A Idade de João no Exílio

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Existem inúmeras provas internas e externas para a datação do Livro de Apocalipse. Chamo de provas internas aquelas que podem ser mostradas pelas Escrituras e provas externas seriam aquelas apresentadas pelos pais da Igreja e a voz da história que os rodeava. Muito já foi feito, principalmente por este site. Centenas de evidências podem ser encontradas, não somente aqui, mas em outras fontes por essa internet afora e em uma quantidade enorme de livros em todo o mundo em várias línguas. Porém, um detalhe pequeno e esquecido por muitos pesquisadores, por demais estranho e desafiador, ainda não foi tão explorado:  tentar descobrir quando o Apocalipse foi escrito através da idade do seu escritor, o apóstolo João.

Para muitos pode até parecer uma ousada e irrelevante empreitada, mas posso lhe garantir caro amigo leitor que isso vai ser feito, e muto bem feito. Continue a leitura e se surpreenda com alguns detalhes muito interessantes, que podem fazer com que suas dúvidas com relação a idade, não só de João, mas de todos os discípulos, desapareçam.

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Os Preteristas ensinam que o Apocalipse foi escrito em Patmos, porém,  antes da destruição de Jerusalém ocorrida entre 67 e 70 dC. Entendem que este Livro profético é um manual da invasão romana sobre Jerusalém, tendo sido cumprido em sua maior parte nos acontecimentos que assolaram a Cidade Santa naquela ocasião. Por esse motivo, também entendem que a Grande Tribulação, debatida e ensinada por vários ramos da cristandade apontando para eventos que dizem respeito aos tempos do fim, nada mais é do que as tribulações que antecederam à queda de Jerusalém, culminando com a destruição do Templo e mais de um milhão de Judeus mortos. Para os Católicos Romanos isso é um alívio, pois eliminaria as suspeitas de ser a Igreja Católica a Grande Cidade castigada por Deus em Apocalipse 18, lançando toda a sentença sobre Jerusalém, a qual dizem ser a única Babilônia ali julgada e destruída.

Para tanto, foi preciso que eles localizassem o exílio de João no começo de 60 dC, libertando-o  próximo a 70 dC, o que justificaria o início da escrita do Livro de Apocalipse entre 62 e 63. O problema maior está nessa datação preterista para a libertação de João do seu cativeiro, entre 69-70, o que contraria alguns testemunhos da patrística que explicitamente revelam que quando o Apóstolo saiu do exílio já estava bem envelhecido. Porém, como veremos, perto de 69 dC  João  não havia ainda alcançado os 58 anos de idade.

Meu projeto inicial visava  apenas um breve artigo trabalhando somente com a pessoa do Apóstolo João. Porém, diante de inúmeras fontes e fatos curiosos, imperceptíveis e abandonados por muitos, eu optei por detalhar com fartas evidências o assunto para que o leitor possa ter uma visão clara da idade de todos os discípulos quando foram chamados por Jesus. E tenha em mente: os discípulos de Jesus eram muito jovens. Provavelmente até mesmo adolescentes. Milhares de pinturas famosas e filmes antigos de homens barbudos pode nos influenciar de outra maneira, mas o testemunho das Escrituras, da  história e um pouco de senso comum constrói um caso convincente para a maioria de discípulos em sua adolescência, que tiveram, nos três anos seguintes, com seu mestre, um  intenso treinamento para formação espiritual.

Tradições Judaicas de Educação

Em primeiro lugar, é necessário conhecermos algumas coisas da tradição e cultura judaicas no que diz respeito à educação, as quais, certamente, foram modelo para Jesus – como discípulo e  rabino – e para seus discípulos na  formação de cada um deles.

Em Avot 5 (Mishná: comentário rabínico que foi adicionado ao Antigo Testamento), nós aprendemos das tradições judaicas antigas de educação: o estudo das Escrituras começa aos 5 anos de idade; Estudo do Mishná aos 10; Obrigações da Torá aos 12 (Sua responsabilidade era para memorizar a Torah por dentro e por fora, de frente para trás); entrando no estudo rabínico aos 15; casamento aos 18 anos; ensino formal aos 30 – se eles fossem distinguidos, poderiam começar a ensinar com essa idade, tornando-se professores da Torá.

Para os brilhantes (ou ricos), o ensino superior consistia em estudar com um rabino local, e se eles fossem distinguidos, poderiam começar a ensinar na idade de 30. Se eles não encontrassem um rabino que lhes aceitassem como aluno (muito parecido com um pedido de admissão da faculdade), eles entrariam na força de trabalho em seus meados da adolescência. Alguns discípulos – a maioria já trabalhava em seus comércios – podem ter sido rejeitados pela educação formal por outros rabinos quando Jesus os escolheu. À luz disto, uma idade mais jovem é mais provável do que mais velhos. Um homem com mais de 30 deixando o seu comércio para seguir um rabino seria contra-cultural; não impossível (Jesus foi definitivamente contra-cultural), mas o mais provável é que eles eram mais jovens do que mais velhos.

Para resumir temos o seguinte: A partir da idade de 5-12 os garotos receberiam uma educação de um professor da Torá. Sua responsabilidade era para memorizar a Torah (os cinco primeiros livros do Tanakh) por dentro e por fora, de frente para trás (Se ao alcançar a idade de  12 anos, não tivessem  ainda totalmente memorizado cada palavra a sua formação iria acabar. Eles seriam enviados de volta aos seus pais, para que  pudessem aprender os negócios da família e fazer uma vida para si).

Entre as idades de 12-15 os  jovens recebiam  uma educação relativa a explicação da Torá. Eles também poderiam iniciar a memorização de outros livros do Tanakh. Além disso, eles também iriam receber formação na empresa familiar. Entre as idades de 15-30 anos iriam estudar o restante do Tanakh, e usariam suas habilidades do pensamento crítico para interpretá-lo.

É interessante comparar a vida de Jesus à  esta descrição. Embora pouco se falou sobre sua infância sabemos que ele “cresceu em sabedoria” como um menino (Lucas 2:52), e que chegou ao “cumprimento dos mandamentos” indicados pela ocasião da primeira Páscoa na idade de doze anos (Lucas 2:41) . Em seguida, ele aprendeu uma profissão (Mateus 13:55, Marcos 6: 3.) e começou seu ministério com cerca de trinta anos (Lucas 3: 23). Isso se assemelha a descrição Mishná muito de perto.

Lembre-se da história de quando Jesus tinha 12 anos e subiu a Jerusalém com sua família – eles deixaram Jerusalém sem Ele e quando voltaram o encontraram ensinando no templo:

E aconteceu que, passados três dias, o acharam no templo, assentado no meio dos doutores, ouvindo-os, e interrogando-os.   E todos os que o ouviam admiravam a sua inteligência e respostas“, Lucas 2: 46-47

Nós sabemos que Jesus tinha  o comando da Torá e, provavelmente, o Tanakh naquela época, então certamente a sua falta de conhecimento e pensamento crítico não era o problema. Mas, por que Jesus era um trabalhador? Provavelmente é porque ele estava sob a tutela daqueles que estavam mais bem informados do que os rabinos. De qualquer forma, a autoridade de Jesus foi confirmada por duas testemunhas:

João Batista: “E eu vi e testemunho de que este é o Filho de Deus“,  João 1:34

Deus Pai: “E de repente veio uma voz do céu, dizendo:” Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”, Mateus 3:17.

