O Padrão Judaico na Igreja

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A visão da grande diferença entre o Judaísmo e a Igreja há muito foi perdida pelos cristãos. Parece que a mistura dos dois é a predileção do sistema religioso “cristão” do nosso tempo. Um pouco de cada um deles é o atrativo que engana muitos cristãos sinceros nestes dias, os quais não conhecem a verdade de que a igreja por ser celestial não tem um endereço na terra, não tem sacerdotes para intermediar o povo, não tem lugares e momentos especiais de adoração, pois adora o Senhor todo o tempo em espírito. Estes estão aprisionados nos sistemas inventados pelos homens, sejam eles denominacionais ou não denominacionais. A verdadeira igreja de Cristo que é a companhia dos resgatados do Senhor não está em nenhum lugar e ao mesmo tempo em todos os lugares. Ela não tem um lugar fixo nesta terra, mesmo porque é celestial e não terrena. Assim como aquele que é nascido do Espírito é como o vento que sopra para onde quer (Jo 3: 8), conforme disse nosso Senhor, assim também é a igreja, pois ela também é nascida do Espírito. Não há como conter o vento entre quatro paredes.

Em Atos 9:31 lemos: “Assim, pois, a igreja em toda a Judéia, Galiléia e Samária, tinha paz, sendo edificada, e andando no temor do Senhor; e, pelo auxílio do Espírito Santo, se multiplicava”. Aqui temos as assembleias cristãs marcadas por duas coisas: eles andavam no temor do Senhor e no  conforto do Espírito Santo. Resistidos e perseguidos pelo mundo religioso daqueles dias, eles eram dirigidos e sustentados pelo Senhor na glória e guiados pelo Espírito Santo na terra. Não muitos sábios segundo a carne, nem muitos poderosos ou nobres se encontravam nestas assembléias. Visto que a maior parte destes que formavam estas companhias foram trazido de entre os tolos, os fracos e os vis deste mundo, os quais como Pedro e João eram homens incultos e ignorantes. E, contudo aos olhos do Senhor eles eram a excelência da terra nos quais Ele encontra Seu prazer e com os quais o Espírito Santo está contente em habitar. Sem a prosperidade mundana, sem o credo e cláusulas da religião humanamente inventada, sem o cabeça ou guia visível, sem nada que de fato apelasse a vista ou que o natural pudesse apreciar ou no qual a carne pudesse se vangloriar, eles prosseguiam em seu caminho de peregrinação como os resgatados do Senhor, com canções e perpétua alegria, pois estavam em seu caminho á cidade que tem fundamentos em companhia do Senhor na glória e do Espírito Santo na terra. Sem Cristo e o Espírito Santo eles não tinham nada, pois a terra estava fechada atrás deles, mas com Cristo e o Espírito Santo tinham tudo, pois o céu estava aberto diante deles. Não é de se admirar que eles desfrutassem de descanso e edificação, conforto e multiplicação.

Para quão distante a cristandade se moveu deste simples e belo quadro. As assembléias não se agarraram ao Cabeça no céu e ignoraram o Espírito Santo na terra. Hoje, porém, ainda que Cristo na glória permaneça o mesmo ontem, hoje e sempre, e o Espírito Santo habite conosco,  há entre o povo de Deus inquietação e inanição, fome e desintegração. Mas, se então, ao se separarem da corrupção da cristandade – mesmo que poucos ainda olharão para Cristo no céu como seu único recurso e se submeterão ao controle do Espírito Santo na terra – não encontrarão eles no final da história da igreja, igualmente como no princípio, alguma medida de descanso, edificação, conforto e multiplicação?

A história das antigas assembleias traz para diante de nós outro grande fato de que o cristianismo coloca nossos pés em um padrão que demanda, a cada passo, o exercício da fé. A este respeito o cristianismo está em contraste direto com o judaísmo. O sistema judaico foi intencionalmente uma ordem nacional e terrena. Tudo naquele sistema – o templo com as valiosas pedras, os sacerdotes com suas belas vestes, os cantores com seus instrumentos, o altar com seus sacrifícios – apelavam para a visão e o sentimento. Suas leis e preceitos regulavam cada detalhe da vida natural presente, mas estava em silêncio quanto ao céu, a vida futura e as coisas invisíveis. Que existiram grandes homens em conexão com aquele sistema está além de questão, mas o sistema em si mesmo demandava obediência do homem natural mais do que a fé de alguém nascido de novo.

