Onde nosso Senhor foi Crucificado

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jesus-christ-crucifixion-475Apocalipse, em quase sua totalidade, não é um livro que deve ser interpretado literalmente – é um livro profético com muito pouco de história; é cheio de figuras e símbolos. Por exemplo, a mulher vestida de sol no capítulo 12 não é uma mulher literal; e as duas testemunhas? O que são? Ou melhor, quem são? Apocalipse 13 nos fala de uma besta que emerge do mar. Não se trata de um ser conhecido do reino animal, embora a Escritura afirme ser ele uma besta selvagem. E o mar de vidro que João viu dentro do céu? Eu poderia citar aqui vários exemplos, mas vou me deter apenas em mais um: “A cidade que se chama Sodoma e Egito, onde nosso Senhor foi crucificado”. Como identificar essa cidade neste Livro cheio de símbolos?

“E os seus corpos jazerão na praça da grande cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado”. (Apocalipse 11:8)

A propósito – a pergunta vai para um apologista católico chamado Cristiano Macabeus: “Quais foram as duas testemunhas martirizadas na Praça de Jerusalém antes de 70 d.C?” Se ele interpretou parcialmente a forma literal do texto, adicionando Jerusalém como a grande cidade, deveria também revelar quais foram as duas testemunhas – pessoas literais – martirizadas na praça dessa cidade.

Acreditem ou não, caros leitores, mas esse apologista desistiu de defender o ensino de que Pedro redigiu uma de suas cartas de Roma pelo simples fato do texto dizer que ela foi escrita de Babilônia (1 Pedro 5:13), um codinome que muitos historiadores usam para Roma. Ele contraria todos os argumentos da Igreja católica que ensina por muitos séculos que o Apóstolo Pedro estava escrevendo de Roma. Ele prefere tirar Pedro de Roma para colocar Jerusalém como objeto da ira de Deus em Apocalipse. O apologista das multidões acredita que a Grande Cidade de Apocalipse é Jerusalém, e que o capítulo 18 deste livro descreve a queda da Cidade em 70 d.C.

E ele foi mais longe ao rejeitar uma argumentação que muitos católicos desejam ardentemente: que as duas testemunhas mortas na praça da Grande Cidade foram Pedro e Paulo – segundo a tradição os dois apóstolos teriam sido martirizados em Roma. Ele foi capaz de anular o ensino da instituição romana para, tão somente, afundar Jerusalém nas profundezas do inferno, colocando-a como a meretriz do Apocalipse, livrando assim a Igreja Católica dos infortúnios profetizados por João.

Que cidade é essa? Para quem deseja responder rápido e sem titubear, obviamente diz que é Jerusalém. O texto chama a uma resposta literal, pois a cidade em que nosso Senhor foi crucificado só pode ser Jerusalém, diriam muitos. No entanto, seria Jerusalém se o texto não fizesse parte de um livro cheio de figuras, que em várias passagens não pode ser interpretado literalmente, o Apocalipse. Aqui não é Mateus registrando seu evangelho, muito menos Lucas com sua pena de ouro, mas João recebendo profecias, a maioria delas para os tempos do fim.

Pode parecer absurdo para muitos que estudam a doutrina das últimas coisas, mas já vou adiantando: Jerusalém não é a Grande Cidade que se chama Sodoma e Egito.

Existe hoje uma corrente teológica estranhamente interessada em identificar Jerusalém na profecia de Apocalipse 11:8, e ela provém da Igreja Católica Romana. Eles podem ser identificados como os preteristas de Roma. O objetivo dessa nova teologia romana é tão somente enfraquecer a interpretação profética relacionada aos acontecimentos finais. Esforçam-se para remover as suspeitas que pairam sobre a Igreja Católica de ser a grande meretriz julgada em Apocalipse 17 e 18 para lança-las sobre Jerusalém. Além de ensinarem que a Grande Cidade de Apocalipse 11:8 é Jerusalém, afirmam que os dois capítulos localizados antes da vinda de Jesus, do mesmo livro, tratem da destruição de Jerusalém ocorrida em 70 dC. Ou seja, todas as profecias contidas até o capítulo 19, como o mistério dos sete trovões e as calamidades que apontam para os tempos finais, já se cumpriram, segundo alegam os preteristas do catolicismo. Essa foi a maneira que encontraram para tentar livrar a Igreja católica dos julgamentos relatados neste livro profético.

