Autor: AL Franco

DEBATE sobre a data do Livro de Apocalipse

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RevelationInfelizmente os bons vídeos sobre o assunto  são em Inglês, mas se você leitor é familiarizado com a língua, clique na caixa de subtitiles na parte de baixo do vídeo  –  do lado direito.

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O debate é muito interessante e esclarecedor.

 

 

                                                   DEBATE sobre a data do Livro de Apocalipse

Estamos no Milênio!

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leaoovelha“A esmagadora maioria dos eventos escatológicos profetizados no livro do Apocalipse já se cumpriram”, declarou um famoso preterista. Um outro preterista, David Chilton, também declara: “A prisão de Satanás  teve lugar no primeiro advento de Cristo”. E ainda: “O Milênio é o período durante o qual Cristo reina, começando na sua ressurreição e continuando até o final da presente época”.  (David Chilton. Dias de Vingança . Fort Worth: Dominion, de 1985, pp 580-582).

Desde assuntos relacionados com a profecia que dominam praticamente todas as páginas neotestamentárias, significa, para o preterista, que a maioria dos escritos do NT não se refere diretamente à Igreja de hoje. Em outras palavras, Apocalipse  representa uma profecia do tumulto que estava prestes a cair sobre o mundo civilizado no primeiro século de nossa era e era essencialmente um aviso para os primeiros cristãos a agarrar-se à profissão de sua fé durante os tempos de luta e perseguição prestes a cair sobre eles.

Como grande parte do NT foi escrito para contar aos crentes como viver entre as duas vindas de Cristo, faz uma diferença enorme quando se interpreta esta vinda como um evento passado ou futuro. Se o Preterismo é verdade, então o NT refere-se aos crentes que viveram durante o período de quarenta anos entre a morte de Cristo e da destruição de Jerusalém em 70 dC. Portanto, praticamente nenhuma parte do NT se aplica a crentes de hoje segundo a lógica preterista. Não há nenhum Canon que se aplica diretamente aos crentes durante a era da igreja.

Não acreditam no que afirmo aqui? Então preste atenção nas palavras de um famoso advogado do preterismo, o Dr. Kenneth Gentry: “… a história atual é identificada como os novos céus e a nova terra de Apocalipse 21-22 e 2 Pedro 3:10-13”. Este é um ponto de vista preterista comum, onde eles fornecem razões pelas quais “a nova criação começou no primeiro século.”

Eles parecem nem se importar se provocam uma incredulidade geral, quando pensam nas implicações absurdas que tais detalhes afirmam. Observem abaixo como eles se expõem ao ridículo:

Se estamos vivendo atualmente em qualquer forma de Novos Céus e Nova Terra, então isso significa que não existe Satanás (Apocalipse 20:10), nenhuma morte, choro ou dor (Ap 21:4), já não existe impuros, nem aqueles que praticam abominação e mentira (Ap 21:27), nenhuma maldição (Apocalipse 22:3), a presença de Deus, o Pai, é reinante em nosso meio (Ap 22:4), só para citar alguns. Porém, para o preterista, não importa que a terra esteja sofrendo com a dor, tristeza, desastres, e os governos ímpios sob o comunismo e o islamismo radical. Mais de 50 milhões de crentes morreram desde 70 AD e houve 15.000 guerras – como pode isto ser “o Reino de Cristo”, o reino de paz, estabelecido pelo milênio? Além do mais, quando foi que o leão e o cordeiro pastaram juntos?

Implicações do intervalo de 40 anos

Observem como a posição preterista seria praticamente um impacto nos crentes de hoje. Muitos preteristas acreditam que passagens como Tito 2:13 referem-se à vinda de Cristo em 70 dC. Isto significaria que foi uma única esperança para os cristãos que vivem entre o tempo em que a Epístola foi escrita AD 65-66, e da destruição de Jerusalém. Paulo diz que a aparência de Cristo pela primeira vez, impacta a vida dos crentes na “idade atual.” Tito 2:12 diz, “instruindo-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos e a viver de forma sensata, justa e piedosa nesta era presente.” A gramática do versículo seguinte (2:13) relaciona as atividades de 2:12 para a atividade de “olhar para a bendita esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador, Cristo Jesus.”

Se 2:13 é uma referência ao ano 70 dC, como o preterista geralmente acredita, então o “tempo presente” em 2:12 teria terminado quando 2:13 foi cumprido. Portanto, a admoestação total de 2:12 foi temporária e aplicável somente aos cristãos, até o ano 70 dC. Isto significaria que a instrução “para negar a impiedade e as paixões mundanas e a viver de forma sensata, justa e piedosa nesta era presente” não se aplica diretamente à idade atual, mas à época passada, que terminou em 70 dC, quando “o aparecimento e a glória do nosso grande Deus e Salvador Cristo Jesus” ocorreu na destruição de Jerusalém. Infelizmente, essa lógica teria que ser a implicação prática da visão preterista aplicada a esta passagem e para a maioria do NT.

A implicação clara para os preteristas seria que Tito não tem relação alguma com a idade atual em que vivemos. Em vez disso, o texto foi aplicado por três ou quatro anos apenas se ele foi dirigido para os crentes até 70 dC, pois Paulo escreveu a Tito por volta do ano 65. Não há nenhuma maneira para um preterista usar esta passagem ou outras semelhantes como doutrina, repreensão, correção e educação na justiça para os crentes, se eles vivem agora os Novos Céus e a Nova Terra. No entanto, hipocritamente, muitos preteristas regularmente usam e aplicam estes textos de uma forma que praticamente nega a sua crença teórica de que Jesus voltou em 70 dC e agora estamos em alguma forma de Novos Céus e Nova Terra.

Esse erro preterista provoca a  crença de que não há grandes continuidades escatológicas à frente de nós, exceto a conversão dos judeus (Rm 11) e o julgamento final (Ap 20). Isso tem um impacto grande em cima da profecia Neo Testamentário, especialmente as Epístolas. É claro que a aplicação da interpretação preterista praticamente anula a aplicação direta do ensino das epístolas de nossa época atual. Assim como a Lei de Moisés foi dada por Deus a Israel para ser o foco de sua dispensação, as epístolas do NT  são o foco aqui, dando a visão e direção à igreja durante o “presente século”.

“Se o Preterismo é verdade”,  então a maioria das sanções negativas profetizadas na história só ficam nulas para nossa época. Porém, se o futurismo é verdade, então a grande apostasia ainda está por vir. E aqui entra uma questão importantíssima:  a atual igreja, apóstata e morna, encaixa-se nas profecias negativas que se referem a uma grande apostasia no fim dos tempos, ou devemos concluir que as dezenas de passagens falam sobre a apostasia cumprida em 70 dC, como exige o Preterismo?

Apostasia Presente e Futura

A teoria preterista de que estamos no Novo Céu e na Nova terra, também elimina a crença na Grande Apostasia. Se a  Grande Apostasia aconteceu no primeiro século, não temos garantia bíblica em esperar a apostasia aumentando à medida que progride a história; ao invés disso, devemos esperar  a cristianização crescente do mundo, o que não deixa de ser um absurdo diante do quadro apóstata da Igreja de nosso tempo.

Esta é outra área onde uma grande parte da NT, especialmente as Epístolas e Apocalipse, teria de ser ajustado longe do significado cristão que tem sido observado historicamente  nessas passagens. Um exemplo disto é visto na forma como as diferentes abordagens iria lidar com a advertência de Paulo em 2 Timóteo 3. Paulo começa dizendo que “nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis” (3:1). Os “últimos dias” provavelmente se referem a toda a Igreja atual, ou talvez seja uma referência geral à parte final da era da Igreja atual. De qualquer maneira, é uma referência ao período de tempo antes da fase final da história que os preteristas insistem dizer que se cumpriram em 70 dC. Na verdade, Paulo passa a descrever como esses tempos serão caracterizados por homens que “serão amantes de si mesmo,” (3:2) “em vez de amigos de Deus” (3:4). O curso geral dos “últimos dias” é descrito como uma época em que “todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Mas os homens maus e impostores irão continuar de mal a pior, enganando e sendo enganados” (3:12 -13). Portanto, se os “últimos dias” já vieram e se foram, devemos esperar que a perseguição aos piedosos estivesse ausente de nossa época.  De acordo com o preterismo, isso se aplica diretamente aos eventos antes de 70 dC, mas não após esse período.

A verdade é que a apostasia aumenta, não diminui, durante a era da igreja atual. Portanto, o Preterismo é errante, e esse erro faz com que eles apresentem uma interpretação teórica sobre esta e mais outras doutrinas do NT que dizem ter ficado longe no tempo, garantindo a Igreja de nossos dias que o cumprimento de tais doutrinas se encaixou nos anos 60 e 70 dC. Isso causou um bloqueio nas mentes confusas preteristas, impedindo-os de libertar muitos textos que foram dirigidos à nossa época atual. A interpretação preterista da profecia do NT está tão longe do que a Bíblia ensina que se tornou impossível a aplicação prática de seus ensinamentos para a presente era.

Satanás está amarrado ou solto?

A visão preterista relacionada com o trabalho atual de Satanás e os demônios devem refletir a sua teologia sobre o assunto. De acordo com esta  visão, Satanás está atualmente aprisionado (Ap 20:2-3), pisado e moído (Rom. 16:20). O inimigo não foi apenas derrotado  (legalmente) na cruz, mas tem sido esmagado de fato. Portanto, os bloqueios da estrada espiritual do mundo e do diabo foram removidos e só inimigos da carne é que agora podem dificultar os crentes de reinar e governar  no Novo Céu e Nova Terra. Por outro lado, se o aprisionamento e derrota final de Satanás ainda estão no futuro, então as exortações nas Epístolas fazem sentido na presente época. Exortações de como “resistir ao diabo e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7 b), “Sede sóbrios… vosso adversário, o diabo, anda em volta como leão que ruge, procurando alguém para devorar,   “deis lugar a ira, mas não pequeis, não se ponha o sol sobre a vossa ira,  não dêem ao diabo…” (Efésios 4:26-27) e, “Porque a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Efésios 6:12), não seriam necessárias se satanás estivesse aprisionado. Estas são as instruções e táticas  a serem aplicadas pelo crente na presente época, porque ainda não estamos nos Novos Céus e Nova Terra.

Pensamento semelhante poderia ser aplicado a partir das implicações do preterismo em muitas passagens e temas da vida cristã. Basta Pensar: Não há mais sofrimento. Se nenhum sofrimento há, então não há necessidade de resistência. Não há necessidade de o processo de santificação que envolve sofrimento, fé, perseverança e esperança. Sem esperança, porque Cristo voltou em 70 dC e inaugurou um novo dia. Não há nenhuma apostasia da igreja, não há dor, sofrimento ou morte. Portanto, uma vez que estamos, obviamente, não vivendo sob tais condições, significa que o Preterismo também é uma grande farsa!

Os sofrimentos do tempo presente

Os Novos Céus e Nova Terra são para ser um momento de paz e descanso para o povo de Deus. A era anterior a este tempo será de sofrimento e luta. Novamente, se a interpretação preterista está correta, então a instrução das Epístolas NT sobre a questão do sofrimento só foram diretamente aplicados aos crentes até o ano 70 dC, porque nós agora vivemos no tempo de paz, e não “os sofrimentos do tempo presente” de que fala Paulo (Rm 8:18).

Apocalipse promete uma recompensa futura de co-regência com Cristo para os crentes que permaneceram fiéis e leais a Ele durante a presente época de humilhação (Ap 3:21, ver também 2:25-28). Apocalipse 3:21 não só promete reger o futuro com Cristo após essa idade atual de humilhação, mas observe também que faz uma distinção entre o futuro reino de Cristo e a promessa atual de Deus. “Ao que vencer, eu vou conceder a ele a sentar-se comigo no meu trono, assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono.” Estas passagens não fazem sentido e certamente não se aplicam aos dias de hoje, se estamos no Novo Céu e na Nova Terra  dos preteristas.

O Terceiro Tiago

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Aqueles que estão engajados no combate à doutrina católica sabem o esforço que seus apologistas fazem para manter de pé o dogma da virgindade perpétua da mãe de Jesus mesmo diante de tantas evidências contrárias aos seus argumentos. O terceiro Tiago é mais uma das evidências contra este dogma. E lhe garanto caro amigo leitor, não é uma simples ou mesmo pequena evidência, mas um testemunho fortíssimo e amplo que se manifesta para derrubar definitivamente toda artimanha contra a dogmática católica que sem temor algum sequestrou de Maria os seus próprios filhos.

Marcos 6:3 nos diz que Jesus tinha quatro irmãos e algumas irmãs, obviamente filhos e filhas de Maria e José. Os nomes das irmãs não foram preservados, mas o dos irmãos sim. Eram eles:  Tiago, José, Simão e Judas.

O nome dos irmãos de nosso Senhor tem causado dúvidas porque, naquela época, o de muitos era igual, destacando-se o dos parentes. Por não levar em consideração esse importante detalhe, o Catolicismo Romano interpreta que dois dentre os citados acima foram contados entre os doze: Tiago e Judas.

Nos tempos de Jesus usava-se um único nome e, em vista dos homônimos, mais um apelido, o acréscimo do nome do pai, da cidade de nascimento ou até o nome em dois idiomas. Assim, vemos Simão ser chamado por Simão Pedro, Simão Barjonas e Cefas. Um José foi conhecido como José de “de Arimatéia”, outro ficou conhecido como  José, chamado Barsabás (Atos 1:21), ainda outro como José, cognominado pelos apóstolos, Barnabé (Atos 4:36) e o José irmão de Jesus (Mateus 13:55). Havia Maria Madalena (da vila de  Magdala) e também havia  Maria, mãe de Jesus, Maria, irmã de Lázaro (João 11:19) e Maria, mãe de João Marcos (Atos 12:12).

O Novo Testamento mostra várias pessoas com o nome de Simão, além de Simão, filho de Jonas: Simão curtidor (Atos 9:43), Simão o Zelote (Mateus 10:4), Simão cireneu, pai de Alexandre e de Rufo (Marcos 15:21), Simão, o leproso (Mateus 26:6) e Simão, irmão de Jesus (Mateus 13:55). Também havia mais de um Tiago – pelo menos três: um identificado por  “filho de Alfeu” [Cleofas] (At 1.13,14); outro por “filho de Zebedeu” (Mt 4.21; Mc 1.19) e um outro por  “o irmão do Senhor” (Gálatas 1:19).

Vamos ver a lista dos doze discípulos apresentada por Mateus; “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;     Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão o Zelote, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu”, Mateus 10:2-4. Esse Tadeu é mais conhecido como Judas Tadeu.

Tiago, filho de Alfeu”, registra Mateus. Porém, o mesmo Mateus, em 13:55, diz que o Tiago ali citado pertence a família de Jesus: “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs?

A  expressão “seus irmãos” ocorre nove vezes nos relatos dos Evangelhos e uma vez em Atos. Em todos os casos (exceto em João 7: 3,5,10), os irmãos são mencionados em conexão imediata com sua mãe, Maria. Nenhuma indicação linguística  está presente no texto para inferir que “seus irmãos” deve ser entendido em qualquer sentido menos literal  que “sua mãe”. Da mesma forma, os judeus contemporâneos de Jesus  interpretaram  os termos “irmãos” e “irmãs” em seu sentido comum.

Além disso, se os “irmãos e irmãs” na frase significam “primos”, como exige o Catolicismo, então estes “primos” eram os sobrinhos e sobrinhas de Maria. Mas, por que as pessoas da cidade de Nazaré conectaram os sobrinhos e sobrinhas de Maria com José? “Não é este o filho do carpinteiro não se chama… seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs?”

Não faz sentido algum alterar os termos irmãos e irmãs para primos e primas. Nada poderia ficar mais ridículo do que isso: “Não é este o filho do carpinteiro não se chama… seus primos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas primas?”

Isso denuncia a mentira!

Por outro lado, deve-se questionar os apologistas do catolicismo sobre as  “primas” de Jesus. Se eles garantem que os homens são primos, filhos de uma certa irmã da mãe de Jesus com o mesmo nome, devem também concordar que as citadas como irmãs  do Senhor  não são filhas de Maria e José. Quem sabe  elas tem como pai e mãe um  outro casal, parentes de Maria, mãe de Jesus? Ou será que eles ousariam dizer que elas também são filhas de Maria de Cleófas?

Por que as pessoas da cidade mencionaram  sobrinhos e sobrinhas   omitindo outros parentes da família? O cenário assume que essas pessoas  fazem alusão  à imediata família de Jesus.  José, Maria e seus filhos foram reconhecidos como uma típica família de Nazaré. Aqui, eles simplesmente perguntaram  se Ele não era um membro desta família ao  mencionar  o nome de quase todos os integrantes. Essa é a justa interpretação do texto.

No entanto, a Igreja Católica ensina que o Tiago e Judas que aparecem entre os doze discípulos são os mesmos Tiago e Judas citados em Mateus 13:55. Seriam eles filhos de certa Maria, esposa de um estranho e suspeito homem de nome Cleofas. O Catolicismo ensina que esta Maria é irmã da mãe do Senhor. Assim, eles não poderiam ser irmãos de Jesus, mas sim primos dele. Um site católico afirma:

Maria de Cleofas, segundo pesquisadores é considerada a tia de Jesus, irmã de Maria (mãe de Jesus) e casada com Cleófas. Segundo a tradição católica ela também é considerada uma santa. Segundo o que nos dizem os três primeiros evangelhos, sabemos que entre aquelas mulheres que seguiram a Jesus desde a Galiléia, e presenciaram no Calvário a crucificação, estava Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José: – Mateus 27:56 –  “Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“.

Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“.  -Marcos 15:40 –

Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé“. -Lucas 24:10 –

Essa mulher é quase certamente a mesma Maria que é chamada Maria, mulher de Cleofas:

João 19:25 – “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena“.

Citado em  Santa Maria de Cleófas, Irmã da Virgem Maria, Tia de Jesus

Atente para um detalhe na citação do site católico quando tenta identificar Maria de Cleofas. Ele diz que “… entre aquelas mulheres que seguiram a Jesus desde a Galiléia, e presenciaram no Calvário a crucificação, estava Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José”.

