Contradições do Preterismo IX

Vamos ver quais são os “passos da lógica” preterista usados para tornar sua suposição sólida; a suposição de que tudo cumpriu-se em 70 dC.

Passo 1: Eles mostram o quão significativa foi a destruição de Jerusalém.

Passo 2: Eles lhe dizem que este evento em particular foi a conclusão do plano redentor de Deus.

Passo 3: Eles dizem que aconteceu, mas você deve ter óculos especiais para ver os momentos mágicos que envolvem os efeitos salvíficos de 70 dC.

Essa suposição é a base de suas mentiras e distorções das Escrituras. Se você não consegue “ver” que tudo ocorreu com a destruição de Jerusalém, então você simplesmente não tem uma fé grande o suficiente ou ainda está vivendo em seu homem terreno, ou simplesmente não é capaz de ter a visão celestial “preterista” do alto. É assim que o Hiperpreterismo reinventa o significado da fé. Eles falam sobre o cumprimento não ser físico; é sobre as coisas espirituais, e dizem que o cumprimento ocorreu em 70 dC, e tornam como cumprimento invisível, já ocorridos, fatos cruciais que envolvem a fé de bilhões de cristãos, como o Arrebatamento da Igreja, a Ressurreição dos Mortos, o Julgamento dos Ímpios e o Reino Milenar. Eles dizem que o cumprimento histórico de tudo isso ocorreu espiritualmente dentro do contexto do tempo.

Esta é uma forma muito comum de engano, característica principal do Preterismo Completo. A linha de lógica usada para conectar a destruição de Jerusalém em 70 dC à finalidade do plano redentor de Deus é bastante absurda.

A redenção não está no sangue de judeus assassinados por furiosos soldados pagãos e na queda de casas e edifícios, ou no incêndio de um Templo, mas é de natureza pessoal. Em outras palavras: o mundo não mudou magicamente como resultado de 70 dC. A verdadeira linha dispensacionalista é da mudança do natural para o eterno em Cristo, não a mudança de um ano civil para o outro.

Na verdade, as mesmas coisas que os preteristas descrevem como “sinais” no velho mundo ainda acontecem hoje. Coisas como engano, guerras e rumores de guerras, nação contra nação, reino contra reino, fomes, pestes e terremotos em diferentes lugares ainda estão aqui.

Nada foi feito por você ou por mim em 70 dC!

Se alguém falha em ver 70 dC como significativo, não se preocupe, pois este não é um requisito para encontrar a redenção.

Desfrute das Contradições do Preterismo…

1) A Geração dos Preteristas

Após citar a constituição do Preterismo (“Em verdade vos digo que não passará esta geração sem que todas essas coisas se cumpram“), Jesus disse o seguinte: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras jamais passarão“.

Isso significa que ele não falava de uma geração de contemporâneos seus. Ou seja, um tempo de 40 anos. E pior ainda para o Preterismo é que, depois de profetizar inúmeros eventos (Mateus 24:3-34), e dentre estes vários de ordem catastrófica, Jesus prova que falou sobre o fim de nossa era quando confirma que suas palavras (proféticas) não passarão, embora o tempo corra (os céus e a terra passarão).

Vemos a justaposição do céu e da terra passando, mas não as palavras de Jesus. Ele fala sobre o oposto de um suposto senso de imediatismo, o imediatismo preterista da geração que veria todas as coisas.

Jesus está dizendo: “mesmo que todos esses eventos não sejam vistos por esta geração (já que ele não sabia quanto tempo isso poderia durar), e que mesmo que o céu e a terra passassem, suas palavras ainda se cumpririam”. Por isso as profecias mais severas são para os tempos do fim.

A sentença, “os céus e a terra passarão, mas minhas palavras vão além“, não parecem as palavras de alguém que estava certo sobre um cumprimento relativamente rápido das profecias baseado apenas no verso anterior.

O problema poderia ser solucionado se buscassemos outras alternativas de tradução para Mateus 24:34; o versículo foi mau traduzido.

Devemos considerar também que Jesus estava numa elevação com os discípulos. Ele tinha a visão do templo diante de si. Neste cenário, podemos parafrasear suas palavras da seguinte forma : “Vocês estão vendo essa geração de incrédulos? Eles permanecerão nessa dureza de coração até o fim dos tempos“. A versão inglesa GOD’S WORD está bem próxima disso: “Posso garantir esta verdade: esta geração não irá desaparecer até que todas essas coisas aconteçam“.

Agora leia novamente a versão tradicional pela NVI e veja a semelhança: “Em verdade vos digo, esta geração certamente não passará até que todas essas coisas aconteçam“.

Jesus estava fazendo referência a alguém próximo da cena , a mesma geração que ele vinha falando desde o capítulo 13 de Mateus: os incrédulos Judeus.

Confira: “Mas ele lhes respondeu: Uma geração má e adúltera pede um sinal; e nenhum sinal se lhe dará, senão o do profeta Jonas” Mateus 12:39.

Os ninivitas se levantarão no juízo com esta geração, e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui quem é maior do que Jonas” Mateus 12:41.

Qual geração será condenada? Não pode ser a de 70 dC, pois muitos cristãos viveram naquele tempo. Observe que a rainha do sul, apesar de se levantar contra ESTA geração, não se levantará no juízo contra os cristãos, mas sim contra os incrédulos judeus:
A rainha do sul se levantará no juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui quem é maior do que Salomão” Mateus 12:42.

Jesus não falava dos seus contemporâneos em Mateus 24:34, mas de uma geração separada dos cristãos. Veja como ele faz distinção entre os dois grupos: “Porquanto, qualquer que, entre esta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e das minhas palavras, também dele se envergonhará o Filho do homem quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos” Marcos 8:38.

Essa é a geração vista aqui: “Em verdade vos digo, esta geração certamente não passará até que todas essas coisas aconteçam” (Mat 24:34).

Como nós sabemos que nem “todas as coisas” citadas entre os versos 3 ao 34 se cumpriram em 70 dC, então, Jesus não falava de uma geração de contemporâneos seus.

2) Quem são os mortos vindos da destruição (grande tribulação) de Jerusalém?

Para o Preterismo, a Grande Tribulação aconteceu na destruição de Jerusalém; de acordo com eles foi um fato singular e jamais ocorrerá novamente. Em suma: não haverá mais Grande Tribulação!

O Preterismo também ensina que o Apocalipse já teve cumprimento; eles alegam que as profecias narradas no Livro tratam da guerra entre Jerusalém e Roma. Um destes textos diz: “E um dos anciãos me falou, dizendo: Estes que estão vestidos de vestes brancas, quem são, e de onde vieram? E eu disse-lhe: Senhor, tu sabes. E ele disse-me: Estes são os que vieram da grande tribulação, e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (Apocalipse 7:13,14). Eles são a multidão vista no verso nove do mesmo capítulo: “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos”. E são cristãos, pois o texto anterior diz que eles “lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro” (v 14). Portanto, eles não podem fazer parte dos judeus rebeldes que foram mortos na cidade em 70 dC.

Conseguiram visualizar o enorme problema que o Preterismo terá que enfrentar? Esse problema não é pequeno, pois nenhum cristão morreu na invasão de Jerusalém em 70 dC.

De acordo com o estudioso da Bíblia Adam Clarke, Epifânio atestou a fuga cristã de Jerusalém. Ele escreveu : “É muito notável que nenhum cristão tenha morrido na destruição de Jerusalém, embora houvesse muitos lá quando Caio Céstio investiu contra a cidade; E, se tivesse perseverado no cerco, logo teria se tornado senhor dele; Mas, quando ele inesperada e inexplicavelmente levantou o cerco, os cristãos aproveitaram a oportunidade para escapar

… [Enquanto] Vespasiano se aproximava com seu exército, todos os que creram em Cristo deixaram Jerusalém e fugiram para Pella, e outros lugares além do rio Jordão; E assim todos eles escaparam maravilhosamente do naufrágio geral de seu país: nenhum deles morreu” (O Novo Testamento – Comentário e Notas Críticas, 6 vols. Nashville: Abingdon Press, pp, 228-29).

Eusébio também atesta: “O povo da igreja de Jerusalém, por seguir um oráculo enviado por revelação aos notáveis do lugar, receberam a ordem de mudar de cidade antes da guerra e habitar certa cidade da Peréia chamada Pella … a partir deste momento – como se todos os homens santos tivessem abandonado por completo a própria metrópole real dos judeus e toda a região da Judeia – a justiça divina alcançou os judeus pelas iniquidades que cometeram contra Cristo e seus apóstolos, e apagou dentre os homens toda aquela geracão de ímpios”. (História Eclesiástica, tr. C. F. Cruse, 3a ed. em historiadores eclesiásticos gregos, 6 vols. Londres: Samuel Bagster and Sons, 1842, p. 110).

Pella não deve ter sido o único destino dos cristãos em fuga, mas era o mais proeminente na época. O êxodo para Pella ocorreu em 66 dC durante o ataque de Céstio.

