O Terceiro Tiago

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Aqueles que estão engajados no combate à doutrina católica sabem o esforço que seus apologistas fazem para manter de pé o dogma da virgindade perpétua da mãe de Jesus mesmo diante de tantas evidências contrárias aos seus argumentos. O terceiro Tiago é mais uma das evidências contra este dogma. E lhe garanto caro amigo leitor, não é uma simples ou mesmo pequena evidência, mas um testemunho fortíssimo e amplo que se manifesta para derrubar definitivamente toda artimanha contra a dogmática católica que sem temor algum sequestrou de Maria os seus próprios filhos.

Marcos 6:3 nos diz que Jesus tinha quatro irmãos e algumas irmãs, obviamente filhos e filhas de Maria e José. Os nomes das irmãs não foram preservados, mas o dos irmãos sim. Eram eles:  Tiago, José, Simão e Judas.

O nome dos irmãos de nosso Senhor tem causado dúvidas porque, naquela época, o de muitos era igual, destacando-se o dos parentes. Por não levar em consideração esse importante detalhe, o Catolicismo Romano interpreta que dois dentre os citados acima foram contados entre os doze: Tiago e Judas.

Nos tempos de Jesus usava-se um único nome e, em vista dos homônimos, mais um apelido, o acréscimo do nome do pai, da cidade de nascimento ou até o nome em dois idiomas. Assim, vemos Simão ser chamado por Simão Pedro, Simão Barjonas e Cefas. Um José foi conhecido como José de “de Arimatéia”, outro ficou conhecido como  José, chamado Barsabás (Atos 1:21), ainda outro como José, cognominado pelos apóstolos, Barnabé (Atos 4:36) e o José irmão de Jesus (Mateus 13:55). Havia Maria Madalena (da vila de  Magdala) e também havia  Maria, mãe de Jesus, Maria, irmã de Lázaro (João 11:19) e Maria, mãe de João Marcos (Atos 12:12).

O Novo Testamento mostra várias pessoas com o nome de Simão, além de Simão, filho de Jonas: Simão curtidor (Atos 9:43), Simão o Zelote (Mateus 10:4), Simão cireneu, pai de Alexandre e de Rufo (Marcos 15:21), Simão, o leproso (Mateus 26:6) e Simão, irmão de Jesus (Mateus 13:55). Também havia mais de um Tiago – pelo menos três: um identificado por  “filho de Alfeu” (At 1.13,14); outro por “filho de Zebedeu” (Mt 4.21; Mc 1.19) e um outro por  “o irmão do Senhor” (Gálatas 1:19).

Vamos ver a lista dos doze discípulos apresentada por Mateus; “Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;     Felipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; Simão o Zelote, e Judas Iscariotes, aquele que o traiu”, Mateus 10:2-4. Esse Tadeu é mais conhecido como Judas Tadeu.

Tiago, filho de Alfeu”, registra Mateus. Porém, o mesmo Mateus, em 13:55, diz que o Tiago ali citado pertence a família de Jesus: “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs?

A  expressão “seus irmãos” ocorre nove vezes nos relatos dos Evangelhos e uma vez em Atos. Em todos os casos (exceto em João 7: 3,5,10), os irmãos são mencionados em conexão imediata com sua mãe, Maria. Nenhuma indicação linguística  está presente no texto para inferir que “seus irmãos” deve ser entendido em qualquer sentido menos literal  que “sua mãe”. Da mesma forma, os judeus contemporâneos de Jesus  interpretaram  os termos “irmãos” e “irmãs” em seu sentido comum.

Além disso, se os “irmãos e irmãs” na frase significam “primos”,  então estes “primos” eram os sobrinhos e sobrinhas de Maria. Mas, por que as pessoas da cidade de Nazaré conectaram os sobrinhos e sobrinhas de Maria com José? “Não é este o filho do carpinteiro não se chama… seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas irmãs?” (Mateus 13:55). Não faz sentido algum alterar os termos irmãos e irmãs para primos e primas. Nada poderia ficar mais forçado do que isso: “Não é este o filho do carpinteiro não se chama… seus primos Tiago, José, Simão, e Judas, e não estão entre nós todas as suas primas?” Suas primas? Filhas de quem? Se a dogmática católica garante que os homens são primos, obviamente concordam que as citadas como irmãs  do Senhor também não são filhas de Maria e José. Quem eram os pais dessas moças?

Por outro lado deve-se questionar por que as pessoas da cidade mencionaram  sobrinhos e sobrinhas   omitindo outros parentes da família;  o cenário assume que essas  pessoas  fazem alusão  à imediata família de Jesus.  José, Maria e seus filhos foram reconhecidos como uma típica família de Nazaré. No contexto citado os judeus simplesmente perguntaram  se Ele não era um membro desta família ao  mencionar  o nome de quase todos os integrantes. Essa é a justa interpretação do texto. No entanto, a Igreja Católica insiste em manter a tese de que o Tiago e Judas que aparecem entre os doze discípulos são os mesmos Tiago e Judas citados em Mateus 13:55. Seriam eles filhos de outra Maria, irmã da mãe de Jesus e esposa de um homem chamado Cleofas. Assim, eles não poderiam ser irmãos do Senhor, mas sim primos dele. Um site católico afirma:

Maria de Cleofas, segundo pesquisadores é considerada a tia de Jesus, irmã de Maria (mãe de Jesus) e casada com Cleófas. Segundo a tradição católica ela também é considerada uma santa. Segundo o que nos dizem os três primeiros evangelhos, sabemos que entre aquelas mulheres que seguiram a Jesus desde a Galiléia, e presenciaram no Calvário a crucificação, estava Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José: Mateus 27:56, “Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“.

Entre elas se achavam Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“,  Marcos 15:40.

Achavam-se ali também umas mulheres, observando de longe, entre as quais Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o Menor, e de José, e Salomé“, Lucas 24:10.

Essa mulher é quase certamente a mesma Maria que é chamada Maria, mulher de Cleófas: João 19:25, “Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena“.

Citado em  “Santa Maria de Cleófas, Irmã da Virgem Maria, Tia de Jesus“. Disponível em http://santossanctorum.blogspot.co.uk/2012/04/santa-maria-de-cleofas-irma-da-virgem.html

Atente para um detalhe na citação do site católico quando tenta identificar Maria de Cleófas. Ele diz que “… entre aquelas mulheres que seguiram a Jesus desde a Galiléia, e presenciaram no Calvário a crucificação, estava Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José”.

