento típico preterista é o seguinte: Jesus disse a Caifás que ele iria vê-lo no seu reino, o que foi uma profecia cumprida em 70 dC, quando Caifás viu Jerusalém em ruínas destruída pelas mãos dos romanos.

O fato triste, porém, é que Caifás morreu muito tempo antes de 70 dC!

Caifás foi deposto por Vitélio, governador da Síria em 37 dC. O biógrafo mais completo de Caifás, Helen K. Bond (professor titular de Linguagem do Novo Testamento, da Universidade de Edimburgo), concluiu, após uma década de estudos que, “depois de dezoito anos como sumo sacerdote, Caifás, demasiado idoso e enfermo, morreu logo após essa data”. (Caifás: Amigo de Roma e Juiz de Jesus, p 89).

Em 1990, o ossuário de Caifás foi descoberto. Esta relíquia tem resistido a todos os ataques acadêmicos por razões epigráficas, incluindo a inscrição e outros enfeites, e foi certificado como autêntico. Nesta caixa extremamente ornamentada está inscrito o nome de Caifás – segundo estudos os ossos são de um homem de 60 anos de idade. Se Caifás viveu até dC 70 e viu a destruição de Jerusalém, então ele teria apenas oito anos quando começou a reinar como sumo sacerdote em Israel, e tinha apenas 20 anos quando condenou Jesus. Mas não é somente isso, ainda há outro detalhe…

Mesmo que Caifás não tenha morrido em torno de 40 dC, ainda assim não há o menor fragmento de evidência que ele viveu para ver a destruição de Jerusalém. E se ele morreu logo depois, não houve praticamente nenhuma chance para sepultar o sumo sacerdote em meio a destruição e miséria, condições impossíveis de se encontrar em Jerusalém após os ataques do exército romano. Na verdade, ficaria quase impossível concluir que ele tenha sido tão cuidadosamente colocado para descansar em um ossuário ornamentado no túmulo da família diante de tanto lixo e escombros, sem falar na falta de liberdade, pois Jerusalém estava totalmente destruída e vigiada pelo exército inimigo. Seu túmulo fica ao sul de Jerusalém, em uma área que havia sido controlada pelos romanos desde cerca de 58 dC. Para todo este tempo e despesas, o tão cuidadoso enterro de Caifás torna o fato altamente improvável de ter acontecido em 70 dC ou logo depois.

A razão de Caifás ser tão importante nesta narrativa (e não apenas um personagem entre os escribas, os anciãos, e todo o Sinédrio) é que no contexto imediato da presente declaração, Caifás foi especificamente apontado como o destinatário da profecia.

Certamente Caifás não viu a vinda de Jesus em sua época. Jesus dizia que a geração de Judeus, que na ocasião da sua segunda vinda representaria todos que ali estavam, O veriam vindo sobre as nuvens. Caifás era apenas um tipo de sacerdote anticristão da alta produção final, o fim dos tempos. “Caifás” vai ver a vinda de Jesus em poder e grande glória.

6) Fatos em Mateus 24

Quero apresentar ao leitor alguns fatos que, segundo o preterismo, já ocorreram antes da destruição de Jerusalém. Acompanhem a leitura e observem como as contradições saltam diante dos olhos,

5 Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos…

11 E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos…

24 Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos

A turbulência promovida por estes falsos ministros seria tão grande que a advertência é repetida em três versículos. Por que Jesus repetiu esse alerta por três vezes para sua geração se os falsos mestres que rodearam a Igreja até 70 dC não passaram de uma dúzia?

Nunca se leu ou ouviu sobre estes muitos falsos profetas que estiveram presentes entre 30 e 70 dC promovendo sinais e prodígios ao ponto de conseguir enganar até os escolhidos.

Paulo deixa implícito que o aparecimento de falsos obreiros, falsos profetas e falsos apóstolos ocorreriam de uma forma mais crescente depois de 70 dC,

Ato 20:29 – Porque eu sei isto que, depois da minha partida, entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão ao rebanho

João, escrevendo muito tempo depois da destruição de Jerusalém, atesta,

1Jo 4:1 – AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.

O termo, têm se levantado, poderia ser melhor traduzido por: começaram a aparecer.

Mateus escreveu seu evangelho entre 55 e 60, portanto, quase trinta anos após o discurso do Senhor e perto da destruição de Jerusalém, não fazendo nenhuma adição sua ao contexto, alertando sobre os falsos Cristos que já proliferavam. Isso deve significar também que eles não poderiam jamais se multiplicar em números elevadíssimos nos poucos anos que faltavam até chegar em 70 dC.

A impressão que se tem quando nos atentamos para esse contexto, tendo por base a visão preterista, é que os falsos profetas não existem mais – Eles vieram e se foram, como tudo o que eles dizem que cumpriu-se em 70 dC. Aliás, tem muita coisa que eles garantem ser figura, mas a impressão é que tudo se transforma em fumaça ou neblina, pois na interpretação figurada dos preteristas o que é simbólico, some, evapora!

6 E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim.

7 Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares.

Não houve um contexto de guerras e rumores de guerras, nação contra nação e reino contra reino numa época – antes de 70 d.C – que o mundo todo era subjugado ao império romano, onde ninguém lhes fazia guerra e muito menos guerreavam entre si.

As profecias de Jesus sobre guerras e rumores de guerras se encaixam perfeitamente em nossa geração, tão cheia de guerras, fomes, pestes, terremotos e pragas jamais vistas no planeta.

12 E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.

Segundo os preteristas todos os moradores de Jerusalém iam ficar gelados na fé e a iniquidade iria se multiplicar entre eles. Isso só pode ser uma tremenda brincadeira de mau gosto!

13 Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo.

Aqui novamente o preterismo garante que os moradores de Jerusalém deveriam perseverar até o fim da destruição da cidade e serem salvos. Destruídos, sem morada, sem nação, quando seriam espalhados sobre toda a terra… e a promessa é que seriam salvos, pois Jesus lhes disse em Lucas 21:28: “quando virdes todas essas coisas acontecendo, levantai vossos cabeças, porque vossa redenção se aproxima“. Somente o preterismo pode explicar essa abominável contradição.

14 E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim.

Aqui é o fim de Jerusalém conforme afirmam os preteristas. Segundo eles, Jesus está dizendo que o evangelho seria pregado em todo o mundo e depois viria o fim de Jerusalém.

contradicoes 5

7) DEPOIS da queda de Jerusalém

O General Tito e seu exército foram os vencedores em 70 dC na invasão de Jerusalém, mas nós podemos ler em Apocalipse sobre um imenso batalhão comandados pela “besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e contra os seus exércitos” (Apocalipse 19:19), que foram os perdedores. O verso seguinte diz: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre“.

A extensão do problema preterista é incalculável, pois aqui encontramos registros de uma batalha ocorrida após a suposta queda de Jerusalém (“caiu, caiu a grande Babilônia”) em Apocalipse 18:1,2.

Uma facção do preterismo afirma que a besta era o imperador romano Nero ou mesmo seu sucessor. Entretanto, Nero suicidou-se dois anos antes de Jerusalém ser destruída. Por outro lado, é preciso lembrar que Jerusalém foi destruída sob o imperador romano Vespasiano/Tito, não Nero. Além disso, se ensinam que Nero foi o Anticristo, será que vão concordar que Vespasiano, ou Tito, foi o falso profeta? Eles seriam obrigados a crer no seguinte: Nero e Tito – ou Vespasiano – foram “lançados vivos no lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 19:20).

Leia novamente o que ocorre com esses personagens após suas derrotas:

“E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre”.