No cristianismo, independente da necessidade ela influenciará grandemente a vida aqui, somos uma vez trazidos para a relação com o celestial e o invisível, e acima de tudo, com as Pessoas Divinas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Aqui de imediato a fé é uma necessidade já que somente pela fé podemos conhecer o Pai, ver a Jesus coroado de glória e honra, ou perceber a presença do Espírito Santo na terra. Contudo se olharmos para a cristandade hoje, seremos imediatamente confrontados com o solene fato de que ela voltou a uma ordem judaica das coisas, marcada por todas as coisas que apelam à visão e ao sentimento, com muito pouco que demande o exercício da fé. Como resultado as grandes verdades distintas do Cristianismo são pedidas. Cristo na glória como o ressurreto e exaltado Cabeça da Igreja é colocado de lado por cabeças humanas designadas, e a presença do Espírito Santo na terra é pela maior parte totalmente ignorada. Se, entretanto, Cristo na glória e o Espírito Santo na terra são ignorados, isso deve invariavelmente conduzir à perda de todo o verdadeiro entendimento daquele grande mistério – Cristo e a Igreja – e do chamamento celestial e o propósito de Deus, como o resultado de que os verdadeiros cristãos não se levantarão mais para pregar o evangelho para buscarem a necessidade do homem, enquanto que o grande amontoado de meros professores prepara o caminho para a grande apostasia.

Se, entretanto, pela misericórdia de Deus os olhos de uns poucos foram abertos para verem as verdades distintivas do cristianismo e do grande afastamento destas verdades na cristandade, o que estes devem fazer? Devem eles permanecer nos sistemas eclesiásticos os quais pela sua constituição ou prática coloca de lado o Senhorio de Cristo e a presença do Espírito? Dispõe a Escritura de alguma luz para o curso que deveriam estes tomar, aos quais os olhos foram abertos para estas grandes verdades e que desejam responder a elas?

É impossível pensar que Deus tenha deixado Seu povo sem nenhuma direção para um dia mal. Lemos em 2 Timóteo 3:16-17: “Toda a Escritura é divinamente inspirada, é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra”. Assim podemos estar seguros de que há luz para mostrar o padrão divino em um dia mau. Por meio da ignorância ou maus ensinamentos podemos falhar em discerni-la. Podemos ser tão devotos ao sistema nacional e hereditário dos homens que até mesmo nos oporemos a ela. Podemos através da indiferença e carência do exercício falhar no caminhar nela. Todavia Deus tem uma estrada através deste mundo desértico para o resgatado do Senhor, e Ele deu luz para que pudéssemos discernir este caminho em um dia de ruína. Esta luz não está confinada a uma escritura. A segunda epístola a Timóteo, a segunda epístola aos Tessalonicenses, a segunda epístola de Pedro, as epístolas de João e de Judas, as missivas às sete igrejas em Apocalipse 2 e 3, todas têm em vista a ruína na responsabilidade da Igreja e de uma forma especial dá luz para o padrão cristão nos últimos dias. Além disso, temos na epístola aos Hebreus uma luz muito especial para aqueles que se encontram ligados com os sistemas religiosos formados de acordo com o padrão do judaísmo.

Sair do Arraial

Esta epístola (Hebreus) foi escrita aos crentes judeus que estavam em perigo de retornarem do cristianismo para o judaísmo. Para opor a este perigo, Cristo é apresentado ao coração deles. A glória da Sua pessoa, a glória do lugar que Ele possui á destra de Deus, a graça e compaixão do Seu coração como nosso Sumo Sacerdote, e a eficácia da Sua obra, tudo passa diante de nós para atrair nosso coração. E deste modo nos puxar para fora de todo sistema religioso na terra e prender nosso coração a Ele no céu. Esta é a razão da grande exortação no encerramento da epístola: “Saiamos, pois, a Ele fora do arraial, levando o Seu vitupério” (Hb 13:13). Um grande alvo da epístola é de mostrar que se Cristo aparece diante da face de Deus no céu, Ele toma um lugar fora do sistema religioso dos homens na terra. Se Ele foi para dentro do véu Ele também saiu fora do arraial. Assim a exortação ao crente é de sair do arraial para alcançar a companhia de Cristo no lado de fora. Aqui então está a razão escritural e a autorização escritural para deixar os sistemas religiosos dos homens. Fazemos assim, não simplesmente porque há uma grande quantidade de mal nestes sistemas, mas porque Cristo está do lado de fora destes sistemas e desejamos alcançá-Lo e dar a Ele Seu lugar. Nós “saímos… a Ele”.