Quatro anos depois veio a queda de Jerusalém. Tito sitiou a capital e seus aríetes derrubaram as grandes muralhas. Os judeus, que já estavam sofrendo saques, pestes e fome entre si, foram presas fáceis para o fogo e as espadas da Décima Legião Romana.

Portanto, os preteristas precisam identificar com urgência quem são estes cristãos vindos da Grande Tribulação, que eles dizem ter ocorrido na Jerusalém de 70 dC. Se não conseguirem, então que se rendam totalmente ao argumento futurista de que haverá uma Grande Tribulação para ocorrer no fim dos tempos.

3) Quando Jerusalém vai ser defendida?

Enquanto os preteristas afirmam que Jerusalém foi atacada e destruída para nunca mais se erguer (eles usam Apocalipse 18:1,2), Zacarias 12: 9 afirma que Jerusalém será defendida por Deus (“Naquele dia me empenharei em destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém”); compare com Apocalipse 19:19-21 e 20:7-10 – uma dessas duas profecias é o cumprimento da citação de Zacarias acima. A primeira referência de Apocalipse parece ser a melhor opção. Além disso, diz-se que os habitantes de Jerusalém se arrependem e lamentam a morte de Cristo na Sua segunda vinda (Mat 23:39).

Não se desesperem com isso preteristas!

Esta descrição do Novo Testamento do retorno de Jesus Cristo se encaixa com a revelação do Antigo Testamento do tempo do fim quando todas as nações cercarão Jerusalém para destruí-la, mas o Senhor intervirá pessoalmente levando à vindicação e salvação de Jerusalém, preparando o cenário para inaugurar o reino milenar sobre a terra, conforme Zacarias 12:1-9.

Observe caro amigo leitor, se isso é uma descrição do que aconteceu com a Jerusalém de 70 dC: “A palavra do Senhor acerca de Israel: Fala o Senhor, o que estendeu o céu, e que lançou os alicerces da terra e que formou o espírito do homem dentro dele.

Eis que eu farei de Jerusalém um copo de atordoamento para todos os povos em redor, e também para Judá, durante o cerco contra Jerusalém.

Naquele dia farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos; todos os que a erguerem, serão gravemente feridos.

E ajuntar-se-ão contra ela todas as nações da terra. Naquele dia, diz o Senhor, ferirei de espanto a todos os cavalos, e de loucura os que montam neles.

Mas sobre a casa de Judá abrirei os meus olhos, e ferirei de cegueira todos os cavalos dos povos.

Então os chefes de Judá dirão no seu coração: Os habitantes de Jerusalém são a minha força no Senhor dos exércitos, seu Deus.

Naquele dia porei os chefes de Judá como um braseiro ardente no meio de lenha, e como um facho entre gavelas; e eles devorarão à direita e à esquerda a todos os povos em redor; e Jerusalém será habitada outra vez no seu próprio lugar, mesmo em Jerusalém.

Também o Senhor salvará primeiro as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos habitantes de Jerusalém não se engrandeçam sobre Judá.

Naquele dia o Senhor defenderá os habitantes de Jerusalém, de sorte que o mais fraco dentre eles naquele dia será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do Senhor diante deles.

E naquele dia, tratarei de destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém“.

Tudo isso parece bastante claro: em algum momento no futuro, correspondendo à segunda vinda de Cristo, Jerusalém será defendida e vindicada por Deus. Este último ponto é de particular importância – ela não será destruída e seus habitantes dispersos como foi o caso da Jerusalém de 70 dC, quando os judeus “para todas as nações foram levados cativos e Jerusalém continua sendo pisada pelos gentios até que os tempos destes se completem” (cf. Lucas 21:24 ).

Por mais claro que isso possa parecer, há aqueles que cometem o erro de fundir a destruição de Jerusalém em 70 dC e a vindicação de Jerusalém na segunda vinda de Cristo em um único evento histórico alegando que a maioria das passagens que descrevem essa vinda já foi cumprida na destruição da cidade por Roma em 70 dC. Esses são os preteristas que levam a sério a tentativa de convencer a igreja de que as coisas que ainda esperamos já aconteceram e ficaram para trás no passado.

Uma conexão clara é estabelecida entre Lucas 21:24 que fala da era atual de “os tempos dos gentios” sendo cumpridos e chegando ao fim e Romanos 11:25 que fala da “plenitude dos gentios tendo “entrado”. Ambas as passagens falam da redenção de Israel (Lucas 21:28; Romanos 11: 26-27 ). Quando consideramos que o padrão do Antigo Testamento que diz que Israel passará pela tribulação, se arrependerá no final quando reconhecerem Jesus como o Messias, experimentarão a conversão e então a segunda vinda ocorrerá para resgatá-los de seus inimigos, segue-se que “Todo o Israel será salvo” ( Romanos 11:26 ) em conexão com a tribulação. Este é exatamente o padrão de Lucas 21: 25-28. Apenas uma interpretação futurista faz justiça a uma harmonização dessas passagens que estão claramente conectadas.

Somente um milagre de grandes proporções pode converter uma nação inteira. Essa confissão precisa ocorrer em conjunto; todas as vozes clamando ao mesmo tempo: “Bendito aquele que vem em nome do senhor“. Isso só poderia ser dito após um grande livramento. Compare com Apocalipse 19:19-21 onde podemos ver a Vinda de Jesus e o que acontece a seguir. Quem sabe se esse será o momento que uma nação inteira olha para cima?

4) “… lhes sobrevirá repentina destruição – sobre quem?

Mas, irmãos, acerca dos tempos e das épocas não necessitais de que se vos escreva: porque vós mesmos sabeis perfeitamente que o dia do Senhor virá como vem o ladrão de noite;

pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança! então lhes sobrevirá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida; e de modo nenhum escaparão.

Mas vós, irmãos, não estais em trevas, para que aquele dia, como ladrão, vos surpreenda” (1 Tessalonicenses 5:1-4).

Aquele dia, segundo o Preterismo, foi 70 dC. No entanto, vários questionamentos emergem aqui, e são pertinentes: de que maneira a igreja em Tessalônica poderia ser surpreendida pelos efeitos da guerra entre Jerusalém e Roma? E sobre quem veio a repentina destruição?

O que significa a expressão, aquele dia? Foi o dia do cerco romano em 66 dC ou o dia que os romanos ultrapassaram as muralhas? Teria sido o dia da invasão do Templo ou a vinda do Senhor que ninguém viu?

Paulo disse aos Tessalonicenses que tivessem cuidado para que aquele dia não os surpreendesse! Faça um rastreamento de 66 até 70 dC e tente descobrir o que poderia atingir os crentes da Igreja de Tessalônica que viviam distantes (900 milhas por terra e 800 milhas pelo mar mediterrâneo) da área da batalha entre Jerusalém e Roma.

Os habitantes de Jerusalém, totalmente sitiada desde 66 dC, não falavam em paz e segurança. Como conciliar a expectativa de destruição em massa que cercou os judeus de 66 a 70 dC com as palavras de Paulo que sugerem um ataque que veio repentinamente, “pois quando estiverem dizendo: Paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição?”. De fato, a chegada de soldados a pé, ou a cavalo, não é tão repentina. Além disso, houve um longo período de guerra e o conflito não foi resolvido instantâneamente. Jerusalém foi mantida em cerco por um longo tempo antes que os romanos finalmente conseguissem furar o bloqueio e entrar na cidade.

Esse é o prêmio dos Preteristas, que ainda se atrevem a ver o texto acima da seguinte forma: “pois quando [os Judeus] estiverem dizendo, paz e segurança, então lhes sobrevirá repentina destruição”.

5) “Se aqueles dias (em 70 dC) não fossem abreviados…”

Mateus 24:21,22 : “Porque então haverá uma grande tribulação, como nunca aconteceu desde o princípio do mundo até agora, nem nunca acontecerá. E, se aqueles dias não tivessem sido abreviados, nenhuma carne seria salva. Mas, por causa dos eleitos, aquele tempo será encurtado“.

Os preteristas dizem que este terrível tempo de tribulação se cumpriu em 70 dC. No entanto, a tribulação mencionada em Mateus 24:21 é explicada mais adiante no versículo 22. “E se aqueles dias não tivessem sido abreviados, nenhuma carne seria salva; mas por causa dos eleitos, esses dias serão abreviados”.

Este versículo deve ser considerado junto com o versículo 21. Além disso, precisamos considerar também o significado de “carne” na cláusula, “nenhuma carne teria sido salva”

DeMar, um dos muitos teólogos do Preterismo, explica isso como se referindo “à vida/carne na terra de Israel”. No entanto, o substantivo traduzido como “carne” é sarx. Deve-se notar que a construção grega para sarx, ou toda carne, é um termo técnico que se refere a toda a humanidade.

