O Anticristo em 70 DC

Segundo a doutrina preterista, o Anticristo, que é a besta, e o falso profeta, já foram lançados vivos no lago de fogo.  Apocalipse 19 afirma que esses homens foram finalmente destruídos depois que o Senhor Jesus julgou Jerusalém em 70 dC: “Caiu, caiu, a Grande Babilônia” (Ap 18:2).

Para os preteristas, essa passagem descreve a queda de Jerusalém em 70 dC, a qual eles chamam de Babilônia. Essa deve ser a teoria aceita se seguirmos a cronologia dessa confusa doutrina. Leiam o que aconteceu logo depois da suposta destruição de Jerusalém: “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (Apo 19:20). O destino deles está no capítulo seguinte, o 19, que começa dizendo: “… E, DEPOIS destas coisas …” (Ap 19:1).

O preterista é obrigado a admitir que isso aconteceu imediatamente após a derrocada da Cidade Santa. Precisamos apenas unir as passagens dessa forma: “… E, DEPOIS destas coisasa besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre

Para a maioria dentro do Preterismo a besta era o imperador romano Nero ou mesmo seu sucessor. Mas Nero suicidou-se dois anos antes de Jerusalém ser destruída. Na verdade, Jerusalém foi destruída sob o imperador romano Vespasiano, não Nero. Além disso, nem Vespasiano e nem o seu general, Tito, foram mortos em Jerusalém com seus corpos “lançados vivos no lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 19: 20).

Deixe-me explicar melhor para que você tenha uma visão mais precisa. Se o capítulo 18 trata da destruição final de Jerusalém, a Grande Cidade, a Grande Babilônia, como ensina a escola preterista, obviamente devem eles concordar que a besta e o falso profeta, que aparecem finalmente destruídos em Apocalipse 19, são os mesmos mencionados em todo o Livro profético. Além disso, eles são forçados a identificar estes indivíduos como sendo ditadores romanos. Assim, se seguimos esta tese devemos concluir que estes personagens reais foram “lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre” (19:20) imediatamente após a derrubada de Jerusalém em 18:2.

Se observarmos no capítulo 19 descobrimos que a besta e o falso profeta foram instrumentos do julgamento de Cristo que havia supostamente voltado.  Quem os julga e os lança no lago de fogo é o próprio Jesus na manifestação da sua Segunda Vinda, a qual os preteristas vergonhosamente alegam já ter ocorrido. Portanto, deve-se perguntar: Quem era o falso profeta e o anticristo nessa ocasião? Uma vertente dessa doutrina já declarou que ele foi o imperador romano, Nero.

Essa loucura preterista não termina aqui; muitos chegaram ao absurdo de interpretar que a besta e seus exércitos avançam vindo de Roma contra Jerusalém, mas isto dificilmente pode ser verdade, pois Tito ( onde estava Nero? ) e seu exército foram os vencedores em 70 dC, enquanto Apocalipse diz que “a besta, e os reis da terra, e os seus exércitos reunidos para fazerem guerra àquele que estava assentado sobre o cavalo, e contra os seus exércitos” (Apocalipse 19:19), foram os perdedores.

Perguntas que precisam ser respondidas pelos Preteristas

A teoria preterista passada não corresponde aos fatos, pois a queda de Jerusalém em 70 dC não extinguiu o anticristo. Nem a morte da “besta” (que segundo a interpretação destes tem que ser Nero), e nem os milhares de judeus mortos no cerco de Jerusalém, pôs fim ao anticristo.

E tenha em mente: O falso profeta e o anticristo, que aparecem nos capítulos anteriores de Apocalipse 18, capítulo que trataria da queda de Jerusalém, são vistos no capítulo 19 sendo lançados no lago de fogo.Se Apocalipse 18 já teve cumprimento, mas Apocalipse 19 não, então essa aberrante doutrina está com um enorme problema para resolver. E pior, se garantem que Apocalipse 19 já teve cumprimento eles precisam provar que Jesus já retornou, pois esse capítulo, entre outras coisas, trata da sua Segunda Vinda do Senhor.

Segue abaixo alguns questionamentos para o Preterismo

1. Será que os que habitavam na terra antes da destruição de Jerusalém se maravilharam com Nero se recuperando de uma ferida mortal (Apocalipse 13:3)?

2. Será que Nero, ou qualquer anticristo romano, teve um falso profeta com dois chifres como um cordeiro (Ap 13:11, 12), fazendo com que todo o mundo o adorasse?

3. Será que Nero teve um falso profeta, que produziu um espetáculo cósmico fazendo fogo cair “do céu à terra, à vista dos homens” (Apocalipse 13:13)?

4. Será que Nero teve um falso profeta, que fez uma estátua do próprio Nero para todo o mundo adorar, fazendo-a falar, a fim de enganar o mundo inteiro a adorar o imperador (Apocalipse 13:15)?

5. Será que Nero teve um falso profeta que impôs uma marca na testa ou na mão de todo o mundo habitado da época ao ponto de ninguém poder comprar ou vender (Apocalipse 13:16)?

6. Será que as duas testemunhas, que transformaram água em sangue, atingiram toda a terra com a seca durante os 3 anos e meio da tribulação que precede o ano 70 dC? Será que Nero matou-os? Será que eles estavam mortos nas ruas de Jerusalém com todo o mundo presenciando a cena? Quando, imediatamente antes da queda de Jerusalém, pessoas de todo o mundo enviaram presentes uns aos outros por tão grande triunfo sobre as duas testemunhas? (Ap 11,3-10)

7. Será que um grande número de todas as tribos, e povos, e línguas, que ninguém podia contar, saíram da tribulação (Ap 7:9-17) que precedeu a destruição de Jerusalém em 70 dC?

8. Foi o anticristo,”que se opõe e se exalta acima de tudo que se chama Deus ou é objeto de adoração, de modo que se assentará como Deus no templo de Deus mostrando-se que ele é Deus”, destruído “pelo esplendor da vinda de Cristo” (2 Ts, 2:4) em 70 dC?

Um grande número de mártires, que são de todas as tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar, segundo a interpretação preterista, vieram da tribulação que houve antes da queda de Jerusalém. Devo mencionar aqui que por esse motivo eles não crêem numa Grande Tribulação futura, pois afirmam com veemência que esse evento narrado nas Escrituras já ocorreu com os judeus antes das destruição da cidade.

No entanto, o preterismo precisa explicar o que um número incontável de pessoas de todas as tribos, povos e línguas estavam fazendo apertadas na cidade de Jerusalém, e porque foram ali martirizadas juntamente com os judeus em 70 dC.  Um certo preterista, tentando escapar da verdade óbvia, argumentou  que Jerusalém teria recebido milhares de pessoas oriundas de várias partes do mundo nas suas festas anuais, o que, consequentemente, causou um fluxo enorme de povos amontoados entre os habitantes da cidades, e que teriam ficado retidas alí por causa do cerco romano. Como referência ele usou Atos 2;5-11.

É bastante improvável que os forasteiros tivessem permanecido/entrado na cidade por causa do cerco romano. As manobras do exército inimigo durou seis meses, tendo início em 66 dC; e como, muitíssimo provavelmente, já era notícia entre outros povos, isso certamente impediu qualquer judeu de outras partes do mundo de viajar para celebrar suas festas anuais. Além disso, se considerarmos que os rumores sobre o avanço das tropas do general Tito para a cidade de Jerusalém já haviam chegado em várias partes do mundo, podemos concluir que não havia mais forasteiros em Jerusalém nem mesmo antes da época ao cerco iniciado em 66 dC. Basta lembrar da Igreja que não estava mais na Cidade Santa na ocasião da invasão – os cristãos já haviam escapado para a região de Pela.

Nero não foi o Anticristo

Os preteristas acreditam que o Livro do Apocalipse é um relato profético sobre as coisas que já foram cumpridos, e buscam por toda parte, em registros históricos do primeiro século [principalmente em Josefo], e em tudo que podem na tentativa de encontrar  detalhes que evidenciam o cumprimento das profecias contidas neste Livro.

Como dito anteriormente, eles ensinam que o Anticristo, também conhecido como “a besta”, era o imperador romano Nero. Isso não é verdade, o imperador romano Nero não foi o Anticristo como muitos preteristas alegam.

Poderia esta passagem sobre o Anticristo (2 Tess. 2:8,9) ser uma referência para o imperador romano Nero?

E então o iníquo [que é um dos títulos atribuídos ao Anticristo] será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda.

Como a Bíblia diz – o iníquo, o anticristo – será destruído por Cristo. Quando isso vai acontecer? Observe o versículo novamente: “E então o iníquo será revelado, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro da sua boca e o destruirá com o resplendor da Sua vinda”.

A Bíblia ensina que esse iníquo será levado a termo pelo próprio Senhor em sua “vinda”. Bem, este versículo apresenta alguns problemas sérios para os preteristas.

Isso não ocorreu com Nero!

Para quem está familiarizado com a história do primeiro século sabe que Nero se suicidou aos 31 anos de idade, cortando sua própria garganta. [Fonte: “uma adaga em sua garganta“, Suetônio – c.69 – c.140, A Vida dos Doze Césares]. Longe de ser consumido pelo sopro de Cristo na sua vinda, Nero tirou a própria vida.

Isso não é tudo…

Nero cometeu suicídio dois anos antes da destruição de Jerusalém!

Os preteristas (os parciais incluídos) acreditam que a profecia de Jesus sobre sua vinda em Mateus 24, foi cumprida em 70 dC, espiritualmente. Mas Nero comete suicídio em junho de 68 dC, dois anos antes do ano 70 dC, ano em que Jesus veio !!!A verdade é que o suicídio de Nero, dois anos antes da destruição de Jerusalém, está longe de ser um cumprimento do que 2 Tessalonicenses 2:8 diz que vai acontecer com o Anticristo.

Observe 2 Tessalonicenses 2:3-4: “Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim [a Vinda de Jesus] sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus”.

Por pior que fosse, Nero não era um enganador parecido com um cordeiro que enganava os cristãos, apesar de ter usado força bruta. Nero não era um traidor da fé cristã como Judas Iscariotes (isto é, ‘filho da perdição’). Pelo que sabemos, ele nunca professou ser cristão, e ninguém o confundiu com um cristão. Alem disso, Nero nunca fez nenhum ‘sinal e maravilha’ que enganasse as pessoas.  

Impossível concluir que o Anticristo tenha sido um personagem que viveu vinte séculos atrás e que foi destruído pelo próprio Cristo; a  profecia diz que esse indivíduo será “destruído com o resplendor da Sua vinda” (2 Tess 2:8). Isso não ocorreu – Jesus ainda não veio!

Existem outros problemas insuperáveis quando se trata do ensino aberrante de que Nero era o anticristo. Daniel 9:27 diz que o príncipe que há de vir, que muitos entendem ser uma referência do Antigo Testamento para o futuro líder mundial, faria um pacto de sete anos relativos a Israel. Nero nunca fez nenhuma aliança desse tipo; segundo muitos interpretes das Escrituras, II Tessalonicenses 2:4 diz que esse futuro líder mundial vai ter seu assento no templo de Deus, apresentando-se como sendo Deus. Isso nunca aconteceu. Nero jamais esteve em Jerusalém.

O sinal na mão ou na testa

Segundo o preterismo a grande tribulação ocorreu antes de 70 d.C, aos dias que antecederam a destruição de Jerusalém. Nessa tribulação o anticristo pôs um sinal na testa ou na mão de pessoas do MUNDO TODO!

Apoc 13:14-17, diz: “E engana os que habitam na terra… E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, Para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome”.

Se a grande tribulação descrita em Apocalipse e em Mateus 24 são as mesmas, então o Anticristo – que para os preteristas foi Nero, obrigou o MUNDO INTEIRO a ter um sinal na mão direita ou na testa antes de 70 d.C – nada disso jamais ocorreu sob o governo de nenhum líder mundial, nem mesmo Nero, nem até a presente data.

A guerra era apenas entre Jerusalém e Roma; a “tribulação” ocorria numa pequena região da Judéia, mas não se sabe por que aparece uma figura sinistra, no caso o Anticristo, e resolve colocar um sinal na testa ou na mão de povos distantes da batalha entre as duas nações: “… E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas”, 14,17.

Quem recebesse o numero participaria da economia global (13:16-18). O mundo inteiro foi coagido a adorar uma imagem de Nero, pois ele ressuscitou (13:14, 15). Ele recebeu veneração de todo o planeta (13:8).

 

Onde estão as evidências  que comprovam que isso tenha ocorrido em todo o mundo habitado antes da destruição de Jerusalém?

Vamos aguardar a resposta preterista…

 

 

 

A Identidade dos Habitantes da Terra

Apocalipse 3:10, registra: “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”. É o primeiro uso em Apocalipse do termo “habitantes da terra”, também traduzido como “aqueles que habitam sobre a terra”. Esta frase é usada onze vezes em nove versículos no Livro de Apocalipse (3:10; 6:10; 8:13; 11:10; 13: 8, 12, 14; 14: 6; 17: 8).

E atenção! Habitantes da terra é uma designação para incrédulos persistentes durante a tribulação.

Um preterista convicto declarou: “… a palavra “mundo” no original grego é oikoumene e significa “terra habitada”. Esta palavra é uma designação do império romano dos dias de João… Sobre a frase “os que habitam sobre a terra”, alguns afirmam que o termo correto seria apenas “habitantes da terra”. Independente da forma como se traduz, a verdade é que “os que habitam sobre a terra”, de fato, são os habitantes da terra de Israel”. (1)

É realmente lamentável ver alguns preteristas argumentar que “habitantes da terra” significa “habitantes de Jerusalém”. Não sei ainda como não apareceu um preterista liberal querendo transformar toda a Igreja de Filadélfia em Igreja de Jerusalém, enviando-a para Filadélfia numa imensa excursão. Como eles conseguem enrolar seus leitores e adeptos não sabemos. Parece ser uma reação em cadeia de pensamentos imaginativos sem contexto.

Quando o Apocalipse usa a frase “todos os habitantes da terra”, ou “habitantes da terra”, não está falando dos habitantes de Jerusalém, mas a referência é a todos os injustos que estarão em oposição a Deus e a Igreja numa época de grande provação no fim dos tempos. São aqueles que têm seus corações nas coisas terrenas.

A frase, “os que habitam na terra”, ou “habitantes da terra”, pode parecer uma coisa comum para nós e podemos estar inclinados a pensar que se refere a todos que vivem na Terra. Na verdade, esse é um termo técnico em todo o Apocalipse para os idólatras incrédulos que sofrem sob várias formas de tribulação retributiva. Isso não é óbvio por algumas de nossas traduções porque às vezes elas traduzem a frase grega de maneiras diferentes. Mas a mesma frase grega é usada em vários lugares no Apocalipse e sempre se refere aos inimigos de Deus. Por exemplo, em Apocalipse 6:10 está no clamor dos cristãos que foram mortos por causa da Palavra de Deus e do testemunho que mantiveram. Eles disseram: “Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?”, Ap 6:10.

Ao analisar a frase “habitantes da terra”, uma grande ênfase deveria ser colocada sobre o particípio substantivo grego katoikeo. Esta palavra composta é feita da kata, “abaixo” (no lugar ou tempo) e o verbo oikeo, “habitar”. A preposição inserida como um prefixo para o verbo “morar” intensifica o verbo e leva a ideia de “habitar em alguma coisa”, neste caso, a Terra (morar e residir na) – adequadamente, estabelecer-se como residente permanente, ou seja, em uma residência fixa, de residência pessoal; (figurativamente) “para estar exatamente em casa”. Assim, traz a ideia daqueles que se estabeleceram na terra, em contraste com um habitante do céu.  Os fiéis são estrangeiros que residem na terra (Levítico 25:23; Num 18:20; Num 18:23; 1 Crônicas 1: 29:15; Salmos 39:12; Salmo 119: 19; João 15: 19; João 17:14; João 17:16; Fil 3:20; 1 Pe 2:11) e cuja pátria está no céu (Gal 4:26; Hb 11:13-16; 12:22; Ap 13: 6).

Os verdadeiros cristãos não estão entre esses habitantes da terra, pois os habitantes da Terra odeiam esses cristãos: “Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia”, João 15:19.  Os habitantes da terra são homens cujos corações estão onde estão seus corpos. Sua casa, seus tesouros, sua honra e seus prazeres estão aqui. Aqueles que habitam na terra confiam no homem, na sua doutrina e no seu ambiente.

Veja como Jesus tratou com pessoas desse tipo em João 8:23: “… Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”.

Nas palavras, “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”, Jesus está querendo dizer o seguinte aos judeus: “Vocês pertencem ao que está embaixo, eu pertenço ao que está acima”. Assim, Jesus está afirmando que seus adversários estão abaixo em um sentido espiritual, ou seja, seus valores e doutrina refletem que eles são do mundo e, portanto, sem Deus na sua vida. Em contraste, Jesus é espiritualmente “de cima” no sentido de que seus valores e doutrina têm origem em Deus e, portanto, vem do céu.  Jesus não ser deste mundo, significa que Ele não pertence a este mundo, porque Ele não vive de acordo com os seus padrões.

João exortou os crentes a ser “não deste mundo” (1 João 2:15). O seguidor de Cristo deve olhar para além das coisas da terra. Ele deve olhar  para a glória ainda a ser revelada, e tornar-se mentalmente e moralmente alterado pela influência que é “de cima”. Um homem que “ama o mundo” é “de baixo”, ou da “terra”, mas alguém que tem “o amor do Pai” habitando nele é “de cima” (1 João 2:15). Jesus disse a Nicodemos que uma pessoa deve “nascer do alto” (João 3:3) se ele quer herdar o reino de Deus. Esse tal é gerado pela palavra de Deus (I Pedro 1:23 e 1 João 3:9-10), por uma “sabedoria que vem do alto” (Tiago 3:15-18). O personagem que ele vai desenvolver é  moldado pela Palavra que habita nele (João 17:17), para que ele possa reivindicar ser “de cima”. Esse é o contraste para com os habitantes da terra.

Filipenses 3:19, sobre estas pessoas, diz que: “O fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas”. Veja a palavra no Salmo 17:14 , “Dos homens com a tua mão, Senhor, dos homens do mundo, cuja porção está nesta vida, e cujo ventre enches do teu tesouro oculto”.

Não foi por acaso que  a New Living Translation  traduziu Apocalipse 3:10 dessa forma: “Because you have obeyed my command to persevere, I will protect you from the great time of testing that will come upon the whole world to test those who belong to this world”, Ap 3:10.

Por ter obedecido meu comando para perseverar, eu o protegerei do grande momento de testes que virá sobre todo o mundo para testar aqueles que pertencem a este mundo”.

Sobre os que habitam na terra baterão com ímpeto os grandes temporais dos selos, das trombetas e taças descritos em Apocalipse. A tribulação e a ira associadas destinam-se a testar aqueles cuja casa, cidadania e foco são terrestres ao invés de celestiais. A segunda parte do versículo 10 de Apocalipse capítulo 3 é uma clara referência a grande provação que virá sobre muitos no fim dos tempos: “… da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”. Essa não foi uma referência para a igreja original de Filadélfia porque alcança o mundo todo. A frase, “aqueles que habitam sobre a terra”, assume um significado soteriológico/escatológico aqui em Apocalipse, pois denota os não guardados no tempo do fim que continuam firmes na rejeição a Deus.

Tanto Isaías como Sofonias descrevem esse dia: “Porque eis que o Senhor sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos”, Isaías 26:21.

O grande dia do Senhor está perto, sim, está perto, e se apressa muito; amarga é a voz do dia do Senhor; clamará ali o poderoso. Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, dia de trombeta e de alarido contra as cidades fortificadas e contra as torres altas. E angustiarei os homens, que andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor; e o seu sangue se derramará como pó, e a sua carne será como esterco. Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do Senhor, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada”, Sof 1:14-18.

Habitantes da terra no Velho Testamento

Essa terminologia em Apocalipse para habitantes da terra se origina no Velho Testamento. Ela é usada quase 50 vezes no Velho Testamento hebraico. Para nosso estudo, basta encontrarmos os textos [ignoradas pelos preteristas] que indicam algo inverso do pretendido por eles, de que as referências veterotestamentárias para “habitantes da terra” aponta apenas para habitantes da terra de Canaã, ou terra de Jerusalém, Vejam alguns exemplos:

Salmos 33:14 “Do lugar da sua habitação contempla todos os moradores da terra”.

Isaías 18:3 “Vós, todos os habitantes do mundo, e vós os moradores da terra, quando se arvorar a bandeira nos montes, o vereis; e quando se tocar a trombeta, o ouvireis”.

Isaías 24:6, 17 “Por isso a maldição tem consumido a terra; e os que habitam nela são desolados; por isso são queimados os moradores da terra, e poucos homens restam… O temor, e a cova, e o laço vêm sobre ti, ó morador da terra”.

Isaías 26:21 “Porque eis que o Senhor sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos”.

Jeremias 25:30 “Tu, pois, lhes profetizarás todas estas palavras, e lhes dirás: O Senhor desde o alto bramirá, e fará ouvir a sua voz desde a morada da sua santidade; terrivelmente bramirá contra a sua habitação, com grito de alegria, como dos que pisam as uvas, contra todos os moradores da terra”.

Joel 2:1 “TOCAI a trombeta em Sião, e clamai em alta voz no meu santo monte; tremam todos os moradores da terra, porque o dia do Senhor vem, já está perto”.

Sof 1:18 “Nem a sua prata nem o seu ouro os poderá livrar no dia da indignação do Senhor, mas pelo fogo do seu zelo toda esta terra será consumida, porque certamente fará de todos os moradores da terra uma destruição total e apressada”.

As referências a seguir com relação a “habitantes do mundo” parecem estar em um contexto global (Salmo 33: 8; Isaías 18: 3, 26: 9, 18, Lam 4:12). E, curiosamente, em Lamentações 4:12 ela é utilizada separando os habitantes de Jerusalém de moradores do mundo. Veja:

Não creram os reis da terra, nem todos os moradores do mundo, que entrasse o adversário e o inimigo pelas portas de Jerusalém”.

Evidente que parece haver uma mudança no texto, que pode ser reclamada pela teimosia preterista exigindo a mesma frase apresentada em Apocalipse 3:10, “habitantes da terra”, no lugar de habitantes do mundo, ou moradores do mundo. Porém, um detalhe localiza todos em um mesmo evento.  Vários textos com o uso de “habitantes do mundo, ou moradores do mundo”, no Antigo Testamento aparecem em um texto de julgamento mostrando os acontecimentos ocorrendo no futuro, durante o dia do Senhor ou período de tribulação.

É de especial importância que os “habitantes da terra” e os “habitantes do mundo” sejam usados ​​várias vezes em Isaías 24-27, muitas vezes chamado de “Apocalipse de Isaías”. O capítulo 24 nos diz que o julgamento mundial de Deus virá sobre toda a humanidade com especificações apontando “os habitantes da terra”. Veja os versículos 5,6 e 17:

Na verdade a terra está contaminada por causa dos seus moradores; porquanto têm transgredido as leis, mudado os estatutos, e quebrado a aliança eterna. Por isso a maldição tem consumido a terra; e os que habitam nela são desolados; por isso são queimados os moradores da terra, e poucos homens restam… o temor, e a cova, e o laço vêm sobre ti, ó morador da terra”.

Os dois versos finais do capítulo 26 são um discurso do período da tribulação. O versículo 20 diz que Israel será escondido e protegido: “Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira”.

Como o povo de Deus, ou o remanescente de Israel será protegido durante a tribulação, então, qual será o propósito de Deus para o julgamento desse período? O versículo 21 responde a pergunta: “Porque eis que o Senhor sairá do seu lugar, para castigar os habitantes da terra, por causa da sua iniquidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seus mortos”.

