Mortos vivos andando em Jerusalém

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Vamos ver como uma interpretação, que se tornou uma tradição, ou até uma constituição dentro do Cristianismo e do Catolicismo, está enganando a massa ignorante.

A seguinte história é uma breve narrativa de um incidente que alegadamente ocorreu após a morte de Jesus. Como ela é  credível aos olhos do cristão desavisado e distraído é do conhecimento de todo mundo teológico:

E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;  e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”  (Mateus 27: 52-53)

O entendimento comum, e universal, é de que muitos santos se levantaram dos seus túmulos e marcharam para Jerusalém! No caso de você não saber, Jerusalém naquela época era como Nova York hoje. Era uma cidade muito importante e não  apenas um pequeno município. No entanto, surpreendentemente, o único ser humano que se preocupou em registrar o evento, foi Mateus.

Você pode imaginar pessoas mortas saindo de seus túmulos e andando em uma cidade e encontrando MUITAS outras pessoas? Seria a notícia, não apenas do século, mas sim a maior notícia, única e exclusiva, em toda a história humana.

A razão exige que um incidente tão novo e extraordinário seja registrado por todos. No entanto, encontramos total silêncio no Novo Testamento, exceto por esse indivíduo solitário, Mateus. Nenhum dos outros três evangelhos mencionou o evento. Nenhum! O problema é agravado ainda mais quando somos informados pelo seguinte de um comentário bíblico famoso que diz:

Talvez Simeão, Zacarias, João Batista e outros, que haviam crido em Cristo, e eram conhecidos  em Jerusalém, saindo dos túmulos após a sua ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa (Jerusalém) e apareceram  a muitos – quem provavelmente os conhecia antes.  Deus, por meio disso, mostrou  que Cristo havia conquistado a morte e levantaria todos os seus santos no devido tempo “(Comentário de Wesley).

De acordo com o comentário bíblico acima aqueles que foram ressuscitados não eram apenas um grupo de pessoas insignificantes,  mas sim grandes nomes dentre o povo, como Simeão, Zacarias e João Batista. E José, esposo de Maria, que para muitos também havia morrido? Certamente ressuscitou como estes. E o comentário vai mais longe e enfaticamente diz que eles apareceram para muitos “que provavelmente os conhecia antes”. Portanto, não há dúvida de que este foi um evento aberto e não algum incidente escondido e isolado que passou despercebido.

O problema não termina aí; o que aconteceu à todas aquelas pessoas que foram ressuscitadas em Mateus 27: 52-53? Para onde foram Simeão, Zacarias e João Batista … e José? Ficaram escondidos em algum lugar? E o que exatamente eles fizeram quando encontraram  aquelas muitas pessoas em Jerusalém? Eles simplesmente entraram em Jerusalém e tiveram contatos com velhos conhecidos e se alegraram na presença de todos?

Lembre-se que os sacerdotes judeus subornaram os centuriões a negarem que Jesus havia ressuscitado, mas esses que ressuscitaram entraram em Jerusalém e apareceram a muitos que os conheciam e se tornaram testemunhas autênticas da ressurreição de Jesus sem impedimento algum?

Repito a pergunta: o que aconteceu com aqueles ressuscitados mortos? Eles viveram o resto de suas vidas com suas famílias, contando a todos como era a morte? Será que “muitas” famílias tiveram histórias de algum parente, talvez o Tio Jedediah, que voltou dos mortos daquela vez? E os santos que voltaram dos mortos para descobrir que o cônjuge viúvo havia se casado novamente? Onde estão essas histórias? Onde estão as discussões religiosas judaicas sobre o status desses mortos ressuscitados – se eles foram autorizados a se casar com uma família de levitas, se eles poderiam freqüentar o Templo?

Será que algum desses indivíduos ressuscitados teria pregado o Evangelho e viajado para muitos países, sustentando como prova do Evangelho sua própria ressurreição? Quantos teriam sido convertidos por tal espetáculo e testemunho? Qual epístola fala deles? E quantos comerciantes estavam em Jerusalém de terras distantes na época e teriam ido para casa com tais contos em seus lábios? Nenhum? Muitos questionamentos precisam ser respondidos.

