Carta à Igreja de Pérgamo

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PergamoMais uma evidência contra a tese de que Apocalipse foi escrito antes de 70 dC é a igreja em Pérgamo. O único livro do Novo Testamento que cita a cidade ou a igreja em Pérgamo é o Apocalipse.

Apo 2:13 – Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.

“… Conheço o lugar em que habitas, onde está o trono de Satanás”: Pérgamo foi o local de um templo dedicado a Roma e Augusto (idolatria oficial do governo romano). Isso só ocorreu após 80 dC; mais tarde foram erigidos outros templos para a honra dos imperadores Trajano e Severo. Além desses templos para o culto imperial, o povo de Pérgamo adorava outros “deuses”, tais como Zeus, Atena, Dionísio e Asclépio. Encontramos em Pérgamo uma mistura dos poderes do mal – religiões falsas e o poder oficial do governo romano. Enquanto seus vizinhos sacrificavam aos demônios (veja 1 Coríntios 10:19-20), os discípulos de Cristo reconheciam o único Deus como Senhor.

O versículo fala de Antipas, fiel testemunha martirizada em Pérgamo. Ele existiu! Antipas morreu após 80 dC. Se o versículo faz referência a morte de Antipas, certamente foi escrito após 80 dC.

O detalhe sugere que a morte deste havia ocorrido num tempo no passado:

“… ainda nos dias de Antipas… o qual foi morto entre vós!”

Quem foi esse Antipas que nunca ouvimos falar nos tempos dos apóstolos vivos? Aqui é dito que ele já havia sido martirizado. O texto sugere algo distante, “… Ainda nos dias de Antipas…”. Se a carta foi escrita na década de 60 dC, como afirmam os preteristas, e Antipas foi martirizado antes disso, deveria haver algum registro de sua morte, o que nos possibilitaria crer que Antipas foi bem  conhecido na Igreja primitiva e conhecido entre os apóstolos. Se nos baseamos na cronologia preterista que recua a redação do Livro de Apocalipse para os anos 60 dC, então devemos localizar o martírio de Antipas dentro da época de ouro dos Apóstolos do Senhor. No entanto, quem dentre eles citou Antipas?

Segundo a história Antipas foi martirizado após 80 dC

“O Santo e glorioso mártir Antipas foi contemporâneo dos apóstolos que o tinham posto à frente da Igreja de Pérgamo. Na época da perseguição de Domiciano (c. 83), mesmo já sendo de idade avançada, o santo bispo foi levado à prisão pelos pagãos por negar-se a oferecer sacrifícios aos ídolos. O Santo foi então arrastado diante do governador que havia antes tentado persuadi-lo a renegar sua fé em Cristo, dizendo que a adoração aos ídolos era mais antiga e, portanto, mais respeitável do que aquela nova religião pregada por pescadores e gente humilde.

Santo Antipas respondeu lembrando a história de Caim que, embora tenha sido antepassado da humanidade, era, no entanto, abominável e desprezível por ter assassinado seu irmão. Que, mesmo as crenças dos helênicos, também muito antigas, não eram menos desprezível para os que receberam a revelação da plenitude da Verdade nos últimos tempos. Ao ouvir estas palavras, o governador e os pagãos encheram-se de ódio e o jogaram numa fornalha ardente.

De lá, Santo Antipas elevou uma fervorosa oração ao Senhor, dando graças por sofrer por amor e testemunhar assim que o amor de Deus é mais forte que a morte. Assim, entregou sua alma nos braços do Senhor e seu corpo foi sepultado na igreja de Pérgamo. De seu túmulo, um suave odor de bálsamo exalou durante anos, produzindo excelentes efeitos terapêuticos para o consolo dos cristãos na cidade e muitos peregrinos que para lá acorriam de todos os lados, para venerar a memória do santo”.

Clique aqui: Antipas, bispo de Pérgamo. Antipas foi perseguido e morto  durante o reinado de Domiciano, Catholic Online, St Antipas.

Os Balaãmitas (ver Apoc. 2.14) haviam encontrado tempo de se estabelecer em Pérgamo, o que significa que se partimos do estabelecimento da Igreja, depois de 60 dC, e a exortação àqueles que seguiam já a doutrina de Balaão, teríamos que admitir que isso aconteceu num curtíssimo espaço de tempo. A invasão e aceitação dos Balaãmitas dentro da Igreja não pode ter ocorrido tão rápido.

João também escreveu sobre a doutrina dos nicolaítas nos capítulos 2 e 3, que era uma forma incipiente de gnosticismo que não se desenvoveu até algum tempo depois de 70 dC. No momento da escrita de João do Apocalipse, o gnosticismo tinha trabalhado seu caminho para a igreja a tal ponto que foi mencionado nos endereços de outras dessas congregações.

Todas essas coisas teriam que se desenvolver nestas igrejas em três  anos ou menos, a fim de manter a data de 70 dC para a escrita do Livro de Apocalipse. Enquanto tal coisa não é totalmente impossível, é altamente improvável. É extremamente importante em nossa consideração sobre este assunto, que  reconhecemos que em 70 dC, a degradação espiritual, a apostasia dos gnósticos e a perseguição da Igreja na Ásia Menor, ainda não tinha alcançado o nível demonstrado pelo texto. Essa apostasia não ocorreu em dois ou três anos, mas sim foi desenvolvida pelo menos após duas décadas de existência da Igreja. Isso nos revela que Apocalipse jamais pode ter sido escrito antes de 70 dC.

Devemos lembrar a quem o Apocalipse foi dirigido e considerar o contexto histórico em que essas igrejas realizaram as circunstâncias que estavam enfrentando, o que não pode ter sido na década de 70.

A revelação  dirigida as igrejas da Ásia, não é apenas entendida como direcionada para eles, mas sobre eles também. As circunstâncias terríveis retratada nas pequenas cartas são preditas a vir sobre  quem a carta é dirigida e não às pessoas que vivem em outra parte do mundo. Não faz sentido para João endereçar uma carta aos cristãos que vivem na Ásia Menor sobre os  eventos que acontecem na Judéia.

Não é dizer que o Apocalipse não tem aplicação aos cristãos que vivem em outros lugares, ou seja,  de outros tempos. Apocalipse certamente tem uma aplicação direta a todos os cristãos que viviam no Império Romano, subjulgados por Roma, e com ela atravessada no caminho impedido o avanço da Igreja.