Mistério, a Grande Babilônia

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Apocalipse 17 é para muitos um enigma; mas deixa de sê-lo, feitas as combinações indicadas. Com dramática intuição o profeta pinta com palavras o seu quadro. Uma mulher está sentada sobre uma besta escarlate. “Em sua cabeça  estava um nome  com significado  secreto”. Ela estava vestida de púrpura real e de um escandaloso escarlate; seu título: “Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da Terra”.

Esta linguagem é impressiva; contudo podemos formular a pergunta: Quem é esta mulher chamada “Mistério, a grande Babilônia?” Não pode haver dúvida quanto a sua identidade. Mulher em profecia representa Igreja. A mulher do capítulo 12 é um belo símbolo da Igreja verdadeira de Jesus, mas esta mulher do capítulo 17, de caráter corrupto e natureza enganadora, contrasta em todo sentido com aquela. Deus compara o Seu povo a uma mulher “formosa e delicada”, ou “uma mulher dedicada ao lar”,Jer. 6:2. Mas esta não é uma mulher caseira. Ao contrário, ela corteja reis em vive em relação ilícita com o mundo. Não está vestida de “linho fino” que é a “justiça dos santos” (Apoc. 19: 8), mas está prodigamente ataviada em púrpura e escarlate, e adornada com ouro e joias de alto preço. João viu que ela estava também embriagada com o sangue dos mártires de Jesus.

Ele contemplava esta igreja apóstata subsequente aos séculos de perseguição. Ela sustentava em sua mão um cálice de ouro cheio de “abominações”. Na Escritura as palavras “abominação”, “mentira”, “imagem de escultura” e “falsos deuses” são usados como sinônimo. Veja I Reis 11:7, 2, 3; Isa. 44:15, 19, 20. Este não é o cálice da salvação pelo qual Davi no passado orava (Sal. 116:13), mas está cheio de falsos deuses e abominações mentirosas, como a contrafação doutrinária do sacerdócio – um falso sacerdócio que se arroga o poder de perdoar pecados…

A besta que a mulher  cavalgava, como as outras bestas da profecia, representa o poder político ou civil. Sustentada pelo poder do Estado, esta mulher, símbolo da igreja apóstata, é vista conduzindo e controlando as nações. Ela o faz para os seus próprios fins.

Ela tem escrito o nome “Mistério, a grande Babilônia”. Quando os cultos misteriosos da antiga Babilônia entraram na igreja, foram postos os fundamentos para o mistério da iniquidade. Os mistérios tomaram a forma de religião apenas pouco tempo depois do dilúvio, tendo sido uma definida tentativa de destruir o conhecimento do verdadeiro Deus na mente dos homens. Ninrode, “poderoso caçador diante da face do Senhor” (Gên. 10:9), fundou o reino de Babilônia, e a lenda diz que depois de sua morte, a rainha, depravada e licenciosa, ávida por manter sua influência sobre o povo, instituiu certos ritos em que era adorada com Rhea, a grande “mãe” dos deuses. Esta rainha Caldéia é um apropriado protótipo desta mulher do Apocalipse, em cuja testa está escrito o nome “Mistério, a grande Babilônia, a mãe das prostituições e abominações da Terra”. Quando João a viu, ela estava embriagada. Mas sua devassidão estava no fim; ela estava aguardando julgamento. João se admirou do que via, e não era sem motivo. O anjo, desdobrando ante ele o mistério de tudo, disse: “A mulher que viste é a grande cidade, que reina sobre os reis da Terra”. Apoc. 17:18.

Nove vezes no Apocalipse encontramos a expressão “grande cidade”, como aplicada a este sistema apóstata. A mulher representa o poder eclesiástico; a besta o poder político. Neste símbolo encontramos completa união da igreja e do Estado, e todos cujos nomes “não estão escritos no livro da vida” ficam admirados ao testemunhar o surgimento e influência deste tremendo poder político-religioso descrito com “a besta que era, e que já não é, e há de vir”. Verso 8.

A fim de que o Seu povo esteja preparado para esta tremenda crise, Deus está enviando Sua última mensagem de misericórdia. Todo o mundo será iluminado com a glória desta mensagem (verso 1) que declara Babilônia, ou a igreja caída, como havendo-se tornado “morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e aborrecível” (verso 2). A pomba é o emblema do Espírito Santo, mas os emblemas de Babilônia são aves imundas e aborrecíveis, abutres que se alimentam no monturo. Por suas feitiçarias ela enganou as nações (verso 23), e agora estas, embriagada com o seu vinho, estão vivendo em aliança espúria com ela, enquanto os mercadores estão enriquecendo com o seu comércio. Babilônia não é uma igreja. Em Apoc. 17:5 ela é chamada “mãe das meretrizes”; tem filhas – as outras igrejas – e estas participam da mesma natureza não santificada e são achadas bebendo o vinho de Babilônia e ensinando suas doutrinas que não estão em harmonia com a Bíblia.

