A Cidade das Sete Colinas

O que voce tem aqui caro leitor,  é o capítulo 6 do livro “A Woman Rides the Beast” (A Mulher Montada na Besta) de Dave Hunt. A leitura é interessante e esclarecedora. Não se assuste com o que vais ler. Não é ficção, é a pura verdade. Respire fundo…

                                  Uma Cidade Com Sete Colinas 

A Mulher montada na besta é uma mulher numa cidade construída sobre sete colinas, que reina sobre os reis da terra. Será que uma declaração igual já foi feita em toda a história?  João imediatamente aconselha a aceitação pelo leitor desta revelação,  com “sabedoria”. Não nos atrevemos a negligenciar um esclarecimento. Ela merece nossa atenção cuidadosa e em oração.

Aqui não temos uma linguagem mística nem alegórica, mas uma  nada ambígua declaração em palavras claras: “A mulher… é a grande cidade”. Não se justifica procurar uma  outra significação oculta. Mesmo que se tenham escrito livros e pregado sermões insistindo em que  “Mistério, Babilônia” se refere aos Estados Unidos. Claramente não é este o caso, pois os Estados Unidos são um país e não uma cidade. Poder-se-ia justificar referindo-se aos Estados Unidos como a Sodoma, considerando-se a honra agora dada aos homossexuais, mas não é definitivamente a Babilônia que João vê em sua visão. A mulher é uma cidade.

Além do mais, ela é uma cidade construída sobre sete colinas. Isso elimina especificamente a antiga Babilônia. Só uma cidade com mais de 2.000 anos tem sido conhecida como a cidade das sete colinas. Essa cidade é Roma. A Enciclopédia Católica declara: “É dentro da cidade de Roma, chamada a cidade das sete colinas,  que a área completa do Vaticano está agora confinada”.

Há certamente, outras cidades, tais como o Rio de Janeiro, que também foram construídas sobre sete colinas. Por conseguinte, João fornece pelo menos mais sete características para limitar a identificação de Roma somente. Examinaremos cada uma em detalhes, nos capítulos seguintes. Entretanto, como uma previsão do lugar para onde estamos indo,  vamos listá-los agora e os discutiremos resumidamente. Como veremos, existe apenas uma cidade na terra, a qual, tanto na perspectiva histórica como na contemporânea, passa em todos os testes dados por João, inclusive  em sua identificação como a “Babilônia, Mistério”. Essa cidade é Roma, e mais especificamente  a Cidade do Vaticano.

Mesmo o apologista católico Karl Keating admite que Roma tem sido reconhecida há muito como a Babilônia. Keating afirma que a declaração de Pedro “Aquela que se encontra em Babilônia… vos saúda”. (1 Pedro 5:13) prova que Pedro estava escrevendo de Roma. Ele ainda explica:  “Babilônia é uma palavra em código para Roma. Ela é usada dessa maneira seis vezes no último livro da Bíblia (quatro das quais, nos capítulos 17 e 18) e obras extrabíblicas como “Os Oráculos de Sibélio” (5, 159F) , o Apocalipse de Baruque ( ii, 1) e 4 Esdras (3:1) .

Euzébio Panfílio, escrevendo em cerca de 303, afirma que “é dito que a Primeira Epístola de Pedro … Foi composta em Roma, e que isso indica que ele está se referindo à cidade em sentido figurado como Babilônia”.

Quanto ao “Mistério”, o nome impresso na fronte da mulher, é uma perfeita designação da Cidade do Vaticano. O mistério é todo o coração do Catolicismo Romano, das palavras “Mysterium Fidei” pronunciadas na suposta transformação do pão e do vinho em literais corpo e sangue de Cristo às enigmáticas aparições de Maria ao redor do mundo. Cada sacramento, do Batismo até a Extrema Unção, manifesta o poder que o fiel deve acreditar ser exercido pelo padre, mas para o qual não há evidência alguma. O novo Catecismo de Roma explica que a liturgia “objetiva iniciar a alma no mistério de Cristo (isso é mitologia) e que toda a liturgia da Igreja é um mistério

Quem é a Meretriz? 

A primeira coisa que nos contam sobre a mulher é que ela é uma “meretriz” (Apocalipse 17:1), “com quem se prostituíram os reis da terra”  (verso 2)  “e, com o vinho de sua devassidão, foi que se embebedaram os que habitam na terra” (verso 3). Porque seria uma cidade chamada de prostituta e praticaria fornicação com reis? Tal acusação jamais poderia ser dirigida a Londres ou Moscou ou Paris – ou qualquer outra cidade comum. Não faria sentido.

Fornicação e adultério são usados na Bíblia tanto em sentido físico como espiritual. Sobre Jerusalém, Deus diz: “Como se fez prostituta a cidade fiel” (Isaías 1:21).  Israel, que Deus havia separado dos outros povos, para ser santo para os Seus propósitos, havia entrado na profanidade, alianças adúlteras com nações que adoravam deuses ao seu redor.   “… Porque adulterou, adorando pedras e árvores (ídolos) (Jeremias 3:9) .  “E com seus ídolos adulteraram” (Ezequiel 23:37) Todo o capítulo de Ezequiel 16 explica  em detalhes o adultério espiritual de Israel, tanto com as nações pagãs, como seus falsos deuses,  como é feito em muitas passagens.

Não há como uma cidade possa se engajar literalmente com a fornicação carnal. Então só podemos concluir que João, como os profetas do Velho Testamento, está  usando o termo no sentido espiritual. Portanto, a cidade deve afirmar uma relação espiritual com Deus. De outro modo, tal alegação não teria significado.

Embora construída sobre sete colinas, não haveria razão para se acusar o Rio de janeiro de fornicação espiritual. Ela não faz afirmação alguma de ter uma relação espiritual com Deus. E embora Jerusalém tenha essa relação espiritual, ela não  pode ser a mulher montada na besta, pois não é construída sobre sete colinas. Nem vai preencher outros critérios pelos quais essa mulher será identificada.

Contra uma única cidade na história poderia a acusação de adultério ser feita. Essa cidade é Roma, e mais especificamente a Cidade do Vaticano.  Ela afirma ter sido o quartel general do Cristianismo, desde o início, e mantém essa afirmação até hoje. Seu papa entronizado em Roma afirma ser o único representante de Deus, o vigário de Cristo. Roma é o quartel general da Igreja Católica Romana, que afirma ser a única.

Numerosas igrejas, é claro, têm seus quartéis generais em cidades, mas apenas uma cidade tem seu quartel general como igreja. A Igreja Mormon, por exemplo, tem o seu quartel general em Salt Lake City, mas existem muitas outras igrejas em Salt Lake City,  além da Igreja Mormon. Tal não acontece com a Cidade do Vaticano. Ela é o coração da Igreja Católica Romana e nada mais. Ela é uma entidade espiritual que poderia muito bem ser acusada de fornicação espiritual, se não permanecesse fiel a Cristo. 

Na Cama com os Governantes

Não somente o papa de Roma afirma ser o vigário de Cristo, mas a Igreja que ele encabeça afirma ser a única verdadeira e a noiva de Cristo. A noiva de Cristo, cuja esperança é  se reunir ao noivo no céu, não pode ter nenhuma ambição terrestre. Contudo, o Vaticano tem obsessão  por empresas terrestres, como prova a história, e em adição a esses objetivos que ela, exatamente como João  previu em sua visão, tem se engajado em relações adúlteras com os reis da terra. Esse fato é reconhecido até mesmo pelos historiadores católicos.

Cristo disse aos seus discípulos: “Se vós fosseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia” (João 1519). A Igreja Católica, contudo, é muitíssimo deste mundo. Seus papas têm construído um império mundial  inigualável de propriedades, riqueza e influência. Nem é a construção desse império uma característica abandonada no passado. Já vimos que o Vaticano II estabelece claramente que a Igreja Católica Romana hoje ainda continua a tentar colocar sob o seu controle toda a humanidade e toda a sua riqueza.

O papa tem há muito exigido o domínio sobre o mundo e seus povos. A bula do papa Gregório XI, de 1372, (In Coena Domini) exige o domínio total sobre o mundo cristão,  secular e religioso,  e excomungou todos os que falharam em obedecer os papas e pagar-lhes seus impostos.  In Coena foi depois confirmada  pelos papas subseqüentes  e em 1568 o papa Pio V afirmou que essa permaneceria como lei eterna.

O papa Alexandre VI (1492-1503) afirmava que toda terra ainda não descoberta pertencia ao Pontífice Romano, para dela dispor como bem entendesse em o nome de Cristo, como seu vigário. João II de Portugal foi convencido de que em sua Bula Pontifícia Romana o papa havia concedido tudo que Colombo descobrira exclusivamente a ele e seu país. Fernando e Isabel da Espanha, entretanto, pensava que o papa havia dado as mesmas terras  a eles. Em maio de 1493 Alexandre VI, nascido espanhol, emitiu três bulas para resolver a disputa.

Em o nome de Cristo, que não tinha onde reclinar a cabeça, este incrível papa Bórgia, afirmando ser o dono do mundo, desenhou uma linha de norte a sul no mapa mundial daquela época, dando tudo que havia no Oriente a Portugal e no Ocidente à Espanha.  Desse modo, por concessão papal, “saindo da plenitude do poder apostólico”, a África foi para Portugal e as Américas para a Espanha. Quando Portugal “conseguiu chegar à Índia e Malásia, eles asseguraram a confirmação de tais descobertas  por parte do papado…”. Havia, contudo, uma condição: “Com a intenção de trazer os habitantes … a professar a fé Católica”. Foi exatamente por isso que a América Central e do Sul, as quais, em conseqüência dessa aliança profana entre a igreja e o estado, foram forçadas pelo Catolicismo, através da espada, a permanecerem católicas até os dias de hoje. A América do Norte (com exceção de Quebec e Louisiania) foi poupada do domínio do Catolicismo Romano porque foi amplamente colonizada pelos protestantes.

Nem podem os descendentes dos Astecas, Incas e Mayas ter esquecido que os padres católicos romanos, auxiliados  pela espada secular,  deram aos seus ancestrais a escolha da conversão (que sempre significa escravidão) ou a morte. Eles fizeram tal protesto, quando João Paulo II,  em recente visita à América Latina, propôs elevar Junípero  Serra (o principal do século 18 que mais forçou o Catolicismo entre os índios) à santificação, que o papa teve de fazer a cerimônia em segredo.

Cristo disse: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim…”. Os papas, entretanto, têm lutado com exércitos  e armadas em nome de Cristo para construir um vasto império, que é muitíssimo deste mundo. E para aumentar o seu império terrestre, eles têm repetidamente se comprometido em fornicação espiritual com  imperadores, reis e príncipes. Afirmando ser a noiva de Cristo, a Igreja Católica Romana tem se refestelado na cama  com governantes ímpios através de toda a história, e essa relação adúltera continua até hoje. A fornicação espiritual será comentada com detalhes mais tarde.

Roma Igual ao Vaticano

Alguns podem objetar que é Roma e não a pequena parte conhecida como Cidade do  Vaticano, que está edificada sobre sete colinas e que o Vaticano dificilmente  pode ser chamado uma “grande cidade”. Embora ambas as objeções sejam verdadeiras, as palavras “Vaticano” e “Roma” são universalmente usadas sem distinção. Exatamente como se alguém se referisse a Washington referindo-se ao  governo que dirige os Estados Unidos, assim refere-se a Roma, designando a hierarquia  que governa a Igreja Católica.

Tome-se por exemplo um cartaz feito para  a divulgação de um encontro realizado em Novembro 15-18, 1993, em Washington D.C., da Conferência Nacional dos Bispos Católicos. Protestando contra qualquer desvio dos desejos do papa, ele dizia: “ROMA É O CAMINHO OU A ESTRADA”. Obviamente por “Roma” entende-se o Vaticano. Esse é o uso comum. Roma e o Catolicismo estão tão interligados, que a Igreja Católica é conhecida como Igreja Católica Romana ou simplesmente Igreja Romana. Além disso, por mais de mil anos a Igreja Católica Romana exerceu tanto o controle  religioso como o civil sobre toda a cidade de Roma e seus arredores. O Papa Inocêncio III (1198-1216) aboliu o Senado Romano secular e colocou a administração de Roma diretamente sob o seu comando. O Senado de Roma, que havia governado a cidade sob os Césares, havia sido chamado a Cúria Romana. Esse nome, conforme o Dicionário Católico de Bolso, é agora a designação  de “de todo o conjunto de escritórios administrativos e judiciais, através dos quais o papa dirige as operações da Igreja Católica” .

A autoridade do papa se estende até mesmo aos grandes territórios fora de Roma, adquiridos no século 18. Naquele tempo, com a ajuda de um documento deliberadamente fraudado, fabricado pelos papas, conhecido como A Doação de Constantino, o Papa Estêvão III convenceu Pepino, rei dos francos e pai de Carlos Magno, de que os territórios recentemente tomados pelos Lombardos dos Bizantinos realmente haviam sido doados ao papado pelo Imperador Constantino. Pepino venceu os Lombardos e entregou  ao papa as chaves de umas 20 cidades (Ravena, Ancona, Bolonha, Ferrara, Iesi, Gubbio, etc.), e a imensa nesga de terra a ele se juntou, ao longo da costa Adriática.

Datado de 30 de março de 315, a Doação declarava que Constantino havia doado essas terras, junto com Roma e o Palácio Laterano, perpetuamente,  aos papas. Em 1454 este documento foi comprovado como sendo uma fraude, por Lorenzo Valla, um adido papal, e é assim considerado pelos historiadores até hoje. Ainda assim os supostos papas infalíveis continuaram durante séculos a asseverar que A Doação era genuína e sobre essa base justificam sua pompa, poder, e possessões. Essa fraude ainda é perpetuada por uma inscrição no batistério da Igreja de São João Laterano em Roma, jamais tendo sido corrigida.