De fato, a mulher citada como mãe de Tiago e José em alguns textos,  também  citada como mãe de Tiago em outros textos (Mar 16:1 e Lucas 24:10), e em outro como mãe de José (Mar 15:47) é a mesma Maria. Ela, porém, é natural da Galiléia e não de Emaús como se crê que é a mulher de Cleofas. Eis aí o problema principal: As mulheres que seguiram Jesus desde a Galiléia eram da Galiléia. Maria de Cleofas residia em Emaús. A unica Maria da Galiléia que tinha filhos chamados Tiago e José era Maria, mãe de Jesus. Porém, isso é assunto para outro artigo, que por sinal já está em andamento.

Irmãos incrédulos

Havia incrédulos na família de Jesus –  estes não eram seus primos.  O Senhor denuncia que eles estavam dentro da sua própria casa:

“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. Marcos 6:4

O texto revela que os opositores de Jesus estão ligados a ele por laços familiares muito fortes quando declara que ele  “não tinha honra na sua própria casa”.

O registro em Marcos entrou na pátria de Jesus e passou por todos os seus parentes – primos, sobrinhos, tios e etc.,  e foi parar dentro de sua casa. Quem eram os incrédulos ali, Maria e José? Se José havia morrido, então era Maria! Possivelmente não. João esclarece quando confirma: “nem seus irmãos criam nele”, João 7:5.

Essa é uma situação bem conhecida; os vizinhos tudo bem… primos até que dá para entender, o mesmo acontece com os estranhos, mas parece que João está surpreso com outro tipo de incrédulo quando dispara, “nem mesmo os irmãos (?). A sentença destaca  o absurdo, pois declarava a incredulidade de membros da própria família que não reconheciam Jesus como o Messias enviado. O contexto encontra-se em João 7:1-5

“E DEPOIS disto Jesus andava pela Galileia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”.

João não daria ênfase à incredulidade se tivesse registrando que “nem mesmo seus primos criam nele”. Porém, pelo fato de serem mais próximos, então o alarde foi exposto para demonstrar o absurdo da descrença. Os incrédulos eram sem dúvida, irmãos de Jesus. Note a evidência irrefutável: “Por que NEM MESMO seus irmãos criam nele”. 

Não há dúvida que a descrença  envolvia todos os quatro: Tiago, José, Simão e Judas. Não fosse assim a  Escritura deixaria registrado que os  incrédulos eram apenas  dois deles se o Tiago e o Judas citados em Mateus 13:55, dentro da família do carpinteiro, fossem os mesmos Tiago e Judas contados entre os doze discípulos. Os escritores dos fatos teriam por obrigação e compromisso com a verdade fazer separação destes dois com os outros dois  descrentes, os quais supostamente seriam José e Simão, mas não fizeram. Sem dar consideração alguma, o contexto de João 7:1-5 esclarece que Jesus tinha irmãos incrédulos deixando subentendido que todos eles estão envolvidos no diálogo com o Senhor. Diálogo este  que revela a impossibilidade de se crer que algum deles fosse  seu discípulo. Primos com certeza não eram, pois fica extremamente estranho que filhos de outro casal  pudessem ter essa autoridade dentro de um domicilio que não fosse o deles: “Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes”. Os judeus queriam assassinar o Senhor  Jesus e eles empurravam o próprio irmão para o matadouro.

Portanto, podemos excluir o Tiago e o Judas discípulos de estarem entre os citados irmãos descrentes de Jesus por vários motivos, sendo que dois dos mais importantes encontra-se em duas referências nas Escrituras: na pequena epístola de Judas e em João capítulo seis. A segunda referência está apenas alguns versículos antes do encontro entre Jesus e seus irmãos incrédulos. A primeira está na pequena epístola de  Judas. Esse Judas que se declara irmão de Tiago diz claramente que não estava entre os doze:

Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências“, Judas 17,18.

Quanto a João seis, podemos ver dois milagres de Jesus: A multiplicação dos pães e a ocasião em que ele anda sobre as águas. O resultado desses acontecimentos na vida dos discípulos foi muito marcante. Depois do milagre da multiplicação dos pães, e depois de deixar doze cestos cheios para os apóstolos, eles confessam: “… Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo”, v 14.

Simão Pedro fecha o capítulo da seguinte forma: “… nós [os doze] temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente“, vv 68,69.

Portanto, é inadmissível aceitar que algum desses discípulos crentes do dialogo final no capítulo seis pudessem estar presentes entre os irmãos incrédulos de Jesus apenas sete versículos depois. No entanto, o cenário de incrédulos no inicio do capítulo sete de João exige um Tiago e, coincidência ou não, tem um Tiago citado entre os familiares de Jesus como foi confirmado em Mateus 13:55. O evangelista registra que ele está entre outros três – são “seus [de Jesus] irmãos,  Tiago, José, Simão e Judas”.

Repetindo: João e Marcos confirmam que havia incrédulos na família do Senhor – que seriam exatamente seus irmãos: “Nem mesmo seus irmãos criam nele”, diz João. E Marcos declara que nem na sua casa Jesus tinha honra (Marcos 6:4). Marcos  não diria isso se os opositores de Jesus não fossem irmãos de sangue. Por isso a declaração envolve, exatamente, pessoas nascidas da mesma mãe quando diz que ele “não tinha honra na sua própria casa”.

Além disso, descobrimos um registro de Paulo mostrando que Jesus aparece ressuscitado para certo Tiago (1 Corintios 15:7). Notável é, que  após essa aparição de Jesus para esse cidadão que tem o nome de Tiago nós encontramos os chamados, irmãos de Jesus, outrora incrédulos, orando no cenáculo com Maria e os outros discípulos em Atos 1;13,14: “E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas Tadeu. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos”.

Mais evidências

É preciso  enfatizar que em todos os contextos sobre as aparições de Jesus depois da sua morte encontramos evidências de que as manifestações foram necessárias para desfazer dúvidas com relação a sua ressurreição. Não foi diferente com esse Tiago como veremos mais adiante. É evidente que Jesus apareceu redivivo para ele com o intuito de testificar da sua ressurreição. Além do mais, há outra prova irrefutável que revela que o Tiago de Alfeu, que é um dos doze, não é o mesmo Tiago conhecido como irmão do Senhor – este Tiago discípulo nunca foi chamado para fazer parte do grupo íntimo de Jesus.

Se a dogmática católica afirma que os Tiagos são um só, tendo sido ele um dos doze, e tendo ele permanecido por longo tempo muito próximo da “virgem” Maria, por que jamais foi escolhido para o grupo íntimo do Senhor, mas o Tiago ali citado nas ocasiões especiais foi  o irmão de João? Pedro, Tiago e João foram os únicos que viram a ressurreição da filha de Jairo (Mat. 9:23-26) e a transfiguração de Jesus (Marc. 9:2), e que estiveram com Jesus no Getsêmani  (Marc. 14:33). Imagine você caro amigo leitor: O primo de Jesus, como deseja o catolicismo, que seria bispo em Jerusalém, o qual sempre foi visto acompanhando a virgem Maria não conseguiu um lugar de destaque no grupo particular de Jesus. É inacreditável que nem a influência da figura mariana fosse capaz de chamar a atenção do filho para que este pudesse fazer deste Tiago – parente tão próximo da família – um quarto participante do seu  grupo intimo.

Na verdade, o  Tiago citado como irmão do Senhor em Mateus 13:55 nunca entrou no grupo particular de Jesus por dois motivos: era incrédulo quanto ao ministério do irmão e não fazia parte dos doze apesar de ser um judeu que acreditava no Deus de Israel.

Jesus apareceu para qual Tiago?

Jesus apareceu a certo Tiago – se nos baseamos na tese católica devemos concordar que esse Tiago era um dos doze.  No entanto, por que Jesus deveria aparecer para esse sumido, quieto, silencioso e inofensivo Tiago em particular depois dele ter presenciado duas aparições do Senhor  Jesus ressuscitado junto com os discípulos? Por que um encontro entre Jesus e o filho de Alfeu separado dos outros?

Insisto, pois é muito séria a situação: Por que deveria este “inexpressivo” Tiago exigir de Jesus uma atenção especial ao ponto de ele se manifestar ao discípulo uma terceira vez, e em particular? Jesus já havia aparecido para o filho de Alfeu  duas vezes em duas ocasiões, no mesmo lugar: quando este estava trancado junto com os outros  dentro de uma casa em Jerusalém com medo dos judeus.

Vamos saber o que realmente aconteceu…

Leia atentamente I Coríntios 15:3-7:

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”.

Paulo registra cinco aparições de Jesus. Apesar de não estar explícito no contexto, quando ele cita “aos doze”, ele pode estar fazendo  alusão a segunda das três vezes em que a Bíblia registra as aparições tradicionais de Jesus aos discípulos. De qualquer forma, em uma das vezes, a primeira,  Tomé não se fazia presente.

Um comentário aqui sobre o numeral doze é necessário. Se Paulo, depois de tantos anos, registra o fato contando com Matias, temos doze discípulos realmente. Alguns estudiosos do texto bíblico concordam que Paulo apenas tentou manter o colegiado adicionando doze como simbolismo para preservar a instituição apostólica, o que não deixa de ser uma excelente explicação. Outros acreditam que Paulo ou algum copista posterior cometeu um erro. Porém, há um  problema para essa teoria dos doze, e ela se encontra em  João 20:24 onde o apóstolo também registra doze no contexto da ressurreição. Ele diz que depois  de uma das aparições de Jesus aos  discípulos  “Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles…”. Com eles quem, OS OUTROS ONZE originais? Isso é assunto para outro artigo, onde vamos descobrir exatamente quando Judas cometeu suicídio. E garanto que vai surpreender a muitos.

O que devemos considerar é que, os relatos de Paulo sobre o Jesus ressuscitado se manifestando aos discípulos coincidem com alguns relatos dos evangelistas. Devemos lembrar que na primeira aparição citada, o Tiago de Alfeu estava presente, pois ele era um dos discípulos. E posteriormente,  quando o Senhor se revela a Tomé o mesmo Tiago obviamente também estava entre eles. O problema é que apesar do texto deixar explícito que Jesus já havia se manifestado para este Tiago, acontece algo que parece inexplicável e é um problema enorme para a apologética católica romana: Paulo simplesmente registra que o Senhor “… apareceu a Tiago”,  verso 7.

Numa das vezes – a primeira – que o Senhor se revela ressuscitado aos discípulos a Escritura esclarece que “estando as portas cerradas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (João 20:19). O verso 24 diz que o unico ausente era Tomé, o que nos permite inferir que o Tiago de Alfeu foi um dos que viu o Senhor e se alegrou  junto com os outros quando  este “mostrou-lhes as suas mãos e o lado”, João 20:20.

Oito dias depois da primeira aparição o relato bíblico atesta que Jesus voltou a vê-los; nessa ocasião Tomé se encontrava no grupo e “chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco”, v 26.

Um detalhe curioso pode chamar a atençao nessas narrativas: Parece que os discípulos não deixaram o lugar em que estavam entre uma aparição e outra. Eles estavam escondidos com medo dos judeus atrás  de portas cerradas:

Leia novamente os dois textos já citados: “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco”, João 20:20.

Jesus lhes aparece outra vez uma semana depois e pelo que consta no relato eles não mudaram de local:

E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco“, v 24.

A aparição para Tiago não pode estar nesses dois registros de forma alguma e, possivelmente não está também entre eles, em algum ponto no  espaço de oito dias. Parece que Paulo localiza a manifestação para “todos os Apóstolos” quando  Jesus foi visto pela última vez,  ao ar livre, imediatamente antes de sua ascensão, aparecendo para Tiago pouco antes dessa ocasião. Faça sua própria análise: “[Jesus] apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”.

Afinal de contas, quando Jesus apareceu redivivo para Tiago? É fato que o Senhor se manifesta para ele em ocasião distinta daquelas que aparece para os Apóstolos. Ele se mostrra ressuscitado a primeira vez sem Tomé. O detalhe importante no verso acima é que Paulo diz que Jesus aparece para Cefas (Pedro?) antes de aparecer aos discípulos. No entanto, Pedro jamais viu o Senhor ressurreto antes dele se manifestar aos discípulos pela primeira vez.

Lucas diz que quando Pedro foi ao sepulcro, depois de ser avisado pelas mulheres, apenas viu as vestes de Jesus (Lucas 24:12). No verso 24, na conversa com Jesus após a ressurreição, um dos discípulos de Emaús deixa claro que Pedro não viu Jesus nessa ocasião: “E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram.” Isso aconteceu antes da primeira aparição do Senhor aos discípulos, aquela sem Tomé. E entre a primeira e a segunda manifestação de Jesus aos discípulos, Jesus também não apareceu a Pedro em particular.

Jesus lhes aparece mais uma vez estando alguns deles no mar da Galiléia (João 21:1-14). O verso catorze esclarece que aquela “já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos”. Somente aqui nessa ocasião é que ele tem um diálogo com Pedro (vv.15-19).

Quando foi que Jesus apareceu a Pedro em particular? Quem é esse Cefas que Paulo menciona? É certo que Paulo não está registrando em sequência todas as aparições do Senhor aos discípulos.  Ele fala em doze discípulos estando presentes na primeira depois que cita ter Jesus aparecido a Cefas e, para todos os Apóstolos, logo depois de dizer que Jesus apareceu para Tiago. Veja: “Jesus apareceu a Cefas e depois aos doze, depois a mais de quinhentos irmãos, depois a Tiago e depois a todos os Apóstolos”.

A interpretação tradicional exige que o versículo seja redigido da seguinte forma: “Jesus apareceu a Pedro, depois apareceu aos discípulos pela primeira vez estando eles trancados numa casa, depois apareceu a mais de quinhentos irmãos, depois apareceu a Tiago e depois aparece novamente aos discípulos no mesmo lugar anterior”. Tradição é difícl de se quebrar, principalmente quando reforçada por histórias e filmes que resumem as aparições de Jesus aos discípulos em duas: quando estes estavam trancafiados numa residência em Jerusalém.

Vale notar que Paulo omite essa apariçao citada acima por João em 21:1-14 que ocorreu no mar da Galileia – os discípulos estavam apenas em sete, não mais que isso. E vale lembrar que as duas primeiras manifestações do Senhor ressuscitado ocorreram em Jerusalém, não na Galileia, onde ele aparece aos discípulos mais vezes.  Nas duas primeiras vezes em que ele aparece aos discípulos, notamos que algumas mulheres e dois deles correram ao sepulcro e voltaram para casa. Isso indica que eles não podiam estar na Galiléia, mas sim em Jerusalém.

O que isso tudo implica? Implica em problemas enormes para a dogmática católica resolver, pois é também possível estabelecer que apenas depois das manifestações do Jesus ressusrreto em Jerusalém para os discípulos é que o Senhor aparece para Tiago. Isso é muito significativo – mostra ainda mais a impossibilidade de o Tiago citado ser o mesmo Tiago discípulo. Se este último já havia visto o Senhor Jesus por, pelo menos, duas vezes, ter se alegrado com os outros vendo suas marcas, que necessidade haveria de Jesus se revelar a ele uma terceira vez?

Veja Paulo novamente na última parte do versículo: “Jesus apareceu… a Tiago e depois a todos os Apóstolos”.

Essa última pode ter sido aos discípulos numa montanha na Galileia quando Jesus lhes aparece e comanda que eles batizem em seu nome e também façam discípulos em todos os povos (a chamada Grande Comissão – Mateus 28:18-20).

Não devemos esquecer que em Atos temos um registro geral das aparições do Senhor aos discípulos, acrescentando que após a sua morte ele ainda fica com os seus por quarenta dias antes de ascender aos céus.

“… FIZ o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.  E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes”, Atos 1:1-4.

Um detalhe no contexto revela que Jesus esteve com eles, e foi visto por eles, durante quase dois meses antes de ir para o Pai. Os evangelhos não registram que Jesus lhes aparece apenas três vezes, mas diz sobre certa ocasião que “já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos”, João 21:14.

Isso é revelador, pois indica que ele foi visto mais vezes ao dizer que ele esteve com os discípulos por quarenta dias. Significa que ele lhes apareceu mais vezes do que se registra nas Escrituras. E entre todas as aparições, Paulo destaca aquela em que Jesus se manifesta a Tiago simplesmente porque este não é o discípulo, mas sim irmão de Jesus.

Podemos concluir sem dúvidas que as circunstâncias da narrativa indicam fortemente que o Tiago que esteve em companhia de Jesus por quase dois meses – tempo que deve ser contado da primeira manifestação dele ressuscitado até a última  não é o mesmo Tiago conhecido como seu irmão. Este só o viu ressuscitado depois, sendo impossível ter estado entre aqueles aos quais Jesus “… se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias…”. O que Lucas diz – aquele Lucas que procurou estar certo das coisas antes de escrever – é que da primeira manifestação de Jesus até a última temos um total de quarenta dias. E Paulo esclarece que um Tiago só viu Jesus ressuscitado semanas depois de ele aparecer para os discípulos: “… foi visto por Cefas, e depois pelos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”.

O incrédulo irmão de Jesus não podia estar presente desde a primeira aparição, entre aqueles que o viram “por um espaço de quarenta dias”. Ele não era um dos doze, por isso  o Senhor se manifesta a ele fora da presença dos outros discípulos.

Nos relatos de Paulo e João há um cuidado em esclarecer que Jesus aparece aos discípulos. Veja novamente Paulo quando  diz que Jesus apareceu “a Cefas, e depois aos doze”, I Coríntios 15: 3-5. João também descreve os discípulos quando fala de uma das aparições em João 20:20: “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana… chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco“. Depois disso Paulo diz que Jesus “apareceu a mais de quinhentos irmãos duma vez, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormiram”.

E, por fim, Paulo afirma que Jesus “Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos“, v 7.

O detalhe importantíssimo é que, tanto Paulo como João deixaram registradas as aparições de Jesus citando os discípulos, mas apenas Paulo relata o encontro entre Jesus e Tiago sem dizer que os outros estavam juntos. O ponto principal no contexto é que podemos observar sem complicações e tradições que Jesus e Tiago não estavam no mesmo local em que ocorreram as outras aparições do Senhor aos discípulos.  Primeiro Jesus aparece para Cefas e depois  aos discípulos, depois para mais de quinhentos irmãos, depois para Tiago e depois para todos os apóstolos.

Insisto: não há possibilidade alguma do fato ter ocorrido no  local original onde se encontravam os outros Apóstolos às portas trancadas, pois além deles não serem mencionados, há outras evidências citadas que não nos permite aceitar a proposta católica romana.