Se tomamos por base a cronologia preterista temos que localizar o julgamento destas duas figuras reais no capítulo 19, após o anúncio da suposta queda de Babilônia/Jerusalém pelas tropas do General Tito. Ora, se as profecias mostram mesmo o exército romano invadindo Jerusalém nos capítulos anteriores, culminando com a derrocada da mesma em Apocalipse 18:1,2, então, que exército é esse que aparece no capítulo 19 batalhando contra o cordeiro e é derrotado?

Fica sumamente impossível crer na proposta preterista, e muito mais impossível ainda seria crer se eles apenas insinuarem que o capítulo 18 cumpriu-se em 70 dC, mas o 19 não.

Observe que a história narrada mostra as ações maléficas desses homens durante todo o Livro Profético, nos apresenta a queda de Babilônia e registra o julgamento dos mesmos em Apocalipse 19. Note também que este capítulo revela que eles foram instrumentos do julgamento de Cristo. Quem os julga e os lança no lago de fogo é o próprio Jesus na manifestação da sua Vinda, a qual os preteristas são obrigados a garantir que já ocorreu.

E os problemas não param aqui; ainda há o registro de uma outra guerra – dessa vez Jerusalém sai triunfante. Está em Apocalipse 20:8, 9

“E [Satanás] sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como a areia do mar, para as ajuntar em batalha. E subiram sobre a largura da terra, e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; e de Deus desceu fogo do céu, e os devorou”.

Isto aconteceu quando? Onde?

Essa teoria do preterismo não corresponde aos fatos, pois a queda de Jerusalém em 70 dC não extinguiu o anticristo. Nem os milhares de judeus mortos no cerco de Jerusalém, pôs fim ao anticristo – o Anticristo e muito menos o falso profeta existiam nessa época.

Essa é a falha aberrante do preterismo, que é doutrinariamente confuso ao extremo. Observem que o capítulo 19, imediatamente após a Vinda de Jesus, registra o destino do Anticristo e do falso profeta, seguido do capítulo 20 que mostra um exército imenso avançando sobre Jerusalém e sendo totalmente derrotado.

Só existe uma maneira de resolver essa confusão toda: Apocalipse jamais foi escrito antes da queda de Jerusalém. E os capítulos 18 e 19, como várias outras partes do Livro, ainda não tiveram cumprimento!

Leia também O Preterismo e Zacarias 12-14

8) Os Discípulos não percorreram todas as Cidades de Israel?

Mateus 10:22-23 e Mateus 10:5-7

E odiados de todos sereis por causa do meu nome; mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. Quando pois vos perseguirem nesta cidade, fugi para outra; porque em verdade vos digo que não acabareis de percorrer as cidades de Israel sem que venha o Filho do homem”.

Jesus enviou estes doze, e lhes ordenou, dizendo: Não ireis pelo caminho dos gentios, nem entrareis em cidade de samaritanos; Mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel; E, indo, pregai, dizendo: É chegado o reino dos céus“.

Conclusão Preterista

(1) Jesus iria retornar antes de os discípulos terem passado por todas as cidades de Israel

(2) não levaria mais de 40 anos para os apóstolos passar por todas as cidades de Israel

(3) Jesus iria retornar dentro de um período relativamente curto de tempo (40 anos, ou em 70 AD).

Há muitos outros pontos que podem ser trazidos nas oportunidades que essa passagem fornece. Esse pensamento é sobre o paradoxo dos seguidores de Cristo ter evangelizado todo o mundo conhecido antes de 70 dC, mesmo não tendo percorrido todas as cidades de Israel.

É ensinado em toda a literatura preterista que o evangelho seria pregado ao Império Romano inteiro antes de 70 dC. A lista dos versos é normalmente oferecida para provar que o evangelho tinha sido pregado a todo o mundo no cumprimento da declaração de Jesus em Mateus 24: “este evangelho do reino será pregado em todo o mundo (oikoumene), em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”.

Então, este modelo desafia a intuição, sugerindo que os discípulos eram, A) capazes de evangelizar todo o mundo conhecido antes de 70 dC, e ainda, B) não foram capazes de dar cobertura nas cidades em seu próprio quintal após 40 anos de evangelização!

O Evangelho foi pregado ao mundo inteiro até 70 dC e ao mesmo tempo os discípulos não conseguiram percorrer todas as cidades de Israel !!!

Tenha em mente que eram as cidades de Israel que supostamente não haviam sido ainda alcançadas – mesmo 40 anos depois. Aqui o preterismo tropeça, declarando que o evangelho foi pregado a “toda criatura” antes de 70 dC, enquanto o contexto diz que os discípulos não percorreram todas as cidades de Israel pregando a Palavra. Um exemplo apenas, dentre centenas, de como o Preterismo torce a Palavra de Deus para manter suas heresias. Eis aí um erro de interpretação grosseiro ao extremo!

9) Até que Ele venha

Na ceia do Senhor os cristãos primitivos foram ensinados a “anunciar a morte do Senhor até que Ele venha” (1 Coríntios. 11:26). Se em 70 dC ocorreu a segunda vinda do Senhor, em seguida, os discípulos deveriam ter cessado a participação da Ceia!

Esta teoria exige uma re-interpretação de muitas passagens claras e prejudica o ensino bíblico básico sobre a nossa adoração e esperança. Se quisermos participar da Ceia do Senhor “até que Ele venha”, e ele já veio, não há propósito na participação da Ceia hoje para nos lembrar a crucificação de Cristo, e nem deveríamos estar ansiosos para a ressurreição no último dia ( Jo 6:39,40,44,54; 12:48).

O problema é que Jesus so veio uma vez, e a Bíblia esclarece que haverá uma segunda vez apenas no fim do mundo – esta não será a terceira vinda:

Heb 9:28 – Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.

10) Última hora depois do Apocalipse

Outro problema aqui para o Preterismo, que é apaixonado por expressões como, “a hora é chegada”; “em breve”; “o tempo está próximo” e similares.

Segundo muitos teólogos católicos, João escreveu suas pequenas epístolas após ter sido liberto do cativeiro na ilha de Patmos, quase três décadas após a destruição de Jerusalém

O problema é que João continuou afirmando…

Filhinhos, é já a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também agora muitos se têm feito anticristos, por onde conhecemos que é já a última hora. (I João 2:18).

A “última hora…”

11) Não provarão a Morte

Mateus 16:28, Marcos, 9:1 e Lucas 9: 27, dizem:

a) “Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do homem no seu reino“.

b) “DIZIA-LHES também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder“.

c) “E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o reino de Deus“.

Jesus disse: “Em verdade vos digo que alguns dos que estão aqui não provarão a morte até que vejam o Filho do Homem vindo em Seu reino” (Mt 16:28).

Os preteristas entendem que esta passagem é uma prova de que a segunda vinda de Jesus ocorreu antes que alguns de seus discípulos morressem. Isto é, que morressem antes da invasão de Jerusalém e a destruição do Templo, que eles entendem ser a vinda do Filho do Homem em seu reino mencionada no versículo citado. O problema é que todos os três já estavam mortos antes da destruição de Jerusalém (Tiago, e provavelmente seu irmão João – Marcos 10:35-39; Atos 12:1,2, e Pedro – João 21:18; 2 Pedro 1:14). Além disso, as palavras de Jesus dirigidas a Pedro sobre o discípulo amado, “Eu quero que ele fique até que eu venha” (Veja João 21:20-22), não aponta para João”. Veja meu artigo, O Discípulo Amado não é João.

Há um número considerável de teólogos que apresentam evidências irrefutáveis de que João sofreu o martírio da mesma forma que seu irmão Tiago. A primeira evidência pode ser encontrada nas palavras de Jesus no Evangelho de Marcos; o Senhor diz que os dois filhos de Zebedeu deveriam beber do mesmo cálice que ele, o que aponta para o martírio (Marcos 10:35 – 39; compare com Mateus 26:39). Em breve vou preparar um artigo sobre isso.