Desse modo, o Estado Papal foi literalmente roubado pelos papas dos seus legítimos proprietários. O papado controlava e taxava esses territórios e extraía grande riqueza deles, até 1848. Nesse tempo o papa, junto com os governantes da maior parte dos outros territórios  divididos da Itália, foi obrigado a conceder aos seus súditos rebelados uma constituição. Em setembro de 1860, com protestos furiosos, Pio IX perdeu  todos os estados papais para o novo, finalmente unido Reino da Itália, que ainda  o deixou, no tempo do Concílio Vaticano I, em 1870, no controle de Roma e seus arredores.

O caso é que, exatamente como João previu em sua visão, uma entidade espiritual que afirmava ter uma relação especial com Cristo e com Deus tornou-se identificada com uma cidade que fora construída sobre sete colinas. Essa “mulher” praticou fornicação espiritual com os governantes da terra e eventualmente reinou sobre eles. A Igreja Católica Romana tem sido continuamente identificada como sendo essa cidade. Como “a mais definida Enciclopédia Católica, desde o Concílio Vaticano II”, declara: “… Daí por que o lugar central de Roma  na vida da Igreja hoje e a significação do título Igreja Católica Romana, a igreja que é universal, ainda era o ponto de concentração do ministério do Bispo de Roma. Desde a fundação da Igreja aí por S. Pedro, Roma tem sido o centro de toda a Cristandade

Riqueza de ganhos Mal Adquiridos

A incrível riqueza desta mulher atraiu logo a atenção de João. Ela se vestia de “púrpura e escarlata, adornada de ouro, de pedras preciosas e de pérolas, tendo na mão um cálice de ouro transbordante de abominações e com as imundícias da sua prostituição” Apocalipse 17:4. As cores púrpura e escarlate uma vez mais identificam a mulher tanto com a Roma pagã  como com a cristã. Eram essas as cores dos Césares romanos, com as quais os soldados zombaram de Cristo como Rei (Mateus 27:28 e João 19:2-3), e que o Vaticano tomou para si mesmo.  As cores da mulher são ainda literalmente as cores do clero romano. A mesma Enciclopédia Católica acima mencionada declara:

Cappa Magna. Uma capa com uma longa cauda  e uma capa para cobrir os ombros… (ela) era de lã púrpura para os bispos; para os cardeais era de seda tingida de escarlate  (para o Advento, Quaresma e Sexta  Feira Santa e o conclave, lã púrpura); e lã tingida de rosa para Gaudete e Domingos Laetare; e para o papa, era de veludo vermelho, para as Matinas de natal, sarja de seda  vermelha em outras ocasiões. Batina  (Também Sotaina)  Roupa até o calcanhar  usada pelo clero católico como sua vestimenta oficial… A cor para os bispos e outros prelados é púrpura, para os cardeais é escarlate…”

O “cálice de ouro em sua mão” novamente identifica a mulher com a Igreja Católica Romana. A Edição Broderick da Enciclopédia Católica declara sobre o cálice: “(é) o mais importante dos vasos sagrados…  (ele) pode ser de ouro ou de prata, e se desta, a parte interna deve ser folhada com ouro” A Igreja Católica Romana possui muitos milhares de cálices de ouro maciço guardados em suas igrejas ao redor do mundo. Até mesmo a cruz  sangrenta de Cristo foi transformada em ouro e cravejada de pedras preciosas, como reflexo da grande riqueza de Roma. A Enciclopédia Católica diz: “A cruz peitoral (pendurada numa corrente  ao redor do pescoço e usada ao peito por abades, bispos, arcebispos, cardeais e o papa) deveria ser feita de ouro e… decorada com pedras preciosas…”

Roma tem praticado o mal a fim de acumular sua riqueza, pois a “taça de ouro” está cheia de “abominações”. Muita da riqueza da Igreja Católica Romana foi adquirida através do confisco das propriedades das pobres vítimas da Inquisição. Até mesmo os mortos eram exumados para sofrer julgamento  e suas propriedades eram confiscadas dos seus herdeiros pela Igreja. Um historiador escreve:  “As punições da Inquisição não acabavam quando as vítimas eram reduzidas a cinzas ou fechadas nas masmorras da Inquisição. Seus parentes eram reduzidos à miséria pela lei de que todas as suas possessões eram confiscadas. O sistema oferecia oportunidades ilimitadas para saques… Esta fonte de ganho largamente demonstra a revoltante prática  do que tem sido chamado de “julgamento de cadáveres”…Que a prática de confiscar propriedades dos hereges condenados era o produto de muitos atos de extorsão, rapinagem e corrupção não pode ser contestada por pessoa alguma que tenha qualquer conhecimento quer da natureza humana ou de documentos históricos… homem nenhum estava a salvo se a sua riqueza pudesse inflamar a cupidez, ou cuja independência pudesse provocar vingança”.

A maior parte da riqueza de Roma tem sido adquirida através da venda de salvação. Incontáveis bilhões de dólares lhe têm sido pagos  pelos que julgam estar comprando o céu, no plano de salvação deles e de seus  entes amados. A prática continua hoje em dia  – mormente quando o catolicismo está no controle, obviamente menos aqui nos Estados Unidos. Nenhum engano ou  abominação maior poderia ser perpetrada. Quando o Cardeal Cajetan, estudioso dominicano do século 16, se queixou da venda de perdões e  indulgências, a hierarquia da Igreja ficou indignada e o acusou de querer “tornar Roma um deserto inabitado, reduzir o papado à impotência, privar o papa…de fontes pecuniárias indispensáveis ao desempenho do seu ofício

A Igreja Católica Romana é de longe a instituição mais rica da terra. Sim, ouvem-se os pedidos periódicos de Roma exigindo dinheiro – apelos afirmando que o Vaticano não pode manter-se com suas limitadas reservas e necessita de assistência monetária.  Tais pedidos não passam de conspirações absurdas. O valor de inumeráveis esculturas de mestres tais como Miguel Ângelo, pinturas dos maiores artistas do mundo, e incontáveis outros tesouros e documentos antigos que Roma possui  (não apenas no Vaticano, mas nas catedrais  ao redor do mundo) está além de qualquer avaliação. No Sínodo Mundial dos Bispos em Roma, o Cardeal Heenan da Inglaterra propôs que a Igreja vendesse alguns desses tesouros supérfluos  e desse o resultado aos pobres.  Sua sugestão não foi bem recebida.

Cristo e seus discípulos viveram em pobreza. Ele disse aos seus discípulos para não acumular tesouros sobre a terra, mas no céu. A Igreja Católica Romana tem desobedecido este mandamento e acumulado uma pletora de riquezas sem igual, das quais “o Pontífice Romano é o supremo administrador e mordomo…”. Não existe igreja nem cidade alguma que seja uma entidade, uma instituição religiosa passada ou presente  que já tenha pelo menos se aproximado da riqueza da Igreja Católica Romana. Um recente artigo de jornal descreveu apenas uma fração desse tesouro numa localidade:  “O fabuloso tesouro de Lourdes  (França), cuja existência foi mantida em segredo pela Igreja Católica, por 120 anos, foi desvendado … Rumores têm circulado durante décadas sobre uma coleção de cálices de ouro sem preço, crucifixos cravejados de diamantes (uma pálida amostra da cruz sangrenta na qual Cristo morreu), prata e pedras preciosas doados por peregrinos agradecidos.

Após uma observação indiscreta por seus homens de imprensa esta semana, as autoridades da Igreja concordam  em revelar parte da coleção … (algumas) caixas abarrotadas foram abertas e revelaram 59 cálices de ouro, além de anéis, crucifixos, estatuas e broches de ouro maciço, muitos deles incrustados de pedras preciosas. Quase escondida no meio de outros tesouros,  está a Coroa de Nossa Senhora de Lourdes, feita por um joalheiro francês em 1876 e cravejada de diamantes.

As autoridades da Igreja dizem que é impossível avaliar a coleção. “Não tenho idéia alguma”, diz o Padre Pierre-Marie Charriez, diretor de Patrimônio e Santuário . “É de valor inestimável”. …

Através da estrada há uma construção guardando centenas de (antigos) ornamentos eclesiásticos, roupas, mitras, e paramentos – muitos  em ouro maciço…

“A Igreja ela mesma é pobre”, insiste o Padre Charriez. O “Vaticano ele mesmo é pobre”.  O tesouro aqui descrito é apenas parte do que se encontra guardado na localidade, na pequena cidade de Lourdes, na França!

 A Mãe das Meretrizes e das Abominações

Quanto mais profundamente entramos na história da Igreja Católica Romana e suas práticas correntes, mais impressionados ficamos com a interessante exatidão da visão recebida por João,  séculos antes que ela se tornasse uma lamentável realidade. A atenção de João é despertada para o título ousadamente colocado sobre a fronte da mulher: “Mistério, Babilônia a Grande, a Mãe das Meretrizes e Abominações sobre a Terra” (Apocalipse 17:5). Infelizmente, porém,  a Igreja Católica Romana se adapta  à descrição “mãe das meretrizes e abominações” exatamente como também se adapta a outras. Isto se deve em grande parte à exigência  anti-bíblica de que seus sacerdotes sejam celibatários.

O grande apóstolo Paulo era um celibatário e recomendou essa vida a outros que desejassem se devotar inteiramente ao serviço de Cristo. Ele, porém, não fez disso uma condição   para a liderança  como a Igreja  Católica tem feito, impondo, assim, um fardo desnaturado  sobre todo o clero, o qual muito poucos conseguem suportar. Pelo contrário, ele escreveu que o bispo deveria ser “marido de uma só mulher” (1Timóteo 3:2), fazendo as mesmas exigências para os oficiais.  (Tito 1:5-6).

Pedro, que os Católicos erroneamente afirmam ter sido o primeiro papa, era casado. Assim eram pelo menos alguns dos outros apóstolos. O fato não era o de terem eles se casado antes de Cristo os chamar, mas isso era aceito como uma norma corrente. O próprio Paulo dizia que ele tinha o direito de se casar como os outros: “E também o de fazer-nos acompanhar de uma mulher irmã, como fazem os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas (Pedro)?”  (1 Coríntios 9:5).

A Igreja Católica Romana, entretanto, tem insistido sobre o celibato, embora muitos papas, como Sérgio III (904-911), João X (914-928), João XII (955-963), Benedito V (964), Inocêncio VIII (1484-1492), Urbano VIII  (1623-1644),  e Inocêncio X (1644-1655), bem como milhões de cardeais, bispos, arcebispos, monges e padres através da história tenham violado estes votos. E como  tornam em prostitutas aquelas com quem coabitam secretamente.

Roma é em verdade “a mãe das meretrizes”.  Sua identificação como tal é inconfundível. Nenhuma outra cidade, igreja ou instituição na história do mundo  com ela se rivaliza em praticar particularmente este mal.

A história está repleta de dizeres que zombam do falso clamor da Igreja sobre o celibato e revelou sua verdade: “o eremita mais santo tem sua prostituta” e “Roma tem mais prostitutas do que qualquer outra cidade porque tem a maioria dos celibatários”, são exemplos. Pio II declarou que Roma era “a única cidade cheia de bastardos” (filhos de papas e cardeais). O historiador católico e ex-jesuíta Peter da  Rosa escreve:  “Os papas tinham garotas com 15 anos de idade, eram culpados de incesto e perversões sexuais de toda sorte, tinham inumeráveis filhos, eram assassinados em atos de adultério (por maridos ciumentos que os encontravam na cama com suas esposas) … Daí a velha frase católica, por que ser mais santo do que o papa?”

Em matéria de abominação, mesmo os historiadores católicos admitem que entre os papas estavam alguns dos mais degenerados monstros sem consciência da história. Seus inumeráveis crimes de violência, muitos dos quais estão além de qualquer crença, têm sido citados por muitos historiadores a partir de documentos reservados que revelam a profundidade da depravação papal, alguns dos quais a serem apresentados em capítulos futuros. Chamar qualquer desses homens de “Sua Santidade, Vigário de Cristo”, é zombar da santidade de Cristo. Ainda assim o nome de cada um desses incríveis papas perversos – assassinos de massas, fornicadores, ladrões, warmongers, alguns culpados do massacre de milhares – é decantado com louvores na lista oficial de papas da Igreja. Essas abominações que João previu não apenas ocorreram no passado, mas até em nossos dias, como veremos.

Embriagada com o Sangue dos Mártires

Em seguida João nota que a mulher está embriagada – e não com bebida alcoólica. Ela está embriagada com “o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus…” (apocalipse 17:6). O quadro é horrível. Não são apenas suas mãos  que estão tintas de sangue, mas está embriagada com ele. O assassinato de inocentes que por amor à consciência não concordariam com suas exigências totalitárias tanto a refrescaram e excitaram, que ela está em êxtase.

Logo pensamos nas Inquisições (Romana, Medieval e Espanhola) que durante séculos prenderam a Europa em suas garras terríveis. Em sua História da Inquisição, Canon Llorente, que foi o secretário da Inquisição em Madri de 1790 a 1792, e tinha acesso aos arquivos de todos os tribunais, calculou que somente na Espanha o número de condenados excedeu a 3 milhões, com cerca de 300.000 queimados na estaca. Um historiador católico comenta sobre os acontecimentos que conduziram à supressão da Inquisição Espanhola em 1809:  “Quando Napoleão conquistou a Espanha em 1808, um oficial polonês do seu exército, Coronel Lemanouski, registrou que os Dominicanos (a cargo da Inquisição)  se trancaram em seu mosteiro em Madri. Quando as tropas de  Lemanouski forçaram a entrada, os inquisidores negaram a existência de quaisquer câmaras de tortura. Os soldados   revistaram o mosteiro e as descobriram sob os pisos. As câmaras estavam cheias de prisioneiros, todos nus, muitos loucos. As tropas francesas, acostumadas à crueldade e sangue, não conseguiram segurar seus estômagos diante da visão. Esvaziaram as câmaras de tortura, jogaram pólvora sobre o mosteiro e o explodiram”.