Jesus apareceu para este Tiago em outro lugar pelo simples fato de tratar-se do seu irmão incrédulo e não do Tiago filho de Alfeu, discípulo contado entre os doze. Jesus se manifesta para o filho de sua mãe, tendo como pai, José. Percebe-se claramente que o relato acompanha uma sequencia exigida por necessidade de comprovação da ressurreição. Alguém estava precisando de uma comprovação maior, e seu nome era Tiago, mas não o filho de Alfeu contado entre os doze.

Adiciono aqui um comentário bem oportuno:

“Na verdade, quando analisamos o texto dentro do seu contexto, torna-se até difícil imaginar que o Tiago ali citado fosse mesmo um dos doze. Pense comigo. Jesus aparece primeiro a Pedro. Depois aparece aos doze discípulos (Tiago ali incluído, obviamente). Depois aos quinhentos irmãos e depois a Tiago novamente. E depois volta a aparecer a Tiago de novo, já que Jesus apareceu depois a “todos os apóstolos”. Então, o que o Macabeus quer nos fazer acreditar é que Jesus apareceu a Tiago três vezes!

Somente Pedro recebe a visita do Senhor três vezes, mas isso por uma boa razão: ele havia negado Jesus três vezes e se arrependido amargamente, debruçando-se em lágrimas (Lc. 22:62). Pedro necessitava de um reencontro particular com Cristo, para se retratar pessoalmente com o Mestre. Mas o que levaria Jesus a fazer o mesmo com Tiago, se este Tiago não é aquele mesmo irmão de Jesus que antes disso era incrédulo, e que, portanto precisava tanto de uma aparição pessoal do Cristo ressurreto quanto Pedro precisava?

Se este Tiago era um dos doze, não haveria nenhuma razão para Jesus abrir exceção a ele, como fez a Pedro. Não há nada nos evangelhos que enfatize um dos dois Tiagos que eram discípulos de Jesus. Não há nenhuma negação pública, nenhum acontecimento, nenhuma coisa que pedisse uma intervenção sobrenatural para um encontro particular entre esse Tiago e Jesus. Bastaria a aparição geral de Cristo, como ocorreu duas vezes na presença de todos os apóstolos. Isso simplesmente não faz lógica na perspectiva de que esse Tiago fosse um dos doze.

Mas é totalmente lógico na perspectiva de que esse Tiago fosse justamente o antes incrédulo irmão de Jesus. Ele precisava de um encontro pessoal que o tirasse da incredulidade e que lhe desse a oportunidade de concertar as coisas com Cristo em particular, assim como Jesus fez com Pedro. E isso também explica por que esse Tiago aparece com tanta notoriedade no Novo Testamento dali em diante. Ele lidera o Concílio de Jerusalém de Atos 15. Este Tiago era tão conhecido e importante que Judas precisou apenas se identificar como o “irmão de Tiago” (Jd.1) em sua epístola, e Pedro ao ser liberto fez questão de pedir que Tiago fosse notificado disso (At.12:17).

Se este Tiago com uma autoridade tão proeminente não era o irmão de Jesus, então quem era? O Tiago irmão de João já tinha morrido há muito tempo (At.12:2), e o outro Tiago discípulo era irrelevante e sem notoriedade entre os doze, tanto é que só aparece nos evangelhos quando é listado junto aos outros doze. Esse importante Tiago, que surge subitamente exercendo grande liderança justamente a partir da ressurreição de Jesus, só poderia ser o terceiro Tiago, o irmão de Jesus, que passou a exercer essa liderança após sua conversão ao se encontrar com o Cristo ressurreto” (1).

  1. BANZOLI, Lucas  – “As aberrações de Cris Macabeus e a volta do terceiro Tiago

“Sua mãe está lá fora com Tiago”

Parece que a situação de Jesus com seus familiares não estava favorável a ele. Havia algumas diferenças, e de tão absurdas eram essas diferenças,  que Marcos nos deixa um registro onde podemos ver seus irmãos e sua mãe saindo para prendê-lo, pois acreditavam que Jesus estava fora de si. Veja a passagem, que além de revelar o descaso de sua família, também mostra mais uma vez os discípulos separados dos irmãos dele.

Marcos diz que Jesus “subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele.  E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, e para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios:  A Simão, a quem pôs o nome de Pedro, e a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão;

E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão o Zelote, e a Judas Iscariotes, o que o entregou.

O versículo imediato revela que todos eles entraram numa casa: E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão”, Marcos 3:13-20.

O verso 21 nos diz que sua família foi atrás dele: “E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si”.

O grego aqui para “os seus”, é “Par autou”, que significa “os pertencentes a ele”, ou seja: membros da sua família. O verso 31 finalmente nos revela quem eram esses da família: “Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar”.

Claramente podemos ver os irmãos do Senhor do lado de fora da casa, enquanto lá dentro com Jesus estavam seus doze discípulos e, é claro, entre eles se encontravam, Tiago, filho de Alfeu e Judas.

Mais um texto que fala por si só, também não havendo necessidade de mais comentários se não fosse por um fato curioso. Observem o que acontece nos versos seguintes:

E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora.  E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?  E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.  Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe”, vv 32-35

Por que Jesus evitou sua família retrucando que verdadeiramente sua mãe e seus irmãos são aqueles que fazem vontade de Deus? Não seria por que, além dos judeus, seus familiares não estavam fazendo a vontade de Deus?

O próprio Deus é quem sabe…

Falando para os irmãos e para os discípulos

No diálogo entre Jesus e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas em João 7:6,7, encontramos  algo surpreendente:

Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está prontoO mundo não vos pode odiarmas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más”.

Note que temos aqui mais uma pista nos revelando que Jesus não dialogava com nenhum discípulo quando estava diante dos seus irmãos. Veja novamente o que Jesus diz a eles “… O mundo não vos pode odiar”.

Agora veja o que Jesus diz aos discípulos oito capítulos depois:

o mundo vos odeia” (João 15:19)

Portanto, o que temos aqui é o seguinte: O que Jesus diz aos seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas, que eram incrédulos nessa ocasião, é: “O mundo não vos pode odiar”. No entanto, para os discípulos, e dentre eles outro Tiago e outro Judas, ele diz, “o mundo vos odeia”.

Evidente que Tiago, irmão do Senhor e o Tiago discípulo não eram os mesmos. Jesus apareceu redivivo para seu irmão Tiago, um dos incrédulos de João 7, que atraído pela ocasião começou a mostrar sua fé se juntando aos onze discípulos em oração. Vemos isso em Atos 1:13, 14. Ali é dito claramente que os que estavam no cenáculo eram: Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Essa tradução reconhece esse Judas como filho de um Tiago e não como irmão dele. No entanto, outra tradução baseada em melhores manuscritos o chama apenas de Judas Tiago e algumas outras o denomina de Judas Tadeu. O certo é que ele não tem parentesco algum com o Tiago filho de Alfeu.

Observem que no verso treze nós já vemos listados os nomes de onze apóstolos. Entre eles podem ser vistos Tiago de Alfeu e Judas. O problema, que não é dos menores, está no texto imediato, que registra: “Todos estes [onze] perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele…”.

Simplesmente irrefutável essa situação onde presenciamos de forma explícita os irmãos de Jesus sendo citados separados dos discípulos. O nome deles? Sim, aqui estão: “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?” (Mateus 13:55).

Os detalhes importantes são: “Sua”, quando identifica a mãe e, “Seus”, quando identificam os irmãos – Isso significa que todos estão entrelaçados como família de sangue.

Observe que temos listado quatro nomes aqui: Tiago, José, Simão, e Judas. Antes dos nomes se lê claramente: “Sua mãe e seus irmãos…”. Vemos a mesma formação textual em João 2:12, “sua mãe, seus irmãos”, quando nos voltamos um pouco mais no ministério de Jesus:  “Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãose seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”.

Atente para estes detalhes: Mateus mostra “… sua mãe… seus irmãos…”, onde são listados os nomes destes.

João apresenta “… sua mãe, seus irmãos…”. Aqui está sem nomes.

Pelo fato dos nomes estarem registrados em apenas duas passagens dos Evangelhos – Mateus e Marcos – não significa que nas referências sem nomes – trazendo apenas os termos “seus irmãos” – não sejam as mesmas pessoas. Muito pelo contrário; por  serem as mesmas pessoas citadas nominalmente em um contexto  não houve necessidade de que os evangelistas repetissem seus nomes nas outras ocasiões.

Podemos encontrar relatos semelhantes no Velho Testamento com José e “seus irmãos” e com Davi e “seus irmãos”. Algumas poucas passagens trazem os nomes dos irmãos de Davi e José, mas a maioria das outras referências aos mesmos, apenas dizem: “seus irmãos”.

Portanto, o que temos, por exemplo,  em João 2:12 e Atos 1:13,14 poderia ser , de forma extremamente  escancarada,  o seguinte: “Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos [Tiago, José, Simão e Judas ] , e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”.

E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmào de Tiago.  Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos [Tiago, José, Simão e Judas ]”.

Aí está o terceiro Tiago,  caminhando ao lado dos outros discípulos. Agora, sendo mudado de  forma tão extraordinária ao ponto de, mais tarde, se referir ao seu irmão como “nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor da glória” (Tiago 2: 1). Ele era filho de José com Maria, provavelmente  mais velho que os outros três irmãos, porém, mais novo que Jesus, que foi o primogênito:

E José… não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito…”,

Mateus 1:25, que para desespero de muitos a tradução da NTLH e a NVI vertem o verso como seguem,

“Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus”.

“Porém não teve relações com ela até que a criança nasceu. E José pôs no menino o nome de Jesus”.

O uso da palavra “conhecer” é um eufemismo comum para  relação sexual. O “até que”  deve significar  que José e Maria se abstiveram de relações sexuais antes do nascimento de Jesus. Aqui, neste contexto, o “até que” não implica que  eles jamais  tiveram relações sexuais, mas  confirma o fato de que, onde a frase seguida de um negativo ocorre, indica que a ação negada teve lugar mais tarde. O coito subseqüente foi  inevitável, pois   acompanhava  necessariamente o curso natural da relação entre  marido e mulher.

Conclusão

Portanto, depois do que foi aqui explanado, podemos firmemente concluir que o Jesus ressuscitado apareceu mesmo foi para um de seus irmãos incrédulos, Tiago, mas não o discípulo e filho de Alfeu e  sim seu irmão legítimo,  filho de sua mãe, o qual o salmista já profetizava como alguém que estaria nas fileiras daqueles que por algum tempo duvidariam do ministério do Senhor: “Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe”, Salmos 69:8.

As duas sentenças foram registradas para não deixar nenhuma dúvida: “Meus irmãos… FILHOS da MINHA mãe…”. O texto não faz alusão a Davi. O Salmo 69 e um salmo messiânico. Um dos vários que incluem palavras proféticas sobre o filho de Deus. Preste atenção em outro verso do mesmo salmo: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre”, v 22.

Os textos falam por si só não havendo necessidade de interpretação.

Deus seja louvado!

 

Paulo e as tradições do Catolicismo

Postado em Atualizado em

Observem este discurso do apologista católico Rafael Rodrigues:

“Sendo a Sola Scriptura uma doutrina que já se torna auto-refutável por não haver na Bíblia nenhum versículo que a prove, seus adeptos hoje tentam usar-se de malabarismos exegéticos para poder explicá-la, negando assim a tradição oral, que é ensinada pela própria bíblia, colocando o valor desta como inútil para o Cristão.

Também tentam fazer uma exegese barata das palavras de Paulo, (II Tes. 2,15; II Tes 3,6) dizendo que tal Tradição Oral que Paulo fala nada mais é que o próprio conteúdo da bíblia, ora Paulo fala claramente “tradições que aprendestes, ou por nossas palavras, ou por nossa carta”, será que é difícil entender? Paulo iria colocar o que falou e o que escreveu em pé de Igualdade? Não poderia ele simplesmente falar de um só já que são os mesmos, ele precisaria especificar diferenças?”

Você pode encontrar seu artigo aqui: 2 Timóteo 3,16-17 & 1 Coríntios 4, 6 e a Sola Scriptura

Ele acrescenta

“… Paulo insiste a Timóteo em II Timóteo 1, 13 “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus”. É o que Timóteo ouviu de Paulo que é chamado de “bom depósito”, mostrando que a mera audição da palavra da boca de Paulo deixou uma marca indelével na consciência de Timóteo e serviu de base para a sua compreensão do evangelho e sua missão de ser um homem de Deus completo. Da mesma forma, em II Timóteo 2, 2, Paulo diz: “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros.” Mais uma vez, mesmo que as Escrituras estivessem à sua disposição, Timóteo iria confiar tanto ou mais no que ele “ouviu” de Paulo”.

Esse outro artigo está aqui: 2 Timóteo 3, 16-17 ensina a Sola Scriptura?

Minha refutação

Como fica evidente, e é tradição mesmo, e das piores, a apologética católica luta contra as Escrituras somente para promover a sua tão confusa “sagrada tradição”. Não encontrando na Bíblia apoio para seus inúmeros dogmas, então nada melhor do que negar a suficiência da própria em detrimento de palavras que jamais foram escritas em livro nenhum, mas posteriormente registradas pelos sucessores dos apóstolos. Por exemplo: Paulo jamais escreveu uma linha sobre a mediação dos santos falecidos, mas eles garantem que esse dogma, como muitos outros, estão inseridos dentro das tradições aludidas pelo apóstolo nos textos citados acima pelo apologista mariano, mas que ficaram apenas na forma oral entre os cristãos da Igreja Primitiva – nada foi registrado. 

Vamos abrir aqui os textos que ele citou. E vou acrescentar mais um, pois este também é usado de apoio para a tradição católica romana. Falo de 1 Coríntios 11:1, 2, que diz:

Sede meus imitadores, como também eu de Cristo; de fato, eu vos louvo, em tudo, porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”.

Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu”. (2 Tessalonicenses 3:6)

Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra seja por epístola nossa”. (2 Tessalonicenses 2:15).

Sobre estes três versículos repousa todo o edifício da tradição do Catolicismo. Porém, nem um deles se refere à tradição católica romana conforme ela tem se desenvolvido através dos séculos, desde os dias dos apóstolos. Isso fica claro quando examinamos o contexto, quase sempre ignorado pelos católicos e abandonado pelos protestantes porque acham difícil de refutar.

Vamos iniciar a refutação por 2 Tessalonicenses 3:6

Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu”.

No capítulo anterior de sua epístola, Paulo avisa sobre aqueles que estavam ensinando que a segunda vinda era iminente (2 Tess. 2:2), e estes tinham aparentemente anunciado alguns enganos à Igreja em Tessalônica, cessando sua labuta diária. Consideravam que o Senhor pudesse voltar a qualquer momento não havendo assim necessidade de trabalhar. Paulo deixou bem claro no capítulo 2 que este tipo de ensino foi um erro, e ele detalha eventos que primeiro deve ter lugar antes de Cristo retornar (2 Tess. 2:3-12).

Os que são mais conservadores no catolicismo até conseguem visualizar no texto uma forte permissão que os proteja dos evangélicos, expressa em rejeição “legítima” àqueles que não observarem as tradições católicas, quando são exortados a “… se apartar de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu”.

Pense você, caro evangélico, que eles tiveram a ousadia de interpretar essa passagem de uma forma completamente absurda: Àqueles entre os cristãos primitivos que não cressem na intercessão dos santos, na mediação de Maria, no purgatório, nas indulgências e no pontificado do Pedro romano, deviam os outros desviar-se deles.

O que realmente Paulo ensinou quando examinamos o contexto?

Imediatamente após exortar a Igreja a se apartar dos que andavam desordenadamente, dos que não andavam segundo a tradição que dele receberam, Paulo os lembra de como devem imitá-lo,

Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós”, vv 6,7.

Note que após citar a frase, “vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente”, ele faz a junção com, “e não segundo a tradição que de nós recebeu”.

Observe também a palavra “porque”- ela une as tradições ao exemplo de Paulo. O detalhe é claro, pois mostra que ele não falava de doutrinas católicas romanas. Vamos descobrir que Paulo tem em mente outro tipo de tradição.

Paulo exorta a Igreja de Tessalônica que se lembre do contraste entre ele – que não andou desordenadamente – daqueles que andavam desordenadamente. E para isso deveriam observar as tradições deixadas por ele. Isso tem a ver com os exemplos de Paulo, sua disciplina entre os tessalonicenses. Por isso ele começa a discorrer nos versículos seguintes sobre essas tradições: “Não comemos de graça o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes”, vv 8,9.

Paulo lembra aos Tessalonicenses que quando estava com eles não quis viver ociosamente, aceitando doações de caridade de membros da igreja, mas pagou um preço justo, até mesmo por suas refeições. Ele fez isso apesar de ter direito ao sustento como pregador da Palavra. Ele queria que os ociosos seguissem essa tradição, a qual lhes havia passado quando estava no meio deles. E aqui ele as transforma em palavra escrita:

Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão. E vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem”, vv 10-13.

Paulo retoma e amplia sobre o que ele disse no versículo 6:

Mas, se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão”, vv 14,15.

Caro leitor, observe o detalhe terrível para os militantes católicos: “… se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta”.

A tradição estava escrita na carta!

Paulo estava lembrando a forma como ele conduziu os Tessalonicenses quando estava com eles. Ele era auto-suficiente, trabalhando diligentemente para ser produtivo e ganhar uma renda e sustentar ele próprio e os que o acompanhavam no seu ministério. Está aí a tradição que Paulo fala no verso 6, que era um contraste com a ociosidade de muitos ali naquela Igreja:

Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu”.

Mais claro impossível!

Paulo nada alega sobre algum tipo de doutrina para a fé passada de forma oral, pois ele esclarece na carta o conteúdo dessas tradições. O motivo da exortação não significava que os que andavam desordenadamente estavam deixando de colocar em pratica algum dogma católico romano. Paulo mesmo esclarece que não se tratava disso ao usar seu próprio exemplo. 

Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nospois que não nos houvemos desordenadamente entre vós”, v 7. 

A tradição de Paulo era que os irmãos andassem ordenadamente como ele ensinou na carta. Não era uma alusão a dogmas entregues em oculto, que seriam passados as futuras gerações de boca em boca. 

“Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo para nos imitardes”. 

O proceder de Paulo e o exemplo de vida. Essa era a tradição que deveria ser seguida!

Vou fazer aqui uma recapitulação, pois é muitíssimo  importante atentar para este contexto. É por demais sublime a riqueza de detalhes que nos revela o que eram essas tradições. Observe novamente como Paulo esclarece de maneira explícita o conteúdo das mesmas:

“Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs”, vv 10,11. 