Assim, vemos que um propósito para a tribulação será “punir” os habitantes da terra. Isto é muito semelhante à afirmação em Apocalipse 3:10 que diz que o Senhor “testará aqueles que habitam sobre a terra“. Parece claro que Isaías 24-27, e especialmente em 26:21 desvenda o pano de fundo para entendermos Apocalipse 3:10, bem como o que João usa de “habitantes da terra”.

Uma vez que os principais propósitos dos julgamentos da tribulação são para “punir” (Isaías 26:21) ou “testar” (Apocalipse 3:10) os habitantes da terra, é importante saber o que isso significa. A palavra grega para “teste” é peirazo, o que significa “esforçar-se para descobrir a natureza ou o caráter de algo o testando”. É importante ter em mente que o propósito dos julgamentos da tribulação em Apocalipse (4-19) é para testar os moradores da terra nas circunstâncias mais extremas. Porém, não importa a severidade dos julgamentos que são emitidos do céu, nenhum morador da terra se arrepende (ver Ap 6: 15-17; 9: 20-21; 16: 9, 11, 21).

O fato de que nem um único morador da terra se arrepende na descrição detalhada de seus testes no Apocalipse é provavelmente o motivo pelo qual o termo  retributivo “punir” é usado em Isaías 26:21. A habilidade na escrita de Isaías retrata uma avaliação concluída, enquanto João fala do propósito antes de produzir um determinado resultado. No entanto, os eventos subsequentes do Apocalipse deixam claro que o teste nos habitantes da terra reivindica o julgamento de Deus sobre eles.

Quando examinamos as onze expressões “habitantes da terra” no Apocalipse, vemos um composto interativo que se desenvolve. Não só eles devem ser testados para mostrar o seu verdadeiro metal (3:10), eles são claramente identificados como aqueles que estão perseguindo e matando crentes durante a tribulação (6:10); mais um motivo para que os julgamentos da tribulação sejam direcionados para os “que habitam nessa terra” (8:13), os que negociam com as coisas desse mundo.

Uma passagem semelhante, que não usa o termo “habitantes da terra”, mas quase certamente tem em mente os “habitantes da terra” através de um nome diferente (aqueles que não amam a verdade), fornece uma visão mais aprofundada sobre este assunto. “E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; Para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade” (2 Tess 2: 11,12).

Resumo                                                      

Todas as referências sobre “os habitantes da terra” de Apocalipse apontam para uma condição moral de muitos – não é estritamente um termo geográfico, mesmo que a frase tenha uma conotação geográfica. O termo “moradores da terra” é uma figura de linguagem para “incrédulos durante a tribulação”. É um “termo técnico” que se refere negativamente aos incrédulos que estão sujeitos ao divino julgamento porque perseguem o povo de Deus e praticam a idolatria.

Os “habitantes da terra” são contrastados com o foco adequado em Apocalipse sobre o templo celestial, de onde as ordens de Deus se dirigem para estabelecer o Reino de Deus na Terra. Em vez disso, o foco e as ambições para os “habitantes da terra” são limitados à terra e não a vontade de Deus, que é emitida do céu e decretada sobre a terra.

“Aqueles que habitam na terra” estão associados à adoração da Besta/ou da imagem da Besta, que toma a marca ou o nome dela ou o número do nome dela: “E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”, Apo 13:8. Observe que aqui  a referência não envolve todos os habitantes do planeta, mas esclarece que é uma multidão distinta quando diz que “esses não tem seus nomes escritos no livro da vida do Cordeiro”. Isso os distingue daqueles que tem seus nomes escritos, e que estão na cena juntamente com eles.

Veja outra referência em Apoc 17:8, “A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá”.

Todas as classes [de homens chamados aqui] literalmente residem na terra, mas a frase em questão tem um significado moral e religioso: Eles são apóstatas do cristianismo, tendo deliberadamente e determinadamente rejeitado a vocação celestial, e escolheram a terra. Deus pode ter um tesouro no céu para eles, mas eles estão determinados a ter a terra como o seu lugar e porção.

Devemos considerar também que esses habitantes da terra serão submetidos à enganação incrível antes de serem exterminados, como atesta Apocalipse 13: 12-14: “E exerce todo o poder da primeira besta na sua presença, e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada. E faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu a terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia”.

Apocalipse 17: 8 acrescenta: “A besta que viste foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá”. Isso jamais ocorreu no primeiro século, quer seja antes ou imediatamente após a destruição de Jerusalém.

Todas essas referências em Apocalipse para “os que habitam sobre a terra” indicam claramente que eles serão as pessoas não salvas do futuro período de testes – e nunca serão salvas.  Apesar dos horrores devastadores da sexta trombeta, que vai matar um terço da humanidade, muitos deles não se arrependerão de seus atos perversos. É o que esclarece Apocalipse 9: 20,21:

E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar. E não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos”.

E atenção; estes não podem ser habitantes de Jerusalém – os judeus. A descrição da prostituta de Apocalipse parece comunicar o seu grande envolvimento com a idolatria (adultério espiritual, coisas impuras e abominações); esta não é uma descrição da Jerusalém do primeiro século, à luz do fato de que a cidade daquela época era estritamente monoteísta.

A condição dos judeus em 70 dC não pode ser a que foi descrita em Apocalipse 9:20 acima, onde fala daqueles que foram feridos pela explosão de sexta trombeta; alguns dos quais foram mortos, e alguns poupados, não poderiam ter sido judeus, pois o texto diz que estes estavam envolvidos com idolatria. Os judeus não eram idólatras. Não podemos envolver a Jerusalém de 70 dC em um contexto que a acusa de fabricar ídolos de ouro, de prata e de bronze. Isso abrange um povo maior. Eles estão além de Jerusalém, estão espalhados pelo mundo todo. Lucas avança para fora de Jerusalém quando diz que esse tempo de tribulação virá inesperadamente “como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra”, 21:35. Eles sofrerão durante um tempo de teste como nenhum antes deles sofreu:

E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; Porque é vindo o grande dia da sua ira; e quem poderá subsistir?” (Ap 6: 16-17). Essa é uma das descrições para “habitantes da terra”. E observe que eles serão mortos – são as mesmas pessoas. Em Apocalipse 19:17, 18 “… um anjo que estava no sol, e clamou com grande voz, dizendo a todas as aves que voavam pelo meio do céu: Vinde, e ajuntai-vos à ceia do grande Deus; Para que comais a carne dos reis, e a carne dos tribunos, e a carne dos fortes, e a carne dos cavalos e dos que sobre eles se assentam; e a carne de todos os homens, livres e servos, pequenos e grandes”.

Isso jamais aconteceu antes ou depois da destruição de Jerusalém. Onde, no primeiro século durante o cerco de Jerusalém se vê “reis da terra”, “grandes homens, homens ricos, chefes militares e todo escravo e todo livre”, se escondendo nas cavernas e nas rochas das montanhas, gritando: “esconde-nos da ira do Cordeiro” (Ap 6,16)?

A ira do exército romano não é a ira do Cordeiro, nem foi visto em uma escala descrita nas profecias do tempo do fim. O “dia do Senhor” é inaugurado com sinais catastróficos em todo o mundo. Isso não aconteceu no primeiro século.

Repare novamente que esses “habitantes da terra” estão em conexão com o Anti (contra) Cristo e Satanás: “E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? E adoraram-na todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. E todos os que habitam sobre a terra a adorarão; os habitantes do Império Romano, a parte idólatra dele, os homens do mundo, os homens da terra ocupados com suas doutrinas e tratados, dogmas anticristãos e heresias. Todos são da terra, são terrenos e buscam apenas honras deste mundo e seus lucros; estes são os admiradores e adoradores da besta.

E estes habitantes da terra, repito, participam voluntariamente da matança daqueles que permanecem fiéis a Deus. Veja em Apocalipse 6: 10 como os fieis pedem vingança: “E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?”

Eles terão sua paga: “E olhei, e ouvi um anjo voar pelo meio do céu, dizendo com grande voz: Ai! ai! ai! dos que habitam sobre a terra! por causa das outras vozes das trombetas dos três anjos que hão de ainda tocar”, Apoc 8:13.

Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo” Apocalipse 12:12.

Pátria Celestial

Filipenses 3:20, 21, diz dos cristãos verdadeiros: “Mas a nossa Pátria está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas”.

Como os heróis da fé de Hebreus 11, estes cristãos procuram uma cidade que tem fundamento, pois eles “… confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Porque, os que isto dizem, claramente mostram que buscam uma pátria. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial. Por isso também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade”, Hebreus 11:13-16.

(1) RAIMUNDO, Cesar Francisco: “Quem são os habitantes da terra de acordo com o livro do Apocalipse?” (Revista Cristã Última Chamada).

A Deus toda Glória

Moisés, Enoque e Elias estão MORTOS!

 

A Bíblia diz que “Elias subiu ao céu num redemoinho” (2 Reis 2:11), “Enoque foi transladado para não ver a morte” (Hebreus 11: 5) e “Deus o levou” (Gênesis 5:  24), e Moisés apareceu na transfiguração com Jesus (Mateus 17: 3).  Essas Escrituras provam que os três entraram no céu (o trono de Deus) antes de Jesus?

Precisamos considerar algumas coisas antes de entrarmos direto no assunto. Por meio de Cristo Jesus, Deus concedeu a muitos “um novo nascimento para uma esperança viva para uma herança incorruptível, e imaculada, e imarcescível reservada nos céus” (1 Ped 1:3, 4). O próprio Jesus Cristo foi a primeira pessoa ressuscitada para a plenitude da vida  (Apocalipse 1:5).

O inspirado escritor cristão disse sobre a nossa esperança: “A qual temos como âncora da alma, segura e firme, e que penetra até ao interior do véu, onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (Heb 6:19, 20). O mesmo escritor mostra que a cortina que dava para o compartimento Santíssimo do tabernáculo do deserto representa a carne de Jesus (Heb 10:20; compare com Êxo 26:1, 31, 33). Enquanto Jesus estava na carne, não podia ir para o céu, pois “carne e sangue não podem herdar o reino de Deus” (1 Cor 15:50). É fato que Jesus tinha um corpo como o nosso, pois ele foi nascido de mulher (Gal 4:4), e ele morreu. O Apóstolo Paulo disse que  “os mortos ressuscitam incorruptíveis, e são transformados” (1 Cor 15:52. Além disso, ele  também diz  que é necessário “que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade” (v 53). E depois da ressurreição de Cristo, Paulo nos diz que  “a morte não tem mais domínio sobre ele”  (Rm 6:9). Por ter sido ressuscitado com o corpo glorificado, Jesus pôde entrar na presença de Deus.

A Escritura declara que a ressurreição de Cristo é uma “garantia a todos os homens” de que Deus ressuscitará outros (Atos 17: 31; 24:15). Isto não seria verdade se Deus já tivesse ressuscitado homens justos para o céu. Hebreus 10: 20 nos mostra que era “novo” o caminho ao céu que foi “inaugurado” por Jesus Cristo. Também Hebreus 9:8 nos mostra que o caminho para o santuário, ou lugar santo no céu, não havia sido descoberto (ou manifestado) enquanto o tabernáculo e tudo o mais, que estava relacionado ao antigo pacto, ainda estava de pé ou em funcionamento.

Quando é que tudo relacionado à lei foi cumprido atingindo seus objetivos?  Na morte de Cristo e no derramamento do Espírito Santo ao trazer à existência a congregação dos salvos (Efésios 2:15 Romanos 10:4). A partir daí foi manifestado, ou aberto, o caminho aos céus espirituais, conforme Hebreus 10:20 e as figuras terrenas passaram a dar lugar às realidades celestiais (Colossenses 2:17; Hebreus 8:5 10:1). E mesmo assim, não há possibilidade de alguém ascender ao céus a não ser Jesus, nosso sumo sacerdote. Ascender aos céus ressuscitado, para ali morar, não será possível nem aos salvos. Esse novo caminho inaugurado por Cristo nos leva hoje até o trono de Deus  apenas  de forma simbólica, e porque somos parte do seu corpo, a Igreja. Isso significa que não é possível ir à presença de Deus – ainda – fisicamente. Em outras palavras: nós não iremos morar no céu, mas na Volta do Senhor  vamos encontrá-Lo nos ares e viveremos para sempre com ele AQUI NA TERRA – não tratarei desse assunto aqui.

Portanto, Jesus é o primeiro, ou precursor, como diz Hebreus 6:20,  a ser ressuscitado à esfera celestial por causa de sua missão como sumo sacerdote. Compare com Atos 26:23, 1 Cor 15:20, Colossenses 1:18 e Hebreus 4:14. Eis os textos:

Isto é, que o Cristo devia padecer, e sendo o primeiro da ressurreição dentre os mortos, devia anunciar a luz a este povo e aos gentios” (Atos 26:23).

Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, e foi feito as primícias dos que dormem” (1 Cor 5:20).

E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Col 1:18).

Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão” (Heb 4:14).

Além de ser nosso Sumo Sacerdote nas regiões celestiais, Jesus é o precursor dentre os mortos, aquele que vai na frente, o pioneiro, o primeiro. Se pessoas de renome antes de Cristo houvessem inaugurado este caminho, tendo sido levados aos céus com seus corpos transformados, então Paulo e outros escritores do Novo Testamento estariam mentindo. 

A Escritura claramente afirma que  o encontro com o Senhor nos ares, e a ressurreição de seres humanos escolhidos para a vida eterna, só devem ocorrer após a futura vinda de Cristo nos “últimos dias”. Portanto, para aqueles que entendem que Elias, Moisés e Enoque estão no céu com seus corpos transformados, feitos imortais, devo lembrar que o novo e vivo caminho para a “vida celeste” foi aberto pela primeira vez após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo (João 14:2,3; Heb 6:19,20; 9:24; 10:19,20)  e a ressurreição dos justos ainda está por ocorrer em um momento futuro (At 24:15; Ap 20:12,13; cf 2 Tim 2: 18). Jesus é “as primícias” de todos os ressuscitados para a vida eterna, para que ninguém pudesse ter precedido a ele ao céu. 

É evidente que todas essas passagens apresentadas nos dizem que deve haver algo de errado com a interpretação de que qualquer outro ser humano foi diretamente para céu antes do Messias.

Se isso é verdade de fato, como então devemos entender o relato bíblico sobre o profeta Elias e Eliseu, que aparentemente não morreram, mas estão no céu? E Moisés, que muitos dizem ter ressuscitado e está agora com corpo glorificado na presença de Deus? E, por incrível que possa parecer, alguns até advogam que Moisés ressuscitou para estar presente na transfiguração, mas voltou a morrer novamente.

Nada disso é verdade. Observe os detalhes nesse texto – em itálico – para que você entenda que Moisés está realmente morto: “Depois falou o Senhor a Moisés, naquele mesmo dia, dizendo: “Sobe ao monte de Abarim, ao monte Nebo, que está na terra de Moabe, defronte de Jericó, e vê a terra de Canaã, que darei aos filhos de Israel por possessão. E morre no monte ao qual subirás; e recolhe-te ao teu povo, como Arão teu irmão morreu no monte Hor, e se recolheu ao seu povoPorquanto transgredistes contra mim no meio dos filhos de Israel, às águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim; pois não me santificastes no meio dos filhos de IsraelPelo que verás a terra diante de ti, porém não entrarás nela, na terra que darei aos filhos de Israel” (Deuteronômio 32:48-52).

Não há chances de ressurreição para Moisés em hipótese alguma; não antes da ressurreição dos justos na ocasião da vinda de Jesus.

Deuteronômio segue dizendo: “Então subiu Moisés das planícies de Moabe ao monte Nebo, ao cume de Pisga, que está defronte de Jericó. E o Senhor mostrou-lhe toda a terra desde Gileade até Dã Assim Moisés, servo do Senhor, morreu ali na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor, que o sepultou no vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém soube até hoje o lugar da sua sepultura. Tinha Moisés cento e vinte anos quando morreu; não se lhe escurecera a vista, nem se lhe fugira o vigor” (Dt 34:1,5-7).

Veja o que Deus diz para Josué UM MÊS após a morte de Moisés:  “Depois da morte de Moisés, servo do Senhor, falou o Senhor a Josué, filho de Num, servidor de Moisés, dizendo: Moisés, meu servo, está MORTO ; levanta-te, pois agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, para a terra que eu dou aos filhos de Israel” (Josué 1:1, 2).

Jesus trará o galardão para Moisés: “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. Cada um, porém, por sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois os que são de Cristo [ressuscitarão] na sua vinda” (I Coríntios 15:22 e 23). Então, como dizer que Cristo fez-Se primícia dentre os mortos se admitimos que outros já ressuscitaram para a eternidade – ou que subiram vivos ao céu? Impossível! Por isso a Bíblia diz-nos que quando Ele vier dará o galardão aos seus servos, os profetas e aos que O temem: “Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto os pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra” (Apocalipse 11:18).

Os remidos serão recompensados na vinda do Messias: “Porque o Filho do homem há de vir na glória de Seu Pai, com os Seus anjos; e então retribuirá a cada um segundo as suas obras” (Mateus 16:27). E ainda: “E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que te retribuir; pois retribuído te será na ressurreição dos justos” (Lucas 14:14).

Todos os mortos receberão a sua recompensa na ressurreição. Haverá duas ressurreições, separadas por um período de mil anos. Da primeira participarão todos os santos mortos, desde o princípio. Da segunda ressurreição participarão os ímpios mortos (Apocalipse 20:4-6).  Quanto aos justos que estarão vivos na segunda vinda do Messias, estes serão transformados. Tanto os justos mortos e os justos vivos receberão um corpo incorruptível (I Coríntios 15:52). 

Outro texto escrito pelo apóstolo Paulo deixa claro que a transladação e conseqüente transformação dos vivos para a vida eterna não se dará antes da primeira ressurreição. Tudo ocorrerá numa ordem determinada por Deus: os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois os vivos salvos serão transformados: “Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor; que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, de modo algum precederemos os que já dormem” (I Tessalonicenses 4:15).

Assim, nem Enoque e nem Elias poderiam ser arrebatados antes desse grande e esperado evento da segunda volta de Jesus e da bem aventurada primeira ressurreição dos justos mortos. Primeiro deverá ocorrer a ressurreição dos justos mortos e só depois os justos vivos serão transformados.

Se Elias, Moisés e Enoque estão vivos e gozando a vida eterna, necessariamente teríamos que admitir o seguinte:

1) Jesus não é primícia dos que dormem, não tem a preeminência;

2) Jesus morreu em vão, já que Deus tinha outro meio de dar vida eterna aos salvos e,

3) Não há um tempo de recompensa dos santos: todo dia é dia.

Todos os santos que morreram antes de Cristo, aqueles que morreram na época de Cristo e aqueles que morreram/morrem depois de Cristo, sem exceção, só receberão sua recompensa quando ocorrer a segunda vinda de nosso Senhor. Só então os salvos entrarão no futuro Reino do Messias. Indiscutivelmente nesta festa ninguém entra antecipadamente. Elias e Enoque não estão vivos no céu! Estão mortos! É o que está registrado em Hebreus 11 quando fala de vários profetas, revelando que todos eles morreram. Após listar o nome de cada um, o verso 13 diz: “TODOS ESTES morreram”. Vamos ver com mais detalhes depois.

Enoque

E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos, e gerou filhos e filhas. E foram todos os dias de Enoque trezentos e sessenta e cinco anos. E andou Enoque com Deus; e já não era, porquanto Deus para si o tomou” (Gn 5:22-24).

A Bíblia diz que Enoque viveu 365 anos, saiu de cena e morreu. A expressão “Deus o tomou” significa literalmente “morrer”. Quando  Jó recebeu  a notícia de  que seus filhos morreram (Jó 1:18-19),  ele disse: “O Senhor os deu e o Senhor os tomou …” Jó 1:21. A vida pertence a Deus e Ele poderá tomá-la quando lhe convier.

Enoque predisse a vinda do Senhor com suas miríades de anjos para executar julgamento contra os ímpios (Judas 14,15). Enoque era profeta (Heb 11: 5a), (Judas 14,15) e como pregador da justiça denunciava a impiedade dos homens nos seus dias. Certamente o perseguissem por causa de sua profecia. O escritor de Gênesis, ao dizer que “Deus o tomou”, deixa subentendido que Deus  abreviou a vida de Enoque numa idade bem abaixo da maioria de seus contemporâneos. Muito provavelmente Deus pôde ter abreviado os dias de Enoque protegendo-o da perseguição e de acabar sendo corrompido pelo pecado dos que o rodeavam, o que  faria Enoque entrar em condenação. Compare  Marcos 13:20: “E, se o Senhor não abreviasse aqueles dias, nenhuma carne se salvaria; mas, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias”. Deus o removeu  do mundo ímpio antes de ser contaminado por ele. Deus teria respeitado sua piedade, salvando-o das corrupções decorrentes das más associações – os adversários de Enoque eram de uma raça perversa ao extremo (Judas 10-16). Assim, todos os dias de Enoque foram 365 anos, e morreu. Não apenas parte de seus dias, mas todos os seus dias! Se Enoque não morreu, se ele foi alterado para a imortalidade e continuou a caminhar com Deus, então seus dias teriam sido mais do que 365 anos. Mas a Bíblia diz claramente que “TODOS os seus dias foram 365 anos”.

Esta expressão, “todos os dias”, é usada no mesmo quinto capítulo do Gênesis sobre uma dúzia de vezes para referência a outros homens, e sempre significa que a pessoa viveu durante esse período de tempo “e ele morreu”. Então,  Enoque viveu NÃO MAIS do que 365 anos, porque “todos os seus dias foram 365 anos”. Como ele viveu apenas este período de tempo, então, obviamente, ele morreu!

Muitos entendem que a morte que Deus não queria que Enoque visse foi a morte da humanidade no Dilúvio no final da época em que viveu. Nesse caso, bastaria aplicar os versículos no contexto da grande catástrofe comparando com Noé.  Hebreus 11:5 diz: “Pela fé Enoque foi levado para  não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o levou; porque antes de ser levado alcançou testemunho de que agradara a Deus”. E também: “E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou” (Gênesis 5:24).

Observe agora o que foi dito de Noé; compare as passagens: “Estas são as gerações de Noé. Noé era homem justo e perfeito em suas gerações; Noé andava com Deus” (Gênesis 6:9). E ainda: “Depois disse o SENHOR a Noé: Entra tu e toda a tua casa na arca, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração” (Gênesis 7:1). Eu acho essa teoria fraca. Enoque teria alcançado quase mil e quinhentos anos se chegasse no tempo do dilúvio. Ele não conseguiria viver tanto;  morreria antes do dilúvio de qualquer forma.

Outros  acham que  a expressão “não provar a morte”, em algumas traduções, e em outras, “não ver a morte” também pode ter conexão com  Hebreus 2: 9 quando fala de Cristo e seu SACRIFÍCIO: “para que provasse a morte por todo homem“;  compare Mateus 16:28;  Marcos 9: 1;  Lucas 9:27. Nesse caso, Enoque, como justo que era, não sendo o sacrifício, foi poupado de ser martirizado por seus inimigos e Deus o levou para um lugar seguro para não sofrer uma morte trágica. É outra interpretação que pode ser eliminada.

E tem aqueles que entendem que Enoque foi poupado de não “ver a segunda morte”,  aquela reservada para os ímpios no fim dos tempos. Nesse caso, Enoque teria sido levado desse mundo prematuramente – através da morte – porque Deus sabia que ele seria tragado pela maldade de seu mundo  antediluviano vindo a naufragar na fé. Esse teria sido o motivo de Deus resgatá-lo em tempo. Outra teoria muito vaga.

E por fim, há aqueles que defendem a tese de que Enoque foi mesmo poupado de ser martirizado por seus perseguidores, alvos de suas profecias. Eles veem Enoque numa situação nada favorável  diante de sua geração corrompida. Observam que foi ele  mesmo quem pregou diretamente para seus contemporâneos profetizando de forma dura. Essa foi uma das profecias. Judas 1:14-15: “Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, para executar juízo sobre todos e convencer a todos os ímpios de todas as obras de impiedade, que impiamente cometeram, e de todas as duras palavras que ímpios pecadores contra ele proferiram“.