Para conseguir as confissões dessas pobres criaturas, a Igreja Católica Romana usava torturas engenhosas, tão cruciantes e bárbaras, que ficaríamos doentes com a sua descrição. O historiador da Igreja, Bispo William Shaw Kerr, escreve:  “A abominação mais hedionda de todas era o sistema de tortura. A narração de suas operações a sangue frio faz-nos estremecer  diante da capacidade de seres humanos em matéria de crueldade. E eram decretadas e reguladas pelos papas que afirmavam representar Cristo na terra. Cuidadosas anotações foram feitas não apenas de tudo que era confessado pelas vítimas, mas de seus protestos, gritos, lamentações, interjeições quebradas e apelos por misericórdia. A coisa mais comovente na literatura da Inquisição não é a narração de seus sofrimentos, deixada pelas vítimas, mas os frios memoranda guardados pelos oficiais dos tribunais. Ficamos chocados e estarrecidos, exatamente porque não havia a mínima intenção de chocar-nos”.

Os remanescentes de algumas das câmaras de horror permanecem na Europa e podem ser visitados hoje. Elas permanecem como memorial  para os zelosos seguidores dos dogmas católicos romanos, os quais permanecem com força total ainda hoje e para uma Igreja que afirma ser infalível e até os dias atuais justifica tais barbaridades. São também memoriais da espantosa exatidão da visão de João em Apocalipse 17. Em um livro publicado na Espanha em 1909, Emelio Martinez escreve:

A esses 3 milhões de vítimas (documentados por Llorente), deveriam ser acrescentados milhares e milhares de Judeus e Mouros deportados de suas terras natais… Em apenas um ano, 1481,  e apenas em Sevilha, o Santo ofício (da Inquisição) queimou 2.000 pessoas . Os ossos e retratos  de outros 2.000 … E outros 16.000 foram condenados a variadas sentenças”.

Peter de Rosa reconhece que sua própria Igreja Católica “foi responsável por perseguir judeus, pela Inquisição, pelos extermínio dos hereges aos milhares, pela reintrodução da tortura na Europa como parte do processo judicial”. Mesmo assim a Igreja Católica Romana jamais admitiu oficialmente que tais práticas fossem más, nem se desculpou com o mundo nem com qualquer das vítimas ou seus descendentes. Nem podia o Papa João Paulo II se desculpar hoje, porque “as doutrinas responsáveis por essas coisas terríveis ainda estão em vigor”. Roma não mudou interiormente em nada, sejam quais forem as palavras melífluas que ela diga, quando servem aos seus propósitos.

Mais Sangue do que os Pagãos

A Roma pagã praticava os esportes de atirar aos leões, queimar ou de outra maneira matar milhares de cristãos e não poucos judeus.  Ainda assim a Roma “cristã” exterminou muitas vezes esse número, tanto de cristãos como de judeus. Além das vítimas da Inquisição, houve os Huguenotes, Albigenses, Valdenses e outros cristãos que foram massacrados, torturados e queimados na estaca às centenas de  milhares, simplesmente porque se recusaram a se alinhar com a Igreja Católica Romana  e sua corrupção e aos  seus dogmas e práticas heréticos. Por questão de consciência eles tentaram seguir os ensinamentos de Cristo independentes de Roma e por esse crime foram amaldiçoados, caçados, aprisionados, torturados e assassinados.

Por que iria Roma se desculpar ou mesmo admitir esse holocausto? Ninguém exige que ela preste contas hoje. Os Protestantes já esqueceram as centenas de milhares de pessoas queimadas na estaca por abraçar o simples evangelho de Cristo e recusarem se dobrar diante da autoridade papal. Incrivelmente, os Protestantes agora estão abraçando Roma como cristã, enquanto ela insiste em que os “irmãos separados” se reconciliem com ela aceitando os seus termos imutáveis.

Muitos líderes evangélicos pretendem trabalhar com os Católicos Romanos para evangelizar o mundo até o Ano 2.000. Eles não querem saber de nenhuma recordação “negativa”  dos milhões de pessoas torturadas e assassinadas pela Igreja à qual eles agora prestam honra, ou ao fato de que Roma prega um falso evangelho de sacramentos e obras.

A Roma “cristã” exterminou judeus aos milhares  – muito mais do que a Roma pagã jamais o fez. A Terra de Israel foi considerada  como propriedade da  Igreja Católica Romana, não dos judeus. Em 1096, o Papa Urbano II promoveu a primeira cruzada  para retomar Jerusalém dos Muçulmanos. Com a cruz em seus escudos e armas defensivas, os cruzados massacraram os judeus por toda a Europa em seu caminho até a Terra Santa. Praticamente,  o seu primeiro ato ao retomar Jerusalém  “para a Santa Madre” foi apinhar todos os judeus numa sinagoga e os incendiar. Esses fatos históricos não podem ser varridos para debaixo do tapete do ajuntamento ecumênico, como se jamais tivessem acontecido.

Nem pode o Vaticano fugir da grande responsabilidade pelo Holocausto Nazista, o qual era inteiramente conhecido por Pio XII, apesar do seu silêncio completo durante toda a guerra sobre um dos assuntos mais importantes.  O envolvimento do Catolicismo no Holocausto  será examinado mais tarde. Se o papa tivesse protestado, como os representantes das organizações judaicas  e as Forças Aliadas lhe pediram que o fizesse, ele teria condenado sua própria Igreja. Os fatos são inescapáveis:  Em 1936 o Bispo Berning havia falado com o Fuehrer por quase uma hora. Hitler assegurou ao seu senhorio que não havia diferença fundamental entre o Nacional Socialismo e  a Igreja Católica. Não tinha a Igreja que o interrogava considerado os judeus como parasitas e os trancado em guetos?

Estou apenas fazendo”, ele se gabou, “o que a Igreja tem feito por quinze séculos, somente com mais eficiência”. Sendo ele próprio católico , disse a Berning que “admirava e pretendia promover o Cristianismo”.

Existe, certamente, outra razão pela qual a Igreja Católica Romana não tem se desculpado nem se arrependido  destes crimes. Como poderia? A execução dos hereges (inclusive dos judeus) foi decretada pelos papas “infalíveis”. A própria Igreja Católica afirma ser infalível, portanto suas doutrinas não poderiam estar erradas.

Reinando sobre os Reis da Terra

Finalmente, o anjo revela a João que a mulher “é a grande cidade que domina sobre os reis da terra” Apocalipse 17:18. Sim, e novamente apenas uma: a Cidade do Vaticano. Os papas coroaram e depuseram reis e imperadores, exigindo obediência, amedrontando-os com excomunhão. No tempo do Primeiro Concílio Vaticano,  em 1869, J. H. Ignaz von Dollinger, professor de História da Igreja em Munique preveniu que o Papa Pio IX forçaria o Concílio a fazer um dogma infalível fora  “daquela teoria favorita dos papas – que eles podiam forçar reis e magistrados  com excomunhão e suas conseqüências, para prosseguir com suas sentenças de confisco, prisão e morte…”. Ele relembrou seus companheiros católicos romanos de algumas das más conseqüências da autoridade política papal:  “Quando, por exemplo, (o Papa) Martinho IV colocou o Rei Pedro de Aragão sob excomunhão e interdição… Prometendo em seguida indulgências de todos os pecados  àqueles que o guerreassem e o (tirano) Carlos (I de Nápoles) foi  contra Pedro, e finalmente declarou seu reinado falso… o que custou aos dois reis da França e Aragão suas vidas e ao francês a perda de seu exército…”.

O Papa Clemente IV, em 1265, depois de vender milhões de italianos do Sul a Carlos de Anjou, em troca de um tributo anual de oitocentas onças de ouro, declarou que “ele seria excomungado se o primeiro pagamento  fosse efetuado além do termo declarado e que na segunda negligência a nação inteira incorreria em interdição…”.

Embora João Paulo II  não tenha mais o poder de fazer tais exigências brutais atualmente, sua Igreja ainda retém os dogmas que o autorizam a fazer isso. E os efeitos práticos de seu poder não são menores do que os dos seus predecessores, embora exercitados bem por  trás da cena. O Vaticano é a única cidade que troca embaixadores com as nações e ele o faz com os países mais importantes da terra. Os embaixadores vêm ao Vaticano de todos os países importantes, inclusive dos Estados Unidos,  não por mera cortesia, mas porque o papa é hoje o governante mais importante da terra. Até mesmo o Presidente Clinton viajou até Denver em Agosto de 1993 para saudar o papa. Ele se dirigiu a ele como o “Santo Padre” e “Sua  Santidade”.

Sim, embaixadores de nações vieram a Washington  D.C., a Paris ou a Londres, mas só porque o governo nacional tem sua capital lá. Nem Washington, Paris, Londres ou qualquer outra cidade enviaram embaixadores a outros países. Só a Cidade do Vaticano  faz isso.  Ao contrário de qualquer outra cidade na terra o Vaticano é reconhecido como estado soberano com seus próprios direitos, separado e distinto da nação da Itália que o rodeia. Não existe outra cidade na história em que isso tenha acontecido e esse ainda é o caso hoje.

Só do Vaticano se  poderia dizer que é a cidade que reina sobre os reis da terra. A frase “a influência mundial de Washington” não significa a influência de uma cidade, mas dos Estados Unidos, cuja capital lá se encontra. Quando, porém, se fala da influência do Vaticano ao redor do mundo, é exatamente o que isso significa – a cidade e o poder mundial do Catolicismo Romano e do seu líder, o papa. O Vaticano é absolutamente único.

Alguns sugerem que o Vaticano se mudará para a Babilônia, no Iraque, quando ela for reconstruída. Mas por que o faria? O Vaticano tem preenchido a visão de João de sua localização em Roma durante os últimos quinze séculos.  Além do mais, já mostramos a conexão com  a antiga Babilônia, a qual o Vaticano tem mantido através de toda a história no Cristianismo paganizado que ela tem promulgado. Quanto à antiga Babilônia, ela nem existia durante os últimos 2.300 anos  “para reinar sobre os reis da terra’. A Babilônia estava em ruínas, enquanto a Roma pagã e depois a Roma católica, a nova Babilônia, estava realmente reinando sobre os reis da terra.

Um historiador do século dezoito contou 95 papas que afirmavam ter o poder divino para depor reis e imperadores. O historiador Walter James escreveu que o Papa Inocêncio III (1185-1216)  “tinha toda a Europa em sua rede” . Gregório IX (1227-1241) trovejava que o papa era o senhor e mestre de todos e de tudo.  O historiador R. W. Southern declarou: “Durante todo o período medieval havia em Roma uma única autoridade temporal e espiritual (o papado), exercitando poderes que no fim excederam os que jamais haviam existido sob as garras do imperador romano”.

Que os papas reinaram sobre os reis é um incontestável fato histórico, o qual  documentaremos inteiramente, mais tarde. Por causa disso, tão horríveis abominações foram cometidas, conforme João previu, é indiscutível. O Papa Nicolau I (858-867) declarou: “Só nós (os papas) temos o poder de prender e soltar, de absolver Nero e condená-lo, e os Cristãos não podem, sob  pena de excomunhão, executar outro julgamento senão o nosso, o qual é infalível”. Ao mandar que um rei destrua um  outro, Nicolau escreveu:  Nós o ordenamos, em nome da religião, a invadir seus estados, queimar suas cidades, e massacrar seu povo… “

A informação qualificativa que João nos dá sob inspiração do Espírito Santo, para identificar a mulher, que é uma cidade,  é específica, conclusiva e irrefutável. Não existe cidade sobre a terra, no passado ou no presente, que preencha todos esses critérios, exceto a Roma católica e agora a Cidade do Vaticano. Esta inescapável conclusão se tornará cada vez mais clara  à medida  em que procedermos à revelação dos fatos.

O Terceiro Tiago

Aqueles que estão engajados no combate à doutrina católica sabem o esforço que seus apologistas fazem para manter de pé o dogma da virgindade perpétua da mãe de Jesus mesmo diante de tantas evidências contrárias aos seus argumentos. O Terceiro Tiago é mais uma das evidências contra este dogma. E lhe garanto caro amigo leitor, não é uma simples ou mesmo pequena evidência, mas um testemunho fortíssimo e amplo que se manifesta para derrubar definitivamente toda artimanha contra a dogmática católica que sem temor algum sequestrou de Maria os seus próprios filhos.

Marcos 6:3 nos diz que Jesus tinha quatro irmãos e algumas irmãs, obviamente filhos e filhas de Maria e José. Duas das irmãs de Jesus aparecem nos Evangelhos. São elas, Joana e Maria. Alguns experts das Escrituras incluem também Suzana e Salomé (farei um artigo sobre isso para ano que vem ), e os irmãos foram, Tiago, José, Simão e Judas.

O nome dos irmãos de nosso Senhor tem causado dúvidas porque, naquela época, o de muitos era igual, destacando-se o dos parentes. Por não levar em consideração esse importante detalhe, o Catolicismo Romano interpreta que dois dentre os citados acima foram contados entre os doze: Tiago e Judas.

Nos tempos de Jesus usava-se um único nome e, em vista dos homônimos, mais um apelido, o acréscimo do nome do pai, da cidade de nascimento ou até o nome em dois idiomas. Assim, vemos Simão ser chamado por Simão Pedro, Simão Barjonas e Cefas. Um José foi conhecido como José de “Arimatéia”, outro ficou conhecido como José, chamado Barsabás (Atos 1:21), ainda outro como José, cognominado pelos apóstolos, Barnabé (Atos 4:36) e o José irmão de Jesus (Mateus 13:55). Havia Maria, cognominada de Madalena e também havia Maria, mãe de Jesus, Maria, conhecida pelas Escrituras como irmã de Lázaro (João 11:19) e mais algumas.

O Novo Testamento mostra várias pessoas com o nome de Simão, além de Simão, filho de Jonas: Simão curtidor (Atos 9:43), Simão o Zelote (Mateus 10:4), Simão cireneu, pai de Alexandre e de Rufo (Marcos 15:21), Simão, o leproso (que nunca foi leproso) (Mateus 26:6) e Simão, irmão de Jesus (Mateus 13:55). Também havia mais de um Tiago – pelo menos três: um identificado por “filho de Alfeu” (At 1.13,14); outro por “filho de Zebedeu” (Mt 4.21; Mc 1.19) e outro por “o irmão do Senhor” (Gálatas 1:19).

Vamos ver a lista dos doze discípulos apresentada por Mateus; “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão o Zelote, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu”, Mateus 10:2-4. Esse Tadeu é mais conhecido como Judas Tadeu.