Ele simplesmente escreve o que havia passado de forma oral quando estava entre os tessalonicenses: “… quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto…”. 

Paulo escreveu aborrecido sobre aqueles que andavam desordenadamente “… Fazendo coisas vãs…”. Eram malandros boa vida, preguiçosos que comiam à custa dos outros. O problema destes não era que estavam deixando de praticar a oração pelos mortos, crer na intercessão dos santos ou mesmo negligenciando as novenas. 

O que eram essas coisas vãs?

A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão”, v12. 

As tradições aludidas por Paulo neste contexto não pode ser uma referência à verdade transmitida de geração em geração. Paulo está falando de uma “tradição” para a necessidade dos Tessalonicenses naquele momento recebida e passada em primeira mão. Trata-se do encerramento da epístola – Paulo está fazendo um resumo. E, uma vez mais, ressalta a importância do ensino que os tessalonicenses tinham recebido diretamente de sua boca. A “tradição” que ele passa aqui é uma doutrina decisiva, segundo a qual qualquer pessoa que se recusar a dar-lhe atenção e não viver de conformidade com ela, deverá ser rejeitada pela comunidade. 

Agora vejam novamente que interessante no verso 14: Mas, se alguém não obedecer a nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. 

“… nossa palavra por esta carta”. Percebeu amigo católico como palavras podem se transformar em escritura?

Não é possível vislumbrar nem mesmo algum vestígio que faça referência à tradição católica romana na epístola.  Eles tinham que obedecer pela carta: “… se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal…”. 

Portanto, essas tradições se referem a disciplina que ele passa a Igreja. Neste contexto ele também tem algo para este povo específico, os Tessalonicenses. Havia problemas na Igreja e Paulo tentou corrigir, lhes dando o próprio exemplo (tradição) de como deveria se comportar um cristão nesta situação. 

É por demais sério quando Paulo diz que os faltosos deveriam ser corrigidos segundo as palavras contidas na carta. Este aí um problema enorme para o catolicismo, que defende a tese de que aqui Paulo discorria sobre os dogmas católicos que foram passados aos Tessalonicenses por tradição oral. Muito pelo contrário; Paulo estava falando de doutrina simples e prática, sobre administração em geral, a responsabilidade de um homem de trabalhar e prover para sua família, e disciplina pessoal na vida diária. Essas verdades são agora parte da Escritura, em razão da inclusão de Paulo nessa epístola. Assim, ele encoraja os crentes de Tessalônica, tão somente “para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes…” (verso 9), e não que lhes havia ensinado em oculto algum dogma sobre Maria Imaculada, O purgatório, Os sacramentos, Missas de sétimo dia, Missas para as almas do purgatório, hóstias e vinho, intercessão de santos falecidos ou qualquer outra doutrina anunciada hoje pela Igreja Católica que contradiz os ensinos escritos.

Com relação à tradição oral que permeou a Igreja por uns tempos, pode ser dito o seguinte: é óbvio que Paulo, como alguns escritores do Novo Testamento, registrava o que havia já transmitido oralmente para a Igreja. Ele, ou qualquer outro, não faziam referência às tradições que foram transmitidas pela Igreja Romana posteriormente. À luz de todo o contexto, fica impossível ser demonstrado que a tradição atual da Igreja Católica foi primeiramente ensinada pelos Apóstolos.

É provado pelos próprios Apóstolos que muito daquilo que ensinaram por via oral foi escrito por eles mesmos. Paulo, em 1 Coríntios 11:23 afirma: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei“. Ainda em 2 Tessalonicenses 2: 5, ele declara “Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos estas coisas?” Ele estava passando a Igreja o que antes havia comunicado oralmente e ao mesmo tempo estava  dando mais compreensão.

Semelhantemente, temos no contexto de Tessalonicenses aqui em discussão o mesmo método. Paulo lembra: “Quando ainda estava convosco, vos ordenamos (oralmente) isto…”, (verso 10). Pedro faz o mesmo: “Mas de minha parte esforçar-me-ei diligentemente por fazer que, a todo tempo mesmo depois da minha partida, conserveis lembrança de tudo” (2 Pedro 1:15). O que fizeram foi registrar o que passaram por transmissão oral. Certamente isso foi feito para que não se corrompessem, ou mesmo esquecessem o que aprenderam.

Vamos agora para 2 Tessalonicenses 2.15: “Assim, pois, irmãos, permanecei firmes e guardai as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”.

Há algo no texto que passa despercebido por muitos. Paulo fala de tradições orais e escritas. Veja: “guardai as tradições… seja por palavra, seja por epístola nossa”. Tradições nas epístolas! Quem esperava por essa? A propósito, por que não temos nenhuma tradição católica nas epístolas? Devemos crer que nenhuma delas jamais foi escrita em epístola nenhuma?

A palavra grega para tradições aqui é “paradosis”. Nitidamente, o apostolo está falando de doutrina, e não há como negar que a doutrina que ele tem em mente é a verdade autorizada e inspirada. Portanto, o que é essa tradição inspirada que os crentes receberam “por palavra”? Não está ela antes apoiando a posição católica? Não, não está. Outra vez, o contexto é essencial para uma compreensão clara do que Paulo está dizendo.

Vemos aqui que os tessalonicenses tinham sido claramente enganados por uma carta forjada, supostamente do apóstolo Paulo, dizendo-lhes que o Dia do Senhor já tinha chegado (2 Ts 2.2). Evidentemente, toda a igreja ficou desapontada com isso e o apóstolo estava ansioso por incentivá-la. Primeiro, ele desejava advertir os fiéis a não serem logrados por “verdade inspirada” mentirosa. E disse-lhes então claramente como reconhecer uma epístola genuína dele a qual seria assinada por ele mesmo: “A saudação é de próprio punho: Paulo. Este é o sinal em cada epístola; assim é que eu assino“.

Veja agora de que doutrina trata a epístola:

ORA, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como se viesse de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto. Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição”, 2 Ts 3:1-3.

Paulo, além de proteger seu ensino oral dado anteriormente sobre isso, vem agora e o transforma em palavra escrita. Ele fecha  a  epístola dizendo:

Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”.

Atente para o início do versículo: “Então, irmãos, estai firmes…”. Estar firme tendo base em que? O motivo tem que estar na carta! É muito importante o significado da palavrinha “então”. A expressão “então” entrega todo o contexto, concluindo o assunto em pauta, que é esclarecer erros sobre a Segunda Vinda do Senhor, e não que ele aludia aos tantos dogmas da Igreja Católica.

Caro leitor, insisto, o contexto trata da Vinda de Jesus. Não importa se Paulo fala sobre instruções dadas  “por palavra ou por epístola nossa” que o assunto do contexto não muda para dogmas católicos romanos, mas permanece sobre as  correções em relação ao retorno do Senhor.

A propósito, por que o apóstolo lembraria aos tessalonicenses sobre os tantos dogmas católicos romanos passados de forma oral justamente no meio de um assunto que envolve a volta de Jesus?

Observe novamente a terrível contradição. Como vimos, a epístola corrige erros sobre a parousia: “ORA, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis…”. Em seguida ele diz o que deve acontecer antes dessa Vinda. Mas, de repente – segundo a dogmática romana –  aparece o Apóstolo e lembra aos tessalonicenses sobre os dogmas católicos romanos que lhes foi passado de forma oral:

Então, irmãos, estai firmes e retende as tradições que vos foram ensinadas, seja por palavra, seja por epístola nossa”.

A proposta católica não faz sentido!

Na verdade, Paulo queria assegurar-se de que os tessalonicenses não fossem ludibriados novamente por epístolas forjadas. Entretanto, mais importante ainda, ele queria que eles se apegassem ao aprendizado que haviam recebido dele. Ele já lhes havia dito, por exemplo, que o Dia do Senhor seria precedido da apostasia e da revelação do “homem da iniqüidade, o filho da perdição“. “Não vos recordais de que, ainda convosco, eu costumava dizer-vos Estas cousas?” (2 Ts 2:5). Eles estavam agora recebendo por epísitola o que haviam recebido por palavra. Ele estava ordenando-lhes que recebessem como verdade infalível somente o que tinham ouvido diretamente de seus lábios.

Desde o começo, os tessalonicenses não tinham aceitado a mensagem do evangelho tão nobremente como os crentes de Beréia, que “receberam a palavra com toda a avidez examinando as Escrituras todos os dias para ver se as cousas eram, de fato, assim” (At 17.11).

É altamente significativo que os crentes de Beréia fossem explicitamente apreciados por examinarem a mensagem apostólica à luz da Escritura. Eles tiveram a prioridade correta: a Escritura é a regra suprema de fé pela qual todas as demais coisas devem ser testadas. Inseguros a respeito de poderem confiar na mensagem apostólica que, a propósito, era tão inspirada, infalível e verdadeira como a própria Escritura os ouvintes de Beréia removeram todas as suas dúvidas por terem comparado a mensagem com a Escritura. Entretanto, os católicos romanos são proibidos por sua igreja de seguirem o mesmo caminho!

Portanto, qual é o apoio que estes versículos podem dar a Tradição Católica?

Nenhum!

Quando as passagens são analisadas no contexto a tese católica evapora-se diante dos nossos olhos!

Tradições na Igreja de Corinto 

Sede meus imitadores, como também eu de Cristo. De fato, eu vos louvo, em tudo, porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”, I Cor 11:1, 2.

Como em 2 Tessalonicenses 3:6, também aqui aos coríntios, Paulo está se referindo a tradições transmitidas para disciplina na Igreja. Essa “tradição” não é outra senão parte da doutrina que os coríntios tinham ouvido diretamente dos lábios do próprio Paulo durante seu ministério naquela igreja. Os coríntios tiveram o privilégio de ouvi-lo por um ano e meio (At 18.11).

Observe que no versículo em discussão Paulo diz se alegrar porque a Igreja lembrou-se dele. Note também no texto, que após encorajar os coríntios a imitá-lo, ele diz: “… porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”. Os coríntios lembraram-se de Paulo porque este havia lhes passado a doutrina da confissão auricular? Ou a doutrina da intercessão dos santos? Quem sabe lembraram-se de Paulo porque ele lhes disse que Pedro era o príncipe dos apóstolos tendo sua cátedra em Roma? Faz sentido? Nenhum!

Conforme os textos anteriores e os posteriores a 1 Coríntios 11:1, 2, descobriremos que as tradições que deveriam ser observadas não estavam ligadas a nenhum dogma católico.  Basta que se leia o contexto final do capítulo 10, três versículos antes do texto aqui em debate:

Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”. 1 Cor 10:31-33

Paulo discorre sobre assuntos de comida sacrificada a ídolos, alertando como deve se comportar o cristão diante dessa situação. E alguns versículos depois do contexto de 1 Coríntios 11:1,2, ele  começa a discorrer sobre ser o homem cabeça da mulher, que a mulher não deve tosquiar-se e nem orar com a cabeça descoberta.

Entre estas exortações, Paulo escreve:

“… porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei”.

Portanto, deve-se perguntar a dogmática católica romana onde foi que encontraram neste contexto, seja o anterior e o posterior, defesa para seus tantos dogmas. Este versículo está entre dois assuntos que nada tem em comum com dogmas católicos romanos.

Acho necessário repetir aqui os detalhes  que vem no final do capítulo 10 de 1 Coríntios quando  Paulo alerta os crentes sobre comidas sacrificadas a ídolos:

Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. Como também eu em tudo agrado a todos, não buscando o meu próprio proveito, mas o de muitos, para que assim se possam salvar”, vv 31-33.

Agora veja novamente o primeiro verso do capítulo 11:

 “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo. De fato, eu vos louvo, em tudo, porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei.”

Veja agora os três versículos posteriores a este:

Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o homem, e o homem a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.  Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada.

Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu. O homem, pois, não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do homem.  Porque o homem não provém da mulher, mas a mulher do homem”.

Algum vislumbre de doutrinas romanas? Aliás, por que acreditar que Paulo inclui doutrinas católicas romanas no texto central se os  textos anteriores e os posteriores tratam de assuntos completamente diferentes daqueles que o catolicismo propõe?

Sede meus imitadores, como também eu de Cristo. De fato, eu vos louvo, em tudo, porque vos lembrais de mim e retendes as tradições assim como vo-las entreguei.”

Observe bem, caro amigo leitor, o que Paulo tenta dizer aos coríntios. Ele os louva  porque o  estavam imitando, guardando as tradições de como se comportar diante das comidas sacrificadas a ídolos e outras coisas. Note que Paulo não pode mesmo estar discursando sobre doutrinas e dogmas romanos, mas sim que escrevia para corrigir erros urgentes na congregação. O momento era aquele, e eles deveriam receber instruções para correção e disciplina, que tem como meta o contexto anterior e posterior.

Porém, o pior não é isso. O pior chama-se  tradução bíblica. A Bíblia Ave Maria, uma tradução católica,  omite a palavra tradições:

“Tornai-vos os meus imitadores, como eu o sou de Cristo. Eu vos felicito, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais as minhas instruções, tais como eu vo-las transmiti”.

A Bíblia de Jerusalém em espanhol:

“Sed imitadores de mí, así como yo de Cristo. Os alabo, hermanos, porque en todo os acordáis de mí, y retenéis las instrucciones tal como os las entregué”.

A Bíblia do Peregrino, que é católica, também  omite a palavra tradições:

“Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo. Ora, eu vos louvo, porque em tudo vos lembrais de mim, e guardais os preceitos assim como vo-los entreguei”.

A dogmática católica, além de ter um inimigo implacável que é o contexto bíblico, ainda tem que lidar com outros inimigos: suas próprias traduções.

Palavras de Paulo a Timóteo

2 Timóteo 1:14, que diz: “…Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste com fé e com o amor que está em Cristo JesusGuarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós” e 2 Timóteo 2:2, onde podemos ler: “ E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros”. 

Assim, para eles, as sãs palavras de Paulo passadas a Timóteo  deveriam ser guardadas num depósito, é claro, da tradição oral. Além disso, podemos ver no texto que aquilo que  foi passado oralmente por Paulo foi feito diante de MUITAS testemunhas, mas o catolicismo afirma com veemência que mesmo assim, apesar de MUITOS terem recebido os tais dogmas, ninguém escreveu, ficou tudo em segredo nas masmorras da tradição oral. Doutrinas como Pedro e seu pontificado em Roma, a posição exaltada de Maria na Igreja, a intercessão dos santos falecidos, penitência, celebrar  missa para mortos do purgatório, adorar imagens, infalibilidade dos bispos romanos  e outras, estão escondidas dentro das “sãs palavra” de Paulo. Isto é, nem Paulo, e muito menos Timóteo, juntamente com as MUITAS testemunhas somados aos outros que Timóteo deveria ensinar, jamais fizeram qualquer registro deste conteúdo.  Acredite, amigo leitor, eles conseguiram, enquanto vivos, guardar tudo somente de forma oral.

Em outras palavras, as muitas testemunhas, mancomunadas com Paulo e Timóteo, fizeram com que nada fosse escrito e, até mesmo foram proibidos de registrar nas epístolas que a Igreja Primitiva acreditava e vivia o seu culto diário colocando em prática os dogmas católicos romanos.

Acham absurda minha colocação?

Vejam  bem para onde  levaram a  conclusão de suas argumentações  – a dogmática católica é a unica culpada por isso.  Eles responsabilizam os Apóstolos  originais  de manterem os dogmas apenas de boca em boca, como também os responsabilizam por não fazeram registros dos cristãos envolvidos com tais dogmas. Percebeu prezado leitor? Até a crença prática entre a igreja  ficou na tradição oral – a situação é mais grave do que de pode imaginar. As  “sãs palavras” foram tão bem escondidas nas masmorras da tradição que ficou  impossível  encontrar algum registro de cristãos primitivos mandando celebrar missas de sétimo dia para seus falecidos, fazendo intercessão ao São Moisés, venerando imagens, envolvidos com reliquias e vários outros.

A dogmática católica quer nos convencer que apesar de não haver registros de suas doutrinas – nem na vida da Igreja Primitiva (vide o livro de Atos), elas pelo menos existiam embutidas nestes textos citados. Elas estão escondidas dentro das palavras de Paulo para as muitas testemunhas. Nunca foram registradas.

Terrível o que eles tentam insinuar. As argumentações do católico,  no fervor de defender sua doutrina, acabou mutilando a Bíblia de uma forma tão violenta que só os mais desavisados é que não percebem. Seu discurso demonstra total falta de conhecimento da revelação nas Escrituras Sagradas.

Uma análise sobre o depósito de Timóteo 

Aqui está o texto completo: “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós”, II Tim 1:13,14.

Eles amam  palavras como falar e ouvir – os remete para a tradição oral, não vivem sem ela. Porém,  o problema é que tem que tirá-las de cartas escritas, e escritas por um homem que escreveu 14 epístolas. Perceberam os argumentos que nos dão para refutar a contradição? Eles procuram naquilo que está escrito defesa para aquilo que não ficou escrito. Se pudessem eles despareceriam com as Escrituras. Veja as palavras do apologista citadas no início: “… Mais uma vez, mesmo que as Escrituras estivessem à sua disposição, Timóteo iria confiar tanto ou mais no que ele “ouviu” de Paulo”.

É o fim do mundo!

Pior do que isso é o contexto, inimigo número um dos apologistas católicos. Vamos  ao contexto dessa passagem. Vou iniciar do verso 3 até o presente versículo. Observe se podemos notar algum vestígio de dogmas romanos como a causa das palavras finais de Paulo a Timóteo: “Conserva o modelo das sãs palavras… guarda o bom depósito…”.

2 Timóteo 1:3-14

Dou graças a Deus, a quem desde os meus antepassados sirvo com uma consciência pura, de que sem cessar faço memória de ti nas minhas orações noite e dia;  Desejando muito ver-te, lembrando-me das tuas lágrimas, para me encher de gozo;

Trazendo à memória a fé não fingida que em ti há, a qual habitou primeiro em tua avó Lóide, e em tua mãe Eunice, e estou certo de que também habita em ti. Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos.

Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação. Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso Senhor, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus,

Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos; E que é manifesta agora pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, o qual aboliu a morte, e trouxe à luz a vida e a incorrupção pelo evangelho;

Para o que fui constituído pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios. Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.

Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e no amor que há em Cristo Jesus. Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós”.