Jeremias, Isaías e outros profetas fizeram o mesmo e foram mortos pela liderança religiosa de Israel, alegam. Enoque não foi exceção: ele também foi ferrenhamente perseguido (“… E não foi achado“), mas não perseguido por líderes religiosos, e sim por uma raça pior, totalmente sem Deus, tanto que só oito pessoas foram salvas daquela geração. Por esse motivo alguns sugerem que o termo transladado, ou traduzido, em Hebreus 11: 5, significa simplesmente “transferido”.  Enoque foi transferido ou transportado de um lugar na terra para outro para escapar da violência apontada contra ele (“…Pela fé Enoque foi transladado para não ver a morte…” Hb 11:5), e nesse outro lugar terrestre, ele morreu como todos os homens  (“Enoque … Já não era,  porquanto Deus o tomou” Gn 5:24). E de fato,  Moisés não escreveu que Enoque não morreu. Ao invés disso,  Moisés escreveu que “Enoque andou com Deus, e ele não era , porque Deus o tomou” (Gên 5:24). Paulo registra algo parecido com o mesmo evento, dizendo que ele “não foi encontrado, porque Deus o trasladara” (Hb 11:5). Essa é uma interpretação que não deve ser descartada.

Os registros bíblicos que Enoque não foi achado, porque Deus o levou, não significa que ele foi para o céu. Em vez disso, diz que ele não foi encontrado. O que significa a palavra transladado?    Por mais estranho que possa parecer, nada em toda a Bíblia permite que “transladar” tenha o sentido de “tornar imortal”. A palavra grega original para “traduzir/transladar” é metatithemi, que significa “transportar de um lugar para outro“, alterar, transferir, ou mudar, com o sentido de cambiar”.

Eu vou apresentar uma sugestão para o desaparecimento de Enoque e assumo o risco até que apareça – se aparecer – outra interpretação mais convincente. Nesse caso, podemos usar “transferir, alterar, mudar, no sentido de mudar de um estado para outro” – Deus alterou/mudou o estado de Enoque. Ou seja, ele não  sentiu a morte. A nossa tradução preferiu a palavra translado. Arrisco dizer que Enoque não percebeu; isso é o que pode significar “não ver a morte”. Não há outra possibilidade de interpretar a frase “não ver a morte”. O sentido não é que Enoque permaneceu vivo, que escapou de morrer. 

Faça um teste; tenta posicionar no lugar da palavra transladado/transladara de Hebreus o original do grego com um dos sentidos acima, aquele que melhor lhe convier – há outros similares (consulte a internet) : “Pela fé Enoque foi metatithemi para não ver a morte, e não foi achado, porque Deus o metatithemi ; porque antes de ser metatithemi alcançou testemunho de que agradara a Deus”. 

Se compararmos com os registros da morte de Moisés podemos ter uma noção do que aconteceu com Enoque. O Senhor mandou Moisés subir num monte e ali morrer: “Naquele mesmo dia falou o Senhor a Moisés, dizendo: Sobe a este monte de Abarim, ao monte Nebo e morre  no monte a que vais subir, e recolhe-te ao teu povo…” (Deuteronômio 32:48-50).

Deus deu ordem para Moisés morrer! De que maneira Moisés poderia fazer isso? É evidente que foi o Senhor quem reteve o fôlego de Moisés (Salmo 104:29 AA) e ele expirou, e o Senhor mesmo o sepultou. Moisés só poderia cumprir a ordem de Deus se cometesse suicídio. Porém, estamos cientes que não foi assim. Como aconteceu? Não sabemos, mas se admitirmos que Moisés deitou-se em algum lugar naquele monte  e nunca mais acordou certamente não estaremos longe do significado.

Portanto, algo semelhante pode ter acontecido com Enoque, mas a nossa tradução resumiu tudo isso com a palavra translado. Na verdade, com apenas uma palavra Deus pode apagar o ser vivente: “Fazes os homens voltarem ao pó, ordenando: “retornem ao pó,  filhos dos homens!” (Salmo 90:3). O poder é dele: “está na sua mão a alma de tudo quanto vive, e o espírito de toda carne humana?” (Jó 12:10). 

Enoque foi tomado provavelmente em um momento e não foi mais encontrado – entre os homens;  uma expressão que implica que ele foi transladado em particular e que alguns (seus parentes e amigos, sem dúvida, e até os inimigos) procuraram por ele, como os filhos dos profetas procuraram por Elias  (2 Reis 2:17).

Enoque morreu, e o rei Davi sabia disso quando escreveu: “Que homem há, que viva, e não veja a morte? Livrará ele a sua alma do poder da sepultura?” (Salmo 89:48).

Veja outra passagem que também confirma a morte de Enoque: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram” Romanos 5:12. Não há nada nesse versículo que indique que essa morte é apenas morte espiritual.

Compare a construção do verso chave em Gênesis com outros textos das Escrituras e você  descobrirá que Enoque morreu mesmo: “Andou Enoque com Deus e já não era, pois Deus o levou”, Gênesis 5:24. Atente para a frase “já não era”.

Salmos 37:36: “Mas eu passei, e ele já não era ; procurei-o, Mas não pôde ser encontrado“.

Salmos 39:13 “Poupa-me, até que tome alento, antes que me vá, e não seja mais“.

A palavra hebraica para as frases em itálico são as mesmas no hebraico em Gênesis 5:24. Como nos Salmos, a frase significa que a pessoa “passou” ou que, eventualmente, morreu. Vamos olhar para a mesma frase no livro de Gênesis sobre José e seus irmãos:

Gênesis 42:13: “Eles disseram: Nós, teus servos, somos doze irmãos, filhos de um homem na terra de Canaã; o mais novo está hoje com nosso pai, outro não é “. 

O que eles queriam dizer com “não é”? Veja no próximo versículo, em Gênesis 44:20: “E respondemos a meu senhor: Temos pai já velho e um filho da sua velhice, o mais novo, cujo irmão é morto ; e só ele ficou de sua mãe, e seu pai o ama“. Aqui, os irmãos falam de sua discussão anterior sobre José com Faraó. Quando eles disseram “e um não é” significava que para eles José “está morto”.

Mateus 2:18, “Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos, e não querendo ser consolada, porque eles já não eram“. Os filhos de Raquel morreram!

O Rabi Rashi (1040-1105), um dos mais respeitados comentaristas e intérpretes das Escrituras entre os sábios judeus, escreveu que Enoque “era justo e inocente em seus pensamentos, não sendo acusado em coisa alguma, por isso apressou-se o [Deus] Eterno, Bendito seja Ele, em removê-lo desta Terra…”.

É óbvio que esta atitude de Deus não pode caracterizar um terrível assassinato, e isto ficou claro no comentário do Rabi Rashi. E ele conclui sobre Enoque: “E esta é a razão de estar escrito em relação a sua morte pois “ele já não era”. Parece que, como se deu no caso do corpo de Moisés, Deus dispôs do corpo de Enoque, pois “não foi achado em parte alguma” (Heb 11:5; Deu 34:5,6).

Enoque não foi morar no céu. Observe novamente outro detalhe em Gênesis 5:23 quando diz que”… todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos”. O texto não diz “todos os dias de Enoque na terra  foram trezentos e sessenta e cinco anos …”.

Muitos assumem que se Enoque foi ‘tomado por Deus’ deve ter ido para o céu e ainda estar lá. Assumem que se ele  não pôde ser encontrado, ainda deve estar vivo vários milênios após, quando na realidade Genesis 5:23 nos diz, de forma explícita, que o tempo de vida de Enoque foi de 365 anos, e nem um dia a mais.

Não podemos fugir do significado real da expressão “já não era“, que significa “morreu“. Portanto, você pode ler o versículo dessa forma sem receio algum: “Andou Enoque com Deus e, morreu, porque Deus o tomou para si“.

Compare com Isaías 57:1, que diz: “Perece o justo … os homens compassivos são recolhidos … o justo é levado antes do mal”. O versículo 2 continua falando do justo: “Entrará em paz; descansarão nas suas camas, os que houverem andado na sua retidão”. “Andar com Deus” foi uma expressão usada  acerca de Enoque e de Noé (ver Gên. 6:9).

A palavra hebraica traduzida como “camas” neste versículo é “féretros”, ou lugares de sepultamento. 

Esse foi um momento bem oportuno para Isaías ter usado o exemplo de Enoque  como exceção. Ou seja: como um justo pode ir direto para o céu sem passar pela morte, mas ele não o fez porque Enoque está morto.

Caro amigo leitor pode ter certeza de que Deus  se agradou muitíssimo da morte de Enoque: “Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte dos seus santos” (Sl 116:15). Observe como esse versículo de Romanos é um belo resumo das palavras “Deus o tomou para si” quando fala da morte de Enoque em Gênesis 5:24. “Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor” (Romanos 14:8). A morte para Paulo foi lucro: “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1:21). Para Enoque não foi diferente.

Ninguém teve perspectiva de vida nos céus, ou acesso através da fé, antes do sacrifício realizado por Cristo Jesus. Hebreus 10:19, 20 diz: “Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos inaugurou, pelo véu, isto é, pela sua carne”. Cristo foi aquele que “inaugurou” a entrada para o céus. Basta lembrar novamente que ele é as primícias dos que dormem, e que a primeira ressurreição, a de todos os justos falecidos ainda não ocorreu. Assim, Enoque não herdou a vida eterna antes do tempo, pois está morto. Isto é exatamente o que Paulo escreve em Hebreus 11:13. Paulo diz que Enoque morreu! 

Todos estes morreram na fé, não tendo recebido o que foi prometido“. Quem eram esses “todos”?

Paulo nos diz: Abel, Enoque, Noé e os patriarcas e suas esposas. Hebreus 11: 1-12 lista aqueles que tiveram fé e Enoque está incluído entre eles. Então no verso 13 Paulo provou que eles não haviam herdado as promessas dizendo: “Todos estes [incluindo Enoque] morreram na fé sem terem alcançado as promessas”.

Veja os detalhes e nomes no texto:

“O verso 4 de hebreus 11 diz: “Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim…”.

O verso 5: “Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado...”.

Verso 7: “Pela fé Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca…”.

O verso 8: “Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu…”.

O versículo 11: “Pela fé também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber…”.

Agora veja o verso 13: “Todos estes morreram na fé…”.

O que o escritor aos Hebreus está afirmando é que “Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara estão mortos: “ TODOS estes morreram!” Inacreditável não é?

Enoque não pode estar no céu com corpo glorificado. E não está mesmo, pois três versículos após é dito sobre eles: “Mas agora desejam uma pátria melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de ser chamado seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade (Hebreus 11:16). A cidade aqui mencionada é a  Nova Jerusalém que descerá do céu. Alguns versículos depois vem mais uma grande lista de nomes novamente, incluindo o de Moisés. O penúltimo versículo do capítulo diz: “E TODOS ESTES, embora tendo recebido bom testemunho pela fé, contudo não alcançaram a promessa”. Qual promessa? A esperança da vida eterna, que Deus prometeu: “na esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos eternos” (Tito 1:2). É vida eterna para o ser completo, o que ocorre quando ele é ressuscitado dos mortos.

Os profetas antigos não receberam nenhuma promessa de imortalidade antes ou fora de nós. “Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles sem nós não fossem aperfeiçoados. E nós não receberemos até que Cristo retorne (Hebreus 11:39, 40). Observe que “eles” é uma referência a todos listados em todo o capítulo desde os primeiros versículos. Nessa lista estão: Enoque, Moisés e … Elias também. No verso 32 o escritor diz: “E que mais direi”? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas”. Elias era um profeta (1 Reis 18:22,36 e 1 Crô 21:12). Note que nos versos 37 e 38, embora não mencione Elias por nome, há certas descrições parecem se referir a ele quando registra sobre os que “andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados, errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra”. Compare com 1 Reis 17:2-6; 19:2-10; 2 Reis 1:18. Em suma: Enoque, Elias e Moisés não estão no céu com seus corpos transformados! 

Elias está no Céu?

A Bíblia diz: “… Elias subiu ao céu (2 Reis 2:11 ).  O texto parece dizer que Elias foi vivo para o trono de Deus. Por outro lado, em João 3:13 está escrito: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está nos céus”. Milhões de cristãos entendem que há aqui uma enorme contradição. Enquanto um texto declara que “Ninguém subiu ao céu” outro texto diz que “Elias subiu ao céu“.

Para sabermos se “ninguém subiu ao céu” antes de Jesus precisamos determinar quem está falando no versículo 13. Estes são palavras de Cristo ou as palavras do escritor do Quarto Evangelho narrando a história?

Dois apologistas do nosso tempo fizeram uma interpretação curiosa sobre esse versículo com o intuito de salvar o translado de Enoque e Elias ao céu. Segundo eles, a expressão “ninguém subiu ao céu” não deve ser interpretada como afirmação conclusiva de que ninguém subiu ao céu antes de Jesus, mas sim deve ser vista apenas com relação ao ministério do Senhor. Ou seja, “Ninguém subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu” deve ser entendido da seguinte maneira: apenas Jesus esteve apto para falar das coisas celestiais porque somente ele de lá desceu. Um deles conclui: “ninguém subiu ao céu e de lá desceu para falar das coisas de Deus, a não ser Jesus Cristo, que é o próprio Deus encarnado (João 1:1-3; 14)”.

Outra possibilidade, segundo um desses apologistas, seria “entender o sentido do texto restringindo temporalmente a sua abrangência, assumindo que Jesus estava Se referindo apenas aos Seus contemporâneos. Em outras palavras, Jesus estaria dizendo que ninguém vivo em Seus dias havia subido ao Céu.Portanto, a única pessoa daquela época que estivera no Céu era o próprio Cristo, o que Lhe colocava em uma posição única como revelador pleno dos propósitos divinos”.

Pode parecer estranho para muitos, mas devo dizer que não foi o Senhor Jesus quem disse essas palavras de João 3:13: “NINGUÉM subiu ao céu, senão aquele que desceu do céu, o Filho do Homem, que está no céu“. Um exame da evidência interna para a leitura desse texto indica que o texto mais longo, que inclui a última cláusula (“que ESTÁ no céu”) deve ser considerado autêntico.  Essa cláusula é original, porém mais tarde foi excluída para evitar dizer que Jesus estava presente no céu enquanto dizia estas palavras para Nicodemos.

O que o grego  está dizendo é que não há ninguém em estado de ascensão a não ser Jesus. Assim, a estrutura de João 3:13 pode ser traduzida como indicando algo como: “exceto alguém que foi o enviado [de Deus] do céu, o Filho do homem, não há ninguém em estado celestial”. Ou melhor, “não há ninguém que tenha ascendido ao céu“.

Como os verbos foram usados no passado, obviamente temos aqui registros feitos pelo escritor do quarto Evangelho tempos após a ascensão do Messias. O ponto principal, portanto, é que até o presente momento apenas uma PESSOA subiu ao céu, Jesus. 

Nós vamos descobrir que o Senhor não falou nenhuma das palavras do versículo 13 até o final do capítulo 3.  Jesus não disse que estava no céu enquanto estava em Jerusalém falando com Nicodemos.  Jesus para de falar no final do versículo 12. O versículo 13 faz parte da narrativa do escritor do Quarto Evangelho. Note que João, capítulo 3, começa com: “Havia um homem dos fariseus …”, e essa narrativa continua no versículo 13. Além disso, há algumas razões que justificam porque a fala de Jesus termina no versículo 12:

1) Porque o tempo passado dos verbos gregos que seguem o versículo doze indica eventos que já ocorreram.

2) Porque a expressão “Filho unigênito” (v. 28) nunca foi usada pelo próprio Senhor, mas por João que descreve o Senhor (João 1:14, 18, 3:16, 18; 1 João 4: 9).

3) Porque “que está no céu” (v. 13) aponta para o fato de que o Senhor já havia ascendido na época em que João escreveu.

4) Porque a palavra “levantado” (v. 14) se refere tanto aos sofrimentos de Cristo (João 3:14; 8:28; 12:32, 34) quanto à “glória que o deve seguir” (João 8:28; 12:32; Atos 2: 33; 5:31).

5) Porque o versículo 13 é muito claro: “Ninguém subiu ao céu… exceto o Filho do Homem”. O verbo “subiu, ou “ascendeu”, está no passado, no grego, no inglês e em português e mostra-nos que Jesus já havia subido ao céu quando este verso foi escrito. 

6) Porque os verbos em João 3:14 continuam nos informando que Jesus já havia subido ao céu e não estava na terra conversando com Nicodemos.  O versículo 14 diz que “assim como” Moisés “levantou” a serpente (tempo aoristo em grego), assim também o Filho do Homem “foi levantado” (também tempo aoristo). O tempo do verbo “levantado” é o mesmo para a serpente de Moisés e para o Filho do homem.  Assim, a leitura natural do texto é que tanto a serpente quanto o Filho do Homem foram levantados no passado. Naturalmente, porque o ensino ortodoxo é que João 3:14 ocorreu muito antes da crucificação e ascensão de Cristo, a leitura natural do texto grego é ignorada e a leitura do último verbo é feita como se fosse o futuro, então a maioria das versões diz que o Filho do Homem “será” levantado.  Porém, como no versículo 13, a leitura natural dos verbos mostra que Jesus já havia sido crucificado – “levantado”.

Além de uma leitura clara e direta do texto grego, que coloca os eventos após o versículo 12 no passado, outra razão – a principal – para acreditar que Jesus parou de falar no versículo 12, e o versículo 13 resume a narrativa do escritor, é que do versículo 3 ao verso 12, sempre que Jesus fala ele usa a palavra “eu”. No entanto, após o versículo 12 encontramos em vários textos a terceira pessoa: “nele”, “aquele” e “ele”. A razão lógica para essa mudança é que, a partir do versículo 13, o narrador estava escrevendo sobre “ele”.

No versículo 3, Jesus está falando e diz: “te digo”. No versículo 5, ele diz: “te digo”.  No versículo 7, ele diz: “eu te haver dito”. No verso 11, ele diz: “te digo”, e no verso 12, ele diz: “vos falei”. No versículo 13 ocorre uma mudança repentina.  Já não vemos “eu”, vemos “ele” e outras referências a Jesus na terceira pessoa.  Por exemplo, no versículo 13 o texto se refere a “aquele” do céu, e no versículo 14, em vez de dizer “todo aquele que crer em mim” (o que Jesus fez muitas vezes no Evangelho de João, compare: João 6: 35; 7:38; 11:25, 26; e João 12:44, 46), o texto diz: “todo aquele que nele crê”.

Portanto, se era o escritor do Quarto Evangelho narrando a história muitos anos depois da morte e ressurreição de Jesus em João 3:13, então ele proclama especificamente que Jesus foi o ÚNICO homem (o único humano/filho do homem), que já “subiu” ao céu. Essa é a legítima expressão da verdade. Não fosse assim deveríamos crer que o Salvador realmente não conhecia a história de  Elias e Enoque se tivesse sido ele o autor dessas palavras.  Igualmente o escritor do Evangelho, se tivesse nos dado  essas palavras como sendo de Cristo, também não conhecia a história. Além disso, temos Nicodemos, aquele que entendia as coisas ao pé da letra, mas era especialista em Lei e Profetas … por que ele não refutou imediatamente a recontagem do Salvador sobre a ascensão de Elias e Enoque se a conversa foi entre eles?  Certamente porque na época do Senhor Jesus todos sabiam que nenhum dos dois profetas subiu ao céu. 

Parece que a verdade é uma só: “Ninguém subiu ao céu…” antes de Jesus!

Elias e o Céu

Elias foi levado para o ar; a palavra para “céu” é shameh (pronuncia-se“Shaw-meh”) na língua hebraica, que vem de uma raiz que significa “ser elevado”. A palavra significa “o céu” (como “alto”) e faz alusão ao “arco visível em que as nuvens se movem, onde os corpos celestes giram”. A palavra significa “AR”, bem como “céu” (concordância exaustiva de Strong), mas não céu do trono de Deus. Um ou dois exemplos notáveis ​​do uso intercambiáveis ​​desta palavra deve ser suficiente, embora existam muitos na Bíblia: “E as janelas dos céus se abriram…” (Gn 7:11). “Cerraram-se … as janelas dos céus, e a chuva dos céus deteve-se” (Gn 8: 2). “… uma torre cujo cume toque nos céus … (Gn 11: 4).

Estes são apenas três exemplos de dezenas de passagens no Antigo Testamento onde a palavra “céu” é, obviamente, uma referência a atmosfera imediata da Terra. Nas primeiras citações é feita referência ao dilúvio de Noé. As “janelas do céu” referem-se a tempestades estrondosas, e, portanto, estamos lidando com a área imediata do ar que cobre esta terra como um manto, e é, na verdade, uma parte literal da nossa terra e seu ambiente imediato. A escritura de Gênesis 11 lida com a famosa “Torre de Babel”, em que a humanidade tentou construir o primeiro “arranha-céu”. Agora, observe como a palavra idêntica (shameh) é usada para a palavra “ar”.

As aves do céu …” (Gn 1:26, 28). “… E todas as aves do ar …” (Gn 2:19). “… deu  nomes … para as aves do ar …” (Gn 2:20).  “As aves do céu pousam sobre eles …” (2 Sm 2:10). “O caminho da águia no ar …” (Pv 30:19). Em cada uma delas, e em 21 exemplos separados no Antigo Testamento, a palavra hebraica  para “céu” é traduzida como “ar”. Os tradutores sabiam que, quando a Bíblia estava se referindo ao “firmamento” acima da terra em que os pássaros voam, deve significar “o ar”, e não o céu do trono de Deus. Assim, Elias foi elevado para o ar, para cima.

A Bíblia fala claramente de três “céus”, e positivamente identifica o “terceiro céu” como o céu do trono de Deus.  O que Eliseu e muitos dos filhos dos profetas viram foi o desaparecimento de Elias para o ar, até que ele foi tirado da vista de Eliseu. Elias não foi para o céu do trono de Deus. O que aconteceu com ele aconteceu corporalmente; ele foi tirado da vista de Eliseu para o ar. Mais tarde você vai ver que ele estava muito vivo por um certo número de anos. Você vai ver que ele ainda estava ciente do que estava acontecendo em seu país; que os outros estavam se comunicando com ele, e que ele se comunicava com o rei que sucedeu Jeosafá. Embora Deus tenha levado Elias para um lugar de proteção, ele ainda estava suficientemente ativo para enviar uma mensagem poderosa para o rei de Judá alguns anos mais tarde.

O que aconteceu com Elias?

Comecemos por olhar para o lugar onde Elias foi levado ao céu num redemoinho. O texto de 2 Reis 2:11-12, diz: E aconteceu que, indo eles andando e falando, eis que, apareceu um carro de fogo, com cavalos de fogo, e separou os dois, e Elias subiu ao céu num redemoinho.

O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros. E não o viu mais, e ele pegou suas roupas e as rasgou em duas partes“.

Aqui nestes dois versículos vemos que Elias subiu ao céu num redemoinho. Ele foi arrebatado. Mas, até onde? Isso foi muito parecido com o episódio de Felipe e o Eunuco que não o viu mais. Felipe desapareceu do criado da rainha de Candace e se viu em Azoto: “E, quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe, e não o viu mais o eunuco; e, jubiloso, continuou o seu caminho. E Filipe se achou em Azoto e, indo passando, anunciava o evangelho em todas as cidades, até que chegou a Cesaréia”, Atos 8:39. 40.

Elias não foi levado para o céu do trono de Deus, onde Deus está assentado. Tudo o que sabemos com certeza é que Elias foi levado para o céu (para o alto) num redemoinho. Isso significa simplesmente que Elias foi levado para o céu até que ele saiu da vista de Eliseu e os outros que estavam assistindo a certa distância, e Elias não foi visto mais por Eliseu. Em outras palavras, Elias foi levado para outro lugar, assim como Felipe e Ezequiel. No caso de Felipe não devemos acreditar que o eunuco não o viu mais porque Filipe foi arrebatado para o céu sem morrer e nunca mais foi visto.