Tiago, filho de Alfeu”, registra Mateus. E o Catolicismo alega que esse é o mesmo Tiago citado em Mateus 13:55: “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs? É um salto tremendo. Em um texto ele aparecece como filho de Alfeu e em outro como irmão de Jesus. Evidente que não são as mesmas pessoas.

A expressão “seus irmãos” ocorre nove vezes nos relatos dos Evangelhos e uma vez em Atos. Em todos os casos (exceto em João 7: 3,5,10), os irmãos são mencionados em conexão imediata com sua mãe, Maria. Nenhuma indicação linguística está presente no texto para inferir que “seus irmãos” deve ser entendido em qualquer sentido menos literal que “sua mãe”. Da mesma forma, os judeus contemporâneos de Jesus interpretaram os termos “irmãos” e “irmãs” em seu sentido comum.

Além disso, se os “irmãos e irmãs” na frase significam “primos”, então estes “primos” eram os sobrinhos e sobrinhas de Maria. Mas, por que as pessoas da cidade de Nazaré conectaram os sobrinhos e sobrinhas de Maria com José? “Não é este o filho do carpinteiro não se chama… seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs?” (Mateus 13:55). Não faz sentido algum alterar os termos irmãos e irmãs para primos e primas. Nada poderia ficar mais forçado do que isso: “Não é este o filho do carpinteiro não se chama… seus primos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas primas?”

Se a dogmática católica garante que os homens são primos, obviamente concordam que as citadas como irmãs do Senhor também não são filhas de Maria e José. Quem eram os pais dessas moças?

Por outro lado deve-se questionar por que as pessoas da cidade mencionaram sobrinhos e sobrinhas omitindo outros parentes da família; o cenário assume que essas pessoas fazem alusão à imediata família de Jesus. José, Maria e seus filhos foram reconhecidos como uma típica família de Nazaré. No contexto citado os judeus simplesmente perguntaram se Ele não era um membro desta família ao mencionar o nome de quase todos os integrantes. Essa é a justa interpretação do texto. No entanto, a Igreja Católica insiste em manter a tese de que o Tiago e Judas que aparecem entre os doze discípulos são os mesmos Tiago e Judas citados em Mateus 13:55. Seriam eles filhos de outra Maria, irmã da mãe de Jesus e esposa de um homem chamado Cleofas. Assim, eles não poderiam ser irmãos do Senhor, mas sim primos dele. Um site católico afirma:

Maria de Cleofas, segundo pesquisadores é considerada a tia de Jesus, irmã de Maria (mãe de Jesus) e casada com Cleófas. Segundo a tradição católica ela também é considerada uma santa. Segundo o que nos dizem os três primeiros evangelhos, sabemos que entre aquelas mulheres que seguiram a Jesus desde a Galiléia, e presenciaram no Calvário a crucificação, estava Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José: Mateus 27:56, “Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“.

Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“, Marcos 15:40.

Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé“, Lucas 24:10.

Essa mulher é quase certamente a mesma Maria que é chamada Maria, mulher de Cleófas: João 19:25, “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena“.

Citado em “Santa Maria de Cleófas, Irmã da Virgem Maria, Tia de Jesus“. Disponível em http://santossanctorum.blogspot.co.uk/2012/04/santa-maria-de-cleofas-irma-da-virgem.html

Atente para um detalhe na citação do site católico quando tenta identificar Maria de Cleófas. Ele diz que “… entre aquelas mulheres que seguiram a Jesus desde a Galiléia, e presenciaram no Calvário a crucificação, estava Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José”.

De fato, a mulher citada como mãe de Tiago e José em alguns textos, também citada como mãe de Tiago em outros textos (Mar 16:1 e Lucas 24:10), e em outro como mãe de José (Mar 15:47) é a mesma Maria. Ela, porém, é natural da Galiléia e não de Emaús como se crê que é a mulher de Cleófas – eis aí o problema principal. A única Maria da Galiléia que tinha filhos chamados Tiago e José era Maria, mãe de Jesus.

Marcos identifica esse Tiago como sendo o menor: “Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé; as quais, quando Jesus estava na Galiléia, o acompanhavam e serviam; e, além destas, muitas outras que haviam subido com ele para Jerusalém”, Marcos 15:40,41.

Veja que Marcos reforça o argumento quando nos diz a origem dessas mulheres. Eram as “que serviam e acompanhavam o Senhor Jesus quando ele estava na Galiléia”. A mãe de Tiago e de José é a mãe de Jesus. A confirmação vem com as relações paralelas de Marcos 6: 3 e Mateus 13: 55, onde os judeus perguntam retoricamente de Jesus: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago e de José, de Judas e Simão?”

Vale ressaltar que Tiago é colocado antes de José como nos relatos da cena da crucificação em Mateus 27: 56 Marcos 15: 40. Vejam: “E estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para o servir. Entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“.

E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé“.

Os dois filhos mais velhos são selecionados primeiro. Devemos nos recordar que Cristo estava morto – o escritor narra os fatos – e agora, o próximo filho dela, que se chama Tiago entra no registro acompanhado de seu irmão José. Então, Maria passa a ser identificada pelos dois filhos mais velhos, o que era costume entre os judeus: “A pratica nos Evangelhos sinóticos e em Atos de fazer referência as mulheres pelos nomes de seus filhos ao invés dos maridos ou pais é o mesmo dos costumes árabes atuais que identifica a mulher ou o homem pelo nome do filho – ou filha – mais velho” (Segueve, One Palestine, Complete, 371). Foi dessa forma que encontraram inúmeros ossuários de mulheres judaicas nomeadas em inscrições na época do Segundo Templo (Catalogue of Jewish Ossuaries, 15). Compare isso com as mulheres judias nos evangelhos sinópticos e em Atos, que são muitas vezes identificadas por seu filho, ou filhos, Atos 12:12; 1:14; Marcos 15:40; Lucas 14:8; Mateus 20:20;27:56.

Essa circunstância não deveria ser vista com estranheza, pois sabemos que Maria não ocupa no Novo Testamento a posição que lhe é atribuída pela tradição eclesiástica da Igreja Católica Romana desenvolvida com a passagem dos séculos. Não se deveria mesmo estranhar quando ela é tratada de outra forma além de Maria, mãe de Tiago e José, ou mesmo Maria, mãe de José em um relato e mãe de Tiago em outro. Esta maneira de distinguir Maria sugere que seus filhos eram conhecidos dos cristãos, entre os quais eram também apreciados.

Além disso, existe um detalhe extremamente curioso que envolve Tiago, filho de Maria, mãe também de José, Judas e Simão. Quando se diz de Tiago que ele é o menor, está, na verdade, o chamando de alguém com baixa estatura, como demonstra o original grego – Tiago [ho mikros]. O ordinário significado deste termo é “o pequeno”, e deve significar, “de pequena estatura”, e não o menor, ou mais novo por inferir que esse Tiago é um dos discípulos, sendo o menor porque o Tiago, irmão de João é o maior ou mais velho. João e seu irmão provavelmente eram os mais jovens do grupo dos discípulos, não havendo assim base alguma para denominar esse Tiago, ho mikros, de menor porque era mais novo do que o Tiago discípulo, irmão de João. Na verdade o irmão de Jesus era bem mais velho do que os filhos de Zebedeu.

A existência de dois discípulos nomeados Tiago exigiu a utilização de epítetos de distinção. Assim, “o menor” ou “mais novo” não seria apropriado para o terceiro Tiago como chefe da igreja de Jerusalém. Em sendo ele irmão de Jesus, e Jesus alcançando a Idade de 33 anos quando morreu, permite-nos inferir com certeza que esse Tiago era bem mais velho do que João e seu irmão Tiago. Não é de admirar que como coluna da Igreja em Jerusalém ele seja nomeado primeiro (Gal 2:9). Ele ter decidido o que deveria ser feito diante do Concílio com relação aos gentios que receberam a Palavra de Deus sugere que, além de maduro o suficiente, estava mais apto do que os outros para exercer a liderança (Atos 15:13-15).

Também vemos em Atos 21:18 que na chegada de Paulo a Jerusalém para um relatório do que Deus estava realizando através do seu ministério, a casa de Tiago foi escolhida como local de reunião, contando com a presença de alguns anciãos da Igreja. Isso tudo é um indício de que o terceiro Tiago não era nenhum jovem imaturo. Ele era a cabeça, o chefe da Igreja em Jerusalém. O chefe pode ser de baixa estatura [ho mikros], mas não pode ser menor – ou mais novo.

Outro detalhe, também curioso, é sobre Cleófas e Alfeu. Alguns estudiosos do texto sagrado duvidam que eles sejam a mesma pessoa. Para isso apontam alguns detalhes. Eles afirmam que há sérias dificuldades na identificação de Alfeu e Cleófas. Uma delas pode ser encontrada em Lucas. Lucas, que fala de Cleófas (24:18), também fala de Alfeu (6:15, Atos 1:13). Podemos questionar se ele teria sido culpado de ter confundido a utilização de nomes. Se ambos apontam para a mesma pessoa porque ele diferenciou-os em duas referencias? A resposta não está muito longe…

Irmãos incrédulos

Havia incrédulos na família de Jesus – estes não eram seus primos. O Senhor denuncia que eles estavam dentro da sua própria casa:

“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. Marcos 6:4. O texto revela que os opositores de Jesus estão ligados a ele por laços familiares muito fortes quando declara que ele “não tinha honra na sua própria casa”. O registro em Marcos entrou na pátria de Jesus e passou por todos os seus parentes – primos, sobrinhos, tios … e foi parar dentro de sua família. Quem eram os incrédulos na casa de Jesus? João esclarece quando confirma: “nem seus irmãos criam nele”, João 7:5.

Essa é uma situação bem conhecida; os vizinhos tudo bem… primos até que dá para entender, o mesmo acontece com os estranhos, mas parece que João está surpreso com outro tipo de incrédulo quando dispara, “nem mesmo os irmãos criam (?). A sentença enfatiza o absurdo, pois declarava a incredulidade de membros da própria família que não reconheciam Jesus como o Messias enviado. O contexto encontra-se em João 7:1-5

“E DEPOIS disto Jesus andava pela Galileia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”.

João não daria ênfase à incredulidade se tivesse registrando que “nem mesmo seus primos criam nele”. Porém, pelo fato de serem mais próximos, então o alarde foi exposto para demonstrar o absurdo da descrença. Os incrédulos eram mesmo irmãos de Jesus. A formação textual é irrefutável: “Por que NEM MESMO seus irmãos criam nele.”

Não há dúvida que a descrença envolvia vários irmãos. Não fosse assim a Escritura deixaria registrado que os incrédulos eram apenas dois deles se o Tiago e o Judas citados em Mateus 13:55, dentro da família do carpinteiro, fossem os mesmos Tiago e Judas contados entre os doze discípulos. Os escritores dos fatos teriam por obrigação e compromisso com a verdade em fazer separação destes dois com os outros dois descrentes, os quais supostamente seriam José e Simão, mas não fizeram. Sem dar consideração alguma, o contexto de João 7:1-5 esclarece que Jesus tinha irmãos incrédulos deixando subentendido que vários deles, senão todos, estão envolvidos no diálogo com o Senhor. Diálogo este que revela a impossibilidade de se crer que algum deles fosse seu discípulo. Primos com certeza não podiam ser, pois fica extremamente estranho que filhos de outro casal tivessem tamanha autoridade dentro de um domicilio que não fosse o deles: “Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes”. Os judeus queriam assassinar o Senhor Jesus e eles empurravam o próprio irmão para o matadouro.

Portanto, podemos excluir o Tiago e o Judas discípulos de estarem entre os citados irmãos descrentes de Jesus por vários motivos, e entre estes temos dois clássicos: a ocasião da multiplicação dos pães e o milagre de quando o Senhor anda sobre as águas, o que pode ser visto em João 6, um capítulo antes do encontro entre Jesus e seus irmãos. O resultado desses acontecimentos na vida dos discípulos foi muito marcante. Depois de presenciarem a multiplicação dos pães, e verem sobrar doze cestos cheios, eles confessam: “… Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo”, v 14. Logo após Jesus é visto andando sobre as águas – Simão Pedro fecha o capítulo da seguinte forma: “… nós [obviamente uma referência aos doze] temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente“, vv 68,69.

Portanto, é inadmissível aceitar que algum desses discípulos, crentes e maravilhados com o resultado dos milagres – no final no capítulo seis – pudessem estar presentes entre os irmãos incrédulos de Jesus apenas sete versículos depois. No entanto, o cenário de incrédulos no inicio do capítulo sete de João exige um Tiago e, coincidência ou não, tem um Tiago citado entre os familiares de Jesus como foi confirmado em Mateus 13:55. O evangelista registra que ele está entre outros três – são “seus [de Jesus] irmãos, Tiago, José, Simão e Judas”. Lembrando ao leitor que Marcos declara que não tinha honra entre seus familiares mais próximos (Marcos 6:4). Marcos não diria isso se os opositores de Jesus não fossem irmãos de sangue. Por isso a declaração envolve pessoas nascidas da mesma mãe quando diz que ele “não tinha honra na sua própria casa”. E casa aqui não é a patria, nem mesmo sua cidade natal, mas seu domicílio.

Além disso, descobrimos um registro de Paulo mostrando que Jesus aparece ressuscitado para certo Tiago (1 Corintios 15:7). Notável é, que após essa aparição de Jesus para esse cidadão que tem o nome de Tiago nós encontramos os chamados irmãos de Jesus, outrora incrédulos, orando no cenáculo com Maria e os outros discípulos em Atos 1;13,14: “E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas Tadeu. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos”.

Mais evidências

É preciso enfatizar que em todos os contextos sobre as aparições de Jesus depois da sua morte encontramos evidências de que as manifestações foram necessárias para desfazer dúvidas com relação a sua ressurreição. Não foi diferente com esse Tiago como veremos mais adiante. É evidente que Jesus apareceu redivivo para ele com o intuito de testificar da sua ressurreição. Além do mais, há outra prova irrefutável que revela que o Tiago de Alfeu, que é um dos doze, não é o mesmo Tiago conhecido como irmão do Senhor – este Tiago discípulo nunca foi chamado para fazer parte do grupo íntimo de Jesus.