A questão, entretanto, pode surgir: ´Qual é o significado de “arraial”, e como este termo pode cobrir em seu significado os sistemas religiosos da cristandade a ponto de nos autorizar a deixá-los? Primeiro, vamos notar que qualquer que seja o significado de arraial, ele é algo do qual é dito que Cristo está fora. Três vezes em três versos de Hebreus 13:11-13 temos a palavra “fora”. No verso 11 é usada em conexão com o tipo, no verso 12 em conexão com o grande antítipo e no verso 13 em sua aplicação com os crentes. Sob a lei, o corpo do sacrifício (oferta pelo pecado) era queimado fora do arraial. No antítipo, Jesus, para que Ele fosse colocado a parte do Seu povo de cada coisa incompatível à santidade de Deus, sofreu o julgamento dos pecados no lugar de renúncia. Mas para consumar sua grande obra foi para fora do sistema religioso (judaísmo) que em seu princípio foi sancionado por Deus, mas em sua história se tornou corrompido pelo homem. Este sistema é colocado diante de nós sob a figura de um arraial ou uma cidade; ambas as figuras apresentam a mesma ideia de um ordenado sistema religioso adaptado ao homem natural, mas em diferentes circunstâncias – em movimento em uma hora e estabelecido em outra. Mas o que, mais precisamente, é o arraial? O arraial representa um sistema religioso terreno, originalmente levantado por Deus, fazendo seu apelo ao homem natural e composto de pessoas em relacionamento exterior com Deus. Indo a Hebreus 9 encontramos nos versos 1-10 a descrição do arraial.

  1. Ele era marcado por um santuário terreno com magnificentes vasos e mobiliário (versos 1,2).
  2. Havia um relicário interior para este santuário terreno, cobertopor fora e conhecido como “o lugar santíssimo”.
  1. Em conexão com o santuário terreno existia uma ordem de sacerdotes, distintos do povo, que se devotavam ao serviço do santuário e sobre os quais estava o sumo sacerdote (versos 6,7).
  1. Havia pessoas (verso 7) distintas dos sacerdotes e que não tinham parte direta no serviço do santuário.
  1. O sistema, como tal, significava (enquanto durou) que não havia acesso direto a Deus (verso 8).
  1. Este santuário terreno com seus sacerdotes e sacrifícios, não poderiam conceder uma consciência purificada.
  1. Há uma omissão significativa. Não há o conceito de alguma reprovação conectado a este sistema religioso terreno.

Assim é a descrição do arraial em seus aspectos significativos conforme apresentados na Palavra de Deus. Mas a Palavra também apresenta o cristianismo em toda a sua beleza como o exato contraste com o arraial. A companhia dos cristãos é composta de pessoas, não em mero relacionamento exterior com Deus pelo nascimento natural, mas em relacionamento vital pelo novo nascimento. Ao invés da adoração em edifícios magnificentes ele introduz uma adoração viva “em espírito e em verdade”. Em lugar de uma classe especial de sacerdotes distintos dos leigos, todos os crentes são sacerdotes com Cristo seu grande Sumo Sacerdote. Ainda mais, o cristianismo traz com ele a benção de uma consciência purificada e acesso direto a Deus. Ainda mais, uma vez que isso abre o céu para o mais simples dos crentes, isso acarreta na terra o vitupério de Cristo.

Tendo diante de nós as diferenças características entre o “arraial” judaico e a companhia cristã, podemos facilmente testar o grande sistema religioso dos homens. Ostentam estes grandes sistemas universais, nacionais ou não conformistas dos homens as características do arraial ou aqueles do cristianismo? Infelizmente, fora de questão, a verdade nos compele a admitir que eles estão estruturados segundo o padrão do arraial. Eles adotaram um santuário terreno com seu relicário interior cercado; eles ordenaram uma classe especial de sacerdotes sob a direção de um sacerdote supremo que se coloca entre Deus e o povo, resultando que estes sistemas como tais, não dão acesso direto a Deus e não purificam a consciência. Estes sistemas reconhecem o homem na carne, apela para o homem na carne e estão assim constituídos como que para aceitar o homem na carne. Por esta razão com eles, não há vitupério.