Isso torna a profecia extremamente confusa, pois não seria correto aplicar a Jerusalém os títulos de Mãe das Prostituições da terra, Mãe das Meretrizes, a que tem na fronte nomes de blasfêmia, citada em Apocalipse 17 e 18 – Além de ficar fora de foco chega as raias do absurdo.

A cidade que reinava sobre os reis da terra, chamada de Sodoma e Egito, citada aqui como figura para revelar a Babilônia dos tempos finais, não tipifica Jerusalém, mas sim Roma. Jerusalém tornou-se território Romano – as mais altas autoridades religiosas de Jerusalém, e todos os judeus em Jerusalém, chegaram a admitir que César fosse o seu rei (João 19:15). A sabedoria de Deus alcança Roma em cheio como a cidade que reinava sobre os reis da terra. Roma governava com mão de ferro sobre os judeus, por isso Jerusalém desaparece da profecia, dando lugar a Roma que fez da cidade santa uma de suas províncias.

Judeia (Iudaea) foi o nome dado à província do Império Romano, que se estabeleceu no território do Oriente Médio habitado e governado anteriormente pelos judeus… Em 63 a.C., o general Pompeu conquista a Judeia e anexa o território ao domínio romano… A administração do território é entregue a governadores romanos da ordem equestre, chamados de prefeitos. Mais tarde, serão também chamados de procuradores… Após a grande revolta de 68-70, desapareceu qualquer resquício de autonomia, passando todos esses territórios a constituírem a província romana da Judeia, desvinculada da província da Síria, e administrada por procuradores imperiais” (Judeia, província romana).

Quando Jesus nasceu, diz-se que foi feito um censo em todo território romano, não em território judeu. Lucas 1:2: “E ACONTECEU naqueles dias que saiu um decreto da parte de César Augusto, para que toda a população do império se alistasse…”.

Toda a população do império faz referência à população do império romano, o qual governava sobre os reis da terra. Toda a palestina deveria se alistar, e foi denominada como população do império, o império romano. Portanto, o território judeu foi chamado de território romano. A coligação de romanos e judeus governava com autoridade.

A moeda corrente em Jerusalém tinha a face de César. Lucas 20:24 diz, “Mostrai-me uma moeda. De quem tem a imagem e a inscrição? E, respondendo eles, disseram: De César“.

A terra dos judeus transformou-se em território romano!

Cristo foi crucificado na Judeia, na verdade, mas que se tornou uma província romana sob Pôncio Pilatos, governador romano, que por sua ordem, o Cristo, sofreu uma espécie romana da crucificação. Ele foi acusado de, embora falso, ser rei contra César, o imperador romano. Na verdade, Jerusalém desaparece nesta profecia em Apocalipse, dando lugar a Roma, o que indica que a nação foi sugada, como é evidenciado pelo pronunciamento dos sacerdotes judeus: “Não temos outro rei senão César” (João 19:15). Ora, se o Rei é Cesar, qual é esse reino? A profecia aponta diretamente para Roma como a cidade que reinava sobre os reis da terra, que descansava sobre sete montes, que também são sete reis. Somente através dessa figura é que ficamos sabendo que a profecia alcança a Grande Cidade religiosa dos tempos finais. Óbvio que não se trata de Jerusalém, pois ela é chamada de Mistério. Como a identidade da cidade é: “Mistério Babilônia, a Grande”, uma interpretação não literal seria necessária para identificar a cidade exata. Não seria mistério nenhum adicionar Jerusalém como o lugar onde nosso Senhor foi crucificado. Porém, por não tratar-se de Jerusalém, ela foi chamada: MISTÉRIO BABILÔNIA, A GRANDE.

Na verdade, a profecia aponta para os dois impérios romanos, que na verdade são um apenas um. Daniel fala do quarto animal “terrível e espantoso, e muito forte, o qual tinha dentes grandes de ferro; ele devorava e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dele, e tinha dez chifres” (Dn 7:7).