De fato, a mulher citada como mãe de Tiago e José em alguns textos,  também  citada como mãe de Tiago em outros textos (Mar 16:1 e Lucas 24:10), e em outro como mãe de José (Mar 15:47) é a mesma Maria. Ela, porém, é natural da Galiléia e não de Emaús como se crê que é a mulher de Cleófas – eis aí o problema principal. A única Maria da Galiléia que tinha filhos chamados Tiago e José era Maria, mãe de Jesus.

Marcos identifica esse Tiago como sendo o menor: “Estavam também ali algumas mulheres, observando de longe; entre elas, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé; as quais, quando Jesus estava na Galiléia, o acompanhavam e serviam; e, além destas, muitas outras que haviam subido com ele para Jerusalém”, Marcos 15:40,41.

Veja que Marcos reforça o argumento quando nos diz  a origem dessas mulheres. Eram as “que serviam e acompanhavam o Senhor Jesus quando ele estava na Galiléia”. A mãe de Tiago e de José é a mãe de Jesus. A confirmação vem com as relações paralelas de Marcos 6: 3 e Mateus 13: 55, onde os judeus perguntam retoricamente de Jesus: “Não é este o carpinteiro, o filho de Maria e irmão de Tiago e de José, de Judas e Simão?”

Vale ressaltar que Tiago é colocado antes de José como nos relatos da cena da crucificação em Mateus 27: 56 Marcos 15: 40. Vejam: “E estavam ali, olhando de longe, muitas mulheres que tinham seguido Jesus desde a Galiléia, para o servir. Entre as quais estavam Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu“.

E também ali estavam algumas mulheres, olhando de longe, entre as quais também Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, o menor, e de José, e Salomé“.

Os dois filhos mais velhos são selecionados primeiro. Devemos nos recordar que Cristo estava morto – o escritor narra os fatos –  e agora, o próximo filho dela, que se chama Tiago entra no registro acompanhado de seu irmão José. Então, Maria passa a ser identificada pelos dois filhos mais velhos, o que era costume entre os judeus: “A pratica nos Evangelhos sinóticos e em Atos de fazer referência as mulheres pelos nomes de seus filhos ao invés dos maridos ou pais é o mesmo dos costumes árabes atuais que identifica a mulher ou o homem pelo nome do filho – ou filha – mais velho” (Segueve, One Palestine, Complete, 371). Foi dessa forma que encontraram inúmeros ossuários de mulheres judaicas nomeadas em inscrições na época do Segundo Templo (Catalogue of Jewish Ossuaries, 15). Compare isso com  as mulheres judias nos evangelhos sinópticos e em Atos, que  são muitas vezes identificadas por seu filho, ou filhos, Atos 12:12; 1:14; Marcos 15:40; Lucas 14:8; Mateus 20:20;27:56.

Essa circunstância não deveria ser vista com estranheza, pois sabemos que Maria não ocupa no Novo Testamento a posição que lhe é atribuída pela tradição eclesiástica da Igreja Católica Romana desenvolvida com a passagem dos séculos. Não se deveria mesmo esperar que ela fosse tratada de outra forma além de Maria, mãe de Tiago e José, a outra Maria ou mesmo Maria, mãe de José em um relato e mãe de Tiago em outro. Esta maneira de distinguir a outra Maria sugere que seus filhos ainda eram conhecidos dos cristãos, entre os quais eram também apreciados.

Além disso, existe um detalhe extremamente curioso que envolve Tiago, filho de Maria, mãe também de José, Judas e Simão. Quando se diz de Tiago que ele é o menor, está, na verdade, o chamando de alguém com baixa estatura, como demonstra o original grego – Tiago [ho mikros]. O ordinário significado deste termo é “o pequeno”, e deve significar, “de pequena estatura”, e não o menor, ou mais novo por inferir que esse Tiago é um dos discípulos, sendo o menor porque o Tiago, irmão de João é o maior ou mais velho. Consulte meu artigo “A Idade de João no exílio” aqui neste site e você descobrirá que João e seu irmão provavelmente eram os mais jovens do grupo dos discípulos, não havendo assim base alguma para denominar esse Tiago, ho mikros, de menor porque era mais novo do que o Tiago discípulo, irmão de João. Na verdade o irmão de Jesus era mais velho que os filhos de Zebedeu.

A existência de dois discípulos nomeados Tiago exigiu a utilização de epítetos de distinção. Assim, “o menor” ou “mais novo” não seria apropriado para o terceiro Tiago como chefe da igreja de Jerusalém. Em sendo ele irmão de Jesus, e Jesus alcançando a Idade de 33 anos quando morreu, permite-nos inferir com certeza que esse Tiago era bem mais velho do que João e seu irmão Tiago. Não é de admirar que como coluna da Igreja em Jerusalém ele seja nomeado primeiro (Gal 2:9). Ele ter decidido o que deveria ser feito diante do Concílio com relação aos gentios que receberam a Palavra de Deus sugere que, além de maduro o suficiente, estava mais apto do que os outros para exercer a liderança (Atos 15:13-15).

Também vemos em Atos 21:18 que na chegada de Paulo a Jerusalém para um relatório do que Deus estava realizando através do seu ministério, a casa de Tiago foi escolhida como local de reunião, contando com a presença de alguns anciãos da Igreja. Isso tudo é um indício de que o terceiro Tiago não era nenhum jovem imaturo. Ele era a cabeça, o chefe da Igreja em Jerusalém. O chefe pode ser de baixa estatura [ho mikros], mas não pode ser menor – ou mais novo.

Outro detalhe curioso é sobre Cleófas e Alfeu. Alguns estudiosos do texto sagrado duvidam que eles sejam a mesma pessoa. Para isso apontam alguns detalhes. Eles afirmam que há sérias dificuldades na identificação de Alfeu e Cleófas. Uma delas pode ser encontrada  em Lucas. Lucas, que fala de Cleófas (24:18), também fala de Alfeu (6:15, Atos 1:13). Podemos questionar se ele teria sido culpado de ter confundido a utilização de nomes. Se ambos apontam para a mesma pessoa porque ele diferenciou-os em duas referencias? A resposta não está muito longe…

Irmãos incrédulos

Havia incrédulos na família de Jesus –  estes não eram seus primos.  O Senhor denuncia que eles estavam dentro da sua própria casa:

“E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. Marcos 6:4. O texto revela que os opositores de Jesus estão ligados a ele por laços familiares muito fortes quando declara que ele  “não tinha honra na sua própria casa”. O registro em Marcos entrou na pátria de Jesus e passou por todos os seus parentes – primos, sobrinhos, tios … e foi parar dentro de sua família. Quem eram os incrédulos ali, Maria e José? Se José havia morrido, então era Maria! Possivelmente não. João esclarece quando confirma: “nem seus irmãos criam nele”, João 7:5.