Se examinarmos todo o contexto de 2 Reis 2:11, 12 descobriremos que Elias pode ter sido transferido por Deus para outro lugar. Deus já havia alertado Elias antes sobre esconder-se nos momentos de perigo. E numa ocasião nós podemos ver um profeta garantindo que Deus também arrebatava Elias de um lugar para o outro desaparecendo com ele. Isso já havia acontecido antes, e alguns sabiam.

Tudo tem início em 1 Reis 17:1-3 no famoso episódio onde Deus retém a chuva por três anos e meio. Elias desafia o rei Acabe dizendo que não choveria sobre a terra. Em seguida Deus diz a Elias para se esconder:

Então Elias, o tisbita, dos moradores de Gileade, disse a Acabe: Vive o SENHOR Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra. Depois veio a ele a palavra do Senhor, dizendo: Retira-te daqui, e vai para o oriente, e esconde-te junto ao ribeiro de Querite, que está diante do Jordão”.

Agora, por favor, observe que na história narrada em  Reis 18:1-18, quando Deus manda Elias ir apresentar-se ao rei Acabe após a seca, há um acontecimento interessante que aparece nos versículos de 7 a 12 no encontro entre Elias e o profeta Obadias. 

Estando, pois, Obadias já em caminho, eis que Elias o encontrou; e Obadias, reconhecendo-o, prostrou-se sobre o seu rosto, e disse: És tu o meu senhor Elias?

E disse-lhe ele: Eu sou; vai, e dize a teu senhor: Eis que Elias está aqui.

Porém ele disse: Em que pequei, para que entregues a teu servo na mão de Acabe, para que me mate?

Vive o SENHOR teu Deus, que não houve nação nem reino aonde o meu senhor não mandasse em busca de ti; e dizendo eles: Aqui não está, então fazia jurar os reinos e nações, que não te haviam achado.

E agora dizes tu: Vai, dize a teu senhor: Eis que aqui está Elias.

E poderia ser que, apartando-me eu de ti, o Espírito do Senhor te tomasse, não sei para onde, e, vindo eu a dar as novas a Acabe, e não te achando ele, me mataria; porém eu, teu servo, temo ao Senhor desde a minha mocidade”.

Era notório entre os profetas que o Senhor transladava Elias. Certamente nesses anos de fuga Elias se movimentava segundo as instruções do Senhor. Elias foi visto por outros, mas sempre que ele foi procurado pelo rei Acabe ele desaparecia e, em muitas ocasiões Deus o transladava, como dito pelo profeta Obadias. Obadias com certeza acreditava que se virasse as costas para Elias e fosse falar com Acabe que Elias estava ali “o Espirito do Senhor poderia levar Elias para longe, não se sabe para onde”.  Veja novamente um detalhe no episódio de Felipe e compare: “… o Espírito do Senhor arrebatou a Filipe … e se achou em Azoto“.

Há alguns detalhes aqui no texto que nos revelam que Elias foi transladado muitas vezes. Leia atentamente o versículo 10 “… Vive o SENHOR teu Deus, que não houve nação nem reino aonde o meu senhor não mandasse em busca de ti; e dizendo eles: Aqui não está, então fazia jurar os reinos e nações, que não te haviam achado“. Sempre que os inimigos de Deus viam Elias, e depois dos relatos de avistamentos do mesmo, não havia possibilidade de encontra-lo porque ele desaparecia. É evidente que Elias tinha o hábito de “desaparecer”, e era conhecido entre o povo de Deus que o Senhor fazia isso (v.12).

A compreensão de Obadias foi que Elias sempre era “levado” quando sua vida corria perigo. Sempre que os homens do rei estavam perto de apanhá-lo, Deus o transferia para outro lugar, longe do perigo iminente. Elias aparecia em alguma outra cidade para testemunhar para o Senhor até que o tempo “desgastava suas boas-vindas” novamente. O conhecimento deste fenômeno foi generalizado entre os filhos de Deus.

Agora vamos ler o contexto imediato antes de Elias ter sido arrebatado ao céu num redemoinho. Note os detalhes em itálico. 2 Reis 2:1-18, diz:

Sucedeu que, quando o SENHOR estava para elevar a Elias num redemoinho ao céu, Elias partiu de Gilgal com Eliseu.

E disse Elias a Eliseu: Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Betel. Porém Eliseu disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim foram a Betel.

Então os filhos dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o SENHOR hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos.

E Elias lhe disse: Eliseu, fica-te aqui, porque o Senhor me enviou a Jericó. Porém ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim foram a Jericó.

Então os filhos dos profetas que estavam em Jericó se chegaram a Eliseu, e lhe disseram: Sabes que o SENHOR hoje tomará o teu senhor por sobre a tua cabeça? E ele disse: Também eu bem o sei; calai-vos.

E Elias disse: Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou ao Jordão. Mas ele disse: Vive o Senhor, e vive a tua alma, que não te deixarei. E assim ambos foram juntos.

E foram cinquenta homens dos filhos dos profetas, e pararam defronte deles, de longe: e assim ambos pararam junto ao Jordão.

Então Elias tomou a sua capa e a dobrou, e feriu as águas, as quais se dividiram para os dois lados; e passaram ambos em seco.

Sucedeu que, havendo eles passado, Elias disse a Eliseu: Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti. E disse Eliseu: Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim.

E disse: Coisa difícil pediste; se me vires quando for tomado de ti, assim se te fará, porém, se não, não se fará.

E sucedeu que, indo eles andando e falando, eis que um carro de fogo, com cavalos de fogo, os separou um do outro; e Elias subiu ao céu num redemoinho.

O que vendo Eliseu, clamou: Meu pai, meu pai, carros de Israel, e seus cavaleiros! E nunca mais o viu; e, pegando as suas vestes, rasgou-as em duas partes.

Também levantou a capa de Elias, que dele caíra; e, voltando-se, parou à margem do Jordão.

E tomou a capa de Elias, que dele caíra, e feriu as águas, e disse: Onde está o Senhor Deus de Elias? Quando feriu as águas elas se dividiram de um ao outro lado; e Eliseu passou.

Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra.

E disseram-lhe: Eis que agora entre os teus servos há cinquenta homens valentes; ora deixa-os ir para buscar a teu senhor; pode ser que o elevasse o Espírito do SENHOR e o lançasse em algum dos montes, ou em algum dos vales. Porém ele disse: Não os envieis.

Mas eles insistiram com ele, até que, constrangido, disse-lhes: Enviai. E enviaram cinquenta homens, que o buscaram três dias, porém não o acharam.

Então voltaram para ele, pois ficara em Jericó; e disse-lhes: Eu não vos disse que não fôsseis?”

Perceberam como Deus enviava Elias de um lugar a outro para fazer tua obra, mostrando assim a necessidade de mantê-lo bem vivo e ativo NA TERRA, e como era também conhecido dos filhos dos profetas que Deus transladava Elias de tempos em tempos? 

Mas, o que o texto quer revelar com a expressão “tomar o teu senhor por sobre a tua cabeça?” Evidente que milhões entendem que seja “subir para cima”, ou no linguajar mais popular, “hoje Elias vai para o céu”. Nada parecido com isso. A tradução de Smith e Goodspeed diz, “Você sabe que hoje o Senhor está prestes a tirar o seu mestre de ser seu líder? “

Elias era o chefe ou líder dos filhos – ou discípulos – dos profetas naquele dia. Deus enviou Elias como profeta ao ímpio rei Acabe e seu filho Acazias. Agora Deus queria Eliseu para dirigir Sua obra – outro rei havia assumido.  Talvez o propósito de Deus na remoção de Elias fosse para substituí-lo com outro homem que ocuparia o seu cargo em Israel por muitos anos. 

Essas pessoas sabiam o que ia acontecer, porque isso tinha acontecido antes. Desta vez, era para ser um pouco diferente. O ministério ativo e perigoso de Elias no reino de Israel, o reino do norte, estava chegando ao fim. Muitas ainda tentaram tirar sua vida. Eles também sabiam que Eliseu iria “ter o seu mestre” tirado dele e que ele não seria mais apenas um servo de Elias, mas o profeta do Senhor. 

Ao pegar a capa de Elias, e usá-la de uma maneira poderosa, Eliseu demonstrou aos que estavam ao redor que o ministério do profeta – de Israel, o reino do norte – havia sido transferido para ele.

Vendo-o, pois, os filhos dos profetas que estavam  defronte em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. E vieram-lhe ao encontro, e se prostraram diante dele em terra”(2 Reis 2:15).

Elias não foi arrebatado até o céu e lá ficou. Veja novamente que alguns profetas foram procurá-lo após seu sumiço: “E disseram-lhe (a Eliseu): Eis que entre os teus servos há cinqüenta homens valentes. Deixa-os ir, pedimos-te, em busca do teu senhor (Elias); pode ser que o Espírito do Senhor o tenha arrebatado e lançado nalgum monte, ou nalgum vale. E ele lhes disse: não! Mas insistiram com ele, até que se envergonhou; e disse-lhes: Enviai. E enviaram cinqüenta homens, que o buscaram três dias, porém NAO O ACHARAM” 2 Reis 2:16, 17.

Se eles foram procurar Elias é porque sabiam que ele não estava no céu. Eles estavam cientes de que o profeta estaria em algum lugar da terra. Mas não o encontraram, pois o redemoinho de vento o levou para longe (II Re. 2:16-17). 

Note no texto a sugestão de procurá-lo nos montes ou nos vales. Isso é estranho. Eles não viram que Elias desapareceu acima das nuvens? Uma iniciativa como esta revela-nos que eles não acreditavam e nem ensinavam que poderia haver uma trasladação ao Céu. Aí está uma prova de que ele não teria saído do céu atmosférico e que poderia, sim, estar em algum outro lugar na Terra. Por que eles entrariam em uma jornada de três dias através do campo para encontrar um homem que não estava mais nesse planeta? Eles sabiam que Elias foi “transportado” de um local a outro aqui embaixo, não no céu do trono de Deus.  Eles não tinham certeza para onde ele foi levado, mas eles sabiam que ele estava em algum lugar na terra.

Seja sincero amigo: Você acha que um redemoinho de vento pode chegar aonde Deus mora? Elias não saiu da atmosfera terrestre, pois fora desta  não há redemoinho! Elias já havia sido arrebatado de um lugar a outro antes, e isso não era novidade na vida de Elias. Era de conhecimento (pelo menos da parte dos servos de Deus) tais transferências feitas por Deus com seus servos. Ezequiel também foi arrebatado de um local a outro em duas ocasiões. Os registros estão em Ezequiel 3:10-15 e 11:1. Ezequiel narra um desses eventos por dentro cena:

Disse-me mais: Filho do homem, recebe no teu coração todas as minhas palavras que te hei de dizer, e ouve-as com os teus ouvidos.

Eia, pois, vai aos do cativeiro, aos filhos do teu povo, e lhes falarás e lhes dirás: Assim diz o Senhor Deus, quer ouçam quer deixem de ouvir.

E levantou-me o espírito, e ouvi por detrás de mim uma voz de grande estrondo, que dizia: Bendita seja a glória do Senhor, desde o seu lugar.

E ouvi o ruído das asas dos seres viventes, que tocavam umas nas outras, e o ruído das rodas defronte deles, e o sonido de um grande estrondo. 

Então o espírito me levantou, e me levou; e eu me fui amargurado, na indignação do meu espírito; porém a mão do Senhor era forte sobre mim.

E fui a Tel-Abibe, aos do cativeiro, que moravam junto ao rio Quebar, e eu morava onde eles moravam; e fiquei ali sete dias, pasmado no meio deles“.

Até mesmo no “Novo Testamento” encontramos relatos de milagres assim, como já vimos. Além do arrebatamento de Felipe podemos citar um fato semelhante ocorrido com Jesus, e de como ele foi transportado de um lugar a outro pelo próprio diabo. Vejam que assustador. Observem o que o “deus” deste século fez com nosso Senhor: “Então o Diabo o levou à cidade santa, colocou-o sobre o pináculo do templo” Mateus 4:5.

Novamente o Diabo o levou a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles”, Mateus 4:8. Portanto, não seria incomum Elias ser transportado de um local até outro através do poder de Deus.

Outra evidência de que Elias não foi arrebatado ao céu e lá ficou pode ser encontrada em um registro que envolve o rei  Jeosafá. Jeosafá ainda está vivo depois do tradicional arrebatamento de Elias. Ele pede um profeta e quem se apresenta é Eliseu:

Perguntou, porém, Jeosafá: Não há aqui algum profeta do Senhor por quem consultemos ao Senhor? Então respondeu um dos servos do rei de Israel, e disse: Aqui está Eliseu, filho de Safate, que deitava água sobre as mãos de Elias” 2 Reis 3:11. O registro da subida de Elias está no capítulo anterior. Mas não para aqui, pois Elias é visto ainda em atividade depois da morte do rei Jeosafá.

Vamos aos fatos: Elias subiu ao céu num redemoinho em 2 Reis capítulo 2. Seis capítulos depois,  em  2 Reis capítulo 8, é dito que Jeorão, filho de Jeosafá, reina com o pai como rei de Judá, o reino do sul.

Por favor, leia 2 Reis 8:16-24:

16 “E no ano quinto de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, reinando ainda Jeosafá em Judá, começou a reinar Jeorão, filho de Jeosafá, rei de Judá.

17 Era ele da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar, e oito anos reinou em Jerusalém.

18 E andou no caminho dos reis de Israel, como também fizeram os da casa de Acabe, porque tinha por mulher a filha de Acabe, e fez o que era mal aos olhos do Senhor.

19 Porém o Senhor não quis destruir a Judá por amor de Davi, seu servo, como lhe tinha falado que lhe daria, para sempre, uma lâmpada, a ele e a seus filhos.

20 Nos seus dias se rebelaram os edomitas, contra o mando de Judá, e puseram sobre si um rei.

21 Por isso Jeorão passou a Zair, e todos os carros com ele; e ele se levantou de noite, e feriu os edomitas que estavam ao redor dele, e os capitães dos carros; e o povo foi para as suas tendas.

22 Todavia os edomitas ficaram rebeldes, contra o mando de Judá, até ao dia de hoje; então, no mesmo tempo, Libna também se rebelou.

23 O mais dos atos de Jeorão, e tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas de Judá?

24 E Jeorão dormiu com seus pais, e foi sepultado com seus pais na cidade de Davi; e Acazias, seu filho, reinou em seu lugar”.

Esse capítulo de 2 Reis 8 não registra a morte de Jeosafá, mas diz que Jeorão “dormiu com seus pais, e foi sepultado com seus pais”. Isso indica que em algum ponto na narrativa Jeosafá morre. Onde Jeosafá morre nessa sequência?  Observe que ele ainda está vivo no verso 1: “reinando ainda Jeosafá em Judá, começou a reinar Jeorão, filho de Jeosafá”. Os dois, pai e filho, reinaram juntos por um tempo. Podemos ver a mesma sequência registrada em 2 Crônicas 21 onde menciona a morte dos dois reis, nos dando mais detalhes. Esse é o texto que envolve Elias. Ele aparece após a morte do Rei Jeosafá e antes da morte de seu filho Jeorão.

Leia o texto com a omissão dos versos de 2 a 4 para posicionar o contexto dentro da história narrada acima. Há uma sequência onde os versículos são idênticos aos de 2 Reis 8, pois são fatos da mesma história como visto no verso 23: “O mais dos atos de Jeorão, e tudo quanto fez, porventura não está escrito no livro das crônicas de Judá?”. E de fato, o capítulo 21 de 2 Crônicas nos trás “mais” dos atos de Jeorão, e de “tudo” quanto fez:

Depois Jeosafá dormiu com seus pais, e foi sepultado junto a eles na cidade de Davi; e Jeorão, seu filho, reinou em seu lugar.

Da idade de trinta e dois anos era Jeorão, quando começou a reinar; e reinou oito anos em Jerusalém. Esse é o mesmo verso 17 de 2 Reis 8 citado acima

E andou no caminho dos reis de Israel, como fazia a casa de Acabe; porque tinha a filha de Acabe por mulher; e fazia o que era mau aos olhos do Senhor. O verso 18 de 2 reis 8

Porém o Senhor não quis destruir a casa de Davi, em atenção à aliança que tinha feito com Davi; e porque também tinha falado que lhe daria por todos os dias uma lâmpada, a ele e a seus filhos. Aqui o verso 19

Nos seus dias se revoltaram os edomitas contra o mando de Judá, e constituíram para si um rei. Esse é o verso 20 de 2 Reis 8.

Por isso Jeorão passou adiante com os seus príncipes, e todos os carros com ele; levantou-se de noite, e feriu aos edomeus, que o tinham cercado, como também aos capitães dos carros. O verso 21

Todavia os edomitas se revoltaram contra o mando de Judá até ao dia de hoje; então no mesmo tempo Libna se revoltou contra o seu mando; porque deixara ao Senhor Deus de seus pais. O verso 22.

Aqui a historia continua com mais detalhes, que foram omitidos em 2 Reis 8. O verso imediato segue dizendo:

Ele também fez altos nos montes de Judá; e fez com que se corrompessem os moradores de Jerusalém, e até a Judá impeliu a isso.

Então lhe veio um escrito da parte de Elias, o profeta, que dizia: Assim diz o Senhor Deus de Davi teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Jeosafá, teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá,

Mas andaste no caminho dos reis de Israel, e fizeste prostituir a Judá e aos moradores de Jerusalém, segundo a prostituição da casa de Acabe, e também mataste a teus irmãos da casa de teu pai, melhores do que tu;

Eis que o Senhor ferirá com um grande flagelo ao teu povo, aos teus filhos, às tuas mulheres e a todas as tuas fazendas.

Tu também terás grande enfermidade por causa de uma doença em tuas entranhas, até que elas saiam, de dia em dia, por causa do mal.

Despertou, pois, o Senhor, contra Jeorão o espírito dos filisteus e dos árabes, que estavam do lado dos etíopes.

Estes subiram a Judá, e deram sobre ela, e levaram todos os bens que se achou na casa do rei, como também a seus filhos e a suas mulheres; de modo que não lhe deixaram filho algum, senão a Jeoacaz, o mais moço de seus filhos.

E depois de tudo isto o Senhor o feriu nas suas entranhas com uma enfermidade incurável.

E sucedeu que, depois de muito tempo, ao fim de dois anos, saíram-lhe as entranhas por causa da doença; e morreu daquela grave enfermidade; e o seu povo não lhe queimou aroma como queimara a seus pais.

Era da idade de trinta e dois anos quando começou a reinar, e reinou oito anos em Jerusalém; e foi sem deixar de si saudades; e sepultaram-no na cidade de Davi, porém não nos sepulcros dos reis”.

Basta apenas ser honesto com a interpretação das Escrituras para perceber que Elias escreveu uma carta ao rei Jorão, rei de Judá, depois que foi supostamente transportado aos céus. Isso prova que Elias não subiu ao céu em uma carruagem de fogo e lá está até hoje, como alguns dogmaticamente ensinam, mas foi transportado para outro lugar na terra.

A Carta

Como visto, a carta foi enviada ao filho de Jeosafá muito tempo após a morte do seu pai. Ou seja, quase DEZ ANOS após o arrebatamento de Elias.  Problemas de cronologia perturbam o texto neste ponto. Estaria Elias ainda vivo? Alguns fazem a carta aqui ser profética para evitar o problema, ou ter sido enviada através de Eliseu, no nome de Elias. Os críticos, como é natural, vêem essa carta como se tivesse sido inventada pelo próprio cronista, no nome de Elias. II Reis 2.11 deixa claro que Elias já havia sido transportado para o céu, no tempo de Josafá. Alguns manuscritos substituem Elias para evitar esse problema. Outros fazem essa carta ter vindo do céu, talvez dada através de algum profeta menor, mas o texto sagrado não deixa nada disso entendido. É inútil multiplicar explicações até acertar uma que seja adequada ou convincente. Tais coisas nada têm a ver com a espiritualidade, nem são contra uma sã teoria de inspiração. O texto é claríssimo quado diz que a carta foi enviada “da parte de Elias”.

Vamos nos ater ao contexto dessa carta aqui: “… Então lhe veio (a Jeorão) uma carta da parte de Elias, o profeta, que dizia: Assim diz o Senhor, Deus de Davi teu pai: Porquanto não andaste nos caminhos de Jeosafá, teu pai, e nos caminhos de Asa, rei de Judá.

Mas andaste no caminho dos reis de Israel e induziste Judá e os habitantes de Jerusalém a idolatria semelhante à idolatria da casa de Acabe, e também mataste teus irmãos, da casa de teu pai, os quais eram melhores do que tu.

Eis que o Senhor ferirá com uma grande praga o teu povo, os teus filhos, as tuas mulheres e toda a tua fazenda;

E tu terás uma grave enfermidade; a saber, um mal nas tuas entranhas, ate que elas saiam, de dia em dia, por causa do mal” 2 Crônicas 21:1,15.

A partir do texto da carta fica claro que Elias a escreveu depois que esses eventos ocorreram, pois ele fala deles como eventos passados ​​e da doença como evento futuro. Dois anos depois que o rei ficou doente, ele morreu. A existência da carta prova, não só que Elias estava na terra, mas também acompanhava o desenrolar dos fatos.

A carta que tinha sido entregue foi reconhecida como sua – provando que ele era conhecido por estar vivo em algum lugar. Lembrando que Jeorão assumiu definitivamente o trono depois de Josafá. Quando Elias “subiu”, Josafá ainda reinava. Esse intervalo de tempo entre a “subida” de Elias e a carta deve ser acrescentado ao tempo de reinado de Jeorão, que foi de oito anos (2 Cr 21:5). 

Elias não foi arrebatado ou transladado, mas sim transportado para uma região segura. Por esse motivo ele não se apresentou ao rei Jeorão, mas se comunicou por carta. Elias passou sua vida inteira sendo perseguido ferozmente e, como sempre, mais uma vez estava escondido. Deus chegava a alimentar Elias milagrosamente para que ele não precisasse se expor e ser descoberto enquanto ficava escondido de seus inimigos.  Quando isso ocorreu novamente no caso em 2 Reis 2:11, 16, Eliseu, sendo obediente aprendiz de Elias, sabia que não adiantaria e que não deveria ir procurá-lo.

Para onde Elias foi transportado? Para algum lugar no Reino do Sul. Ele era profeta no Reino do Norte (Israel) e foi transportado por Deus para ser profeta no Reino do Sul (Judá). Por isso profetizou contra o rei de Judá (Jeorão). Quanto tempo ele viveu, a Bíblia não revela. Certamente Elias morreu pouco mais tarde.

Todos os seres humanos nascidos de Adão, e isso inclui Elias, devem morrer – pois lemos: “Em Adão todos morrem” (I Coríntios 15:22). Elias era um homem “sujeito a paixões como nós” (Tiago 5:17) – sujeito à natureza humana e à morte e, em sendo ele carne mortal como somos, morreu. Ele é certamente um dos “profetas” (Hebreus 11:32) que morreu na fé ainda não tendo recebido a promessa (versículos 13 e 39).

Elias morreu e aguarda a ressurreição dos justos. Veja o que os judeus dizem a Jesus: “Disseram-lhe os judeus: Agora sabemos que tens demônios. Abraão morreu, e também os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte! Porventura és tu maior do que nosso pai Abraão, que morreu? Também OS PROFETAS MORRERAM; quem pretendes tu ser?” João 8:52, 53.