Portanto, vamos descobrir no decorrer do estudo que Jesus, como rabino, não abandonou totalmente as tradições de educação do seu tempo, mas as cumpriu fazendo discípulos acompanhando as regras de idade do Avot – Mishná.

Qual era a idade dos Discípulos?

Para dar início a nossa investigação precisamos descobrir em que faixa etária estavam os discípulos do Senhor Jesus. Com relação a João devemos lembrar de que ele faleceu no tempo de Trajano, imperador romano que reinou de 98 a 117. É muitíssimo provável que ele e seu irmão Tiago tenham sido os mais jovens do grupo, estando entre seus  15 e 16 anos. Eu particularmente acredito que João era ainda mais novo, porém, para não escandalizar a ala conservadora tradicional, vou trabalhar com as idades mencionadas.

Se João escreveu o Apocalipse por volta de 95 e 96 dC – o que é fato – obviamente ele  andou ao lado de Jesus quando era  muito  jovem, mas muito jovem mesmo para ter vivido tanto. Caso contrário, ele teria escrito o Apocalipse inspirado pelo Espírito Santo aos 100  de idade – ou mais – se adotarmos a cronologia tradicional misturada com a preterista. Todas as coisas são possíveis para  Deus, mas devemos lembrar que João estava vivendo em um mundo onde a expectativa de vida não era como nos dias de hoje. (Em outras palavras, ele teria 140 anos no século XXI.) Devemos também levar em conta que muitos dos apóstolos ainda viviam quando Paulo estava completando suas epístolas nos anos 60 dC. É muito mais provável que os discípulos estivessem entre seus 45-55 anos  nessa  época, não idosos.

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Existe uma passagem nas Escrituras que nos levam a acreditar que os discípulos eram adolescentes quando andavam com o Senhor Jesus, exceto Pedro, pois ele era casado. Eis aqui o contexto sobre o qual estou me referindo:

E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?

Disse ele: Sim. E, entrando em casa, Jesus se lhe antecipou, dizendo: Que te parece, Simão? De quem cobram os reis da terra os tributos, ou o censo? Dos seus filhos, ou dos alheios?

Disse-lhe Pedro: Dos alheios. Disse-lhe Jesus: Logo, estão livres os filhos.

Mas, para que os não escandalizemos, vai ao mar, lança o anzol, tira o primeiro peixe que subir, e abrindo-lhe a boca, encontrarás um estáter; toma-o, e dá-o por mim e por ti“, Mateus 17: 24-27

Pelo visto nem todos precisavam pagar este imposto do templo – isso  nos revela que estavam abaixo dos seus   vinte  anos de idade. Jesus pagou o imposto do templo para ele e Pedro, o que significa  que os outros discípulos estavam isentos. Este imposto foi criado para a manutenção do tabernáculo e mais tarde para os serviços do templo em Jerusalém. Mas, onde achamos base para isso nas Escrituras? Na verdade, esse tributo, segundo a lei judaica, devia ser pago por todos os homens com mais de vinte anos como oferta quando visitavam o templo de Deus. Veja: “Todo aquele que passar pelo arrolamento dará isto: a metade de um siclo, segundo o siclo do santuário (este siclo é de vinte geras); a metade de um siclo é a oferta ao Senhor Qualquer que passar pelo arrolamento, de vinte anos para cima, dará a oferta alçada ao Senhor”, Êxodo 30: 13,14.

Temos também outra referência em 2 Reis 12:4,5, que diz: “E disse Joás aos sacerdotes: Todo o dinheiro das coisas santas que se trouxer à casa do Senhor, a saber, o dinheiro daquele que passa o arrolamento, o dinheiro de cada uma das pessoas, segundo a sua avaliação, e todo o dinheiro que trouxer cada um voluntariamente para a casa do Senhor.  Os sacerdotes o recebam, cada um dos seus conhecidos; e eles mesmos reparem as fendas da casa, toda a fenda que se achar nela”.

Podemos inferir pelo contexto que os outros discípulos estavam abaixo dos vinte anos, jovens o suficiente para serem isentos de pagar esse tributo.

Talvez  você argumente que  os outros discípulos não estavam com Jesus no momento. Eles provavelmente pagaram  o seu imposto do templo separadamente. Não há nenhuma indicação de que eles se separaram de Jesus. Além disso, Jesus e seus discípulos eram pobres. Se os outros discípulos estavam em idade acima dos vinte anos e precisavam  pagar o imposto do templo, então Deus teria fornecido a Jesus os meios  para pagar o imposto  de todos e não apenas a sua parte e a de Pedro. O texto sugere que os judeus  foram para cima de Pedro deixando os jovens de lado, como também esclarece que todos estavam juntos. Observe o início da passagem:

E, chegando eles a Cafarnaum, aproximaram-se de Pedro os que cobravam as dracmas, e disseram: O vosso mestre não paga as dracmas?

A expressão, “chegando eles”, associada às palavras que deram início ao questionamento, “o vosso mestre”, indica que o diálogo foi na frente de todos os discípulos. Se consultarmos o contexto descobrimos que o fato acontece depois do episódio da transfiguração, quando Jesus desce do monte e encontra os discípulos – que não subiram ao monte – tendo dificuldade para expulsar um  demônio de um jovem. Nos versos posteriores você  poderá encontrar várias referências para os doze até a ocasião do encontro com os judeus que cobravam as dracmas. Assim, quando é dito que “chegaram eles a Cafarnaum”, na verdade, fala de todos os discípulos juntamente, é claro, com Jesus.

Mateus e o imposto de Templo

Não são poucos os que questionam sobre a pessoa de Mateus nesse episódio – se era um cobrador de impostos possivelmente estava acima dos vinte anos e pagou sua parte. Exato, Mateus foi um cobrador de impostos, mas como sabemos ele largou tudo para servir ao Senhor. Alegar que Mateus pagou sua parte do imposto porque  era de idade que o obrigava a  fazê-lo, é  ferir o contexto escriturístico e o fluxo da revelação  de Deus. Reconheço que as  coisas poderiam ser bem mais simples se Deus não quisesse falar por trás do texto, mas ele quer se revelar e revelar sua Palavra para o homem. Ele nos fala nos relatos, nas entrelinhas revela seus mistérios e responde muitas dúvidas. Basta ficar atento.

Alguns sugerem que Mateus  era autossustentável, culto,  nada pobre – basta atentar para o grande banquete que deu em sua casa. Não havia problemas financeiros para Mateus. Entendem também que os discípulos e Jesus  não passavam privações porque havia algumas mulheres que  serviam a todos com seus bens – e citam Lucas 8:1-3. Assim, recursos não faltavam e, por esse motivo, em algum momento não citado nas Escrituras os discípulos pagaram a sua parte.  Não explicam porque não sobrou para Jesus e Pedro.

Perceberam como as coisas parecem ser fáceis de refutar?  Se Mateus era rico, e era já um HOMEM  (vamos analisar  depois o texto),   deve significar que ele pagou o imposto do templo  para si mesmo.  O preterista prefere crer dessa maneira a crer,  pelos contextos diversos das Escrituras que Mateus não teve necessidade de pagar o imposto, como todos os outros,  porque estava abaixo dos 20 anos.