Como pode ser observado, Paulo escreve de sua prisão em Roma. Isso é importante para entendermos todo o contexto. Note que encontramos duas vezes mencionado o vocábulo depósito. A primeira no verso 12, onde significa a confiança do Apóstolo em Deus, que não falta em suas promessas. Todos os seus trabalhos, seu ministério, todos os seus sofrimentos culminados agora em sua prisão em Roma nas vésperas de sua morte, se constituíram num riquíssimo depósito entregue nas mãos do Senhor.

A segunda menção da palavra depósito encontra-se no verso 14. Para qualquer leitor desprovido de preconceitos, esta passagem bíblica no panorama das relações de Paulo com Timóteo, salienta o cuidado especialíssimo do Apóstolo em preservar o depósito  isento de macular-se com as fãbulas e doutrinas vãs.

Quem é familiar com as Escrituras sabe muito bem das lutas de Paulo com falsos irmãos (Gal 2:4) e, como muitas vezes teve ele problemas com os judeus que contradiziam sua pregação, transtornando as almas dos crentes com suas palavras (Atos 13:45; 15:24) deturpando a pureza do Evangelho. Porém, Paulo não estava sozinho, ele contava com a cooperação de Timóteo, por isso instruia o jovem pregador da melhor forma possível. Motivo pelo qual ele escreve ao seu aluno Timóteo exortando-o  à fidelidade na guarda desse depósito  divino, que é a doutrina do Evangelho, não permitindo, em hipótese alguma, que fosse manchada com  retoques, desvios ou fãbulas.

Certa ocasião, enquanto foi à Macedônia, Timóteo permaneceu em Éfeso para advertir alguns que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com fãbulas e genealogias sem fim, (1 Tim. 1:34).

Para preservar  o «bom depósito»,  competia a Timóteo atender aos apelos de Paulo, como segue: “… aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino” (1 Tim. 4:13),  “tem cuidado de ti mesmo e da doutrina”  (1 Tim.4:16) e “procura apresentar-te a Deus aprovado, como operário que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade (2 Timóteo 2:15).

O depósito de Timóteo foi acumulado com muita leitura e estudo das Escrituras, e não apenas com instruções orais, pois o contexto não fala de tradição oral – nada  tem em comum com doutrinas e dogmas católicos romanos. É o que Paulo confirma em outra exortação semelhante ao mesmo Timóteo:

Ó Timóteo, guarda o depósito que te foi confiado, tem horror aos clamores vãos e profanos e às obrigações da falsamente chamada ciência; a qual professando-a alguns, se desviaram da fé (1 Tim. 6:20 e 21).

Paulo também suplica-lhe que rejeite «as fábulas profanas e de velhinhas caducas» (1 Tim. 4:7) e assemelha a “Janes e Jambres que resistiram a Moisés os que resistem à verdade, sendo homens de todo corrompidos na mente, réprobos quanto a fé” (2 Tim. 3:8).

E agora, nas vésperas de sua morte em Roma, donde remetera esta Carta a Timóteo, ele pede: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste, e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste. E que desde a infância sabes as Sagradas Letras que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tim 3:14-16).

Como podem ver  está tudo escrito. Todas as instruções foram feitas em forma escrita. No entanto, depois de ver registrado a  enorme preocupação do Apóstolo exortando Timóteo a aplicar-se a leitura e continuar meditando nas sagradas Escrituras, a apologética católica tem a ousadia de insinuar que Paulo entregou ao jovem, sem escrever uma só linha, as tantas doutrinas reclamadas hoje pelo catolicismo.

Todas as recomendações de Paulo visavam exatamente preservar a pureza do Evangelho, a genuinidade da doutrina, a fidelidade na guarda do «bom depósito»  contra a intromissão de ensinamentos espúrios por parte dos judaizantes insubordinados e impostores, bem como de outros inovadores e corruptores.

Perceberam que Paulo não tinha necessidade alguma de  instruir Timóteo a preservar doutrinas católicas romanas de forma oral? Os judaizantes e os impostores não estavam  em  combate com Paulo e a Igreja por causa da intercessão de santos falecidos, veneração de imagens, novenas, purgatório ou qualquer outro dogma católico. Basta ler o Livro de Atos para perceber  porque eles  lutavam contra Paulo e a Igreja: Não havia vestígio nenhum  de doutrina católica romana!

Pelo contrário, os textos que a dogmática católica apoia para defender sua tradição não a  favorece de forma alguma, mas apenas servem para corromper o bom depósito. Por esse motivo eles incorrem  em anátema, segundo a  advertência de Paulo  aos falsos irmãos, quando escreveu aos gálatas: “… se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gál. 1:9). 

É de pasmar quando vemos que toda a teologia católica romana  esteja lastreada sobre essa base de areia movediça. E de pasmar mais ainda, é ver que  através dos séculos a tradição tem se  constituído na arma mais eficaz da apologética católica para desviar as almas da verdadeira revelação das Escrituras Sagradas.

A Idade de João no Exílio

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Existem inúmeras provas internas e externas para a datação do Livro de Apocalipse. Chamo de provas internas aquelas que podem ser mostradas pelas Escrituras e provas externas seriam aquelas apresentadas pelos pais da Igreja e a voz da história que os rodeava. Muito já foi feito, principalmente por este site. Centenas de evidências podem ser encontradas, não somente aqui, mas em outras fontes por essa internet afora e em uma quantidade enorme de livros em todo o mundo em várias línguas. Porém, um detalhe pequeno e esquecido por muitos pesquisadores, por demais estranho e desafiador, ainda não foi tão explorado:  tentar descobrir quando o Apocalipse foi escrito através da idade do seu escritor, o apóstolo João. E lhe garanto caro amigo leitor, isso pode ser feito.

Talvez você pense ser um absurdo essa empreitada. No entanto, o que me dá impulso para tal são as persistentes heresias encontradas na apologética católica romana, que no desejo de condenar Jerusalém como a prostituta do Apocalipse distorceu  de forma tão perversa algumas passagens deste livro profético que possivelmente deixou o próprio pai da mentira assustado.

Vou inserir aqui  três exemplos apresentados por um destes apologistas. Ele  concluiu  que o sinal na fronte dos cristãos em Apocalipse 7 é o sinal da cruz católico – em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, que o sinal da besta descrito em Apocalipse 13 nada mais foi do que a saudação “Ave Cesar” e que os gafanhotos que sobem do abismo em Apocalipse 9 foram os soldados romanos que invadiram Jerusalém em 70 AD. Está aí um exemplo de heresia das mais criminosas contra as Sagradas Escrituras. Nenhuma seita se atreveu a tanto.

Eis aqui sua palavras:

Vamos identificar qual era o sinal na fronte dos Cristãos:

“3. Então a glória do Deus de Israel se elevou de cima do querubim, onde repousava, até a soleira do templo. Chamou o Senhor o homem vestido de linho, que trazia à cintura os instrumentos de escriba, 4. e lhe disse: Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem” (Ezequiel capítulo 9)

Segundo o profeta Ezequiel, os Cristãos seriam identificados pelo sinal de uma (Cruz) em sua fronte, ou seja, esse é o sinal da Cruz que se faz até hoje na Igreja Católica, sendo assim, desde o primeiro século, os Cristãos se cumprimentavam e eram reconhecidos fazendo o sinal da Cruz.

                                                  (Em nome do Pai, Filho e Espírito Santo em sua fronte)

Sobre a marca da besta, ele declara:

Se os Cristãos eram identificados com o sinal da Cruz feito em sua fronte, qual era a forma de identificação no Império Romano? A resposta é simples:   (AVE CEZAR) .  Essa era a forma de identificação dentro do Império Romano e aqueles que seguiam e aceitavam as suas ideologias.                                              

Ao dizer: (AVE CEZAR), se levantava a mão direita em direção a fronte da outra pessoa. Esse era a marca da Besta na mão direita e na fronte. (Tudo bem simples)”

Agora observe o que ele diz sobre os gafanhotos que sobem do abismo:

“… Em Apocalipse 9 São João descreve uma visão fictícia sobre um abismo aberto e saindo dele gafanhotos com poderes de Escorpiões, esses seres segundo São João afligiam diretamente o homem, a grande observação é que São João descreve exatamente todas as informações necessárias para que o leitor identifique literalmente do que ele estava se referindo em seu livro.

                                                          Ele se referia exatamente aos soldados Romanos

A primeira coisa que devemos entender é o real significado da comparação dos soldados Romanos com os gafanhotos, essa comparação se deve pelo fato que os solados Romanos andavam em Legiões como nuvens de gafanhotos

Postado originalmente em A Marca da Besta e Os Ganfanhotos (Escorpiões) do Abismo

Com relação as fontes e evidências da Patrística apresentadas na parte final desse artigo, devo dizer que não podem ser tratadas como argumentos para reparar remendos. Nada foi planejado para enganar pesquisadores futuros pelo simples fato de que nos tempos de Cristo e dos Pais da Igreja não existia essa ameaçadora doutrina chamada Preterismo. Quem escreveu na época da história bíblica e da Patrística não estava tentando provar o erro preterista. A escrita foi construída de forma circunstancial, acompanhando relatos históricos. O que precisou ser feito aqui neste modesto artigo, foi apenas reunir estas esquecidas e mal tratadas evidências na hora certa.

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Os Preteristas ensinam que o Apocalipse foi redigido em Patmos antes da destruição de Jerusalém ocorrida entre 67 e 70 AD. Entendem que este Livro profético é um manual da invasão romana sobre Jerusalém, tendo sido cumprido em sua maior parte nos acontecimentos que assolaram a Cidade Santa naquela ocasião. Por esse motivo, também entendem que a Grande Tribulação, debatida e ensinada por vários ramos da cristandade apontando para eventos que dizem respeito aos tempos do fim, nada mais é do que as tribulações que antecederam à queda de Jerusalém, culminando com a destruição do Templo e mais de um milhão de Judeus mortos. Para os Católicos Romanos isso é um alívio, pois eliminaria as suspeitas de ser a Igreja Católica a Grande Cidade castigada por Deus em Apocalipse 18, lançando toda a sentença sobre Jerusalém, a qual dizem ser a única Babilônia ali julgada e destruída.

Para tanto, foi preciso que eles localizassem o exílio de João em Patmos no início da década de 60 AD, libertando-o logo após 70 AD. Alguns preteristas mais loucos deixam João no exílio  até o fim do reinado de Domiciano, em 96 AD – sem consideração alguma com a história, somada as provas externas e internas disponíveis hoje sobre a data da escrita do Apocalipse para depois da destruição de Jerusalém, eles mantém João preso  por quase quatro décadas.

Nós vamos descobrir que João não era tão idoso quando os preteristas o libertam da Ilha de Patmos, o que contraria alguns testemunhos da patrística, que explicitamente revelam que quando o Apóstolo foi solto de sua prisão já era um homem velho e cansado. Esse detalhe está de acordo com o tempo exato de sua prisão: depois de 82 AD, em pleno reinado do imperador Domiciano. E é aqui que começam os problemas para o preterismo, e eles são muitos. O principal, como vai ficar evidenciado, é que João, perto de 70 AD,  estava com pouco mais de 55 anos de idade, não podendo ainda ser equiparado a um homem idoso, um ancião.

Meu projeto inicial visava  apenas um breve artigo, trabalhando somente com a pessoa do Apóstolo João. Porém, diante de inúmeras fontes e fatos curiosos, imperceptíveis e abandonados por muitos, eu optei por detalhar com fartas evidências o assunto para que o leitor possa ter uma visão clara da idade de todos os discípulos quando foram chamados por Jesus. E tenha em mente: os discípulos de Jesus eram muito jovens. Provavelmente até mesmo adolescentes. Milhares de pinturas famosas e filmes antigos de homens barbudos pode nos influenciar de outra maneira, mas o testemunho das Escrituras, da  história e um pouco de senso comum constrói um caso convincente para a maioria de discípulos em sua adolescência, que tiveram, nos três anos seguintes, com seu mestre, um  intenso treinamento para formação espiritual.

Para dar início a nossa investigação, precisamos descobrir qual era a idade de João quando encontrou Jesus. Vai ficar esclarecido que, na ocasião em que foi chamado pelo Senhor, João era apenas um jovem judeu, não tendo ainda alcançado seus 18 anos de idade. É muitíssimo provável que ele e seu irmão, Tiago, tenham sido os mais jovens do grupo, estando entre seus  16 e 17 anos de Idade.

Existe uma passagem nas Escrituras que nos levam a acreditar que os discípulos de Jesus  eram adolescentes, exceto Pedro, pois ele era casado. Eis aqui o contexto sobre o qual estou me referindo:

E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?

Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?

Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos.

Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti“, Mateus 17: 24-27

Pelo visto, nem todos precisavam pagar este imposto do Templo, o que pode estar sugerindo que estavam abaixo dos seus   vinte  anos de idade. Jesus pagou o imposto do templo para ele e Pedro, o que significa  que os outros discípulos estavam isentos. Por que? Onde achamos base para isso nas Escrituras? Na verdade, esse tributo, segundo a lei judaica, devia ser pago por todos os homens com mais de vinte anos como oferta quando visitavam o templo de Deus. Veja: “Todo aquele que passar pelo arrolamento dará isto: a metade de um siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte geras); a metade de um siclo é a oferta ao Senhor.  Qualquer que passar pelo arrolamento, de vinte anos para cima, dará a oferta alçada ao Senhor”,  Êxodo 30: 13,14.

Podemos inferir pelo contexto que os outros discípulos estavam abaixo dos vinte anos, jovens o suficiente para serem isentos de pagar esse tributo. Necessário também lembrar que entre os hebreus uma pessoa era considerada adulta ao completar vinte anos de idade, e, então, ficava sujeita ao serviço militar e a outras responsabilidades (Núm. 1.3; II Crô. 25.5).

Talvez  você argumente que  os outros discípulos não estavam com Jesus no momento. Eles provavelmente pagaram  o seu imposto do templo separadamente. Não há nenhuma indicação de que eles se separaram de Jesus. Além disso, Jesus e seus discípulos eram pobres. Se os outros discípulos estavam em idade acima dos vinte anos e precisavam  pagar o imposto do templo, então Deus teria fornecido a Jesus os meios  para pagar o imposto  de todos e não apenas a sua parte e a de Pedro. O texto sugere que os judeus  foram para cima de Pedro, como também esclarece que todos estavam juntos. Observe o início da passagem:

E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?

A expressão, “chegando eles”, associada às palavras que deram início ao questionamento, “o vosso mestre”, indica que o diálogo foi na frente de todos. Se consultamos o contexto descobrimos que o fato acontece depois do episódio da transfiguração, quando Jesus desce do monte e encontra os discípulos – que não subiram ao monte – tendo dificuldade para expulsar um  demônio de um jovem. Nos versos posteriores você  poderá encontrar várias referências para os doze até a ocasião do encontro com os judeus que cobravam as dracmas. Assim, quando é dito que “chegaram eles a Cafarnaum”, na verdade, fala de todos os discípulos juntamente, é claro, com Jesus.

Discípulos Jovens

O comportamento dos discípulos, conforme detalhado nos evangelhos, se encaixa bem com a natureza zelosa e as sequelas da adolescência. Não faz mais sentido acreditar que jovens imaturos estavam discutindo sobre quem seria o maior no reino de Jesus do que acreditar que isso foi atitude de homens maduros? Quem não se lembra do episódio onde João e Tiago foram chamados de filhos do trovão? Por quê? Não seria por causa do comportamento explosivo extrovertido, tipico de adolescentes?

Em várias ocasiões Jesus chama os seus discípulos de filhinhos e pequeninos. Isto seria um insulto se fossem adultos, não importa  quão radical ou suave fosse o rabino. No capítulo onde Mateus fala  da nomeação dos Doze, nas palavras de Cristo, ele registra: “E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” (Mat. 10:42).

Comentaristas do texto bíblico ficaram intrigados com as palavras, “estes pequenos”. “Alguns pensam que há uma alusão para a condição futura dos discípulos, que seriam de baixo, desprezados pela maioria no judaísmo; outros, que a alusão é a sua pequenez aos olhos do mundo. Alford pensou que algumas crianças podiam ter estado presente. Marcos, no entanto, faz com que as palavras se referem à discípulos: “Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão” (Marcos 9:41,42). Pode ser que, como muitas vezes acontece em uma escola, havia dois ou três alunos consideravelmente mais jovens do que os outros para que Jesus pudesse falar deles tanto quanto nós de “meninos”. Se assim for, podemos facilmente imaginar a cena:  Jesus, como quem falando a um grupo de jovens, joga seus braços sobre dois deles, rapazes de  quinze  ou dezesseis anos, e  em tom  familiarizado e carinhoso, diz palavras que poderiam ser parafraseadas da seguinte forma: “Se alguém dá até mesmo um copo de água a um de vocês, porque são meus alunos, a sua bondade será recompensada; E qualquer que escandalizar um de vocês, pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma pedra e o jogasse dentro do  mar”, v 42.  O termo parece ridiculamente inadequado se aplicado para  homens de pouco mais de trinta anos de idade. Não se parece em nada também com os veteranos e calvos atores que tanto representaram os discípulos nos tantos filmes sobre a vida de Cristo.

Em João 13:33 Jesus aborda os discípulos como “filhinhos”. O mesmo termo é usado para aqueles a quem a Primeira Epístola de João foi dirigida (I João 2:1; 2:12; 2:18), a maioria dos quais provavelmente eram adultos; mas, se, como geralmente se supõe, o escritor foi um homem idoso, ele poderia muito bem usar o termo para aqueles que foram quase todos muito mais jovens do que ele. Parece menos apropriado para Jesus  usar o termo se falar a pessoas quase tão adultas quanto ele  próprio.

Outro versículo a ser considerado é João 21: 5, quando Jesus chamou seus discípulos no barco, perguntando: “Filhos, tendes alguma coisa para comer?” Se usamos nosso familiarizado idioma, é como se Jesus os tivesse abordado de uma forma alegre, “Rapazes, vocês não apanharam  nenhum peixe ainda?” Aqui, novamente, encontramos  uma expressão que parece mais apropriada se dirigida a pessoas mais jovens do que aquele que fala. Portanto, não podemos nós acreditar piamente que a expressão “filhinho” ou “criança” foi  usada com especial ênfase também a respeito de quem – João – se debruçou em seu peito  durante a Última Ceia? Que é mais provável que a  cena traz referência a um tipo de afeto envolvendo uma pessoa jovem do que  um adulto?