Então, são tais sistemas o arraial? Estritamente não são. Em um sentido são piores do que o arraial visto que são como meras imitações estruturadas segundo o padrão do arraial, com certos suplementos cristãos. O arraial foi em seu princípio estabelecido por Deus, mas estes grandes sistemas foram originados pelo homem, não obstante sinceros e pios pudessem ter sido. Por essa razão se a exortação aos crentes judeus era para ir para fora do arraial, quanto maior encargo está sobre o crente hoje para ir para fora daquilo que é uma mera imitação do arraial.

Aqui então temos nossa autorização para sair dos grandes sistemas religiosos dos homens, mas vamos nos lembrar que nós o fazemos a fim de vir para baixo da direção de Cristo na glória e do controle do Espírito Santo na terra. Tivemos nossos olhos abertos para ver que é impossível permanecer nestes sistemas e dar a Cristo o Seu lugar ou ao Espírito Santo o Seu lugar. Ainda que para nossas histórias atuais, uma variedade de razões podem ter nos influenciado em deixar estes sistemas. Mas é de importância primária ver que o verdadeiro motivo escritural para deixar estes sistemas é “sair para Ele”. Sair daquilo que aprendemos ser maligno é meramente negativo. Ninguém pode viver de negativos. Sair para Cristo é positivo. Isso de fato envolve separação muito mais daquilo que é maligno, mas é antes de tudo separação para Cristo – uma separação que nos dá um Objeto positivo para o coração. Se formos movidos por qualquer motivo menor poderemos estar em perigo de voltar e construir novamente as coisas que destruímos. Aqueles que vão em frente de forma leve podem voltar de forma leve, mas a alma que atuou pelo verdadeiro motivo sai da ordem-arraial da religião para vir para baixo da influência de Cristo e do Espírito Santo. Este lugar do lado de fora com Cristo é um dos maiores privilégios e correspondente responsabilidade. De privilégio, pois o que pode ser mais abençoado do que vir para a companhia de Cristo ressuscitado e sob o controle do Espírito. De responsabilidade, pois a companhia de Cristo e do Espírito demandará a exclusão de todo mal – moral, doutrinal, eclesiástico – incompatível com a presença das Pessoas Divinas.

Vir a este lugar é muito diferente de meramente deixar uma seita porque ela tem más doutrinas ou más práticas ou mau procedimento eclesiástico, tais como o ministério de um só homem. Podemos de fato nos separar de algum sistema e ir nos reunir em algo mais no modelo escritural, reunidos como simples crentes e rejeitando o ministério de um só homem, e ainda assim não atingir o objetivo de ir a Cristo e dar ao Espírito Seu lugar. E como resultado fazemos somente mais uma seita que abre a porta para uma grande quantidade de vontade própria pelo ministério de qualquer homem. Além disso, este lugar fora com Cristo não é apenas um lugar de privilégio e responsabilidade, mas é de vitupério. Nos versos que consideramos (Hb 13:2-13) o lado de fora é visto de duas formas; o primeiro, como o lugar de julgamento e o segundo, como o lugar de vitupério. Em maravilhosa graça, Cristo foi para fora dos portões carregando tanto o julgamento de Deus contra os homens como o vitupério dos homens contra Deus. Ele pode dizer: “As afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim” (Sl 69:9). Ninguém a menos de Cristo poderia carregar o julgamento de Deus, mas outros podem tomar parte nos vitupérios dos homens. Por essa razão, porquanto Cristo foi para fora dos portões carregando nossos pecados, somos chamados para sair para fora dos portões carregando Seu vitupério.