A seguir estão todas as ocorrências de “toda carne” no texto grego do Novo Testamento: Mateus 24:22; Marcos 13:20; Lucas 3: 6; João 17: 2; Atos 2:17; Romanos 3:20; 1 Coríntios 1:29; 15:39; Gálatas 2:16; 1 Pedro 1:24. Em todos os casos, exceto 1 Coríntios 15:39, a expressão descreve todos os humanos. Na passagem, Paulo está discutindo a natureza do corpo ressuscitado: “Nem toda carne é a mesma carne, mas há uma carne de homens e outra de animais… ”.

Aqui ele está usando em um sentido ainda mais amplo – toda a vida humana e animal. Esta construção hebraica significa “todas as criaturas vivas”, especialmente todos os homens; toda a raça humana. Portanto, interpretar “toda carne” em Mateus 24:22 e Marcos 13:20 como se referindo aos judeus que viviam na Judeia em 70 dC é muito limitante. “Toda carne” descreve toda a humanidade. Em outras palavras, a tribulação descrita em Mateus 24:21 tem proporções tão grandes que a vida humana corre perigo no planeta Terra. Isso não poderia ser dito para 70 dC. Devemos olhar além da destruição passada de Jerusalém.

Somente em meados do século XX os homens inventaram uma maneira de erradicar a vida do planeta. Portanto, a chave para entender o tempo está lá no versículo 22; essas coisas não poderiam acontecer (se cumprir) até que a humanidade fosse capaz de inventar a tecnologia de destruir todo o planeta, o que foi feito na década de 1940.

Agora temos o que é conhecido como “destruição em massa mutuamente garantida”. Mesmo que tenhamos nos livrado de muitas armas, ainda existem tantas por aí que, se houvesse uma guerra nuclear entre as maiores potências mundiais, isso devastaria a Terra. E, além de tudo isso, temos armas biológicas, armas químicas e armas genéticas; se entrarmos nesse tipo de luta poderíamos matar tudo no planeta. E se Deus não interviesse, toda a carne seria destruída.

Portanto, qualquer tribulação que tenha ocorrido antes do tempo presente, incluindo a destruição de Jerusalém em 70 dC, o Holocausto, e todo o resto, não se qualifica como a Grande Tribulação a que Jesus se refere. A Grande Tribulação ainda está no futuro – somente agora pode acontecer. Assim, a geração da possível extinção humana não é aquela de 70 dC.

6) “Bendito o que vem em nome do Senhor

Mateus 23:39 diz: “Pois eu vos digo que, de agora em diante, não Me vereis mais até que digais: BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR!”

Se a segunda vinda de Cristo foi a destruição de Jerusalém, usando os romanos como seu instrumento, que motivação os judeus em Jerusalém teriam para fazer essa declaração durante o cerco e a destruição da cidade?

Você pode imaginar os judeus de Jerusalém gritando: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” a Tito e os soldados romanos enquanto destruíam Jerusalém, queimavam o templo, os matavam e carregavam os sobreviventes como escravos?

Não! Aqui Jesus está predizendo um tempo em que os habitantes de Jerusalém O aceitarão como o Messias.

Outras Escrituras predizem um tempo em que todo o Israel será salvo

Passagens relacionadas:

Zacarias 12:10,11 “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para Ele, a quem traspassaram; e prantearão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.

Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom no vale de Megido”.

Isaías 45:17,25 “Israel, porém, será salvo pelo Senhor com salvação eterna; não sereis envergonhados, nem confundidos em toda a eternidade. Mas no Senhor será justificada toda a descendência de Israel e nele se gloriará”.

Romanos 11:26 “E assim todo o Israel será salvo; como está escrito: Virá de Sião o Libertador, e desviará de Jacó a sua impiedade”.

O contexto em discussão aqui ajuda a explicar a desolação da casa de Israel no versículo 38. De alguma forma, o abandono da casa de Israel está relacionado à ausência do Senhor Jesus. Os preteristas concordariam com essa afirmação. O problema para os preteristas é a última metade do versículo: “Não me vereis mais, até que digam: Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”

Eles só veriam o Senhor até que Israel fizesse o grande pronunciamento do Salmo 118: 26, a mesma exclamação que as multidões que vieram a Jerusalém com Cristo haviam feito na chamada “Entrada Triunfal” em Mateus 21: 9, “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas maiores alturas!”

O clamor de Israel (“Bendito aquele que vem em nome do Senhor!”) exige uma manifestação visível do Senhor, o que não ocorreu na destruição de Jerusalém.

Além disso, e mais significativamente, Mateus 23:39 antecipa o arrependimento de Israel. Os preteristas concordam com os dispensacionalistas que a segunda pessoa do plural, vós, neste contexto, olha para Israel. Embora o versículo 38 se refira à destruição de Jerusalém em 70 dC, não pode ser o mesmo evento do versículo 39. Os judeus dificilmente chamariam a horrível dizimação da vida naquele cataclísmico evento uma abençoada vinda do Messias. Em vez disso, o versículo 39 descreve o futuro arrependimento de Israel quando, como Zacarias 12:10 diz, eles lamentarão por seu grande pecado. Os israelitas verão seu Messias quando declararem, por Sua graça soberana: “Bendito o que vem em nome do Senhor”. O Senhor virá de Sião, removerá de Jacó a impiedade” (Romanos 11:26).

Isso se torna importante porque fica evidente que o arrependimento de Israel precede Sua vinda. Certamente não houve arrependimento da parte de Israel antes de 70 dC.

O ponto do Senhor é óbvio: Israel rejeitou seu Messias; portanto, o julgamento estava por vir; Israel ficaria sem a presença de seu Messias desde então até que receberia o Senhor Jesus novamente. Quando Israel se arrepender, o reino virá; isso é o que a Escritura está dizendo aqui.

O Senhor Jesus disse que Israel não o veria novamente até que aquela nação afirmasse que Ele era o Messias. Este então olharia para Seu retorno com alegria e bênçãos para Israel. A próxima visão do Senhor Jesus em Mateus 23:39 dificilmente pode ser o que os preteristas afirmam quando dizem que Israel viu Cristo no Julgamento de 70 dC.

7) Renunciar as paixões mundanas até 70 dC!

Paulo nos exorta em Tito 2 a viver de maneira sóbria, justa e piedosa neste mundo presente, enquanto aguardamos a vinda do Senhor.

O contexto de Tito 2 e 3 é a sã doutrina, e a sã doutrina é revelada para nos ensinar como vivemos neste mundo decaído.

Paulo expõe, ao longo dos capítulos 2 e 3 de Tito, exatamente isso. Para ser breve, citarei apenas Tito 2: 11-15: “Porque a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos,

para que, renunciando à impiedade e às paixões mundanas, vivamos no presente mundo sóbria, e justa, e piamente,

aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do nosso Deus e do Salvador Cristo Jesus,

que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras.

Fala estas coisas, exorta e repreende com toda autoridade. Ninguém te despreze“.

Observe que Paulo diz a Tito “para falar, exortar e repreender com toda autoridade” em relação a viver piedosamente e negar a luxúria deste mundo presente enquanto buscamos a bendita esperança e gloriosa aparição de Jesus Cristo.

Se estamos agora na nova terra, como afirma o hiperpreterista, então porque essa nova terra continua cheia de luxúria mundana? Além disso, o Preterismo alega que a “bendita esperança e gloriosa aparição de Jesus Cristo” ocorreu em 70 dC. O problema é que Paulo diz para o cristão “renunciar à impiedade e às paixões mundanas aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento de Jesus Cristo”.

Jesus voltou em 70 dC, afirma o Preterismo. Porém, as paixões mundanas não tiveram fim.

Qual a palavra para os cristãos depois da destruição de Jerusalém? Será que é um erro ensinar os crentes a se absterem da luxúria mundana e a viver piedosamente neste mundo presente enquanto buscamos a bendita esperança e o glorioso retorno de nosso Senhor Jesus Cristo? Ora, Se o cristão renunciar as paixões mundanas, ele deve aguardar o que, e quem, se Jesus já veio?

Em todo o Novo Testamento, viver piedosamente no mundo presente é uma parte importante da escatologia de “aguardar a vinda do Senhor” (Filipenses 1:10; 2 Pedro 3: 11-14; 1 João 2:28; 3:3; 1 Coríntios 1: 6-8; 1 Coríntios 3: 11-15; 2 Tessalonicenses 3: 12-13; 1 Tessalonicenses 5:23). E essa ordem das coisas não perdeu sua validade cumprindo-se antes de 70 dC!

Por exemplo, considere o que Paulo escreveu para os Colossenses:

Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória.

Exterminai, pois, as vossas inclinações carnais; a prostituição, a impureza, a paixão, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria;

pelas quais coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” (Colossenses 3:2-6).

Na nova terra plena do Preterismo, as luxúrias da carne continuam a correr soltas. Fundamentalmente, não há absolutamente nenhuma diferença na velha e na nova terra do preterista completo.

Considere também o seguinte do apóstolo João:

E agora, filhinhos, permanecei nele; para que, quando ele se manifestar, tenhamos confiança, e não fiquemos confundidos diante dele na sua vinda. Se sabeis que ele é justo, sabeis que todo aquele que pratica a justiça é nascido dele.