Visualize agora a cena causada por um temporal quando Jesus e os discípulos atravessavam o Mar da Galileia; o Dr George Matheson, maravilhado com sua abjeta trepidação, diz: “Imagine uma tropa de experientes marinheiros ingleses passando  por um súbito vendaval  dando vazão aos seus sentimentos em um grito simultânea de terror: “Salva-nos, que perecemos!” Ele diz que este fato explica o mistério. Como se não fosse o bastante, quem consegue imaginar que adultos, homens maduros e responsáveis, pudessem cair no sono  na hora de vigiar, enquanto seu mestre se derramava em oração nas vigílias da noite (Marcos 14:37)?  Eles também eram propensos a acessos de orgulho, como vimos (Lucas 9:46), a arrogância (Mateus 26:33-35), raiva vingativa (Lucas 9:51-54), falta de tato (João 9:1-2) e dúvida (João 20:24-25). O que havia de errado com esses homens ?!

Nada de errado…  se alguns deles eram adolescentes…

Jesus também nos deixa  a indicação de que os discípulos eram inexperientes na pesca, desajustados sociais, e até mesmo usava uma linguagem parabólica  quando estava sozinho com eles, tendo muitas vezes que perguntar-lhes “Vocês não entendem?”. Este tratamento cuidadoso seria uma dica para estabelecermos a idade dos discípulos.

Em outra ocasião, Salomé, a mãe insistente que queria ver seus filhinhos sentados ao lado de Jesus no seu reino, pede ao mestre: “… Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino” (Mateus 20:24). Não parece provável que os requerentes, se adultos, iriam com sua mãe pedir nomeação e em seguida colocá-la na  frente para  falar por eles. Mais natural é  pensar na mãe como indo com dois jovens adolescentes que tem grandes ambições. É uma situação desconcertante, consequentemente gerada por jovens sem maturidade alguma, certamente os mais novos do grupo.

Quando Tiago e João foram chamados por Jesus nos é dito que eles imediatamente deixaram seu pai Zebedeu (Mt 4: 21-22, Marcos 1: 19-20). Em uma época onde a expectativa de vida não era muito alta, e chegar a ser octogenário era muito raro, permite-nos inferir que Zebedeu ainda estava em forma o suficiente para sair em um barco de pesca ele só, o que indica que era um homem ainda jovem, com filhos saindo da adolescência. Por outro lado, a Bíblia nos esclarece que ele tinha empregados (Mar 1:20 ARA), o que seria completamente desnecessário se seus filhos fossem adultos e maduros. Esses detalhes nos levam a concluir que nessa ocasião Tiago e João provavelmente não haviam alcançado ainda a casa dos 18 anos de idade.

Jesus, o Rabi

Muitas pessoas se referem a Jesus como rabino. Seus discípulos (Lucas 7:40), doutores da lei (Mateus 22: 35-36.), as pessoas comuns (Lucas 12:13), os ricos (Mat 19:16.), fariseus (Lucas 19:39), e os saduceus ( Lucas 20: 27-28). O uso desse termo para ele pelo povo nos seus dias, foi uma medida de  grande respeito por ele como pessoa e como professor e não apenas uma referência para a atividade de ensino que ele estava envolvido.

Uma outra evidência que pode nos ajudar aqui, pode ser encontrada em  Atos 4:13 onde registra que os principais, os anciãos, escribas e sacerdotes “…  vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus. Isso quer dizer muito. Mostra que a autoridade traz algum peso  como um argumento  a favor da educação dos  discípulos. Mesmo se àqueles graduados no grande centro do judaísmo, assistidos pelos mais excelentes rabinos,  tivessem que escarnecer daqueles que fossem educados em instituições menos notáveis, a autoridade de Cristo como rabino não deixou de ser reconhecida. E Jesus encaixava-se no perfil dos rabinos de sua época. Ele, como Rabi, começou a tomar posse sobre os alunos com a idade de trinta anos, idade que, acreditamos, ele começou seu ministério público. Isso também se encaixa com as tradições rabínicas do seu tempo.

O Rabi e seus discípulos

Certamente as palavras usadas para expressar as relações entre Jesus e os Doze são quase sem exceção, as mesmas que foram usadas em conexão com a educação. As pistas estão um pouco obscurecidas em nossas traduções, mas apesar disso  até mesmo pessoas familiarizadas com o Idioma grego são susceptíveis de ter seus pensamentos fortemente regulados pelas impressões que recebeu na infância a partir da versão em português.

Provavelmente alguns jovens quando leem na Versão Almeida a palavra “Mestre” como um nome para Jesus, não conseguem perceber a relação entre um professor e seu aluno, significado que  é  mostrado mais claramente  no grego.  Para melhor entendimento, basta associar ao mestre a palavra discípulo, que bem cedo no ministério de Jesus foi usada por que têm um significado especial, de modo que nós esquecemos que esta palavra nos Evangelhos quer dizer “aprendiz” ou “aluno”. Tudo isso nos remete à palavra “Rabino”, de onde vem o título hebraico “Rabi”, que de acordo com o léxico de Thayer, significa “meu honroso senhor “,  um título com o qual os judeus tinham o hábito de chamar  seus professores e também para honrá-los.

Infelizmente muitos evangélicos não tiveram em sua  educação cristã melhores traduções que pudessem lhes dar o real significado dos termos, ou, na verdade, talvez não tiveram professores que pudessem ter uma visão mais ampla do assunto, o que consequentemente obscureceu seu entendimento não os deixando perceber que  tais termos são utilizados usualmente para falar de assuntos educacionais. Isso impediu que várias  passagens fizessem a diferença em muitos, não trazendo uma impressão mais clara  em nossas mentes.

O que tendo dizer é muito simples; basta apenas  ler alguns versículos dessa forma::  “Um aluno não é mais do que seu professor” (Mat 10:24); “E os seus alunos o interrogaram, dizendo…” (Mat 17:10); “tudo declarava em particular aos seus alunos” (Marcos 4:34); “Porque ensinava os seus alunos, e lhes dizia…” (Marcos 9: 31); “… lhe disse um dos seus alunos: Mestre, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos” (Lc 11:1); “Os seus alunos, porém, não entenderam isto no princípio” (João 12:16); “Os fariseus enviaram seus alunos, juntamente com os herodianos, dizendo: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensina o caminho de Deus segundo a verdade” (Mateus 22:16).

Além disso, alguns estudiosos do texto grego, ao analisarem a expressão “siga-me”, relacionada à  chamada dos primeiros discípulos, atestam que ela pode ser  facilmente entendida como implicando uma chamada a tornar-se  discípulo permanente de um professor. Não era apenas  uma prática para os rabinos, mas era considerado como um dos maiores deveres sagrados para um mestre  reunir em torno de si mesmo um círculo de discípulos.  Muitas são as passagens que descrevem Cristo como aquele que ensina. Algumas falam  de sua “pregação e ensino” como se não houvesse distinção entre os dois atos – Ele ensinava nas sinagogas, locais que eram comumente usados durante a  semana como salas de aula. Pode ser que em sua longa jornada em Cafarnaum ele tinha uma classe semelhante aos que eram comuns entre o seu povo. Vemos, também, que a linguagem utilizada relativa às relações de Cristo com os Doze revela o envolvimento de um professor com alunos bem jovens. Esses detalhes são parte de uma peça importante no tema aqui discutido.  As escolas são principalmente para os jovens.

O pronto atendimento ao chamado do mestre sugere que a maioria dos discípulos era composta de  jovens solteiros, do contrário a ausência do lar tornaria difícil o sustento de seus familiares,  a menos que fossem em circunstâncias bastante fáceis. Nós sabemos que alguns dos discípulos (João, principalmente) pertenciam a famílias que possuíam barcos, redes  e contratavam servos, o que demonstra duas coisas: Primeira: seus filhos eram adolescentes e, por esse motivo, sem muita experiência na profissão. Segunda: seus pais estavam prontos a fazer o trabalho e outros sacrifícios necessários sem a sua ajuda a fim de que eles pudessem ser educados, ou até, o que seria bem possível por causa disso, se ausentarem do lar. Se todos os doze, ou boa parte dos setenta fossem adultos, com esposas e filhos, sabemos que a possibilidade de sobrevivência de suas famílias sem o cabeça do lar seria mais delicada.

Embora circunstâncias pudessem justificar alguns indivíduos da ausência de suas casas, não parece  provável que Cristo chamaria  tantos adultos para longe de seus familiares – não foi esse o padrão. Muito menos quando tomamos por base o contexto entre discípulo e mestre.  É por isso que não foi um problema, nem para eles, e muito menos para  suas famílias, quando  simplesmente se levantaram e saíram na chamada do rabino. Certamente foi uma  honra para eles serem escolhidos por um rabino,  segui-lo e aprender com ele. Jovens  em sua fase adolescente seria mais fácil para sair de casa, como aqueles que vieram de aldeias distantes às “escolas do distrito”. A Enciclopédia Judaica, ao falar de “o último século do Estado judeu”, diz que escolas para meninos de seis ou sete anos de idade foram realizadas em todas as cidades, e, em seguida, descreve o que chama de “escolas do distrito”. Estas “destinavam-se apenas para os jovens de dezesseis ou dezessete anos de idade que poderiam ficar  longe casa”.

É muito oportuno aqui conhecermos algumas coisas interessantes da cultura judáica. Em Avot 5 (da Mishná: comentário rabínico que foi adicionado ao Antigo Testamento), nós aprendemos das tradições judaicas antigas de educação: o estudo das Escrituras começa aos 5 anos de idade; Estudo do Mishná aos 10; Obrigações da Torá aos 12 (Sua responsabilidade era para memorizar a Torah por dentro e por fora, de frente para trás); entrando no estudo rabínico aos 15; casamento aos 18 anos; ensino formal aos 30 – se eles fossem distinguidos, poderiam começar a ensinar com essa idade, tornando-se professores da Torá. A menção do casamento aos 18 pode nos ajudar a entender também  porque Jesus pagou o imposto referente a ele e Pedro, apenas. Jesus  passava dos trinta anos, e Pedro, sendo casado, certamente contava com mais de 18 anos – Não houve menção das esposas dos outros discípulos. Perante esta informação, faz sentido concluir que eles eram solteiros e, portanto, contavam com menos de  18 anos.

Para os brilhantes (ou ricos), o ensino superior consistia em estudar com um rabino local, e se eles fossem distinguidos, poderiam começar a ensinar na idade de 30. Se eles não encontrassem um rabino que lhes aceitassem como aluno (muito parecido com um pedido de admissão da faculdade), eles entrariam na força de trabalho em seus meados da adolescência. Alguns discípulos – a maioria já trabalhava em seus comércios – podem ter sido rejeitados pela educação formal por outros rabinos quando Jesus os escolheu. À luz disto, uma idade mais jovem é mais provável do que mais velhos. Um homem com mais de 30 deixando o seu comércio para seguir um rabino seria contra-cultural; não impossível (Jesus foi definitivamente contra-cultural), mas o mais provável é que eles eram mais jovens do que mais velhos.

Falando de maneira mais ampla, temos o seguinte: A partir da idade de 5-12 os garotos receberiam uma educação de um professor de Torá. Sua responsabilidade era para memorizar a Torah (os cinco primeiros livros da Tanakh) por dentro e por fora, de frente para trás. Se ao alcançar a idade de  12 anos, não tivessem  ainda totalmente memorizado cada palavra a sua formação iria acabar. Eles seriam enviados de volta aos seus pais, para que  pudessem aprender os negócios da família e fazer uma vida para si.

Entre as idades de 12-15 os  jovens recebiam  uma educação relativa a explicação da Torá. Eles também poderiam iniciar a memorização de outros livros do Tanakh. Além disso, eles também iriam receber formação na empresa familiar. Este era o ponto onde a maioria dos alunos levava fora. A maioria não avançava para a próxima fase de aprendizagem. Entre as idades de 15-30 anos iriam estudar o restante do Tanakh, e usariam suas habilidades do pensamento crítico para interpretá-lo.

É interessante comparar a vida de Jesus à  esta descrição. Embora pouco se falou sobre sua infância sabemos que ele “cresceu em sabedoria” como um menino (Lucas 2:52), e que chegou ao “cumprimento dos mandamentos” indicados pela ocasião da primeira Páscoa na idade de doze anos (Lucas 2:41) . Em seguida, ele aprendeu uma profissão (Mateus 13:55, Marcos 6: 3.) e começou seu ministério com cerca de trinta anos (Lucas 3: 23). Isso se assemelha a descrição Mishná muito de perto.

Lembre-se da história de quando Jesus tinha 12 anos e subiu a Jerusalém com sua família – eles deixaram Jerusalém sem Ele e quando voltaram o encontraram ensinando no templo:

E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.   E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas“, Lucas 2: 46-47

Nós sabemos que Jesus tinha  o comando da Torá e, provavelmente, o Tanakh naquela época, então certamente a sua falta de conhecimento e pensamento crítico não era o problema. Mas, por que Jesus era um trabalhador? Provavelmente é porque ele estava sob a tutela daqueles que estavam mais bem informados do que os rabinos. Deus poderia ter fornecido outro professor para ele, ou poderia Deus, através do Espírito Santo ter sido professor de Jesus? Isso lhe dará algo para pensar.  De qualquer forma, a autoridade de Jesus foi confirmada por duas testemunhas:

João Batista: “E eu vi e testemunho de que este é o Filho de Deus“,  João 1:34

Deus Pai: “E de repente veio uma voz do céu, dizendo:” Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”, Mateus 3:17

Todos estes detalhes são valiosíssimos para nossa argumentação defensiva, pois nos ajudarão a descobrir qual era a idade de João perto de 70 AD, o que poderá causar grande impacto nas afirmações da escola preterista, fazendo desmoronar a tese de que João foi aprisionado em Patmos antes da destruição de Jerusalém, e que o livro de Apocalipse é primariamente uma profecia sobre a guerra romana contra os judeus em Israel, começando em 67 e terminando com a destruição do Templo em 70 DC.

O Chamado

Se João encontrou Jesus quando era bem jovem, entre 16 e 17 anos de Idade e, se a crucificação e a ressurreição ocorreram aproximadamente entre 28 e 30 AD, certamente ele estava perto dos seus 20 anos nessa ocasião. Se acrescentarmos mais 30 anos para colocar João no início da década de 60 AD, mais precisamente – tendo por base a cronologia preterista – em 63 AD, empurramos o Apóstolo para dentro da ilha de Patmos com pouco mais de 50 anos. E, se ele foi liberto – como deseja o preterismo – após a morte do Tirano Nero, que ocorreu em 68 AD, então João não poderia ser tão velho, ele estaria entre os 56-58 anos de idade.

Como vamos ver, isso contraria o testemunho de alguns pais da Igreja, os quais registram que João, quando deixou o exílio, já era um idoso, o que só faz sentido se sua libertação ocorreu algumas décadas após a destruição de Jerusalém – os cálculos para a saída de João do exílio nos levam direto para o final do governo do Imperador Domiciano, em 96 d.C., tendo João ultrapassado os seus 85 anos de idade.

Por volta de AD 270, Vitorino, no décimo capítulo de seu comentário sobre o Apocalipse de João, escreveu: “… João estava na ilha de Patmos, condenado ao trabalho das minas… ele viu o Apocalipse, e quando envelheceu, ele pensou que ele deveria finalmente receber sua quitação pelo sofrimento… foi liberto das minas…”. [Vitorino, Comentário sobre o Apocalipse, XI].

Clemente de Alexandria (AD 150-220) contou uma história sobre João logo após seu retorno do exílio, como sendo um homem muito velho. Ele narra sobre um jovem que foi convertido pela pregação do Apóstolo, mas também deixa um valioso documento sobre os dias de João em Patmos.

A história é sobre um jovem convertido que João havia confiado a certo ancião para discípulo na fé. O homem tinha sido anteriormente um ladrão e salteador. O registro diz o seguinte:

“… Ao retornar do exílio em Patmos, ele ouviu que o jovem havia retornado para sua vida antiga de crime. Ao ouvir isso, ele repreendeu fortemente o mais velho em cuja guarda ele havia deixado. João partiu imediatamente para o lugar onde este ladrão e seu bando se escondiam. Ao chegar ao local, ele foi agredido pelo bando de ladrões. Ele exigiu deles para levá-lo ao seu líder. Eles trouxeram João ao homem que João havia anteriormente conquistado para Cristo, e deixado sob a custódia do mais velho. Quando o jovem viu João se aproximando, ele começou a fugir. João começou a correr atrás dele, pedindo: “Por que, meu filho fugir de mim, teu pai, desarmado e velho? Filho tenha pena de mim. Não temas, tens ainda a esperança de vida. Vou dar conta de Cristo por ti. Se for necessário, eu vou de bom grado suportar tua morte, como fez o Senhor na morte por nós. Por ti vou entregar minha vida… João explicou-lhe que o perdão e a restauração era ainda possível…” [Clemente, Quem é o homem rico que será salvo, XLII].

No entanto, o testemunho mais curioso, interessante e esclarecedor, é o do historiador da igreja Eusébio de Cesareia, ou, Eusébio Panfilio. Eusébio nasceu em 260 e morreu antes de 341. Bispo de Cesareia na Palestina, ele é conhecido como o “Pai da História da Igreja.” No capítulo 18, livro 3 de sua História da Igreja, ele registra:

“… nesta perseguição …  João, apóstolo e evangelista, que ainda estava vivo… foi condenado a habitar na ilha de Patmos em conseqüência de seu testemunho à palavra divina”.

Observe que Eusébio diz que João, ao ser exilado, “ainda estava vivo”. O pequeno detalhe nos leva a concluir que ele fala de um João idoso. Alguns talvez protestem entendendo ser muito fraco e irrelevante o detalhe de Eusébio nas palavras. “João,  que ainda estava vivo  foi condenado a habitar na ilha de Patmos”. Pelo contrário. Esse pequeno detalhe circunstancial, pois narra a história, caiu como uma bomba atômica no teto da escola preterista. Eusébio deixa claramente subentendido que João estava bem velho quando foi aprisionado em Patmos. Registrar que João “ainda estava vivo”, significa avançar para frente dentro de um tempo em que todos os outros Apóstolos já haviam  partido desse mundo, mas que o último deles ainda vivia.