Se a dogmática católica afirma que os Tiagos são um só, tendo sido ele um dos doze, e tendo ele permanecido por longo tempo muito próximo da “virgem” Maria, por que jamais foi escolhido para o grupo íntimo do Senhor, mas o Tiago ali citado nas ocasiões especiais foi o irmão de João? Pedro, Tiago e João foram os únicos que viram a ressurreição da filha de Jairo (Mat. 9:23-26) e a transfiguração de Jesus (Marc. 9:2), e que estiveram com Jesus no Getsêmani (Marc. 14:33). Imagine você caro amigo leitor: O primo de Jesus, como deseja o catolicismo, que seria bispo em Jerusalém, o qual sempre foi visto acompanhando a virgem Maria, que esteve entre os doze, não conseguiu um lugar de destaque no grupo particular de Jesus. É inacreditável que nem a influência da figura mariana fosse capaz de chamar a atenção do filho para que este pudesse fazer deste Tiago – parente tão próximo da família (?) – um quarto participante do seu grupo intimo. Ora, se ele era sobrinho de Maria – primo de Jesus – e era um dos doze Apóstolos, por que ficava de fora dessas ocasiões especiais?

Na verdade, o Tiago citado como irmão do Senhor em Mateus 13:55 nunca entrou no grupo particular de Jesus por dois motivos: era incrédulo quanto ao ministério do irmão e não fazia parte dos doze apesar de ser um judeu que acreditava no Deus de Israel.

Jesus apareceu para qual Tiago?

Jesus apareceu a certo Tiago – se nos baseamos na tese católica devemos concordar que esse Tiago era um dos doze, o filho de Alfeu. No entanto, por que Jesus deveria aparecer para “o sumido”, quieto, silencioso e inofensivo Tiago de Alfeu em particular depois deste ter presenciado duas aparições do Senhor Jesus ressuscitado junto com os discípulos? Por que seria necessário um terceiro encontro entre Jesus e esse Tiago separado dos outros?

Há algo aqui que exige explicações por parte da teologia romana; novamente insisto na questão: por que deveria este Tiago exigir de Jesus uma atenção especial ao ponto do mestre precisar aparecer ressuscitado para ele depois deste tê-lo visto por duas vezes? Ora, se ele como discípulo estava presente no momento das duas primeiras aparições do Senhor – em Jerusalém, quando todos eles estavam trancados dentro de uma casa com medo dos judeus, por que houve necessidade de Jesus manifestar-se a ele uma terceira vez em particular?

Vamos saber o que realmente aconteceu…

Leia atentamente I Coríntios 15:3-7:

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”.

Como podemos ver, Paulo registra cinco manifestações de Jesus. Precisamos lembrar que na primeira aparição aos discípulos, o Tiago de Alfeu estava presente, pois ele era um dos doze. E posteriormente, quando o Senhor se revela a Tomé o mesmo Tiago também estava entre eles – Ele testemunha a presença do Senhor ressuscitado por duas vezes. O problema é que apesar do contexto apresentar o fato de forma explicita, Paulo simplesmente registra que o Senhor “… apareceu a Tiago”, verso 7.

O que temos no contexto é muito complicado. A dogmática católica tenta nos convencer que Jesus aparece para o Tiago de Alfeu duas vezes e depois aparece uma terceira vez em particular. É óbvio que Paulo registra a aparição para outro Tiago, não o filho de Alfeu, mas sim o irmão de Jesus.

Numa das vezes – a primeira – que o Senhor se revela ressuscitado aos discípulos a Escritura esclarece que “estando as portas cerradas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (João 20:19). O verso 24 diz que o único ausente era Tomé, o que nos permite inferir que o Tiago de Alfeu foi um dos que viu o Senhor e se alegrou junto com os outros quando este “mostrou-lhes as suas mãos e o lado”, João 20:20.

Oito dias depois da primeira aparição o relato bíblico atesta que Jesus voltou a vê-los; nessa ocasião Tomé se encontrava no grupo e “chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco”, v 26. Um detalhe curioso pode chamar a atenção nessas narrativas: Parece que os discípulos não deixaram o lugar em que estavam entre uma aparição e outra – Eles estavam escondidos com medo dos judeus atrás de portas cerradas.

Leia novamente os dois textos já citados: “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco”, João 20:20.

Jesus lhes aparece outra vez uma semana depois e pelo que consta no relato eles não mudaram de local:

E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco“, v 24.

A aparição para o Terceiro Tiago não pode estar nesses dois registros de forma alguma. O Terceiro Tiago (irmão do Senhor) é distinto do filho de Alfeu. Jesus aparece para seu irmão em outra ocasiao. Faça sua própria análise: “[Jesus] apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”. E no verso oito Paulo enfatiza que está realmente narrando os fatos em sequência, pois fala da aparição de Jesus para ele se posicionando por último:”E por derradeiro de todos me apareceu também a mim, como a um abortivo“. Quanto a Jesus ter aparecido para Cefas (Pedro), eu vou tratar em outro artigo. Em suma, o Sennhor se manifesta para Tiago em ocasião distinta daquelas que aparece para os Apóstolos. Note que as duas primeiras manifestações do Senhor ressuscitado ocorreram em Jerusalém, não na Galileia, onde ele aparece aos discípulos mais vezes. Antes das duas primeiras vezes em que ele se manifesta aos discípulos notamos que algumas mulheres e dois deles correram ao sepulcro e voltaram para casa onde estavam escondidos. Isso indica que eles estavam por perto, em Jerusalém.

Isso gera problemas enormes para a dogmática católica resolver, pois é também possível estabelecer que apenas depois das manifestações do Jesus ressuscitado em Jerusalém para os discípulos é que Ele aparece para Tiago. Isso é muito significativo – mostra ainda mais a impossibilidade de o Tiago citado ser o mesmo Tiago discípulo. Se este último já havia visto o Senhor Jesus por, pelo menos, duas vezes, ter se alegrado com os outros vendo suas marcas, que necessidade haveria de Jesus se revelar a ele uma terceira vez em particular?

A verdade é que Jesus apareceu redivivo para seu irmão Tiago, o qual não fazia parte dos doze. Jesus se manifesta para o filho de sua mãe, tendo como pai, José. Percebe-se claramente que o relato acompanha uma sequência exigida por necessidade de comprovação da ressurreição. Tiago era um incrédulo!

Adiciono aqui um comentário bem oportuno:

“Na verdade, quando analisamos o texto dentro do seu contexto, torna-se até difícil imaginar que o Tiago ali citado fosse mesmo um dos doze. Pense comigo. Jesus… aparece aos doze discípulos (Tiago ali incluído, obviamente). Depois aos quinhentos irmãos e depois a Tiago novamente. E depois volta a aparecer a Tiago de novo, já que Jesus apareceu depois a “todos os apóstolos …

… Não há nada nos evangelhos que enfatize um dos dois Tiagos que eram discípulos de Jesus. Não há nenhuma negação pública, nenhum acontecimento, nenhuma coisa que pedisse uma intervenção sobrenatural para um encontro particular entre esse Tiago e Jesus. Bastaria a aparição geral de Cristo, como ocorreu duas vezes na presença de todos os apóstolos. Isso simplesmente não faz lógica na perspectiva de que esse Tiago fosse um dos doze.

Mas é totalmente lógico na perspectiva de que esse Tiago fosse justamente o antes incrédulo irmão de Jesus. Ele precisava de um encontro pessoal que o tirasse da incredulidade e que lhe desse a oportunidade de consertar as coisas com Cristo em particular, assim como Jesus fez com Pedro. E isso também explica por que esse Tiago aparece com tanta notoriedade no Novo Testamento dali em diante. Ele lidera o Concílio de Jerusalém de Atos 15. Este Tiago era tão conhecido e importante que Judas precisou apenas se identificar como o “irmão de Tiago” (Jd.1) em sua epístola, e Pedro ao ser liberto fez questão de pedir que Tiago fosse notificado disso (At.12:17).

Se este Tiago com uma autoridade tão proeminente não era o irmão de Jesus, então quem era? O Tiago irmão de João já tinha morrido há muito tempo (At.12:2), e o outro Tiago discípulo era irrelevante e sem notoriedade entre os doze, tanto é que só aparece nos evangelhos quando é listado junto aos outros doze. Esse importante Tiago, que surge subitamente exercendo grande liderança justamente a partir da ressurreição de Jesus, só poderia ser o terceiro Tiago, o irmão de Jesus, que passou a exercer essa liderança após sua conversão ao se encontrar com o Cristo ressurreto” (1).

  1. BANZOLI, Lucas – “As aberrações de Cris Macabeus e a volta do terceiro Tiago”. Disponível em http://heresiascatolicas.blogspot.co.uk/2014/12/as-aberracoes-de-cris-macabeus-e-volta.html

Judas, irmão de Tiago

Entre todas as provas que podem ser encontradas nas Escrituras do Novo Testamento para a identificação do Terceiro Tiago, irmão do Senhor, nenhuma é mais evidente do que as que são apresentadas na pequena e esquecida epístola de Judas.

JUDAS, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo”, Judas 1:1

Observem como Judas se apresentou. Poucas coisas são mais reveladoras do que os títulos pelos quais ele deseja ser conhecido. Judas chama-se o servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago. Ele não era tão bem conhecido como Tiago, mas se contenta em ser conhecido como o irmão de Tiago. O detalhe aponta para algo não meramente adicional, mas distinto. A distinção é a relação com outra pessoa na Igreja, mais conhecida e mais influente do que a si mesmo. Algo similar foi dito de André irmão de Simão Pedro. Ele também foi descrito por seu relacionamento com um irmão mais famoso. O único título de honra que Judas se permitiu foi de servo de Jesus Cristo. O grego é doulos, e isso significa mais do que servo, significa escravo.

Judas identica-se como irmão de Tiago. Poderíamos ter esperado “irmão do Senhor”, mas parece que Judas evita a ostentação de modo que descreve a si mesmo. Podemos inferir sem muito risco de erro que ele desejava também, tendo um nome tão comum, distinguir-se dos outros, como Judas Iscariotes, Lebeu, ou Tadeu, de Mateus 10: 3 e outros. Além disso, ele pode ter evitado a designação de “irmão do Senhor” na carta porque escreveu no caráter de um servo, para mostrar qual o respeito que um homem como ele pode merecer por conta de sua relação com Cristo. Judas também não se identificou como irmão de Jesus por reverência ao Salvador de sua alma.

Judas, tendo sido incrédulo por um tempo, agora, celebra como uma honra maior do que qualquer distinção decorrentes de nascimento ou da família, ser reconhecido apenas como servo do Senhor. Compare isso com estas palavras de Jesus em Mateus: “E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe”, Mateus 12:46-50.

Eu acredito piamente que a relação natural na mente de todos aqueles cristãos ligados a Jesus por laços sanguíneos estava subordinada à relação espiritual (ver Lucas 11:27,28 ). Essa designação estaria realmente em harmonia com os contextos de Mateus e Lucas, o que também poderia evitar que as gerações seguintes fossem cegadas por sentimentos místicos e supersticiosos em relação aos parentes, presentes e futuros, do Senhor Jesus. Não foi por acaso que Judas recusou tal designação, como fez seu irmão Tiago em sua epístola. Ambos os irmãos humildemente afirmam que eles são os “servos” do Senhor Jesus Cristo.

A Ascensão tinha alterado todas as relações humanas de Cristo, e Seus irmãos se recusariam a reivindicar o parentesco segundo a carne com Seu corpo glorificado. Esta conjectura é apoiada por fatos. Em nenhuma parte da literatura cristã primitiva há qualquer autoridade reivindicada ou atribuída com base na proximidade de parentesco com o Redentor (a única alteração é Paulo, que apenas quer identificar Tiago quando o aponta como irmão do Senhor). O próprio Jesus havia ensinado aos cristãos que os mais humildes entre eles poderiam se elevar acima dos laços terrestres mais próximos como vimos em Lucas 11: 27-28; ser espiritualmente “o servo de Jesus Cristo” era muito mais do que ser Seu irmão real.

Deve-se notar que ele se identifica como “servo de Jesus Cristo” e não como Apóstolo. Por que não usou o título de Apóstolo associado a “servo” como fez Pedro se ele era um dos doze? Observem que Pedro usa a palavra Apóstolo sem a palavra “servo” em 1 Pedro 1:1: “PEDRO, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”, mas em 2 Pedro 1:1 ela é usada adicionando “servo”: “SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”.

Por que Judas não fez o mesmo, mas simplesmente omite a palavra Apóstolo? É quase inacreditável que Judas poderia ter abandonado sua reivindicação como Apóstolo numa única epístola – tão breve, não declarando sua posição entre os discípulos originais. Como ele não diz que é um apóstolo, a inferência é que ele não é um dos doze discípulos. A omissão pode ter sido feita de propósito. Deus é sábio – o Espírito Santo quer identificar esse Judas como irmão de Jesus, não como um dos doze: ”Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago e… Judas?”, Mateus 13:55.

Até Paulo, que não foi um dos doze, usa o título de Apóstolo em várias ocasiões: Romanos 1: 1; 1 Corintios 1: 1; 2 Corintios 1: 1; Gálatas 1: 1; Efésios 1: 1; Colossenses 1: 1; 1 Timoteo 1: 1; 2 Timoteo 1: 1. Por que Judas não usou do mesmo direito? O Espírito Santo inspirou Judas para não fazê-lo por motivos óbvios.

Portanto, está ficando claro aqui também nessa pequena epístola que Judas e seu irmão Tiago não estiveram entre os doze. Judas adiciona Tiago como seu irmão não apenas para explicar quem ele é, mas ele usou a ligação porque esse Tiago era alguém bem conhecido da comunidade cristã. Apenas a menção de um Tiago pode ser significativa aqui. Após a morte de Tiago, irmão de João, um único Tiago aparece em Atos ( Atos 12:17 ; Atos 15:13 ; Atos 21:18 ). Ele é Tiago, o Justo, irmão de nosso Senhor (Mateus 13:15 ), e primeiro Bispo de Jerusalém um dos “pilares” da Igreja (Gálatas 2: 9 ).