Mateus 16:18 é uma referência para a transfiguração de Jesus. No capítulo imediato (17: 1), Jesus é transfigurado diante de seus discípulos. Deve ser Observado que o episódio da transfiguração segue imediatamente a promessa de não experimentar a morte antes de ver o reino do Filho do Homem. E não somente isso, mas Pedro (em sua segunda epístola, 1:16), ao falar desta cena, declara que foi uma manifestação do poder e vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele diz que a palavra da profecia foi confirmada a eles pela visão de Sua majestade; de modo que eles sabiam do que falavam, fazendo-lhes saber o poder e a vinda de Cristo, tendo contemplado Sua majestade. Na verdade, é precisamente neste sentido que o Senhor fala disso aqui, como vimos. Foi uma amostra da glória na qual Ele viria no futuro.

Note as palavras de Pedro sobre o episódio da transfiguração como a glória de Cristo – não uma imagem da invasão de Jerusalém. Ele morreu antes da destruição do Templo, mas se refere à Transfiguração como a “vinda” (Parusia – grego) de Cristo.

Porque não seguimos fábulas engenhosas quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando pela Glória Magnífica lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; e essa voz, dirigida do céu, ouvimo-la nós mesmos, estando com ele no monte santo” (2 Pedro:1:16-18).

Os detalhes no texto podem nos dar uma visão melhor: “quando vos fizemos conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, pois nós fôramos testemunhas oculares da sua majestade… estando com ele no monte santo”.

Este é um antegozo de sua vinda final em glória (Atos 1:11; Apocalipse 1: 7). As divisões do versículo estão alinhadas desta forma no evangelho de Marcos. Se lermos essa narrativa no evangelho de Marcos, ela se tornará muito mais clara:

Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus.

Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, Tiago e João e levou-os sós, à parte, a um alto monte. Foi transfigurado diante deles; as suas vestes tornaram-se resplandecentes e sobremodo brancas, como nenhum lavandeiro na terra as poderia alvejar. Apareceu-lhes Elias com Moisés, e estavam falando com Jesus.

Então, Pedro, tomando a palavra, disse: Mestre, bom é estarmos aqui e que façamos três tendas: uma será tua, outra, para Moisés, e outra, para Elias. Pois não sabia o que dizer, por estarem eles aterrados.

A seguir, veio uma nuvem que os envolveu; e dela uma voz dizia: Este é o meu Filho amado; a ele ouvi. E, de relance, olhando ao redor, a ninguém mais viram com eles, senão Jesus. Ao descerem do monte, ordenou-lhes Jesus que não divulgassem as coisas que tinham visto, até o dia em que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos” (Marcos 9:1-9).

Este contexto é seguido – não por uma divisão de capítulo – mas por uma sequência natural de eventos – mostra que Jesus cumpriu a promessa que fez seis dias depois. Se o evangelho de Mateus tivesse sido dividido dessa forma, pareceria uma sequência mais natural. Além disso, Jesus disse: “Alguns dos que estão aqui …”. Esta linguagem se encaixa com os três discípulos (Pedro, Tiago e João) que o viram na transfiguração. No entanto, esta linguagem de “alguns” não se encaixaria com a ressurreição, ascensão, Pentecostes ou a era da Igreja, pois todos os discípulos viram isso. Finalmente, mesmo de acordo com a visão preterista, ninguém “viu” Jesus em sua vinda em 70 DC, porque teria sido uma vinda invisível. Isso também não se encaixaria na linguagem de Mateus 16:28.

12 Judeus nunca fizeram parte do Livro da Vida?

E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13:8).

Veja como fica o versículo, segundo a teoria do preterismo. Reúna entre esses TODOS os discípulos e a Igreja:
E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra [de Jerusalém/Israel], esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo“.

Segundo o preterismo, os que habitam sobre a terra são os habitantes de Jerusalém, os judeus. Se os preteristas estiverem certos, então, o filho primogênito de Deus (Israel – Êxodo 4:22) jamais teve seu nome escrito no livro da vida do cordeiro que foi morto desde antes da fundação do mundo.

A proposta preterista é absurda, pois não está de acordo com a posição dos Judeus na história. A Escritura diz que dos Judeus “é a adoção, e a glória, e os pactos, e a promulgação da lei, e o culto, e as promessas; de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém” (Romanos:9:4-5).

É um equívoco sem medida afirmar que um povo com essas características, em posição extremamente previlegiada, que por fim verá a salvação (Rom 11:26), está sendo descrito neste contexto de Apocalipse como “esses, cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida“.

Não podemos dar crédito a interpretação preterista; o contexto não trata de Israelitas quando declara sobre “TODOS” que habitam sobre a terra, sem exceção de nenhum. Veja meu artigo, A Identidade dos Habitantes da Terra

Observe em outra passagem – no modelo preterista – que Israel/Jerusalém jamais teve seu nome escrito no Livro da Vida desde que o mundo foi criado:

“A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra [de Jerusalém/Israel], cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá” (Ap 17:8).

Está aí uma aberração do tamanho do Preterismo!

Portanto, se há alguma insinuação preterista de que Deus quebrou sua aliança com Israel, eu devo dizer que não podemos encontrar fundamento para tal, nem nas Escrituras e tampouco na história.

Se Deus abandonou o Israel étnico, por que Paulo pergunta: “Será que Deus rejeitou o seu povo?” E por que ele responde de forma tão enfática, “de modo nenhum!” (Romanos 11:1)? Por que Paulo disse de Israel, ”tropeçaram para que caíssem?” E por que ele respondeu novamente: “de maneira nenhuma” (Romanos 11:11)? Por que Paulo afirma que “a cegueira em parte aconteceu a Israel, até que a plenitude dos gentios se complete” (Romanos 11:25)? Por que ele acreditava que “todo o Israel será salvo” (Romanos 11:26) e que Deus não abandonou seu povo.

13) Estamos no Milênio?

Uma ala do preterismo admite que estamos no milênio. Se já estamos no Milênio, porque ainda há guerra no mundo? Quando o leão deitou-se com o cordeiro? E quando as nações colocaram suas armas em arados? Se os 1.000 anos são apenas simbólicos, então o reinado de Cristo é apenas simbólico?

Se estamos no Milênio, entao deve significar que Satanás esta amarrado e preso (Apocalipse 20:2). Essa é exatamente a proposta preterista; eles alegam que Satanás foi amarrado e preso depois da destruição de Jerusalém. Usam o texto de Romanos 16:20 para provar esse disparate: “E o Deus de paz em breve (70 dC) esmagará a Satanás debaixo dos vossos pés. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja convosco“. Afirmam que nessa ocasião Deus acabou com o mundo Judaico, onde teve início uma nova era. Para eles foi o início do Milênio. Entendem que a segunda vinda de Jesus ocorreu ali.

Veja meu artigo, O ‘mundo’ judeu foi destruído em 70 dC?

Se Satanás esta aprisionado mesmo, então as advertências de Jesus, Pedro e Paulo não servem mais para nossa época:

O diabo, como um leão que ruge, anda ao derredor buscando a quem possa tragar” (I Pedro 5:8). O apóstolo Paulo refere-se a Satanás como o “príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Efésios 2:2).

Nem mesmo a parábola do semeador pode ter efeito em nossa época; Satanás não tira mais a palavra que foi semeada: “E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvido, vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi semeada” (Marcos:4:15).

Santanas não mais engana ninguém como enganou Ananias: “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno?” (Atos:5:3).

Ninguém mais se converte a Deus do poder de Satanás, pois estando ele preso seu poder é neutralizado: “para lhes abrir os olhos a fim de que se convertam das trevas à luz, e do poder de Satanás a Deus, para que recebam remissão de pecados e herança entre aqueles que são santificados pela fé em mim” (Atos:26:18).