O profeta continua e diz que “o quarto animal será o quarto reino na terra, o qual será diferente de todos os reinos; e devorará toda a terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços“, v. 23 – o quarto reino foi o Romano. Não houve um quinto reino, e nem haverá. Assim, o que temos atualmente é uma continuação do Império Romano, agora com roupagem religiosa, que passou a ocupar o mesmo local geográfico do império romano pagão. Por esse motivo, e por muitos outros, Roma passa a ser a cidade que nosso Senhor foi crucificado, como também é a “…  cidade das sete colinas que “domina os reis da terra” (v 19).  Nos dias de João, era a Roma dos Césares que governava o mundo.  Depois que os césares perderam seu poder, os papas reinaram em seu lugar e em territórios mais amplos e, muitas vezes, de forma mais implacável …  João observa que a Mulher está vestidade púrpura e escarlate” (v 4).  Essas eram as cores dos césares romanos, tornaram-se as da hierarquia católica romana e continuam sendo hoje.  Por exemplo, a Enciclopédia Católica declara: “… a túnica justa até o tornozelo usada pelo clero católico como seu traje oficial … a cor para os bispos e outros prelados é roxa, para os cardeais escarlate…”.  Talvez isso pareça um pequeno ponto, mas quando uma característica de identificação após a outra se encaixa, o caso se torna esmagador. Nenhuma outra cidade atende a todos os critérios, assim como Roma” (1).

João não nos diz o nome real da cidade, mas a condição espiritual dela. Jerusalém foi realmente chamada de Sodoma por Deus (Jeremias 23:14). Entretanto, em nenhum lugar na Bíblia Jerusalém é chamada Egito. Jerusalém era a referência do Êxodo, a saída da escravidão no Egito. Sua fundação contextual para esta declaração foi o Velho Testamento, tendo como referência o Êxodo da escravidão egípcia. Ela jamais poderia ser chamada de Egito por mais esse motivo.

Deus está nos dando uma pista sobre a identidade desta grande cidade neste versículo. Ele está revelando duas informações importantes que culminam na identificação desta metrópole. Primeiro, notamos que após ler “grande cidade”, Deus diz: “o que é espiritualmente” – ( que em outra passagem a identifica como Mistério, Babilônia). Portanto, sabemos que deve ter um significado não literal na identidade para ela. Portanto, esta grande cidade apenas tipifica Jerusalém. Este versículo não está tipificando a Jerusalém literal em sua opinião final.

Mas, por que Deus retrata a cidade também como Sodoma e Egito? “Porque ela representa todas as coisas que são espiritualmente repugnantes para Deus. Representa o pecado de Sodomia em todas as suas praticas. Ao se questionar a “cidade” aqui, é necessário encontrar nela abominações como as de Sodoma. Quem se enquadra hoje nessa categoria com suas imoralidades e perversões patrocinadas através dos séculos? Se devemos considerar que este foi o desenho para se referir a Roma papal, ninguém pode duvidar que as abominações que nela prevalecem não justifica tal apelo” (2).

A Cidade também foi chamada de Egito. O Egito tipifica os que ainda estão escravizadas a Satanás e em cativeiro espiritual para com os seus pecados, oprimidos e aprisionados no cativeiro dessa Grande Cidade. O Egito representa aqueles que não têm fé no precioso sangue de Cristo para redimi-los. Egito é conhecido nas Escrituras como a terra da opressão – a terra onde os israelitas, o povo de Deus, esteve preso em cativeiro. A ideia em particular, então, e transmitida aqui é, que “a cidade” referida seria caracterizada por atos de opressão e escravidão ao povo de Deus.

Os atos de perseguição impetrados em toda a história, concebidos para esmagar os verdadeiros cristãos, saíram de Roma mais do que de qualquer outra cidade na face da terra. Assim, e pelo testemunho de toda a história, sabemos hoje que não há nenhum lugar, tão corretamente designado pelo termo aqui empregado, a não ser Roma, representada pela Igreja Católica Romana.

A Igreja – todo o Cristianismo – pode ser vista como que influenciada por esse sistema babilônico à semelhança do “mesmo” sistema que enlouqueceu as nações lhes dando de beber em excesso (Jer 51:7; Apo 14:8). “A abominação da desolação transformou esta cidade em uma Sodoma, atestada claramente pelo orgulho e ociosidade dos sacerdotes, monges e frades que se amontoam nas ruas e praças deste grande metrópole. Onde também estão abertos a profanidade e desprezo para com a religião verdadeira, e particularmente para o pecado de sodomia, tão frequentemente cometidos nesta cidade, com toda a impunidade. Quanto a ser chamada de Egito, acrescento: é por causa de sua tirania e opressão. Como os egípcios mantiveram os israelitas em cativeiro, e os fez servir com rigor amargurado suas vidas, então esta Grande Cidade e suas gentes, ou egípcios, têm uma forma mais opressiva e rigorosa sobre as almas, corpos e propriedades dos homens, e também por causa de sua grande idolatria. O Egito foi muito marcante por causa do número de suas divindades e da maldade deles. Isso faz uma fusão inevitável com os ídolos e idolatrias da Igreja de Roma” (3).