E o banquete na casa  de Mateus? Grande banquete – muito gasto, gasto em abastança. Quanto tempo depois do chamado do mestre  Levi deu o banquete?  O banquete foi dado – certamente na casa de seu pai Alfeu – logo  depois  que Mateus recebeu o chamado. Veja o relato: “E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu.  E aconteceu que, estando ele em casa sentado à mesa, chegaram muitos publicanos e pecadores, e sentaram-se juntamente com Jesus e seus discípulos.  E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?”, Mateus 9:9-11

Lucas registra, “E, depois disto, saiu, e viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me.  E ele, deixando tudo, levantou-se e o seguiu.  E fez-lhe Levi um grande banquete em sua casa; e havia ali uma multidão de publicanos e outros que estavam com eles à mesa.  E os escribas deles, e os fariseus, murmuravam contra os seus discípulos, dizendo: Por que comeis e bebeis com publicanos e pecadores?” Lucas 5:27-30.

Na menor das hipóteses Mateus estava se despedindo da velha vida e deu uma festa imediatamente após o chamado de Jesus. “Talvez essa festa tivesse sido organizada especialmente para Jesus e seus discípulos, posto que Mateus, recentemente, também fora chamado para o discipulado. Mateus, portanto, comemorava a sua chamada, ao mesmo tempo que se despedia de seus amigos para seguir a sua nova vida”. Russel Normam Champlim  – Comentário de Mateus,  página 350.

Há um detalhe interessante no encontro de Jesus e Mateus. Lucas diz que ao ouvir o mestre  “Ele deixou tudo”, (5:28),  o mesmo gesto de Pedro e André, seu irmão como  também João e Tiago, filhos de Zabedeu quando largaram os negócios do Pai. Mateus trabalhava na sua vila, em Cafarnaum,  e provavelmente alguns membros da família podiam estar  envolvidos com cobranças de impostos. Porém, é certo que  Mateus não trabalhava por conta própria, mas tinha patrões sobre ele que podiam ser pessoas da própria família ou não.  Mateus  era um cobrador de impostos menor, como vai ficar evidenciado.

Ele  mesmo registra que Jesus o encontrou sentado na Alfândega. Ou seja, no lugar onde se passava o recibo dos pagamentos de impostos: “Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu”, Mateus 9:9.

Não se deve entender alfândega como nós entendemos hoje, um departamento enorme e cheio de escrivaninhas. Lucas diz que Mateus estava “assentado na recebedoria” (5:27), que significa o lugar do recibo, a casa de pedágio ou cabine em que o coletor ficava. Muitas das vezes era uma tenda temporária que poderia facilmente ser erguida em qualquer lugar onde a ocasião exigia.

Ainda hoje  em dia na Palestina “é erguido um estande de galhos ou uma cabana mais substancial em cada entrada na cidade ou na aldeia, e ali, de dia e de noite, está sentado um homem na recepção. Ele impõe todo o produto, perfurando com uma longa e afiada haste de ferro os grandes sacos de camelo de trigo ou algodão, a fim de descobrir fios de cobre escondidos ou outros artigos de contrabando”. Pulpity Comentary, Mateus 9:9.

Havia dois tipos de cobradores de impostos, o Gabbai e o Mokhes. Os Gabbai eram coletores de impostos gerais. Eles coletaram imposto de propriedade, imposto de renda e imposto de sondagem. Esses impostos foram estabelecidos por avaliações oficiais, de modo que não havia tanta alteração  nesse nível. Os Mokhes, no entanto, cobravam um imposto sobre as importações e exportações, bens para o comércio interno e praticamente qualquer coisa que fosse movida por estrada. Fixavam pedágios em estradas e pontes, taxavam os animais de carga e  cobravam uma tarifa em encomendas, cartas e tudo o mais que pudessem taxar. Suas avaliações eram muitas vezes arbitrárias e caprichosas. Havia dois tipos de Mokhes – o Grande Mokhes e o Pequeno Mokhes. Um Grande Mokhes ficava nos bastidores e contratava outros para cobrar impostos por ele (Zaquel  era aparentemente um Grande Mokhes; Ele “era chefe dos publicanos”,  Lucas 19: 2). Mateus era evidentemente um Mokhes pequeno, porque ele tinha  o “seu” local onde tratava as pessoas cara a cara (Mateus 9: 9)”. Twelve Ordinary Men,  John F. MacArthur, pág 171.

Mateus era um pequeno Mokhes. Um Publicanus – em Latin significa  um homem que faz o dever público, um trabalho que  podia ser feito por jovens ou velhos.

Agora vamos voltar ao imposto do templo. Como foi visto,  Jesus pagou o imposto dele e o de Pedro não lançando mão da ajuda das mulheres que o sustentavam com seus bens, Jesus não teve uma conversa em particular com o ex-cobrador de impostos Mateus,  Jesus não pediu ajuda a nenhum deles para resolver o problema e,  Jesus muito menos serviu-se do que as pessoas lhes ofertavam. Aliás, se tivesse necessidade de Jesus fazer o pagamento para todos os discípulos, e o dele, eu duvido muito que poderia encontrar na bolsa de ofertas o necessário para quitar os impostos – Judas roubava o que ali se lançava: “Ora, ele (Judas) disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava”, João 12:6.

Não pensem vocês que os impostos de  treze  homens perfazia um pequeno valor – Jesus pagou para um, mas não pagou para os outros. “Duas dracmas não representam muito dinheiro em nossos dias, mas lemos que no ano de 300 AC a dracma comprava uma ovelha. Mesmo considerando a desvalorização da dracma antes do tempo de Jesus, nos seus dias duas dessas moedas representavam para qualquer homem pobre uma boa quantia. Um «estáter», encontrado na boca do peixe, tinha o valor de quatro dracmas, o pagamento do imposto para Jesus e Pedro. Esta história nos revela algo que muitos evitam aceitar, que é a situação de  profunda pobreza de Jesus e de seus discípulos”. Russel Normam Champlim, Comentário de Mateus, pág 688. Os itálicos são meus.

Jesus lançou mão de outro recurso  para fazer o pagamento do imposto dele e de Pedro. Como visto anteriormente, esse imposto era para “cada israelita, para efeito de sustento da adoração no templo…  Todos os homens judeus, de vinte anos para cima (Êxo 30:11-16; 2 Reis 12:4,5), tinham a obrigação de pagar o imposto Aquele imposto era de duas dracmas (moeda  grega usada pelos romanos), a lei judaica exigia que a moeda fosse trocada pelo dinheiro judaico”. Russel Normam Champlim – Comentario de Mateus, pág 688.

Discípulos Jovens

A maioria dos discípulos do Senhor Jesus eram bastante jovens quando eles os escolheu, pessoas extremamente inexperientes em todos os sentidos. Eram jovens adolescentes totalmente despreparados.

Observe essa alegação de um preterista em um email enviado a minha pessoa numa discussão sobre a idade dos discípulos: “Jesus  jamais entregaria sua  obra, tão vital de salvar vidas, a pessoas jovens, e não a homens plenamente adultos e responsáveis”. E para  validar  sua argumentação ele citou  1 Timóteo 3:1-7; Tito 1:5-10 que fala da escolha de bispos e presbíteros para a Igreja.