“Sai dela, povo meu”. Apoc. 18:4. Este é o chamado de Deus hoje. Apesar das trevas espirituais e afastamento de Deus prevalecentes nas igrejas que constituem Babilônia, a grande massa dos verdadeiros seguidores de Jesus, encontra-se ainda em sua comunhão. Muitos deles há que nunca souberam das verdades especiais para este tempo. Não poucos se acham descontentes com sua atual condição e anelam mais clara luz, em vão olham para a imagem de Jesus nas igrejas a que estão ligados. Afastando-se estas corporações mais e mais da verdade, e aliando-se mais intimamente com o mundo, a diferença entre as duas classes aumentará, resultando, por fim, em separação. Tempo virá em que os que amam a Deus acima de tudo, não mais poderão permanecer unidos aos que são „mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela’.

O capítulo 18 de Apocalipse indica o tempo em que, como resultado da rejeição da tríplice mensagem do capítulo 14, versos 6-12, a igreja terá atingido completamente a condição predita pelo segundo anjo, e o povo de Deus [das denominações apóstatas], ainda em Babilônia, será chamado a separar-se de sua comunhão. Esta mensagem é a última que será dada ao mundo, e cumprirá a sua obra. Quando os que „não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade’, forem abandonados para que recebam a operação do erro e creiam a mentira, a luz da verdade brilhará então sobre todos os corações que se acham abertos para recebê-la, e os filhos do Senhor que permanecem em Babilônia atenderão ao chamado: „Sai dela, povo Meu’. Apoc. 18:4.

Os juízos de Deus estão prestes a cair na forma das 7 últimas pragas, e todos os que se recusarem a separar-se de Babilônia e de seus pecados serão destruídos com ela. “Fugi do meio de Babilônia”, foi a mensagem de Deus a Israel quando a antiga Babilônia estava para cair, Jer. 51:6. Essas pragas vem “num dia”, Apoc. 18:8. Pode trata-se aqui de um dia profético, ou um ano literal, ou mesmo porque a destruição vem rápido.

Quando os que puseram sua confiança neste grande poder mundial  testemunharem o completo colapso de toda esta confederação política, econômica, financeira e educacional, exclamarão perplexos: “Ai! ai daquela grande Babilônia, aquela forte cidade! Pois numa hora veio o seu juízo”! – verso 10. Quatro vezes encontramos a expressão “uma hora”. É somente por “uma hora” que as potências do mundo reinarão com ela (Apoc. 17:12) em “uma hora” vem os seus juízos (Apoc. 18:10); suas riquezas se tornam em nada em “uma hora” (verso 17); e em “uma hora” é posta em desolação (verso 19). Isso significa que sua destruição vem repentinamente!

Como os edificadores da antiga Babel, cujos esforços para construir uma torre cujo topo alcançaria os céus foram frustrados, sendo eles espalhados pela mão divina, assim esta moderna estrutura babilônica, cujos pecados “se acumularam até os céus” (veso5), também entrará em colapso. Os mercadores que enriqueceram com a abundância nela existente acabarão por voltar-se contra ela e destruí-la. Apoc. 17:6. Mercadores do mar e negociantes de preciosidades, “agricultores e industriais”, “escultores e artesãos”, todos lamentarão a sua ruína, Apocalipse  18: 9-17. Havendo posto nela sua confiança, veem suas esperanças dissipar-se ao testemunharem sua destruição.

Seis vezes lemos que ela não será mais – versos 21-23. Sua música, sua indústria, suas finanças, seu comércio, não serão mais. Sua destruição será completa, e Deus a responsabiliza pelo sangue “de todos os que foram mortos sobre a Terra” (verso 24) – um tremendo quadro das cenas finais que se verão quando da vinda do reino de glória! No momento em que toda a confederação do mal declara guerra a Deus e Seu povo, a promessa é que “o Cordeiro os vencerá… e os que com Ele estão, chamados por Sua graça. Ele nos elegeu para sermos povo santo; compete-nos a nós sermos fiéis. “Bem está, servo bom e fiel”, Mat. 25:21.

O grande sistema do mal e do engano está vencido. A grande e orgulhosa Babilônia está agora em desolação, e os santos estão prestes a receber sua final recompensa. Do trono ali presente ecoa uma ordem festiva, convocando os servos de Deus e a todos os que O temem, tanto grandes como pequenos, fazerem ouvir suas vozes em louvor. Esse coro é como o som “de muitas águas” e como “a voz de grandes trovões”. Eles clamam, em triunfo: “Aleluia, pois já o Senhor Deus Todo-poderoso reina. Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-Lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a Sua esposa se aprontou.” Apoc. 19:6, 7.

A Deus toda Glória