Essa é uma situação bem conhecida; os vizinhos tudo bem… primos até que dá para entender, o mesmo acontece com os estranhos, mas parece que João está surpreso com outro tipo de incrédulo quando dispara, “nem mesmo os irmãos criam (?). A sentença enfatiza o absurdo, pois declarava a incredulidade de membros da própria família que não reconheciam Jesus como o Messias enviado. O contexto encontra-se em João 7:1-5

“E DEPOIS disto Jesus andava pela Galileia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo. E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos. Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes. Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo. Porque nem mesmo seus irmãos criam nele”.

João não daria ênfase à incredulidade se tivesse registrando que “nem mesmo seus primos criam nele”. Porém, pelo fato de serem mais próximos, então o alarde foi exposto para demonstrar o absurdo da descrença. Os incrédulos eram mesmo irmãos de Jesus. Note a evidência irrefutável: “Por que NEM MESMO seus irmãos criam nele.” 

Não há dúvida que a descrença  envolvia todos os quatro: Tiago, José, Simão e Judas. Não fosse assim a  Escritura deixaria registrado que os  incrédulos eram apenas  dois deles se o Tiago e o Judas citados em Mateus 13:55, dentro da família do carpinteiro, fossem os mesmos Tiago e Judas contados entre os doze discípulos. Os escritores dos fatos teriam por obrigação e compromisso com a verdade fazer separação destes dois com os outros dois descrentes, os quais supostamente seriam José e Simão, mas não fizeram. Sem dar consideração alguma, o contexto de João 7:1-5 esclarece que Jesus tinha irmãos incrédulos deixando subentendido que todos eles estão envolvidos no diálogo com o Senhor. Diálogo este  que revela a impossibilidade de se crer que algum deles fosse  seu discípulo. Primos com certeza não podiam ser, pois fica extremamente estranho que filhos de outro casal  tivessem tamanha autoridade dentro de um domicilio que não fosse o deles: “Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes”. Os judeus queriam assassinar o Senhor  Jesus e eles empurravam o próprio irmão para o matadouro.

Portanto, podemos excluir o Tiago e o Judas discípulos de estarem entre os citados irmãos descrentes de Jesus por vários motivos, e entre estes temos dois clássicos: a ocasião da multiplicação dos pães  e o milagre de quando o Senhor anda sobre as águas, o que pode ser visto em João 6, um capítulo antes do encontro entre Jesus e seus irmãos. O resultado desses acontecimentos na vida dos discípulos foi muito marcante. Depois de presenciarem a multiplicação dos pães, e verem sobrar doze cestos cheios, eles confessam: “… Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo”, v 14. Logo após Jesus é visto andando sobre as águas – Simão Pedro fecha o capítulo da seguinte forma: “… nós [ obviamente uma referência aos doze] temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente“, vv 68,69.

Portanto, é inadmissível aceitar que algum desses discípulos, crentes e maravilhados com o resultado dos milagres – no final no capítulo seis – pudessem estar presentes entre os irmãos incrédulos de Jesus apenas sete versículos depois. No entanto, o cenário de incrédulos no inicio do capítulo sete de João exige um Tiago e, coincidência ou não, tem um Tiago citado entre os familiares de Jesus como foi confirmado em Mateus 13:55. O evangelista registra que ele está entre outros três – são “seus [de Jesus] irmãos,  Tiago, José, Simão e Judas”.

Repetindo: João e Marcos confirmam que havia incrédulos na família do Senhor – que seriam exatamente seus irmãos: “Nem mesmo seus irmãos criam nele”, diz João. E Marcos declara que nem na sua casa Jesus tinha honra (Marcos 6:4). Marcos  não diria isso se os opositores de Jesus não fossem irmãos de sangue. Por isso a declaração envolve, exatamente, pessoas nascidas da mesma mãe quando diz que ele “não tinha honra na sua própria casa”.

Além disso, descobrimos um registro de Paulo mostrando que Jesus aparece ressuscitado para certo Tiago (1 Corintios 15:7). Notável é, que  após essa aparição de Jesus para esse cidadão que tem o nome de Tiago nós encontramos os chamados irmãos de Jesus, outrora incrédulos, orando no cenáculo com Maria e os outros discípulos em Atos 1;13,14: “E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas Tadeu. Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos”.

Mais evidências

É preciso  enfatizar que em todos os contextos sobre as aparições de Jesus depois da sua morte encontramos evidências de que as manifestações foram necessárias para desfazer dúvidas com relação a sua ressurreição. Não foi diferente com esse Tiago como veremos mais adiante. É evidente que Jesus apareceu redivivo para ele com o intuito de testificar da sua ressurreição. Além do mais, há outra prova irrefutável que revela que o Tiago de Alfeu, que é um dos doze, não é o mesmo Tiago conhecido como irmão do Senhor – este Tiago discípulo nunca foi chamado para fazer parte do grupo íntimo de Jesus.

Se a dogmática católica afirma que os Tiagos são um só, tendo sido ele um dos doze, e tendo ele permanecido por longo tempo muito próximo da “virgem” Maria, por que jamais foi escolhido para o grupo íntimo do Senhor, mas o Tiago ali citado nas ocasiões especiais foi  o irmão de João? Pedro, Tiago e João foram os únicos que viram a ressurreição da filha de Jairo (Mat. 9:23-26) e a transfiguração de Jesus (Marc. 9:2), e que estiveram com Jesus no Getsêmani  (Marc. 14:33). Imagine você caro amigo leitor: O primo de Jesus, como deseja o catolicismo, que seria bispo em Jerusalém, o qual sempre foi visto acompanhando a virgem Maria, que esteve entre os doze,  não conseguiu um lugar de destaque no grupo particular de Jesus. É inacreditável que nem a influência da figura mariana fosse capaz de chamar a atenção do filho para que este pudesse fazer deste Tiago – parente tão próximo da família (?) – um quarto participante do seu grupo intimo. Ora, se ele era sobrinho de Maria – primo de Jesus, e era um dos Apóstolos, por que ficou de fora dessas ocasiões especiais?

Na verdade, o  Tiago citado como irmão do Senhor em Mateus 13:55 nunca entrou no grupo particular de Jesus por dois motivos: era incrédulo quanto ao ministério do irmão e não fazia parte dos doze apesar de ser um judeu que acreditava no Deus de Israel.

Jesus apareceu para qual Tiago?

Jesus apareceu a certo Tiago – se nos baseamos na tese católica devemos concordar que esse Tiago era um dos doze, o filho de Alfeu. No entanto, por que Jesus deveria aparecer para “o sumido”, quieto, silencioso e inofensivo Tiago de Alfeu em particular depois deste ter presenciado duas aparições do Senhor Jesus ressuscitado junto com os discípulos? Por que seria  necessário um terceiro encontro entre Jesus e esse Tiago separado dos outros?