Satanás não se transforma mais em anjo de luz: “E não é de admirar, porquanto o próprio Satanás se disfarça em anjo de luz” (2 Coríntios:11:14).

Como Satanás está preso, então as pessoas que se desviam hoje o fazem por contra própria. Antes de 70 dC eles iam após Satanás: “porque já algumas se desviaram, indo após Satanás” (1 Timóteo:5:15).

Portanto, segundo o Preterismo, Satanás não mais busca a quem devorar; não opera nos filhos da desobediência; não confunde quem recebe a Palavra; não se transforma mais em anjo de luz; não enche o coração das pessoas e ninguém se converte mais do poder de Satanás a Deus. Ora, se Satanás está preso hoje, por que as nações ainda estão sendo enganadas?

O problema, sempre enorme para o Preterismo, é que logo após a volta de Jesus, Satanás é preso (“E vi descer do céu um anjo, que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na sua mão. Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos” Ap 20:1-2″), mas após o Milênio ele será solto (“Ora, quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão” Ap 20:7). E depois de sua última investida contra Deus e seu povo, ele será lançado na lago de fogo e dali jamais sairá: “e o Diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados pelos séculos dos séculos” (Ap 20:10). Porém, os preteristas insistem na afirmação de que ele está preso e que o Milênio, que dizem ter se iniciado com a volta de Jesus em 70 dC, não terminou. Ou seja, eles entendem que vivemos no novo Céu e na nova Terra.

Somente nos resta saber quando o Milênio dos preteristas vai se findar; quando vão libertar Satanás para enganar as nações e, por fim, quando o lançarão no lago de fogo.

Eles precisam fazer malabarismos com o contexto das Escrituras, pois é dito que o homem do pecado, o filho da perdição, vai aparecer com todo o poder do diabo, que certamente está solto, e bem solto:

“… a esse iníquo cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás com todo o poder e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para serem salvos. E por isso Deus lhes envia a operação do erro, para que creiam na mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na injustiça” (2 Tess2:9-12).

A palavra vai ter cumprimento no fim dos tempos; deve acontecer, obrigatoriamente, antes do Milênio.

14) Apostasia depois de 70 dC

O argumento da dogmática católica preterista propõe que a apostasia descrita em Apocalipse para a maioria das Igrejas ali apresentadas ocorreu antes da destruição de Jerusalém. Portanto, devemos concluir que as sete cartas endereçadas as sete Igrejas foram escritas antes de, no máximo, 65 dC.

Apocalipse 3:14-22 descreve a igreja de Laodicéia em meio a riqueza (v. 17). Essa não pode ser a visão de uma Igreja que existia antes de 70 dC. Em 61 um terremoto visitou a cidade de Laodicéia, que levou quase duas décadas para ser reconstruída. Tácito escreveu, “Laodicéia foi destruída por um terremoto neste ano [61 AD] e reconstruída a partir de seus recursos, sem qualquer subvenção de Roma”. Esse terremoto foi em toda a cidade, e não se limita apenas a parte dela como supõem alguns preteristas, que enrolados em seus argumentos precisaram limitar o terremoto em apenas uma parte da cidade tentando salvar quase toda a região de Laodicéia apenas para embelezar a Igreja e mantê-la de pé pelo fato de entenderem que ela era rica e abastada antes de 70 dC. Ora, se o terremoto aconteceu apenas numa pequena parte de Laodicéia, afirmam, obviamente daria tempo da cidade ser reconstruída antes da queda de Jerusalém e ainda alcançar o status de rica e abastada.

Paulo escreve uma carta para a Igreja de Colossos – seria também de grande utilidade para a Igreja de Laodicéia,

Col 4:16 E, quando esta epístola tiver sido lida entre vós, fazei que também o seja na igreja dos laodicenses, e a que veio de Laodicéia lede-a vós também.

A condição das duas Igrejas era a mesma: elas andavam em comunhão com o Senhor. Observem o que Paulo escreve a Igreja de Colossos/Laodicéia em 62 dC,

Colossenses 2

1 PORQUE quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e por quantos não viram o meu rosto em carne;

2 Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.

Observe que Paulo diz que eles eram fieis, quando lista algumas imoralidades (versos 5 do capítulo 3) e diz a eles que eles tinham superado essas coisas “ Nas quais, também, em outro tempo andastes, quando vivíeis nelas…”, 3:7

Como poderia uma Igreja, elogiada por Paulo na carta aos Colossenses em 62 dC, que a descreve como um grupo ativo, não ser nem cumprimentada pelo Senhor em Apocalipse (3:14-22), que a chamou de “… miserável, e pobre, e cego, e nu…?”, v: 17

Se Paulo e João escreviam na mesma época – Colossenses e Apocalipse – como poderiam os preteristas explicar que um deles, em Colossenses, elogia a Igreja de Laodicéia como um grupo de cristãos em comunhão com o Senhor, mas o próprio Jesus, através de João, diz a mesma Igreja: “… vomitar-te-ei da minha boca?”, Apo 3:16.

… São as contradições do preterismo…

contradicoes 2

15) “… ainda nos dias de Antipas…”

Apresento aqui aos leitores uma das maiores gafes do preterismo que, na teimosia de querer manter a tese de que Apocalipse foi escrito antes de 70 dC, esqueceu-se de um mártir citado numa das cartas dirigida a uma das sete Igrejas apresentadas em Apocalipse – na carta a Igreja de Pérgamo.

Observem o texto: “Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita (Apo 2:13).

A referência é a um mártir – o nome dele é Antipas. O problema é que o versículo fala da morte de Antipas. E Antipas morreu depois do ano 70 dC. Se o versículo faz referência a morte de Antipas, certamente foi escrito após 70 dC.

O Santo e glorioso mártir Antipas foi contemporâneo dos apóstolos que o tinham posto à frente da Igreja de Pérgamo. Na época da perseguição de Domiciano (c. 83), mesmo já sendo de idade avançada, o santo bispo foi levado à prisão pelos pagãos por negar-se a oferecer sacrifícios aos ídolos. O Santo foi então arrastado diante do governador que havia antes tentado persuadi-lo a renegar sua fé em Cristo, dizendo que a adoração aos ídolos era mais antiga e, portanto, mais respeitável do que aquela nova religião pregada por pescadores e gente humilde.

Santo Antipas respondeu lembrando a história de Caim que, embora tenha sido antepassado da humanidade, era, no entanto, abominável e desprezível por ter assassinado seu irmão. Que, mesmo as crenças dos helênicos, também muito antigas, não eram menos desprezível para os que receberam a revelação da plenitude da Verdade nos últimos tempos. Ao ouvir estas palavras, o governador e os pagãos encheram-se de ódio e o jogaram numa fornalha ardente.

De lá, Santo Antipas elevou uma fervorosa oração ao Senhor, dando graças por sofrer por amor e testemunhar assim que o amor de Deus é mais forte que a morte. Assim, entregou sua alma nos braços do Senhor e seu corpo foi sepultado na igreja de Pérgamo. De seu túmulo, um suave odor de bálsamo exalou durante anos, produzindo excelentes efeitos terapêuticos para o consolo dos cristãos na cidade e muitos peregrinos que para lá acorriam de todos os lados, para venerar a memória do santo”.

Clique aqui: Antipas, bispo de Pérgamo. Antipas foi perseguido e morto durante o reinado de Domiciano, Catholic Online, St Antipas.

16) Jerusalém e o Anticristo em 70 dc

A Bíblia diz que o Anticristo vem acompanhado por sinais, prodígios e milagres: “A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira“, 2 Tess. 2: 9

E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra [de Jerusalém] que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia“, Apoc. 13: 14. Esse é o texto na visão preterista.