Um detalhe importante pode ser encontrado no primeiro versículo acima, Atos 12:17, inserido no contexto da prisão de Pedro seguida da sua libertação. Pedro, quando se vê fora da prisão vai a casa de Maria, mãe de João Marcos. Depois que a criada abre a porta e Pedro entra na casa, o texto diz: “E acenando-lhes ele com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão, e disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, partiu para outro lugar”.

Anunciai isto a Tiago!Qual Tiago? Pedro pede que Tiago e os irmãos sejam avisados. Então, na pressa católica a passagem passa a ficar dessa forma: “Avisem a Tiago de Cleófas e aos outros discípulos“.

Não! Isso está totalmente fora de cogitação! Evidente que Pedro não fazia referência ao filho de Alfeu. O contexto salta diante dos olhos até dos mais ignorantes. Apenas um Tiago pode ser posicionado aqui – O Terceiro Tiago e irmão do Senhor, que é visto pelo livro de Atos como alguém coroado de eminente honra e autoridade na Igreja mãe de Jerusalém. Judas escolheu o que pode parecer um apelo a um parentesco terreno que tinha sido afundado em um relacionamento espiritual mais elevado. A escolha de Judas nessa introdução de sua carta é ao mesmo tempo um argumento de peso contra as alegações de que ele foi um dos doze. Observe também que a limitação de Judas é patente – ele não usa de autoridade apostólica, ou comissão como seu mandado para a escrita, e como direito de receber a atenção dos leitores, ele coloca-se sob o escudo do nome mais eminente, o de seu irmão, que também foi o autor de uma epístola, que com toda probabilidade foi amplamente circulada antes desta aqui apresentada.

Evidência irrefutável

O fato de que (Judas 1:17,18) apela às palavras dos Apóstolos é prova conclusiva de que ele não é um dos doze: “Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências”.

Alguns escritores de renome alegam que isso não pode ser usado como evidência, pois seria normal um escritor falar na segunda ou terceira pessoa, como tantos são os exemplos encontrados principalmente no Velho Testamento. Concordo plenamente, exceto por um detalhe por demais esclarecedor que está em Pedro. O Apóstolo Pedro cita a mesma passagem de Judas, porém, há um detalhe assustador. Veja: “ Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador. Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências”, 2 Pd 3:2.

É exatamente o mesmo texto, mas com uma enorme diferença: Pedro fala das palavras que foram ditas “pelo nosso mandamento como Apóstolos do Senhor e Salvador”, mas Judas diz aos amados ouvintes que eles se lembrassem das palavras ditas “pelos Apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Esse apelo é mais natural em alguém que não esteve entre os doze. Portanto, nosso Judas aqui é o Judas de Mateus 13:55 e o Judas de Marcos 6: 3, não o Judas de Lucas 6:16 e muito menos o Judas de Atos 1:13. Esse é o Judas irmão do Senhor Jesus, irmão de Tiago, José e Simão, todos filhos de Maria e José. Eles não eram filhos de Alfeu, primos de Jesus, mas irmãos em sentido real.

Os irmãos de Jesus e os discípulos

Vamos agora caminhar por algumas passagens que mostram claramente os irmãos do Senhor separados dos discípulos. A primeira delas está registrada no Evangelho de Marcos, onde podemos ver a família de Jesus saindo para prendê-lo, pois acreditavam que ele estava fora de si.

Marcos diz que Jesus “subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, e para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios: A Simão, a quem pôs o nome de Pedro, e a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão;

E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão o Zelote, e a Judas Iscariotes, o que o entregou.

O versículo imediato revela que todos eles entraram numa casa: E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão”, Marcos 3:13-20.

O verso 21 nos diz que sua família foi atrás dele: “E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si”.

O grego aqui para “os seus” é “Par autou”, que significa “os pertencentes a ele”, ou seja: membros da sua família. O verso 31 finalmente nos revela quem eram esses: “Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar”. Claramente podemos ver os irmãos do Senhor do lado de fora da casa, enquanto lá dentro com Jesus estavam seus doze discípulos e, é claro, entre eles se encontravam, Tiago, filho de Alfeu e Judas. Está aí mais um texto que fala por si só, também não havendo necessidade de mais comentários se não fosse por um fato curioso. Observem o que acontece nos versos seguintes:

E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora. E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos? E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos. Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe”, vv 32-35

Por que Jesus evitou sua família retrucando que verdadeiramente sua mãe e seus irmãos são aqueles que fazem vontade de Deus? Não seria por que, além dos judeus, seus familiares não estavam fazendo a vontade de Deus?

O próprio Deus é quem sabe…

Falando para os irmãos e para os discípulos

No diálogo entre Jesus e seus em João 7:6,7 encontramos algo surpreendente: “Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto. O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más”.

Note que temos aqui mais uma pista nos revelando que Jesus não dialogava com nenhum discípulo quando estava diante dos seus irmãos. Veja novamente o que Jesus diz a eles “… O mundo não vos pode odiar”. Agora veja o que Jesus diz aos discípulos oito capítulos depois: “o mundo vos odeia” (João 15:19). Precisamos observar que Jesus não fala apenas com um de seus irmãos. O verbo indica que ele englobava todos que faziam parte do diálogo: “O mundo não vos pode odiar”. Assim, como fica evidente, o Tiago discípulo e filho de Alfeu não é o mesmo Tiago chamado de irmão de Jesus. Nem mesmo Judas, que é citado entre os doze é o mesmo Judas de Mateus 13:55.

Portanto, aí está mais uma evidência de que o Senhor apareceu redivivo para seu irmão Tiago, um dos incrédulos de João 7, que atraído pela ocasião começou a mostrar sua fé se juntando aos onze discípulos em oração. Vemos isso em Atos 1:13, 14. Ali é dito claramente que os que estavam no cenáculo eram: Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Essa tradução reconhece esse Judas como filho de um Tiago e não como irmão dele. No entanto, outra tradução baseada em melhores manuscritos o chama apenas de Judas Tiago e algumas outras o denomina de Judas Tadeu. O certo é que ele não tem parentesco algum com o Tiago filho de Alfeu. Além disso, no verso treze já vemos listados os nomes de onze apóstolos. Entre eles podem ser vistos Tiago de Alfeu e Judas. O problema, que não é dos menores, está no texto imediato, onde registra: “Todos estes [onze] perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele…”.

Simplesmente irrefutável essa situação onde presenciamos de forma explícita os irmãos de Jesus sendo citados separados dos discípulos. O nome deles? Sim, aqui estão: “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?” (Mateus 13:55). Os detalhes importantes são: “Sua”, quando identifica a mãe, e “Seus”, quando identificam os irmãos – Isso significa que todos estão entrelaçados como família de sangue.

Observe que temos listado quatro nomes aqui: Tiago, José, Simão, e Judas. Antes dos nomes se lê claramente: “Sua mãe e seus irmãos…”. Vemos a mesma formação textual em João 2:12, “sua mãe e seus irmãos” quando nos voltamos um pouco mais no ministério de Jesus: “Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”. Eis aí um versículo bem esclarecedor; os discípulos são vistos separados dos irmãos do Senhor: “… seus irmãos, e seus discípulos“.

Atente agora para estes detalhes: Mateus mostra “… sua mãe… seus irmãos…”, onde são listados os nomes destes.

João apresenta “… sua mãe, seus irmãos…”. Aqui está sem os nomes. Pelo fato dos nomes estarem registrados em apenas duas passagens dos Evangelhos – Mateus e Marcos – não deve significar que nas referências sem nomes não sejam as mesmas pessoas. Muito pelo contrário, por serem os mesmos citados nominalmente em um contexto não houve necessidade de nomeá-los novamente em outros. Podemos encontrar relatos semelhantes no Velho Testamento com José e “seus irmãos” e com Davi e “seus irmãos”. Algumas poucas passagens trazem os nomes dos irmãos de Davi e José, mas a maioria das outras referências aos mesmos, apenas dizem, “seus irmãos”.

Portanto, o que temos, por exemplo, em João 2:12 e Atos 1:13,14 poderia ser , de forma extremamente escancarada, o seguinte: “Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos [Tiago, José, Simão e Judas ] , e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”.

E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos [Tiago, José, Simão e Judas ]”.

Aí está o terceiro Tiago, caminhando ao lado dos outros discípulos. Agora, sendo mudado de forma tão extraordinária ao ponto de, mais tarde, se referir ao seu irmão como “nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor da glória” (Tiago 2: 1). Ele era filho de José com Maria, provavelmente mais velho que os outros três irmãos, porém, mais novo que Jesus, que foi o primogênito:

E José… não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito…”, Mateus 1:25, que para desespero de muitos a tradução da NTLH e a NVI vertem o verso como seguem:

“Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus”.

“Porém não teve relações com ela até que a criança nasceu. E José pôs no menino o nome de Jesus”.

O uso da palavra “conhecer” é um eufemismo comum para relação sexual. O “até que” deve significar que José e Maria não tiveram relações sexuais antes do nascimento de Jesus. O “até que” não implica que eles jamais tiveram relações sexuais, mas confirma o fato de que, onde a frase seguida de um negativo ocorre, indica que a ação negada teve lugar mais tarde. O coito subseqüente foi inevitável, pois acompanhava necessariamente o curso natural da relação entre marido e mulher.

Conclusão

Portanto, depois do que foi aqui explanado, podemos firmemente concluir que o Jesus ressuscitado apareceu mesmo foi para um de seus irmãos incrédulos, Tiago, mas não o discípulo e filho de Alfeu e sim seu irmão legítimo, filho de sua mãe, o qual o salmista já profetizava como alguém que estaria nas fileiras daqueles que por algum tempo duvidariam do ministério do Senhor: “Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe”, Salmos 69:8.

As duas sentenças foram registradas para não deixar nenhuma dúvida: “Meus irmãos… FILHOS da MINHA mãe…”. O texto não faz alusão a Davi. O Salmo 69 e um salmo messiânico. Um dos vários que incluem palavras proféticas sobre o filho de Deus. Preste atenção em outro verso do mesmo salmo: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre”, v 22.

Os textos falam por si só não havendo necessidade de interpretação.

Deus seja louvado!

 

Paulo e as tradições do Catolicismo

Observem este discurso do apologista católico Rafael Rodrigues:

“Sendo a Sola Scriptura uma doutrina que já se torna auto-refutável por não haver na Bíblia nenhum versículo que a prove, seus adeptos hoje tentam usar-se de malabarismos exegéticos para poder explicá-la, negando assim a tradição oral, que é ensinada pela própria bíblia, colocando o valor desta como inútil para o Cristão.

Também tentam fazer uma exegese barata das palavras de Paulo, (II Tes. 2,15; II Tes 3,6) dizendo que tal Tradição Oral que Paulo fala nada mais é que o próprio conteúdo da bíblia, ora Paulo fala claramente “tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta”, será que é difícil entender? Paulo iria colocar o que falou e o que escreveu em pé de Igualdade? Não poderia ele simplesmente falar de um só já que são os mesmos, ele precisaria especificar diferenças?”

Você pode encontrar seu artigo no site Apologistas Católicos com o título: 2 Timóteo 3,16-17 & 1 Coríntios 4, 6 e a Sola Scriptura

Ele acrescenta: “… Paulo insiste a Timóteo em II Timóteo 1, 13 “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus”. É o que Timóteo ouviu de Paulo que é chamado de “bom depósito”, mostrando que a mera audição da palavra da boca de Paulo deixou uma marca indelével na consciência de Timóteo e serviu de base para a sua compreensão do evangelho e sua missão de ser um homem de Deus completo. Da mesma forma, em II Timóteo 2, 2, Paulo diz: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.” Mais uma vez, mesmo que as Escrituras estivessem à sua disposição, Timóteo iria confiar tanto ou mais no que ele “ouviu” de Paulo”.

Esse outro artigo está no mesmo site com o título: 2 Timóteo 3, 16-17 ensina a Sola Scriptura?

Minha refutação

Como fica evidente, e é tradição mesmo, e das piores, a apologética católica luta contra as Escrituras somente para promover a sua tão confusa “sagrada tradição”. Não encontrando na Bíblia apoio para seus inúmeros dogmas, então nada melhor do que negar a suficiência da própria em detrimento de palavras que jamais foram escritas em livro nenhum, mas posteriormente registradas pelos sucessores dos apóstolos. Por exemplo: Paulo jamais escreveu uma linha sobre a mediação dos santos falecidos, mas eles garantem que esse dogma, como muitos outros, está inserido dentro das tradições aludidas pelo apóstolo nos textos citados acima pelo apologista mariano, mas que ficaram apenas na forma oral entre os cristãos da Igreja Primitiva – nada foi registrado. 

Vamos abrir aqui os textos que ele citou. E vou acrescentar mais um, pois este também é usado de apoio para a tradição católica romana. Falo de 1 Coríntios 11:1, 2, que diz: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo; de fato, eu vos louvo, em tudo, porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”.

Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu”. (2 Tessalonicenses 3:6)

Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra seja por epístola nossa”. (2 Tessalonicenses 2:15).

Sobre estes três versículos repousa todo o edifício da tradição do Catolicismo. Porém, nem um deles se refere à tradição católica romana conforme ela tem se desenvolvido através dos séculos, desde os dias dos apóstolos. Isso fica claro quando examinamos o contexto, quase sempre ignorado pelos católicos e abandonado pelos protestantes porque acham difícil de refutar.

Vamos iniciar a refutação por 2 Tessalonicenses 3:6, que diz: “Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu”.

No capítulo anterior de sua epístola, Paulo avisa sobre aqueles que estavam ensinando que a segunda vinda era iminente (2 Tess. 2:2), e estes tinham aparentemente anunciado alguns enganos à Igreja em Tessalônica, cessando sua labuta diária. Consideravam que o Senhor pudesse voltar a qualquer momento não havendo assim necessidade de trabalhar. Paulo deixou bem claro no capítulo 2 que este tipo de ensino foi um erro, e ele detalha eventos que primeiro devem ter lugar antes de Cristo retornar (2 Tess. 2:3-12).