Eusébio não fez esse registro tendo em mente o João da década de 60 AD como ensina o preterismo. Fica totalmente sem sentido um escritor referir-se a um Apóstolo que passava da casa dos 50 anos e dizer que “ele ainda estava vivo” e, mais sem sentido ainda registrar tal fato numa época em que todos os outros Apóstolos também estavam vivos, com exceção de Tiago, irmão de João, que foi morto por Herodes.

A bem da verdade, a prisão de João em Patmos, como também sua libertação, ocorreram entre 82 a 95, dentro do reinado de Domiciano. Isso deve significar, obviamente, que Apocalipse foi escrito depois da destruição de Jerusalém.

Veja todo o registro do historiador Vitorino que coloquei acima – aqui sem cortes –  com a menção de Domiciano:

“… João estava na ilha de Patmos, condenado ao trabalho das minas por César Domiciano… ele viu o Apocalipse, e quando envelheceu, ele pensou que ele deveria finalmente receber sua quitação pelo sofrimento. Domiciano foi morto e todas as decisões dele estavam descarregadas. João foi liberto das minas…”. [Vitorino, Comentário sobre o Apocalipse, XI].

Irineu, por exemplo, declara que “… o Apocalipse foi visto… em nossa própria geração, no final do reinado de Domiciano”. Irineu Contra as Heresias 5.30.3.

Irineu foi muito particular sobre sua datação do Apocalipse. Ele não só menciona o reinado de Domiciano, mas ele menciona que a visão de João ocorreu no final do reinado de Domiciano. Fica extremamente difícil duvidar de Irineu. Muito valioso lembrar também que Irineu viveu entre 120-202 AD. Isso não pode ser ignorado, pois nos esclarece que  Irineu nasceu  menos de 20 anos após a  morte de João. Eu disse 20 anos e não 200!

Além disso, Irineu  foi discipulado por Policarpo. Policarpo foi discípulo do apóstolo João, e bispo da Igreja de Esmirna na Ásia. Se Irineu registra que João foi exilado no governo de Domiciano, já é o suficiente. Sua fonte foi alguém que conheceu e conviveu com o escritor do Apocalipse.

Quero aqui finalizar com mais alguns registros dos Pais da Igreja sobre o exílio de João. São testemunhos que comprovam que o Apóstolo esteve em Patmos no governo do Imperador Domiciano, e não antes disso.

Sulpício Severo, registra: Então, depois de um intervalo, Domiciano, filho de Vespasiano, perseguiu os cristãos. Nesta data, ele baniu João Apóstolo e Evangelista para a ilha de Patmos” (História Sagrada, Livro II, Cap.31). 

Jerônimo: “João era um profeta. Ele viu o Apocalipse na ilha de Patmos, onde foi banido por Domiciano” (Trabalhos, vol. 6, p. 446).

“No décimo quarto ano depois de Nero, Domiciano, tendo levantado uma segunda perseguição, baniu João para a ilha de Patmos…  Mas Domiciano tendo sido condenado à morte e seus atos, por conta de sua excessiva crueldade, foram anulados pelo Senado, e João voltou a Éfeso” (Homens Ilustres, IX).

Tertuliano: “… Domiciano também, que possuía uma parcela da crueldade de Nero, tentou uma vez fazer a mesma coisa que este último fez… sequer se lembrou daqueles a quem ele tinha banido… Mas depois que Domiciano reinou 15 anos, e Nerva tinha sucedido ao império, o Senado romano, de acordo com os escritores que registram a história daqueles dias, votaram que os horrores de Domiciano deveriam ser cancelados, e que aqueles que tinham sido injustamente banidos devem retornar para suas casas e ter suas propriedades restauradas a eles. Foi nessa época que o apóstolo João retornou de seu exílio na ilha ao seu domicílio em Éfeso” (História Eclesiástica, Livro III, Cap.20).

A escola preterista, mesmo diante de provas irrefutáveis, nega o testemunho da história e sobrecarrega a Igreja de problemas desnecessários. Lamentavelmente, eles insistem em negar os registros, óbvios e claros, que não eram problemas antes do século 16. Ninguém antes de 1600 contestava o testemunho dos pais da Igreja; os protestos só tiveram início depois que o sistema Preterista foi inventado.

A Deus toda Glória

Fontes  Consultadas

SOUZA, Ken – The Disciples Were Probably Teenagers

BRADFORD, Mark – Temple Tax

KBONIKOWSKY – Jesus’ Disciples: A teenage posse?

BELKNAP, Bryan – Was Jesus a Youth Minister?

CARY, Frank and Otis – How Old Were Christ’s Disciples?

Onde nosso Senhor foi Crucificado

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jesus-christ-crucifixion-475Apocalipse, em quase sua totalidade, não é um livro que deve ser interpretado literalmente – É um livro profético, não histórico; é cheio de figuras e símbolos. Por exemplo, a mulher vestida de sol no capítulo 12 não é uma mulher literal; e as duas testemunhas? O que são? Ou melhor, quem são? Apocalipse 13 nos fala de uma besta que emerge do mar. Não se trata de um ser conhecido do reino animal, embora a Escritura afirme ser ele uma besta selvagem. E o mar de vidro que João viu dentro do céu? Eu poderia citar aqui vários  exemplos, mas vou me deter  apenas em mais um: “A cidade que se chama Sodoma e Egito, onde nosso Senhor foi crucificado”. Como identificar essa cidade neste Livro cheio de símbolos?

“E os seus corpos jazerão na praça da grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado”. (Apocalipse 11:8)

A propósito – a pergunta vai para um apologista católico chamado Cristiano Macabeus: “Quais foram as duas testemunhas martirizadas na Praça de Jerusalém antes de 70 d.C?” Se ele interpretou parcialmente  a  forma literal do texto, adicionando  Jerusalém  como a grande cidade, deveria também revelar quais foram as duas testemunhas – pessoas literais – martirizadas na praça dessa cidade.

Acreditem ou não, caros leitores, mas esse apologista desistiu de defender o ensino de que Pedro redigiu uma de suas cartas de Roma pelo simples fato do texto dizer que ela foi escrita de Babilônia (1 Pedro 5:13), um codinome que muitos historiadores usam para Roma. Ele contraria todos os argumentos da Igreja católica que ensina por muitos séculos que o Apóstolo Pedro estava escrevendo de Roma. Ele prefere tirar Pedro de Roma para colocar Jerusalém como objeto da ira de Deus em Apocalipse. O apologista das multidões  acredita que a Grande Cidade de Apocalipse é Jerusalém, e que o capítulo 18 deste livro descreve a queda da Cidade em 70 d.C.

E ele foi mais longe ao rejeitar uma argumentação que muitos católicos desejam ardentemente:  que as duas testemunhas mortas na praça da Grande Cidade foram Pedro e Paulo – segundo a tradição os dois apóstolos teriam sido martirizados em Roma. Ele foi capaz de anular o ensino da instituição romana para, tão somente, afundar Jerusalém nas profundezas do inferno, colocando-a como a meretriz do Apocalipse, livrando assim a Igreja Católica dos infortúneos profetizados por João.

Que cidade é essa? Para quem deseja responder rápido e sem titubear, obviamente diz que é Jerusalém. O texto chama a uma resposta literal, pois a cidade em que nosso Senhor foi crucificado só pode ser Jerusalém, diriam muitos. No entanto, seria Jerusalém se o texto não fizesse parte de um livro cheio de figuras, que em várias passagens não pode ser interpretado literalmente, o Apocalipse. Aqui não é Mateus registrando seu evangelho, muito menos Lucas com sua pena de ouro, mas João recebendo profecias, a maioria delas, para os tempos do fim.

Pode parecer absurdo para muitos que estudam a doutrina das últimas coisas, mas já vou adiantando:  Jerusalém não é a Grande Cidade que se chama Sodoma e Egito.

Existe hoje uma corrente teológica estranhamente interessada em identificar Jesrusalém na profecia de Apocalipse 11:8, e ela provém da Igreja Católica Romana. Eles podem ser identificados como os preteristas de Roma. O objetivo dessa nova teologia romana é tão somente enfraquecer a interpretação profética relacionada aos acontecimentos finais. Esforçam-se para remover as suspeitas que pairam sobre a Igreja Católica de ser a grande meretriz julgada em Apocalipse 17 e 18 para lança-las sobre Jerusalém. Além de ensinarem que a Grande Cidade de Apocalipse 11:8 é Jerusalém, afirmam que os dois capítulos localizados antes da vinda de Jesus, do mesmo livro, tratem da destruição de Jerusalém ocorrida em 70 dC. Ou seja, todas as profecias contidas até o capítulo 19, como o mistério dos sete trovões e as calamidades que apontam para os tempos finais, já se cumpriram, segundo alegam os preteristas do catolicismo. Essa foi a maneira que encontraram para tentar livrar a Igreja católica dos julgamentos relatados neste livro profético.

Isso torna a profecia extremamente confusa, pois não seria correto aplicar a Jerusalém os títulos de  Mãe das Prostituições da terra, Mãe das Meretrizes, a que tem na fronte nomes de blasfêmia, citada em Apocalipse 17 e 18 – Além de ficar fora de foco chega as raias do absurdo.

A cidade que reinava sobre os reis da terra, chamada de Sodoma e Egito, citada aqui como figura para revelar a Babilônia dos tempos finais, não tipifica Jerusalém, mas sim Roma. Jerusalém tornou-se território Romano – as mais altas autoridades religiosas de Jerusalém, e todos os judeus em Jerusalém, chegaram a admitir que César fosse o seu rei (João 19:15). A sabedoria de Deus  alcança Roma em cheio como a cidade que reinava sobre os reis da terra. Roma governava com mão de ferro sobre os judeus, por isso  Jerusalém desaparece da profecia, dando lugar a Roma que fez da cidade santa uma de suas províncias.

Judeia (Iudaea) foi o nome dado à província do Império Romano, que se estabeleceu no território do Oriente Médio habitado e governado anteriormente pelos judeus… Em 63 a.C., o general Pompeu conquista a Judeia e anexa o território ao domínio romano… A administração do território é entregue a governadores romanos da ordem equestre, chamados de prefeitos. Mais tarde, serão também chamados de procuradores… Após a grande revolta de 68-70, desapareceu qualquer resquício de autonomia, passando todos esses territórios a constituírem a província romana da Judeia, desvinculada da província da Síria, e administrada por procuradores imperiais” (Judeia, província romana).

Quando Jesus nasceu, diz-se que foi feito um censo em todo território romano, não em território judeu. Lucas 1:2, “E ACONTECEU naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que toda a população do império se alistasse…”.

Toda a população do império faz referência à população do império romano, o qual governava sobre os reis da terra. Toda a palestina deveria se alistar, e foi denominada como população do império, o império romano. Portanto, o território judeu foi chamado de território romano. A coligação de romanos e judeus governava com autoridade.

A moeda corrente em Jerusalém tinha a face de César, Luc 20:24 – Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César.

A terra dos judeus transformou-se em território romano!

Cristo foi crucificado na Judéia, na verdade, mas que se tornou uma província romana sob Pôncio Pilatos, governador romano, que por sua ordem, o Cristo, sofreu uma espécie romana da crucificação. Ele foi acusado de, embora falso, ser rei contra César, o imperador romano. Na verdade, Jerusalém desaparece nesta profecia em Apocalipse, dando lugar a Roma, o que indica que a nação foi sugada, como é evidenciado pelo pronunciamento dos sacerdotes judeus: “Não temos outro rei senão César” (João 19:15). Ora, se o Rei é Cesar, qual é esse reino? A profecia aponta diretamente para Roma como a cidade que reinava sobre os reis da terra, que descansava sobre sete montes, que também são sete reis. Somente através dessa figura é que ficamos sabendo que a profecia alcança a  Grande Cidade religiosa dos tempos finais. Óbvio que não se trata de Jerusalém, pois ela é chamada de Mistério. Como a identidade da cidade é: “Mistério Babilônia, a Grande”, uma interpretação não literal seria necessária para identificar a cidade exata. Não seria mistério nenhum adicionar Jerusalém como o lugar onde nosso Senhor foi crucificado. Porém, por não tratar-se de Jerusalém, ela foi chamada: MISTÉRIO BABILÔNIA, A GRANDE.

Se entendermos este texto de forma não literal, então podemos  facilmente visualizar os dois impérios romanos, que na verdade são um apenas um. Daniel fala do quarto animal “terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres”, Dn 7:7. O profeta continua e diz que “O quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços”, v. 23 – o quarto reino foi o Romano. Não houve, ou haverá, um quinto reino. Assim, o que  temos atualmente é uma continuação do Império Romano, agora com roupagem religiosa, que  passou a ocupar o mesmo local geográfico do império romano pagão. Por esse motivo, e por muitos outros, Roma passa a ser a cidade que nosso Senhor foi crucificado, pois apenas dessa maneira a profecia poderia alcançar  este segundo império, “o qual tomou o lugar do primeiro, quando os césares perderam seu poder com os papas governando em seu lugar” (1).

O contexto insiste em idenficar a Babilônia do nosso tempo. A profecia revela que essa Babel  religiosa ocupa o lugar da Babilônia [Roma] física. Por esse motivo observamos que os escritos profetizam a destruição dessa imensa Babilônia num tempo futuro. Ninguém poderia entender absolutamente nada  se João não fizesse adições literais em  Apocalipse 11:18.

João não nos diz o nome real da cidade, mas a condição espiritual dela. Jerusalém foi realmente chamada de Sodoma por Deus (Jeremias 23:14). Entretanto, em nenhum lugar na Bíblia Jerusalém é chamada Egito. Jerusalém era a referência do Êxodo, a saída da escravidão no Egito. Sua fundação contextual para esta declaração foi o Velho Testamento, tendo como referência o Êxodo da escravidão egípcia. Ela jamais poderia ser chamada de Egito por mais esse motivo.

Deus está nos dando uma pista sobre a identidade desta grande cidade neste versículo. Ele está revelando duas informações importantes que culminam na identificação desta metrópole. Primeiro, notamos que após ler “grande cidade”, Deus diz: “o que é espiritualmente” – ( que em outra passagem a identifica como Mistério, Babilônia). Portanto, sabemos que deve ter um significado não literal na identidade para ela. Portanto, esta grande  cidade apenas tipifica Jerusalém.  Este versículo não está tipificando a Jerusalém literal em sua opinião final.

Mas, por que Deus retrata a cidade também como Sodoma e Egito? “Porque ela representa todas as coisas que são espiritualmente repugnantes para Deus. Representa o pecado de Sodomia em todas as suas praticas. Ao se questionar a “cidade” aqui, é necessário encontrar nela abominações como as de Sodoma. Quem se enquadra hoje nessa categoria com suas imoralidades e perversões patrocinadas através dos séculos? Se devemos considerar que este foi o desenho para se referir a Roma papal, ninguém pode duvidar que as abominações que nela prevalecem não justifica tal apelo” (2).

A Cidade também foi chamada de Egito. O Egito  tipifica os que ainda estão escravizadas a Satanás e em cativeiro espiritual para com os seus pecados, oprimidos e aprisionados no cativeiro dessa Grande Cidade. O Egito representa aqueles que não têm fé no precioso sangue de Cristo para redimi-los. Egito é conhecido nas Escrituras como a terra da opressão – a terra onde os israelitas, o povo de Deus, esteve preso em cativeiro. A ideia em particular, então, e transmitida aqui é, que “a cidade” referida seria caracterizada por atos de opressão e escravidão ao povo de Deus.

Os atos de perseguição impetrados em toda a história, concebidos para esmagar os verdadeiros cristãos, saíram de Roma mais do que de qualquer outra cidade na face da terra. Assim, e pelo testemunho de toda a história, sabemos hoje que não há nenhum lugar, tão corretamente designado pelo termo aqui empregado, a não ser Roma, representada pela Igreja Católica Romana.

A Igreja – todo o Cristianismo – pode ser vista como que influenciada por esse sistema babilônico à semelhança do “mesmo” sistema  que enlouqueceu as nações lhes dando de beber em excesso (Jer 51:7; Apo 14:8). “A abominação da desolação transformou esta cidade em uma Sodoma, atestada claramente pelo orgulho e ociosidade dos sacerdotes, monges e frades que se amontoam nas ruas e praças deste grande metrópole. Onde também estão abertos a profanidade e desprezo para com a religião verdadeira, e particularmente para o pecado de sodomia, tão frequentemente cometidos nesta cidade, com toda a impunidade. Quanto a ser chamada de Egito, acrescento: é por causa de sua tirania e opressão. Como os egípcios mantiveram os israelitas em cativeiro, e os fez servir com rigor amargurado suas vidas, então esta Grande Cidade e suas gentes, ou egípcios, têm uma forma mais opressiva e rigorosa sobre as almas, corpos e propriedades dos homens, e também por causa de sua grande idolatria. O Egito foi muito marcante por causa do número de suas divindades e da maldade deles. Isso faz uma fusão inevitável com os ídolos e idolatrias da Igreja de Roma” (3).

Egito é a “Casa da sujeição” onde um  “remanescente muito pequeno” está cativo a espera de libertação. A Cidade é também comparada ao Egito por causa de sua semelhança moral com a terra literal de Mitzraim, terra de idolatria. Sua superstição, sua ignorância do Senhor, o seu ódio que a faz oprimir o povo de Deus, a sua dureza de coração, a sua feitiçaria, adultérios e assassinatos, sua escuridão que pode ser sentida – que transcende a infâmia de Faraó e seus exércitos nestas abominações, a fazem semelhante ao Egito. A grande cidade é, portanto, bem ao estilo do verdadeiro Egito. Mas também é assim alegorizada porque as pragas que foram derramadas no Egito também cairão sobre ela (Apoc 18:4), e porque o Senhor dos Exércitos vai julgá-la a uma derrota, tão terrível e eficaz no julgamento, como quando julgou os egípcios pelas mãos de Moisés.

Esta Sodoma e Egito-territorial do gentilismo, é a Grande Cidade “onde o seu Senhor também foi crucificado”. Isso é indicativo do império alegorizado por “Sodoma e Egito”. Cristo foi crucificado por Roma fora dos muros de Jerusalém. Além do mais, Ele foi crucificado em uma província do Império Romano;  os judeus que habitavam a Palestina,  repito, sinceramente testemunharam que eles não tinham outro rei além de César (João 19:15.). Daí, a grande cidade é o império de Roma, e tudo que é representado em Roma, cujas fronteiras foram decretadas pelo império a ser os limites da cidade. O império e a cidade, então, são coextensivos, em outras palavras, eles são os mesmos

Portanto, a cidade que se chama Sodoma e Egito, é Roma, tão somente Roma. Cristo foi crucificado em Roma. Cristo continua sendo crucificado em Roma, quando seus sacerdotes o crucificam de novo nos sacrifícios frequentes dele na missa. Hebreus 6:6, diz de pessoas que pervertem a verdadeira fé, que “estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus novamente.”. 