 “ESTA é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja.  Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar;  Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento;  Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? );  Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.  Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo”, 1 Timóteo 3:1-7.

Por esta causa te deixei em Creta, para que pusesses em boa ordem as coisas que ainda restam, e de cidade em cidade estabelecesses presbíteros, como já te mandei:  Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher, que tenha filhos fiéis, que não possam ser acusados de dissolução nem são desobedientes.   Porque convém que o bispo seja irrepreensível, como despenseiro da casa de Deus, não soberbo, nem iracundo, nem dado ao vinho, nem espancador, nem cobiçoso de torpe ganância;  Mas dado à hospitalidade, amigo do bem, moderado, justo, santo, temperante;   Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes.  Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão”, Tito 1:5-10.

Exigir o modelo acima dos discípulos no inicio do ministério  do Senhor seria   a mesma coisa exigir de Deus que apresentasse Jesus como o Messias ao doze anos de idade. Na verdade, esses contextos citados não  encaixam no contexto do Rabino Jesus e as  exigências  na formação de seus PRIMEIROS discípulos.

Além disso, em todas as duas citações se requer dos bispos algo que seria impossível de  ser encontrado na vida dos  discípulos do Senhor, com exceção de Pedro: Ser casado! a Timóteo Paulo diz, “Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher”; a Tito, “Aquele que for irrepreensível, marido de uma mulher”. Em todos os dois contextos  essa foi uma das recomendações:  o bispo deve ser casado. Os adolescentes judeus ainda eram solteiros e estavam na fase inicial de discipulado.

O comportamento dos discípulos, conforme detalhado nos evangelhos, se encaixa bem com a natureza zelosa e as sequelas da adolescência. Não faz mais sentido acreditar que jovens imaturos estavam discutindo sobre quem seria o maior no reino de Jesus do que acreditar que isso foi atitude de homens maduros? Quem não se lembra do episódio onde João e Tiago foram chamados de filhos do trovão? Por quê? Não seria por causa do comportamento explosivo extrovertido, típico de adolescentes?

Em várias ocasiões Jesus chama os seus discípulos de filhinhos e pequeninos. Isto seria um insulto se fossem adultos, não importa  quão radical ou suave fosse o rabino. No capítulo onde Mateus fala  da nomeação dos Doze, nas palavras de Cristo, ele registra: “E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” (Mat. 10:42).

Comentaristas do texto bíblico ficaram intrigados com as palavras, “estes pequenos”. “Alguns pensam que há uma alusão para a condição futura dos discípulos, que seriam de baixo, desprezados pela maioria no judaísmo; outros, que a alusão é a sua pequenez aos olhos do mundo. Alford pensou que algumas crianças podiam ter estado presente. Marcos, no entanto, faz com que as palavras se referem à discípulos: “Porquanto, qualquer que vos der a beber um copo de água em meu nome, porque sois discípulos de Cristo, em verdade vos digo que não perderá o seu galardão” (Marcos 9:41,42). Pode ser que, como muitas vezes acontece em uma escola, havia dois ou três alunos consideravelmente mais jovens do que os outros para que Jesus pudesse falar deles tanto quanto nós de “meninos”. Se assim for, podemos facilmente imaginar a cena:  Jesus, como quem falando a um grupo de jovens, joga seus braços sobre dois deles, rapazes de  quinze  ou dezesseis anos, e  em tom  familiarizado e carinhoso, diz palavras que poderiam ser parafraseados da seguinte forma: “Se alguém dá até mesmo um copo de água a um de vocês, porque são meus alunos, a sua bondade será recompensada; E qualquer que escandalizar um de vocês, pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma pedra e o jogasse dentro do  mar”, v 42.  O termo parece ridiculamente inadequado se aplicado para  homens de pouco mais de trinta anos de idade. Não se parece em nada também com os veteranos e calvos atores que tanto representaram os discípulos nos tantos filmes sobre a vida de Cristo.

Jesus escolheu dois termos para descrever Seus discípulos: MíKronos, que significa “pequeninos”, em Mateus 10:42, e Teknion, que significa “crianças” (ele os chamou de filhinhos) em João 13:33. Em ambos os casos, os termos são sinônimos da palavra “discípulo”. O mesmo termo é usado para aqueles a quem a Primeira Epístola de João foi dirigida (I João 2:1; 2:12; 2:18), a maioria dos quais provavelmente eram adultos; mas, se, como geralmente se supõe, o escritor foi um homem idoso, ele poderia muito bem usar o termo para aqueles que foram quase todos muito mais jovens do que ele. Parece menos apropriado para Jesus  usar o termo se falar a pessoas quase tão adultas quanto ele próprio.

Outro versículo a ser considerado é João 21: 5, quando Jesus chamou seus discípulos no barco, perguntando: “Filhos, tendes alguma coisa para comer?” Se usamos nosso familiarizado idioma, é como se Jesus os tivesse abordado de uma forma alegre, “Rapazes, vocês não apanharam  nenhum peixe ainda?” Aqui, novamente, encontramos  uma expressão que parece mais apropriada se dirigida a pessoas mais jovens do que aquele que fala.

Visualize agora a cena causada por um temporal quando Jesus e os discípulos atravessavam o Mar da Galileia; o Dr George Matheson, maravilhado com sua abjeta trepidação, diz: “Imagine uma tropa de experientes marinheiros ingleses passando  por um súbito vendaval  dando vazão aos seus sentimentos em um grito simultânea de terror: “Salva-nos, que perecemos!” Ele diz que este fato explica o mistério. Como se não fosse o bastante, quem consegue imaginar que adultos, homens maduros e responsáveis, pudessem cair no sono  na hora de vigiar, enquanto seu mestre se derramava em oração nas vigílias da noite (Marcos 14:37)?  Eles também eram propensos a acessos de orgulho, como vimos (Lucas 9:46), a arrogância (Mateus 26:33-35), raiva vingativa (Lucas 9:51-54), falta de tato (João 9:1-2) e dúvida (João 20:24-25). O que havia de errado com esses homens ?!

Nada de errado…  se alguns deles eram adolescentes…

Jesus também nos deixa  a indicação de que os discípulos eram inexperientes na pesca, desajustados sociais, e até mesmo usava uma linguagem parabólica  quando estava sozinho com eles, tendo muitas vezes que perguntar-lhes “Vocês não entendem?”. Este tratamento cuidadoso seria uma dica para estabelecermos a idade dos discípulos.

Em outra ocasião, Salomé, a mãe insistente que queria ver seus filhinhos sentados ao lado de Jesus no seu reino, pede ao mestre: “… Dize que estes meus dois filhos se assentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino” (Mateus 20:24). Não parece provável que os requerentes, se adultos, iriam com sua mãe pedir nomeação e em seguida colocá-la na  frente para  falar por eles. Mais natural é  pensar na mãe como indo com dois jovens adolescentes que tem grandes ambições. É uma situação desconcertante, consequentemente gerada por jovens sem maturidade alguma, certamente os mais novos do grupo.