Você pode dizer: “Sim, então qual é o grande problema?” Bem, as coisas não são tão simples. Existem várias razões para crermos que o evento jamais ocorreu, e o que realmente ocorreu foi uma infeliz tradução do texto grego. Porém, antes de entrarmos nos detalhes mais consistentes, vamos mencionar algo que  aconteceu na vida de Jesus e que foi registrado nos quatro evangelhos:

“… e eles o sentaram sobre (o jumento)” (Mateus 21: 7).

“… e ele (Jesus) assentou-se sobre ele (o jumento)”  (Marcos 11: 7).

“… e puseram Jesus  em cima  (do jumento)”  (Lucas 19:35).

“… Jesus … estava assentado sobre  (o jumento)”  (João 12:14).

Os autores dos quatro evangelhos anotaram que Jesus viria montado em um jumento! Você até pode alegar que é um cumprimento profético, mas o detalhe é por demais simples. Existem vários outros relatos similares e que foram registrados por todos eles e que não são proféticos. A questão aqui é a ênfase no jumentinho filho de uma jumenta. Eu não estou blefando caro amigo leitor: o texto fala que o jumentinho tem uma mãe!

O animal e sua mãe jumenta foram lembrados, mas ninguém sabe quem ressuscitou em Mateus 27: 52,53 e para onde foram, mas o que vemos é um silêncio sepulcral sobre um evento extraordinário: uma ressurreição em massa de pessoas santas – as ruas de Jerusalém ficaram cheias de mortos ressuscitados, aparecendo para seus amigos e familiares enquanto a história que corria era que o corpo de Jesus havia sido roubado?

Há algo de muito estranho nessa história, e vamos descobrir onde está …

O que realmente aconteceu?

Leia novamente o que o texto diz: “E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras; e abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados; e, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos”,  Mateus 27:51-53.

O texto parece dizer que os santos ressuscitaram no momento da morte de Jesus, mas só apareceram para muitos na cidade de Jerusalém após a ressurreição dele: “depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa”.

Onde eles ficaram esses três dias? Eles ficaram dentro dos sepulcros sem ninguém voltar ali para conferir o fato? Ora, se houve uma ressurreição quando Jesus morreu, conforme sugerem estas e outras traduções, teriam os ressuscitados esperado até depois da própria ressurreição de Jesus, no terceiro dia, antes de saírem dos seus sepulcros? Isso não faz sentido algum.

O fato é que não houve ressurreição nenhuma, mas o que aconteceu foi um tremendo erro de tradução que enganou todo o mundo cristão até o presente momento. O que ocorreu, na verdade, é que  quando Jesus morreu, o terremoto acompanhante rachou alguns túmulos perto de Jerusalém e assim expôs os cadáveres aos transeuntes. Certamente muitos cadáveres ficaram expostos, alguns em posição vertical, e aqueles que entravam em Jerusalém vindos da crucificação testemunharam o fato.

Esses versículos não descrevem uma ressurreição, mas um simples lançamento de corpos para fora dos túmulos, similar a incidentes ocorridos em tempos mais recentes, como no Equador, em 1949, e na cidade de Sonson, na Colômbia, em 1962. El Tiempo (31 de julho de 1962) noticiou: “Duzentos cadáveres no cemitério desta cidade foram lançados fora de seus túmulos pelo violento tremor de terra.” Pessoas que passavam por ali ou através daquele cemitério viram os cadáveres, e, em resultado, muitos de Sonson tinham de ir para lá e enterrar de novo seus parentes falecidos.”

Pode-se traduzir Mateus 27:52, 53, dum modo que sugira que houve uma exposição similar de cadáveres em resultado do terremoto que ocorreu por ocasião da morte de Jesus. Assim, a tradução de Johannes Greber (1937) verte estes versículos do seguinte modo: “Túmulos foram abertos, e muitos cadáveres dos enterrados foram jogados em posição vertical. Nesta postura projetavam-se para fora das sepulturas e foram vistos por muitos dos que passavam por ali em caminho de volta para a cidade.

Outros escritores de renome já expressavam este entendimento. Em seu Comentário da Bíblia (escrito entre 1810 e 1826), o erudito Adam Clarke fez referência a isso:

Alguns pensaram que estes dois versículos foram introduzidos no texto de Mateus a partir do Evangelho dos Nazarenos, outros pensam que o significado é simples: vários corpos que haviam sido enterrados foram jogados para fora pelo terremoto e expostos, e continuaram na superfície até depois da ressurreição de Cristo, sendo vistos por muitas pessoas na cidade.”

E assim, mais uma tradição é desfeita …

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