Onde estão os registros desses fatos antes de 70 dC? Quando foi que Jerusalém fez uma imagem de alguém que foi mortalmente ferido a espada? Quando foi que Nero, ou quem quer que tenha sido o anticristo dos preteristas, fez sinais e prodígios para enganar e para convencer as pessoas a segui-lo, mesmo os eleitos?

Por um lado para reivindicar que Nero foi o homem do pecado, os preteristas são obrigados a confessar que Jesus já voltou, pois é o Senhor que destrói o homem do pecado pelo esplendor da sua vinda. O problema é que Nero cometeu suicídio dois anos antes de Jerusalém ser destruída, o ano da volta de Jesus proclamada pelo Preterismo. Porém, mesmo sabendo que o diabólico imperador romano já estava morto antes de Jesus retornar, nós podemos ver o Anticristo (que muitos entendem ser a Besta) sendo destruído pelo Senhor em sua Vinda. Atente para a união dos versos 1 e 20 do capítulo 19: “Depois destas coisasa besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre“.

Se acompanhamos os passos cronológicos do preterismo temos que localizar a destruição do homem do pecado após a derrocada de Jerusalém (18:1,2). Mas, isso ainda não aconteceu! Não aconteceu porque Apocalipse 18:1:2 não descreve a queda de Jerusalém, mas de Babilônia. E isso só vai ocorrer imediatamente após a Segunda Vinda de Jesus no fim dos tempos – não pode ser um cumprimento da Escritura em 70 dC, pois Jesus não voltou naquela ocasião e muito menos acabou com o Anticristo e seu exército: “E então o iníquo [O Anticristo] será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e destruirá com o resplendor da Sua vinda… “, 2 Tessalonicenses 2:8-9.

Quando Jesus vier, ele destrói os exércitos do mundo e o homem de Satanás é a primeira vítima.

17) Paz e Segurança

A Bíblia menciona em 1 Tess. 5:2-3 “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.”

Segundo o preterismo a passagem deve ser entendida dessa forma: “Porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; Pois que, quando [os habitantes de Jerusalém] disserem: Há paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão.

De acordo com a interpretação preterista, o exército romano veio como um ladrão na noite, exemplificando a volta de Cristo para julgar Jerusalém. O problema é que o versículo afirma sobre um tempo de paz e segurança aos dias que antecedem à destruição. Isso deve significar, para o preterista, que antes da destruição de Jerusalém havia harmonia, paz e segurança entre os judeus e o domínio romano. Onde podemos encontrar esse contexto de paz e segurança na Jerusalém dominada e oprimida pelo poder romano desde antes do nascimento do Senhor?

Mas isso não é tudo; observem alguns versículos que os preteristas usam para encaixar no tempo que antecede à destruição de Jerusalém. Veja quanta paz e segurança: “E, quando ouvirdes de guerras e sedições, não vos assusteis. Porque é necessário que isto aconteça primeiro, mas o fim não será logo. Então lhes disse: Levantar-se-á nação contra nação, e reino contra reino; E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu. Mas antes de todas estas coisas lançarão mão de vós, e vos perseguirão, entregando-vos às sinagogas e às prisões, e conduzindo-vos à presença de reis e presidentes, por amor do meu nome…E até pelos pais, e irmãos, e parentes, e amigos sereis entregues; e matarão alguns de vós. E de todos sereis odiados por causa do meu nome” (Lucas 21:9-17).

A história atesta sobre motins diversos, protestos, insatisfação e rumores de golpe de estado, guerra civil e semelhantes o tempo todo – durante mais de duas gerações, envolvendo o povo judeu em protesto à ocupação romana, e agora aparece Jesus e piora mais a situação. Isso não é um quadro que possa ser visto como um tempo de paz e segurança aos anos que antecederam a invasão da Cidade Santa.

Também temos a afirmação preterista que em Daniel 9:27 há o registro de um tratado de paz que é feito com Israel antes da Grande Tribulação, que eles acreditam ter ocorrido em 70 dC:

Então, ele deve confirmar uma aliança com muitos por uma semana, mas no meio da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta.”

Quem fez esse tratado de paz foi o Anticristo, afirma o preterismo. O problema é encontrar provas para tais alegações, quer sejam bíblicas ou históricas.

18) Do dia e da hora ninguém sabe

Aqui temos mais uma do capítulo 24 do Livro de Mateus, o preferido dos preteristas. São apenas dois versículos,

36 Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai.

42 Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor.

Observem se não seria trivial demais afirmar que, por um lado vários sinais devem levar a ação (16), que vários sinais devem indicar que o tempo da destruição de Jerusalém está muito próximo (14, 33) e, simultaneamente, que esse “dia e hora” ninguém sabe, nem mesmo o Filho de Deus ou os anjos. Por que, se o capítulo trata da destruição de Jerusalém que ocorreria dentro daquela geração? Ora, se as palavras de Jesus deveriam ser cumpridas naquela geração, então tudo ocorreria dentro de, no máximo, 40 anos. Nesse caso, todos os ouvintes saberiam com precisão o tempo do cumprimento de cada sentença dita pelo Senhor.

Esse é o ponto de todo o contraste: é a mesma coisa que dizer que os discípulos certamente sabiam a semana ou o mês do evento, mas não o dia específico da semana. Isto parece ser o resultado de uma leitura não natural do texto. O que suaviza as diferenças no relato é a interpretação real de duas ocorrências, a previsão de dois eventos. Se esta visão futurista para a maior parte de Mateus 24 está correta, então o preterismo está incorreto por causa de um ponto importantíssimo, que coloca o preterismo em evidente contradição: logo depois das previsões catastróficas, que segundos eles, todas, ocorreram antes de 70 dC, Jesus separou ovelhas e bodes, e os enviou cada um ao seu destino eterno respectivo como registrado em Mateus 25:31-32, que é uma sequência da sua fala no capítulo 24. Isso não aconteceu após a destruição de Jerusalém.

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19) Carta aos Efésios

E as contradições do preterismo não param. Os argumentos contra a tese preterista que podemos encontrar nos relatos as sete Igrejas da Ásia são imbatíveis. Observe você os detalhes sobre a Igreja de Éfeso. Esta Igreja não foi fundada por Paulo até a última parte do reinado de Claudius. Ele lhes escreve a partir de Roma – AD 62. Em vez de repreendê-los por qualquer falta de amor, ele elogia o seu amor e fé. Assim, se Paulo escreve a Igreja em Éfeso lá pelos idos de 62, somos obrigados a localizar a advertência de João aos efésios, acusando-os de ter abandonado o primeiro amor, praticamente na mesma ocasião do elogio de Paulo – Essa seria a conclusão se tomamos por base a cronologia pretrista quando afirma que o exílio de João ocorreu no inicio da década de 60 dC – que as cartas foram escritas em 63, sendo todo o livro concluído até 65 dC.

Paulo testemunha aos efésios o seguinte: “… noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor…”, cap 5:8. Não faz sentido a mesma Igreja ter recebido num espaço tão curto de tempo uma palavra tão negativa do Apóstolo João em Ap 2:4, “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor”.

Uma Igreja que havia abandonado seu primeiro amor não poderia jamais ter sido elogiada por Paulo sobre o amor que ela nutria por todos os santos, como também por sua fé, motivos estes que fazem com que o Apóstolo dê graças incessantes a Deus pelo exemplo desses cristãos: “Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações“, Efésios 1:15,6

Os absurdos da proposta preterista são gritantes quando examinamos a condição da Igreja de Éfeso descrita pelo Apóstolo dos gentios, que insiste em demonstrar nas suas linhas que Deus “… VOS vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência”, Efe 2:1,2

Paulo declara que a igreja de Éfeso tinha ardente caridade para com “todos os santos” (cf. Ef 3.18). Paulo chegou até a convidá-los a participarem da “… largura, e a altura e a profundidade” do amor de Deus, … que excede todo o entendimento” (Ef 3.18-19). Portanto, João jamais poderia ter escrito, na mesma ocasião da escrita de Paulo, que a luz que havia ali estava para ser apagada.