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos. E todo o que nele tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como ele é puro” (1João 2:28,29; 3:2,3).

Quando vimos Jesus como Ele é? Quando nós fomos transformados na sua imagem? Nem mesmo os cristãos de 70 dC o viram como Ele é porque os preteristas dizem que a vinda foi invisível. Além disso, como a Igreja fugiu de Jerusalém antes da guerra, tornou-se mesmo impossível qualquer contato com essa vinda preterista de 70 dC.

Se Cristo veio e estamos verdadeiramente vivendo no tempo prometido de novos céus e nova terra, todas as coisas seriam verdadeiramente novas. Pelo contrário, estamos atualmente vivendo em um mundo cheio de tristeza, dor e morte.

Vivemos em um mundo com cartéis de drogas, motins, gangues de rua, governos corruptos e crime organizado. Porém, isso vai acabar, pois a Escritura diz que quando Ele vier, Ele derrubará todo governo e autoridade e governará as nações com vara de ferro.

Nesse mundo existem pessoas sem teto, destroçadas e oprimidas. Existem famílias e relacionamentos desfeitos. As pessoas estão sofrendo de todos os tipos de doenças e enfermidades. Existe medo, terror e guerras. Vivemos em um mundo com desastres naturais como terremotos, tornados, furacões, inundações, secas, etc.

Efetivamente, não há distinção entre a velha e a nova terra na teologia do Preterismo Radical. No entanto, na Bíblia existe: “E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará de seus olhos toda lágrima; e não haverá mais morte, nem haverá mais pranto, nem lamento, nem dor” (Apocalipse 21:3,4).

8) “Até que o tempo dos gentios se cumpram

Mas, quando virdes Jerusalém cercada de exércitos, sabei então que é chegada a sua desolação.

Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade, saiam; e os que estiverem nos campos não entrem nela.

Porque dias de vingança são estes, para que se cumpram todas as coisas que estão escritas.

Ai das que estiverem grávidas, e das que amamentarem naqueles dias! porque haverá grande angústia sobre a terra, e ira contra este povo.

E cairão ao fio da espada, e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se completem” (Lucas 21:20-24).

Alguns versículos depois, Jesus diz: “Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo isso se cumpra” (Lucas 21:32).

Pergunte-se: o tempo dos gentios cumpriu-se antes de 70 dC? Encontre a resposta nos argumentos apresentados neste tópico.

John Gill descreve para nós o quão precisamente as palavras de Jesus registradas aqui em Lucas foram cumpridas: “Pelo fio da espada, um milhão e cem mil foram mortos; noventa e sete mil foram levados para o cativeiro. Jerusalém foi pisada, desolada e oprimida. Isso foi feito sucessivamente pelos romanos, sarracenos, mamulucos, francos e pelos turcos, que continuam a exercer domínio sobre Jerusalém.

“Os romanos araram a cidade e o templo, e os nivelaram com o solo, que desde então tem sido habitado por pessoas que não são judeus, como turcos e papistas: e assim será, até que os tempos dos gentios sejam cumpridos; isto é, até que a plenitude dos gentios seja introduzida; até que o Evangelho seja pregado em todo o mundo, e todos os eleitos de Deus sejam reunidos de todas as nações; e então os judeus serão convertidos e voltarão para sua própria terra e reconstruirão e habitarão em Jerusalém; mas até aquele momento, será como tem sido: Jerusalém continua sendo “possuída” por gentios“. Gill, John. “Commentary on Luke 21:24“.

A Judéia foi tão completamente subjugada que a própria terra foi vendida por Vespasiano; os gentios a possuíam, enquanto os judeus foram quase todos mortos ou levados para o cativeiro“, “CLARKE, Adam – Comentário sobre Lucas 21:24“.

Pisada pelos gentios significa ocupada pelos gentios. Eles não pisaram na cidade durante o cerco, nem enquanto a devastavam, mas enquanto a ocupavam por mais de dezenove séculos.

Os tempos dos gentios é aqui denominado como o período de tempo durante o qual a Cidade Santa estaria sujeita ao domínio gentio; é muito mais fácil para os cristãos agora saberem o que isso significa do que para os apóstolos que primeiro ouviram estas palavras. O registro histórico desse período se espalha nas crônicas de quase dois milênios.

O intervalo entre a queda de Jerusalém e o fim dos tempos é chamado de “os tempos dos gentios”, durante o qual o Evangelho é anunciado aos gentios e a vinha é dada a outros que não os judeus (Lucas 20:16 ; 13: 29,30)” – Coffman, James Burton. “Comentário sobre Lucas 21:24”. “Comentários Coffman sobre a Bíblia“. Abilene Christian University Press, Abilene, Texas, EUA. 1983-1999.

Os preteristas completos ensinam que a frase “para que todas as coisas que estão escritas se cumpram” significa que todas as Escrituras foram cumpridas em 70 dC. No entanto, como isso poderia ser possível, quando no versículo 24 Jesus diz: “e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se cumpram?”

No entanto, o grande impasse está em localizar a constituição do Preterismo sete versículos após está declaração de Jesus citada acima: “Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo isso se cumpra” (Lucas 21:32).

Na verdade, os tempos dos gentios estão em andamento; os tempos durante os quais Deus determinou que eles pisoteassem Jerusalém: “e Jerusalém será pisada pelos gentios”.

UM FATO MUITO SURPREENDENTE

“… após mais de dezenove séculos de domínio gentio sobre Jerusalém, durante os quais os romanos, os sarracenos, os francos, os mamelucos, os turcos e os britânicos, por sua vez, detinham autoridade sobre Jerusalém, a cidade é hoje controlada por seculares Israelitas.

Se as interpretações que defendemos acima, as mesmas interpretações que estiveram em voga entre os comentaristas cristãos por séculos – forem verdadeiras, então há uma indicação poderosa no estado atual de Jerusalém que sugere a possibilidade terrível, se não a certeza, que “os tempos dos gentios” estão no fim.

A verdade de que os homens não podem prever o futuro e o fato da incerteza em todas as interpretações como as aqui empreendidas excluem qualquer dogmatismo; mas a guerra de seis dias que levantou o jugo gentio de Jerusalém em 1967 está de alguma forma relacionada a esta profecia. As aplicações práticas de suas palavras, que Jesus propôs imediatamente, deveriam agora interessar às pessoas mais do que nunca, para que “aquele dia” não lhes sobrevenha de surpresa” Coffman, James Burton. “Comentário sobre Lucas 21:24“. “Comentários Coffman sobre a Bíblia”. Abilene Christian University Press, Abilene, Texas, EUA. 1983-1999.

Jesus vem breve!

9) O Noivo veio em 70 AD!

Leia com atenção: Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas.

As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.

E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.

Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.

Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos. E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” (Mateus 25:1-13).

A doutrina preterista continua a acumular muitos problemas como resultado de colocar o cumprimento das profecias no tempo da destruição de Jerusalém. Este é outro exemplo de como 70 dC limita a interpretação das Escrituras, pois o preterista acredita que esse foi o tempo que o noivo (Jesus) veio.

Eles também mantêm 70 dC como o HORÁRIO em que ocorreu a festa de casamento. Foi uma época em que os crentes habitariam com Cristo em seu reino. No entanto, em Mateus 25:10, Jesus diz especificamente que em sua Parusia, ele reuniria especificamente aqueles que “estivessem prontos” e somente a eles permitiria a entrada nas festividades de casamento. E, no entanto, depois a porta foi fechada. Aqueles “que não estavam prontos” permaneceriam do lado de fora e não tinham permissão para entrar. Isso também é retratado nos dias de Noé, quando ele e sua família tinham permissão para entrar na Arca, mas aqueles de fora não podiam entrar.

O problema é: se o cumprimento ocorreu em 70 AD, então como entramos e participamos hoje desta festa? Os preteristas desejam as duas coisas. Eles querem dizer que a festa de casamento ocorreu com a destruição de Jerusalém, logo, querem dizer que nós, como cristãos, apesar de termos nascido depois da Parusia em 70 dC, podemos entrar. Esse argumento ignora a questão completamente. Mateus 25:10 diz especificamente que a “porta estava fechada”. Se a porta foi fechada em 70 dC, quando foi reaberta? Dizer que os cristãos continuam a entrar significa que a porta não foi fechada! Então, qual é a solução, preterista? A porta está fechada ou aberta?

Compare Mateus 25:10 (“E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta”) com Lucas 13: 24-25: “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão. Quando o pai de família se levantar e cerrar a porta, e começardes, de fora, a bater à porta, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos; e, respondendo ele, vos disser: Não sei de onde vós sois”.

O mesmo princípio deve ser usado para o contexto de Mateus: A porta foi fechada! Isso entra em flagrante contradição com a proposta preterista, que localiza o cumprimento dessas profecias em 70 dC.

Lucas deixa claro que nossa caminhada permite nossa entrada. O julgamento referido não está falando de eventos naturais ou históricos, mas do que ocorre em nós. É do Espírito, que é o óleo em nossas lâmpadas que nos torna prontos para encontrar nosso Salvador. É o Espírito que nos alimenta, nos vivífica e nos sustenta enquanto estamos em vasos de barro.