Há algo aqui que exige explicações por parte da  teologia romana; novamente insisto na questão: por que deveria este Tiago exigir de Jesus uma atenção especial ao ponto do mestre precisar aparecer ressuscitado para ele depois deste tê-lo visto por duas vezes? Ora, se ele como discípulo estava presente no momento das duas primeiras aparições do Senhor – em Jerusalém, quando todos eles estavam trancados dentro de uma casa com medo dos judeus, por que houve necessidade de Jesus manifestar-se a ele uma terceira vez em particular?

Vamos saber o que realmente aconteceu…

Leia atentamente I Coríntios 15:3-7:

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras; que foi sepultado; que foi ressuscitado ao terceiro dia, segundo as Escrituras; que apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”.

Como podemos ver,  Paulo registra cinco manifestações de Jesus, mas parece que elas não estão em sequência. Ou seja, ele não está registrando o que aconteceu no primeiro dia da ressurreição. Precisamos lembrar que na primeira aparição citada o Tiago de Alfeu estava presente, pois ele era um dos doze discípulos. E posteriormente,  quando o Senhor se revela a Tomé o mesmo Tiago também estava entre eles – Ele testemunha a presença do Senhor ressuscitado por duas vezes. O problema é que apesar do contexto apresentar o fato de forma explicita, Paulo simplesmente registra que o Senhor “… apareceu a Tiago”,  verso 7. O que temos aqui? Jesus aparece para o Tiago de Alfeu duas vezes e depois aparece uma terceira  vez em particular? É óbvio que  Paulo registra a aparição para outro Tiago, não o filho de Alfeu, mas sim o irmão de Jesus.

Numa das vezes – a primeira – que o Senhor se revela ressuscitado aos discípulos a Escritura esclarece que “estando as portas cerradas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco” (João 20:19). O verso 24 diz que o único ausente era Tomé, o que nos permite inferir que o Tiago de Alfeu foi um dos que viu o Senhor e se alegrou  junto com os outros quando  este “mostrou-lhes as suas mãos e o lado”, João 20:20.

Oito dias depois da primeira aparição o relato bíblico atesta que Jesus voltou a vê-los; nessa ocasião Tomé se encontrava no grupo e “chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco”, v 26. Um detalhe curioso pode chamar a atenção nessas narrativas: Parece que os discípulos não deixaram o lugar em que estavam entre uma aparição e outra – Eles estavam escondidos com medo dos judeus atrás  de portas cerradas:

Leia novamente os dois textos já citados: “Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco”, João 20:20.

Jesus lhes aparece outra vez uma semana depois e pelo que consta no relato eles não mudaram de local:

E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco“, v 24.

A aparição para o Tiago aqui em discussão não pode estar nesses dois registros de forma alguma, e não está também entre eles em algum ponto no  espaço de oito dias. Além disso, parece que Paulo localiza a manifestação para “todos os Apóstolos” quando  Jesus foi visto pela última vez,  ao ar livre, imediatamente antes de sua ascensão, aparecendo para seu irmão pouco antes dessa ocasião. Faça sua própria análise: “[Jesus] apareceu a Cefas, e depois aos doze. Depois foi visto, uma vez, por mais de quinhentos irmãos, dos quais vive ainda a maior parte, mas alguns já dormem também. Depois foi visto por Tiago, depois por todos os apóstolos”.

Na verdade,  o Senhor se manifesta para Tiago em ocasião distinta daquelas que aparece para os Apóstolos. Ele se mostra ressuscitado a primeira vez sem Tomé. O detalhe importante no verso acima é que Paulo diz que Jesus aparece para Cefas (Pedro?) antes de aparecer aos discípulos. No entanto, Pedro jamais viu o Senhor ressurreto antes dele se manifestar aos discípulos pela primeira vez.

Lucas diz que quando Pedro foi ao sepulcro, depois de ser avisado pelas mulheres, apenas viu as vestes de Jesus (Lucas 24:12). No verso 24, na conversa com Jesus após a ressurreição, um dos discípulos de Emaús deixa claro que Pedro não viu Jesus: “E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram.” Isso aconteceu antes da primeira aparição do Senhor aos discípulos, aquela sem Tomé. E entre a primeira e a segunda manifestação de Jesus aos discípulos, Jesus também não apareceu a Pedro em particular.

E apesar dos discípulos do caminho de Emaús sugerir que Jesus apareceu para Simão, isso não é verdade. Eles não falaram a palavra Simão, como está no texto que conhecemos. Depois de o Senhor desaparecer da vista deles, eles voltam a Jerusalém e encontram os onze, e dizem: “Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a Simão”, Lucas 24:34.

Por que eles chegariam aos discípulos dizendo que Jesus apareceu a Simão com Simão presente? Em outras palavras, pergunto: Simão estava ali antes deles chegarem e eles é que avisam aos onze – e os que estavam com eles – que Jesus apareceu a Simão? Simão Pedro não havia dito nada antes deles chegarem? Quando eles viram Jesus aparecer para Simão se estavam a caminho de Emaús e fizeram caminho de volta para Jerusalém imediatamente após o encontro com Jesus? Eles não estiveram com Pedro. Além disso, Pedro só saiu do local em que estava para ir ao sepulcro. Os discípulos de Emaús estavam presentes nessa hora, pois eles disseram a Jesus enquanto estavam no caminho com ele que “alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro… porém, a ele não o viram”.

Se Pedro de fato tinha visto Cristo ressuscitado antes, e discutido com os discípulos, então sua resposta quando Cristo apareceu entre eles em Lucas 24:37 não refletiu isso porque eles estavam “aterrorizados e assustados“. Marcos 16:12 a 13 reforça seu senso de descrença, o que desacredita ainda mais uma aparição anterior para Pedro. Veja: “E depois manifestou-se de outra forma a dois deles, que iam de caminho para o campo.  E, indo estes, anunciaram-no aos outros, mas nem ainda estes creram”.

Portanto, Simão não viu mesmo o Senhor antes da primeira aparição dele aos discípulos. Os dois discípulos de Emaús não disseram de forma alguma a palavra Simão, mas “nós”. Esse é o texto original: “Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a nós”. Ou pode ser, “foi visto por nós”.

Uma explicação possível dessa discrepância é que o nome “Simão” usado em Lucas 24:34 é de fato uma modificação do original que foi introduzido por estudiosos ativistas ou o clero, uma hierarquia que procurava concentrar o poder em um papado baseado na linhagem de Pedro. Se Jesus apareceu primeiro para as mulheres e depois para os dois a caminho de Emaús, enquanto a Pedro não era mostrado tal preferência especial, então o clero precisava tomar uma providência.