Quando Tiago e João foram chamados por Jesus nos é dito que eles imediatamente deixaram seu pai Zebedeu (Mt 4: 21-22, Marcos 1: 19-20). Em uma época onde a expectativa de vida não era muito alta, e chegar a ser octogenário era muito raro, permite-nos inferir que Zebedeu ainda estava em forma o suficiente para sair em um barco de pesca ele só, o que indica que era um homem ainda jovem, com filhos saindo da adolescência. Por outro lado, a Bíblia nos esclarece que ele tinha empregados (Mar 1:20 ARA), o que seria completamente desnecessário se seus filhos fossem adultos e maduros. Esses detalhes nos levam a concluir que nessa ocasião Tiago e João provavelmente não haviam alcançado ainda a casa dos 18 anos de idade.

Doze HOMENS

Algumas objeções podem  surgir por causa de  versículos mal traduzidos, ou mal interpretados; falo de passagens onde  a  palavra “homem” foi  usada para fazer referência aos  discípulos. Se eles foram designados de HOMENS deve significar, para muitos, que não eram mais mancebos, ou adolescentes, mas sim pessoas aproximando-se dos 30 anos de idade.

O primeiro argumento pode ser encontrado numa passagem clássica, aquela que  mostra Judas junto com os soldados no momento da prisão de Jesus no Getsêmani  – nas palavras do próprio Senhor  Jesus  ao destacamento estaria uma pista para determinar que os discípulos não eram tão jovens. Eles foram apresentados como sendo HOMENS. Veja  João 18:8, “Se vocês estão me procurando, deixem ir embora estes HOMENS”.

Não existe a palavra homem nesse texto. Se existisse, nem assim o argumento poderia ser usado para os propósitos contrários aos apresentados. Basta observar um detalhe importantíssimo em outra passagem, onde alguém é  descrito como homem por  Marcos, mas por Mateus  ele aparece como sendo um jovem:

Marcos 10:17 “E, pondo-se a caminho, correu para ele um homem, o qual se ajoelhou diante dele, e lhe perguntou: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”

“Mateus  19:16, “E eis que, aproximando-se dele um jovem, disse-lhe: Bom Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?”

Mas o pior não é isso. Observe que o Lucas o chama de príncipe em 18:18, “E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?”

Por outro lado, na cultura judaica, um jovem  podia ser  chamado de homem mesmo que estivesse abaixo dos seus vinte anos. Os  meninos judeus não eram apenas  rapazes depois dos 13 anos, mas também  homens jovens  e durante suas idades de 16-18 eram considerados homens em sua sociedade. Observe o que diz um especialista no assunto: “Os meninos judeus se tornam homens aos treze anos após a sua celebração bar mitzvah. A palavra “bar” significa “filho de”, e “mitzvah” é a palavra para mandamentos. Assim, um judeu de treze anos de idade, vivendo no primeiro século, já teria assumido a responsabilidade por sua própria vida ao levar os mandamentos de Deus. Em essência, ele entrou no processo de maturidade”. Rediscovering Discipleship – Robby F. Gallaty, pág 49.

Voltando ao registro do Getsêmani,  que para muitos é um ponto forte para estabelecer a idade dos discípulos,  quero dizer que pode ser um fraquíssimo artifício em vista do que foi exposto acima. No entanto, eu nem precisaria mesmo usar esses argumentos para tal, pois se o preterista entende que por terem sido  descritos como homens deve significar que eram adultos, acima das idades aqui propostas, saiba que o argumento pode tornar-se totalmente sem valor algum por um simples motivo: A maioria das  versões omitiram a palavra “homem” do texto.

João Ferreira de Almeida Revista e Atualizada

Então, lhes disse Jesus: Já vos declarei que sou eu; se é a mim, pois, que buscais, deixai ir estes”.

Nova Tradução na Linguagem de Hoje

Jesus disse:  Já afirmei que sou eu. Se é a mim que vocês procuram, então deixem que estes outros vão embora!”

João Ferreira de Almeida Atualizada

Replicou-lhes Jesus: Já vos disse que sou eu; se, pois, é a mim que buscais, deixai ir estes”.

João Ferreira de Almeida Corrigida e Revisada, Fiel

Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu; se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes”.

Versão Ave Maria

Replicou Jesus: Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes”.

Versão Católica da CNBB

Jesus retomou: “Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, deixai que estes aqui se retirem”.

A Bíblia do Peregrino – Versão Católica

Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu; se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes”.

Catholic Public Domain Version

Jesus responded: “I told you that I am he. Therefore, if you are seeking me, permit these others to go away”.

Versão: English: Darby Version

Jesus answered, I told you that I am [he]: if therefore ye seek me, let these go away”.

Versão: English: American Standard Version (1901)

Jesus answered, I told you that I am [he]; if therefore ye seek me, let these go their way”.

 Versão: English: World English Bible

 “Jesus answered, “I told you that I am he. If therefore you seek me, let these go their way”.

 Versão: Español: Reina Valera (1909)

Respondió Jesús: Os he dicho que yo soy: pues si á mi buscáis, dejad ir á éstos”.

A palavra usada para fazer referência  aos discípulos, foi ESTES. Portanto, o argumento contrário não serve como prova para eliminar as evidências apresentadas neste artigo. Se fossem para um tribunal seriam descartadas facilmente.

Vamos agora para o segundo argumento  – está em  Atos 4:13-16, “Então eles, vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus”.

Observe esse detalhe com atenção: “homens sem letras e indoutos”. Eu acredito que nessa ocasião os discípulos foram chamados de homens por outro motivo – e isso não pode ser usado como argumento para estabelecer a  idade dos discípulos.  Embora o versículo se refira a Pedro e João,  provavelmente teve mais a ver com a sua (homens com) falta de formação religiosa do que qualquer outra coisa – ao longo dos anos esta descrição foi aplicada aos discípulos como um todo.

Agora vamos analisar o texto sobre Mateus – que poderia ser refutado com algumas argumentações sobre as tradições hebraicas já apresentadas.  Porém, também aqui vou me abster de usá-las por um motivo muito simples: Tradução. A narrativa  apresenta Mateus como um homem, e isso no dia em que foi chamado por Jesus.  Mateus 9:9, diz: “E Jesus, passando adiante dali, viu assentado na alfândega um homem, chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu”.

A análise da oposição é a seguinte: Mateus foi chamado de homem porque já era um adulto,  não apenas um adolescente quando Jesus o viu pela primeira vez. A  intenção  é   tornar  inválido o argumento do imposto do templo relacionado a um Mateus com menos de 20 anos, como também  tentar  afetar  a idade dos outros discípulos, que  não poderia ser determinada por causa do não pagamento desse  imposto.

Observem que o registro em Mateus alega que “Jesus viu um homem  assentado na coletoria”, mas Lucas diz que  Jesus “viu um publicano, chamado Levi, assentado na recebedoria”, Lucas 5:27.

E agora, qual designação foi usada? O que faz Mateus ficar mais velho ou mais novo, homem ou publicano? Nenhum dos dois. A narrativa não teve intenção alguma em revelar a faixa etária de Mateus – nem que ele fosse designado apenas de HOMEM. Na verdade, o argumento preterista, que intenciona envelhecer Mateus para dar ao discípulo uma idade maior pode ser considerado  totalmente inválido, irrelevante e infantil.