Egito é a “Casa da sujeição” onde um “remanescente muito pequeno” está cativo a espera de libertação. A Cidade é também comparada ao Egito por causa de sua semelhança moral com a terra literal de Mitzraim, terra de idolatria. Sua superstição, sua ignorância do Senhor, o seu ódio que a faz oprimir o povo de Deus, a sua dureza de coração, a sua feitiçaria, adultérios e assassinatos, sua escuridão que pode ser sentida – que transcende a infâmia de Faraó e seus exércitos nestas abominações, a fazem semelhante ao Egito. A grande cidade é, portanto, bem ao estilo do verdadeiro Egito. Mas também é assim alegorizada porque as pragas que foram derramadas no Egito também cairão sobre ela (Apoc 18:4), e porque o Senhor dos Exércitos vai julgá-la a uma derrota, tão terrível e eficaz no julgamento, como quando julgou os egípcios pelas mãos de Moisés.

Esta Sodoma e Egito-territorial do gentilismo, é a Grande Cidade “onde o  nosso Senhor também foi crucificado”. Isso é indicativo do império alegorizado por “Sodoma e Egito”. Cristo foi crucificado por Roma fora dos muros de Jerusalém. Além do mais, Ele foi crucificado em uma província do Império Romano; os judeus que habitavam a Palestina, repito, sinceramente testemunharam que eles não tinham outro rei além de César (João 19:15.). Daí, a grande cidade é o império de Roma, e tudo que é representado em Roma, cujas fronteiras foram decretadas pelo império a ser os limites da cidade. O império e a cidade, então, são coextensivos, em outras palavras, eles são os mesmos

Portanto, a cidade que se chama Sodoma e Egito, é Roma, tão somente Roma. Cristo foi crucificado em Roma. Cristo continua sendo crucificado em Roma, quando seus sacerdotes o crucificam de novo nos sacrifícios frequentes dele na missa. Hebreus 6:6, diz de pessoas que pervertem a verdadeira fé, que “estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus novamente”.

Se a passagem deve ser tomada em sentido figurado, o significado é que os atos realizados possam ser adequadamente representados como crucificar novamente o Filho de Deus. Ou seja, como ele vive em sua igreja, os atos de perverter as doutrinas e perseguir o seu povo, seria, de fato, um ato de crucificar o Senhor outra vez. Assim entendida, a linguagem é aplicada a Roma Católica. Por isso João pretendia realmente caracterizar aquela cidade como sendo a cidade de Roma quando usou uma linguagem que seria facilmente entendida por um judeu cristão. A interpretação da grande cidade de Apocalipse 11 é espiritual e mística, apontando claramente para a jurisdição de Roma, chamada de Sodoma e Egito. Portanto, o lugar onde nosso Senhor foi crucificado, é Roma e não Jerusalém. E por fim, em Roma, na Babilônia mística, será encontrado o sangue dos profetas, dos santos e de todos os que foram mortos sobre a terra.

Por outro lado, Apocalipse 11 não fala da destruição da cidade de Jerusalém, quando diz sobre a cidade que o seu Senhor foi crucificado, mas o quadro da cidade é usado para mostrar o que acontecerá com as duas testemunhas nos tempos finais. O versículo diz que as duas testemunhas serão EXPOSTAS ao público na praça desta cidade. Como a praça de uma cidade denota um local público, um lugar de confluência e de grandes ajuntamentos, foi o lugar ideal escolhido pelos chefes da Grande Metrópole para expor os corpos dessas testemunhas. A intenção dessa gente aqui é querer projetar as duas testemunhas à publicidade, entregando-as ao silêncio, desgraça e desprezo, privando-os de todos os privilégios, que será conhecido em todo o império anticristão, onde estes serão expostos à humilhação pública e a vergonha. Sua gente, seus personagens, o seu testemunho, suas doutrinas, seus escritos, suas igrejas e famílias, e todos os que pertencem a eles, serão ridicularizados nesta praça, a praça da grande cidade.