O contraste é tão grande que até os mais desavisados e ignorantes percebem. Uma congregação que no tempo presente da escrita do apóstolo Paulo foi reconhecida como luz no Senhor, transbordante de amor para com os santos, sendo firme na fé e vivificada, não pode ser acusada de ter abandonado seu primeiro amor por outro Apóstolo praticamente na mesma época. Como poderiam ter abandonado este amor em tão pouco tempo, se houve mesmo algum tempo? Ora, a verdade é que esse afastamento do primeiro amor se deu num tempo anterior tão distante que Jesus pede a Igreja que se lembre de onde havia caído.

Apocalipse 2:5, “… pratica as primeiras obras…”.

Essa advertência associada ao inicio do versículo, de que deveriam lembrar-se de onde caíram, como e quando caíram, deixa explícito que essa queda ocorreu num passado bem distante. Esse tempo distante se calculamos tendo por base as datas do preterismo, que coloca João em Patmos por volta de 62 dC, obriga-nos a voltar, pelo menos, em 40 dC para localizar a queda da Igreja. Isso é impossível, pois nessa época não havia Igreja em Éfeso.

Assim, surge o questionamento: o que seria mais coerente concluir se tentamos cobrir esse espaço de tempo enorme exigido pelo contexto explicito, revelado na exortação de Jesus que a queda da Igreja se deu num tempo anterior muito distante? A advertência só faz sentido se localizamos a escrita para anos depois de 70 dC. Em outras palavras, se os registros foram feitos quase no final do primeiro século, e se voltamos no tempo para acompanhar a Igreja no rastro de sua queda, podemos achar uma congregação que perdeu seu primeiro amor no inicio da década de 80 dC, pelo menos.

Quando Paulo escreveu para essa Igreja não encontrou nada a criticar. Entretanto, se João escreveu a Éfeso na mesma época, então dentro de um curto espaço de tempo a igreja tinha deixado seu primeiro amor e estava em perigo de ter sua luz apagada. Isso é uma tremenda contradição; não é possível admitir que uma Igreja elogiada por ser “… Luz no Senhor…“, pode, ao mesmo tempo, ser ameaçada de ter seu candeeiro removido.

Em suas admoestações a Timóteo e na sua carta aos Efésios não há nenhum indício de o mesmo problema estar em destaque na palavra do Senhor a Éfeso em Apocalipse 2,1-7 – perder seu primeiro amor. As mensagens de Paulo avisam do engano chegando e a necessidade de manter-se firme contra as astutas ciladas do diabo e na doutrina entregue pelo apóstolo. Apocalipse 2,1-7 repreende os Efésios pela frieza diante do Senhor como resultado da ortodoxia doutrinal sem amor. É difícil acreditar que as duas situações podem ter ocorrido na mesma ocasião, como deve ser o caso de acreditar que Apocalipse foi escrito antes de 70 AD. É muito mais fácil crer que João escreveu Apocalipse quase uma geração mais tarde.

20) Na Judéia ou no mundo todo?

O preterista garante que Apocalipse é um manual sobre a guerra dos romanos contra os judeus em 70 dC. Tudo que pode ser aplicado profeticamente tem que encaixar, ou em Roma ou em Jerusalém.

Apocalipse diz: “E o número dos exércitos dos cavaleiros era de duzentos milhões; e ouvi o número deles“, Apoc 9:16

De onde emergiu um exercito tão numeroso na época da invasão de Jerusalém? Duzentos milhões de cavaleiros romanos (?) para lutar contra Jerusalém enquanto a população do mundo todo não alcançava a cifra de cento e oitenta milhões de habitantes só mesmo na cabeça de um preterista!

Há ainda mais um problema enorme para ser lançado no caminho da escola preterista: Por que coisas deveriam acontecer no mundo se a guerra foi somente entre Judeus e Romanos?

Lc 21:25,26 “E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações… Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo…”.

Não se sabe por que, mas antes da destruição de Jerusalém haveria “… na terra angústia das nações…”. O preterista se encolhe todo num canto porque não tem como responder: por que nações ficariam angustiadas se a guerra era entre Jerusalém e Roma apenas? Como eles poderiam responder por que homens desmaiaram de terror pelas coisas que sobrevieram ao mundo antes de 70 dC se a guerra foi localizada na Judéia?

Será que todas as tribos da terra tiveram uma razão para se lamentar no período compreendido entre 66 e 70 d.C diante dos sinais nos céus?

Refutando as peripécias do Preterismo…

10 comentários sobre “Contradições do Preterismo I

  1. Reino contra reino nação comtra nação. Tudo por dinheiro, todos falam do mesmo DEUS só da boca pra fora. Jesus esta longe disso tudo. Ele esta com os fracos e os necesitados, amem

    • Quanto mais busco por uma refutação concreta ao preterismo, cada vez mais sou convencido que os chamados heréticos preteristas se vestem de um argumento insofismável. Futuristas deram vida a uma situação no minimo exótica, a saber: “o que sempre se torna, mas nunca é”, em oposição àquilo que é e não se torna nunca mais.
      Infelizmente acabam por impedir um somatório incontável de almas que jamais se libertam das ilusões e miragens.

    • Muito bom! Mais clareza bíblico não pode haver! Creio que o maior empecilho para entender é não aceitar o DISPENSACIONALISMO e talvez, também o LITERALISMO. Acho que ninguém vai entender escatologia e nenhuma outra doutrina se não interpretar de forma literal/gramatical/histórica/disoensacional!
      irmão Pedro

  2. Observei que foi citada uma referência inexistente no Livro de João.
    O livro de João só tem 21 capitulos
    A mensagem está escrita no livro de Mateus, Capitulo 26:63-64

  3. Esse artigo é bem ingênuo. Ele somente fortalece o preterismo. É uma tolice do tamanho de uma montanha interpretar o Apocalipse literalmente. Grave falha hermenêutica. O Apocalipse é simbólico, do início ao fim. O preterismo não pode explicar tudo, claro que não, mas ele é libertador. Qualquer outra visão do Apocalipse que o interprete literalmente nos dará uma visão escatológica que mais parece um filme de terror.

    Ler o Apocalipse literalmente é pura teimosia.

    • Amigo, Hudson, tudo bom? Tive a impressão que você leu o texto de cabeça para baixo. Desculpe…

      Observe apenas um detalhe aqui: “A cidade REINA sobre os reis da terra na ocasião da escrita do apocalipse”. Tens ideia do que isso significa? Em Apocalipse 17:18 o Senhor diz a João , “E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra”.

      Meu prezado visitante, Jerusalém não foi por qualquer meio um poder reinante na ocasião em que foi escrito o livro de Apocalipse. Jerusalém era uma subsidiária de Roma, e Roma a controlava. Foi pela graça do estado romano que Jerusalém ainda durou tanto tempo, permitindo que os Herodes funcionassem como reis sobre a terra dos judeus. Roma foi a cidade reinante, basta ver a extensão do poder romano dentro da Judéia lendo Lucas 2:1, que diz: “E ACONTECEU naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo se alistasse”.

      Observe algumas outras traduções e veja como seu problema torna-se extremamente delicado:

      João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada

      Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se”.

      Nova Tradução na Linguagem de Hoje

      Naquele tempo o imperador Augusto mandou uma ordem para todos os povos do Império. Todas as pessoas deviam se registrar a fim de ser feita uma contagem da população”.