O Rabi e seus Discípulos

Muitas pessoas se referem a Jesus como rabino. Seus discípulos (Lucas 7:40), doutores da lei (Mateus 22: 35-36.), as pessoas comuns (Lucas 12:13), os ricos (Mat 19:16.), fariseus (Lucas 19:39), e os saduceus ( Lucas 20: 27-28).  O uso desse termo para ele pelo povo nos seus dias, foi uma medida de  grande respeito por ele como pessoa e como professor e não apenas uma referência para a atividade de ensino que ele estava envolvido.

Outra evidência que pode nos ajudar aqui é encontrada em  Atos 4:13 onde vemos os principais, os anciãos, escribas e sacerdotes “…  vendo a ousadia de Pedro e João, e informados de que eram homens sem letras e indoutos, maravilharam-se e reconheceram que eles haviam estado com Jesus”. Isso quer dizer muito. Mostra que a autoridade traz algum peso  como um argumento  a favor da educação dos  discípulos. Mesmo se àqueles graduados no grande centro do judaísmo, assistidos pelos mais excelentes rabinos,  tivessem que escarnecer daqueles que fossem educados em instituições menos notáveis, a autoridade de Cristo como rabino não deixou de ser reconhecida. E Jesus encaixava-se no perfil dos rabinos de sua época.

Ele, como Rabi, começou a tomar posse sobre os alunos com a idade de trinta anos, idade que, acreditamos, ele começou seu ministério público. Isso também se encaixa com as tradições rabínicas do seu tempo, as quais Jesus respeitou e cumpriu. Na verdade ele foi cumpridor da lei e como rabino não trabalhou contra as normas das suas tradições.

O fato de que Jesus era um rabino é validado em  vários lugares na Bíblia. A palavra rabino  significa, literalmente, “meu mestre”. Um rabino era  simplesmente um professor, e o termo rabino é intercambiável com a palavra que nós traduzimos como “professor” nos Evangelhos. Veja alguns textos.  Em  Lucas 7:40, “Jesus respondeu-lhe: Simão, tenho uma coisa para te dizer.Mestre [Rabi] “, disse ele,” dizê-o.” Em Lucas 10:25, “ um perito na lei levantou-se para testá-lo, dizendo:” Mestre [Rabi], o que devo fazer para herdar a vida eterna”. Em Mateus 22:23-24, “no mesmo dia alguns saduceus, que dizem não haver  ressurreição, vieram  até Ele e O questionaram: Mestre [Rabi], Moisés disse… ”.

O termo foi usado para abordar um professor ou sábio ensinador. Um rabino nos dias de Jesus era muito diferente de um rabino dos nossos dias. Jesus era um pregador itinerante, semelhante a um profeta do Velho Testamento, e como tal, ele contava  com a benevolência dos outros. Em uma época que não tinha  métodos desenvolvidos e sofisticados de comunicação de massa que temos hoje, um rabino viajava de lugar a lugar para  comunicar seus ensinamentos e suas interpretações da Escritura para as massas.

A decisão de seguir um rabino como um discípulo significava compromisso total no primeiro século. Uma vez que um discípulo era totalmente dedicado a tornar-se como o rabino ele teria gasto todo seu tempo escutando e observando o professor para saber como compreender a Escritura e como colocá-la em prática. Jesus descreve seu relacionamento com seus discípulos exatamente desta maneira. Veja  Mateus 10: 24-25 e Lucas 6:40, “Não é o discípulo mais do que o mestre, nem o servo mais do que o seu senhor.  Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor. Se chamaram Belzebu ao pai de família, quanto mais aos seus domésticos?”

O discípulo não é superior a seu mestre, mas todo o que for perfeito será como o seu mestre”. Ele os escolheu para estar com ele (Marcos 3: 13-19) para que eles pudessem ser como ele (João 13: 15).

Certamente as palavras usadas para expressar as relações entre Jesus e os Doze são quase sem exceção, as mesmas que foram usadas em conexão com a educação. As pistas estão um pouco obscurecidas em nossas traduções, mas apesar disso  até mesmo pessoas familiarizadas com o Idioma grego são susceptíveis de ter seus pensamentos fortemente regulados pelas impressões que recebeu na infância a partir da versão em português.

Provavelmente alguns jovens quando lêem na Versão Almeida a palavra “Mestre” como um nome para Jesus, não conseguem perceber a relação entre um professor e seu aluno, significado que  é  mostrado mais claramente  no grego.  Para melhor entendimento, basta associar ao mestre a palavra discípulo, que bem cedo no ministério de Jesus foi usada por que têm um significado especial, de modo que nós esquecemos que esta palavra nos Evangelhos quer dizer “aprendiz” ou “aluno”. Tudo isso nos remete à palavra “Rabino”, de onde vem o título hebraico “Rabi”, que de acordo com o léxico de Thayer, significa “meu honroso senhor “,  um título com o qual os judeus tinham o hábito de chamar  seus professores e também para honrá-los.

Infelizmente muitos evangélicos não tiveram em sua  educação cristã melhores traduções que pudessem lhes dar o real significado dos termos, ou, na verdade, talvez não tiveram professores que pudessem ter uma visão mais ampla do assunto, o que consequentemente obscureceu seu entendimento não os deixando perceber que  tais termos são utilizados usualmente para falar de assuntos educacionais. Isso impediu que várias  passagens fizessem a diferença em muitos, não trazendo uma impressão mais clara  em nossas mentes.

O que tendo dizer é muito simples; basta apenas  ler alguns versículos dessa forma::  “Um aluno não é mais do que seu professor” (Mat 10:24); “E os seus alunos o interrogaram, dizendo…” (Mat 17:10); “tudo declarava em particular aos seus alunos” (Marcos 4:34); “Porque ensinava os seus alunos, e lhes dizia…” (Marcos 9: 31); “… lhe disse um dos seus alunos: Mestre, ensina-nos a orar, como também João ensinou aos seus discípulos” (Lc 11:1); “Os seus alunos, porém, não entenderam isto no princípio” (João 12:16); “Os fariseus enviaram seus alunos, juntamente com os herodianos, dizendo: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensina o caminho de Deus segundo a verdade” (Mateus 22:16).

Além disso, alguns estudiosos do texto grego, ao analisarem a expressão “siga-me”, relacionada à  chamada dos primeiros discípulos, atestam que ela pode ser  facilmente entendida como implicando uma chamada a tornar-se  discípulo permanente de um professor. Não era apenas  uma prática para os rabinos, mas era considerado como um dos maiores deveres sagrados para um mestre  reunir em torno de si mesmo um círculo de discípulos.  Muitas são as passagens que descrevem Cristo como aquele que ensina. Algumas falam  de sua “pregação e ensino” como se não houvesse distinção entre os dois atos – Ele ensinava nas sinagogas, locais que eram comumente usados durante a  semana como salas de aula. Pode ser que em sua longa jornada em Cafarnaum ele tinha uma classe semelhante aos que eram comuns entre o seu povo. Vemos, também, que a linguagem utilizada relativa às relações de Cristo com os Doze revela o envolvimento de um professor com alunos bem jovens. Esses detalhes são parte de uma peça importante no tema aqui discutido.  As escolas são principalmente para os jovens.