Jerusalém não pode ser chamada de “a grande cidade”, isto é, Babilônia. Ela jamais poderia se tornar a capital mundial da apostasia idólatra, como a Babilônia era originalmente, e depois Roma, que tem sido “Sodoma e Egito”, tal como ela está aqui sendo chamada. Ademais, em sentido amplo, no período da Igreja histórica, significa dizer que a Igreja é o santuário e tudo que é de fora, foi e esta, exposto na praça da grande cidade, onde todos os martírios de santos tiveram lugar. Portanto, essa Babilônia marca a sua idolatria, que também representa o Egito com sua tirania; representa Sodoma, que aparece com sua desesperada corrupção, e por fim, representa também Jerusalém quando aparece com suas pretensões de santidade na terra dos privilégios espirituais. Tudo pode ser verdade quando se aplica a Roma.

Jesus foi crucificado por Roma. O mundo quase todo era Roma e Jerusalém era território romano. Por isso a cidade que se chama Sodoma e Egito, que reina sobre os reis da terra, onde NOSSO Senhor foi crucificado, descrita em Apocalipse 11, não tipifica Jerusalém, mas sim Roma.

A prostituta é vista assentada sobre sete montes. Várias foram as cidades, ao longo da história, conhecidas como cidades de sete montanhas ou colinas. Os muitos por aí que afirmam ser Jerusalém a grande meretriz, como também a cidade sobre sete montes, estão delirando. A interpretação óbvia no contexto do Apocalipse é à cidade de Roma, bem conhecida na época de João como a cidade de sete colinas. Esta interpretação se ajusta aos outros aspectos da descrição desta cidade que dominava “sobre os reis da terra” (17:18).

A Mãe Política e Eclesiástica

Nesta grande cidade, três mil milhas em uma direção, e dois mil em outra, os Cristãos passaram a ser crucificados, ou condenados à morte pela violência e poder do quarto animal “… que era diferente de todos os outros, muito terrível, cujos dentes eram de ferro e as suas unhas de bronze; que devorava, fazia em pedaços e pisava aos pés o que sobrava”, Dan 7:19. No inicio foi com Jesus na Palestina e as testemunhas de Jesus como plateia, e depois tomou sua amplitude ocidental, sendo que todos estavam subjugados à competência especial dos governantes desta grande cidade.

No capítulo 17, esta grande cidade é comparada a uma prostituta embriagada, maravilhosamente vestida, e sentada em cima de uma besta escarlate, o símbolo do poder sobre a qual ela reina (versículo 18). O nome dela é estampada no quinto verso como “Mistério, Babilônia, a Grande, a mãe das Meretrizes e abominações da Terra.” Ela é “Mistério” porque ela é a personificação do “mistério da iniquidade”, aquele que Paulo diz que já estava em operação no momento da sua escrita (2 Tess 2:7).

Scaliger testifica que “mistério” já foi usado como uma inscrição na tiara do Papa, mas depois removido por Julius III. O termo “Mãe”, como aplicada à Grande Cidade, em suas relações eclesiásticas, é reconhecido por todos – “Romana Ecclesia”, diz o Concílio de Trento, “quae, omnium Ecclesiarum Mater et Magistra est”A Igreja Romana, que é mãe e senhora de todas as igrejas.

A própria postura e organização desta Mãe determina que não haverá falta de provas para identifica-la como política e eclesiástica, a cabeça deificada, com a grande cidade, a Babilônia apocalíptica. Na ocasião do Jubileu uma medalha foi cunhada, do tamanho de um quarto de dólar; em uma face está a efígie de Leão XII, e no anverso, uma mulher, simbolizando a Igreja Romana, sentada sobre um globo, com raios de glória na cabeça, uma cruz na mão esquerda, e um copo, assinalado com uma cruz em sua boca, na mão direita, estendido, como se apresentá-lo para ser bebido. Abaixo dela está a data, e em torno de seu rosto a legenda “Sedet super-Universam. Anno Iubi. MDCCCXXV” – Ela se senta sobre o mundo. No ano do jubileu, 1825. Sim, ela se assenta sobre o mundo, ou “sobre muitas águas”, a prostituta se apresenta como as notórias prostitutas dos tempos pagãos, que levam seu nome na sua testa.