O Grego Simon “Σίμων” (Strong G4613) difere apenas pelas letras iniciais de “ἡμων” (Strong’s G2257) comumente traduzido como ‘nós‘. Portanto, uma tradução de Lucas 24:34 usando esta variante, tem que ser: “Ressuscitou verdadeiramente o Senhor, e já apareceu a nós”, que se encaixa perfeitamente com o fluxo da história.

Observe que a Escritura diz que Jesus aparece mais uma vez para os discípulos estando alguns deles (sete ao todo) no mar da Galiléia (João 21:1-14). O verso catorze esclarece que aquela “já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos”. Somente aqui nessa ocasião é que ele tem um diálogo com Pedro (vv.15-19) onde lhe faz três perguntas, não que lhe apareceu três vezes. Em lugar algum das Escrituras se encontrará referências de que Jesus aparece para Pedro três vezes em particular. Alguns estudiosos do texto bíblico entendem que a referência de Paulo quanto a Jesus ter aparecido para Pedro pode ter sido essa ocasião citada acima. Eu tenho minhas dúvidas, pois a sequência não bate com a de Paulo. Porém, não vou me pronunciar no momento, pois isso é assunto para outro artigo, que por sinal está em andamento. Mas de uma coisa eu tenho quase certeza: Ou esse Cefas citado por Paulo é o Cleófas do caminho de Emaús, que também era um discípulo (Lc 24:13 – atente para a frase, “dois deles”, ou seja: dois discípulos), ou é outro Cefas.

Vamos voltar para o Terceiro Tiago…

Na verdade, precisamos notar que Paulo parece  não estar registrando em sequência todas as aparições do Senhor aos discípulos. Veja novamente: “Jesus apareceu a Cefas e depois aos doze, depois a mais de quinhentos irmãos, depois a Tiago e depois a todos os Apóstolos”. Ele omite a ocasião citada por João em 21:1-14 quando Jesus lhes aparece no mar da Galileia – os discípulos estavam apenas em sete, não mais que isso. E vale lembrar que as duas primeiras manifestações do Senhor ressuscitado ocorreram em Jerusalém, não na Galileia, onde ele aparece aos discípulos mais vezes. Antes das duas primeiras vezes em que ele se manifesta aos discípulos notamos que algumas mulheres e dois deles correram ao sepulcro e voltaram para casa onde estavam escondidos. Isso indica que eles não podiam estar na Galiléia, mas sim em Jerusalém.

O que isso tudo implica? Implica em problemas enormes para a dogmática católica resolver, pois é também possível estabelecer que apenas depois das manifestações do Jesus ressuscitado em Jerusalém para os discípulos é que Ele aparece para Tiago. Isso é muito significativo – mostra ainda mais a impossibilidade de o Tiago citado ser o mesmo Tiago discípulo. Se este último já havia visto o Senhor Jesus por, pelo menos, duas vezes, ter se alegrado com os outros vendo suas marcas, que necessidade haveria de Jesus se revelar a ele uma terceira vez em particular?

Tiago e ELES

Em Atos temos um registro geral das aparições do Senhor aos discípulos, acrescentando que após a sua ressurreição ele ainda fica com  eles por quarenta dias antes de ascender aos céus.

“… FIZ o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias, e falando das coisas concernentes ao reino de Deus.  E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes”, Atos 1:1-4.

As circunstâncias do registro de Lucas em Atos indicam fortemente que o Tiago que esteve em companhia de Jesus desde a primeira aparição até completar os quarenta dias  não é o mesmo Tiago citado como seu irmão. Você talvez me pergunte como seria  possível saber se o texto não deixa nada explícito. Deixa sim. Observe esse detalhe:

Jesus “… se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias…”.

Eles quem? Óbvio que ele fala dos Apóstolos!  Veja novamente os versículos 1 e 2: “(Jesus) foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera; aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis provas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias”.

Volte no tempo da primeira aparição do Senhor até completar os quarenta dias e veja como é fácil separar os dois Tiagos, o discípulo filho de Alfeu e o irmão de Jesus. Note que Jesus foi visto “por eles”. Tiago não estava lá. O irmão do Senhor  não pode fazer parte  “deles“, “os quais viram o Senhor  por espaço de quarenta dias. 

O incrédulo Tiago  não esteve presente desde o princípio. Ele entra em cena somente antes da última aparição do Senhor para os discípulos – antes dele subir ao céu. E até a terceira manifestação de Jesus no mar da Galiléia “somente” os discípulos o viram: “já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos” João 21:14. O irmão do Senhor não era um discípulo. E mesmo que a narrativa bíblica da ressurreição diga que havia mais alguns  com os discípulos na primeira ocasião (Lc 24:33) Tiago não estava lá – ele apenas viu seu irmão ressuscitado dentre os mortos  antes da última vez em que ele esteve com os Apóstolos. “…Jesus aparece para Cefas e depois  aos discípulos, depois para mais de quinhentos irmãos, depois para Tiago e depois para todos os Apóstolos”.

“… Jesus aparecedepois para todos os Apóstolos”, obviamente foi a ocasião  imediatamente antes de ser assunto ao céu quando lhes falou  da grande comissão:

E os onze discípulos partiram para a Galiléia, para o monte que Jesus lhes tinha designado.  E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.   E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.   Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;  Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém” , Mateus 28:19,20.

Jesus apareceu redivivo para seu irmão Tiago,  não o Tiago filho de Alfeu, discípulo contado entre os doze. Jesus se manifesta para o filho de sua mãe, tendo como pai, José. Percebe-se claramente que o relato acompanha uma sequência exigida por necessidade de comprovação da ressurreição. Tiago era um incrédulo!

Adiciono aqui um comentário bem oportuno:

“Na verdade, quando analisamos o texto dentro do seu contexto, torna-se até difícil imaginar que o Tiago ali citado fosse mesmo um dos doze. Pense comigo. Jesus… aparece aos doze discípulos (Tiago ali incluído, obviamente). Depois aos quinhentos irmãos e depois a Tiago novamente. E depois volta a aparecer a Tiago de novo, já que Jesus apareceu depois a “todos os apóstolos”. Então, o que o Macabeus quer nos fazer acreditar é que Jesus apareceu a Tiago três vezes!