Ele vem!

10) Aqueles que o Traspassaram

Em Apocalipse 1:7 está escrito: “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém”.

Os Preteristas não remetem a passagem para a segunda vinda de Cristo no fim dos tempos. Pelo contrário, eles veem isso como uma referência à vinda de Cristo em julgamento sobre Israel. Para chegar a essa conclusão, eles implementam propostas especiais sobre “aqueles que o traspassaram” e “tribos da terra”

Nesse caso, “aqueles que o traspassaram” seriam os judeus, unicamente os judeus. No entanto, se os preteristas não omitissem João 19:31 e Atos 4:27, que envolvem romanos e gentios nesse ato horrível, eles passariam menos vergonha com seus argumentos que determinam que o tema do Livro de Apocalipse é a vinda da ira de Deus contra os judeus. Ao limitar a culpa pela crucificação de Cristo aos judeus, os preteristas excluem do escopo do versículo qualquer referência aos Romanos que eles reconhecem em outros lugares como os principais perseguidores dos cristãos.

Sem avaliar nenhuma outra possibilidade, os preteristas atribuem o significado de “tribo” às tribos da terra de Israel. O problema com essa interpretação, no entanto, é que, se isso se refere a Israel, deveria ser um luto de arrependimento, como em Zacarias, não um luto de desespero – não arrependimento – como o contexto de Apocalipse requer (cf. 9: 20-21; 16: 9, 11, 21).

Leia as passagens:

Apocalipse 9:20,21 “E os outros homens, que não foram mortos por estas pragas, não se arrependeram das obras de suas mãos, para não adorarem os demônios, e os ídolos de ouro, e de prata, e de bronze, e de pedra, e de madeira, que nem podem ver, nem ouvir, nem andar. E não se arrependeram dos seus homicídios, nem das suas feitiçarias, nem da sua prostituição, nem dos seus furtos

Apocalipse 16:9,11,21 “E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para lhe darem glória.

E por causa das suas dores, e por causa das suas chagas, blasfemaram do Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras.

E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento; e os homens blasfemaram de Deus por causa da praga da saraiva; porque a sua praga era mui grande”.

Agora veja Zacarias 12:10 e observe a ênfase no arrependimento: “Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para ele, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito”.

Além disso, se a expressão “tribos da terra” fosse sobre Israel, o sentido deveria ser tomado com referência aos judeus e sua nação apenas, e não estar associado a povos de todas as nações, como vemos no Apocalipse (cf. 5: 9; 7: 9; 11: 9; 13: 7; 14: 6).

Observem os textos

Apocalipse 5:9 “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação

Apocalipse 7:9 “Depois destas coisas olhei, e eis aqui uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas, que estavam diante do trono, e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos

Apocalipse 11:9 “E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulcros

Apocalipse 13:7 “E foi-lhe permitido fazer guerra aos santos, e vencê-los; e deu-se-lhe poder sobre toda a tribo, e língua, e nação

Apocalipse 14:6 “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo”.

A linguagem de Apocalipse 1: 7 é universal e visível. João escreve que “todos os olhos O verão” e “todas as tribos da terra” estarão presentes nesta vinda. Isso se encaixa com o que Cristo diz em outro lugar que sua segunda vinda seria visível – não invisível como argumentam os preteristas (Mt. 24:30; Mc. 13:26; Lc. 21:27).

Na verdade, Jesus argumentou que poderíamos identificar falsos mestres por esse fato. Ele disse: “Se eles te disserem: Eis que Ele está no deserto, não saias, ou Eis que Ele está nos aposentos interiores, não acredites neles. Pois, assim como o relâmpago vem do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será a vinda do Filho do homem”(Mt 24: 26-27).

E isso é exatamente o que fazem os preteristas quando alegam que Jesus já voltou. Compare o jargão deles com as palavras de Jesus:

Preteristas: “Ele já veio!”

Jesus: “… se vós disserem: eis que Ele está no deserto Eis que Ele está nos aposentos interiores, não acrediteis

Em contraste com essas vindas invisíveis ou disfarçadas de Cristo, a verdadeira segunda vinda de Jesus será visível. De fato, os anjos disseram aos discípulos que Jesus voltaria da mesma forma que deixou a Terra: “Homens da Galiléia, por que estais olhando para o céu? Este Jesus, que foi elevado de você ao céu, virá da mesma forma como você o viu ir para o céu”(Atos 1:11). Visto que Jesus partiu visivelmente nas nuvens, devemos esperar que ele retorne visivelmente das nuvens.

Esta é a única maneira de fazer justiça ao escopo mundial do livro, conforme exigido por Apocalipse 3:10, que alguns preteristas parciais admitem se referir a todo o mundo. A sensação de um luto de desespero em todo o mundo é o sentido que Jesus atribui às palavras em seu uso de Apocalipse 1:17.

11) Himeneu, Paulo e uma Geração

Mas evita as conversas vãs e profanas; porque os que delas usam passarão a impiedade ainda maior, e as suas palavras alastrarão como gangrena; entre os quais estão Himeneu e Fileto, que se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição é já passada, e assim pervertem a fé a alguns” (2 Timóteo 2:16-18).

Os preteristas plenos dizem que Himeneu falava antes de 70 dC, então eles não podem ser associados a ele. Porém, mesmo assim, eles afirmam que Paulo estava discutindo sobre o tempo da ressurreição. Eles cometem um erro quando alegam que Paulo também acreditava numa ressurreição espiritual.

Parece que Himeneu ensinava uma ressurreição espiritual, a mesma pregada pelo Preterismo, uma ressurreição coletiva ocorrida em 70 dC, tempo em que todos os cristãos mortos, antes da destruição de Jerusalém, ressuscitaram simbolicamente.

Paulo sabia que os corpos estavam na sepultura, logo, ele tinha certeza que Himeneu estava sugerindo uma ressurreição espiritual. Paulo sabia que, se não houvesse ressurreição física futura, isso perturbaria a fé de outros.

Agora, se Paulo esperava uma ressurreição espiritual para aquela geração, por que ficou tão chateado com Himeneu? Os preteristas dizem que foi sobre o momento e não a natureza da ressurreição, mas esquecem que Paulo escreveu para Timóteo três anos antes da destruição de Jerusalém, em 67 dC

O período de Himeneu para a ressurreição só poderia estar errado, no máximo, em quatro anos (tempo da criação da heresia até a destruição de Jerusalém, quando, segundo o preterismo, haveria a ressurreição dos justos). E Paulo sabia que a ressurreição está conectada com a Parusia (1 Cor 15: 22-23). Isto é, se Paulo soubesse da vinda do Senhor Jesus em três anos, e que os crentes ressuscitariam nessa ocasião (fim dos 40 anos da geração), ele apenas precisaria disciplinar Himeneu de forma branda, simplesmente corrigindo o tempo, e não o entregar a Satanás chamando Himeneu de ímpio e profano associando o efeito da doutrina dele ao câncer.

Esse comportamento de Paulo revela que ele não acreditava numa ressurreição espiritual e nem mesmo na volta do senhor nos próximos três anos. E de fato, se fosse o contrário, ele não iria rotular Himeneu de blasfemador e consigná-lo a Satanás apenas por causa de um curto espaço de tempo.

Se a ressurreição e a Parusia, associada ao dia do julgamento, deveriam mesmo ocorrer em 70 dC, tudo o que Paulo teria que fazer era dizer a Himeneu para ir a Jerusalém e mostrar-lhe que o templo ainda estava de pé (lembre-se de que Jesus disse que nenhuma pedra será deixada em cima de outra do templo), então teria provado seu ponto de vista de que a vinda de Cristo ou a ressurreição ainda não ocorreu, pois o templo que estava associado a ser destruído ainda estava de pé. Isso teria sido refutado com bastante facilidade por Paulo se fosse uma questão de tempo.

12) O Reino de Deus está próximo

Para os preteristas, principalmente os mais radicais, a questão da segunda vinda em 70 dC está claramente resolvida em Lucas 17:20-25, que diz:

Sendo Jesus interrogado pelos fariseus sobre quando viria o reino de Deus, respondeu-lhes:

O reino de Deus não vem com aparência exterior; nem dirão: Ei-lo aqui! ou: Ei-lo ali! pois o reino de Deus está dentro de vós.

Então disse aos discípulos: Dias virão em que desejareis ver um dos dias
do Filho do homem, e não o vereis.

Dir-vos-ão: Ei-lo ali! ou: Ei-lo aqui! não vades, nem os sigais; pois, assim como o relâmpago, fuzilando em uma extremidade do céu, ilumina até a outra extremidade, assim será também o Filho do homem no seu dia.

Mas primeiro é necessário que ele padeça muitas coisas, e que seja rejeitado por esta geração“.

Eles entendem que Jesus veio de forma invisível em 70 dC, e que esse reino está agora dentro de cada um.