Os que são mais conservadores no catolicismo até conseguem visualizar no texto uma forte permissão que os proteja dos evangélicos, expressa em rejeição “legítima” àqueles que não observarem as tradições católicas quando são exortados a “… se apartar de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu”.

A Apologética Católica é forçada a interpretar essa passagem de uma forma completamente absurda: “Àqueles entre os cristãos primitivos que não cressem na intercessão dos santos, no purgatório, nas indulgências e no pontificado de Pedro e outros dogmas romanos era para os irmãos desviarem-se deles.”

O que realmente Paulo ensinou quando examinamos o contexto? Imediatamente após exortar a Igreja a se apartar dos que andavam desordenadamente, dos que não andavam segundo a tradição que dele receberam, Paulo os lembra de como devem imitá-lo: “ Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós”, v,7. Parece que as  tradições podem ser encontradas na vida de Paulo. Vamos descobrir. Note que após citar a frase, “vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente”, ele faz a junção com, “e não segundo a tradição que de nós recebeu”. Observe também a palavra porque, ou, por esse motivo“. Isso deve significar que  a palavra  une as tradições ao exemplo de Paulo. Observe os dois versículos juntos com uma pequena modificação no significado de porque: Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. Por esse motivo  vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós”.

O detalhe é claro, pois mostra que ele não falava de doutrinas católicas romanas. Vamos descobrir que Paulo tem em mente outro tipo de tradição. Além disso, outro detalhe no texto revela algo interessante: “vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente…”. A repreensão não foi  por causa de negligência aos dogmas supostamente católicos, mas sobre o comportamento desordenado de alguns no seio da Igreja. Eles deveriam seguir o exemplo de Paulo (tradição de Paulo), andando com ordem no que diz respeito ao trabalho para sustento de suas vidas. É o que ele esclarece nos textos que se seguem: “POIS vós mesmos estais cientes do modo por que vos convém imitar-nos (seguir nossa tradição), visto que nunca nos portamos desordenadamente entre vós…”.

Preste atenção amigo católico nos versos seguintes. Paulo lhe dá uma aula sobre o que é  andar ordenadamente – que é a tradição  citada no verso seis: “não comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós; não porque não tivéssemos esse direito, mas por termos em vista oferecer-vos exemplo (tradição) em nós mesmos, para nos imitardes. Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma “, 2 Tess 3:7-10.

Eis aí a tradição mencionada por Paulo!

Paulo exorta a Igreja de Tessalônica que se lembre do contraste entre ele – que não andou desordenadamente – daqueles que andavam desordenadamente. E para isso deveriam observar as tradições deixadas por ele. Isso tem a ver com os exemplos de Paulo, sua disciplina entre os tessalonicenses. Paulo lembra aos Tessalonicenses que quando estava com eles não quis viver ociosamente, aceitando doações de caridade de membros da igreja, mas pagou um preço justo, até mesmo por suas refeições. Ele fez isso apesar de ter direito ao sustento como pregador da Palavra. Ele queria que os ociosos seguissem essa tradição, a qual lhes havia passado de forma oral quando estava no meio deles. E aqui ele as transforma em palavra escrita: “Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos (dissemos) isto, que, (aqui ele transforma em escrita o que  havia dito) se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem”, vv 10-13.

Paulo retoma e amplia sobre o que ele disse no versículo 6: “Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão”, vv 14,15. Caro leitor observe o detalhe terrível para àqueles que sustentam a tradição oral: “… se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta”.

A tradição estava escrita na carta!

Paulo estava lembrando a forma como ele conduziu os Tessalonicenses quando estava com eles. Ele era auto-suficiente, trabalhando diligentemente para ser produtivo e ganhar uma renda e sustentar ele próprio e os que o acompanhavam no seu ministério. Está aí a tradição que Paulo fala no verso seis, que era um contraste com a ociosidade de muitos ali naquela Igreja.

Paulo nada alega sobre algum tipo de doutrina romana passada de forma oral, pois ele esclarece na carta o conteúdo dessas tradições. O motivo da exortação não significava que os que andavam desordenadamente estavam deixando de colocar em pratica algum dogma católico romano. Paulo mesmo esclarece que não se tratava disso ao usar seu próprio exemplo: “Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nospois que não nos houvemos desordenadamente entre vós”, v 7. Andar ordenadamente era seguir a tradição de Paulo. Não era uma alusão a dogmas entregues em oculto, mas a disciplina de Paulo “… para vos dar em nós mesmos exemplo para nos imitardes”, v 9. Portanto, o proceder de Paulo, seu  exemplo de vida e disciplina era a tradição que deveria ser seguida!

Vou fazer aqui uma recapitulação, pois é muitíssimo  importante atentar para este contexto. É por demais sublime a riqueza de detalhes que nos revelam o que eram essas tradições. Observe novamente como Paulo esclarece de maneira explícita o conteúdo das mesmas. Eu vou encurtar o início do contexto para que você tenha uma ideia do que Paulo desejou dizer: “…  a tradição que de nós recebeu: não nos houvemos desordenadamente entre vós, nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós.

Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes.

Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs”. 

Paulo escreveu aborrecido sobre aqueles que andavam desordenadamente “… Fazendo coisas vãs…”. Eram malandros boa vida, preguiçosos que comiam à custa dos outros. O problema destes não era que estavam deixando de praticar a oração pelos mortos, crer na intercessão dos santos ou mesmo negligenciando as novenas, deixando de celebrar a primeira comunhão e negando-se a fazer peregrinações na casa de Maria. 

O que eram essas coisas vãs?  Leia: “… ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando“, v 11. E  em seguida ele  passa a estes sua propria tradição – que trabalhem: “A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão”, v12. 

As tradições aludidas por Paulo neste contexto não podem ser uma referência à dogmas transmitidos de geração em geração. Paulo está falando de uma “tradição” para a necessidade dos Tessalonicenses naquele momento recebida e passada em primeira mão. Dessa forma Paulo encerra a  epístola – ele está fazendo um resumo. E, uma vez mais, ressalta a importância do ensino que os tessalonicenses tinham recebido diretamente de sua boca. A “tradição” que ele passa aqui é um ensino  decisivo, segundo a qual qualquer pessoa que se recusar a dar-lhe atenção e não viver de conformidade com ela, deverá ser rejeitada pela comunidade. 

Não é possível vislumbrar vestígio algum da tradição católica romana com seus dogmas na epístola.  Eles tinham que obedecer pela carta: “… se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal…”. Não há nada na carta que nos remeta a algum dogma do Catolicismo.

Portanto, essas tradições se referem a disciplina que ele passa a Igreja. Neste contexto ele também tem algo para este povo específico, os Tessalonicenses. Havia problemas na Igreja e Paulo tentou corrigir, lhes dando o próprio exemplo (tradição) de como deveria se comportar um cristão nesta situação. 

É por demais sério quando Paulo diz que os faltosos deveriam ser corrigidos segundo as palavras contidas na carta. Este é um problema enorme para a dogmática católica romana, que defende a tese de que aqui Paulo discorria sobre os seus tantos dogmas, os quais foram passados aos Tessalonicenses por tradição oral. Muito pelo contrário, Paulo estava falando de doutrina simples e prática, sobre administração em geral, a responsabilidade de um homem de trabalhar e prover para sua família em sua disciplina pessoal na vida diária. Essas verdades são agora parte da Escritura, em razão da inclusão de Paulo nessa epístola. Assim, ele encoraja os crentes de Tessalônica, tão somente “para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes…” (verso 9), e não que lhes havia ensinado em oculto algum dogma sobre Maria Imaculada, O purgatório, Os sacramentos, Missas de sétimo dia, Missas para as almas do purgatório, hóstias e vinho, intercessão de santos falecidos ou qualquer outra doutrina anunciada hoje pela Igreja Católica que contradiz os ensinos escritos.

Com relação à tradição oral que permeou a Igreja por uns tempos, pode ser dito o seguinte: é óbvio que Paulo, como alguns escritores do Novo Testamento, registrava o que havia já transmitido oralmente para a Igreja.  À luz de todo o contexto, fica impossível ser demonstrado que a tradição atual da Igreja Católica foi primeiramente ensinada por alguns dos Apóstolos primitivos. Além disso, é provado pelos próprios Apóstolos que muito daquilo que ensinaram por via oral foi escrito por eles posteriormente. Paulo, em 1 Coríntios 11:23 afirma: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei“. Ainda em 2 Tessalonicenses 2: 5, ele declara “Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas?” Ele estava passando a Igreja o que antes havia comunicado oralmente e ao mesmo tempo estava  dando mais compreensão.

Semelhantemente, temos no contexto de Tessalonicenses aqui em discussão o mesmo método. Paulo lembra: “Quando ainda estava convosco, vos ordenamos (oralmente) isto…”, (verso 10). Pedro faz o mesmo: “Mas de minha parte esforçar-me-ei diligentemente por fazer que, a todo tempo mesmo depois da minha partida, conserveis lembrança de tudo” (2 Pedro 1:15). O que fizeram foi registrar o que passaram por transmissão oral. Certamente isso foi feito para que não se corrompessem, ou mesmo esquecessem o que aprenderam.

Vamos agora para 2 Tessalonicenses 2.15: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”.

Há algo no texto que passa despercebido por muitos. Paulo fala de tradições orais e escritas. Veja: “guardai as tradições… seja por palavra, seja por epístola nossa”. Tradições nas epístolas! Quem esperava por essa? A propósito, por que não temos nenhuma tradição católica nas epístolas? Devemos crer que nenhuma delas jamais foi escrita em epístola nenhuma?

A palavra grega para tradições aqui é “paradosis”. Nitidamente, o apostolo está falando de doutrina ( ou ensino, preceito e instruções ), e não há como negar que a doutrina que ele tem em mente é a verdade autorizada e inspirada. Portanto, o que é essa tradição inspirada que os crentes receberam por palavra? Não está ela antes apoiando a posição católica? Não, não está. Outra vez, o contexto é essencial para uma compreensão clara do que Paulo está dizendo.

Vemos aqui que os tessalonicenses tinham sido claramente enganados por uma carta forjada, supostamente do apóstolo Paulo, dizendo-lhes que o Dia do Senhor já tinha chegado (2 Ts 2.2). Evidentemente, toda a igreja ficou desapontada com isso e o apóstolo estava ansioso por incentivá-la. Primeiro, ele desejava advertir os fiéis a não serem logrados por “verdade inspirada” mentirosa. E disse-lhes então claramente como reconhecer uma epístola genuína dele a qual seria assinada por ele mesmo: “A saudação é de próprio punho: Paulo. Este é o sinal em cada epístola; assim é que eu assino“.

Veja agora de que doutrina trata a epístola: “ORA, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se viesse de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição”, 2 Ts 3:1-3.

Paulo, além de proteger seu ensino oral dado anteriormente sobre isso, vem agora e o transforma em palavra escrita. Ele fecha  a  epístola dizendo: “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”.

Atente para o início do versículo: “Então, irmãos, estai firmes…”. Estar firme tendo base em que? O motivo tem que estar na carta! É muito importante o significado da palavrinha “então”. A expressão “então” entrega todo o contexto, concluindo o assunto em pauta, que é esclarecer erros sobre a Segunda Vinda do Senhor, e não que ele aludia aos tantos dogmas da Igreja Católica.

Caro leitor, insisto, o contexto trata da Vinda de Jesus. Não importa se Paulo fala sobre instruções dadas  “por palavra ou por epístola nossa” que o assunto do contexto não muda para dogmas católicos romanos, mas permanece sobre as  correções em relação ao retorno do Senhor. A propósito, por que o apóstolo lembraria aos tessalonicenses sobre os tantos dogmas católicos romanos passados de forma oral justamente no meio de um assunto que envolve a volta de Jesus?

Observe novamente a terrível contradição. Como vimos, a epístola corrige erros sobre a parousia: “ORA, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis…”. Em seguida ele diz o que deve acontecer antes dessa Vinda. Mas, de repente – segundo a dogmática romana –  aparece o Apóstolo e lembra aos tessalonicenses sobre os dogmas católicos romanos que lhes foi passado de forma oral: “Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”. A proposta católica não faz sentido!

Na verdade, Paulo queria assegurar-se de que os tessalonicenses não fossem ludibriados novamente por epístolas forjadas. Entretanto, mais importante ainda, ele queria que eles se apegassem ao aprendizado que haviam recebido dele. Ele já lhes havia dito, por exemplo, que o Dia do Senhor seria precedido da apostasia e da revelação do “homem da iniqüidade, o filho da perdição“. “Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos Estas cousas?” (2 Ts 2:5). Eles estavam agora recebendo por epístola o que haviam recebido por palavra. Ele estava ordenando-lhes que recebessem como verdade infalível somente o que tinham ouvido diretamente de seus lábios.

Está aí mais uma evidência explícita contra a  insistente argumentação católica  de  que os Apóstolos ensinavam oralmente preceitos ou doutrinas de forma diferente do que escreveram: “Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos Estas cousas? A  Palavra  escrita  é que prevalece.

Desde o começo, os tessalonicenses não tinham aceitado a mensagem do evangelho tão nobremente como os crentes de Beréia, que “receberam a palavra com toda a avidez examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram, de fato, assim” (At 17.11).

É altamente significativo que os crentes de Beréia fossem explicitamente apreciados por examinarem a mensagem apostólica à luz da Escritura. Eles tiveram a prioridade correta: a Escritura é a regra suprema de fé pela qual todas as demais coisas devem ser testadas. Inseguros a respeito de poderem confiar na mensagem apostólica que, a propósito, era tão inspirada, infalível e verdadeira como a própria Escritura os ouvintes de Beréia removeram todas as suas dúvidas por terem comparado a mensagem com a Escritura. Entretanto, os católicos romanos são proibidos por sua igreja de seguirem o mesmo caminho. Portanto, qual é o apoio que estes versículos podem dar a Tradição Católica? Nenhum! Quando as passagens são analisadas no contexto a tese católica evapora-se diante dos nossos olhos!

Tradições na Igreja de Corinto 

Sede meus imitadores, como também eu de Cristo. De fato, eu vos louvo, em tudo, porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”, I Cor 11:1, 2.