Assim diz Seneca, Nomen tuum pepenit na fronte: Pretia stupri accepisti – “O teu nome tem pendurado sobre a tua testa: tu recebeste a recompensa da tua desonra“.

Mas a grande cidade não é apenas espiritualmente ao estilo Babilônia por causa da confusão do discurso espiritual que obtém entre todos os “nomes e denominações” de que é constituído eclesiasticamente, mas porque é o desenvolvimento moderno do mesmo poder que existia nos dias da Babilônia sob a dinastia de Nabucodonosor, e porque um destino semelhante a aguarda. Podemos dizer que é o mesmo poder, apenas modificado pelo tempo e circunstâncias.

Nabucodonosor, que era, por assim dizer, o segundo fundador de Babilônia, a construiu para dominar povos e nações. Em Daniel 4:30 ele atesta: “… Não é esta a grande Babilônia que eu edifiquei para a casa real, com a força do meu poder, e para glória da minha magnificência?”

E, para alertar aos que vivem em Babilônia, aqui vai um recado: Nabucodonosor ficou muito interessado em saber qual seria o destino do reino sobre o qual ele governava, e Daniel lhe mostra: “E a mim me foi revelado esse mistério, não porque haja em mim mais sabedoria que em todos os viventes, mas para que a interpretação se fizesse saber ao rei, e para que entendesses os pensamentos do teu coração“, Dn 2:30.

Uma representação simbólica foi apresentada diante dele em um sonho ilustrativo da consumação do reino da Babilônia “nos últimos dias.” Assim, o reino de Babilônia tem tido uma existência contínua de seu reinado até agora, pois estamos vivendo “nos últimos dias” dos quais falam Daniel. É verdade, que “a Casa do reino” não tem sido sempre Babilônia, que foi o início do domínio de Ninrode (Gên. 10:10), que tem sido, por vezes, um lugar, às vezes outro, até que finalmente Roma tornou-se “A Grande Cidade”. Várias dinastias tornaram-se herdeiros do reino de Babilônia. Depois de Nabucodonosor, houve a dinastia de prata e de bronze e a dinastia de ferro, como também a de barro – quatro ou cinco dinastias oriundas do mesmo reino, também chamado, “reino dos homens” (Dan 4:17). Este reino babilônico em sua manifestação dos últimos dias, ao estilo do Espírito apocalíptico, que é a grande cidade, Babilônia, a arena que vai ficar ereta e completa em todas as suas partes a imagem inteira dessa Grande Metrópole, e que, nestes últimos dias, será derribada pela pedra que foi arremessada sobre ela: “Da maneira que viste que do monte foi cortada uma pedra, sem auxílio de mãos, e ela esmiuçou o ferro, o bronze, o barro, a prata e o ouro; o grande Deus fez saber ao rei o que há de ser depois disto. Certo é o sonho, e fiel a sua interpretação“, Dan 2:45.

Assim, o Espírito Santo seleciona três dos centros mais infames da iniquidade entre os antigos para alegorizar a Grande Cidade, na arena de que tem sido desenvolvido e amadurecido a grande apostasia. É “espiritualmente”, ou figurativamente, chamado por estes nomes, Sodoma, Egito e Babilônia, por causa de sua semelhança impressionante com eles em suas feitiçarias, idolatrias, superstição, blasfêmia, opressão e perseguição ao povo de Deus. Daí, em Sodoma, no Egito, e na grande cidade, Babilônia, onde “nosso Senhor foi crucificado”; não em sua própria pessoa só, mas em suas testemunhas, pois o que é feito ao menor de seus irmãos, é feito também a ele (Mt 25:40).

A Deus toda Glória

(1) Citado em Mistery Babylon Identified, Dave Hunt

(2) Citado em Biblehub Commentary about Revelation 11, Barnes notes

(3) Citado em Exposition of the Bible,  John Gills

Se você, amigo leitor, deseja mais informações sobre o assunto, então assista ao vídeo abaixo. Dave Hunt faz uma revelação surpreendente afirmando que o Império Romano continua vivo através da Igreja Católica Romana. As referências e minuciais são tão impressionantes que inevitavelmente podem assustar alguns.

É apenas um vídeo, um legendado e o outro dublado.