O ponto sugerido pelos preteristas é que o reino de Deus não viria de forma exterior, motivo pelo qual ninguém viu. Ou seja, não haverá novo céu e nova terra visíveis na pós vinda de 70 dC. Jesus já veio, dizem eles, mas não veio estabelecer nenhum reino visível e físico aqui. Foi dessa forma que resumiram o contexto de Lucas citado acima. Então, podemos ter paz neste mundo reconhecendo que o reino de Deus está dentro de nós. Certamente o reino de Deus está dentro de cada cristão. O problema é a interpretação preterista que deturpou todo o contexto. Sem contar aqui que eles tornaram invisíveis outros eventos importantíssimos, como o arrebatamento da Igreja, a ressurreição dos mortos, o julgamento de justos e injustos e o Milênio.

Obviamente devemos excluir as insinuações com relação a 70 dC, pois o que aconteceu naquela ocasião foi observável por todos os romanos, império e além.

De acordo com a Bíblia, o reino será eterno, mas não esse que estamos presenciando e vivendo.

Nesse mesmo fôlego, os preteristas interpretam o reino como próximo; o reino que veio em 70 dC. Eles usam Mateus 4:17: “Daí por diante, passou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque está próximo o reino dos céus”.

Quando Jesus diz “o reino está próximo”, Ele não está dizendo que “o reino virá em 40 anos”. Em vez disso, Ele está dizendo que “o reino está ao nosso alcance”. Está ‘próximo’ em oposição a “vir cronologicamente”. Um exemplo disso é Marcos 12:34, onde Jesus disse: “tu não estás longe do reino de Deus“. Ele não quis dizer que a pessoa estava cronologicamente mais perto de 70 dC do que outras.

13) Guardar as palavras da profecia deste livro – só antes de 70 AD

Visão preterista: “O Livro do Apocalipse é um manual de guerra entre Jerusalém e Roma. As profecias contidas no Livro já se cumpriram”.

A abordagem preterista da palavra de Deus é dizer que ninguém, exceto a primeira geração no tempo de Cristo, deve “guardar as palavras da profecia deste livro”. Porém, a revelação é para “aquele que tem ouvidos” em cada geração desde Cristo.

Considerando o aviso no final do livro, a sugestão preterista não é muito boa. Este livro é dirigido às “sete igrejas”. O Apocalipse também é dirigido à igreja completa de Deus ao longo dos últimos dois mil anos.

O livro do Apocalipse é apenas a pedra angular da Palavra de Deus. Não pode ser separado do resto da Bíblia. “O homem deve viver de cada palavra que sai da boca de Deus”, não apenas as palavras do livro do Apocalipse. Mas o livro do Apocalipse deixa claro que este é um livro cujas palavras devem ser guardadas e entendidas.

Uma consideração importante em nosso princípio interpretativo geral com respeito ao livro de Apocalipse é sua relação com o livro de Daniel. Em muitos aspectos, o livro do Apocalipse retoma a história da história profética onde o livro de Daniel parou. Uma leitura atenta de ambos os livros indica que o Apocalipse seguiu seu padrão de abordar a revelação profética de Daniel. Muitas das imagens e muito da linguagem são iguais. O uso das ‘bestas’ é apenas um exemplo.

Outro exemplo é o emprego de números com vários significados. Quando interpretamos o livro do Apocalipse, portanto, devemos sempre nos perguntar que luz o livro de Daniel lança sobre ele. Uma característica notável do livro de Daniel é que deve ser interpretado historicamente, e não de forma preterista ou totalmente futurista. As profecias de Daniel – como sua profecia sobre as quatro bestas – cobriram o longo período da história da época de Daniel até a época do Primeiro Advento de Cristo.

Outra consideração importante em nosso princípio interpretativo geral com relação ao livro de Apocalipse é seu conteúdo interno. Em termos de seu conteúdo interno, sugere um registro de eventos que ocorreriam em um espaço de décadas ou anos – que é o que muitos preteristas propõem – ou também um registro de eventos que provavelmente levará séculos para se desenrolar?

Na verdade, fala das circunstâncias atuais envolvendo as igrejas da época, reis e reinos que surgiram desses reinos, um milênio de mil anos, o que nos direciona para o Segundo Advento de Cristo inaugurando os Novos Céus e Nova Terra. Esses elementos por si só sugerem uma maior extensão do tempo humano para que esses eventos se desdobrem. Em outras palavras, os elementos do Livro do Apocalipse sugerem uma interpretação historicista, e não uma interpretação preterística ou futurística. Eles parecem incluir eventos do período entre a era Apostólica e o Segundo Advento, bem como elementos intermediários.

Pareceria muito estranho se a profecia focalizasse um ou outro fim, a destruição de Jerusalém ou a volta do Senhor no fim dos tempos – ficaria impossível incluir os eventos intermediários, a perseguição sob o império romano e as perseguições subsequentes.

Apocalipse segue o padrão de Daniel, sendo uma profecia que contém suportes separados por um grande intervalo de tempo. Ele inclui eventos para a era Apostólica e o Segundo Advento, bem como para os elementos intermediários e os reinos, que levaram um tempo considerável para cumprimento. Ao escritor foi dito que escrevesse sobre “as coisas que viste, e as que são, e as que hão de acontecer depois destas” (Apocalipse 1:19).

Outras críticas poderiam ser feitas sobre as interpretações preterísticas típicas do Apocalipse. Por exemplo, em Apocalipse 11: 4-13, o assassinato das Testemunhas não pode se referir ao massacre dos judeus rebeldes na Jerusalém literal em 70 dC, porque Apocalipse 11 sugere que estas testemunhas são homens, e são cristãos, pois parece que ascenderam ao céu (Ap 11:12), logo, não podem ser judeus incrédulos. Os cristãos não estavam em Jerusalém no cerco de 70 dC porque fugiram; ao passo que os judaizantes foram os únicos mortos. E ainda há uma questão real de quando o livro do Apocalipse foi escrito, mas toda argumentação da interpretação preterista do Apocalipse depende da teoria de uma data anterior a 70 dC.

14) O Conto das duas Cidades

O Apocalipse se dirige aos leitores que são puxados em duas direções, em direção à fidelidade e infidelidade. Consequentemente, João escreveu o que pode ser chamado de “Conto de Duas Cidades”, porque ele identifica a fidelidade com a cidade santa e a infidelidade com a cidade prostituta. A visão da cidade santa e a visão da mulher retratam a mesma coisa: a situação do povo de Deus na terra, que vive entre poderes que procuram dominá-los e acabar com sua existência como comunidade de fé.

Os contrastes entre a Babilônia e a Cidade de Deus, entre a prostituta e a noiva, procuram alienar os leitores dos poderes que se opõem a Deus, enquanto os conduzem mais firmemente a uma visão da vida com Deus.

Os leitores são chamados para longe da Babilônia (18: 4) e em direção à Nova Jerusalém. Não haverá motivo para a noiva e o noivo se alegrarem na Babilônia (18:23), mas haverá uma celebração na festa de casamento do Cordeiro na cidade de Deus (19: 7,9). Babilônia será uma morada para demônios (18: 2), mas a Nova Jerusalém será a morada de Deus (21: 3). A prostituta pode exibir um esplendor que vem da exploração das pessoas (19: 12-13), mas a noiva manifesta a glória que vem de Deus (21: 11-21). As nações são corrompidas quando procuram acumular riquezas para si mesmas traficando com a prostituta, mas Deus chama as nações para uma visão da cidade nupcial, onde trarão sua glória à presença de Deus e do Cordeiro (21: 24-26).

Babilônia está repleta de impurezas e engano (17: 4-5; 18:23), mas não há nada impuro ou falso na Nova Jerusalém (21:27). A prostituta embriaga as nações com sua idolatria e pecado (17: 2), (18: 3), mas a noiva convida as nações a beberem da água da vida e a serem curadas pelas folhas da árvore da vida (22: 1-5).

Quem morrer e quem viver, verá!

15) Ressuscitados antes de 70 dC!

Toda a teologia do Preterismo Completo permanece ou cai em sua interpretação da ressurreição. Os preteristas completos ensinam que a segunda vinda de Jesus aconteceu em 70 dC. Eles também alegam que a ressurreição dos santos, exposta por Paulo em 1 Coríntios 15, ocorreu naquela época. Eles afirmam que essa ressurreição foi “espiritual” e não física; e quando esta ressurreição espiritual aconteceu, os novos céus e a nova terra passaram a existir. Eles afirmam que os novos céus e a nova terra são a Nova Aliança que foi inaugurada em 70 dC.

É impossível interpretar a visão de Paulo da ressurreição em 1 Coríntios 15 como uma futura ressurreição “espiritual” se você estiver familiarizado com sua teologia em outras partes.

Paulo, que morreu antes da destruição de Jerusalém, ensinou claramente que os crentes já haviam ressuscitado “espiritualmente” dos mortos. Ele acreditava que uma pessoa ressuscitava com Cristo no momento em que cria no Evangelho.