Se a passagem deve ser tomada em sentido figurado, o significado é que os atos realizados possam ser adequadamente representados como crucificar novamente o Filho de Deus. Ou seja, como ele vive em sua igreja, os atos de perverter as doutrinas e perseguir o seu povo, seria, de fato, um ato de crucificar o Senhor outra vez. Assim entendida, a linguagem é aplicada a Roma Católica. Por isso João pretendia realmente caracterizar aquela cidade como sendo a cidade de Roma quando usou uma linguagem que seria facilmente entendida por um judeu cristão. A interpretação da grande cidade de Apocalipse 11 é espiritual e mística, apontando claramente para a jurisdição de Roma, chamada de Sodoma e Egito. Portanto, o lugar onde nosso Senhor foi crucificado, é Roma e não Jerusalém. E por fim, em Roma, na Babilônia mística, será encontrado o sangue dos profetas, dos santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.

Por outro lado, Apocalipse 11 não fala da destruição da cidade de Jerusalém, quando diz sobre a cidade que o seu Senhor foi crucificado, mas o quadro da cidade é usado para mostrar o que acontecerá com as duas testemunhas nos tempos finais. O versículo diz que as duas testemunhas serão EXPOSTAS ao público na praça desta cidade. Como a praça de uma cidade denota um local público, um lugar de confluência e de  grandes ajuntamentos,  foi o lugar ideal escolhido pelos chefes da Grande Metrópole para expor os corpos dessas testemunhas. A intenção dessa gente aqui é querer projetar as duas testemunhas à publicidade, entregando-as ao silêncio, desgraça e desprezo, privando-os de todos os privilégios, que será conhecido em todo o império anticristão, onde estes serão expostos à humilhação pública e a vergonha. Sua gente, seus personagens, o seu testemunho, suas doutrinas, seus escritos, suas igrejas e famílias, e todos os que pertencem a eles, serão ridicularizados nesta praça, a praça da grande cidade.

Jerusalém não pode ser chamada de “a grande cidade”, isto é, Babilônia. Ela jamais poderia se tornar a capital mundial da apostasia idólatra, como a Babilônia era originalmente, e depois Roma, que tem sido “Sodoma e Egito”, tal como ela está aqui sendo chamada. Ademais, em sentido amplo, no período da Igreja histórica, significa dizer que a Igreja é o santuário e tudo que é de fora, foi e esta, exposto na praça da grande cidade, onde todos os martírios de santos tiveram lugar. Portanto, essa Babilônia marca a sua idolatria, que também representa o Egito com sua tirania; representa Sodoma, que aparece com sua desesperada corrupção, e por fim, representa também Jerusalém quando aparece com suas pretensões de santidade na terra dos privilégios espirituais. Tudo pode ser verdade quando se aplica a Roma.

Jesus foi crucificado por Roma. O mundo quase todo era Roma e Jerusalém era território romano. Por isso a cidade que se chama Sodoma e Egito, que reina sobre os reis da terra, onde NOSSO Senhor foi crucificado, descrita em Apocalipse 11, não tipifica Jerusalém, mas sim Roma.

A prostituta é vista assentada sobre sete montes. Várias foram as cidades, ao longo da história, conhecidas como cidades de sete montanhas ou colinas. Os muitos por aí que afirmam ser Jerusalém a grande meretriz, como também a cidade sobre sete montes, estão delirando. A interpretação óbvia no contexto do Apocalipse é à cidade de Roma, bem conhecida na época de João como a cidade de sete colinas. Esta interpretação se ajusta aos outros aspectos da descrição desta cidade que dominava “sobre os reis da terra” (17:18).

A Mãe Política e Eclesiástica

Nesta grande cidade, três mil milhas em uma direção, e dois mil em outra, os Cristãos passaram a ser crucificados, ou condenados à morte pela violência e poder do quarto animal “… que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro e as suas unhas de bronze; que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobrava”, Dan 7:19. No inicio foi com Jesus na Palestina e as testemunhas de Jesus como plateia, e depois tomou sua amplitude ocidental, sendo que todos estavam subjugados à competência especial dos governantes desta grande cidade.

No capítulo 17, esta grande cidade é comparada a uma prostituta embriagada, maravilhosamente vestida, e sentada em cima de uma besta escarlate, o símbolo do poder sobre a qual ela reina (versículo 18). O nome dela é estampada no quinto verso como “Mistério, Babilônia, a Grande, a mãe das Meretrizes e abominações da Terra.” Ela é “Mistério” porque ela é a personificação do “mistério da iniquidade”, aquele que Paulo diz que já estava em operação no momento da sua escrita (2 Tess 2:7).

Scaliger testifica que “mistério” já foi usado como uma inscrição na tiara do Papa, mas depois removido por Julius III. O termo “Mãe”, como aplicada à Grande Cidade, em suas relações eclesiásticas, é reconhecido por todos – “Romana Ecclesia”, diz o Concílio de Trento, “quae, omnium Ecclesiarum Mater et Magistra est” – A Igreja Romana, que é mãe e senhora de todas as igrejas.

A própria postura e organização desta Mãe determina que não haverá falta de provas para identifica-la como política e eclesiástica, a cabeça deificada, com a grande cidade, a Babilônia apocalíptica. Na ocasião do Jubileu  uma medalha foi cunhada,  do tamanho de um quarto de dólar; em uma face está a efígie de Leão XII, e no anverso, uma mulher, simbolizando a Igreja Romana, sentada sobre um globo, com raios de glória na cabeça, uma cruz na mão esquerda, e um copo, assinalado com uma cruz em sua boca, na mão direita, estendido, como se apresentá-lo para ser bebido. Abaixo dela está a data, e em torno de seu rosto a legenda “Sedet super-Universam. Anno Iubi. MDCCCXXV”. – Ela se senta sobre o mundo. No ano do jubileu, 1825. Sim, ela se assenta sobre o mundo, ou “sobre muitas águas”, a prostituta se apresenta como as notórias prostitutas dos tempos pagãos, que levam seu nome  na sua testa.

Assim diz Seneca, Nomen tuum pepenit na fronte: Pretia stupri accepisti – “O teu nome tem pendurado sobre a tua testa: tu recebeste a recompensa da tua desonra.” 

Mas a grande cidade não é apenas espiritualmente ao estilo Babilônia por causa da confusão do discurso espiritual que obtém entre todos os “nomes e denominações” de que é constituído eclesiasticamente, mas porque é o desenvolvimento moderno do mesmo poder que existia nos dias da Babilônia Caldéia sob a dinastia de Nabucodonosor, e porque um destino semelhante a aguarda. Podemos dizer que é o mesmo poder, apenas modificado pelo tempo e circunstâncias.

Nabucodonosor, que era, por assim dizer, o segundo fundador de Babilônia, a construiu para dominar povos e nações. Em Daniel 4:30 ele atesta,

“… Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?”

E, para alertar aos que vivem em Babilônia, aqui vai um recado: Nabucodonosor ficou muito interessado em saber qual seria o destino do reino sobre o qual ele governava, e Daniel lhe mostra,

Dn 2:30 E a mim me foi revelado esse mistério, não porque haja em mim mais sabedoria que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses os pensamentos do teu coração.

Uma representação simbólica foi apresentada diante dele em um sonho ilustrativo da consumação do reino da Babilônia “nos últimos dias.” Assim, o reino de Babilônia tem tido uma existência contínua de seu reinado até agora, pois estamos vivendo “nos últimos dias” dos quais falam Daniel. É verdade, que “a Casa do reino” não tem sido sempre Babilônia, que foi o início do domínio de Ninrode (Gên. 10:10), que tem sido, por vezes, um lugar, às vezes outro, até que finalmente Roma tornou-se “A Grande Cidade”. Várias dinastias tornaram-se  herdeiros do reino de Babilônia. Depois de Nabucodonosor, houve a dinastia de prata e de bronze e a dinastia de ferro, como também a de barro – quatro ou cinco dinastias oriundas do mesmo reino, também chamado, “reino dos homens” (Dan 4:17). Este reino babilônico em sua manifestação dos últimos dias, ao estilo do Espírito apocalíptico, que é a grande cidade, Babilônia, a arena que vai ficar ereta e completa em todas as suas partes a imagem inteira dessa Grande Metrópole, e que, nestes últimos dias, será derribada pela pedra que foi arremessada sobre ela,

Dan 2:45 – Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro; o grande Deus fez saber ao rei o que há de ser depois disto. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação.

Assim, o Espírito Santo seleciona três dos centros mais infames da iniquidade entre os antigos para alegorizar a Grande Cidade, na arena de que tem sido desenvolvido e amadurecido a grande apostasia. É “espiritualmente”, ou figurativamente, chamado por estes nomes, Sodoma, Egito e Babilônia, por causa de sua semelhança impressionante com eles em suas feitiçarias, idolatrias, superstição, blasfêmia, opressão e perseguição ao povo de Deus. Daí, em Sodoma, no Egito, e na grande cidade, Babilônia, onde “nosso Senhor foi crucificado”; não em sua própria pessoa só, mas em  suas testemunhas, pois o que é feito ao menor de seus irmãos, é feito também a ele (Mt 25:40).

A Deus toda Glória

(1) Citado em Mistery Babylon Identified

(2) Citado em Biblehub Commentary about Revelation 11, Barnes notes

(3) Citado em  Exposition of the Bible, by J Gills

Se você, amigo leitor, deseja mais informações sobre o assunto, então assista ao vídeo abaixo.  Dave Hunt faz uma revelação  surpreendente  afirmando que o Império Romano continua vivo através da Igreja Católica Romana. As referências e minuciais são tão impressionantes que inevitavelmente podem assustar alguns.

É apenas um vídeo, um legendado e o outro dublado.

Babilônia e sua relação com Roma

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BabiloniaEsta parte em que abordamos a união da Babilônia com a Igreja Romana é um resumo do livro La Biblia a su alcance ( A Bíblia ao seu alcance), capítulo 8, de Frank Bloyd (Editorial VIDA).O que se apresenta a seguir não são notícias recentes. A conexão entre Babilônia e a Igreja Romana está bem estabelecida.

Ninrode, o poderoso caçador, foi o fundador da Babilônia. Ele organizou a primeira rebelião contra Deus (Gn 10:9,10; 11:1,9). Eles queriam fazer para si mesmos um nome poderoso. Este nome seria para eles um orgulho, seria um sinal de grandeza.

Em Babilônia se produziu a primeira grande apostasia. Com a rebelião que Ninrode iniciou instalou-se o culto babilônico. Os que foram iniciados nesta seita deixaram de ser da nacionalidade babilônica, assíria, egípcio, ou de qualquer outra, passando a ser membros de uma irmandade mística. Esta crença continua em sociedades secretas até hoje. Os iniciados supostamente possuíam sabedoria superior e podiam descobrir os segredos divinos escondidos. O líder desse grupo era conhecido como o pontífice e agia como sumo sacerdote, sendo sua palavra a lei sagrada.

Adoravam o “pai supremo”, a “rainha do céu” (“o ser feminino encarnado”) e seu “filho.” Do “pai supremo” diziam que não exercia influência nos assuntos dos mortais, elevando a “rainha do céu” ao cúmulo da deusa máxima nos assuntos humanos. A esposa de Ninrode, o fundador da Babilônia (Gênesis 11 ), era a responsável pela religião do mistério que envolvia a cidade. Seu nome era Semíramis. Os adeptos de Semíramis acreditavam que ela teve um filho de maneira milagrosa, chamado Tamuz. Este era considerado o salvador que cumpriria a promessa de libertação feita a Eva. Semíramis era conhecida como “Rainha do Céu”. Esse conceito foi incorporado em diversas religiões nas quais a mulher e seu filho eram adorados. Há muitas citações da Bíblia expondo essa prática (Ez 8:14; Jeremias  7:18; 44:17-19; v.25). Este sistema foi originado por demônios, que tiveram o objetivo de governar o mundo.

Satanás continua com o mesmo plano ainda hoje (1Tm. 4:1,2), e Babilônia é a fonte de todo falso ensinamento e de toda idolatria (Jr  51:7; Ap 18:3).

No ano 487 a.C., a cidade de Babilônia foi capturada por Jerjes, e seus habitantes foram aniquilados. O sacerdócio babilônico teve de fugir, e de Babilônia nasceram três correntes. Eram parecidas, e cada uma teve seu próprio “sumo pontífice. Radicaram-se no Tibete, Pérgamo e Mênfis. Continuam no Tibete até o nosso tempo. Os que fugiram para Pérgamo permaneceram ali por longo tempo. Com a morte de Atalo I, em 133 a.C. – que era pontífice e rei de Pérgamo, a chefia do sacerdócio babilônico foi trasladada para Roma.

Os etruscos chegaram à Itália vindo da Lídia (região de Pérgamo) e trouxeram consigo a religião e rito babilônicos. Estabeleceram um pontífice, que exerceu poder de vida e morte sobre o povo. O pontífice foi aceito pelos romanos como chefe dos assuntos civis. Júlio César se elevou a esta categoria no ano 74 a.C. Foi eleito pontífice supremo da ordem de Babilônia, tornando-se herdeiro dos direitos e títulos de Atalo.

No ano 218 d.C. (de nossa era) o exército romano esteve aquartelado na Síria por causa da rebelião contra Macrino. Heliogábalo, que havia sido sacerdote do ramo egípcio da religião babilônica, foi escolhido imperador. Pouco depois foi eleito pontífice supremo pelos romanos. Com isto, os dois ramos ocidentais da apostasia babilônica se centralizaram no imperador romano. Os imperadores romanos agiram como “sumos pontífices” até o ano 376 d.C. Foi então que Graciano se negou a ataviar-se com as vestiduras do sumo pontífice. Milner, na História da Igreja, diz que Graciano: Desde sua mais tenra infância apareceram sinais inegáveis de verdadeira piedade em Graciano, num grau superior às que se haviam observado em qualquer outro imperador romano. Um dos seus primeiros atos o demonstra. O título de sumo sacerdote pertenceu sempre aos príncipes romanos. Ele observou, e com justiça, que este título era por sua mesma natureza idólatra, e não correspondia a um cristão assumi-lo.

Portanto, Graciano recusou vestir-se do hábito, embora os pagãos lhe outorgassem o título. Mas os assuntos religiosos ficaram tão desorganizados que se tornou necessário escolher alguém para ocupar o posto. Seguindo a citação anterior, lemos: Aconteceu que Dámaso, o bispo da Igreja Cristã de Roma, foi eleito para ocupar este cargo. Dámaso havia sido constituído bispo da Igreja no ano 366 d.C pela influência dos monges do monte Carmelo, um colégio de culto babilônico, originalmente fundado pelos sacerdotes de Jezabel (muito antes de Cristo) e que continua hoje relacionado com Roma. De maneira então que, no ano 378 d.C., o chefe da ordem babilônica passou a ser o chefe da Igreja Cristã. Este homem, Dámaso, uniu em si mesmo o cargo de bispo cristão e todos os títulos e poderes do sumo sacerdócio da antiga apostasia babilônica.

Pouco tempo depois que Dámaso foi nomeado o pontífice supremo eleito, os ritos da Babilônia começaram a destacar-se. O culto da virgem Maria se estabeleceu no ano 381 d.C. Maria era adorada por todas as partes como a “mãe de Deus”, a rainha do céu. No começo do século quarto este culto estava generalizado. O culto à rainha do céu havia substituído o culto a Cristo.

No Antigo Testamento, Babilônia era inimiga de Deus, e de Jerusalém, seu santo lugar. Deus concedeu a Babilônia poder civil, e com este poder ela levou cativo o povo de Deus. Quando a Babilônia literal deixou de existir, Roma se elevou ao poder e continuou seu antagonismo contra Deus.

Foi Roma que crucificou o Senhor Jesus Cristo, pôs fogo em Jerusalém e levou os vasos sagrados do templo. Além disso, desde então Roma tem corrompido a verdade e se tem oposto à piedade vital. Com relação à obra de Deus, Roma é Babilônia. Mas é “Babilônia fora de seu lugar”. É a Babilônia do mistério, e não a Babilônia literal. As características morais são as mesmas, mas o lugar mudou.

Não somente os comentaristas evangélicos destacam a conexão entre Babilônia e Roma, mas também sacerdotes e escritores católicos romanos reconhecem esta verdade. O Cardeal Bellarmino escreveu: “São João em Apocalipse chama Babilônia de Roma, posto que nenhuma outra cidade fora de Roma reinou em sua época sobre os reis da Terra. E é uma verdade bem conhecida que Roma se assentava sobre sete colinas…”. Além disso, o famoso prelado francês, Bossuet, em seu comentário de Apocalipse, diz: “Os sinais são tão claros que é fácil decifrar Roma sob a figura de Babilônia.”

Para finalizar esta seção, o autor deseja ressaltar que o que temos dito de Roma refere-se ao sistema babilônico e sua parte nele. Não buscamos criticar, mas apresentar fatos comprovados. Há ovelhas dentro da Igreja Romana que buscam a Deus e têm corações sinceros. A eles rogamos: Sai dela (Ap 18:4).

Concluímos então que Roma é agora sede da Grande Babilônia. Mas seria um equívoco dizer que os capítulos 17 e 18 falam só de Roma como cidade. Roma estabeleceu-se como sede principal da apostasia babilônica e tem-se introduzido dentro da Igreja Cristã como já se observou. É sobre povos, multidões, nações e línguas que ela está assentada. Sob seu domínio estão incluídos todos os movimentos apóstatas dos últimos dias; se hoje não aparecem juntos é porque o tempo ainda não chegou, mas, no início da tribulação, todas as Igrejas apóstatas e contrárias à vontade de Deus estarão unidas em uma só.

Havendo seguido sua história desde antigüidade, seria útil observar a Babilônia moderna. Nosso estudo tem assinalado Roma como cabeça da Babilônia que logo há de estabelecer-se na Terra. No entanto, está Babilônia, que será uma cidade rica e poderosa do Novo Império romano, é a manifestação física de todo um conceito espiritual. A Babilônia como um conceito espiritual vive hoje no Movimento da Nova Era e se relaciona com o conceito da Nova Ordem Mundial.