… Não há nada nos evangelhos que enfatize um dos dois Tiagos que eram discípulos de Jesus. Não há nenhuma negação pública, nenhum acontecimento, nenhuma coisa que pedisse uma intervenção sobrenatural para um encontro particular entre esse Tiago e Jesus. Bastaria a aparição geral de Cristo, como ocorreu duas vezes na presença de todos os apóstolos. Isso simplesmente não faz lógica na perspectiva de que esse Tiago fosse um dos doze.

Mas é totalmente lógico na perspectiva de que esse Tiago fosse justamente o antes incrédulo irmão de Jesus. Ele precisava de um encontro pessoal que o tirasse da incredulidade e que lhe desse a oportunidade de consertar as coisas com Cristo em particular, assim como Jesus fez com Pedro. E isso também explica por que esse Tiago aparece com tanta notoriedade no Novo Testamento dali em diante. Ele lidera o Concílio de Jerusalém de Atos 15. Este Tiago era tão conhecido e importante que Judas precisou apenas se identificar como o “irmão de Tiago” (Jd.1) em sua epístola, e Pedro ao ser liberto fez questão de pedir que Tiago fosse notificado disso (At.12:17).

Se este Tiago com uma autoridade tão proeminente não era o irmão de Jesus, então quem era? O Tiago irmão de João já tinha morrido há muito tempo (At.12:2), e o outro Tiago discípulo era irrelevante e sem notoriedade entre os doze, tanto é que só aparece nos evangelhos quando é listado junto aos outros doze. Esse importante Tiago, que surge subitamente exercendo grande liderança justamente a partir da ressurreição de Jesus, só poderia ser o terceiro Tiago, o irmão de Jesus, que passou a exercer essa liderança após sua conversão ao se encontrar com o Cristo ressurreto” (1).

  1. BANZOLI, Lucas  – “As aberrações de Cris Macabeus e a volta do terceiro Tiago”. Disponível em http://heresiascatolicas.blogspot.co.uk/2014/12/as-aberracoes-de-cris-macabeus-e-volta.html

Judas, irmão de Tiago

Entre todas as provas que podem ser encontradas nas Escrituras do Novo Testamento para a identificação do Terceiro Tiago, irmão do Senhor,  nenhuma é mais evidente do que as que são apresentadas na pequena e esquecida epístola de Judas.

JUDAS, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo”, Judas 1:1

Observem como Judas se apresentou. Poucas  coisas são mais reveladoras do que os títulos pelos quais ele deseja ser conhecido. Judas chama-se o servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago. Ele não era tão bem conhecido como Tiago, mas se contenta em ser conhecido como o irmão de Tiago. O detalhe  aponta para algo não meramente adicional, mas distinto. A distinção é a relação com outra pessoa na Igreja, mais conhecida e mais influente do que a si mesmo. Algo similar foi dito de André irmão de Simão Pedro. Ele também foi descrito por seu relacionamento com um irmão mais famoso.  O único título de honra que Judas se permitiu foi de servo de Jesus Cristo. O grego é doulos, e     isso significa mais do que servo, significa escravo.

Judas identica-se como irmão de Tiago. Poderíamos ter esperado “irmão do Senhor”, mas parece que Judas evita a ostentação de modo que descreve a si mesmo. Podemos inferir sem muito risco de erro que ele desejava também, tendo um nome tão comum,  distinguir-se dos outros, como Judas Iscariotes,  Lebeu, ou Tadeu, de Mateus 10: 3 , Judas chamado Barsabás de Atos 15:22, e outros. Além disso, ele pode ter evitado  a designação de “irmão do Senhor” na carta porque  escreveu no caráter de um servo, para mostrar qual  o respeito que um homem como  ele pode merecer por conta de sua relação com Cristo. Judas também não se identificou como irmão de Jesus por reverência ao Salvador de sua alma.

Judas, tendo sido incrédulo por um tempo, agora, celebra como  uma honra maior do que qualquer distinção decorrentes de nascimento ou da família, ser reconhecido apenas como servo do Senhor. Compare isso com estas palavras de Jesus em Mateus: “E, falando ele ainda à multidão, eis que estavam fora sua mãe e seus irmãos, pretendendo falar-lhe.E disse-lhe alguém: Eis que estão ali fora tua mãe e teus irmãos, que querem falar-te. Ele, porém, respondendo, disse ao que lhe falara: Quem é minha mãe? E quem são meus irmãos? E, estendendo a sua mão para os seus discípulos, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos; Porque, qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe”, Mateus 12:46-50. Eu acredito piamente que a relação natural na mente de todos aqueles cristãos ligados a Jesus por laços sanguíneos estava subordinada à relação espiritual  (ver Lucas 11:27,28 ). Essa  designação estaria realmente em  harmonia  com os contextos de Mateus e Lucas, o que também poderia evitar que as gerações seguintes  fossem  cegadas por  sentimentos místicos e supersticiosos em  relação aos parentes, presentes e futuros, do Senhor Jesus. Não foi por acaso que Judas recusou tal designação, como fez seu irmão Tiago em sua epístola.  Ambos os irmãos  humildemente afirmam  que eles são os “servos” do Senhor Jesus Cristo.

A Ascensão tinha alterado todas as relações humanas de Cristo, e Seus irmãos se recusariam a reivindicar o parentesco segundo a carne com Seu corpo glorificado. Esta conjectura é apoiada por fatos. Em nenhuma parte da literatura cristã primitiva há qualquer autoridade reivindicada ou atribuída com base na proximidade de parentesco com o Redentor (a única alteração é Paulo, que apenas quer identificar Tiago quando o aponta como  irmão do Senhor). O próprio Jesus havia ensinado aos cristãos que os mais humildes entre eles poderiam se elevar acima dos laços terrestres mais próximos como vimos em Lucas 11: 27-28; ser espiritualmente “o servo de Jesus Cristo” era muito mais do que ser Seu irmão real.

Deve-se notar que ele  se identifica como “servo de Jesus Cristo” e não como Apóstolo. Por que não usou o título de Apóstolo associado a “servo” como fez Pedro? Observem que  Pedro usa a palavra Apóstolo sem a palavra “servo” em 1 Pedro 1:1: “PEDRO, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia”, mas em 2 Pedro 1:1 ela é usada adicionando “servo”: “SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”.

Por que Judas não fez o mesmo, mas simplesmente omite a palavra Apóstolo? É quase inacreditável que Judas poderia  ter abandonado sua reivindicação como Apóstolo numa única epístola – tão breve, não declarando sua posição entre os discípulos originais. Como ele não diz que é um apóstolo, a inferência é que ele não é um dos doze discípulos. A omissão pode ter sido feita de propósito. Deus é sábio – o Espírito Santo quer identificar esse Judas como irmão de Jesus, não como um dos doze: ”Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago e… Judas?”, Mateus 13:55.