Os judeus sabiam que Elias havia morrido. O próprio Pedro confirma a morte de muitos: “os pais dormiram” (2 Pe. 3:4). Aqueles que “dormem” confiando em Cristo “já morreram”, diz Paulo (1 Cor. 15:18). A imortalidade espera o despertar do nosso corpo na volta de Cristo (1 Coríntios 15:51-54; 1 Tessalonicenses 4:13-17; João 5:29), não antes.  Ninguém que confiou em Deus, antes ou depois de Cristo foi despertado. Nenhum foi removido para o céu com seu corpo transformado e feito imortal. Ninguém, mas apenas Cristo subiu ao céu.

Davi, Salomão e Jó sabiam que Moisés, Enoque e Elias não haviam escapado da morte: “Que homem há, que viva, e não veja a morte? Livrará ele a sua alma do poder da sepultura?” (Salmos 89:48).

Todos vão para um lugar; todos foram feitos do pó, e todos  voltarão ao pó” (Eclesiastes 3:20). 

Porque eu sei que me levarás à morte e à casa do ajuntamento determinada a todos os viventes” (Jó 30:23).

Enoque e Elias não subiram ao céu. Em tom desafiador Salomão perguntou: “Quem subiu ao céu e desceu?” (Provérbios 30:4). Obviamente a resposta é um sonoro NINGUÉM! 

Elias e Enoque, junto com outros, estão no túmulo esperando a ação do Senhor Jesus Cristo em colocar seus inimigos sob seus pés para destruí-los (Atos 2:29). O glorioso Cristo entronizado então ressuscitará esses homens fiéis dentre os mortos, tornando-os “príncipes” em toda a terra. (Sal. 45:16; Apocalipse 20:11-13). O último inimigo a ser vencido é a morte. Isso foi dito por Paulo depois da ressurreição do Senhor Jesus, indicando que a ressurreição para a vida eterna, que ainda não ocorreu, é o triunfo sobre a morte. 

Com relação aos registros da transfiguração, onde o texto parece dizer que Moisés e Elias conversavam com o Senhor Jesus, devo dizer que há algumas fontes interessantes afirmando a ausência de Elias e Moisés da cena. Afirmações de que eles jamais estiveram naquele monte não são poucas. Infelizmente  milhões aceitam sem questionar, e nem mesmo se perguntam  como os discípulos foram capazes de discernir que se tratava de Moisés e Elias que estavam conversando com Jesus, considerando o fato de que eles caminharam na terra muito antes deles – de Pedro, Tiago e João terem nascido. E Moisés e Elias estavam vivos e falando!  

Uma pista importante podemos encontrar numa das cartas de Pedro, que ao falar do episódio da transfiguração omite a presença de Moisés e Elias. Veja:

Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade.

Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido.

E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo”.

No último versículo ele diz claramente que Elias e Moisés não estavam lá: “estando nós com ele no monte santo”. Isso é muito sério. Ninguém omitiria a presença dos dois profetas mais famosos do Velho Testamento daquele acontecimento, muito menos o JUDEU Pedro. Nada mais foi dito, muito menos por João que estava na cena. Como João pôde omitir do Evangelho que leva seu nome tão espetacular momento? 

Eu vou trazer um artigo sobre o que aconteceu no Monte da Transfiguração, mas somente ano que vem.

Não posso fechar este artigo sem antes fazer um comentário sobre uma passagem clássica, confundida por milhões de cristãos por causa de sua interpretação equivocada. É sobre Judas 9, quando menciona a luta do Diabo com o Arcanjo Miguel a respeito do corpo de Moisés.

Judas 9 “Mas quando o arcanjo Miguel, discutindo com o Diabo, disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele juízo de maldição, mas disse: O Senhor te repreenda”.

Muitos têm entendido que este versículo deixa claro que o diabo e Miguel tiveram uma disputa pelo cadáver de Moisés. Soma-se a isso o fato da Escritura indicar que Moisés despareceu de forma misteriosa, e que o próprio Deus o havia sepultado em lugar secreto.

Deuteronômio 34. 1 – 5, diz: “Então subiu Moisés das planícies de Moabe ao monte Nebo, ao cume de Pisga, que está defronte de Jericó; e o Senhor mostrou-lhe toda a terra desde Gileade até Dã.

Todo o Naftali, a terra de Efraim e Manassés, toda a terra de Judá, até o mar ocidental, o Negebe, e a planície do vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Zoar.

E disse-lhe o Senhor: Esta é a terra que prometi com juramento a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: ë tua descendência a darei. Eu te fiz vê-la com os teus olhos, porém para lá não passarás.

Assim Moisés, servo do Senhor, morreu ali na terra de Moabe, conforme o dito do Senhor, que o sepultou no vale, na terra de Moabe, defronte de Bete-Peor; e ninguém soube até hoje o lugar da sua sepultura”.

Talvez por causa da maneira altamente incomum sobre o sepultamento de Moisés registrados em Deuteronômio, muitos têm entendido Judas 9 como uma referência a uma disputa sobre o cadáver de Moisés. No entanto, vendo Judas 9 como uma referência a Moisés, ao corpo físico, suscita muitas interrogações. Não há provas noutros locais da Escritura de uma disputa sobre o cadáver de Moisés, e não está claro por que o diabo queria se apossar do corpo de Moisés.

A chave para a compreensão de Judas 9 é reconhecer que as vezes se usa o termo “O corpo de”, para descrever uma determinada igreja. Neste atual dispensação da graça, Paulo refere-se à igreja como o corpo de Cristo (1 Cor 12:27; Ef 4:12; Col 1:24).

Entendendo que os santos que viveram antes da crucificação não tinham uma compreensão clara da cruz (Lucas 18:31-34, Marcos 9:30-32), seria estranho usar este termo para se referir a Igreja no Antigo Testamento. No entanto, faria sentido usar o termo, o corpo de Moisés, desde o Antigo Testamento, para que os santos do Novo Testamento pudessem compreender quem era Moisés.

Considere o seguinte: o crente espiritual é batizado hoje no “corpo de Cristo”, como diz 1 Cor 12:13: “Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.

Vemos em Efésios 4:4 que existe um batismo. Se refere aos batizados na igreja, o corpo de Cristo (1 Cor 12:13), que é a mesma coisa que ser batizado “em Jesus Cristo” (Rm 6:3).

Observe como a Escritura descreve o batismo em Moisés em 1 Cor 10:1, 2: Pois não quero, irmãos, que ignoreis que nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem, e todos passaram pelo mar; e, na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés.

Quando os santos durante o tempo de Moisés eram “batizados em Moisés,” sabemos por 1 Corintios 12:13 e Romanos 6:3 que o significado é que eles eram batizados na igreja/congregação (Atos 7:37,38) daqueles dias, o que Judas 9 chama de “o corpo de Moisés”. Da mesma forma, Hebreus 3 deixa claro que Moisés pode ser usado como uma referência à casa, isto é, a “Igreja” que Deus estava construindo no Antigo Testamento.

Hebreus 3:1, 3 Pelo que, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus, como ele foi fiel ao que o constituiu, assim como também o foi Moisés em toda a casa de Deus. Pois ele é tido por digno de tanto maior glória do que Moisés, quanto maior honra do que a casa tem aquele que a edificou.

Em suma, o corpo de Moisés em Judas 9 é uma referência no Antigo Testamento para o corpo de fiéis assim como a igreja de hoje é chamada de o corpo de Cristo. Com esse entendimento é fácil compreender a verdadeira disputa entre Miguel e o diabo. E Miguel tem a responsabilidade de servir como o grande príncipe que defende Israel:

Dan 12:1 Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo; e haverá um tempo de tribulação, qual nunca houve, desde que existiu nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro.

Repare nessa passagem das Escrituras, onde trata mais extensamente sobre o conflito entre Miguel e o diabo. Apocalipse 12:7-10, diz: “Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam, mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céuE foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele”.

Enquanto a Miguel foi dada a missão de defender Israel, o diabo estava constantemente acusando Israel. Assim, parece não surpreender que o diabo e Miguel tivessem uma disputa entre eles. Portanto, o argumento não é quanto ao cadáver de Moisés, mas as intermináveis denúncias contra Israel, o corpo de Moisés, que eram feitas pelo diabo.

Enquanto os tradicionalistas interpretarem a Bíblia ao pé da letra, sempre existirão interpretações equivocadíssimas. Este é um dos muitíssimos exemplos.

Deus seja louvado

 

ZUMBIS em Jerusalém

Vamos ver como uma interpretação, que se tornou uma tradição, ou até uma constituição dentro do Cristianismo e do Catolicismo, está enganando a massa ignorante.

A seguinte história é uma breve narrativa de um incidente que alegadamente ocorreu após a morte de Jesus. Como ela é  credível aos olhos do cristão desavisado e distraído é do conhecimento de todo mundo teológico:

E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;  e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”  (Mateus 27: 52-53)

O entendimento comum, e universal, é de que muitos santos se levantaram dos seus túmulos e marcharam para Jerusalém! No caso de você não saber, Jerusalém naquela época era como Nova York hoje. Era uma cidade muito importante e não  apenas um pequeno município. No entanto, surpreendentemente, o único ser humano que se preocupou em registrar o evento, foi Mateus.

Você pode imaginar pessoas mortas saindo de seus túmulos e andando em uma cidade e encontrando MUITAS outras pessoas? Seria a notícia, não apenas do século, mas sim a maior notícia, única e exclusiva, em toda a história humana.

A razão exige que um incidente tão novo e extraordinário seja registrado por todos. No entanto, encontramos total silêncio no Novo Testamento, exceto por esse indivíduo solitário, Mateus. Nenhum dos outros três evangelhos mencionou o evento. Nenhum! O problema é agravado ainda mais quando somos informados pelo seguinte de um comentário bíblico famoso que diz:

Talvez Simeão, Zacarias, João Batista e outros, que haviam crido em Cristo, e eram conhecidos  em Jerusalém, saindo dos túmulos após a sua ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa (Jerusalém) e apareceram  a muitos – quem provavelmente os conhecia antes.  Deus, por meio disso, mostrou  que Cristo havia conquistado a morte e levantaria todos os seus santos no devido tempo “(Comentário de Wesley).

De acordo com o comentário bíblico acima aqueles que foram ressuscitados não eram apenas um grupo de pessoas insignificantes,  mas sim grandes nomes dentre o povo, como Simeão, Zacarias e João Batista. E José, esposo de Maria, que para muitos também havia morrido? Certamente ressuscitou como estes. E o comentário vai mais longe e enfaticamente diz que eles apareceram para muitos “que provavelmente os conhecia antes”. Portanto, não há dúvida de que este foi um evento aberto e não algum incidente escondido e isolado que passou despercebido.

O problema não termina aí; o que aconteceu à todas aquelas pessoas que foram ressuscitadas em Mateus 27: 52-53? Para onde foram Simeão, Zacarias e João Batista … e José? Ficaram escondidos em algum lugar? E o que exatamente eles fizeram quando encontraram  aquelas muitas pessoas em Jerusalém? Eles simplesmente entraram em Jerusalém e tiveram contatos com velhos conhecidos e se alegraram na presença de todos?

Lembre-se que os sacerdotes judeus subornaram os centuriões a negarem que Jesus havia ressuscitado, mas esses que ressuscitaram entraram em Jerusalém e apareceram a muitos que os conheciam e se tornaram testemunhas autênticas da ressurreição de Jesus sem impedimento algum?

Repito a pergunta: o que aconteceu com aqueles ressuscitados mortos? Eles viveram o resto de suas vidas com suas famílias, contando a todos como era a morte? Será que “muitas” famílias tiveram histórias de algum parente, talvez o Tio Jedediah, que voltou dos mortos daquela vez? E os santos que voltaram dos mortos para descobrir que o cônjuge viúvo havia se casado novamente? Onde estão essas histórias? Onde estão as discussões religiosas judaicas sobre o status desses mortos ressuscitados – se eles foram autorizados a se casar com uma família de levitas, se eles poderiam freqüentar o Templo?

Será que algum desses indivíduos ressuscitados teria pregado o Evangelho e viajado para muitos países, sustentando como prova do Evangelho sua própria ressurreição? Quantos teriam sido convertidos por tal espetáculo e testemunho? Qual epístola fala deles? E quantos comerciantes estavam em Jerusalém de terras distantes na época e teriam ido para casa com tais contos em seus lábios? Nenhum? Muitos questionamentos precisam ser respondidos.

Você pode dizer: “Sim, então qual é o grande problema?” Bem, as coisas não são tão simples. Existem várias razões para crermos que o evento jamais ocorreu, e o que realmente ocorreu foi uma infeliz tradução do texto grego. Porém, antes de entrarmos nos detalhes mais consistentes, vamos mencionar algo que  aconteceu na vida de Jesus e que foi registrado nos quatro evangelhos:

“… e eles o sentaram sobre (o jumento)” (Mateus 21: 7).

“… e ele (Jesus) assentou-se sobre ele (o jumento)”  (Marcos 11: 7).

“… e puseram Jesus  em cima  (do jumento)”  (Lucas 19:35).

“… Jesus … estava assentado sobre  (o jumento)”  (João 12:14).

Os autores dos quatro evangelhos anotaram que Jesus viria montado em um jumento! Você até pode alegar que é um cumprimento profético, mas o detalhe é por demais simples. Existem vários outros relatos similares e que foram registrados por todos eles e que não são proféticos. A questão aqui é a ênfase no jumentinho filho de uma jumenta. Eu não estou blefando caro amigo leitor: o texto fala que o jumentinho tem uma mãe!

O animal e sua mãe jumenta foram lembrados, mas ninguém sabe quem ressuscitou em Mateus 27: 52,53 e para onde foram, mas o que vemos é um silêncio sepulcral sobre um evento extraordinário: uma ressurreição em massa de pessoas santas – as ruas de Jerusalém ficaram cheias de mortos ressuscitados, aparecendo para seus amigos e familiares enquanto a história que corria era que o corpo de Jesus havia sido roubado?

Há algo de muito estranho nessa história, e vamos descobrir onde está …

O que realmente aconteceu?

Leia novamente o que o texto diz: “E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”,  Mateus 27:51-53.

O texto parece dizer que os santos ressuscitaram no momento da morte de Jesus, mas só apareceram para muitos na cidade de Jerusalém após a ressurreição dele: “depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa”.

Onde eles ficaram esses três dias? Eles ficaram dentro dos sepulcros sem ninguém voltar ali para conferir o fato? Ora, se houve uma ressurreição quando Jesus morreu, conforme sugerem estas e outras traduções, teriam os ressuscitados esperado até depois da própria ressurreição de Jesus, no terceiro dia, antes de saírem dos seus sepulcros? Isso não faz sentido algum.

O fato é que não houve ressurreição nenhuma, mas o que aconteceu foi um tremendo erro de tradução que enganou todo o mundo cristão até o presente momento. O que ocorreu, na verdade, é que  quando Jesus morreu, o terremoto acompanhante rachou alguns túmulos perto de Jerusalém e assim expôs os cadáveres aos transeuntes. Certamente muitos cadáveres ficaram expostos, alguns em posição vertical, e aqueles que entravam em Jerusalém vindos da crucificação testemunharam o fato.

Esses versículos não descrevem uma ressurreição, mas um simples lançamento de corpos para fora dos túmulos, similar a incidentes ocorridos em tempos mais recentes, como no Equador, em 1949, e na cidade de Sonson, na Colômbia, em 1962. El Tiempo (31 de julho de 1962) noticiou: “Duzentos cadáveres no cemitério desta cidade foram lançados fora de seus túmulos pelo violento tremor de terra.” Pessoas que passavam por ali ou através daquele cemitério viram os cadáveres, e, em resultado, muitos de Sonson tinham de ir para lá e enterrar de novo seus parentes falecidos.”

Pode-se traduzir Mateus 27:52, 53, dum modo que sugira que houve uma exposição similar de cadáveres em resultado do terremoto que ocorreu por ocasião da morte de Jesus. Assim, a tradução de Johannes Greber (1937) verte estes versículos do seguinte modo: “Túmulos foram abertos, e muitos cadáveres dos enterrados foram jogados em posição vertical. Nesta postura projetavam-se para fora das sepulturas e foram vistos por muitos dos que passavam por ali em caminho de volta para a cidade.

Outros escritores de renome já expressavam este entendimento. Em seu Comentário da Bíblia (escrito entre 1810 e 1826), o erudito Adam Clarke fez referência a isso:

Alguns pensaram que estes dois versículos foram introduzidos no texto de Mateus a partir do Evangelho dos Nazarenos, outros pensam que o significado é simples: vários corpos que haviam sido enterrados foram jogados para fora pelo terremoto e expostos, e continuaram na superfície até depois da ressurreição de Cristo, sendo vistos por muitas pessoas na cidade.”

E assim, mais uma tradição é desfeita …

Onde nosso Senhor foi Crucificado

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Apocalipse, em quase sua totalidade, não é um livro que deve ser interpretado literalmente – é um livro profético com muito pouco de história; é cheio de figuras e símbolos. Por exemplo, a mulher vestida de sol no capítulo 12 não é uma mulher literal; e as duas testemunhas? O que são? Ou melhor, quem são? Apocalipse 13 nos fala de uma besta que emerge do mar. Não se trata de um ser conhecido do reino animal, embora a Escritura afirme ser ele uma besta selvagem. E o mar de vidro que João viu dentro do céu? Eu poderia citar aqui vários exemplos, mas vou me deter apenas em mais um: “A cidade que se chama Sodoma e Egito, onde nosso Senhor foi crucificado”. Como identificar essa cidade neste Livro cheio de símbolos?

“E os seus corpos jazerão na praça da grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado”. (Apocalipse 11:8)

A propósito – a pergunta vai para um apologista católico chamado Cristiano Macabeus: “Quais foram as duas testemunhas martirizadas na Praça de Jerusalém antes de 70 d.C?” Se ele interpretou parcialmente a forma literal do texto, adicionando Jerusalém como a grande cidade, deveria também revelar quais foram as duas testemunhas – pessoas literais – martirizadas na praça dessa cidade.

Acreditem ou não caros leitores, mas esse apologista desistiu de defender o ensino de que Pedro redigiu uma de suas cartas de Roma pelo simples fato do texto dizer que ela foi escrita de Babilônia (1 Pedro 5:13), um codinome que muitos historiadores usam para Roma. Ele contraria todos os argumentos da Igreja católica que ensina por muitos séculos que o Apóstolo Pedro estava escrevendo de Roma. Ele prefere tirar Pedro de Roma para colocar Jerusalém como objeto da ira de Deus em Apocalipse. O apologista das multidões acredita que a Grande Cidade de Apocalipse é Jerusalém, e que o capítulo 18 deste livro descreve a queda da Cidade em 70 d.C.

E ele foi mais longe ao rejeitar uma argumentação que muitos católicos desejam ardentemente: que as duas testemunhas mortas na praça da Grande Cidade foram Pedro e Paulo – segundo a tradição os dois apóstolos teriam sido martirizados em Roma. Ele foi capaz de anular o ensino da instituição romana para, tão somente, afundar Jerusalém nas profundezas do inferno, colocando-a como a meretriz do Apocalipse, livrando assim a Igreja Católica dos infortúnios profetizados por João.

Que cidade é essa? Para quem deseja responder rápido e sem titubear, obviamente diz que é Jerusalém. O texto chama a uma resposta literal, pois a cidade em que nosso Senhor foi crucificado só pode ser Jerusalém, diriam muitos. No entanto, seria Jerusalém se o texto não fizesse parte de um livro cheio de figuras, que em várias passagens não pode ser interpretado literalmente, o Apocalipse. Aqui não é Mateus registrando seu evangelho, muito menos Lucas com sua pena de ouro, mas João recebendo profecias, a maioria delas para os tempos do fim.

Pode parecer absurdo para muitos que estudam a doutrina das últimas coisas, mas já vou adiantando: Jerusalém não é a Grande Cidade que se chama Sodoma e Egito.

Existe hoje uma corrente teológica estranhamente interessada em identificar Jerusalém na profecia de Apocalipse 11:8, e ela provém da Igreja Católica Romana. Eles podem ser identificados como os preteristas de Roma. O objetivo dessa nova teologia romana é tão somente enfraquecer a interpretação profética relacionada aos acontecimentos finais. Esforçam-se para remover as suspeitas que pairam sobre a Igreja Católica de ser a grande meretriz julgada em Apocalipse 17 e 18 para lança-las sobre Jerusalém. Além de ensinarem que a Grande Cidade de Apocalipse 11:8 é Jerusalém, afirmam que os dois capítulos localizados antes da vinda de Jesus, do mesmo livro, tratem da destruição de Jerusalém ocorrida em 70 dC. Ou seja, todas as profecias contidas até o capítulo 19, como o mistério dos sete trovões e as calamidades que apontam para os tempos finais, já se cumpriram, segundo alegam os preteristas do catolicismo. Essa foi a maneira que encontraram para tentar livrar a Igreja católica dos julgamentos relatados neste livro profético.

Isso torna a profecia extremamente confusa, pois não seria correto aplicar a Jerusalém os títulos de Mãe das Prostituições da terra, Mãe das Meretrizes, a que tem na fronte nomes de blasfêmia, citada em Apocalipse 17 e 18 – Além de ficar fora de foco chega as raias do absurdo.

A cidade que reinava sobre os reis da terra, chamada de Sodoma e Egito, citada aqui como figura para revelar a Babilônia dos tempos finais, não tipifica Jerusalém, mas sim Roma. Jerusalém tornou-se território Romano – as mais altas autoridades religiosas de Jerusalém, e todos os judeus em Jerusalém, chegaram a admitir que César fosse o seu rei (João 19:15). A sabedoria de Deus alcança Roma em cheio como a cidade que reinava sobre os reis da terra. Roma governava com mão de ferro sobre os judeus, por isso Jerusalém desaparece da profecia, dando lugar a Roma que fez da cidade santa uma de suas províncias.

Judeia (Iudaea) foi o nome dado à província do Império Romano, que se estabeleceu no território do Oriente Médio habitado e governado anteriormente pelos judeus… Em 63 a.C., o general Pompeu conquista a Judeia e anexa o território ao domínio romano… A administração do território é entregue a governadores romanos da ordem equestre, chamados de prefeitos. Mais tarde, serão também chamados de procuradores… Após a grande revolta de 68-70, desapareceu qualquer resquício de autonomia, passando todos esses territórios a constituírem a província romana da Judeia, desvinculada da província da Síria, e administrada por procuradores imperiais” (Judeia, província romana).

Quando Jesus nasceu, diz-se que foi feito um censo em todo território romano, não em território judeu. Lucas 1:2: “E ACONTECEU naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que toda a população do império se alistasse…”.

Toda a população do império faz referência à população do império romano, o qual governava sobre os reis da terra. Toda a palestina deveria se alistar, e foi denominada como população do império, o império romano. Portanto, o território judeu foi chamado de território romano. A coligação de romanos e judeus governava com autoridade.

A moeda corrente em Jerusalém tinha a face de César. Lucas 20:24 diz, “Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César“.

A terra dos judeus transformou-se em território romano!

Cristo foi crucificado na Judeia, na verdade, mas que se tornou uma província romana sob Pôncio Pilatos, governador romano, que por sua ordem, o Cristo, sofreu uma espécie romana da crucificação. Ele foi acusado de, embora falso, ser rei contra César, o imperador romano. Na verdade, Jerusalém desaparece nesta profecia em Apocalipse, dando lugar a Roma, o que indica que a nação foi sugada, como é evidenciado pelo pronunciamento dos sacerdotes judeus: “Não temos outro rei senão César” (João 19:15). Ora, se o Rei é Cesar, qual é esse reino? A profecia aponta diretamente para Roma como a cidade que reinava sobre os reis da terra, que descansava sobre sete montes, que também são sete reis. Somente através dessa figura é que ficamos sabendo que a profecia alcança a Grande Cidade religiosa dos tempos finais. Óbvio que não se trata de Jerusalém, pois ela é chamada de Mistério. Como a identidade da cidade é: “Mistério Babilônia, a Grande”, uma interpretação não literal seria necessária para identificar a cidade exata. Não seria mistério nenhum adicionar Jerusalém como o lugar onde nosso Senhor foi crucificado. Porém, por não tratar-se de Jerusalém, ela foi chamada: MISTÉRIO BABILÔNIA, A GRANDE.

