A Geração que não Passará

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“Em verdade vos digo, esta geração não passará sem que todas estas coisas aconteçam.” Mat. 24:34

Este é o  texto padrão dos preteristas católicos  na tentativa de resguardar o argumento de que Jesus profetizava sobre a destruição de Jerusalém em todo o capítulo 24 de Mateus. Afirmam aqui que foi um período de 40 anos, o período de uma geração, entre 30 dC e 70 dC, culminando com a queda da cidade. Segundo eles, Jesus prometeu que a geração que estava viva no seu tempo de modo algum passaria até que todas estas coisas (a abominação da desolação, a grande tribulação, sinais no céu, angustias das nações…) ocorressem.

Sua inconsistência é incrível. Eles espiritualizam a vinda do Senhor e a parte das calamidades cósmicas de Mat. 24 ao máximo, mas depois eles invertem completamente “esta geração” tornando-a literal à enésima potência!

Esse segmento do preterismo não saberia explicar o motivo de haver angustia das nações justamente acontecendo enquanto Roma se prepara para destruir Jerusalém. Mas não é só isso não; tomando por base esse versículo e um par de outros, eles se defendem afirmando  que todas as coisas descritas abaixo ocorreram antes da queda de Jerusalém,

– Os eventos da Tribulação (de que fala o Livro do Apocalipse), a abominação da desolação

Um detalhe, a abominação da desolação não foi colocada no templo, pois Tito o destruiu totalmente, não deixando pedra sobre pedra. A abominação da desolação é a presença do Anticristo no Templo. No entanto, se acreditam mesmo que esse abominável foi Nero César, devem explicar porque, pois o imperador romano nunca esteve em Jerusalém!

Além disso, outras coisas ocorrem:

– Espanto diante das nações

– Terremotos em diversos lugares e sinais no céu

Por quê? Bem, porque o aviso diz,

“Em verdade vos digo que esta geração de modo algum passará até que todas essas coisas aconteçam.”

Mas, de que “geração” Jesus está falando?  Jesus dizia também que a nação de Israel jamais pereceria. Obviamente Jesus também estava olhando para o futuro e falando da geração de pessoas que vão estar vivas durante os eventos que Ele descreveu sobre o período da Tribulação em Mateus capítulo 24.

Observe o versículo imediatamente anterior a este, v. 33. Jesus disse “… Igualmente, quando virdes todas estas coisas, sabei que ele está próximo, às portas. Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas estas coisas aconteçam”. Que coisas? Coisas como, a abominação da desolação (v.15), o tempo da grande tribulação (v. 21), o sol e a lua se escurecerem (v. 29), angustia das nações…

Agora observem o detalhe no verso “… quando virdes todas estas coisas, sabei que ele [Jesus] está próximo, às portas…”. Jesus estava próximo às portas de quem, de Jerusalém em 70 dC? Não! É óbvio que as referências contextuais falavam de Sua segunda vinda ao mundo, e que as mudanças na atmosfera, como também os sinais e tribulações descritos no texto falam sobre o que ocorrerá imediatamente antes dessa vinda.

Esta geração (a geração da Tribulação) presenciara sinais diversos, como relatados em Mateus 24. Ela não passará sem ver também a vinda do Filho do Homem (mencionado no v. 30). Essas “coisas” que indicam que Jesus está próximo, “mesmo à porta”, assim como a figueira brotando [v.32] indicam que o verão, a época da colheita, estará próxima.

Estes versos serão de grande incentivo para o povo judeu e outros que chegarem à fé em Cristo durante a tribulação. Será um incentivo para que eles saibam que estas coisas no tempo da Grande Tribulação não durarão para sempre.

Não vai ser o fim. Jesus vai voltar e olhar os seus…

Mateus 24:31

“E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus”.

Sabemos que a “geração” a qual Jesus estava falando no versículo 34 não poderia ter sido somente a geração que viveu na época do seu discurso, porque aquela geração nunca viu “todas” aquelas coisas que precedem a Sua segunda vinda.

Um bom exemplo disso está   no próprio capítulo de Mateus, em 24:22, “se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne seria salva.” Essa referência, “toda a carne”, não se aplica aos judeus de 70 dC, ou, que quase todos os judeus corriam risco de extinção em 70 dC. Não significa que “toda a carne”, os judeus na Babilônia, em Alexandria, no Egito, e em muitas outras áreas do mundo fora de Jerusalém, estavam em risco de extermínio.

Esse versículo continua a dizer-nos que “por causa dos eleitos (que no NT sempre se refere à Igreja) os dias serão abreviados.” Certamente, a Igreja não estava em perigo de extinção na época. Assim, os dias que Jesus disse que seriam encurtados não poderiam ter sido os dias sobre o cerco de Jerusalém em 70 dC; o foco de Jesus em Mateus era sobre o final desta época. Portanto, “esta geração”, no versículo 34 de Mateus 24, não pode significar o que ensinam os preteristas.

Um exemplo de que essa teoria de “longe e perto” – algo acontecendo perto da destruição de Jerusalém ou longe dela – pode ser interpretada de maneira errada, está nas palavras de Jesus a Caifás sobre sua vinda:

Marcos 14:62 E Jesus disse-lhe: Eu o sou, e vereis o Filho do homem assentado à direita do poder de Deus, e vindo sobre as nuvens do céu.

O que Jesus queria dizer aí é que Caifás o contemplaria vindo sobre as nuvens com grande glória? NÃO! Certamente Caifás não viu a vinda de Jesus em sua época. Jesus dizia que a geração de Judeus, que na ocasião da sua segunda vinda representaria todos que ali estavam, veriam vindo sobre as nuvens. A mesma explicação “perto-longe” também se aplica a esse texto aqui. Caifás era apenas um tipo de sacerdote anticristão da alta produção final, o fim dos tempos. “Caifás” vai ver a vinda de Jesus em poder e grande glória.