Paulo diz o seguinte aos Efésios: “estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), e nos ressuscitou juntamente com ele, e com ele nos fez sentar nas regiões celestes em Cristo Jesus” (Efésios 2:5,6). Observem bem o que Paulo fala ainda em vida: “Cristo … nos ressuscitou juntamente com ele“.

Aos Colossenses ele diz: “no qual também fostes circuncidados com a circuncisão não feita por mãos no despojar do corpo da carne, a saber, a circuncisão de Cristo;

tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos;

e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos” (Colossenses 2:11-13).

Paulo continua dizendo aos Colossenses o seguinte: “Se, pois, fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas que são de cima, onde Cristo está assentado à destra de Deus.

Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra; porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória” (Colossenses 3:1-4).

Em 1 Coríntios 15, Paulo começa o capítulo com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus e, ao longo do capítulo 15, ele fala sobre a ressurreição com a ressurreição corporal de Cristo como fundamento.

Quando Paulo diz: “isto que é mortal deve revestir-se de imortalidade”, ele está se referindo a nossos corpos.

Aqueles que creram no Evangelho após a ressurreição de Jesus (não em 70 dC) foram espiritualmente ressuscitados dos mortos com Cristo, pela fé. Por causa de sua fé em Jesus, que venceu a morte, eles se tornaram herdeiros da esperança da ressurreição que ainda vai ocorrer na Segunda vinda de Jesus.

A ressurreição que virá é a ressurreição do corpo. Paulo diz aos crentes em Éfeso, que quando eles creram no Evangelho, eles foram selados com o Espírito Santo da promessa, que é o penhor de nossa herança até a redenção da possessão adquirida, que é redenção do nosso corpo: “no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o Evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa, o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória” (Efésios 1:13-14). Compare com Romanos 8:23: “… nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo”.

16) Brado… voz… som de trombeta, simbólicos?

Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo, ao som da trombeta de Deus, e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Ts 4:16).

A história humana, como a conhecemos, tem um fim. E para aqueles que entendem que algo extraordinário ocorreu nos tempos, ou mesmo na vida cotidiana de cada ser humano após o ano 70 dC, podem acreditar, sem temor, que as estações continuam iguais desde a destruição de Jerusalém até o dia em que Jesus retornar fisicamente em glória.

Como o preterista completo equivocadamente une à vinda de Cristo para destruir Jerusalém com a segunda vinda corporal no final da história, eles tentaram espiritualizar a ressurreição dos santos mortos, arrebatamento dos crentes vivos e a descida corporal de Cristo para encontrar os santos nos ares.

Essa ginástica exegética seria divertida se não prejudicasse espiritualmente os seguidores do preterismo completo.

Observe que existem três atos audíveis que coincidem com a descida corporal de Cristo. “Porque o Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus”.

Esta declaração nos diz que os eventos da segunda vinda são inspiradores e de natureza pública. Embora toques de trombeta possam ser usados de maneira simbólica (por exemplo, um grande toque de trombeta acompanha o envio de mensageiros de Cristo para ir às nações para pregar o evangelho e reunir os eleitos – Mateus 24:31) temos todos os motivos para acreditar que esses eventos são literais. Esta ‘voz’, ‘o grito’, o ‘som de trombeta’ significa algo mais do que a mera manifestação de poder – é para ressuscitar os mortos; haverá um audível e poderoso som.

Em Êxodo 19, quando Deus desceu sobre a montanha em fogo, o povo ouviu o toque da trombeta que soou por muito tempo e ficou cada vez mais alto (v. 19). Esta passagem refuta a teoria do arrebatamento secreto dispensacional, bem como toda a doutrina preterista de uma segunda – clandestina, inaudível e indiscernível – vinda de Cristo. No julgamento da vinda em 66-70 dC Jesus nunca é visto ou ouvido.

De acordo com o preterista completo, foi um evento espiritual, e que, tanto a igreja quanto os pagãos ficaram completamente inconscientes. Na verdade, nenhum cristão professo estava ciente disso até o século XIX, quando toda a heresia preterista foi inventada.

A descida de Cristo do céu começa com um grito. A palavra “gritar” (keleusma), que ocorre apenas aqui no Novo Testamento, é usada para emitir ordens como um comando militar, o grito de um condutor de carruagem para seus cavalos, o comando de um caçador para seus cães, ou o grito de um capitão para seus remadores remarem. Uma tradução melhor seria, “o Senhor descerá com o grito de comando”. Quem é o primeiro a gritar ordens naquele grande dia? Neste contexto, é claramente o Senhor Jesus Cristo. Ao começar Sua descida do céu, Ele ordena que os mortos se levantem de seus túmulos. Nosso Senhor falou sobre isso quando disse: “todos os que estão nas sepulturas ouvirão a sua voz” (João 5:28). O comando, portanto, é definitivamente seu, procedendo de seus lábios. Não é um comando para ele, mas uma ordem dada por ele.

Saindo do paraíso ele pronuncia sua voz, e imediatamente as almas dos redimidos também partem, e são rapidamente reunidas com seus corpos, os quais, assim restaurados à vida, surgem gloriosamente.

Cristo, como um Rei vitorioso, dará a palavra de comando para reunir todos os santos ao Seu lado, e estar com Ele e admirá-lo em Seu ato final de redenção quando Ele triunfar completamente sobre o pecado, a morte e Satanás.

Acompanhando este grito autoritário está “a voz de um arcanjo”. O único arcanjo mencionado pelo nome nas Escrituras é Miguel (ver Judas 9; Ap 12: 7; Dan 10:13). Em Daniel 10:13 ele é chamado de um dos príncipes-chefes. Portanto, há vários arcanjos que servem a Deus. As Escrituras indicam que existem diferentes categorias de anjos, e os arcanjos são provavelmente as principais autoridades dos exércitos angelicais. A Bíblia nos diz que Jesus virá com todos os santos anjos (Mt. 25:31). Pode ser que este arcanjo esteja convocando as poderosas hostes do céu para descer com o Salvador. Os anjos ministraram a Jesus durante Seu tempo de humilhação (Mt 4:11; Mc 1:13) e sempre assistem os pequeninos (Mt 18:10), portanto, é adequado que eles estejam presentes na segunda vinda e no julgamento final.

O grito de comando e a voz do arcanjo são acompanhados pelo som da Trombeta de Deus. O toque da trombeta nas Escrituras lembra uma série de eventos p. As duas trombetas de prata tocadas pelos sacerdotes foram usadas para reunir o povo de Deus para a adoração (Números 10: 3), também ao soar do chamado para os israelitas começarem suas viagens (Números 10: 5-6), no soar do alarme para ir para a guerra (Números 10: 9) e foram soprados sobre os sacrifícios (Números 10:10; 2 Cr 29:28).

Trombetas foram tocadas para anunciar o ano do Jubileu, quando a terra foi liberada para que proprietários e escravos originais fossem libertados (Lv 25: 8-17). Tudo isso simbolizava a redenção e a liberdade concedida por Jesus Cristo. Nosso Senhor até disse que “o ano aceitável do Senhor” foi cumprido Nele (Lucas 4: 16-21; cf. Isa. 61: 1-3).

Paulo conecta o toque da trombeta com a ressurreição dos santos e a segunda vinda em 1 Co 15, 51-52: “Eis que vos digo um mistério: Nem todos dormiremos, mas seremos transformados todos; num momento, num piscar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta vai soar, e os mortos em Cristo ressuscitarão incorruptíveis … ”. Observe que o apóstolo a chama de última trombeta.

Com a segunda vinda, ressurreição corporal e julgamento final, o estado eterno começa e não há mais qualquer uso para o anúncio do julgamento ou a convocação de Deus para seus servos.

Após olhar para o uso da trombeta nas Escrituras, vemos por que ela é apropriada na segunda vinda de Cristo. Na verdade, é na segunda vinda, mais do que em qualquer outro evento, que podemos aplicar a maioria dessas associações de palavras.

A segunda vinda envolve: julgamento, ressurreição, reunião dos santos com Deus, que é a última realização da redenção. Nossos corpos são glorificados nesse momento e libertos, e a própria terra não mais estará sujeita a escravidão da queda. O eterno descanso e o Jubileu começam e toda a igreja é chamada para a adoração.

Que bendito toque de trombeta será este! Talvez seja por isso que a trombeta é especificamente chamada de trombeta de Deus.

17) Paulo não recebeu sua coroa em 70 dC

Hebreus 9:28 nos diz especificamente que a “segunda vinda” de JESUS ainda não ocorreu: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Hebreus 9:27,28).

O fato é que o escritor hebreu especificamente faz com que isso pareça pessoal para aqueles que esperam por ele. Não apenas os santos que viveram antes de 70 dC, mas todos os santos que morrem no Senhor. A palavra inclui todos, pois o Senhor ainda não veio.

Paulo também compara sua própria morte com a morte dos santos e inclui ele mesmo e todos com a vinda pessoal e individual de Cristo.