Na verdade, a profecia aponta para os dois impérios romanos, que na verdade são um apenas um. Daniel fala do quarto animal “terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres” (Dn 7:7).

O profeta continua e diz que “o quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços“, v. 23 – o quarto reino foi o Romano. Não houve um quinto reino, e nem haverá. Assim, o que temos atualmente é uma continuação do Império Romano, agora com roupagem religiosa, que passou a ocupar o mesmo local geográfico do império romano pagão. Por esse motivo, e por muitos outros, Roma passa a ser a cidade que nosso Senhor foi crucificado, como também é a “… cidade das sete colinas que “domina os reis da terra” (v 19). Nos dias de João, era a Roma dos Césares que governava o mundo. Depois que os césares perderam seu poder, os papas reinaram em seu lugar e em territórios mais amplos e, muitas vezes, de forma mais implacávelJoão observa que a Mulher está vestidade púrpura e escarlate” (v 4). Essas eram as cores dos césares romanos, tornaram-se as da hierarquia católica romana e continuam sendo hoje. Por exemplo, a Enciclopédia Católica declara: “… a túnica justa até o tornozelo usada pelo clero católico como seu traje oficial … a cor para os bispos e outros prelados é roxa, para os cardeais escarlate…”. Talvez isso pareça um pequeno ponto, mas quando uma característica de identificação após a outra se encaixa, o caso se torna esmagador. Nenhuma outra cidade atende a todos os critérios, assim como Roma” (1).

João não nos diz o nome real da cidade, mas a condição espiritual dela. Jerusalém foi realmente chamada de Sodoma por Deus (Jeremias 23:14). Entretanto, em nenhum lugar na Bíblia Jerusalém é chamada Egito. Jerusalém era a referência do Êxodo, a saída da escravidão no Egito. Sua fundação contextual para esta declaração foi o Velho Testamento, tendo como referência o Êxodo da escravidão egípcia. Ela jamais poderia ser chamada de Egito por mais esse motivo.

Deus está nos dando uma pista sobre a identidade desta grande cidade neste versículo. Ele está revelando duas informações importantes que culminam na identificação desta metrópole. Primeiro, notamos que após ler “grande cidade”, Deus diz: “o que é espiritualmente” – ( que em outra passagem a identifica como Mistério, Babilônia). Portanto, sabemos que deve ter um significado não literal na identidade para ela. Portanto, esta grande cidade apenas tipifica Jerusalém. Este versículo não está tipificando a Jerusalém literal em sua opinião final.

Mas, por que Deus retrata a cidade também como Sodoma e Egito? “Porque ela representa todas as coisas que são espiritualmente repugnantes para Deus. Representa o pecado de Sodomia em todas as suas praticas. Ao se questionar a “cidade” aqui, é necessário encontrar nela abominações como as de Sodoma. Quem se enquadra hoje nessa categoria com suas imoralidades e perversões patrocinadas através dos séculos? Se devemos considerar que este foi o desenho para se referir a Roma papal, ninguém pode duvidar que as abominações que nela prevalecem não justifica tal apelo” (2).

A Cidade também foi chamada de Egito. O Egito tipifica os que ainda estão escravizadas a Satanás e em cativeiro espiritual para com os seus pecados, oprimidos e aprisionados no cativeiro dessa Grande Cidade. O Egito representa aqueles que não têm fé no precioso sangue de Cristo para redimi-los. Egito é conhecido nas Escrituras como a terra da opressão – a terra onde os israelitas, o povo de Deus, esteve preso em cativeiro. A ideia em particular, então, e transmitida aqui é, que “a cidade” referida seria caracterizada por atos de opressão e escravidão ao povo de Deus.

Os atos de perseguição impetrados em toda a história, concebidos para esmagar os verdadeiros cristãos, saíram de Roma mais do que de qualquer outra cidade na face da terra. Assim, e pelo testemunho de toda a história, sabemos hoje que não há nenhum lugar, tão corretamente designado pelo termo aqui empregado, a não ser Roma, representada pela Igreja Católica Romana.

A Igreja – todo o Cristianismo – pode ser vista como que influenciada por esse sistema babilônico à semelhança do “mesmo” sistema que enlouqueceu as nações lhes dando de beber em excesso (Jer 51:7; Apo 14:8). “A abominação da desolação transformou esta cidade em uma Sodoma, atestada claramente pelo orgulho e ociosidade dos sacerdotes, monges e frades que se amontoam nas ruas e praças deste grande metrópole. Onde também estão abertos a profanidade e desprezo para com a religião verdadeira, e particularmente para o pecado de sodomia, tão frequentemente cometidos nesta cidade, com toda a impunidade. Quanto a ser chamada de Egito, acrescento: é por causa de sua tirania e opressão. Como os egípcios mantiveram os israelitas em cativeiro, e os fez servir com rigor amargurado suas vidas, então esta Grande Cidade e suas gentes, ou egípcios, têm uma forma mais opressiva e rigorosa sobre as almas, corpos e propriedades dos homens, e também por causa de sua grande idolatria. O Egito foi muito marcante por causa do número de suas divindades e da maldade deles. Isso faz uma fusão inevitável com os ídolos e idolatrias da Igreja de Roma” (3).

Egito é a “Casa da sujeição” onde um “remanescente muito pequeno” está cativo a espera de libertação. A Cidade é também comparada ao Egito por causa de sua semelhança moral com a terra literal de Mitzraim, terra de idolatria. Sua superstição, sua ignorância do Senhor, o seu ódio que a faz oprimir o povo de Deus, a sua dureza de coração, a sua feitiçaria, adultérios e assassinatos, sua escuridão que pode ser sentida – que transcende a infâmia de Faraó e seus exércitos nestas abominações, a fazem semelhante ao Egito. A grande cidade é, portanto, bem ao estilo do verdadeiro Egito. Mas também é assim alegorizada porque as pragas que foram derramadas no Egito também cairão sobre ela (Apoc 18:4), e porque o Senhor dos Exércitos vai julgá-la a uma derrota, tão terrível e eficaz no julgamento, como quando julgou os egípcios pelas mãos de Moisés.

Esta Sodoma e Egito-territorial do gentilismo, é a Grande Cidade “onde o nosso Senhor também foi crucificado”. Isso é indicativo do império alegorizado por “Sodoma e Egito”. Cristo foi crucificado por Roma fora dos muros de Jerusalém. Além do mais, Ele foi crucificado em uma província do Império Romano; os judeus que habitavam a Palestina, repito, sinceramente testemunharam que eles não tinham outro rei além de César (João 19:15.). Daí, a grande cidade é o império de Roma, e tudo que é representado em Roma, cujas fronteiras foram decretadas pelo império a ser os limites da cidade. O império e a cidade, então, são coextensivos, em outras palavras, eles são os mesmos

Portanto, a cidade que se chama Sodoma e Egito, é Roma, tão somente Roma. Cristo foi crucificado em Roma. Cristo continua sendo crucificado em Roma, quando seus sacerdotes o crucificam de novo nos sacrifícios frequentes dele na missa. Hebreus 6:6, diz de pessoas que pervertem a verdadeira fé, que “estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus novamente”.

Se a passagem deve ser tomada em sentido figurado, o significado é que os atos realizados possam ser adequadamente representados como crucificar novamente o Filho de Deus. Ou seja, como ele vive em sua igreja, os atos de perverter as doutrinas e perseguir o seu povo, seria, de fato, um ato de crucificar o Senhor outra vez. Assim entendida, a linguagem é aplicada a Roma Católica. Por isso João pretendia realmente caracterizar aquela cidade como sendo a cidade de Roma quando usou uma linguagem que seria facilmente entendida por um judeu cristão. A interpretação da grande cidade de Apocalipse 11 é espiritual e mística, apontando claramente para a jurisdição de Roma, chamada de Sodoma e Egito. Portanto, o lugar onde nosso Senhor foi crucificado, é Roma e não Jerusalém. E por fim, em Roma, na Babilônia mística, será encontrado o sangue dos profetas, dos santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.

Por outro lado, Apocalipse 11 não fala da destruição da cidade de Jerusalém, quando diz sobre a cidade que o seu Senhor foi crucificado, mas o quadro da cidade é usado para mostrar o que acontecerá com as duas testemunhas nos tempos finais. O versículo diz que as duas testemunhas serão EXPOSTAS ao público na praça desta cidade. Como a praça de uma cidade denota um local público, um lugar de confluência e de grandes ajuntamentos, foi o lugar ideal escolhido pelos chefes da Grande Metrópole para expor os corpos dessas testemunhas. A intenção dessa gente aqui é querer projetar as duas testemunhas à publicidade, entregando-as ao silêncio, desgraça e desprezo, privando-os de todos os privilégios, que será conhecido em todo o império anticristão, onde estes serão expostos à humilhação pública e a vergonha. Sua gente, seus personagens, o seu testemunho, suas doutrinas, seus escritos, suas igrejas e famílias, e todos os que pertencem a eles, serão ridicularizados nesta praça, a praça da grande cidade.

Jerusalém não pode ser chamada de “a grande cidade”, isto é, Babilônia. Ela jamais poderia se tornar a capital mundial da apostasia idólatra, como a Babilônia era originalmente, e depois Roma, que tem sido “Sodoma e Egito”, tal como ela está aqui sendo chamada. Ademais, em sentido amplo, no período da Igreja histórica, significa dizer que a Igreja é o santuário e tudo que é de fora, foi e esta, exposto na praça da grande cidade, onde todos os martírios de santos tiveram lugar. Portanto, essa Babilônia marca a sua idolatria, que também representa o Egito com sua tirania; representa Sodoma, que aparece com sua desesperada corrupção, e por fim, representa também Jerusalém quando aparece com suas pretensões de santidade na terra dos privilégios espirituais. Tudo pode ser verdade quando se aplica a Roma.

Jesus foi crucificado por Roma. O mundo quase todo era Roma e Jerusalém era território romano. Por isso a cidade que se chama Sodoma e Egito, que reina sobre os reis da terra, onde NOSSO Senhor foi crucificado, descrita em Apocalipse 11, não tipifica Jerusalém, mas sim Roma.

A prostituta é vista assentada sobre sete montes. Várias foram as cidades, ao longo da história, conhecidas como cidades de sete montanhas ou colinas. Os muitos por aí que afirmam ser Jerusalém a grande meretriz, como também a cidade sobre sete montes, estão delirando. A interpretação óbvia no contexto do Apocalipse é à cidade de Roma, bem conhecida na época de João como a cidade de sete colinas. Esta interpretação se ajusta aos outros aspectos da descrição desta cidade que dominava “sobre os reis da terra” (17:18).

A Mãe Política e Eclesiástica

Nesta grande cidade, três mil milhas em uma direção, e dois mil em outra, os Cristãos passaram a ser crucificados, ou condenados à morte pela violência e poder do quarto animal “… que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro e as suas unhas de bronze; que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobrava”, Dan 7:19. No inicio foi com Jesus na Palestina e as testemunhas de Jesus como plateia, e depois tomou sua amplitude ocidental, sendo que todos estavam subjugados à competência especial dos governantes desta grande cidade.

No capítulo 17, esta grande cidade é comparada a uma prostituta embriagada, maravilhosamente vestida, e sentada em cima de uma besta escarlate, o símbolo do poder sobre a qual ela reina (versículo 18). O nome dela é estampada no quinto verso como “Mistério, Babilônia, a Grande, a mãe das Meretrizes e abominações da Terra.” Ela é “Mistério” porque ela é a personificação do “mistério da iniquidade”, aquele que Paulo diz que já estava em operação no momento da sua escrita (2 Tess 2:7).

Scaliger testifica que “mistério” já foi usado como uma inscrição na tiara do Papa, mas depois removido por Julius III. O termo “Mãe”, como aplicada à Grande Cidade, em suas relações eclesiásticas, é reconhecido por todos – “Romana Ecclesia”, diz o Concílio de Trento, “quae, omnium Ecclesiarum Mater et Magistra est”A Igreja Romana, que é mãe e senhora de todas as igrejas.

A própria postura e organização desta Mãe determina que não haverá falta de provas para identifica-la como política e eclesiástica, a cabeça deificada, com a grande cidade, a Babilônia apocalíptica. Na ocasião do Jubileu uma medalha foi cunhada, do tamanho de um quarto de dólar; em uma face está a efígie de Leão XII, e no anverso, uma mulher, simbolizando a Igreja Romana, sentada sobre um globo, com raios de glória na cabeça, uma cruz na mão esquerda, e um copo, assinalado com uma cruz em sua boca, na mão direita, estendido, como se apresentá-lo para ser bebido. Abaixo dela está a data, e em torno de seu rosto a legenda “Sedet super-Universam. Anno Iubi. MDCCCXXV”Ela se senta sobre o mundo. No ano do jubileu, 1825. Sim, ela se assenta sobre o mundo, ou “sobre muitas águas”, a prostituta se apresenta como as notórias prostitutas dos tempos pagãos, que levam seu nome na sua testa.

Assim diz Seneca, Nomen tuum pepenit na fronte: Pretia stupri accepisti – “O teu nome tem pendurado sobre a tua testa: tu recebeste a recompensa da tua desonra“.

Mas a grande cidade não é apenas espiritualmente ao estilo Babilônia por causa da confusão do discurso espiritual que obtém entre todos os “nomes e denominações” de que é constituído eclesiasticamente, mas porque é o desenvolvimento moderno do mesmo poder que existia nos dias da Babilônia sob a dinastia de Nabucodonosor, e porque um destino semelhante a aguarda. Podemos dizer que é o mesmo poder, apenas modificado pelo tempo e circunstâncias.

Nabucodonosor, que era, por assim dizer, o segundo fundador de Babilônia, a construiu para dominar povos e nações. Em Daniel 4:30 ele atesta: “… Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?”

E, para alertar aos que vivem em Babilônia, aqui vai um recado: Nabucodonosor ficou muito interessado em saber qual seria o destino do reino sobre o qual ele governava, e Daniel lhe mostra: “E a mim me foi revelado esse mistério, não porque haja em mim mais sabedoria que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses os pensamentos do teu coração“, Dn 2:30.

Uma representação simbólica foi apresentada diante dele em um sonho ilustrativo da consumação do reino da Babilônia “nos últimos dias.” Assim, o reino de Babilônia tem tido uma existência contínua de seu reinado até agora, pois estamos vivendo “nos últimos dias” dos quais falam Daniel. É verdade, que “a Casa do reino” não tem sido sempre Babilônia, que foi o início do domínio de Ninrode (Gên. 10:10), que tem sido, por vezes, um lugar, às vezes outro, até que finalmente Roma tornou-se “A Grande Cidade”. Várias dinastias tornaram-se herdeiros do reino de Babilônia. Depois de Nabucodonosor, houve a dinastia de prata e de bronze e a dinastia de ferro, como também a de barro – quatro ou cinco dinastias oriundas do mesmo reino, também chamado, “reino dos homens” (Dan 4:17). Este reino babilônico em sua manifestação dos últimos dias, ao estilo do Espírito apocalíptico, que é a grande cidade, Babilônia, a arena que vai ficar ereta e completa em todas as suas partes a imagem inteira dessa Grande Metrópole, e que, nestes últimos dias, será derribada pela pedra que foi arremessada sobre ela: “Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro; o grande Deus fez saber ao rei o que há de ser depois disto. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação“, Dan 2:45.

Assim, o Espírito Santo seleciona três dos centros mais infames da iniquidade entre os antigos para alegorizar a Grande Cidade, na arena de que tem sido desenvolvido e amadurecido a grande apostasia. É “espiritualmente”, ou figurativamente, chamado por estes nomes, Sodoma, Egito e Babilônia, por causa de sua semelhança impressionante com eles em suas feitiçarias, idolatrias, superstição, blasfêmia, opressão e perseguição ao povo de Deus. Daí, em Sodoma, no Egito, e na grande cidade, Babilônia, onde “nosso Senhor foi crucificado”; não em sua própria pessoa só, mas em suas testemunhas, pois o que é feito ao menor de seus irmãos, é feito também a ele (Mt 25:40).

A Deus toda Glória

(1) Citado em Mistery Babylon Identified, Dave Hunt

(2) Citado em Biblehub Commentary about Revelation 11, Barnes notes

(3) Citado em Exposition of the Bible, John Gills

Se você, amigo leitor, deseja mais informações sobre o assunto, então assista ao vídeo abaixo. Dave Hunt faz uma revelação surpreendente afirmando que o Império Romano continua vivo através da Igreja Católica Romana. As referências e minuciais são tão impressionantes que inevitavelmente podem assustar alguns.

É apenas um vídeo, um legendado e o outro dublado.

ONDE estava o Apóstolo João?

000000019Quando e onde foi escrito o Apocalipse? Certamente uma quantidade incontável de leigos e professores de escola bíblica, incluindo teólogos da melhor qualidade, respondam a uma só voz: “Evidente que foi em Patmos!”

A nossa teologia escatológica deixou-nos um legado irreversível e padronizado sobre João em Patmos através de mensagens limitadas a uma visão tradicional imutável. Provavelmente muitos entre os cristãos do nosso tempo, sejam eles leigos ou não, dificilmente tentariam dar uma olhadela ao redor para descobrir se tudo ocorreu mesmo da maneira como aprenderam. O quadro apocalipse exilio, pintado pelo ensino tradicional e entregue a cristandade, foi de um João totalmente sozinho e a vontade numa Ilha deserta do Mar Egeu, bem tranquilo e com total liberdade para escrever, editar, melhorar e enviar para as Igrejas localizadas nas regiões da Ásia Menor, o seu mais assombroso e espetacular  Livro jamais escrito, o Apocalipse.

Porém, como estamos aqui refutando as peripécias do Preterismo, é necessário dizer que todo o artigo é um confronto comandado pelo testemunho da história e das Escrituras contra as afirmações feitas por esta facção  com relação a datação do Livro.

A doutrina preterista ensina que  João foi enviado para a ilha de Patmos na década de 60 dC, onde recebeu e fez um registro de todas as visões do Apocalipse, que dizem ser um tratado profético concernente a invasão romana sobre Jerusalém/Israel em 70 dC. No entanto, como veremos, essa teoria complica extremamente a alegação do preterismo, que localiza o Apóstolo em Patmos  no governo de Nero, enquanto o testemunho da história garante que  ele foi exilado pelo imperador  Domiciano, que reinou de 81 a 96 dC.

Irineu atesta no quinto livro de sua obra Contra as Heresias que, “… a revelação [o Apocalipse]… foi vista há não muito tempo, mas quase em nossa própria geração, no final do reinado de Domiciano”. Se Domiciano foi condenado à morte em AD 96, consequentemente, e de acordo com Irineu, podemos concluir que o Apocalipse foi entregue a João em algum ponto dentro do mesmo ano, ou pouco antes. Obviamente, questionamentos devem surgir com respeito ao curto espaço de tempo dado a ele para reunir estas revelações e registrar em livro enviando o original para cada congregação da Ásia menor antes de deixar o exílio.

Clemente de Alexandria (155-215 AD) diz que João voltou da ilha de Patmos “depois que o tirano estava morto” (Quem é o homem rico?), e Eusébio, conhecido como o “Pai da História da Igreja”, identifica o “tirano”, como Domiciano (História Eclesiástica III 23).

Assim, como visto, a história testifica que João recebeu o Apocalipse pouco antes de ser liberto do seu cativeiro. Portanto, podemos inferir que ele esteve bem atarefado em Patmos diante de tão grande responsabilidade, pois, exilado em condições precárias, ainda assim conseguiu registrar tudo que viu em um livro enviando o original para fora da Ilha num tempo relativamente curto.

O Formato de um Livro

Não sei se o leitor sabe qual foi o motivo que levou João a Patmos; a tradição afirma que estando irritado por ter lançado o Apóstolo num caldeirão de óleo fervente e este não ter morrido, Domiciano o enviou para o exílio no intuito de silenciá-lo quanto ao testemunho do Senhor Jesus. Mas, ao que parece, João ainda assim continuava testificando de Cristo, pois  mesmo estando preso ele registrava as revelações recebidas.

Como solucionar esta aparente contradição?

Primeiramente devemos dar atenção à  introdução do Livro; atente o leitor para aquilo que começa a tomar o formato de um tratado profético quando observamos os detalhes no contexto que vem a seguir. A passagem nos deixa pistas de que João já havia recebido as revelações nesse momento, e, ao que tudo indica, ele não estava escrevendo do cativeiro em Patmos. Veja o que ele diz em Apocalipse 1:1, 2, que mais parece uma introdução de um livro que começa a tomar forma.

REVELAÇÃO de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu servo. O qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo o que tem visto”.

Veja como o versículo apresenta os verbos, o que deixa subentendido que as visões já haviam sido transmitidas. Atente para a frase, “Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu”, e que ele enviou a João. Ou seja, nesse instante, que sem dúvida é o momento da preparação do Livro, João já havia recebido as visões, pois o verso acrescenta que Jesus notificou a João e que João testificou acrescentando que ele também viu, o que podemos concluir como “já visto” quando atentamos para o detalhe em “tudo o que tens visto”, sugerindo que as revelações já haviam sido dadas. Como sabemos disso?  Precisamos apenas encurtar o versículo deixando-o assim,

“… Jesus… as enviou e notificou a João, o qual testificou de tudo que tens visto”. Estamos no verso um e dois, mas João já diz sobre coisas que viu. Observe o tempo dos verbos mais uma vez: Jesus enviou, Jesus notificou, João testificou, ou seja: confirmou. Isso parece um registro feito para ser inserido no fim do Livro, mas não foi.  Por que João escreveu dessa forma já no capítulo um? O que parece é que ele já havia recebido as visões e revelações do Senhor nesse momento. Observe o leitor que mesmo estando no inicio dos registros já podemos ler a sentença: “testificou de tudo que viu”.

O quadro parece de um João pós-exílio, em algum outro lugar pronto para organizar a escrita de todas as coisas que recebeu. No verso três ele chama de bem aventurados os que leem e guardam as palavras desta profecia; o problema é que estamos no capítulo um onde ele nem mesmo começou a registrar as profecias, além de insinuar um livro sem ao menos ele ainda ter tomado forma.

Bem-aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo”.

O que observamos em Apocalipse 1:1-3 é o típico modelo de um prólogo, ou seja, a introdução de uma obra literária. No caso aqui, é como se João  tivesse anotações diversas, mas  estava colocando-as em ordem.

Concluímos que, das duas uma: ou João se preparava para organizar as revelações que recebeu em Patmos transferindo para um livro o que teria ali no exílio anotado em pergaminhos diversos, ou ele escreveu tudo fora da Ilha sem nenhum registro prévio dependendo apenas da memória e do Senhor Jesus (João 14:26). O testemunho de um pai da Igreja pode nos ajudar nesse contexto. Vitorino, bispo de Pattau em Pannonia e que sofreu o martírio sob o imperador Diocleciano em 303 dC, escreveu em cerca de 270 AD no décimo capítulo de seu “comentário sobre o Apocalipse do bem-aventurado João”,

“… Quando João recebeu essas coisas ele estava na ilha de Patmos, condenado ao trabalho nas minas por César Domiciano. Lá, portanto, ele viu o Apocalipse, e quando envelheceu ele pensou que deveria finalmente receber sua quitação pelo sofrimento.  Domiciano foi morto e todos os seus juízos estavam descarregados. João foi demitido das minas, assim, posteriormente, entregou o mesmo Apocalipse que ele havia recebido de Deus”.

Brilhante o texto de  Vitorino, pois além de confirmar que João foi exilado no governo de Domiciano, ele também testifica que o Apóstolo entregou o Apocalipse depois de ser liberto do cativeiro.

Veja o detalhe no fim do seu comentário,

 “… João foi demitido das minas, assim, posteriormente, entregou o mesmo Apocalipse que ele havia recebido de Deus”.