Sede meus imitadores… lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”.  Isso soa familiar; como em 2 Tessalonicenses 3:6, também aqui aos coríntios, Paulo está se referindo as tradições transmitidas para disciplina na Igreja. Essa “tradição” não é outra senão parte das instruções e doutrinas que os coríntios tinham ouvido diretamente dos lábios do próprio Paulo durante seu ministério naquela igreja. Os coríntios tiveram o privilégio de ouvi-lo por um ano e meio (At 18.11).

Observe que no versículo em discussão Paulo diz se alegrar porque a Igreja lembrou-se dele. Note também no texto, que após encorajar os coríntios a imitá-lo, ele diz: “… porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”. Os coríntios lembraram-se de Paulo porque este havia lhes passado a doutrina da confissão auricular? Ou a doutrina da intercessão dos santos? Quem sabe lembraram-se de Paulo porque ele lhes disse que Pedro era o príncipe dos apóstolos tendo sua cátedra em Roma? Não foi nada disso!

Conforme os textos anteriores e os posteriores à 1 Coríntios 11:1, 2, descobriremos que as tradições para  serem  observadas não estavam ligadas a nenhum dogma católico.  Basta que se leia o contexto final do capítulo 10, que são três versículos antes do texto aqui em debate: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”. 1 Cor 10:31-33

Paulo discorre sobre assuntos de comida sacrificada a ídolos, alertando como deve se comportar o cristão diante dessa situação. E alguns versículos depois ele fala sobre ser o homem cabeça da mulher, que a mulher não deve tosquiar-se e nem orar com a cabeça descoberta. E entre essas duas instruções, Paulo escreve: “… porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”.

Portanto, deve-se perguntar a dogmática católica romana onde foi que encontraram neste contexto, seja nos versículos anteriores e posteriores, defesa para seus tantos dogmas. O verso aqui em discussão está entre dois assuntos que nada tem em comum com dogmas, mas eram tradições – preceitos a serem seguidos – para que os crentes de Corinto pudessem  “se comportar  de modo que não dessem escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus”, 1 Cor 10:32. Itálicos meus.

Repetindo:  Nos detalhes  que vem no final do capítulo 10 de 1 Coríntios  Paulo alerta os crentes sobre comidas sacrificadas a ídolos:

Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”, vv 31-33. Agora veja novamente o primeiro verso do capítulo 11:  “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo. De fato, eu vos louvo, em tudo, porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei.” Veja agora os versículos posteriores a este: “Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.  Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.

Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu. O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.  Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem”.

Algum vislumbre de tradição dogmática católica? Portanto, nada mais absurdo do que acreditar que Paulo inclui doutrinas católicas romanas no texto central se os  textos anteriores e os posteriores tratam de assuntos completamente diferentes daqueles que o catolicismo propõe.

Em “Sede meus imitadores …  lembrem-se de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei“, Paulo os encoraja a guardar as tradicões de como um cristão deve se comportar diante das comidas sacrificadas a ídolos e outras coisas. Obviamente ele não pode mesmo estar discursando sobre doutrinas e dogmas do catolicismo.  Porém, o pior não é isso. O pior chama-se  tradução bíblica. A Bíblia Ave Maria, uma tradução católica,  omite a palavra tradições: “Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo. Eu vos felicito, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais as minhas instruções, tais como eu vo-las transmiti”.

A Bíblia de Jerusalém em espanhol: “Sed imitadores de mí, así como yo de Cristo. Os alabo, hermanos, porque en todo os acordáis de mí, y retenéis las instrucciones tal como os las entregué”.

A Bíblia do Peregrino, que é católica, também  omite a palavra tradições: “Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo. Ora, eu vos louvo, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais os preceitos assim como vo-los entreguei”.

A dogmática católica, além de ter um inimigo implacável que é o contexto bíblico, ainda tem que lidar com outros inimigos: suas próprias traduções.

Palavras de Paulo a Timóteo

2 Timóteo 1:14, que diz: “…Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo JesusGuarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós” e 2 Timóteo 2:2, onde podemos ler: “ E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”. 

Assim, para eles, as sãs palavras de Paulo passadas a Timóteo  deveriam ser guardadas num depósito, é claro, da tradição oral. Além disso, podemos ver no texto que aquilo que  foi passado oralmente por Paulo foi feito diante de MUITAS testemunhas, mas o Catolicismo afirma insistentemente que mesmo assim, apesar de MUITOS terem recebido os tais dogmas, ninguém escreveu, ficou TUDO oculto nas masmorras da tradição oral: Doutrinas como Pedro e seu pontificado em Roma, a posição exaltada de Maria na Igreja, a intercessão dos santos falecidos, penitência, celebrar  missa para mortos do purgatório, adorar imagens, infalibilidade dos bispos romanos  e outras, supostamente escondidas dentro das “sãs palavra” de Paulo. Isto é, nem Paulo, e muito menos Timóteo, juntamente com as MUITAS testemunhas somados aos outros que Timóteo deveria ensinar, jamais escreveram uma linha sequer.

Amigo leitor, insisto, a dogmática católica romana propõe que tudo foi comunicado apenas de forma oral. Eles tentam dizer que a Igreja Primitiva acreditava e vivia o seu culto diário colocando em prática todos os dogmas católicos romanos, mas sem registrá-los. Ou seja, a busca pela intercessão dos santos falecidos, as novenas, as missas de sétimo dia e as missas pelas almas do purgatório eram constantes da vida da Igreja, porém, segundo o Catolicismo, Paulo passou esses detalhes para Timóteo apenas de forma oral, e o fez diante de muitas testemunhas. No fim da história, uma quantidade enorme de cristãos celebravam missas pelos mortos e faziam intercessões ao São Daniel, mas nunca registraram nada em livro nenhum.

Não balance a cabeça achando que isso é ficção; não é, são fatos reais. Observe que  Timóteo foi encorajado  a passar coisas desse tipo à  homens  idôneos para que estes  ensinassem a outros, mas o Catolicismo não aceita nada de forma escrita. Talvez eles queiram insinuar que Paulo foi muitíssimo discreto com os dogmas romanistas: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”. O Apóstolo  prefere fazer referência aos MUITOS  dogmas católicos de uma forma muito estranha: “O que de mim ouvistes”. Mas não para aqui não. Eles acreditam também que Paulo nomeia  toda essa doutrinária confusa como “sãs palavras” e novamente  encoraja Timóteo a transferir  tudo para dentro de um baú enorme e os depositar  ali. Veja: “… Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós”, 2 Tim 1:14.

Observem  bem para onde  levaram a  conclusão de suas argumentações  – a dogmática católica é a única culpada por isso.  Eles responsabilizam os Apóstolos  originais  de manterem os dogmas apenas de boca em boca, como também os responsabilizam por não fazerem registros dos cristãos envolvidos com tais dogmas. Percebeu prezado leitor? Até a crença prática na Igreja Primitiva  ficou na tradição oral – a situação é mais grave do que se pode imaginar.  As  “sãs palavras” foram tão bem escondidas nas masmorras da tradição que ficou  impossível  encontrar algum registro de cristãos primitivos mandando celebrar missas de sétimo dia para seus falecidos, fazendo intercessão ao São Moisés, venerando imagens, envolvidos com relíquias e vários outros.

A apologética mariana quer nos convencer que apesar de não haver registros de suas doutrinas – nem na vida da Igreja Primitiva (vide o livro de Atos), elas pelo menos existiam embutidas nestes textos citados. Elas estão escondidas dentro das palavras de Paulo para Timóteo, que também passou para as muitas testemunhas de forma oral. O depósito católico romano foi conhecido apenas de boca em boca. Nada foi registrado. Terrível o que eles tentam insinuar. As argumentações do católico,  no fervor de defender sua doutrina, acabou mutilando a Bíblia de uma forma tão violenta que só os mais desavisados é que não percebem. Seu discurso demonstra total falta de conhecimento da revelação nas Escrituras Sagradas.

Uma análise sobre o depósito de Timóteo 

Aqui está o texto completo: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós”, II Tim 1:13,14.

Eles amam  palavras como falar e ouvir – os remete para a tradição oral, não vivem sem ela. Porém,  o problema é que tem que tirá-las de cartas escritas, e escritas por um homem que escreveu 14 epístolas. Perceberam os argumentos que nos dão para refutar a contradição? Eles procuram naquilo que está escrito defesa para aquilo que não ficou escrito. Se pudessem eles desapareceriam com as Escrituras. Veja as palavras do apologista citadas no início: “… Mais uma vez, mesmo que as Escrituras estivessem à sua disposição, Timóteo iria confiar tanto ou mais no que ele “ouviu” de Paulo”.

É o fim do mundo!

Ele teve a ousadia de dizer por entrelinhas que os bereianos agiram de forma esquivocada, pois eles examinavam nas Escrituras se o que Paulo dizia estava correto: “E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus.  Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim“, Atos 17:10,11.

Pior do que isso é o contexto, inimigo número um dos apologistas católicos. Vamos  ao contexto dessa passagem. Vou iniciar do verso 3 até o presente versículo. Observe se podemos notar algum vestígio de dogmas romanos como a causa das palavras finais de Paulo a Timóteo: “Conserva o modelo das sãs palavras… guarda o bom depósito…”.

2 Timóteo 1:3-14

Dou graças a Deus, a quem desde os meus antepassados sirvo com uma consciência pura, de que sem cessar faço memória de ti nas minhas orações noite e dia;  Desejando muito ver-te, lembrando-me das tuas lágrimas, para me encher de gozo;

Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti. Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos.

Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação. Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus,

Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos; E que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho;

Para o que fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios. Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.

Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós”.

Como pode ser observado Paulo escreve de sua prisão em Roma. Isso é importante para entendermos todo o contexto. Note que encontramos duas vezes mencionado o vocábulo depósito. A primeira no verso 12, onde significa a confiança do Apóstolo em Deus, que não falta em suas promessas. Todos os seus trabalhos, seu ministério, todos os seus sofrimentos culminados agora em sua prisão em Roma nas vésperas de sua morte, se constituíram num riquíssimo depósito entregue nas mãos do Senhor.

A segunda menção da palavra depósito encontra-se no verso 14. Para qualquer leitor desprovido de preconceitos, esta passagem bíblica no panorama das relações de Paulo com Timóteo, salienta o cuidado especialíssimo do Apóstolo em preservar o depósito  isento de macular-se com as fábulas e doutrinas vãs.

Quem é familiar com as Escrituras sabe muito bem das lutas de Paulo com falsos irmãos (Gal 2:4) e, como muitas vezes teve ele problemas com os judeus que contradiziam sua pregação, transtornando as almas dos crentes com suas palavras (Atos 13:45; 15:24) deturpando a pureza do Evangelho. Porém, Paulo não estava sozinho, ele contava com a cooperação de Timóteo, por isso instruía o jovem pregador da melhor forma possível. Motivo pelo qual ele escreve ao seu aluno Timóteo exortando-o  à fidelidade na guarda desse depósito  divino, que é a doutrina do Evangelho, não permitindo, em hipótese alguma, que fosse manchada com  retoques, desvios ou fábulas.

Certa ocasião, enquanto foi à Macedônia, Timóteo permaneceu em Éfeso para advertir alguns que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, (1 Tim. 1:34).

Para preservar  o «bom depósito»,  competia a Timóteo atender aos apelos de Paulo, como segue: “… aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino” (1 Tim. 4:13),  “tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”  (1 Tim.4:16) e “procura apresentar-te a Deus aprovado, como operário que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (2 Timóteo 2:15).

O depósito de Timóteo foi acumulado com muita leitura e estudo das Escrituras, e não apenas com instruções orais, pois o contexto não fala de tradição oral – nada  tem em comum com doutrinas e dogmas católicos romanos. É o que Paulo confirma em outra exortação semelhante ao mesmo Timóteo:

Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tem horror aos clamores vãos e profanos e às obrigações da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé (1 Tim. 6:20 e 21).

Paulo também suplica-lhe que rejeite «as fábulas profanas e de velhinhas caducas» (1 Tim. 4:7) e assemelha a “Janes e Jambres que resistiram a Moisés os que resistem à verdade, sendo homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto a fé” (2 Tim. 3:8).

E agora, nas vésperas de sua morte em Roma, donde remetera esta Carta a Timóteo, ele pede: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste. E que desde a infância sabes as Sagradas Letras que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tim 3:14-16).

Como podem ver  está tudo escrito. Todas as instruções foram feitas em forma escrita. No entanto, depois de ver registrado a  enorme preocupação do Apóstolo exortando Timóteo a aplicar-se a leitura e continuar meditando nas sagradas Escrituras, a apologética católica tem a ousadia de insinuar que Paulo entregou ao jovem, sem escrever uma só linha, as tantas doutrinas reclamadas hoje pelo catolicismo.

Todas as recomendações de Paulo visavam exatamente preservar a pureza do Evangelho, a genuinidade da doutrina, a fidelidade na guarda do «bom depósito»  contra a intromissão de ensinamentos espúrios por parte dos judaizantes insubordinados e impostores, bem como de outros inovadores e corruptores.

Perceberam que Paulo não tinha necessidade alguma de  instruir Timóteo a preservar doutrinas católicas romanas de forma oral? Os judaizantes e os impostores não estavam  em  combate com Paulo e a Igreja por causa da intercessão de santos falecidos, veneração de imagens, novenas, purgatório ou qualquer outro dogma católico. Basta ler o Livro de Atos para perceber  porque eles  lutavam contra Paulo e a Igreja: Não havia vestígio nenhum  de doutrina católica romana!

Pelo contrário, os textos que a dogmática católica apoia para defender sua tradição não a  favorece de forma alguma, mas apenas servem para corromper o bom depósito. Por esse motivo eles incorrem  em anátema, segundo a  advertência de Paulo  aos falsos irmãos, quando escreveu aos gálatas: “… se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gál. 1:9). 

É de pasmar quando vemos que toda a teologia católica romana  esteja lastreada sobre essa base de areia movediça. E de pasmar mais ainda, é ver que  através dos séculos a tradição tem se  constituído na arma mais eficaz da apologética católica para desviar as almas da verdadeira revelação das Escrituras Sagradas.

Última edição em 21/10/2017