O pronto atendimento ao chamado do mestre sugere que a maioria dos discípulos era composta de  jovens solteiros, do contrário a ausência do lar tornaria difícil o sustento de seus familiares,  a menos que fossem em circunstâncias bastante fáceis. Nós sabemos que alguns dos discípulos (João, principalmente) pertenciam a famílias que possuíam barcos, redes  e contratavam servos, o que demonstra duas coisas: Primeira: seus filhos eram adolescentes e, por esse motivo, sem muita experiência na profissão. Segunda: seus pais estavam prontos a fazer o trabalho e outros sacrifícios necessários sem a sua ajuda a fim de que eles pudessem ser educados, ou até, o que seria bem possível por causa disso, se ausentarem do lar. Se todos os doze, ou boa parte dos setenta fossem adultos, com esposas e filhos, sabemos que a possibilidade de sobrevivência de suas famílias sem o cabeça do lar seria mais delicada.

Embora circunstâncias pudessem justificar alguns indivíduos da ausência de suas casas, não parece  provável que Cristo chamaria  tantos adultos para longe de seus familiares – não foi esse o padrão. Muito menos quando tomamos por base o contexto entre discípulo e mestre.  É por isso que não foi um problema, nem para eles, e muito menos para  suas famílias, quando  simplesmente se levantaram e saíram na chamada do rabino. Certamente foi uma  honra para eles serem escolhidos por um rabino,  segui-lo e aprender com ele. Jovens  em sua fase adolescente seria mais fácil para sair de casa, como aqueles que vieram de aldeias distantes às “escolas do distrito”. A Enciclopédia Judaica, ao falar de “o último século do Estado judeu”, diz que escolas para meninos de seis ou sete anos de idade foram realizadas em todas as cidades, e, em seguida, descreve o que chama de “escolas do distrito”. Estas “destinavam-se apenas para os jovens de dezesseis ou dezessete anos de idade que poderiam ficar  longe casa”.

Jesus, portanto, fez o que foi certo fazer: Chamar a si discípulos conforme a tradição de seu povo. O Messias escolheu o sistema rabino-talmidin (professor e aluno). Ele ensinou como um rabino em situações da vida real, não desprezando os  métodos  utilizados por outros rabinos de sua época ( não há nenhuma razão para acreditarmos que Jesus e seus discípulos foram uma exceção). Ele escolheu discípulos a quem ele iria capacitar para tornar-se como ele e levou-os ao redor até que eles começaram a imitá-lo. Em seguida, enviou-lhes a fazer outros discípulos para levar as pessoas a imitá-los.

Assim, como fica evidente, observamos que Jesus, como membro integrante da cultura em que viveu participou da cultura rabínica de seu tempo, interagindo com outros  que foram criados dentro dessa mesma  cultura. Como tal, ele foi chamado para responder a uma série de perguntas e pesar com as suas opiniões sobre temas relevantes para essa cultura. Ora, sabemos que Jesus era um judeu, criado  de acordo com os costumes judaicos, falando a um público judeu, e rodeado por discípulos judeus. A Bíblia é um livro judaico escrito por judeus, para uma platéia predominantemente judaica, e fala acerca  de um Salvador judeu que veio para redimir os judeus e gentios.

Jesus foi criado por pais judeus excepcionalmente devotos. Eles viajavam para Jerusalém para a Páscoa todos os anos. Ele foi circuncidado ao oitavo dia de sua vida – foi dedicado e lhe deram um nome hebraico. Como qualquer outro menino judeu, ele freqüentou as academias religiosas em uma idade precoce para estudar a Torá. Ele regularmente participava dos trabalhos na sinagoga no sábado, participou em cada festa bíblica, estudava  e memorizava as Escrituras, aprendeu o ofício de seu pai, e começou seu ministério rabínico aos trinta anos – tudo isso de acordo com as tradições do seu povo.

E que o leitor não esqueça: Estamos no Velho Pacto aqui. Leis e tradições judaicas não foram mais necessárias no Novo Concerto apesar de continuarem a ser observadas por muitos, até mesmo por alguns  membros da Igreja Primitiva. E, apesar também, de a  graça e a verdade terem vindo por intermédio de Jesus Cristo não podemos negar que ele foi ministro da Velha Aliança. Veja:

Digo, pois, que Jesus Cristo foi ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para que confirmasse as promessas feitas aos pais”, Romanos 15:8.

Todos estes detalhes são valiosíssimos para nossa argumentação defensiva, pois nos ajudarão a descobrir qual era a idade de João perto de 70 AD, o que poderá causar grande impacto nas afirmações da escola preterista, fazendo desmoronar a tese de que João foi aprisionado em Patmos antes da destruição de Jerusalém, e que o livro de Apocalipse é primariamente uma profecia sobre a guerra romana contra os judeus em Israel, começando em 67 e terminando com a destruição do Templo em 70 DC

A Idade de João – do chamado ao Exílio

Se João encontrou Jesus quando era bem jovem, aos  16 anos de Idade e, se a crucificação e a ressurreição ocorreram aproximadamente entre 28 e 30 dC, certamente ele estava perto dos seus 20 anos nessa ocasião. Se acrescentarmos mais 30 anos para colocar João no início da década de 60 dC,  empurramos o Apóstolo para dentro da ilha de Patmos com pouco mais de  50 anos. E, se ele foi liberto – como deseja o preterismo – após a morte do “tirano”, em 68 dC, que eles dizem ter sido Nero, então João não poderia ser tão velho, ele estaria perto dos 58 anos de idade. Como vamos ver, isso contraria o testemunho de alguns pais da Igreja, os quais registram que João quando deixou o exílio já era um idoso, o que só faz sentido se sua libertação ocorreu algumas décadas após a destruição de Jerusalém – os cálculos para a saída de João do exílio nos levam direto para o final do governo do Imperador Domiciano, em 96 dC.

As evidências da Patrística apresentadas nesse artigo não podem ser tratadas como argumentos para reparar remendos. Nada foi planejado para socorrer pesquisadores futuros, os opositores do preterismo,  pelo simples fato de não ter existido nos tempos de Cristo e dos Pais da Igreja essa ameaçadora doutrina. Quem escreveu na época da história bíblica e da Patrística não estava tentando acumular evidências para provar o erro preterista. A escrita foi construída de forma circunstancial acompanhando relatos históricos. O que precisou ser feito aqui neste modesto artigo foi apenas reunir essas evidências na hora certa.

Por volta de AD 270, Vitorino, no décimo capítulo de seu comentário sobre o Apocalipse de João, escreveu: “… João estava na ilha de Patmos, condenado ao trabalho das minas… ele viu o Apocalipse, e quando envelheceu, ele pensou que ele deveria finalmente receber sua quitação pelo sofrimento… foi liberto das minas…”. [Vitorino, Comentário sobre o Apocalipse, XI].

Clemente de Alexandria (AD 150-220) contou uma história sobre João logo após seu retorno do exílio, como sendo um homem muito velho. Ele narra sobre um jovem que foi convertido pela pregação do Apóstolo, mas também deixa um valioso documento sobre os dias de João em Patmos.