Nesta altura dos relatos acredito que já pairam algumas dúvidas na mente dos leitores quanto a João ter entregue o Livro de Apocalipse para as Igrejas da Ásia enquanto estava no exílio.

Em Patmos ele foi informado de que deveria ainda profetizar a muitos povos, e nações, e línguas, e reis. “E disse-me: Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis” (Apocalipse 10: 11). Lembre-se que no verso anterior João mesmo escreve sobre os registros inseridos neste Livro, o que chama de profecia. E isto está de acordo com o padrão revelado pelo Senhor: a palavra profética  que muitos homens de Deus receberam foram passadas para a forma escrita,  como atesta Pedro, “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo“, 2 Pe 1:21, o que João confirma mais uma vez em Apocalipse 22:18 quando fala sobre “… as Palavras da profecia deste Livro…”.

Portanto, o que se cumpre – com ênfase no contexto principal que é a importância extrema no envio da mensagem do Apocalipse – é exatamente o que foi dito no capítulo 10:11 do Livro, de que o Apóstolo profetizaria “… OUTRA VEZ para muitos povos, e nações, e línguas e reis”. Assim, as visões que foram mostradas a João no exílio no final do reinado de Domiciano e perto da sua libertação tomaram o formato de Livro Profético ( o qual foi entregue às Igrejas da Ásia Menor, como também aos cristãos de todos os tempos), somente depois que ele foi liberto do seu cativeiro.

Onde João estava?

Atente para a redação deste versículo, o qual nos deixa forte indício de que João, enquanto escrevia estas palavras, não mais estava no exílio,

Apocalipse 1:9  Eu, João, irmão e companheiro de vocês no sofrimento, no Reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.

A NTLH acaba de vez com toda esperança preterista,

Apocalipse 1:9  Eu sou João, irmão de vocês; e, unido com Jesus, tomo parte com vocês no Reino e também em aguentar o sofrimento com paciência. Eu estava na ilha de Patmos, para onde havia sido levado por ter anunciado a mensagem de Deus e a verdade que Jesus revelou.

É necessário observar um detalhe no texto, aquilo que parece ser a típica introdução de um prisioneiro que se prepara para escrever suas memórias depois de ter sido liberto do seu cativeiro,

“… Eu estava na ilha de Patmos, para onde havia sido levado”.

João e Domiciano

Sendo João aprisionado no governo de Domiciano, um rei romano cruel ao extremo podemos imaginar quantas dificuldades o cercavam no exílio. Sabemos com certeza que ele não teve as facilidades para a escrita como temos hoje. Além disso, sendo o local propriedade de Roma, era também uma mina de trabalhos forçados, o que nos leva a concluir sem sombra de duvidas que o Apóstolo não  estava ali de férias.

Quero transcrever aqui uma contribuição enviada a mim pelo Apologista e amigo Lucas Banzoli que encaixa perfeitamente neste contexto:

“… a ilha de Patmos era uma prisão sem muros, onde os prisioneiros eram obrigados a trabalhar nas minas de carvão. Era uma ilha isolada do continente e se localizava no mar Egeu. Por ser separada do continente seria IMPOSSÍVEL a João “pegar um barco” e enviar suas inúmeras cópias do Apocalipse para as mais diversas regiões do Império Romano, inclusive às sete igrejas da Ásia mencionadas nos capítulos 2 e 3, estando preso e submetido a trabalhos forçados em uma ilha completamente isolada do continente“. Citado em HERESIAS CATÓLICAS – “Revelação bombástica contra o preterismo

Diante desse quadro devemos nos perguntar: como João conseguiu enviar para as Igrejas locais da Ásia – sem impedimento algum – um livro profético inteiro, recheado de denuncias contra Roma alertando os cristãos que seriam perseguidos pelo mesmo império que ali o aprisionou?

O historiador da igreja Eusébio Pamphilio, que nasceu em cerca de 260 e morreu antes de 341, e foi Bispo de Cesaréia na Palestina, no capítulo 18, Livro 3 de sua História da Igreja, Atesta:

“… o apóstolo e evangelista João, que ainda estava vivo, foi condenado a morar na ilha de Patmos, em consequência de seu testemunho à palavra divina…”.  Eusébio esclarece que João foi exilado em função do seu testemunho por Cristo, o que não nos permite acreditar que ele, enquanto cativo, tenha concluído e enviado para fora do exílio seu mais importante testemunho, o Livro de Apocalipse.

Atente para estes escritos, e entenda o amigo leitor como estava o clima no governo de Domiciano; “… Domiciano foi particularmente cruel e ostensivo imperador romano, que reinou de AD 81-96. Ele regularmente prendia, encarcerava e executava seus inimigos, até mesmo os nobres e senadores romanos, confiscando suas propriedades para seu próprio uso. De acordo com a Enciclopédia Britânica, “Os anos 93-96 foram considerados como um período de terror até então insuperável“.

A Enciclopédia também nos informa que “Uma fonte de escândalo foi sua insistência em ser chamado de dominus et deus (“ senhor e deus”). Talvez isso despertou em Domiciano um ódio de cristãos fiéis, que teriam se recusado a ele essa demanda. No terceiro livro, o capítulo 17 de sua História Eclesiástica, Eusébio escreve,

Domiciano, tendo mostrado grande crueldade para com muitos, colocou injustamente à morte não pequeno número de homens bem-nascidos e notáveis ​​em Roma, e, sem causa exilou e confiscou a propriedade de um grande número de outros homens ilustres, finalmente tornou-se o sucessor de Nero em seu ódio e inimizade para com Deus. Ele era na verdade o segundo que suscitou uma perseguição contra nós, embora seu pai Vespasiano tivesse empreendido nada prejudicial para nós”.

Domiciano era tão odiado por seus excessos que a própria esposa participou da conspiração para assassiná-lo. Após a sua morte, seu sucessor, Nerva, inverteu muitos dos julgamentos cruéis de Domiciano, e João foi posteriormente liberado. O reinado de Domiciano terminou em 96 dC, e isso tem proporcionado os meios tradicionais para datar a redação do livro do Apocalipse”. (1).

Há um detalhe importantíssimo citado neste texto acima que deve ser destacado. A Enciclopédia Britânica esclarece que “Os anos 93-96 foram considerados como um período de terror até então insuperável“.

Como testificou Irineu, João teve as visões do Apocalipse no fim do governo de Domiciano. Considerando que o imperador foi assassinado em 18 de setembro de 96 dC, podemos concluir que João pode ter recebido as revelações no final do ano de 95, ou mesmo no inicio do ano de 96 dC, exatamente no tempo do “período de terror até então insuperável”. Portanto, fica difícil crer que ele, diante de circunstâncias extremamente desfavoráveis, conseguiu ainda enviar as mensagens para fora da ilha encorajando os cristãos a ficarem firmes diante das perseguições que seriam movidas contra eles pelo mesmo governo que o aprisionou em Patmos.

As evidências que favorecem uma data tardia para a redação do Livro de Apocalipse  ainda prevalecem, pois  como  vimos,  a alegação preterista de que João foi exilado  na década de 60 dC  inevitavelmente desmorona, não tendo nenhum  fundamento  bíblico e muito menos histórico.

Por Deus e seu Reino

1) Citado em, When was the Revelation of Jesus Christ written?

Babilônia e o Sangue dos Apóstolos

Lucas 11:49-51 “… Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros; Para que desta geração seja requerido o sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado; Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração…”.

Aqui o Senhor Jesus sentencia “Jerusalém” a uma pena terrível quando joga sobre seus ombros toda a responsabilidade pelas mortes dos profetas do Antigo Testamento.

No entanto, fica uma lacuna, pois se comparamos esta palavra com outra sentença em Apocalipse que descreve a queda de Babilônia descobrimos algo curioso. Observamos que Deus exige de Babilônia o sangue dos profetas, o sangue das testemunhas de Jesus e o sangue DOS APÓSTOLOS. Podemos inferir pelo contexto de Lucas que os Apóstolos foram perseguidos por Jerusalém, mas não mortos por ela. Note abaixo que a profecia em Apocalipse incluiu Apóstolos e testemunhas de Jesus.

Apocalipse 18

20 Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela.

24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos [Apóstolos], e de todos os que foram mortos na terra.

Apocalipse 17

6 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos [Apóstolos], e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

Além disso, Jerusalém jamais poderia ser responsável pelos milhões de cristãos que foram martirizados depois de sua destruição. E aqui entra mais uma questão crucial que precisa ser respondida pelo preterismo: Por que a sentença muda em Apocalipse quando responsabiliza Babilônia pelo sangue de todos que foram mortos sobre a terra, omitindo a expressão “desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias”, se o julgamento é mesmo sobre a Jerusalém de 70 dC?

Lucas escreveu seu Evangelho por volta de 60; uma vez que a conclusão de Atos mostra Paulo em Roma, sabemos que o Evangelho de Lucas foi escrito antes disso (Atos 1:1). Por outro lado, se Lucas tivesse escrito seu Evangelho depois de 70 dC, certamente falaria sobre a destruição de Jerusalém. Portanto, se seguimos a cronologia preterista, João já estava em Patmos se preparando para escrever sobre as visões do Apocalipse ao mesmo tempo em que Lucas escrevia o Evangelho. Se fosse mesmo verdade que os dois escritores estavam tão perto um do outro na escrita, por que em Apocalipse João não repete a sentença, “a vingança pelo sangue de Abel até Zacarias“, mas ali fala de Apóstolos e testemunhas de Jesus? Testemunhas de Jesus e apóstolos só poderiam ter sido martirizados depois da morte do Senhor. O que temos aqui é muito sério, e nos estimula à uma pergunta importante: Quantas testemunhas do Senhor Jesus e Apóstolos morreram antes de 70 dC ao ponto de Apocalipse conclamar que se alegrem pela vingança de seu sangue? Por que este movimento todo para vingar uma dúzia de testemunhas do Senhor e menos de três Apóstolos?

O que o preterismo propõe é contraditório, pois eles colocam João em Patmos escrevendo Apocalipse 18 antes da destruição de Jerusalém, época em que pouquíssimas testemunhas de Jesus haviam sido martirizadas. E como sabemos, a maioria dos Apóstolos do Senhor só vieram a morrer muitos anos depois da queda da Cidade Santa.

E mesmo que fique provado que o Apóstolo Paulo foi executado em 67, e que Pedro morreu no mesmo ano, não poderíamos de forma alguma responsabilizar Jerusalém por suas mortes. De fato, só temos “dois Apóstolos” martirizados dentro de Jerusalém até 70 dC e apenas um registro bíblico (Atos 12:1, 2): Tiago, irmão de João, que foi assassinado por ordem de Herodes, um rei nomeado por Roma, também criado e educado em Roma – Marcus Julius Agripa, assim chamado em homenagem ao estadista romano Marcus Vipsanius Agripa, e Tiago, irmão de Jesus, que não fazia parte dos doze. Os registros sobre a morte de Tiago podem ser encontrados fora das Escrituras.

Jerusalém e o sangue dos Apóstolos

Observem que no contexto de Apocalipse 18, Deus conclama muitos a se alegrarem com a derrocada dessa babel, e entre eles achamos dois tipos de mártires; isso nos traz uma revelação surpreendente, pois dentre os que devem se alegrar com a queda de Babilônia estão: “As testemunhas de Jesus e os Apóstolos”. Aqui e dito que eles se alegrem por terem seu sangue vingado. O que nos chama a atenção é: Podemos responsabilizar mesmo Jerusalém pelo martírio dos Apóstolos e das testemunhas de Jesus?

Leia novamente os textos

Apocalipse 18

20 Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela.

24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

Apocalipse 16

6 Visto como derramaram o sangue dos santos [Apóstolos] e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores.

Apocalipse 17

7 E vi que a mulher estava embriagada do sangue dos santos [Apóstolos], e do sangue das testemunhas de Jesus. E, vendo-a eu, maravilhei-me com grande admiração.

O contexto mostra também profetas – por mais esse motivo o preterismo afirma que Babilônia deve se referir a Jerusalém, porque só Jerusalém matou profetas do Antigo Testamento, e “profetas do Apocalipse deve referir-se profetas do Antigo Testamento”.

Os textos citados acima nos dizem que Babilônia estava embriagada com o sangue dos profetas. Este é um ponto crítico! O termo, “os profetas”, aparece 88 vezes no Novo Testamento. Para muitos, o uso predominantemente normal do termo refere-se a profetas do Antigo Testamento apenas, o que não é verdade.

Apocalipse 18:20, evidentemente, refere-se a apóstolos do Novo Testamento. E os profetas? Podemos ler: “Alegra-te sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas; porque já Deus julgou a vossa causa quanto a ela“. O outro texto fala das testemunhas de Jesus, o que só pode ser aplicado para testemunhas da era do Novo Concerto. Então, para discutir se estes são apenas os profetas do Antigo Pacto é bastante duvidoso.

A palavra Apóstolo aqui é comumente limitada aos 12. Não há impropriedade, no entanto, em supor que os apóstolos são referidos aqui, uma vez que eles teriam a oportunidade de se alegrar que o grande obstáculo para o reino do Redentor foi agora retirado, e que quem causou suas mortes e sofrimento estava agora sendo julgada.

Testemunhas de Jesus, santos apóstolos e profetas”, fazem três tipos distintos de pessoas, que consiste a Igreja, sendo que a expressão santos pode também ser aplicada aos membros privados das igrejas. Babilônia aqui persegue a Igreja do Senhor e por essa perseguição ela será cobrada.

Difícil identificar a Babilônia de Apocalipse com Jerusalém. Primeiro, Jerusalém não se encaixa com a descrição em Apocalipse capítulo 17, como a cidade sobre sete colinas. Além disso, Jerusalém não saiu do Império Romano, mas o chifre pequeno de Daniel (que deve ser identificado com a Babilônia do Apocalipse) saiu do Império Romano. Mas esse é assunto para outro tópico…

Depois da Destruição de Jerusalém

Milhões de cristãos foram mortos durante séculos após a destruição de Jerusalém – até um ateu, criança ou mobralista sabe desse fato. Portanto, Jerusalém não pode ser responsável por estes mártires – o sangue destes só pode ser requerido de outro. Por isso existe uma diferença no julgamento da grande Babilônia de Apocalipse 18: Ela passa a ser responsável por todas as mortes que ocorreram na terra. Por esse motivo, Jerusalém/Israel não pode ser responsabilizado pelos mártires exterminados após sua queda em 70 dC, pois a nação estava destruída, e em breve seria espalhada por sobre a terra, sem poder militar, eclesiástico e politico. É desta, que tomou o lugar de Jerusalém e da Babilônia antiga, que Deus cobra pelo sangue de “… todos os que foram mortos na terra” (Apo 18:24).

A responsabilidade sobre “todos que foram mortos sobre a terra”, refere-se a seus conselhos e influência, quando envolve outras nações e povos para perseguir e destruir os verdadeiros seguidores de Deus. Todos que foram mortos sobre a terra – não só daqueles que foram mortos na cidade de Roma, mas todos aqueles que foram mortos por todo o império, sendo mortos por sua ordem, ou com seu consentimento.

Não há uma cidade atualmente que possamos aplicar este título a não ser a Roma Católica. A culpa do sangue derramado sob os imperadores pagãos não foi removido sob os Papas, mas extremamente multiplicado. Nem é Roma apenas responsável por aquilo que tem sido derramado na cidade, mas pelo que derramou em toda a terra. Em Roma sob o papa, bem como antes, sob os imperadores pagãos, ordens foram dadas, sangrentas e editais, para que o sangue de homens santos seja derramado, enquanto havia grande alegria para ela. E que quantidade imensa de sangue foi derramado por seus agentes!

Charles IX, da França, em sua carta a Gregório XIII., Orgulha-se, que em pouco tempo e após o massacre de Paris, ele tinha destruído setenta mil Huguenotes. Alguns têm calculado que, a partir do ano 1518 até 1548, quinze milhões de protestantes morreram pela Inquisição. A estes podemos acrescentar inúmeros mártires, em tempos antigos, meio e fim, na Boêmia, Alemanha, Holanda, França, Inglaterra, Irlanda, e muitas outras partes da Europa, África e Ásia. E o massacre de santos continuou com a Roma pagã e não cessou depois que ela ruiu – a Roma Católica tomou seu lugar.

O que Deus faz, na verdade, é lançar a culpa sobre essa Babel pelo sangue de TODOS que foram mortos por sua fé, o que deve significar que sobre ela recai o sangue de todos os mártires em todos os tempos – ela pode ser una extensão da Babel original. Assim, Deus faz cair sobre ela a responsabilidade por todos os martírios ocorridos desde os tempos passados até o dia de seu julgamento. Se a sentença é dada para o tempo do fim, então ela tem mesmo que ser responsável por todos os cristãos que foram eliminados em todos os tempos.

Sabemos que Apocalipse superlota os tempos de profecias sobre as tribulações que viveu o povo de Deus nas mãos do império Romano, e que podem ser extraídas para cumprimento real, mesmo se o preterismo católico romano declare a aberrante heresia de que os capítulos de 1 a 19 de Apocalipse tiveram cumprimento em 70 dC.

Ela, a Babilônia, é vista embriagada com o sangue dos mártires.

E eu vi a mulher embriagada com o sangue dos santos, e com o sangue dos mártires de Jesus: e quando eu a vi admirei-me com grande admiração.” (17 v6)

Isto é uma profecia, e Jerusalém já estava destruída nessa época. Por isso Deus não pode requerer o sangue dos milhões que foram mortos após a destruição de Jerusalém da própria Jerusalém!

Os que sofreram o martírio do mundo todo depois da queda da Cidade Santa foram em números elevadíssimos comparados aos santos de Abel até Zacarias. O massacre de cristãos foi tão vasto após a destruição de Jerusalém que os cálculos se perdem em milhões de pessoas. E dessa Babel que João fala, e ela não pode ser Jerusalém. Por isso em Apocalipse 18 ela é sentenciada por muitas coisas, sendo que uma delas é sangue, sangue humano,

Apocalipse 18: 24 E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.

Tudo nos leva a crer que essa foi uma palavra que será cumprida num tempo de julgamento final: O ACERTO DE CONTAS. Se o texto inclui todos os que foram mortos sobre a terra, entre eles Apóstolos e testemunhas de Jesus, então fica implícito que chega ao fim a era dos mártires e a hora de cobrar o sangue destes. Fica evidente o dia do acerto de contas, feito um capítulo antes da vinda de Jesus registrada em Apocalipse 19. Esse é o momento do julgamento dessa Babilônia.

Fica extremamente fora de contexto afirmar que em 70 dC houve vingança pelo sangue dos Apóstolos e pelo sangue das testemunhas de Jesus, o que supostamente teria ocorrido trinta e cinco anos apenas após a morte do Senhor, quando não havia tantos registros de mártires do Novo Testamento – devemos nos lembrar que muitos Apóstolos atravessaram a década de 70 com vida.

O contexto aqui revela um julgamento final de Babilônia, o que não pode ter ocorrido em 70 dC. Sabemos com certeza que a maior parte dos Apóstolos (e aqui provavelmente fala do grupo que Jesus escolheu, pois eles são especialmente citados separados das testemunhas de Jesus e dos profetas) morreu depois da destruição de Jerusalém. Portanto, não há como ela ser responsável por ter eliminado Apóstolos e testemunhas do Senhor.

Jerusalém não pode ser responsabilizada pelos milhares de cristãos jogados para as feras nas arenas romanas. Não se pode responsabilizar Jerusalém pelas tochas humanas que iluminavam as ruas nas adjacências de Roma. E por fim, não podemos responsabilizar Jerusalém pela INQUISIÇÃO!

O contexto de Apocalipse 18 revela como Deus toma vingança contra aqueles que mataram seus profetas e apóstolos e até mesmo o seu bendito Filho. Finalmente, todos aqueles martirizados por estes devem ser vingados. O momento tão esperado de retribuição e vingança pelo qual todos os redimidos esperavam, chegou…

Estas fotografias nos últimos versos do capítulo 18 de Apocalipse mostram, a partir de dentro, o resultado do colapso no sistema babilônico. A sua total destruição é mostrada pela repetição de várias frases como, “não será jamais achada”, “não se ouvirá mais” e “não se achará mais”. A pedra lançada ao mar retrata a violência e a permanência da destruição. O sistema babilônico começou em Gênesis 10, e continuou sem interrupção, de uma forma ou de outra, até os dias de hoje. Mas um dia ele vai de repente “afundar”, para nunca mais voltar.

Fontes

Estimates of the Number Killed by the Papacy – David A. Plaisted

The history of Henry IV, (surnamed the Great), king of France (1896)

Revelation, Chapter 18, em http://www.discoverrevelation.com

Sinais anteriores à VINDA de Jesus

Lembre o leitor que os discípulos fizeram a Jesus, não uma, mas três perguntas.

E estando ele sentado no monte das Oliveiras, os discípulos vieram a ele em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas? E qual será o sinal da tua vinda e do fim do mundo? Mat 24:3

1 quando serão essas coisas (Pergunta feita em cima de uma palavra de Jesus com relação templo, do qual ele disse que não ficaria pedra sobre pedra).

2 qual será o sinal da tua vinda?

3 qual será o sinal do fim do mundo?

A questão dos discípulos estava relacionada com a destruição de Jerusalém, a vinda de Jesus e o fim do mundo.

Jesus respondeu de uma maneira indicando que a destruição de Jerusalém seria uma coisa e sua vinda e o fim do mundo seriam outras. Está claro em todo o capítulo que Jesus mistura elementos envolvendo os três eventos em sua resposta. Desde os primeiros versículos de Mateus 24 para 25:46, a ênfase maior foi na sua segunda vinda.

Será que os preteristas poderiam responder onde estão as respostas de Jesus em Mateus 24 para essa indagação dos discípulos,

“… que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?”

Se 90 % de Mateus 24 cumpriu-se na destruição de Jerusalém, então devemos apenas esperar sua segunda vinda, sem que antes aconteçam tribulações, angústias das nações, sinais nos céus e na terra, terremotos e guerras e etc…

Seria possível admitirmos que Jesus, aqui nessa sequência,  responde aos discípulos sobre acontecimentos que precederiam a queda de Jerusalém em 70 dC?

“… Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos”, v 5 do capitulo 24 de Mateus.

“E ouvireis de guerras e de rumores de guerras; olhai, não vos assusteis, porque é mister que isso tudo aconteça, mas ainda não é o fim”, v. 6

“… se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares”, v.7.

“Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão”, v 10.

“… surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos”, v 11.

“E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”, v.12.

“Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo”, v.13.

“E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”, v 14.

“Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda”, v. 15.

“Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver”, v.21.

“E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias”, v.22.

“Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito”, v.23.

“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”, v 24.

“E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas”, v.29.

O  preterista em sua desesperada defesa cita uma passagem paralela em Lucas que trata explicitamente do cerco de Jerusalém,

Lucas 19

20 Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.

21 Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes; os que estiverem no meio da cidade, saiam; e os que nos campos não entrem nela.

22 Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.

23 Mas ai das grávidas, e das que criarem naqueles dias! porque haverá grande aperto na terra, e ira sobre este povo.

24 E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos…”.

Evidente que Jesus responde nesta específica passagem  a primeira pergunta dos discípulos. No entanto, o preterista não quer considerar que Jesus também responde, tanto em Lucas, Mateus ou Marcos, fatos que acontecerão antes da sua vinda e do fim do mundo.

Vou aqui usar elementos da mesma passagem de Lucas, e tentar localizar os acontecimentos ali descritos para antes da queda de Jerusalém. Observem como eles ficarão fora de tempo e lugar.

25 E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas.

Jerusalém fica a mais de 50 milhas do porto de Jope, mas não sei por que a Bíblia diz sobre espanto dos moradores de Jerusalém pelo bramido do mar e das ondas. Quem sabe dizer por as nações ficaram angustiadas pelo bramido do mar e das ondas antes de 70 dC se a batalha era travada apenas entre Jerusalém em Roma na região da Judéia, e em terreno seco?