      João Ferreira de Almeida Atualizada

      Naqueles dias saiu um decreto da parte de César Augusto, para que todo o mundo fosse recenseado”

      Nova Versão Internacional

      Naqueles dias César Augusto publicou um decreto ordenando o recenseamento de todo o império romano”.

      Sentiu a pancada forte da NVI? Aliás, não bastaria para você a declaração dos líderes da nação judaica na ocasião do julgamento de Jesus, quando Ele estava em pé diante deles sob custódia de Pilatos? Jerusalém gritou: “Não temos outro rei senão César!”

      Caro amigo, se o livro foi escrito imediatamente antes da destruição de Jerusalém, evidente que a cidade não reinava sobre os reis da terra, pois como vimos, ela estava subjugada e aprisionada por Roma. E se o Livro foi escrito depois da destruição de Jerusalém, então a situação piora bastante, pois não tinha jeito dela reinar sobre os reis da terra de forma alguma.

      Repetindo, para não deixar dúvidas: Não faz sentido dizer que Jerusalém tinha “domínio sobre os reis da terra”, quando a cidade estava sob ocupação romana durante os últimos cem anos e estava prestes a ser destruída por Roma.

      João, por algum motivo, não identificou abertamente Roma porque isso teria convidado mais perseguições dos romanos. Ele codificou a cidade com a palavra Babilônia, que a Igreja Primitiva compreendeu ser Roma, a grande cidade do seu tempo. Assim, toda vez que o nome Babilônia é mencionada no Apocalipse, é seguido por ‘a grande’. Leia outra vez onde João identificou a ‘grande cidade’ – que nos seus dias era Roma:

      E a mulher que viste é a grande cidade que reina sobre os reis da terra. Apocalipse 17:18

      De acordo com Apocalipse 17, a grande Babilônia é vista reinado sobre reis e assentada sobre muitas águas, que significa povos, línguas e nações, deixando explícito que seu governo era sobre o mundo quase todo. Todos estes argumentos representam boas razões para concluir que João fez referência a Roma, pois não sabemos de nenhuma outra cidade que exerceu tanto poder sobre os povos antes de Cristo, na época de Cristo, e por volta do primeiro século até sua queda séculos depois. Não se espera que Jerusalém, que foi destruída pelos romanos em 70 dC, poderia ser a mesma metrópole vista em Apocalipse, pois o texto diz que a mulher, a grande cidade, reina (está reinando) sobre os reis da terra. Os judeus e Israel certamente não reinavam sobre os reis da terra nesse tempo. Roma e os reis da terra não estavam sujeitos aos judeus e a cidade santa. Muito pelo contrário, os judeus e sua cidade foram alvos de Roma e seu Imperador, o rei da terra habitada.

      Portanto, meu prezado, a cidade que reinava sobre os reis da terra, chamada de Sodoma e Egito, não tipifica Jerusalém, mas sim Roma. Jerusalém tornou-se território Romano – as mais altas autoridades religiosas de Jerusalém, e todos os judeus em Jerusalém, como citei anteriormete, chegaram a admitir que César fosse o seu rei (João 19:15). Roma governava com mão de ferro sobre os judeus, por isso Jerusalém desaparece da profecia, dando lugar a Roma que fez da cidade santa uma de suas províncias. Veja isso:

      Judeia (Iudaea) foi o nome dado à província do Império Romano, que se estabeleceu no território do Oriente Médio habitado e governado anteriormente pelos judeus… Em 63 a.C., o general Pompeu conquista a Judeia e anexa o território ao domínio romano… A administração do território é entregue a governadores romanos da ordem equestre, chamados de prefeitos. Mais tarde, serão também chamados de procuradores… Após a grande revolta de 68-70, desapareceu qualquer resquício de autonomia, passando todos esses territórios a constituírem a província romana da Judeia, desvinculada da província da Síria, e administrada por procuradores imperiais” (Judeia, província romana).

      Leia meu artigo “Onde nosso Senhor foi crucificado” para você ter uma visão melhor.

      Agora, você diz aí que o Apocalipse deve ser interpretado simbolicamente do início ao fim, mas identifica a grande cidade de 11:8 como sendo Jerusalem em “a cidade onde nosso Senhor foi crucificado“. Isso parece óbvio não é? Essa seria a interpretação literal – a que você não queria – se não fizesse parte de um Livro cheio de simbolismos. Se você quer mesmo uma interpretação simbólica, então leia o artigo mostrado acima para ficar sabendo qual era realmente essa cidade.

      Antes de continuar preciso lhe fazer três perguntas – também preciso das respostas: quando João foi enviado para a ilha de Patmos? Quando ele escreveu as cartas para as sete igrejas e quando Jerusalém foi invadida. Poderia me dar as datas, por favor?

      Abraços

  4. Minhas sinceras desculpas para o autor, mas, como disse o Hudson acima, muita coisa no livro de Apocalipse é simbólico. No entanto há coisas que são realmente literais e estas não deixam dúvidas sobre o tempo em que o livro foi escrito, bem como o tempo de seu cumprimento. Só vou deixar um fato. Em Apocalipse 11:2, o texto diz: “Exclua, porém, o pátio exterior; não o meça, pois ele foi dado aos gentios. Eles pisarão a CIDADE SANTA durante quarenta e dois meses.”

    A cidade santa é, naturalmente, a cidade de Jerusalém, conforme se vê na comparação entre Mateus 4:5 e Lucas 4:9, onde em Mateus se diz “cidade santa” e em Lucas “Jerusalém”. Este texto de Apocalipse mostra que a cidade santa, Jerusalém, ainda estava de pé quando o apóstolo João escreveu o livro. Embora muitos argumentem que não, o fato é que esta informação é fidedigna, visto que se pode provar com outros textos do próprio livro de Apocalipse. Por exemplo, em Apocalipse 17:1-6, fala-nos de uma mulher, uma prostituta simbólica cujo nome era Babilônia, a Grande, que estava embriagada com o sangue dos santos, o sangue das testemunhas de Jesus, e em Apocalipse 18:24, acrescenta que nela foi encontrado o sangue de profetas e de santos, e de todos os que foram assassinados na terra. Em Apocalipse 17:18, o anjo diz a João que esta mulher, esta prostituta, é a GRANDE CIDADE que reina sobre os reis da terra. Portanto, esta mulher, esta prostituta simbólica, é uma grande cidade, que estava embriagada com o sangue dos santos, das testemunhas de Jesus e dos profetas. Já lhe vem à mente que cidade é esta? Leia Mateus 23:33-38 e terá a resposta. Se há ainda alguma dúvida, basta recorremos novamente ao livro do Apocalipse para termos plena certeza de que Jerusalém e seu templo ainda estavam de pé quando João escreveu o Livro. Em Apocalipse 11:8, o relato identifica qual é esta grande cidade de Apocalipse 17:18. O texto em Apocalipse 11:8 diz: Os seus cadáveres ficarão expostos na rua principal da grande cidade, que figurativamente é chamada de Sodoma e Egito, onde também FOI CRUCIFICADO O SEU SENHOR”

    Onde o Senhor foi crucificado? Não foi em Jerusalém? Veja Mateus 16:21.

    Portanto, segundo estes textos do próprio livro de Apocalipse, Jerusalém e seu templo ainda estavam de pé, quando João escreveu o livro. É por isso que o livro logo no seu começo diz: “Revelação de Jesus Cristo que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos o que EM BREVE há de acontecer. Feliz aquele que lê as palavras desta profecia e felizes aqueles que ouvem e guardam o que nela está escrito, porque o tempo ESTÁ PRÓXIMO”. – Apocalipse 1:1,3 Veja Apocalipse 22:6

    Ademais, o próprio Senhor Jesus Cristo afirmou neste livro que sua volta estava próxima. Ele disse 4 vezes: “Venho em breve”. – Apocalipse 3:11, 22:7, 12, 20.