Em 2 Timóteo 4: 7-8, ele diz: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará NAQUELE DIA (Paulo morreu entre 67 e 68 dC. Ele não recebeu sua coroa em 70 dC); e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda“.

Inadmissível concluir que a esperança de Paulo e todos os cristãos daquela geração estivessem concentradas na destruição de Jerusalém e numa suposta vinda invisível de Jesus em 70 dC.

Paulo, com todos os cristãos mortos, antes e depois da destruição de Jerusalém, não receberam ainda suas coroas, como afirma um Preterista com toda convicção possível: “Sim, Paulo esperou apenas dois anos por sua coroa. ‘Foste executado em 68 dC, e teu Mestre veio com a destruição de Jerusalém, em 70 dC, e deu-te a tua coroa‘ (Charles Julius Guiteau. The Truth; a Companion to the Bible p. 30)”

Trágico e cômico! Ele está totalmente equivocado. Jesus não voltou em 70 dC!

Ambas as passagens provam que a Parusia do Senhor não pode ser diluída e diminuída em um evento histórico único como a invasão e destruição de Jerusalém.

18) “É, mas ainda vai ser

É verdade que esta era é a era da realização – é a era messiânica. Mas isso não é tudo. O NT descreve esta era como o aspecto inaugurado da era vindoura – sua plenitude aguarda a culminação das eras no retorno de Cristo.

A profecia do tempo do fim foi cumprida, mas seu cumprimento culminante ainda está por vir. O preterismo falha em reconhecer este cumprimento “agora e mais uma vez” da profecia bíblica, que é difundido em toda a Palavra profética.

Gênesis 3:15 – a primeira profecia das Escrituras, encontra seu cumprimento na primeira vinda de Cristo e ainda atinge o ponto culminante em estágios (Mat. 12: 22–29; João 12:31; Rom 16:20; Ap. 19– 20). O reino de Deus está aqui (Mateus 12:28 ; Colossenses 1:13) e ainda está por vir (Mateus 6:10; Lucas 19:11; 2 Timóteo 4: 1; 2 Pedro 1:11; Ap 11:15). O Rei veio (Mateus 2: 2), assumiu seu lugar no trono de Deus (Atos 2:36) e ainda virá a exercer todos os direitos de seu reinado (Lucas 19:11ss; Apocalipse 19 :11ss).

A tribulação e o Anticristo estão aqui e ainda estão por vir (1 João 2:18, 22; 4: 3; 2 João 7). Somos a nova criação (2 Coríntios 5:17), e ainda assim a aguardamos (Apocalipse 21: 5) Aguardamos a ressurreição (João 5: 28–29 ), embora a hora da ressurreição tenha chegado (João 5:25). A vida eterna é nossa hoje (João 5:24), e ainda assim aguarda o dia final (Dan 12: 2).

Este agora, e ainda não cumprimento da profecia “em etapas”, é um assunto padrão nas Escrituras. Existe hoje uma sobreposição de épocas. A era messiânica por vir chegou, mas apenas em sua forma inaugurada – sua plenitude aguarda a consumação.

É essencial reconhecer esse fenômeno nas Escrituras se quisermos entender a profecia bíblica. Este cumprimento “agora e ainda não” é o padrão regular, e devemos ter cuidado para não forçar os aspectos “ainda não” de determinadas profecias no molde do “agora”. E mais atenção ainda devemos ter com relação ao cumprimento passado de uma profecia que ainda não se cumpriu, que é o modelo preterista.

19) A Restauração de todas as Coisas

O Preterismo Completo tem ensinado que este mundo vil continuará como está para sempre. Eles não se importam com os tantos questionamentos feitos sobre as condições degradantes da humanidade que piora a cada dia. Guerras, fome, pestes, catástrofes e injustiças, segundo eles, não terão fim. Eles são eternamente implacáveis!

Porém, caro amigo leitor e cristão, não desanime; Deus tem uma palavra de esperança e conforto para você.

A criação “muito boa” e “abençoada” de Gênesis 1-2 agora está sob o julgamento divino (Gênesis 3); e os escritores bíblicos subsequentes antecipam uma restauração da ordem criada e reversão da maldição “no novo céu e na nova terra” (Isa. 65:17; 66:22; 2 Ped 3:13; Ap 21: 1).

Mesmo se as muitas passagens de “volta ao Éden” nos Profetas (por exemplo, Isaias 11:6-9; e Isaías capítulos 25-26 e 65-66 ) sejam entendidas em termos simbólicos (o que não é de forma alguma certo), outras profecias relacionadas parecem inequivocadamente claras. Em Romanos 8: 18-23, por exemplo, Paulo afirma que esta ordem presente, “sujeita à futilidade” (8:20) e marcada por “gemidos” (8:22), em queda e no “cativeiro da corrupção” (8:21), experimentará uma reconhecível reversão na ressurreição dos justos (8:23).

Não há dúvidas quanto ao pecado humano ter afetado a ordem criada. Porém, está ordem criada será recuperada na redenção humana final, e será totalmente restaurada.

Pedro também nos orienta a esperar um dia de renovação cósmica:

Virá, pois, como ladrão o dia do Senhor, no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se dissolverão, e a terra, e as obras que nela há, serão descobertas.

Ora, uma vez que todas estas coisas hão de ser assim dissolvidas, que pessoas não deveis ser em santidade e piedade, aguardando, e desejando ardentemente a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se dissolverão, e os elementos, ardendo, se fundirão?

Nós, porém, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e uma nova terra, nos quais habita a justiça” (2 Pedro 3: 10-13).

A história dessa era terminará, não continuará como está em sua queda – ela alcançará seu objetivo pretendido e testemunhará “a restauração de todas as coisas” (Atos 3:20,21). Deus não pretende deixar a criação – ou a humanidade – em sua condição decaída. Seu propósito “bendito” para a criação ainda será realizado (Ef 1:10; Ap 21–22 ). Essa é a perspectiva difundida na profecia bíblica.

20) As descrições bíblicas do retorno de Cristo

As profecias bíblicas, de fato, nos levam a esperar mais por vir? A resposta é um sim retumbante!”

Em seu discurso no Monte das Oliveiras, o próprio Senhor afirma que seu retorno será pessoal e visível: “eles verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens” (Mt 24:30; cf. Dn 7: 13-14; Mt 26:64). Os anjos em sua ascensão reafirmam explicitamente o mesmo: “ele virá da mesma maneira que vocês o viram ir para o céu” ( Atos 1: 9-11 ). João reafirma também: “Nós o veremos como ele é” (1 João 3: 2); “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá” (Apocalipse 1: 7). Essas palavras claramente nos levam a esperar um retorno pessoal, corporal, visível e reconhecível de nosso Senhor, que a história ainda está para testemunhar. Na verdade, Jesus nos alertou para não sermos enganados por aqueles que afirmam que ele já voltou, garantindo-nos que quando ele vier, será inconfundível e todos saberão ( Mt 24: 23-27 ).

O mesmo acontece com a vindoura ressurreição dos mortos. Ninguém contesta que existe uma ressurreição espiritual que experimentamos em Cristo hoje (João 5:25; Efésios 2: 5), mas muitas passagens bíblicas nos asseguram que nossa ressurreição corporal ainda está por vir (João 5: 28-29; Atos 24:15; Fil 3:11; 1 Ts 4: 13-18 ). Na verdade, o próprio argumento de Paulo em 1 Coríntios 15 é que a esperança de nossa futura ressurreição corporal está ligada ao próprio evangelho. Assim como Cristo ressuscitou dos mortos, nós que estamos nele também ressuscitaremos (15: 20-23) com um corpo contínuo com o corpo desta vida, mas adequado para a era por vir (15: 35-57), um corpo como o corpo da ressurreição de Jesus (15:49; cf. Fp 3: 20-21 ).

O propósito salvífico de Deus é abrangente; ele nos restaurará de corpo e alma (Rom 8:23 ). Num dia vindouro, a própria morte será destruída, até mesmo revertida (1 Cor. 15: 54,55), e então, por fim, “não haverá mais morte; não haverá mais pranto, nem clamor, nem dor, porque as coisas antigas já passaram” (Ap 21: 4). Esta é a feliz perspectiva do propósito salvador de Deus.

O mesmo acontece com os julgamentos do tempo do fim. A devastação de Jerusalém em 70 dC, por mais terrível que tenha sido, não esgotou as profecias do julgamento mundial ainda por vir (Atos 17:31; Apocalipse capítulos 6-19). Ainda está por vir o dia em que Deus destruirá todos os seus inimigos e dará vindicação pública ao seu povo anteriormente perseguido (2 Tessalonicenses 1: 5-10).

O espaço permite apenas uma breve menção da perspectiva bíblica da conversão de Israel. Nosso Senhor falou sobre isso em Mateus 23: 37-39: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste! Eis que a vossa casa vai ficar-vos deserta; porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor”.

Seria difícil satisfazer as demandas desta profecia dentro de uma estrutura preterista (compare com Romanos capítulos 9 e 11; detalhe em 11:26).

As Contradições do Preterismo não tem fim …