Até Paulo, que não foi um dos doze, usa o título de Apóstolo em várias ocasiões: Romanos 1: 1; 1 Corintios 1: 1; 2 Corintios 1: 1; Gálatas 1: 1; Efésios  1: 1; Colossenses  1: 1; 1 Timoteo 1: 1; 2 Timoteo 1: 1. Por que Judas não usou do mesmo direito? O Espírito Santo inspirou Judas para não fazê-lo por motivos óbvios.

Portanto, está ficando claro aqui também nessa pequena  epístola que Judas e seu irmão Tiago não estiveram entre os doze. Judas adiciona Tiago  como seu irmão não apenas para explicar quem ele é, mas ele usou a ligação porque esse Tiago era alguém bem conhecido da comunidade cristã. Apenas a menção de um Tiago pode ser significava aqui. Após  a morte de Tiago, irmão de João, um único  Tiago aparece em Atos ( Atos 12:17 ; Atos 15:13 ; Atos 21:18 ). Ele é Tiago, o Justo, irmão de nosso Senhor (Mateus 13:15 ), e primeiro Bispo de Jerusalém um dos “pilares” da Igreja (Gálatas 2: 9 ).

Um detalhe importante pode ser encontrado no primeiro versículo acima, Atos 12:17, inserido no contexto da prisão de Pedro seguida da sua libertação. Pedro, quando se vê fora  da prisão vai a casa de Maria, mãe de João Marcos. Depois que a criada abre a porta e Pedro entra na casa, o texto diz: “E acenando-lhes ele com a mão para que se calassem, contou-lhes como o Senhor o tirara da prisão, e disse: Anunciai isto a Tiago e aos irmãos. E, saindo, partiu para outro lugar”.

Anunciai isto a Tiago!Qual Tiago? Pedro pede que Tiago e os irmãos sejam avisados. Que irmãos? Obviamente os outros discípulos. Então, na pressa católica interpretamos da seguinte forma: “Avisem a Tiago de Cleófas e aos outros discípulos“. Não! Isso está totalmente fora de cogitação! Evidente que Pedro não fazia referência ao filho de Alfeu. O contexto salta diante dos olhos até dos mais ignorantes. Apenas um Tiago pode ser posicionado aqui – O Terceiro Tiago e irmão do Senhor, que é visto pelo livro de Atos como alguém coroado de  eminente honra e autoridade na Igreja mãe de Jerusalém. Judas escolheu o que pode parecer um apelo a um parentesco terreno que tinha sido afundado em um relacionamento espiritual mais elevado. A escolha de Judas nessa introdução de sua carta é ao mesmo tempo um argumento de peso contra as alegações de que ele foi um dos doze.  Observe também que a limitação de Judas é patente – ele não usa de autoridade apostólica, ou comissão como seu mandado para a escrita, e como direito de receber a atenção dos  leitores, ele coloca-se sob o escudo do nome mais eminente, o de seu irmão, que também foi o autor de uma epístola, que com toda  probabilidade foi amplamente circulada antes desta aqui  apresentada.

Evidência irrefutável

O fato de que (Judas 1:17,18)  apela às palavras dos Apóstolos é prova conclusiva de que ele não é um dos doze: “Mas vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo, os quais vos diziam que nos últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas ímpias concupiscências”.

Alguns escritores de renome alegam que isso não pode ser  usado como evidência, pois seria normal um escritor falar na segunda ou terceira pessoa, como tantos são os exemplos encontrados principalmente no Velho Testamento. Concordo plenamente, exceto por um detalhe por demais esclarecedor que está em Pedro. O Apóstolo Pedro cita a mesma passagem de Judas, porém, há um detalhe assustador. Veja: “ Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador. Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências”, 2 Pd 3:2.

É exatamente o mesmo texto, mas com uma enorme diferença: Pedro fala das palavras que foram ditas “pelo nosso mandamento como Apóstolos do Senhor e Salvador”, mas Judas diz aos amados ouvintes que eles se lembrassem das palavras ditas “pelos Apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo”.

Esse apelo é mais natural em alguém que não esteve entre os doze.  Portanto, nosso Judas aqui  é o Judas de Mateus 13:55 e o Judas de Marcos 6: 3, não  o Judas de Lucas 6:16 e muito menos o Judas de  Atos 1:13. Esse é o Judas irmão do Senhor Jesus, irmão de Tiago, José e Simão, todos filhos de Maria e José. Eles não eram filhos de Alfeu, primos de Jesus, mas irmãos em  sentido real.

                                                          Os irmãos de Jesus e os discípulos

Vamos agora caminhar por algumas passagens que mostram claramente os irmãos do Senhor  separados dos discípulos. A primeira delas está registrada no Evangelho de Marcos, onde podemos ver a família de Jesus saindo para prendê-lo, pois acreditavam que ele estava fora de si.

Marcos diz que Jesus “subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele.  E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar, e para que tivessem o poder de curar as enfermidades e expulsar os demônios:  A Simão, a quem pôs o nome de Pedro, e a Tiago, filho de Zebedeu, e a João, irmão de Tiago, aos quais pôs o nome de Boanerges, que significa: Filhos do trovão;

E a André, e a Filipe, e a Bartolomeu, e a Mateus, e a Tomé, e a Tiago, filho de Alfeu, e a Tadeu, e a Simão o Zelote, e a Judas Iscariotes, o que o entregou.

O versículo imediato revela que todos eles entraram numa casa: E foram para uma casa. E afluiu outra vez a multidão, de tal maneira que nem sequer podiam comer pão”, Marcos 3:13-20.

O verso 21 nos diz que sua família foi atrás dele: “E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si”.

O grego aqui para “os seus” é “Par autou”, que significa “os pertencentes a ele”, ou seja: membros da sua família. O verso 31 finalmente nos revela quem eram esses: “Chegaram, então, seus irmãos e sua mãe; e, estando fora, mandaram-no chamar”. Claramente podemos ver os irmãos do Senhor do lado de fora da casa, enquanto lá dentro com Jesus estavam seus doze discípulos e, é claro, entre eles se encontravam, Tiago, filho de Alfeu e Judas. Está aí mais um texto que fala por si só, também não havendo necessidade de mais comentários se não fosse por um fato curioso. Observem o que acontece nos versos seguintes:

E a multidão estava assentada ao redor dele, e disseram-lhe: Eis que tua mãe e teus irmãos te procuram, e estão lá fora.  E ele lhes respondeu, dizendo: Quem é minha mãe e meus irmãos?  E, olhando em redor para os que estavam assentados junto dele, disse: Eis aqui minha mãe e meus irmãos.  Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe”, vv 32-35

Por que Jesus evitou sua família retrucando que verdadeiramente sua mãe e seus irmãos são aqueles que fazem vontade de Deus? Não seria por que, além dos judeus, seus familiares não estavam fazendo a vontade de Deus?