    Esta promessa era tão animadora e grandiosa que o apóstolo João exclama: “Amém! Vem Senhor Jesus!”

    Agora pergunte-se: Estaria Jesus criando uma falsa expectativa a todos os cristãos lá do primeiro século? É claro que não! Sua volta estava muito próxima. Veja Tiago 5:8.

    De fato, segundo a profecia de Jesus em Mateus 24:15-34, Marcos 13: 14-30 e Lucas 21:20-32, sua volta ocorreria logo após a tribulação que a cidade de Jerusalém sofreria, tribulação esta que ocorreu em 70 E.C. por meio dos romanos. Portanto não há dúvida de que a maioria dos acontecimentos do livro de Apocalipse ocorreu lá no primeiro século, tendo a destruição de Jerusalém como o ponto principal, conforme é relatado em Apocalipse 17:1 até 19:3. Lembrem-se, também, que Jesus garantiu que tudo que ele havia profetizado em Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21, se cumpriria antes da geração de seus dias passar. Ele disse: “Eu lhes asseguro que não passará esta geração até que TODAS estas coisas aconteçam.” – Mateus 24:34. Veja também, Marcos 13:30 e Lucas 21:32.

    Assim, caro autor deste artigo, procure pesquisar mais as Escrituras antes de dar qualquer testemunho sobre ela, visto que poderá distorcê-la completamente, como acabara de fazer.

    • Amigo Luiz, a resposta para o Hudson pode servir para você. Poderia por gentileza dar uma olhada?

      Agora vamos falar sobre suas declarações com relação a volta de Jesus. Acho arriscado dizer que a Volta do Senhor aludida no Novo Testamento é a volta sobre Jerusalém em 70 DC.

      Reveja suas palavras: “o próprio Senhor Jesus Cristo afirmou neste livro que sua volta estava próxima. Ele disse 4 vezes: “Venho em breve”. – Apocalipse 3:11, 22:7, 12, 20. Esta promessa era tão animadora e grandiosa que o apóstolo João exclama: “Amém! Vem Senhor Jesus!” – Apocalipse 22:20. Agora, pergunte-se: Estaria Jesus criando uma falsa expectativa a todos os cristãos lá do primeiro século, caso sua volta fosse ocorrer somente em nosso tempo, mais de 2.000 anos depois dessa promessa? É claro que não! Sua volta estava muito próxima. De fato, os apóstolos e discípulos de Jesus por várias vezes afirmaram que a volta de Cristo estava próxima. Veja Romanos 13:11,12; 1 Coríntios 7:29-31; 1 Coríntios 10:11; Hebreus 1:1,2; 1 Pedro 4:7”.

      Parece que fica declarado que Jesus subiu aos céus por volta de 33 a 35 AD e voltou 35 anos depois em 70 AD. Se é isso, então a sua interpretação corre o risco de estar equivocada. Ela faz com que Hebreus 9:27,28 tenha se cumprido em 70 DC: “ E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação”.

      Por outro lado, a profecia em Apocalipse indica uma queda imediata do poder reinante (Ap 18:10). Se o poder que estava em declínio foi Jerusalém, então a descrição simplesmente não corresponde com o história da queda da cidade. A queda não ocorreu em uma hora, mas as guerras judaicas foram longas, arrastando-se ao longo de anos. O próprio Jesus fala de sinais, ele alerta e profetiza quase uma geração antes. Além disso, a sentença sobre a “vinda” de Cristo em Apocalipse, que é dito ser “como um ladrão” (Apoc 16:15), não pode ser usada como uma analogia com REALAÇÃO à queda de Jerusalém porque a queda de Jerusalém não foi como um ladrão!

      Foi cheia de avisos!!!

      Varios sinais foram preditos!!!

      A “vinda” em juízo, então, não pode ser acerca da queda de Jerusalém. João fala de Roma, que é a única alternativa razoável para se traduzir “em uma hora”, por “pega de surpresa”, “de repente”, deixando subentendido um julgamento inesperado. Basta lembrar do julgamento relâmpago que veio sobre Babilônia no governo de Belsazar. E ela caiu de vez!

      Agora vamos para o Templo de Jerusalém que você alega que estava em pé quando Apocalipse foi escrito. Essa é sua passagem – Apocalipse 11:2: “Exclua, porém, o pátio exterior; não o meça, pois ele foi dado aos gentios. Eles pisarão a cidade santa durante quarenta e dois meses.” – NVI (Nova Versão Internacional)

      Por que o Templo deveria estar em pé? Ezequiel, durante uma visão semelhante de um templo (Ez 40-48) foi-lhe ordenado também que o medisse. No entanto, nessa ocasião nem havia um Templo em Jerusalém. Suas visões ocorrem durante os anos de cativeiro babilônico, após o Templo de Salomão ter sido destruído por Nabucodonosor. Muitos dos que retornaram após o cativeiro de 70 anos para reconstruir o Templo nunca tinham visto o Templo de Salomão, ou observados seus rituais. Sua familiaridade com o Templo foi baseada unicamente na Torá e pergaminhos como Ezequiel e Daniel.

      A João foi dito em sua visão para “medir o Templo e os que nele adoram”. Aqui não aparenta nenhuma indicação de que o Templo ainda estava de pé em Jerusalém. Esta visão profética é claramente paralela a visão de Ezequiel. Ezequiel recebeu sua visão durante o cativeiro da Babilônia, quatorze anos após Nabucodonosor saquear Jerusalém e destruir o Templo. No entanto, em sua visão, Ezequiel foi levado para Jerusalém, onde lhe foi mostrado um templo glorioso muito maior do que o Templo de Salomão, e passou ele a gravar todas as medições deste Templo em grande detalhe. João viu a sua visão profética do Templo durante o reinado de Domiciano (AD 81-96). O Templo já havia sido destruído, assim como na visão de Ezequiel.

      O comando dado a João para “medir o Templo“ estava destinado a fazer um paralelo com a visão de Ezequiel. Uma vez que Ezequiel teve sua visão do Templo 14 anos após o primeiro Templo ter sido destruído, e estava em ruínas, há todas as razões para concluir que a mesma situação existia quando João escreveu Apocalipse.

      Assim, não há sentido algum na interpretação preterista, que só porque um templo é referenciado em Apocalipse 11, deva implicar que tinha que haver em pé um templo físico na cidade santa. Daniel também faz referência a um templo (Daniel 8:11-14; 9:27; 11:31: 12:11), no entanto, como foi visto, a informação cronológica revelada nestes livros leva à conclusão de que esses profetas, do exílio, tiveram suas visões durante uma época em que não havia nenhum Templo construído.

      Outro detalhe é que o exército romano avançou sobre Jerusalém de leste a oeste. A cidade caiu após um cerco prolongado. O general Tito não colocou uma “abominação da desolação” (Mt 24:15) no Templo. Ao contrário, ele destruiu o Templo o queimando até o chão. Logo, a referência de Jesus não se cumpriu em 70 dC. Na medição do templo e do altar, João deixa de fora o pátio do templo, e não o mede, pois ele é dado aos gentios para ser pisado. Se interpretarmos literalmente os romanos não destruíram o templo todo, mas apenas o tribunal. Mas o que é certo, é que destruíram tudo, não deixando pedra sobre pedra!

      Eu simplesmente não posso imaginar que João diria que algumas partes do Templo de Jerusalém não seriam destruídas (não ‘entregue’) quando o seu Senhor, de fato, havia dito que todo o templo estaria totalmente destruído. A leitura do Apocalipse 11:1 pelo preterista faz com que o testemunho de João entre em conflito com Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21. Ora, o versículo um indica que a parte interna, o templo e o altar, são preservados, o que não está de acordo com Jesus, de que no Templo destruído em 70 dC não ficaria pedra sobre pedra.

      Abraços

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