Se a graça de Deus nos associou à glória de Cristo no céu, ela nos deu também o grande privilégio de tomar parte no vitupério de Cristo na terra. As riquezas de Cristo no céu impõem o vitupério de Cristo na terra. O sistema judaico deu ao homem um grande lugar na terra, mas nenhum lugar no céu. O cristianismo dá ao crente um lugar abençoado no céu, mas nenhum lugar na terra exceto o do vitupério. Porém se nós uma vez entendermos que estamos na companhia de Cristo e do Espírito Santo, consideraremos “o vitupério de Cristo maior riqueza do que os tesouros do Egito”. O que é mais abençoado ou mais maravilhoso do que uma companhia de pessoas em seu caminho para a gloria em companhia do Senhor Jesus Cristo e do Espírito Santo? Tais pessoas de fato podem ser pobres e fracas em si mesmas, com nenhum credo humano para manter a sã doutrina, nenhuma cláusula da religião para manter a ordem, nenhum ritual ou cerimônia para conduzir suas reuniões da assembléia ou seu serviço ao Senhor. Contudo, tendo Cristo na glória como seu Cabeça e o Espírito Santo na terra para os controlar, terão mais do que todos os sistemas que os homens piedosos jamais imaginaram porque terão todos os vastos recursos da Divindade a sua disposição, pois em Cristo toda a plenitude da Divindade se deleita em habitar. Quão grande então o encorajamento para nossa fraca fé para agir sobre a exortação: “Saiamos para fora a Ele”.

Pode ser que somente uns poucos tenham fé para obedecer à exortação. Estes que o fazem se encontrarão não somente em um lugar de grande benção, mas em um lugar onde muito do que é de acordo com a Palavra de Deus, pode ser ali cumprido de forma simples – coisas que somente seriam possíveis de forma limitada àqueles que permanecem no arraial. Isso está estritamente indicado pelo escritor aos Hebreus, nos versos que se seguem no capítulo 13.

  1. Para estes no lado de fora é comparativamente simples se vestirem do caráter peregrino, como o escritor diz: Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura” (verso 14).
  1. Estes que foram libertos das restrições dos sistemas humanos, podem adorar em espírito e em verdade. Deste modo somos exortados a “oferecer sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (verso 15).
  1. Estes neste lado de fora não serão indiferentes às necessidades físicas dos homens, pois “não se esqueceram da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada” (verso 16).
  1. Eles também cuidarão das almas, como lemos: “eles velam por vossas almas” (verso 17).
  1. Libertos do impedimento ritual dos homens estarão aptos a se aproximarem de Deus em oração, por isso: “Orai por nós” (verso 18).
  1. Eles estarão em um lugar onde é possível fazer a vontade de Deus, como lemos: “para fazerdes a Sua vontade” (verso 21).
  1. Eles estarão em um lugar onde é possível serem agradáveis aos seus olhos, como lemos: “operando em vós o que perante Ele é agradável por Cristo Jesus” (verso 21).

Vendo então o caminho que está aberto para nós pela Escritura, e vendo algo da bem-aventurança deste caminho, possamos nós ter graça e fé para deixar tudo o que é do homem e entrar na estrada que tem sido deixada para o resgatado do Senhor. Por maior que seja nossa falha individual, por maior que seja a ruína da igreja em sua responsabilidade, estes dois tremendos fatos ainda permanecem. Cristo ainda é o Homem na glória à direita de Deus e o Espírito Santo ainda está na terra, e por isso ainda é possível responder à exortação “Saiamos para Ele”. Com estes dois fatos estupendos a igreja foi formada e começou seu caminho de peregrina; com estes dois fatos ela tem sido mantida através das longas eras, e com estes dois fatos ela irá no final encerrar sua jornada terrena, pois antes de Deus fechar o Seu livro temos uma última visão da igreja na terra como a Noiva que espera, guiada pelo Espírito na terra e ouvindo a Jesus na glória (Ap 22:16-17).

No curso de sua jornada através deste cenário, quão grandemente estes fatos têm sido obscurecidos! Quanto tem sido aceito que é totalmente inconsistente com eles, mas no final a igreja, despida de todo recurso humano, de todo artifício religioso e todo auxílio mundano, passará para a glória no poder dos dois grandes fatos de que Jesus está na glória e o Espírito Santo presente com a igreja na terra. Grande de fato tem sido a queda e pequena de fato tem sido a avaliação do vasto recurso envolvido nessas verdades. Contudo porque Jesus continua na glória, o mesmo ontem, hoje e sempre, porque o Espírito Santo permanece com a igreja sempre, o resgatado do Senhor no final entrará na cidade celestial com canções e alegria perpétua sobre suas cabeças. Ali eles terão alegria e contentamento, e sofrimento e lamento desaparecerão.