Segue

26 Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas.

Essa aqui é simplesmente impressionante: os homens de Jerusalém desmaiaram de terror pelas coisas que sobrevieram AO MUNDO todo!

Que coisas ocorreram no MUNDO TODO em 70 dC que fez com que os moradores de Jerusalém desmaiassem de terror? Por que o Senhor Jesus fala sobre a “… expectação das coisas que sobrevirão ao mundo” se a guerra era localizada em Jerusalém apenas?

27 E então verão vir o Filho do homem numa nuvem, com poder e grande glória.

O então faz a coesão de todos os elementos acontecendo dentro da mesma profecia. Em outras palavras, Jesus dizia que estas coisas ocorreriam imediatamente antes da  sua vinda. Jesus não falava aqui para a geração sobrevivente dos seus dias, pois a esta geração citada aqui é prometida redenção, e não destruição como ocorreu com a geração de 70 dC. Observe o texto abaixo,

28 Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima.

Que coisas? As calamidades descritas aqui em Lucas, Mateus e Marcos.

Queria saber onde neste vasto planeta está o preterista que responderá este questionamento:

Jerusalém estava para ser destruída totalmente. Quase um milhão de judeus foram dizimados, sem contar os que tiveram que fugir doentes e outros padecendo de fome. Uma multidão morreu de inanição no caminho, e muitos  morreram depois de doenças, e Jesus ainda diz que a redenção deles estava próxima?

Evidente que Jesus responde aos discípulos exatamente as três perguntas que lhe foram dirigidas. A tese preterista de que Jesus não responde sobre sua vinda e sobre o fim do mundo, não procede. Jesus mistura elementos da destruição de Jerusalém em Lucas e Mateus, mas fala muito mais sobre os sinais que precedem sua vinda e o fim do mundo.

Jerusalém e Babilônia

Jerusalem

Todo o caminho através das Escrituras Babilônia sempre significa Babilônia e Jerusalém sempre significa Jerusalém. Enquanto as Escrituras normalmente relacionam Jerusalém com o povo de Deus, relaciona Babilônia com o mundo. Os detalhes de Apocalipse 17-18 assemelha-se pouco com a Jerusalém do primeiro século. Por exemplo, Jerusalém não se sentava sobre muitas águas (17:15), ou mesmo reinava sobre os reis da terra, e nem ainda se assemelhava a uma potência econômica (18).

Além disso, embora a descrição da prostituta parece comunicar o seu grande envolvimento com a idolatria (adultério espiritual, coisas impuras e abominações), esta não é uma descrição da Jerusalém do primeiro século, à luz do fato de que a cidade daquela época era estritamente monoteísta. A condição dos judeus em 70 dC, não pode ser a que foi descrita em Apocalipse 9:20, onde fala daqueles que foram feridos pela explosão da sexta trombeta; alguns dos quais foram mortos, e alguns poupados, não poderiam ter sido judeus, pois o texto diz que estes estavam envolvidos com idolatria,

E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar”.

Não seria possível aplicar essa passagem aos judeus, pois eles não eram idólatras. Não podemos acusar a Jerusalém de 70 dC de fabricar ídolos de outro, de prata e de bronze (Rom 2:22).

É extremamente importante para o correto entendimento de quem é essa prostituta e considerar todos os elementos que a caracterizam. Esta “Babilônia, a mãe das meretrizes”, é descrita em Apocalipse 18:17 como uma cidade marítima envolvida no comércio com navios. Apocalipse 17:1 anteriormente descreveu-a como estando assentada sobre muitas águas. Não há nenhuma maneira de ser uma descrição de Jerusalém se juntamos o que é apenas símbolos. Jerusalém se localizava no deserto, a quarenta milhas do porto de Jope. Os símbolos em Apocalipse insistem em identificar essa metrópole até quando menciona o rio Eufrates, que é ligado a Babilônia original, mas não a Jerusalém.

Não se espera que Jerusalém, que foi destruída pelos romanos em 70 dC, poderia ser a mesma metrópole vista em Apocalipse, pois o texto diz que a mulher, a grande cidade, reina (está reinando) sobre os reis da terra. Os judeus e Israel certamente não reinavam sobre os reis da terra nesse tempo. Roma e os reis da terra não estavam sujeitos aos judeus e a cidade santa. Muito pelo contrário, os judeus e sua cidade foram alvos de Roma e seu Imperador, o rei da terra habitada.

Além disso, tudo, como poderia ser Jerusalém considerada a “mãe das meretrizes” ou a fonte de toda prostituição quando a prostituição existiu (Gen 11:1-9) muito antes de a cidade de Jerusalém ter existido?

Há uma série de motivos que não fazem de Jerusalém a prostituta de Apocalipse 17.

a) A prostituta também é chamada Babilônia. Apocalipse 17 e 18 é sobre a destruição da Babilônia. Este é o cumprimento final das previsões feitas em Isaías 13 e 14 e Jeremias 50 e 51. Nesses capítulos Israel e Jerusalém são contrastadas com a Babilônia e os caldeus. Observem que Jerusalém é citada separada de Babilônia. Essas passagens apresentam profecias sobre a derrota de Babilônia e a vindicação de Israel e Jerusalém.

Aqueles que ensinam que a prostituta em Apocalipse 17, que é identificada com Babilônia (Apocalipse 17:5), deve ser entendida como sendo Jerusalém, devem explicar como a Palavra Sagrada de Deus, a qual Jesus disse que não pode ser quebrada (João 10:35) passa a ter seu significado inicial totalmente revertido em cumprimento [futuro] e ainda qualificar-se como verdade!

Como poderíamos aceitar a profecia de Deus como verdadeira quando percebemos uma certa discrepância – ler o profeta falar da destruição de uma cidade, mas, em seguida ver o “cumprimento” da profecia milhares de anos mais tarde, destruindo uma cidade completamente diferente?

b) Outra figura importante, que prova não ser Jerusalém a Grande Meretriz, é que o rio Eufrates está associado com os eventos que ocorrem no Livro do Apocalipse (Ap 9:14; 16:12). O Eufrates é associado com a Babilônia literal, não com Jerusalém. Lembre-se que isso são figuras que ajudam na identificação da cidade que reina sobre os reis da terra.

c) A prostituta de Apocalipse 17 “se assenta sobre muitas águas”, que representam “povos, multidões, nações e línguas”. Isso aponta para a sua influência global, que muito mais naturalmente implica Babilônia, exemplificada originalmente em Babel, o primeiro reino do homem e do lugar onde a rebelião e as heresias foram espalhadas pela terra através da confusão das línguas.

Dela é dito ser a “Mãe das prostituições e das abominações da Terra”. Isto fala de seu papel como a criadora da prostituição e das abominações da terra. Isto, muito mais naturalmente, se aplica a Babilônia (na forma de Babel, do reino de Ninrod, Gen. 10, 11) do que o infiel Israel/Jerusalém, que gerou suas prostituições de outro lugar. Ezequiel constata que ela se originou no Egito (Ez 23:8, 27).

Ali está escrito:

“E as suas prostituições, que trouxe do Egito, não as deixou; porque com ela se deitaram na sua mocidade, e eles apalparam os seios da sua virgindade, e derramaram sobre ela a sua impudicícia”.

Ezequiel também aponta para os heteus, amorreus, como tendo sido uma fonte de prostituição de Israel; Ez 16:3, 44-45

Em outra parte, Ezequiel identifica aqueles que cometem prostituição com o Israel infiel como tendo tido seu nascimento na Babilônia:

“E aumentou as suas impudicícias, porque viu homens pintados na parede, imagens dos caldeus, pintadas de vermelho; cingidos de cinto nos seus lombos, e tiaras largas e tingidas nas suas cabeças, todos com parecer de príncipes, semelhantes aos filhos de Babilônia em Caldéia, terra do seu nascimento”. Ez 23:14-15

Os textos mostram claramente que Babilônia e não Jerusalém foi a fonte da infecção que prostituiu os povos. A prostituição partiu de uma influência anterior – a mãe – Babilônia!

Na meretriz de Apocalipse é encontrado “o sangue dos profetas e santos, e de todos os que foram mortos na terra”. Embora os judeus apóstatas contribuíssem para esse derramamento de sangue (Mat 23:34-39), essa fala de incrédulos fariseus em Jerusalém nos dias de Jesus, como agentes que participam na influência histórica da prostituta. Por outro lado, o abate dos santos pós século um já ultrapassou em muito os do tempo até Jesus, tanto em número como em alcance global.

Isto pode ser visto na multidão de mártires cristãos que pereceram desde então em países e sob regimes completamente desconectados de Israel e Jerusalém, incluindo movimentos islâmicos e as nações da Ásia e da África, que são responsáveis por muitos mártires cristãos em nossos dias, sem mencionar a Roma do passado.

Se a destruição final da Babilônia, a meretriz, é o futuro (e há muitas razões que indicam isso), então ela também deve dar conta do sangue de todos os justos, derramado desde a época de Jesus – e de todo o mundo.

Babilônia conseguiu camuflar-se entre as nações, usando delas com sua fúria, poder herético e assassino, tão somente para perpetuar seu domínio. Um tiro que saiu pela culatra, pois fez com que a profecia contra ela mesma se cumpra: ela vai ser capturada!

Simplesmente não é possível colocar isso em pé de igualdade com Jerusalém. A responsabilidade é global, tendo em conta que está completamente de acordo com a ideia de que a prostituta é a Babilônia, o ponto culminante da rebelião, que começou inicialmente na antiga Babel. Restringindo a prostituta a Jerusalém ou ao judaísmo, fica simplesmente demasiado estreito, pequeno, dado ao escopo global do livro do Apocalipse.

Cortando Caminho pelo Eufrates

Há deficiências graves no ensinamento preterista e as questões sem resposta já ultrapassaram os limites da sabedoria e bom senso. Apocalipse 16:12-16 descreve como a Batalha do Armagedom começara (ou como ela supostamente teve início).

“E o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates; e a sua água secou-se, para que se preparasse o caminho dos reis do oriente. E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs. Porque são espíritos de demônios, que fazem prodígios; os quais vão ao encontro dos reis da terra e de todo o mundo, para os congregar para a batalha, naquele grande dia do Deus Todo-Poderoso… E os congregaram no lugar que em hebreu se chama Armagedom”.

Aqui está mais uma pergunta: Quem conquistou Jerusalém em cumprimento desta profecia e de onde eles vieram? A posição preterista ensina que esta profecia se cumpriu no ano 70 quando o general romano Tito e seu exército conquistaram Jerusalém.

Mas Roma fica praticamente a Leste de Jerusalém, e na profecia (Ap 16:12) diz que o Eufrates secou-se de modo que os reis do Oriente tivessem acesso para fazer guerra contra Jerusalém no Armagedom. Ora, o Eufrates é citado para apontar diretamente na cabeça de Babilônia e não de Jerusalém, pois o Rio está ligado a Babilônia original. A simbologia que usa o Eufrates como figura quer esclarecer exatamente de quem se trata: Jerusalém não representa Babilônia.

Jerusalém e Babilônia

Identificar Babilônia como Jerusalém contradiz completamente o fundamento do VT sobre o qual a destruição da Babilônia apresentada no livro de Apocalipse se sustenta (Isaías 14: 1-4; 47: 1; Jeremias 50: 17-20; 51: 1-6). Quando examinamos essas passagens do AT, encontramos uma distinção consistente entre a Babilônia, o sujeito da ira de Deus, e Jerusalém/Israel, a quem Deus vai vingar:

Porque o Senhor se compadecerá de Jacó, e ainda elegerá a Israel, e os porá na sua própria terra; e unir-se-ão a eles os estrangeiros, e estes se achegarão à casa de Jacó. Os povos os tomarão e os levarão aos lugares deles, e a casa de Israel possuirá esses povos por servos e servas, na terra do Senhor; cativarão aqueles que os cativaram e dominarão os seus opressores.

No dia em que Deus vier a dar-te descanso do teu trabalho, das tuas angústias e da dura servidão com que te fizeram servir, então, proferirás este motejo contra o rei da Babilônia e dirás: Como cessou o opressor! Como acabou a tirania!” (Isa 14: 1-4)

Desce e assenta-te no pó, ó virgem filha de Babilônia; assenta-te no chão, pois já não há trono, ó filha dos caldeus, porque nunca mais te chamarás a mimosa e delicada” (Isaías 47:1).

Cordeiro desgarrado é Israel; os leões o afugentaram; primeiro, devorou-o o rei da Assíria, e, por fim, Nabucodonosor o desossou.

Portanto, assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Eis que castigarei o rei da Babilônia e a sua terra, como castiguei o rei da Assíria. Farei tornar Israel para a sua morada, e pastará no Carmelo e em Basã; fartar-se-á na região montanhosa de Efraim e em Gileade.

Naqueles dias e naquele tempo, diz o Senhor, buscar-se-á a iniquidade de Israel, e já não haverá; os pecados de Judá, mas não se acharão; porque perdoarei aos remanescentes que eu deixar” (Jer 50: 17-20).

Assim diz o Senhor: Eis que levantarei um vento destruidor contra a Babilônia e contra os que habitam em Lebe-Camai.

Enviarei padejadores contra a Babilônia, que a padejarão e despojarão a sua terra; porque virão contra ela em redor no dia da calamidade. O flecheiro arme o seu arco contra o que o faz com o seu e contra o que presume da sua couraça; não poupeis os seus jovens, destruí de todo o seu exército.

Caiam mortos na terra dos caldeus e atravessados pelas ruas! Porque Israel e Judá não enviuvaram do seu Deus, do Senhor dos Exércitos; mas a terra dos caldeus está cheia de culpas perante o Santo de Israel.

Fugi do meio da Babilônia, e cada um salve a sua vida; não pereçais na sua maldade; porque é tempo da vingança do Senhor: ele lhe dará a sua paga” (Jer 51: 1-6).

E eu retribuirei a Babilônia e a todos os habitantes da Caldéia, por todo o mal que fizeram em Sião aos vossos olhos”, diz o Senhor (Jer 51:24).

 “Seja a violência feita a mim e à minha carne sobre Babilônia”, dirá o habitante de Sião; “E o meu sangue caia sobre os habitantes da Caldéia!” Jerusalém dirá (Jer 51:35).

 Assim como a Babilônia fez com que os mortos de Israel caíssem, da mesma forma na Babilônia cairão os mortos de toda a terra” (Jer 51:49).

Se a linguagem significa alguma coisa, o intérprete não pode simplesmente inverter o significado de numerosas passagens das Escrituras para se adequar à sua própria predileção. Porém, é exatamente isso que o preterista faz. Entre o AT e o NT, ele inverte completamente o significado das palavras. Israel não significa mais a nação de Israel, mas agora deve ser lida como Igreja. Babilônia não significa mais “a cidade às margens do rio Eufrates, na terra de Sinar”, mas agora deve ser lida como Jerusalém! Isso ilustra alguns dos muitos perigos da Teologia da Substituição, alimentada pela interpretação preterista, que causa:

Confusão Escritural – As palavras são elásticas e seus significados podem ser alterados após o fato e até mesmo ser completamente invertidos. As numerosas profecias e promessas do AT de Deus a respeito de Jerusalém e Israel são agora reinterpretadas para significar algo totalmente diferente. Se adotássemos a interpretação preterista, só poderíamos concluir que, em seu contexto original, tais profecias eram enganosas e até mesmo deturpadas, pois a maneira como eram compreendidas na linguagem comum do profeta e seus ouvintes não estavam em seu verdadeiro significado.

Ensinamentos perigosos – A inversão de significado associada a várias passagens resulta em todos os tipos de crenças antibíblicas que podem levar o crente, mesmo sem estar ciente disso, a uma posição em oposição à vontade de Deus. Por exemplo, aqueles que acreditam que a Igreja é o novo Israel provavelmente se opõem ao verdadeiro Israel em suas reivindicações baseadas nas promessas de Deus no AT. Esses crentes se opõem à herança de Deus (Jer 50:11; Joel 3: 2).

Negação da Palavra de Deus – as promessas de Deus não são mais confiáveis. Se as promessas a respeito da cidade literal de Babilônia e da nação literal de Israel no AT não se aplicam mais a essas mesmas entidades, mas agora devem ser entendidas de uma maneira inteiramente nova – não apenas mais ampla, mas de uma forma que nega o significado do contexto original, então que confiança podemos ter nas promessas de Deus para nós? Como sabemos que a vida eterna é realmente eterna? Como sabemos que a Nova Jerusalém é de fato uma cidade real e tão gloriosa quanto o NT descreve? Se usarmos técnicas interpretativas semelhantes às do preterista, podemos descobrir quando chegarmos ao céu que o que Deus disse no NT – baseado nas regras comuns de linguagem e no contexto dos destinatários – não é de forma alguma o que Ele quis dizer. Atribuir tal significado maleável às palavras das Escrituras mina as promessas das Escrituras e difama a natureza de Deus.

A confusão dos preteristas resulta em sua negação de outras coisas que são reveladas a respeito de Babilônia, como a permanência de sua destruição. Se a hipótese Babilônia = Jerusalém estiver correta, Jerusalém nunca seria reconstruída novamente. Apocalipse 18: 21-23 descreve a destruição permanente da Babilônia. De acordo com a visão Babilônia = Jerusalém, Jerusalém foi destruída em 70 DC e nunca mais seria reconstruída. No entanto, como pode esta ser uma descrição de Jerusalém quando as Escrituras falam repetidamente de seu retorno à proeminência durante o reinado milenar (Isa 2: 3; Zc 14:16; Ap 20: 9)? As Escrituras deixam bem claro que Deus ainda tem um plano para o Israel étnico, mas a visão preterista de Jerusalém parece ensinar o oposto.

Também vimos que em sua destruição, Babilônia nunca mais será habitada. Claramente, Babilônia não pode ser Jerusalém, pois Jerusalém é habitada atualmente e nunca foi – nem será – destruída da maneira que as Escrituras descrevem sobre a Babilônia. Também há um problema [título de propriedade] quando se tenta identificar Jerusalém como Babilônia. Babilônia é considerada, “a mãe das meretrizes e das abominações da terra” (Ap. 17: 5). A Escritura indica que Jerusalém, em seus piores momentos, é apenas uma filha prostituta. Veja Ezequiel 16: 3,4 – 44,45 e 23: 2-4:

Assim diz o Senhor Deus a Jerusalém: A tua origem e o teu nascimento procedem da terra dos cananeus; teu pai era amorreu, e tua mãe, heteia. Quanto ao teu nascimento, no dia em que nasceste, não te foi cortado o umbigo, nem foste lavada com água para te limpar, nem esfregada com sal, nem envolta em faixas” (Ez 16:3,4).

Eis que todo o que usa de provérbios usará contra ti este, dizendo: Tal mãe, tal filha. Tu és filha de tua mãe, que teve nojo de seu marido e de seus filhos; e tu és irmã de tuas irmãs, que tiveram nojo de seus maridos e de seus filhos; vossa mãe foi heteia, e vosso pai, amorreu” (Ez 16:44,45).

Filho do homem, houve duas mulheres, filhas de uma só mãe. Estas se prostituíram no Egito; prostituíram-se na sua mocidade; ali foram apertados os seus peitos e apalpados os seios da sua virgindade. Os seus nomes eram: Oolá, a mais velha, e Oolibá, sua irmã; e foram minhas e tiveram filhos e filhas; e, quanto ao seu nome, Samaria é Oolá, e Jerusalém é Oolibá” (Eze 23: 2-4).

Nesta passagem significativa de Ezequiel, diz-se repetidamente que a prostituição de Israel deriva do Egito (Eze 23: 8, 19, 27). Portanto, ela é uma filha prostituta. Nesta mesma passagem que descreve a prostituição de Jerusalém, Ezequiel liga o nascimento de seus parceiros à Babilônia. Portanto, Jerusalém carece da antiguidade necessária para levar o rótulo duvidoso de mãe das prostitutas. Além disso, faltam evidências de que “Babilônia” sempre foi um nome simbólico para Israel. Não há um exemplo de ‘Babilônia’ sendo um nome simbólico para Israel, antes ou depois de 70 d.C. O ônus da prova recai sobre aqueles que mantêm a identificação Babilônia = Jerusalém. E outra grande fraqueza da visão de que Babilônia é Jerusalém é encontrada na datação do livro de Apocalipse. A menos que João tenha escrito o livro antes da queda de Jerusalém em 70 dC, torna-se impossível atribuir a destruição da Babilônia no livro do Apocalipse a esse evento. Ou seja, se ele escreveu depois de 70 dC, como é fato comprovado, então, a argumentação preterista cai por terra. Na verdade, a visão de que Babilônia significa Jerusalém representa uma distorção muito séria da palavra de Deus.

Profecias não cumpridas

Um ponto de desacordo a respeito da interpretação das Escrituras envolve como lidar com passagens que predizem eventos e circunstâncias que evidentemente não aconteceram. Para aqueles que defendem a inerrância e inspiração das Escrituras, existem apenas duas alternativas:

Hipérbole dramática – As passagens proféticas devem ser entendidas como o uso extensivo de figuras de linguagem, como a hipérbole para um efeito dramático. Elas não devem ser entendidas de maneira literal, mas devem ser vistos como uma forma de exagero dramático enfatizando a dureza com que Deus encara o pecado e seu julgamento relacionado. Elas foram cumpridas de forma aproximada por eventos do passado ou são declarações de princípios espirituais.

Predição literal – passagens proféticas não cumpridas fazem uso limitado da hipérbole, mas de forma que seja óbvio onde ela ocorre (por exemplo, 1 Sm 5:12). Em geral, as passagens proféticas são previsões precisas de julgamentos catastróficos que ainda não ocorreram.

Dependendo de qual dessas duas visões alguém sustenta ao ler o AT, as passagens não cumpridas serão aplicadas livremente às circunstâncias imediatas ou serão vistas como se estendendo além das circunstâncias imediatas e falando para um cumprimento final em um futuro distante. Os intérpretes futuristas entendem que a profecia previamente cumprida indica um padrão de cumprimento literal. Isso é de grande importância quando chegamos ao assunto da Babilônia nas Escrituras, porque todos os intérpretes estão cientes de que profecias extensas a respeito da Babilônia, e especialmente a maneira de sua destruição, nunca foram cumpridas como foram declaradas. Aqueles que defendem a hipérbole dramática como explicação tendem a acreditar que as passagens foram cumpridas de maneira aproximada, mas adequada. Aqueles que defendem a previsão literal acreditam que essas passagens nunca foram cumpridas, mesmo aproximadamente, e continuam a falar da futura destruição da Babilônia no tempo do fim. Estamos neste último grupo. E os preteristas precisam sobreviver com esse dilema, que ainda não teve cumprimento:

A Caldeia servirá de presa; todos os que a saquearem se fartarão, diz o Senhor; ainda que vos alegrais e exultais, ó saqueadores da minha herança, saltais como bezerros na relva e rinchais como cavalos fogosos, será mui envergonhada vossa mãe, será confundida a que vos deu à luz; eis que ela será a última das nações, um deserto, uma terra seca e uma solidão.

Por causa da indignação do Senhor, não será habitada; antes, se tornará de todo deserta; qualquer que passar por Babilônia se espantará e assobiará por causa de todas as suas pragas. Ponde-vos em ordem de batalha em redor contra Babilônia, todos vós que manejais o arco; atirai-lhe, não poupeis as flechas; porque ela pecou contra o Senhor.

Gritai contra ela, rodeando-a; ela já se rendeu; caíram-lhe os baluartes, estão em terra os seus muros; pois esta é a vingança do Senhor; vingai-vos dela; fazei-lhe a ela o que ela fez. Eliminai da Babilônia o que semeia e o que maneja a foice no tempo da sega; por causa da espada do opressor, virar-se-á cada um para o seu povo e cada um fugirá para a sua terra” (Jeremias 50:10-16).