A história é sobre um jovem convertido que João havia confiado a certo ancião para discípulo na fé. O homem tinha sido anteriormente um ladrão e salteador. O registro diz o seguinte:

“… Ao retornar do exílio em Patmos, ele ouviu que o jovem havia retornado para sua vida antiga de crime. Ao ouvir isso, ele repreendeu fortemente o mais velho em cuja guarda ele havia deixado. João partiu imediatamente para o lugar onde este ladrão e seu bando se escondiam. Ao chegar ao local, ele foi agredido pelo bando de ladrões. Ele exigiu deles para levá-lo ao seu líder. Eles trouxeram João ao homem que João havia anteriormente conquistado para Cristo, e deixado sob a custódia do mais velho. Quando o jovem viu João se aproximando, ele começou a fugir. João começou a correr atrás dele, pedindo: “Por que, meu filho fugir de mim, teu pai, desarmado e velho? Filho tenha pena de mim. Não temas, tens ainda a esperança de vida. Vou dar conta de Cristo por ti. Se for necessário, eu vou de bom grado suportar tua morte, como fez o Senhor na morte por nós. Por ti vou entregar minha vida… João explicou-lhe que o perdão e a restauração era ainda possível…” [Clemente, Quem é o homem rico que será salvo, XLII].

No entanto, o testemunho mais curioso, interessante e esclarecedor é o do historiador da igreja Eusébio de Cesareia, ou, Eusébio Panfilio. Eusébio nasceu em 260 e morreu antes de 341. Bispo de Cesareia na Palestina, ele é conhecido como o “Pai da História da Igreja.” No capítulo 18, livro 3 de sua História da Igreja, ele registra:

“… nesta perseguição …  João, apóstolo e evangelista, que ainda estava vivo… foi condenado a habitar na ilha de Patmos em conseqüência de seu testemunho à palavra divina”.

Observe o que Eusébio diz quando registra sobre o tempo do exílio: “João ainda estava vivo“. Isso é preciosíssimo, revelador e definitivo para destruir a tese preterista – através de detalhes inseridos dentro de narrativas paralelas às narrativas originais é que muitos crimes são descobertos. Até para a investigação bíblica devemos usar o mesmo método – quatro palavras registradas de forma puramente circunstancial dentro de um contexto que não tem interesse algum em refutar o que quer que seja: “João ainda estava vivo!”

Por que Eusébio diria que João ainda estava vivo quando foi para o exílio? Simplesmente por que ele havia envelhecido.  Esse pequeno detalhe circunstancial é uma evidência preciosa contra a alegação preterista. Um pequeno acidente verbal, narrando a história, vem esclarecer um tempo, uma época – um tremendo azar preterista. O testemunho de Eusébio está de acordo com Vitorino e Clemente: João estava velho quando foi aprisionado em Patmos. Registrar que João “ainda estava vivo” significa avançar para frente dentro de um tempo em que todos os outros Apóstolos já haviam  partido desse mundo. Eusébio não fez esse registro tendo em mente o João da década de 60 dC. Fica totalmente sem sentido um escritor referir-se a um Apóstolo que estava entre os 48-50 anos de idade e dizer que “ele ainda estava vivo” e, mais sem sentido ainda registrar tal fato numa época em que outros 10 Apóstolos também podiam ser encontrados com vida, além de Paulo, Lucas, Barnabé, Marcos e mais alguns.

A bem da verdade, a prisão de João em Patmos, como também sua libertação, ocorreram entre 83 a 95, dentro do reinado de Domiciano. Isso deve significar, obviamente, que Apocalipse foi escrito depois da destruição de Jerusalém.

Veja todo o registro do historiador Vitorino que coloquei acima – aqui sem cortes –  com a menção de Domiciano:

“… João estava na ilha de Patmos, condenado ao trabalho das minas por César Domiciano… ele viu o Apocalipse, e quando envelheceu, ele pensou que ele deveria finalmente receber sua quitação pelo sofrimento. Domiciano foi morto e todas as decisões dele estavam descarregadas. João foi liberto das minas…”. [Vitorino, Comentário sobre o Apocalipse, XI].

Irineu, por exemplo, declara que “… o Apocalipse foi visto… em nossa própria geração, no final do reinado de Domiciano”. Irineu Contra as Heresias 5.30.3.

Irineu foi muito particular sobre sua datação do Apocalipse. Ele não só menciona o reinado de Domiciano, mas ele menciona que a visão de João ocorreu no final do reinado de Domiciano. Fica extremamente difícil duvidar de Irineu. Muito valioso lembrar também que Irineu viveu entre 120-202 AD. Isso não pode ser ignorado, pois nos esclarece que  Irineu nasceu  menos de 20 anos após a  morte de João. Eu disse 20 anos e não 200!

Além disso, Irineu  foi discipulado por Policarpo. Policarpo foi discípulo do apóstolo João, e bispo da Igreja de Esmirna na Ásia. Se Irineu registra que João foi exilado no governo de Domiciano, já é o suficiente. Sua fonte foi alguém que conheceu e conviveu com o escritor do Apocalipse.

Quero aqui finalizar com mais alguns registros dos Pais da Igreja sobre o exílio de João. São testemunhos que comprovam que o Apóstolo esteve em Patmos no governo do Imperador Domiciano, e não antes disso.

Sulpício Severo, registra: Então, depois de um intervalo, Domiciano, filho de Vespasiano, perseguiu os cristãos. Nesta data, ele baniu João Apóstolo e Evangelista para a ilha de Patmos” (História Sagrada, Livro II, Cap.31). 

Jerônimo: “João era um profeta. Ele viu o Apocalipse na ilha de Patmos, onde foi banido por Domiciano” (Trabalhos, vol. 6, p. 446).

“No décimo quarto ano depois de Nero, Domiciano, tendo levantado uma segunda perseguição, baniu João para a ilha de Patmos…  Mas Domiciano tendo sido condenado à morte e seus atos, por conta de sua excessiva crueldade, foram anulados pelo Senado, e João voltou a Éfeso” (Homens Ilustres, IX).

Tertuliano: “… Domiciano também, que possuía uma parcela da crueldade de Nero, tentou uma vez fazer a mesma coisa que este último fez… sequer se lembrou daqueles a quem ele tinha banido… Mas depois que Domiciano reinou 15 anos, e Nerva tinha sucedido ao império, o Senado romano, de acordo com os escritores que registram a história daqueles dias, votaram que os horrores de Domiciano deveriam ser cancelados, e que aqueles que tinham sido injustamente banidos devem retornar para suas casas e ter suas propriedades restauradas a eles. Foi nessa época que o apóstolo João retornou de seu exílio na ilha ao seu domicílio em Éfeso” (História Eclesiástica, Livro III, Cap.20).

A escola preterista, mesmo diante de provas irrefutáveis, nega o testemunho da história e sobrecarrega a Igreja de problemas desnecessários. Lamentavelmente, eles insistem em negar os registros, óbvios e claros, que não eram problemas antes do século 16. Ninguém antes de 1600 contestava o testemunho dos pais da Igreja; os protestos só tiveram início depois que o sistema Preterista foi inventado.

A Deus toda Glória

Fontes  Consultadas

SOUZA, Ken – The Disciples Were Probably Teenagers

BRADFORD, Mark – Temple Tax

KBONIKOWSKY – Jesus’ Disciples: A teenage posse?

BELKNAP, Bryan – Was Jesus a Youth Minister?

CARY, Frank and Otis – How Old Were Christ’s Disciples?