O próprio Deus é quem sabe…

Falando para os irmãos e para os discípulos

No diálogo entre Jesus e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas em João 7:6,7 encontramos algo surpreendente: “Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está prontoO mundo não vos pode odiarmas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más”.

Note que temos aqui mais uma pista nos revelando que Jesus não dialogava com nenhum discípulo quando estava diante dos seus irmãos. Veja novamente o que Jesus diz a eles “… O mundo não vos pode odiar”. Agora veja o que Jesus diz aos discípulos oito capítulos depois: “o mundo vos odeia” (João 15:19). Precisamos observar que Jesus não fala apenas com um de seus irmãos. O verbo indica que ele englobava todos que faziam parte do diálogo: “O mundo não vos pode odiar”. Assim, como fica evidente,  o Tiago discípulo e filho de Alfeu não é o mesmo Tiago chamado de irmão de Jesus. Nem mesmo Judas, que é citado entre os doze é o mesmo Judas de Mateus 13:55.

Portanto, aí está mais uma evidência de que o Senhor apareceu redivivo para seu irmão Tiago, um dos incrédulos de João 7, que atraído pela ocasião começou a mostrar sua fé se juntando aos onze discípulos em oração. Vemos isso em Atos 1:13, 14. Ali é dito claramente que os que estavam no cenáculo eram: Pedro e João, Tiago e André, Felipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão o Zelote, e Judas, filho de Tiago.

Essa tradução reconhece esse Judas como filho de um Tiago e não como irmão dele. No entanto, outra tradução baseada em melhores manuscritos o chama apenas de Judas Tiago e algumas outras o denomina de Judas Tadeu. O certo é que ele não tem parentesco algum com o Tiago filho de Alfeu. Além disso,  no verso treze  já vemos listados os nomes de onze apóstolos. Entre eles podem ser vistos Tiago de Alfeu e Judas. O problema, que não é dos menores, está no texto imediato, onde  registra: “Todos estes [onze] perseveravam unanimemente em oração, com as mulheres, e Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele…”.

Simplesmente irrefutável essa situação onde presenciamos de forma explícita os irmãos de Jesus sendo citados separados dos discípulos. O nome deles? Sim, aqui estão: “Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão, e Judas?” (Mateus 13:55). Os detalhes importantes são: “Sua”, quando identifica a mãe, e “Seus”, quando identificam os irmãos – Isso significa que todos estão entrelaçados como família de sangue.

Observe que temos listado quatro nomes aqui: Tiago, José, Simão, e Judas. Antes dos nomes se lê claramente: “Sua mãe e seus irmãos…”. Vemos a mesma formação textual em João 2:12, “sua mãe e seus irmãos” quando nos voltamos um pouco mais no ministério de Jesus: “Depois disso desceu a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãose seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”. Eis aí um versículo bem esclarecedor; os discípulos são vistos separados dos irmãos do Senhor: “… seus irmãos, e seus discípulos“.

Atente agora para estes detalhes: Mateus mostra “… sua mãe… seus irmãos…”, onde são listados os nomes destes.

João apresenta “… sua mãe, seus irmãos…”. Aqui está sem os nomes. Pelo fato dos nomes estarem registrados em apenas duas passagens dos Evangelhos – Mateus e Marcos – não deve significar que nas referências sem nomes não sejam as mesmas pessoas. Muito pelo contrário, por  serem os mesmos citados nominalmente em um contexto  não houve necessidade  de nomeá-los novamente em outros. Podemos encontrar relatos semelhantes no Velho Testamento com José e “seus irmãos” e com Davi e “seus irmãos”. Algumas poucas passagens trazem os nomes dos irmãos de Davi e José, mas a maioria das outras referências aos mesmos, apenas dizem, “seus irmãos”.

Portanto, o que temos, por exemplo,  em João 2:12 e Atos 1:13,14 poderia ser , de forma extremamente  escancarada,  o seguinte: “Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos [Tiago, José, Simão e Judas ] , e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias”.

E, entrando, subiram ao cenáculo, onde habitavam Pedro e Tiago, João e André, Filipe e Tomé, Bartolomeu e Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, irmão de Tiago.  Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos [Tiago, José, Simão e Judas ]”.

Aí está o terceiro Tiago,  caminhando ao lado dos outros discípulos. Agora, sendo mudado de  forma tão extraordinária ao ponto de, mais tarde, se referir ao seu irmão como “nosso Senhor Jesus Cristo, o Senhor da glória” (Tiago 2: 1). Ele era filho de José com Maria, provavelmente  mais velho que os outros três irmãos, porém, mais novo que Jesus, que foi o primogênito:

E José… não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito…”, Mateus 1:25, que para desespero de muitos a tradução da NTLH e a NVI vertem o verso como seguem:

“Mas não teve relações com ela enquanto ela não deu à luz um filho. E ele lhe pôs o nome de Jesus”.

“Porém não teve relações com ela até que a criança nasceu. E José pôs no menino o nome de Jesus”.

O uso da palavra “conhecer” é um eufemismo comum para  relação sexual. O “até que”  deve significar  que José e Maria não tiveram de relações sexuais antes do nascimento de Jesus. O  “até que” não implica que  eles jamais  tiveram relações sexuais, mas  confirma o fato de que, onde a frase seguida de um negativo ocorre, indica que a ação negada teve lugar mais tarde. O coito subseqüente foi  inevitável, pois   acompanhava  necessariamente o curso natural da relação entre  marido e mulher.

Conclusão

Portanto, depois do que foi aqui explanado, podemos firmemente concluir que o Jesus ressuscitado apareceu mesmo foi para um de seus irmãos incrédulos, Tiago, mas não o discípulo e filho de Alfeu e  sim seu irmão legítimo,  filho de sua mãe, o qual o salmista já profetizava como alguém que estaria nas fileiras daqueles que por algum tempo duvidariam do ministério do Senhor: “Tenho-me tornado um estranho para com meus irmãos, e um desconhecido para com os filhos de minha mãe”, Salmos 69:8.

As duas sentenças foram registradas para não deixar nenhuma dúvida: “Meus irmãos… FILHOS da MINHA mãe…”. O texto não faz alusão a Davi. O Salmo 69 e um salmo messiânico. Um dos vários que incluem palavras proféticas sobre o filho de Deus. Preste atenção em outro verso do mesmo salmo: “Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre”, v 22.

Os textos falam por si só não havendo necessidade de interpretação.

Deus seja louvado!